Um Novo Caminho
7 Fim de Jogo
Notas iniciais
Remus tinha aprendido a se mover na escuridão. Durante o tempo que ficou no clã com Fenrir, Martin tinha se esmerado mostrando a ele como podia usar seus olhos de caçador e seu ofalto para passar despercebido pelas pessoas, ele podia ser uma sombra quando queria. É um fato que lobos são caçadores natos, e ele não ficou surpreso quando apenas três noites depois de espalhar os lobos do clã em pontos estratégicos dos povoados mágicos, teve uma pista de Peter. Era madrugada e ele sorriu amargo ao se chamar de tolo sentimental por ter guardado uma túnica de gala e alguns objetos do amigo que tinha pensado ter perdido tão tragicamente, mas esse era um detalhe que ajudava muito na situação atual.
Ajeitando melhor sua capa, ele acariciou a cabeça da loba que o tinha trazido até aquele local, foi no clã também que ele aprendeu a respeitar os “irmãos selvagens”, como Fenrir os chamava. Ela tinha encontrado o rastro de Peter, e o curioso é que dava na casa dos Weasley, e o lobisomem sorriu, pensando na cara que Lucius faria ao saber que ele ia levar Harry para um fim de semana com os ruivos.
X~X~X
Lucius gostava de passar tempo com seu filho e Potter, sendo que o moreno conseguia ser mais agitado que Draco. Isso agradava ao loiro, que ainda se lembrava de quão maltratado e ferido o pequeno tinha sido ao chegar na mansão.
- E dessa vez, quem é que está mimando os meninos? – Abraxas perguntou, muito elegante em uma túnica de gala, mas com os cabelos revoltos, e um ar de satisfação que entregava sua espadela.
- Eu não estou mimando ninguém, eles estão dormindo.
Abraxas revirou os olhos, os meninos estavam dormindo sim, mas nos braço de Lucius em vez de cada um em seu berço.
- Aliás papai, isso são horas de chegar em casa? Já é madrugada, velho assanhado. – Lucius disse, provocando-o.
- Oh, pobre filho abandonado. – Abraxas disse, com ar de pena. – Precisa que papai te ensine como seduzir e foder um lobisomem?
- Tem crianças aqui, seu degenerado. – Lucius reclamou, divertido.
- Como se você não tivesse lançado um feitiço de silêncio nos dois. – Abraxas disse. – Por que ainda está acordado?
- O irresponsável vira-lata saiu para tentar caçar o rato, e ainda não voltou.
- Está preocupado com ele? – Abraxas perguntou, sério.
- Não, mas não gosto de deixar os meninos sozinhos.
- Lucius, ele é um lobisomem, é inteligente e mais sensato que a maior parte dos gryffindors, mas ainda poderia te largar sem piscar se achar o companheiro. E se ele te machucar assim vou ter que arrancar a pele dele… enquanto ele está acordado, claro.
- Eu não estou me apaixonando pelo lobo, ele é sexy, isso é tudo. – Lucius disse, teimosamente.
Abraxas deu de ombros, mas se aproximou para beijar os cabelos do filho.
- Vá dormir um pouco, e ponha os meninos na cama, vai malcriá-los assim. – O patriarca zombou.
Lucius fez uma careta, ele não malcriava os meninos… talvez um pouquinho.
X~X~X
Quando Remus entrou no quarto de Draco ainda de manhãzinha, para verificar se ele e Harry ainda dormiam, tomou um susto ao ver os dois meninos aconchegados nos braços de Lucius Malfoy, que dormia na poltrona, numa posição desconfortável. O lobisomem se aproximou para pegar os meninos e colocá-los no berço, mas quando estava perto o bastante para tocá-los, a varinha de Lucius foi direto a seu pescoço e os olhos cinzentos o fuzilaram.
- Sem violência chefe, juro que não fiz nada demais essa noite. – O lobo disse, com um sorriso malandro e com as mãos levantadas em sinal de paz.
- Poupe a lábia Lupin, conheço muito bem as desculpas de cachorros sarnentos e sem eira nem beira como você. – Lucius disse, azedo.
- Isso quer dizer que tem ciúmes de mim? – Remus continuou provocando-o.
- Em seus sonhos… o que quer aqui? – O loiro perguntou, estreitando os olhos.
