Um Novo Caminho
8 Competições
Notas iniciais
Sirius acordou com seu coração retumbando no peito, com falta de ar e sentado no chão de seu antigo quarto em Grimmauld Place. Ele ainda olhava em volta atônito e com lágrimas escorrendo pelo rosto quando Remus abriu a porta e correu até ele.
- Sirius? Você está bem? – O lobisomem perguntou segurando o rosto do amigo.
Remus sentia uma grande opressão no peito ao ver seu outrora charmoso e inquebrável amigo encolhido perto de uma parede e tremendo.
- Sim, desculpe se te acordei Moony.
Remus suspirou e se sentou no chão ao lado do amigo, olhou para a cama e percebeu que Sirius não devia ter dormido lá.
- Pensei que ia apreciar uma cama macia depois de tanto tempo. – O lobisomem disse.
Sirius soltou uma risada áspera e sem diversão real.
- Quando você se acostuma ao chão frio… e é o que eu merecia.
- Peter merece a cela em que você estava. Moody o interrogou e descobriu como aquele rato traidor fez tudo, não foi culpa sua.
- Sim, foi. Eu fui o covarde que não aceitou ser o guardião.
- Você acreditou num amigo, coisa que eu não fiz. Quer culpar alguém? Que tal eu? Eu poderia ter sido o guardião também! – Remus argumentou, querendo ter o melhor amigo de volta.
- É diferente Moony! Eu traí você uma vez… eu não sou confiável.
- Aquilo foi uma estupidez de um menino mimado. Você e James sempre foram dois inconsequentes mais preocupados com rir dos outros do que com as consequências do que faziam, mas isso não os tornava malvados… só estúpidos.
Sirius tinha que concordar com isso, mas ainda era cedo pra ele poder sorrir de Remus passando-lhe um sermão. Tinha saído da cadeia e passado por três horas de interrogatório na Central de Aurores antes de que o Ministro assinasse sua libertação, e ainda não podia acreditar que estava na velha casa de seus pais.
- Pequenos monstrinhos mimados. – Sirius brincou, com um esgar amargo. – Sim, acho que éramos.
- Vocês foram, mas agora você está livre e… precisa saber de algumas coisas. – Remus disse com voz grave. – Amanhã vou te fazer um bom café da manhã e vamos nos sentar pra conversar.
- Pelas bolas de Merlin… isso não pode ser bom. – Sirius choramingou, Remus só cozinhava quando as coisas estavam mal.
- Você nem imagina, mas acho que você precisa estar mais descansado para ouvir o que tenho que contar, então… beba isso. – Remus pediu, entregando um frasco para o amigo.
- As poções dessa casa devem estar vencidas e perigosas. – Sirius disse, afastando o vidro, ele odiava poções.
- Claro que essa é nova e preparada precisamente pra você, vai evitar os sonhos. Beba Sirius ou vou ter que trazer o quadro da sua mãe aqui.
Sirius arregalou os olhos.
- Você não seria capaz! – Disse, horrorizado.
- Experimente. – Ameaçou Moony.
Sirius fez um beicinho e bebeu com cara feia, o que fez Remus se lembrar de Lucius quando era contrariado. Será que todos os herdeiros puro-sangue eram assim?
X~X~X
Lucius estava sentado na cadeira de balanço no quarto de seu filho, com Draco e Harry acomodados em seu colo. O loiro lia uma história para os dois meninos quando Severus chegou em casa, ele pôde sentir as proteções da mansão estremecendo e pouco tempo depois, o pocionista aparecia na porta do quarto de Draco. Severus segurava uma mamadeira numa das mãos, o que nunca combinava com seu aspecto sombrio.
- Olá Sev, teve uma noite agitada com os nossos amigos caninos?
- Só fui levar uma poção, nem vi o vira-lata. Mas Lupin disse que ele estava num estado lamentável, e claro que não me deixaria ver para me divertir um pouquinho. O intrépido Sirius Black quebrou em Azkaban.
- Ninguém sai de Azkaban com um bom aspecto. – Lucius contrapôs, com lógica.
- Lupin vai passar a noite com o pulguento.
- Eu sei, ele mandou avisar. – Lucius disse, olhando divertido para Harry, que tinha os olhinhos brilhantes e mordia os lábios olhando para a mamadeira que Severus segurava. – Quer alguma coisa Harry? – O loiro perguntou, suavemente.
