Um Novo Caminho

41 O verdadeiro Herói


Notas iniciais
Sim, eu voltei, não se assustem. Boa leitura.

Percy odiava atrasos, e Ron sabia disso. Ele tinha reconfigurado seus horários para falar com o irmão e era uma falta de respeito que o jovenzinho o tivesse deixado plantado na hora do almoço. Voltou para o escritório resmungando como um velho, mas a verdade era que estava levemente preocupado, escreveu uma nota para o irmão questionando-o sobre a falta no almoço, e se sentou para revisar os artigos do caderno de domingo.

— Por que está olhando feio para a minha excelente entrevista com a capitã da Harpias? – Oliver perguntou, colocando uma xícara de chá sobre sua mesa.

— Ron me deixou plantado na hora do almoço, acredita? – Percy questionou.

— Não, realmente. Não soa como ele, já que aquele menino Malfoy o degolaria por atrasos. – Oliver disse, franzindo o cenho ao ver a coruja dele voltar. – Oh, aqui sua resposta, deve ter acontecido alguma coisa, talvez acidente no jogo de quadribol amigável, oh, ontem foi dia dos namorados, então, pode ser só ressaca.

Percy revirou os olhos para o amigo, estranhando que Hermes tenha trazido a mesma nota.

— Não o achou? – Percy questionou, e seu coração disparou quando a coruja balançou a cabeça. – Oh, Merlin.

— Isso é estranho. – Oliver concordou. – Que tal uma ligação de flú para a diretora?

— Excelente ideia. – Percy disse, indo em direção a lareira do escritório de Tom.

— Ele deve estar enroscado com o namorado na masmorra, quarto silenciado e protegido, sabe como é…

Até Oliver sabia que era uma possibilidade fraca. As corujas podiam sentir e localizar a magia do destinatário, se fosse o caso, Hermes teria ficado esperando o momento certo para entregar a carta. McGonnagal, por sorte, estava em seu escritório e o atendeu com um sorriso.

— Olá, meu querido Percy. Em que posso ajudá-lo? – Ela perguntou, de maneira agradável.

— Olá, diretora… eu sei que pode ser uma idiotice, mas Ron deveria ter almoçado comigo e não apareceu. – Percy disse. – Sei que é inusual, mas poderia tentar localizá-lo na escola?

Minerva franziu o cenho, e pediu que ele esperasse por um momento, ele ouviu ela usando um feitiço que a conectava com as barreiras mágicas do colégio. Desde seu tempos de prefeito ele sabia que os diretores estavam intimamente ligados com o castelo, e foi com ansiedade que esperou seu retorno.

— Meu querido menino, ele não está aqui. – Ela disse, com seriedade. – Mas, não se preocupe ainda, ele pode estar buscando algo que o distraia… ontem ele e o senhor Malfoy terminaram seu namoro.

Percy abriu a boca, completamente chocado.

— Eles o quê? – Ele perguntou, e logo disse a si mesmo que era esse o assunto que Ron tanto queria falar. – Se esse menino fez alguma coisa com o meu irmão… vou soltar os gêmeos em cima dele.

— Duvido que seu irmão apreciasse isso. – A diretora disse. – Mas, ele não está na escola, talvez esteja com os gêmeos?

— Duvido, eles me avisariam. – Percy disse, mordendo o lábio inferior. – Pode checar com os amigos se sabem para onde ele foi? Eu estou assustado.

Ela assentiu, ele começou a se preocupar realmente. Tinha lido recentemente um estudo sobre depressão adolescente e como era perigosa, será que seu irmãozinho tinha entrado numa crise devido ao término e feito alguma coisa estúpida.

— Percy… é melhor chamar os gêmeos. Eles podem ajudar a procurar. – Oliver disse, acariciando seu ombro com ar de calma. – Se ele terminou o namoro é possível que esteja num beco qualquer beijando outro cara só para ir à forra.

— Eu espero que sim. – Percy disse. – Pode avisar ao Tom que…

— Sim, aviso o chefe. – Oliver disse. – E termino as revisões se você precisar sair.

Percy sorriu, agradecendo ao amigo.

X~x~X

Sirius sabia que isso ia ser difícil, diabos, isso ia ser excruciante. Assim que recebeu o a ligação da diretora alertando sobre o desaparecimento de Ron Weasley e o consequente pânico que isso desatou, sua maior preocupação foram os dois meninos que estavam na sala da diretora agora.