- Vim ver se os meninos estavam acordados. Coloque-os no berço pelo amor de Merlin, sabe que eles vão fazer a manha do século hoje para dormir com você se acordarem no seu colo.
Lucius ia protestar, mas Remus tinha razão e ele ofereceu Draco para que o lobisomem pegasse, de forma que se levantou só com Harry, que tinha sono mais pesado. Os dois meninos se aconchegaram no berço e continuaram dormindo, era cedo demais para os dois acordarem, de qualquer forma.
- Quer que eu te coloque na cama também? – Remus perguntou, descarado ao ver Lucius se espreguiçando e bocejar.
O loiro só olhou feio pra ele, sem paciência para as provocações.
- Vamos ao meu quarto, lá não corremos o risco de acordar os meninos e você pode explicar porque passou a noite fora de casa.
Remus ficou parado no quarto dos meninos, vendo o loiro sair com os cabelos esvoaçando atrás dele. Lucius Malfoy teria percebido que falava com ele como se fosse uma esposa ciumenta? Sorrindo, o ex-maroto foi até o quarto do loiro e o encontrou sentado na cama, com o robe ainda amarrado firmemente na cintura.
- E então, que atividades te mantiveram tão entretido a noite toda? – Perguntou Lucius, de forma cáustica. – Nem que estivesse caçando um troll.
Ainda sorrindo, Remus se aproximou da cama, mas ficou respeitosamente de pé, afinal aquele ainda era seu patrão.
- Buscar um rastro sem um ponto de partida é basicamente tentar achar uma conchinha específica na praia. Tive que aparatar em diferentes pontos dos povoados mágicos onde deixei os lobos para verificar se algum tinha tido sucesso… e para minha surpresa, uma das meninas achou o rato.
- Sério? Onde? – Lucius perguntou, interessado.
Remus hesitou, sabia que o loiro não gostava dos Weasley e não queria tirar conclusões precipitadas sobre as lealdades do clã ruivo, mas não podia mentir para o homem que tinha devolvido seu filhote para seus braços. Moony rosnando para a ideia também era um fator, claro.
- O rastro dá na casa dos Weasley.
- Traidores do sangue e dos amigos! – O loiro esbravejou, olhando acusadoramente para Remus.
- Pelo amor de Merlin, não pode deixar para apontar o dedo depois de averiguar o que aconteceu de verdade? A forma do Peter é um rato, ele pode estar escondido na casa sem que eles saibam.
- Ele é um animago, que tipo de magos não perceberiam que há um animago... – Lucius parou de repente, ciente de que o raciocínio de Remus era o mais acertado no caso dos Weasley, eles não eram serpentes desconfiadas. – São uns tolos crédulos e descuidados, se não sabem mesmo… tem crianças lá pelo amor de Merlin.
- Um monte delas, acho que Harry vai se divertir muito quando formos visitar. – Remus soltou a bomba, com voz calma.
- Você quer levar Harry para aquele lugar? Está ficando doido? Eles tem uma manada de crianças, podem ter toda a sorte de germes e…
Lucius continuou enumerando os defeitos dos Weasley, mas Remus o ignorou. O loiro estava se apegando a Harry, mesmo que gastasse muita saliva negando o fato.
- … e são muitos gryffindors para pouco espaço, eles vão fazer barulho e assustar o menino.
- Ele vai visitar os Weasley comigo e começar a socializar com mais pessoas. Aliás, aqui tem serpentes demais também.
Lucius odiava o fato de que o lobisomem nunca perdia aquele ar professoral e calmo, mas sorriu maldoso quando se lembrou de um detalhe.
- Tudo bem, leve Harry para conhecer a ralé ruiva… mas não se esqueça de que é você quem vai contar ao Draco. – O loiro finalizou, sorrindo ao ver a cara de espanto e temor do outro.
- Merlin me ajude. – Remus disse, desanimado. Draco o tinha enrolado no dedo mindinho e ia fazer picadinho de Moony quando soubesse que ele queria que Harry tivesse mais amigos. – Talvez se ele for junto…
- Não nessa vida! Nem pense nisso. – Lucius disse, com um sorriso cruel.
X~X~X
Remus aparatou com Harry na frente da casa dos Weasley e bateu na porta, ouviu vozes dentro da casa e logo a porta foi aberta por um sorridente Arthur.
- Olá Remus, que bom que veio! – Disse o ruivo, animado. – E esse é o pequeno Harry, tudo bem?