Draco riu quando o amiguinho escondeu o rosto nas vestes de seu pai em vez de pedir o leite para o seu padrinho.
- Harry quer o leite dele, padin. – Draco disse ao mais velho.
- Isso é verdade Harry? – O pocionista perguntou, tentando fazer o menino olhá-lo.
Lucius acariciou os cabelos de Harry e o menino olhou para Severus e assentiu.
- Então, deve pedir por ele.
- Posso ter minha mamadela, por favo? – Pediu o moreninho, o que causou sorrisos nos mais velhos. Harry ainda tinha ataques de timidez e precisavam trabalhar para que ele falasse mais.
- Claro, venha aqui. – Disse Severus estendendo os braços para o menino.
Harry sorriu e foi para o colo do pocionista, que deu-lhe sua mamadeira. Severus ainda tinha que colocar as poções no leite do menino. Draco aproveitou que Harry não estava mais dividindo o colo de seu pai e esticou suas perninhas, deitando-se completamente e pegando uma mecha dos longos cabelos do pai.
- Estamos mimosos hoje, pequeno dragão? – Lucius perguntou, embalando o filho e cantarolando.
Draco se aconchegou mais ao pai, seus olhos já pesados de sono. Harry por sua vez, estava no colo de Severus, que se sentou numa cadeira conjurada por Lucius, o moreninho já tinha o costume de dormir enquanto mamava, por isso, sua respiração lenta acompanhava ritmo com que sugava o leite. A cena foi interrompida pelo plop da aparição de um elfo, que conforme a ordem de Abraxas tirou uma foto da cena e sumiu rapidamente, evitando as maldições dos dois magos, muito irritados de serem eternizados numa cena meiga como aquela.
X~X~X
Sirius acordou se sentindo descansado, a poção que Remus o tinha feito engolir na madrugada anterior era realmente boa. Quando se aproximou da cozinha, percebeu que o lobo estava cozinho e seu estômago rugiu, lembrando-o da fome que tinha sentido todo esse tempo que passou na cela fria da prisão bruxa.
- Bom-dia Sirius, dormiu bem o resto da noite? – Perguntou o lobisomem, preferindo não ralhar com o amigo por estar usando só um par de calças largas de um velho pijama.
- Sim, e boa parte da manhã também. – O animago disse, olhando para o relógio.
- Você tem muito o que descansar para se recuperar Sirius, tem que ir com calma e…
Sirius fez uma cara de dor.
- Ah não Moonyyyyyyyyy! Não pode me prender nessa casa velha e horrível, preciso de ar fresco, de ver gente e correr na floresta! Quando é a próxima lua cheia? Vamos caçar e…
- Pode ir parando cachorro, você precisa se recuperar primeiro, está parecendo um prisioneiro faminto.
Sirius fez beicinho e jogou os cabelos longos para trás.
- Quer dizer que não estou lindo? – Perguntou o Black, com olhinhos tristes.
Remus sorriu ao olhar para o amigo. Esse era o antigo Sirius, vaidoso e mimado, ainda que tivesse um dos maiores corações do mundo. Fingindo seriedade, o lobisomem deixou a frigideira onde virava panquecas de lado e olhou para o animago. Os cabelos outrora negros e brilhantes estavam muito grandes e ressecados, a pele amarelada, os músculos, que antes tinham feito tantas meninas suspirar eram agora mais finos e as costelas dele apareciam, salientes e marcadas, mas ainda era tão charmoso e chamativo como sempre. E, claro, Remus não iria reconhecer isso.
- De jeito nenhum! Você está um trapo. – Concluiu o lobo, sorrindo.
- Moony! Não me ama mais? Isso não é coisa que se diga.
- Estou brincando, sabe perfeitamente que é mais bonito do que deveria.
- Ninguém é bonito demais. – Sirius disse. – E você parece muito bem, Dumbledore conseguiu alguma coisa para te ajudar com seu probleminha mensal?
Remus colocou um prato com panquecas cobertas de mel na frente do amigo, junto com um copo de leite.
- Por que não come e falamos disso logo depois?
- Por que só isso de panquecas? Eu estou faminto! – Disse o Black, parecendo pouco preocupado com os ares misteriosos do amigo. – E eu não gosto de leite.
Remus notou que Sirius franzia o nariz igualzinho a Draco, claro que os dois eram parentes, mas achou isso curioso.