— Sinto muito. – Harry disse, pela centéssima vez, segurando o colar entre os dedos.

Draco continuava a se recusar a olhá-lo. O loiro tinha sorrido ao ouvir do desaparecimento, com imenso alívio, dizendo qué só deveriam usar o colar, só para receber um balde de água fria do moreno, contando o que se passou pela manhã. Harry tinha sido o último a ver Ron, e estava se sentindo muito mal por isso.

— Eu sei, mas isso não é sua culpa. – Sirius disse, apesar de não ser dele que Harry precisava ouvir isso.

— Eu não disse que foi. – Harry disse, embora qualquer um que o conhecesse podia dizer que era o que se passava por aquela cabeça. – É possível interceptar corujas? – Perguntou, de repente.

— Sim, é possível, mas elas resistem. – Sirius disse, franzindo o cenho. – Se refere ao machucado na coruja dele?

— Sim. – Harry disse. – Não dei atenção naquela hora, mas, se interceptaram a coruja, ele pode ter sido sequestrado no caminho, certo? Talvez tenha alguma pista nela, ou…

— Ela fez isso. Ela fez isso, e todo mundo sabe. – Draco o cortou, com voz gelada. – Ela vai torturá-lo, e então vai pedir Rabastan de volta em troca dele, e nós vamos concordar.

— Draco… — Sirius começou.

— Não tente me dizer que não é isso. Só ela poderia ter essa paciência e esse engenho. Tia Bella tem o Ron, então, por favor, vá buscá-lo antes dela ter tempo de ficar muito criativa. – Draco pediu.

— Não podemos trocar prisioneiros. – Sirius disse, sentindo o coração pesado. – A política do Ministério é não negociar, vamos trabalhar para trazê-lo de volta.

— Então ele está morto. – Draco disse, curto e grosso, fazendo que a diretora e Harry o olhassem como se tivesse saído outra cabeça. – Não sejam tolos, tia Bella não brinca em serviço, se vão jogar pelas regras idiotas do Ministério, ele já está morto.

— Não é assim, Draco. – Sirius disse, mas o menino o olhou com descrença e saiu da sala sem dar nenhuma outra palavra.

X~x~X

Narcissa esperava essa visita. Tão prontamente quanto soube do sumiço de Ronald, se pôs a esperar o filho. Ele não veio sozinho, é claro, Lucius estava a seu lado, tão imponente quanto sempre, os dois saíram da lareira com ar lúgubre, e o olhar no rosto de seu filho partiu seu coração, já não havia a jovialidade cheia de inocência, era aço cinzento dos Malfoy taimados nas agruras da vida.

— Mãe, preciso da sua ajuda. – Ele disse, sem delongas.

— Eu não posso. – Ela avisou. – Não pude encontrá-lo com os rituais normais, eles devem estar sob vários encantos de proteção, é impossível achá-lo assim.

Draco caiu de joelhos diante da poltrona onde ela estava, com lágrimas caindo de seus olhos, fazendo o coração dela se apertar ainda mais. Ela segurou o rosto do filho, amaldiçoando a eficácia de sua irmã em impor dor, maldita cadela.

— Se fosse eu… você poderia me achar, por que não ele?

— Porque, quando você nasceu, fiz uma troca. – Ela explicou, sentindo pela primeira vez um cansaço mental dos anos que tinha. – Dei minha capacidade de ter outros filhos num ritual de sangue. Minha fertilidade pela habilidade de sempre saber onde você está, ela me ajudou a fazer, o escolheu junto comigo para proteger você. – Narcissa contou, acariciando o cabelo macio do rapaz. – E ela sabe que se te tocasse, eu a encontraria e a machucaria muito antes de deixá-la morrer.

Draco começou a chorar muito descontroladamente em seu colo. O pobrezinho soluçava como quando era pequeno.

— Ele se foi! Ele se foi e eu o magoei antes! Sou um monstro! – Ele conseguiu dizer entre ofegos desesperados por ar. – Mamãe, eu o quero de volta.

Ela tentou seu melhor para consolá-lo, olhando de vez em quando para seu ex-marido, que parecia cansado também.

— Os lobos não podem ajudar? O que Sirius está fazendo? – Ela perguntou, irritada com o sofrimento do filho.

— Eles já estavam tentando rastreá-la loucamente, não é fácil. – Ele disse. – Os lobos não podem ajudar muito, ele foi levado por chave de portal, o traço de cheiro não é víavel. Os Weasley já estão enlouquecendo, só podemos esperar para ver se ele realmente foi levado por ela e o que ela quer para devolvê-lo.