O menino escondeu o rosto no pescoço de Remus, ele ainda tinha muita vergonha e era tímido com as pessoas que não conhecia. Culpa dos malditos tios trouxas.
- Vamos lá Harry, tem um monte de amiguinhos aqui para você brincar.
- Daco? – O moreninho perguntou.
- Draco foi passear com o avô, lembra? Vamos lá, vai se divertir.
- Sim, e Molly fez uma deliciosa torta de abóbora pra você! – Arthur contou. – Você gosta de doces?
Isso pareceu interessar ao menino, que sacudiu a cabeça vigorosamente.
Harry foi apresentado a Ronald, que era maior e mais forte que ele, mas que o chamou para brincar e disse que o protegeria dos gêmeos malvados. Logo, os dois estavam rindo e Remus conversando agradavelmente com Arthur. O problema ocorreu quando Molly Weasley entrou na sala, ela deu um gritinho emocionado e correu para pegar a abraçar Harry fortemente, o que fez o menino gritar em pânico.
- Meu Merlin! O que há de errado com ele? – Perguntou a mulher, olhando penalizada para o menino chorando.
- Sinto muito, mas ele não está acostumado com tanta efusividade. Se assustou. – Explicou Remus, pegando Harry no colo para acalmá-lo.
- Eu sinto muito… não queria assustá-lo. – A matrona disse, sem entender como um menino não ia querer um abraço. – Mas o pobrezinho deve estar com medo de tudo tendo que viver naquela casa cheia de emproados.
- Eles não são tão ruins, e Harry adora o pequeno Draco. – Remus disse, incomodado com a observação de Molly.
- Claro, eles devem estar adorando poder dizer por ai que não são comensais e que cuidam do Elegido… uma vergonha. – A mulher insistiu, sem se dar conta do semblante fechado de Remus.
- Calma Molly, tenho certeza que Remus jamais colocaria Harry num ambiente onde ele não estivesse seguro.
A mulher corou e pigarreou ao se dar conta de sua gafe.
- Que tal irmos para a cozinha comer torta e dar um pouco de leite para essas crianças? Pobrezinho do Harry, precisa de alguma carne em cima desses ossos.
Com isso Remus concordava, mas com as poções de Severus e a comida dos elfos de Malfoy Manor, Harry já tinha ganhado algum peso, mas ainda era magrinho e aparentemente frágil. O menino adorou a tora de Molly e começou de novo a ficar mais a vontade, conversando com Ronald. Remus podia sentir o cheiro de Peter na casa, o que era inquietante, mas ele também ouvia os risos das outras crianças na casa, que desceram a escada, fazendo a casa tremer e que chegaram sorrindo na cozinha. Ele foi apresentado a cada um deles, menos a pequena Ginny, que dormia. E achou que Percy era o mais interessante, calmo e discreto no meio de uma multidão alegre e falante. Foi dentro da túnica dele que Remus viu um volume grande, do tamanho de um ratazana traidora.
- Então, você gosta de ler? Posso te trazer muitos livros interessantes para um jovem bruxo. – Remus disse ao menino.
Os olhos do pequeno brilharam.
- Eu gostaria muito!
- Um menin estudioso como você vai se dar muito bem na escola. – Remus disse, piscando-lhe um olho.
Percy corou e sorriu.
- Ele é muito dedicado aos estudos. – Molly disse, orgulhosa, mas muito menos empolgada do que quanto tinha falado sobre as habilidades dos dois mais velhos.
- Auch! – Percy disse. – Perebas está me arranhando.
O irmão mais velho da prole riu.
- Você deve estar apertando-o.
Remus conteve a respiração quando viu o menino tirar o rato de dentro da túnica. Quase rosnou, mas preferiu ver como o rato se retorcia nervoso e guinchava.
- Percy, solte-o antes que ele te morda. – Bill disse, preocupado em ver o irmão machucado por um rato que ele tinha achado pra ele.
Percy obedeceu, e o rato pulou para o chão começando a correr. Remus foi mais rápidp e com um feitiço certeiro teve o rato numa gaiola.
- Oh, não precisava sr. Lupin, ele não ia fugir. Ele sempre volta para ter mais comida. – Percy disse, ao ver o rato se debatendo contra as grades.
- Claro que sim, mas é sempre bom tomar cuidado. Onde conseguiu esse rato, Percy?