- Mas vai ter que tomar todo ele, tem poções fortalecedoras ai. Seja um bom menino e te dou um biscoito.
Se estivesse em sua forma animaga, Sirius estaria abanando o rabo… sim, que Remus sabia lidar com ele.
X~X~X
Quando Remus chegou a mansão Malfoy depois de emoções pra lá de fortes em Grimmauld Place. Encontrou os meninos brincando no tapete. Harry tinha se rendido aos apelos de Draco e estava sentadinho enquanto o amiguinho tentava pentear seu cabelo.
- Papai… pu que o cabelo do Harry não fica igual o meu? – Perguntou o loirinho colocando as mãos na cintura e olhando feio para o cabelo do amigo.
Harry passou as mãozinhas pelo cabelo com cara de tristeza, o que fez o coração de Lucius apertar.
- Porque o cabelo dele é diferente, e muito bonito. – Lucius disse, se sentando no tapete, e puxando Harry para o seu colo. – E ele se parece com o pai dele.
- O sr. Remus tem cabelos castanhos. – Draco teimou.
- Mas eu não sou o papai do Harry. – A voz suave do lobo fez com que todos olhassem para ele, que tinha saído silenciosamente da lareira.
- Não?! – Perguntaram os dois meninos numa perplexidade igual.
Lucius viu como Remus ficou inquieto, mas o lobisomem pareceu ter uma ideia brilhante e tirou uma foto do bolso da túnica que usava.
- Aqui meninos. Esses são os pais do Harry, essa é Lily, e esse é James.
Os meninos olharam interessados para a foto do casal, que ria para a câmera. Draco franziu os lábios.
- Então… por que o Harry mora com a gente? Ele tem outros papais.
- Porque eles já não estão mais aqui, eles foram para o céu e me pediram pra cuidar do meu garotinho bonito. – Respondeu Remus jogando Harry para cima, e fazendo o menino rir.
Lucius sorriu para a cena, e logo fez uma careta ao sentir os dedinhos de Draco em seu cabelo.
- Ah não, o cabelo do papai não é para brincar Draco. – Lucius tentou dizer com seriedade, mas sem sucesso, já que ouviu os risinhos de seu herdeiro.
- É sim, vovô que disse. – O menino teimou.
- Claro, sempre ele. – Lucius disse, revirando os olhos. – E por que está usando um glamour Lupin?
O lobo parou de atirar Harry para cima e colocou o menino no chão. Ele tinha torcido para Lucius não perceber, mas isso era algo que uma serpente não deixaria escapar.
- Digamos que Sirius não reagiu bem as novas descobertas, Azkaban não afetou a força dele nos punhos. – O lobisomem disse, esfregando o abdômen plano, dolorido dos golpes do amigo.
- Precisa de um beijinho pra sarar? – O loiro zombou.
- E de uma massagem com unguentos. – Remus acrescentou, atrevido.
- Tippy!
O elfo apareceu quase imediatamente.
- Leve a maleta de primeiros-socorros para meu quarto.
- Sim mestre.
Os olhos cinzentos de Lucius tinham um brilho malicioso. Ele pegou o filho no colo, depois de tirar as mãozinhas de seu cabelo.
- Seu padrinho vai adorar brincar com vocês, por que não vai perguntar a ele se tem uma poção para deixar Harry loiro?
Os olhos do menino se incendiaram de animação e ele saiu da sala arrastando o coleguinha.
- Loiro? – Remus questionou, cruzando os braços.
- Vai ser temporário. – O loiro contemporizou. – Agora, me siga, vejamos o quanto Black pode ser perigoso.
Remus obedeceu e quando entrou no quarto de Lucius pensou que ele já havia morado em casas muito menores que aquele único cômodo. O loiro olhou-o avaliativo e com um passe de varinha cancelou o glamour que escondia seus machucados.
- Black é um menino malvado. – Lucius sussurrou passando um dedo por sua bochecha inchada.
Remus estremeceu com o contato, mas não evitou que o loiro desabotoasse sua camisa, lentamente, descobrindo as manchas roxas e arranhões resultantes da briga.
- Oh sim, ele é muito malvado. – Lucius disse, empurrando Remus na cama.
Para o aristocrata, o lobisomem parecia deliciosamente apetitoso, ali, com o peito descoberto, mas deveria estar marcado por seu chicote, e não por Black. A percepção de que o outro tinha tocado o corpo que ele almejava o fez tremer de raiva. Resolveu que ele seria a recordação fundamental naquele dia e não o cachorro sarnento. Pegou um pote com unguento cicatrizante e espalhou nas suas mãos, a essência amadeirada encheu o quarto.