Narcissa tinha o péssimo pressentimento que ela só o devolveria quebrado e terrivelmente manchado. Ah, pobre rapaz.

— Ela vai querer Rabastan.

— O Ministro está ciente, e nem ele nem o Winzegamot parecem dispostos a negociar. – Ele disse. – Estou tentando desenterrar o maior número de podres dos velhos que me seja possível.

— Quer torcer o braço de todo o conselho e do Ministro?

— É a única saída que eu vejo. Os aurores estão mantendo o prisioneiro numa localização secreta. Scrimgeour não é o tolo que Fudge foi, Rabastan é o prêmio da administração dele, e, convenhamos, é o guardião do segredo de vários esconderijos da época do Lorde, se o devolvemos para a lunática, podemos dar adeus as chances de pegá-la, e pior, vamos dar um passe livre para esperar nossa guarda baixar e atacar quando bem quiser.

— Ele quer irritá-la para ver se comete um erro. – Narcissa disse, entendendo perfeitamente o raciocínio do homem.

— Sim, ele quer que ignorar o pedido de troca, se ele acontecer, com a intenção de fazê-la explodir e tentar um resgaste.

— Enquanto isso, ela está fazendo Merlin sabe o quê com Ron. – Draco murmurrou. – Isso é horrível.

— Não pense nisso, amor, isso é o que ela quer. – Narcissa disse, mesmo sabendo que era um conselho inútil, ela mesma tinha dificuldades de se controlar. Bella não era sua maior preocupação, ela se entendiava depois de um par de crucios quando sã, mas os Carrow? Amycus tinha um gosto especial por jovens moldáveis, e sua irmã os maltratava por ciúmes da atenção dele sendo tirada dela… Narcissa pedia a todas as entidades que conhecia com fervor para que eles não estivessem no mesmo lugar que Ronald.

X~x~X

Tom descobriu muito rapidamente que odiava ver Percy triste. Seu jovem amante tentou, realmente tentou ficar sério e forte na frente da família, mas isso só durou até que Sirius Black chegou e confirmou que seu irmão caçula tinha sido levado por uma chave de portal no caminho entre a escola e Hogsmeade. Enquanto o auror sênior explicava que foram capazes de localizar traços de magia e de luta ali, entregando a varinha do mais jovem dos rapazes Weasley para Arthur, Percy começou a chorar. Não foi algo desesperado e soluçante, como Ginny, que estava irritada com o mundo e ameaçando enfeitiçar todos da Inglaterra, ou como os gêmeos, que se olharam e começaram a murmurrar sobre opções para achá-lo… não, Percy se sentou, com ar derrotado no sofá e duas lágrimas grossas escorreram por seu rosto, e soltou um suspiro cansado.

— Alguém avisou a mamãe? – Ele perguntou para Sirius.

— Sim, enviei um auror para a Toca.

— Deviam ir ficar com ela. – Ele disse, olhando para os irmãos mais velhos. Bill estava um feixe de nervos, era um auror em treinamento e se culpava por não ter mantido uma segurança mais apertada ao redor do irmão, já que ele era envolvido com Draco Malfoy. – Eu vou para o jornal, vou escrever um pedido por informações.

Tom o acompanhou de perto, assim que ficaram sozinhos, o jovem se virou para ele, olhando-o diretamente nos olhos.

— Tem alguma maneira de achá-lo? Pode fazer isso?

— Se eu não tivesse dissolvido a marca, sim, agora, não posso. – Ele explicou, sucinto e estranhamente chateado pela esperança que viu se apagar nos olhos de Percy. – Para maior eficácia nos esconderijos que usávamos, Rabastan era o único a saber a localização de todos, e era o fiel do segredo da maior parte das casas seguras, nem eu sei ao certo quantas existem, mas são pequenas fortalezas por si só… eu sinto muito, mas, temos que esperar e ver o que ela pretende, ou ter sorte e que a encontrem por outros métodos.

— Eu não posso acreditar que isso está acontecendo. – Percy disse, chorando de novo. – Eu quero meu irmão de volta.

Tom teve que abraçá-lo e lidar com o incômodo em seu estômago, não sentia isso desde seus tempos no orfanato, era uma sensação que odiava… como se chamava mesmo? Oh, sim, era a impotência.