- Foi Bill.
O aludido sorriu.
- Eu o encontrei em Hogwarts, pensei que era de alguém, mas quando o dono não apareceu o trouxe para Percy… porque ele é um rato dos livros. – Disse, bagunçando o cabelo do irmão e rindo.
Percy cruzou os braços e fez uma cara amuada.
- Mãe…
- Ele está brincando, amor.
- Claro, sempre é brincadeira. – Reclamou o mais jovem.
Remus resolveu que tinha conseguido informação suficiente e chamou Arthur de lado enquanto Molly arbitrava uma discussão entre seus três mais velhos.
- Não sei se sabe, mas eu sou especialista em Defesa contra Artes das Trevas.
- Claro que sim, todos na Ordem sabem. – Disse Arthur, estranhado.
- Sim, claro. Sabia que o rato do seu filho é um animago? – Remus soltou a queima-roupa. – Pior ainda, creio que é Peter Pettigrew, meu antigo amigo e alguém supostamente morto.
Quando Arthur caiu no chão, do susto toda a cozinha silenciou e Harry olhou para Remus curioso.
- Moony enfeitiçou sr. Atu igual o sr. Luciu fez com o elfo?
- Não Harry, foi só o susto. Ele vai ficar bem logo, me ajuda Molly? – Ele chamou a mulher, que olhava para o marido estupefata.
- Claro, desculpe. – Disse a mulher, indo ajudar Remus a acordar o marido.
X~X~X
Remus levou Harry para casa através do flú, o que deixou o menino mareado e irritado, mas não menos que o loirinho que os esperava de bracinhos cruzados na sala.
- Olá Draco, se divertiu no passeio com seu avô?
- Você levou meu Harry. – Acusou o loirinho.
- Sim, mas já otrouxe de volta. Vá contar ao Draco o que você fez hoje Harry.
Harry estava mais reposto da viagem por flú e sorriu para Draco.
- Eu binquei com o Lon! – Contou o moreninho, para desgosto do pequeno Malfoy, que aumentou o beicinho, mas que não resistiu ao ser puxado pela mão e levado para a sala de jogos.
- Quanto vai me custar obter o perdão desse menino? – Remus perguntou para Abraxas, que tinha assistido a cena, sorrindo.
- Muito tempo e muita bajulação. – O patriarca disse, sorrindo. – Esse rato é quem estou pensando?
- Sim, não pode imaginar a cara que Arthur fez quando descobriu que tinha um animago como animal de estimação de um dos filhos.
Abraxas fez uma careta de desgosto.
- Esse homem… que tipo de mago não percebe algo assim?
- A maior parte dos magos não tem a magia treinada para perceber esse tipo de coisa. Eu posso porque estudei a fundo a arte de defesa, e vocês porque são slytherins desconfiados. – Remus disse.
- Não me venha com essa. Aquela família faz parte da ordem de Dumbledore e foram parte ativa de uma guerra que mal terminou, eles tem filhos para proteger e não podem se dar ao luxo de serem descuidados. E pelas barbas de Rasputin Pettigrew, pare de guinchar na minha casa, não vou te salvar, rato imbecil.
Remus ainda segurava a gaiola e sorriu para Abraxas.
- Acha que posso me divertir um pouco com ele na masmorras antes de entregá-lo ao Ministério?
- Com certeza, mas eles vão interrogá-lo até a exaustão e ninguém quer aquela Umbridge te acusando de ser um lobisomem descontrolado, certo?
- Uma pena… eu queria saber se já posso usar a cruciatus com perfeição. E reze para cair em Azkaban só depois que Sirius sair de lá Peter, lembra de como Walburga era boa com maldições escuras? Ele aprendeu direitinho.
Remus gostou de ver o rato se encolhendo e ouvir o pequeno coração correr a mil por hora. Isso não era nem parecido com o que queria fazer com o rato, mas serviria por agora.
- Bom trabalho Lupin. – Abraxas disse. – Já mandou avisar Lucius?
- Não, eu queria trazer Harry pra casa primeiro.
- Vou mandar um elfo chamá-lo, depois vamos ver o que ele quer fazer. – Disse Abraxas sorrindo, sabia que esse seria um fato que ia devolver a seu filho o status que merecia e claro, afastar mais uma vez a sujeira que a guerra jogou no nome dos Malfoy.