Remus prendeu a respiração quando o loiro sentou em cima de seus quadris, a bunda perfeitamente encaixada sobre seu pau, já desperto. Lucius ignorou a animação do lobisomem e se esmerou em esfregar cada parte lastimada do peito musculoso de Remus, fazendo o lobo gemer pelo contraste entre a dor dos machucados e a excitação causada pelo loiro rebolando em sua ereção. Ainda acariciando o peito do lobo, Lucius esfregou cada mamilo com um polegar, eriçando a carne sensível.
- Isso não é curar, caro lorde.
- Você é meu empregado, não conteste minhas ações. – O loiro devolveu a provocação, esfregando sua bunda na ereção pulsante do lobisomem.
Remus geme em resposta e o som se aprofunda quando Lucius abre suas calças e deixa seu pênis livre e pulsante. O loiro lambe os lábios, seu lobisomem era como ele esperava, grande e robusto. A ereção pesada de Remus estava descansando na barriga firme do lobo e o loiro mal podia se conter de arrancar suas roupas e montá-lo, mas o lobisomem teria que trabalhar por essa honra ainda, por isso, ele se limitou a se abaixar e lamber a ponta muito devagar.
Remus chiou de prazer, e sem a menor hesitação agarrou os cabelos longos de Lucius impulsionando a cabeça do loiro para sua ereção. A língua aveludada do lorde deslizou por toda a extensão endurecida antes de alcançar as bolas do lobisomem e sugar com evidente gula. Remus apertou os olhos e forçou-se numa posição sentada, fazendo o loiro escorregar para o chão, ficando de joelhos em seu próprio tapete. Lucius não perde tempo e enche sua boca com a ereção de Remus, ele não conseguiu levar toda a carne pulsante e dura em sua boca, mas ele passa a sugar gulosamente a parte que tem ao alcance de sua língua bem treinada. Ele succiona a ponta, provocando a abertura com a ponta da língua, para logo mordiscar a carne sensível, fazendo Remus aumentar o agarre em seus cabelos e impulsionar os quadris. O lobo fodia sua boca com a mesma paixão com que usaria seu pequeno buraco, disso ele tinha certeza. O loiro permitiu que Remus tomasse o controle e o fizesse engolir e chupar o quanto ele podia, seus lábios estavam extremamente abertos, sua língua acariciava a ereção furiosa do lobo a cada estocada e não demorou para que ele recebesse um jato quente e espesso de esperma em sua boca, Remus ainda tinha um agarre firme em seus cabelos e só o deixou se afastar quando sentiu que Lucius tinha limpado até a última gota de seu gozo.
- Acho que você vai sobreviver Lupin. – O loiro, disse, com um sorriso zombeteiro.
- Não me provoque mais loiro. – A voz de Remus era rouca e quase animal. – Ou vou abrir suas lindas pernas e te foder até que você esteja vazando com o meu prazer.
Lucius lambeu os lábios, ansioso por isso. Remus puxou-o para cima e beijou-o profundamente, experimentando seu gosto na língua do amante.
- Mas não se engane, vai ter que pedir por isso.
- Veremos quem termina implorando Lupin. – Lucius disse aceitando o desafio.
X~X~X
Sirius andava pela casa como uma fera enjaulada. Ele não podia acreditar no que Remus tinha dito. Seu pequeno afilhado vítima de abuso, Dumbledore um manipulador dos infernos e ele em bons termos com Greyback. Era demais para assimilar. Claro que ele podia acreditar no diretor sendo um filho da puta, o velho nunca o tinha enganado, mas associação com Greyback e sua laia? Ele tinha visto na guerra o que aqueles animais podiam fazer, e estremecia só de pensar na possibilidade de Harry perto deles. Mas o que tinha feito com que ele perdesse a calma de vez foi a notícia de que o afilhado estava precisamente sob o teto dos Malfoy. Ele tinha socado o amigo ao ouvi-lo dizendo como Lucius Malfoy tinha sido incrível, era simplesmente ridículo.
- Não que me incomode você ter jogado aquele lobo imundo da minha casa, mas sabe que foi algo estúpido de se fazer, não é?
O quadro de sua mãe tinha estado particularmente calado, e quando Sirius olhou para a pintura, seus olhos nada mais tinham que desprezo.