X~x~X

Ele não pensava que isso era possível, sempre considerou que era exagero de relatos de guerra, ele sabia, racionalmente, que não tinha se passado tanto tempo assim, mas sentia como se aquele porão fosse seu cativeiro por anos. Mal podia se mover do chão frio, após quebrar o nariz de Bellatrix no primeiro dia, ela tinha entrado num tom professoral para ensiná-lo sobre a eficiência da cruciatus, e de como aprendeu a não enlouquecer as pessoas. Só de se lembrar, tinha vontade de chorar, o riso dela ao lançar o primeiro feitiço ecoava em sua mente ao mesmo tempo em que lembrava involuntariamente da sensação de agonia pura, de como nem conseguia gritar ao se retorcer com o feitiço pelo que parecia uma eternidade… quando ela parou, fez questão de ressaltar que tinham sido só dois minutos. O barulho na porta o fez sair de seu estupor, e desejar que fosse só Rodolphus para dar-lhe água, ele estava morrendo de sede, sua boca estava toda seca, não tinha mais saliva para engolir, e sentia que isso era pior que a fome. O feixe de luz que entrou no local o fez fechar os olhos, mas não sentia vontade de mover os braços, já que isso fazia suas articulações gritarem.

— Oh, pobre rapaz. Meus amigos estão te tratando mal?

Ron estremeceu ao ouvir essa voz, ele reconhecia da primeira noite, em que Bellatrix os apresentou e disse que ainda não ia entregá-lo a Amycus, que ia deixá-lo pensando sobre como ele seria a ferramenta para vingar Rabastan, e ele sabia o que tinham feito com o cunhado dela. Sentiu como os dedos magros e gelados dele tocavam seu rosto, estranhamente, notou que a ponta dos dedos dele estava úmida, e sentiu engulhos que não combinavam com seu estômago vazio quando o hálito doce de vinho chegou a seu nariz. Ele fechou os olhos, e fez seu melhor esforço para resistir, ele realmente tentou, o que só foi pior, porque pareceu divertir imensamente ao mago mais velho, que facilmente usou sua varinha para convocar cordas e atar seus pulsos. Ele pensou que os crucios de Bellatrix foram ruins… ele não tinha tido tempo de desejar sufocar no saco de estopa onde Amycus pressionou seu rosto ao virá-lo de bruços e tomá-lo como um animal.

X~x~X

Draco estava com olheiras horríveis, e ela sabia que ele não estava comendo direito, já que raramente era visto na mesa de Slytherin desde que Ron desapareceu, não que qualquer um na casa verde e prata estivesse melhor. O clima entre eles era tenso, era quase um luto pendente, a atmosfera pesada estava afetando a todos, mas, era evidente que a Draco mais do que qualquer um. Ela o viu entrar na Sala Precisa com medo pela sua saúde.

— Olá, Malfoy. Você está horrível.

— Obrigado por notar, Granger. – Ele disse, friamente. – Conseguiu alguma coisa?

Ela assentiu.

— Harry me emprestou a capa, mas ele parecia preocupado. – Ela disse, preocupada também. Esses dois não estavam agindo normalmente, Harry tinha começado a seguir os passos do loiro pelo mapa do maroto de maneira compulsiva. Era como se não pudesse deixar de saber onde ele estava todas as horas que estava acordado do dia. – Por que ele não pode nos ajudar nisso?

— Ele é teimoso. – Draco disse, com cara de poucos amigos. – E iria correndo contar para os nossos pais, não pode deixá-lo saber, Hermione, se conseguirmos, vamos poder resgatar o Ron.

— Mas você vai estar em perigo também.

— Já sabe que minha mãe pode me localizar em qualquer lugar do mundo, é a única maneira de fazer isso. – Ele disse. – Isso é, se conseguiu achar algo útil naqueles livros empoeirados.

Ela fechou os olhos, pedindo para todas as entidades que protegiam os bruxos para que isso não desse errado.

— Entre os livros que seu elfo trouxe de Malfoy Manor e os que li na seção proibida… tem uma coisa, mas funciona mais com objetos, precisaríamos testar para humanos e é tão perigoso. Mais do que se despedaçar na aparição.

Ele franziu o cenho.

— Mostre-me. – Ele demandou, e ela passou-lhe o pergaminho que era a cópia fiel do feitiço que achou na seção proibida e que tinha sido mencionado nos livros da mansão.

— Oh, claro. Usa sangue, então é restrito. – Ele murmurou.

— E tem que ser sangue familiar, tem que ser de linhagem direta, vai precisar da ajuda de um dos Weasley e alguém poderoso para lançar o feitiço. Draco, isso é muito perigoso.