X~X~X
Lucrécia e Lucius entraram na sala do Wizengamot com expressões igualmente sérias. Os membros do tribunal pareciam irritados e contrariados, afinal, mais uma vez esses dois convocavam uma reunião emergencial, sem revelar previamente os motivos e como sempre, e apareciam com ar arrogante na sala.
- Boa-noite senhoras e senhores do Wizengamot. – Lucrécia começou, gostando de ver a careta que muitos fizeram. – Como já é noite e estamos todos querendo resolver isso o mais breve possível, serei rápida e sucinta.
- Como se um slytherin pudesse fazer tal coisa, ser direto e rápido, digo eu. – Disse Diggory, ele nunca tinha gostado de Lucrécia.
- Claro que podemos. – Ela disse, altiva. – Mas não posso culpar um Hufflepuff por não apreciar a beleza de uma boa conversação, complexidade demais para vocês?
Lucius manteve seu semblante impassível, mas ouviu alguns risos na plateia, disfarçados por tosses e pigarros. Foi então que Lucrécia sorriu altiva para o Hufflepuff e voltou a falar:
- Como muitos de vocês devem se lembrar quando Sirius Black foi preso e enviado sumariamente para Azkaban eu disse nessa mesma sala que tal afronta ao sistema de leis era algo que poderia se virar contra o Ministério.
Um murmúrio de desgosto correu pela sala, todos se lembravam de como a arguta slytherin tinha dito em claro e bom tom que aquilo era ridículo e que ninguém deveria ser preso sem julgamento.
- Pelo amor de Merlin Lucrécia, me diga que não me tirou de casa para vir ouvir suas lamúrias sobre as faltas do Wizengamot contra o seu precioso sistema de justiça. Black era uma escória puro-sangue racista e traidora, teve exatamente o que mereceu. – Reclamou Amelia Bones, que a detestava porque queria seu cargo no Departamento de Execução das Leis Mágicas.
- Escória puro-sangue? – Lucrécia disse, arqueando uma sobrancelha. – Talvez então, deva me dizer como devo chamar a esse aqui.
E diante de uma plateia perplexa, ela desapareceu com a gaiola onde Peter estava e quando o rato começou a correr acertou-o com um feitiço potente, que o fez retornar a forma humana.
- Senhora e senhores do Wizengamot, apresento-lhes Peter Pettigrew. Se prestarem atenção vão ver que falta-lhe um dedo, e que o resto do corpo vai muito bem… agora, estimada Amélia, o que Sirius Black é, mesmo?
Dumbledore rilhou os dentes ao ver seu antigo aluno ali. Aquilo não estava seguindo um bom caminho. Claro que ele sabia que Sirius nunca mataria os trouxas, mas tinha apostado suas fichas na morte de Peter, agora o herdeiro Black dificilmente continuaria preso.
- Parece que um terrível erro foi cometido contra Sirius Black. – Ele disse. – Como Lucrécia eu fui contra seu aprisionamento sumário e agora, ele deve ser liberado imediatamente.
Lucius Malfoy revirou os olhos, e pigarreou.
- Com licença. Nem prisões sumárias nem solturas imediatas fazem parte do sistema legal mágico. Ele foi preso pelos aurores como suspeito, antes de soltá-lo ele deve pelo menos ser interrogado e prestar esclarecimentos, não acham? Afinal, há que se verificar se ele realmente era o guardião do Fidelio dos Potter e o que realmente aconteceu naquela noite.
Um murmúrio de aprovação percorreu a sala, mas uma risada forte os interrompeu.
- Era só o que nos faltava. Um dos soldadinhos de Voldemort querendo nos ensinar a fazer nosso trabalho. – Disse Alastor Moody. – Claro que queremos saber o que ocorreu naquela noite com detalhes, quando quiser nos dizer Lucius é só começar a falar.
- Devo lembrá-lo dr. Moody que meu assistente foi julgado e livrado das acusações.
- Claro que eu me lembro, mas a marca escura ainda está ai e a mim seus galeões não compram. – O auror disse, causando gritinhos de descontentamento entre os membros do tribunal, mas fazendo sinal para que seus aurores e pupilos pessoais prendessem Peter. – E estou deveras curioso para interrogar o sr. Malfoy e saber de onde ele tirou esse rato… das masmorras de Malfoy Manor, talvez?