- Cale a boca harpia velha.
- Oh, o amor de um filho, tão doce. – Ela zombou.
- Tão doce quanto o seu, que queimou meu nome e meu rosto da tapeçaria da família.
- Mas você tinha quebrado meu pobre coração. – Ela disse, com um gesto dramático tão característico dele próprio que o fez rilhar os dentes. – Não seja um imbecil, o que esperava depois de virar as costas para a sua família?
- Eu pelo menos estou vivo, o seu filho sobrevivente é o traidor do sangue, porque o obediente e muito slytherin morreu lambendo as botas daquele louco! Nada mais do que um servo descartável.
Sirius tinha certeza de que se quadros pudessem enfeitiçar ele estaria sob uma das maldições desagradáveis de Walburga, mas como ela não podia mais enfeitiçá-lo, só deu de ombros, com um sorriso malvado.
- Vivo e sozinho, não é a mesma coisa?
Sirius jogou um vaso na pintura, que continuou rindo dele. Irritado, o animago resolveu que sairia para dar uma volta em sua moto voadora, ele precisava de ar puro.
X~X~X
Remus não se preocupou com a demora de Sirius para falar com ele. Já tinha se passado uma semana desde que eles tinham rolado no chão, trocando socos e safanões em Grimmauld Place. Ele podia acompanhar as aventuras de Sirius pelo Profeta Diário, a primeira vez que ele apareceu no jornal foi porque se embebedou na Cabeça de Javali, depois porque trouxas viram sua motocicleta voadora. Ele não tomava jeito, mas o pior era ler na coluna social como ele estava elegante e bonito nas novas túnicas sob medida, ao lado do condecorado auror Moody numa festa do Ministério.
- Pessoalmente, acho que ele tem um péssimo gosto. Ir a uma festa com aquela criatura? Os dois tem um caso? – Lucius disse ao pé do ouvido do lobo, fazendo-o arrepiar com a sensação da voz do loiro tão perto, mas Remus não perderia aquele jogo.
- Sirius e Moody? Argh! Não, ele prefere moças bonitas.
- Sério? Isso explica porque o pai dele não tentou casá-lo com você Lucius. – Disse Abraxas entrando na sala.
Remus sorriu de lado, olhando para o loiro.
- Ele teria dado um jeito em você. – O lobisomem disse.
- Ou eu o teria matado. – Lucius disse, estreitando os olhos, irritado que o lobo ainda falasse em termos amigáveis do cachorro.
- Mas Sirius gosta de seduzir. Homem, mulher, o vi flertar com uma duende uma vez. – Remus contou.
Abraxas riu, e Lucius fez uma careta de desgosto.
- Se ficar bêbado e flertar com a esposa de um chefe de gabinete é normal nele, por que está preocupado? – Severus perguntou, assertivamente, sendo que estava na sala junto com Remus, observando-o.
- Porque Moody quer Sirius de volta no corpo de Aurores e está trabalhando nisso, eu só não acho que ele tem estrutura pra isso no momento.
- E você sabe disso como? Esteve a semana toda com os meninos. – Lucius disse.
Remus piscou de forma coquete.
- Oh, não posso sair divulgando meus métodos, certo? Como posso vigiá-lo no seu trabalho se você souber como consigo informação?
Lucius franziu o cenho, mas seus olhos tinham um brilho divertido.
- Oh, eu estou divorciado. Posso perfeitamente aceitar as atenções de todos os meus fãs no Ministério. – Lucius disse, presunçoso.
Os dois estavam tão enfrascados em si mesmos, que não perceberam quando os outros dois homens saíram da sala. Já no corredor, Abraxas sorria, enquanto Severus balançava a cabeça negativamente.
- Quando é que eles vão pra cama? Esse jogo está me cansando.
- Oh, meu menino inocente… o jogo é quase tão bom quanto o sexo.
Severus revirou os olhos para seu mentor, que zombava dele.
- Tenho que ir a um jantar chato de uma queria matrona sangue-pura. Venha comigo e me impeça de enfeitiçar alguns imbecis do Ministério.
- Não, obrigado. Odeio ter que me arrumar para aqueles pomposos.
- Oh, me desculpe, eu falei como se fosse um convite, mas era uma ordem. Vá se arrumar, rapaz.