O loiro deu de ombros.

— Felizmente tenho em mente o par perfeito para me ajudar.

Ela sentiu uma centelha de esperança, estava doente de preocupação com o Ron, mas tinham um detalhe importante que Draco parecia ignorar.

— Draco, seus três pais estão te vigiando como águias, e se o Harry sonhar que quer fazer uma coisa dessas, ele mesmo te amarra e os chama. Como poderia sair de Hogwarts?

— Como eu disse… tenho contatos.

X~x~X

O estômago de Percy revirou, ele teve engulhos e vontade de esmagar a cabeça de Rita Skeeter entre as mãos em vez do Profeta.

— Malditos! – Ele gritou, amassando o jornal. – Eu vou aniquilar esse jornaleco de quinta categoria, vou acabar com tudo, e quando terminar, não vão se lembrar nem do nome dessa porcaria.

Oliver olhou o amigo com um misto de pena e preocupação. Era o sexto dia do desaparecimento de Ron, e Bellatrix finalmente tinha feito seu movimento, só que era um extremamente cruel. Ela queria forçar a mão do Ministério, e nada pressionava mais os políticos que opinião pública, a criatura monstruosa tinha enviado fotos de Ron para O Profeta, e agora, todos podiam ver sua expressão de dor e medo estampadas na capa do jornal. Ele, que tinha convivivo pouco com o rapaz, tinha vontade de chorar ao vê-lo gritar sem voz na capa, sujo e obviamente machucado, não podia nem imaginar como era para Percy, o irmão mais zeloso dos sete.

— Um conhecido no jornal disse que eles não publicaram todas as fotos que receberam. – Oliver disse. – Que o editor mandou para os aurores, eles podem ter pistas.

Percy tremia de tanta raiva, ele poderia matar qualquer um do Profeta nesse momento, mas, sabia que era seu ódio sendo redirecionado. Ele sabia desde o começo o que ela ia pedir, e agora, estava estampado para quem quisesse ver, uma troca de reféns, Rabastan Lestrange por Ronald Weasley, o Ministério iria aceitar?

X~x~X

Sirius olhou em volta e estranhou que os gêmeos não estivessem no apartamento quando tomou coragem para ir falar com eles após terem recebido fotos e a carta de Bellatrix através do Profeta. Só podia dizer que o gabinete do Ministro estava muito infeliz com a edição do jornal.

— Cuspa, Sirius. – Arthur pediu, o homem e Molly andavam parecendo fantasmas. Os dois tinham tido uma perda de peso visível, ela mais, oculta na Toca com sua miséria.

— Rita Skeeter e seu editor não publicaram nem metade das fotos que receberam. Ela não deixou as mais explícitas serem vistas por ninguém além dela, e ela entregou todas para mim ontem, queria dizer. – Ele contou, e apesar de enojado, tinha entendido o ponto de vista da mulher, ela veiculava notícias. – Algumas fotos são muito perturbadoras, ele… ele foi estuprado, Bellatrix deixou que o violentassem em retaliação pelo que fizeram com Rabastan.

Ginny Weasley era uma menina pequena, mas o soco que ela desferiu na mesinha de centro fez o móvel estremecer. Arthur começou a chorar, e os três mais velhos tentaram se aguentar. Bill era o mais controlado de todos, ainda que estivesse afastado de seus deveres com o Corpo de Aurores já que ninguém no departamento queria que ele explodisse e atavasse o Ministro se o ouvisse reforçar a política de não negociar com os sequestradores.

— O que eles disseram?

— Vai ouvir o discurso no rádio daqui a pouco, ele não concordou, e o Winzegamot deu seu apoio. Temos os Inomináveis analisando cada ângulo das fotos em busca de alguma coisa, sei que…

— Ela vai matá-lo. – Percy disse, chocado. – Ela vai matar meu irmãozinho e vocês vão deixar.

— Eu juro que estou tentando. Lucius está chantageando cada membro do conselho que pode, diabos! Estamos planejando fazer isso escondidos, mas… leva tempo. Eu sinto muito, preciso de tempo para tirar Rabastan da casa sem acionar cada auror do país.

Percy assentiu, mas suas esperanças já minguavam.

X~x~X

Hermione estava chocada, e isso era algo raro.

— Consertou essa coisa em menos de uma semana? – Ela perguntou, olhando para o armário sumidouro.