Lucius rilhou os dentes ao ver o brilho nos olhos de Dumbledore e lançou um olhar venenoso para o auror.
- Ficaria surpreso em saber de onde conseguimos tirar esse rato. – Disse desdenhosamente.
- Moody se expressa de maneira rude, mas essa é uma questão importante, jovem Lucius. Não quero imaginar que Harry possa estar sendo exposto a esse tipo de perigo.
- Harry Potter está sendo muito bem cuidado, e estou surpreso Dumbledore, pensei que a essa altura Arthur Weasley já teria te informado de como o sr. Lupin amavelmente salvou seus filhos de ter um animago ilegal como bichinho de estimação. Ele vai adorar explicar os detalhes de como Pettigrew foi encontrado nos terrenos de Hogwarts e entregue a um de seus filhos.
Poucas vezes na vida Lucius teve o prazer de ver a máscara de vovô bondoso de Dumbledore cair, e teve uma satisfação imensa ao ver a raiva e a perplexidade dominarem o semblante do mago mais velho. Sim, a vingança era doce.
X~X~X
Frio. Frio e escuridão são as únicas coisas que podem ser encontradas em Azkaban. Isso e os gritos horríveis de alguns presos, vítimas dos vorazes dementadores. Sirius estava encolhido num dos cantos da cela em sua forma animaga, tudo o que ele podia fazer era tremer e lamentar tudo o que tinha perdido, quando ouviu o som de passos voltou a sua forma humana, pensando no que os guardas fariam dessa vez. Ele tinha descoberto que a prisão era um lugar de medo e terror, e que os guardas podiam ser piores que os dementadores. Ele odiava saber que merecia cada coisa ruim que acontecesse ali, claro que isso não tornava mais agradável cada vez que um dos guardas humanos entrava em sua cela. A primeira surra ele tinha aguentado bem, mas alguns meses depois ele descobriu que um deles, Charles Elston achava muito divertido dar algo de humildade ao arrogante herdeiro dos Black obrigando-o a implorar de joelhos em troca de não ter sua comida regada a urina ou com um feitiço que a enchia de vermes. Sirius tinha resistido as primeiras vezes, mas a fome debilitava sua magia e ele precisava estar em sua forma de animago quando os dementadores vinham visitá-lo ou iria enlouquecer naquele lugar. Preparando-se mentalmente para mais essa humilhação, o mago respirou fundo e desejou poder voltar no tempo e ter aceitado ser o fiel do segredo de James e Lily. Quando a porta da cela se abriu, num golpe seco ele não se moveu, quando ouviu passos se aproximando quase cedeu a tentação de se transformar e estraçalhar o guarda usando os dentes, apertou os olhos com força e quando sentiu dedos em seus cabelos sujos e cheio de nós prendeu a respiração.
- Siri? Olhe pra mim por favor. – Pediu uma voz suave.
Aquela voz não podia ser de verdade. Os dementadores o estavam afetando mais do que ele imaginava e agora estava tendo alucinações. Era uma tortura a mais para que ele pagasse por seus pecados.
- Vamos lá Black! Que eu não comecei a treinar um molenga! – Sibilou Alastor.
- Pelas bolas de Merlin Moody! Ele passou o inferno e não precisa de você aqui sendo um filho da puta. – Remus esbravejou com o auror.
Sirius não aguentou, abriu os olhos e encontrou com Remus segurando seu rosto. O lobisomem sentiu seus olhos se encherem de lágrimas ao ver como o amigo estava.
- Moony? – Ele perguntou com voz rouca. – É você de verdade?
- Sim, sou eu… e vim te levar pra casa.
Moody saiu da cela quando Sirius começou a soluçar, agradecendo ao amigo. Eles mereciam algo de privacidade e ele queria resguardar ao menos um pouco do orgulho do homem que foi um de seus melhores pupilos, e que com um pouco de sorte, voltaria ao Aurores e ajudaria a baixar a crista de Lucius Malfoy no Ministério. O velho auror sorriu, o loiro não teria chance quando Sirius soubesse que seu afilhado estava na casa de um comensal da morte.
Notas finais
Ah, e só um aviso: não vou responder mensagens sobre prazo de postagem, já disse que esse tipo de cobrança é chata pra caramba porque existe vida além do fandom. Às vezes demorarei, mas voltarei sempre.
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