Severus gemeu interiormente, ele odiava quando Abraxas fazia isso. Se ele estava decidido a levá-lo ao jantar era porque provavelmente tinha arquitetado colocá-lo de par com um sangue-pura elegível para casar.
- E vista algo bonito, tem um pretendente para impressionar.
X~X~X
Sirius geralmente odiava jantares formais e cheios de magos de nariz empinado, mas desde que tinha brigado com Remus tinha a opção de frequentar a alta sociedade ou ficar sozinho com o quadro de sua mãe. Não era uma escolha difícil, era? Essa noite ele estava sorrindo e flertando com uma linda jovem italiana quando dita acompanhante suspirou e mordeu os lábios.
- Oh, isso foi por mim?
- Não seja convencido… eu me casaria com ele amanhã se ele quisesse. – Ela disse, sonhadora.
Quando Sirius olhou para trás, viu seu antigo inimigo da escola ao lado de um loiro alto e muito elegante.
- Malfoy ou Snape? – Ele perguntou, divertido.
- O loiro.
- Ele tem idade pra ser seu pai. – Sirius disse, se fingindo de escandalizado.
- Mas não é… você seria um docinho e me apresentaria? – A morena pediu, com voz langorosa.
- O que eu ganharia com isso? Perder minha bela acompanhante para um vovô? O que as pessoas diriam de mim?
Ela fez um beicinho revoltado, até que pareceu ter uma ideia brilhante.
- Você pode dançar e conversar com o rapaz ao lado dele… ele parece delicado e inteligente.
Sirius arregalou os olhos.
- O seboso?! A delicadeza daquele ali já me mandou para a enfermaria várias vezes, muito obrigada. – O Black disse, de mau humor.
- Oh, eu entendo, não é todo homem que tem coragem para tentar seduzir tipos assim tão requisitados… veja só, Lord Pendleton e Lord Urach já foram falar com ele.
Sirius se virou para ver como os dois jovens solteiros realmente estavam praticamente disputando para ver quem conseguiria dançar primeiro com o seboso. Ele quase teve pena dos dois emproados, porque ele sim, sabia ver além daquele sorriso falso e ar angelical de Snape, aquele brilho especial nos olhos negros aparecia sempre antes que ele se vingasse dos marotos por alguma brincadeirinha inocente.
- Você ganhou, pequena serpente. – Ele disse, se levantado e fazendo uma reverência para a moça.
- Vou te amar para sempre. – Ela disse, piscando pra ele, de forma divertida.
- Mas pretende seduzir o velho. – Ele respondeu, brincalão.
- Só hoje, depois posso te fazer uma visita e contar como foi.
Sirius riu abertamente, sim, que ele e a jovem Anunciatta podiam ser muito amigos.
Severus por outro lado, estava imaginando como fazer Abraxas pagar por levá-lo ao maldito jantar quando viu Sirius Black se aproximar de braços dados com uma morena mignon, muito bonita.
- Pelas barbas de Merlin, há quanto tempo Snape! Um prazer, vê-lo. – Sirius disse, com descaramento.
- O prazer é meu, tão bom voltar a vê-lo livre das correntes e das vestes listradas da prisão. As túnicas de Madame Malkin te fazem parecer mais saudável. – Severus devolveu, em tom mordaz.
Sirius sorriu quando viu o sorriso no rosto dos dois lordezinhos congelar. Seu tempo na prisão ainda era um tabu forte entre a alta sociedade, todos fingiam que nunca tinha acontecido.
- Eu sei, Azkaban acabou com meu cabelo também. Ia te pedir dicas já que você finalmente pôde dar um jeito no seu. Ele não parece mais engordurado e seboso.
- Obrigado por notar, fiz isso para comemorar quando você foi preso por ser um imbecil. – Severus devolveu, sorrindo.
Abraxas balançava a cabeça negativamente quando os pretendentes de Severus murmuram uma desculpa e saíram de fininho.
- Vocês dois estão se comportando como meninos de colégio, não me culpem se resolver dar palmadas nos dois. – O patriarca Malfoy sibilou.
- Por favor, não assuste minha acompanhante com esse tipo de ameaça Malfoy… principalmente quando nós dois sabemos que não aguenta mais nada velhote.
O patriarca encarou o jovem atrevido com intensidade, e Sirius devolveu com altivez o desafio. Ele era um Black depois de tudo e…
- Por favor senhores, se comportem como magos de sangue-puro e não como cães de rinha. – Anunciatta pediu.