— Sim, tenho pressa. – Ele disse, colocando a varinha no bolso da túnica. – Trouxe o que te pedi?

— Sim. – Ela disse, sentindo uma torção desagradável nos intestinos só de pensar na necessidade que Ron teria desse tipo de suprimento. – Quando o pegar…

— Não “se”? – O loiro zombou.

— Quando o pegar, leve-o para o hospital primeiro, por mais que ele implore para ir pra casa. – Ela instruiu, entregando viais de poção para dor e para desidratação. – Ele está machucado, é normal vítimas de abuso ficarem com vergonha, mas, ele precisa de um medimago.

— Severus…

— Draco! – Ela disse, brava. – Estupros são brutais, e duvido que eles se preocuparam em ajudá-lo minimamente, ele deve estar sujo e rasgado. Pode acabar com uma infecção feia, o professor Snape seria o primeiro a te chamar de idiota.

Ele assentiu, assustado e com vontade de chorar, mas assim que as emoções ameaçaram sair do controle, ele as enterrou bem fundo na mente. Não era hora para isso.

— Certo, entendi. Deseje-me sorte, Granger. – Ele disse.

— Sorte, idiota. – Ela disse.

Draco entrou no armário, e saiu em Hogsmeade em frente aos gêmeos Weasley.

— Olá, rapazes. – Ele disse. – Obrigada pela ajuda.

— Seus pais vão nos triturar os ossos, então é bom isso dar certo. – Um deles disse, e Draco nem tentou dizer qual.

— Como conseguiram consertar esse armário? – Ele perguntou.

— Somos os melhores inventores da Inglaterra. – Foi a resposta em uníssono. O que era verdade, e ele nem perguntou como conseguiram transportar o armário para o porão em que estavam.

— O trouxeram?

— Eles te trouxeram até mim. – Tom Riddle disse, saindo das sombras. – Estão na minha casa.

— Excelente! – Draco disse.

— Mas, é uma jogada bastante estúpida. – Tom disse.

— Está dizendo que não vai ajudar? – Draco questionou, ainda que não parecesse acreditar na possibilidade.

— Oh, não. Só estou pontuando, sua mãe pode demorar para ser capaz de te localizar, enquanto isso estará sozinho com eles.

— Eu posso lidar com a minha tia querida. – Draco disse, com um olhar tão ferino quanto o da mãe.

Tom deu de ombros.

— Esse feitiço de transporte não foi concebido para seres humanos, você é muito pesado, isso pode dar tremendamente errado. – Ele avisou.

— É por isso que não vou ser transportado como humano. – Draco disse. – Treinei desde o começo do ano letivo com ajuda do tio Sirius.

Antes que eles pudessem perguntar o quê tinha treinado, Draco estalou o pescoço e se jogou para a frente, caindo no chão como um furão albino. Os gêmeos sorriram.

— Bem-feito, Malfoy.

— É por isso que nos pediu para ver se era possível mudar a forma animaga. – Fred disse ao irmão. – Assim é mais fácil, cunhado?

— Tremendamente mais seguro. – Tom disse. – Agora, se os dois puderem derramar seu sangue, acho que estamos com pressa, não é?

Fred e George colocaram Draco dentro do pentagrama que Riddle desenhou com precisão, garantindo que estavam na posição correta para onde o sol nascia, e que sim, estava feito com pó de ossos de algum parente deles morto há anos, ele não diria onde conseguiu e eles não iriam perguntar. Draco ficou parado e esperando. Os dois cortaram a mão levemente, e deixaram o sangue manchar a pelagem branca até que Tom disse que era o suficiente. O homem se posicionou na frente do círculo e levantou a varinha.

— Pelo amor que tem pela sua pele, se não disparar os alarmes, o que é uma possibilidade real na forma animaga, não os enfrente, nos espere. – Ele instruiu, e lançou o feitiço sem mais delongas.

Fred e George se encolheram ao ouvir os guinchos dolorosos que Draco deu em sua forma de furão, até que ele desapareceu.

— Deu certo? – Perguntaram ao mesmo tempo.

— Acabei de usar um feitiço que foi desenhado para salvar objetos de magia negra das buscas do Ministério e na época da caça às bruxas em um animago… não tenho a menor ideia. – Tom respondeu. – Quem quer ir comigo contar aos Malfoy e pedir que Narcissa o localize?

Eles se encolheram e responderam ao mesmo tempo:

— Vamos chamar o Percy.

Notas finais
E então, o que acharam? Nos lemos logo. Beijos