- Claro, minha querida. Não creio que conheça Lord Abraxas, patriarca da nobre e ancestral casa Malfoy. Essa é Anunciatta Di Magno, está embelezando a temporada com sua presença.
Abraxas fez uma reverência educada e beijou a mão da jovem, que sorriu e devolveu os elogios que recebeu. Quando Sirius se virou para Severus viu que o antigo inimigo tinha os olhos postos em seu tutor e que já tinha cruzado os braços e olhava feio para a italiana.
- E claro, também deve conhecer Severus Snape, que essa está acompanhando seu tutor. – Sirius disse, querendo salvar a situação a favor da italianinha.
Anunciatta se virou para ser educada e simpática com Severus, mas diante do olhar férreo teve que se contentar em fazer uma mesura e receber uma aceno seco de cabeça da parte de Severus. O pocionista abriu a boca para espantar a atrevida, e foi quando quase teve um infarto ao ter sua mão capturada pela de Sirius.
- Eu sei que está bravo comigo, meu querido, mas agora que arrumei essa linda acompanhante para cuidar de seu tutor, podemos dançar e colocar nosso relacionamento em dia? – Sirius disse alto o suficiente para que algumas pessoas ouvissem e começassem a cochichar.
- Eu vou matar você Black. – Severus silvou para ele, sendo arrastado para a pista de dança.
- Como se você pudesse, seboso! – Sirius provocou, enquanto se posicionava para dançar.
- Eu poderia envenenar uma das suas poções, você sofreria por dias antes de finalmente partir e dar algo de paz a sociedade. – Severus provocou, seguindo-o numa valsa.
Sirius rilhou os dentes, ele deveria ter imaginado. Remus ainda mandava as poções para a mansão todos os dias, ele tomava claro, mas ainda estava ignorando o traidor. Ele deveria ter imaginado que Remus estava traindo-o de novo, mandando poções do seboso.
- Qual o problema Black, o lobo comeu sua língua? – Severus perguntou, depois de um giro, o sorriso maldoso de volta a seus lábios.
- Não me provoque, Snape. – Sirius silvou.
- Eu nem comecei a me divertir. Azkaban te quebrou mesmo, Black, eu ainda nem comecei a dizer o quanto fiquei feliz em poder dizer ao Remus… – Severus frisou o primeiro nome do lobisomem. – … que eu tinha razão e que ele perdeu tempo te tirando da cadeia. Sua gratidão se restringiu a socar o homem e ignorar seu afilhado que passou o inferno por sua culpa! Mas não se preocupe, posso cuidar de Harry no seu lugar.
Ouvir sobre Harry rasgou o coração de Sirius e ele não conteve a explosão de raiva que o fez empurrar Severus e sacar sua varinha para amaldiçoar o homem até a perdição. O pocinista rosnou e sacou sua varinha também, mas nenhum dos dois esperava que Sirius caísse no chão, vítima de um desmaius de Kingsley Shacklebolt.
- Se me desculpam, acho melhor levar meu amigo para casa antes que ele faça algo de que possa se arrepender.
Severus assentiu, rigidamente e os outros convidados do jantar começaram a murmurrar. O pocionista gemeu interiormente, isso seria a fofoca da sociedade por um bom tempo.
- Você acabou de jogar fora excelentes oportunidades de casamento! Agora todos pensam que você e Black tem alguma coisa. – Abraxas disse, lastimosamente, se aproximando dele.
- Jura? Não é que o vira-lata serviu para alguma coisa?
X~X~X
Foi na manhã seguinte que a coruja de Sirius chegou à Mansão Malfoy, quando Remus e os meninos tomavam sol no jardim. Era uma nota direta, como o animago costumava ser.
Eu sinto Moony, fui um idiota. Por favor, venha me ver.
Sirius.
- Muito bem Siri, até que foi mais rápido do que eu pensei.
Ele olhou para Harry perseguindo borboletas ao lado de Draco.
- Ei filhote, o que acha de eu trazer seu padrinho mais tarde?
Harry parou de correr e sorriu pra ele.
- Eu tenho um padin? Padin Sev? – Ele perguntou.
- Não, você tem um padrinho Sirius e você vai amá-lo.
Harry começou a pular e cantar “sim, sim, sim” ao lado de Draco. Remus decidiu que se Sirius estragasse aquilo, teria as bolas arrancadas, simples assim.
Notas finais
Beijos
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