Um Novo Caminho
40 O Fim de uma Era
Notas iniciais
Severus suspirou, era dificil dizer não aos dois idiotas de quem cuidou por tanto tempo quando crianças, mas isso já estava ficando ridículo.
— Vamos lá, rapazes, eu já disse que é cedo demais para que possam sentir alguma coisa. – Ele disse, ainda que não reclamasse da atenção dos dois adolescentes, que tinham feito uma pausa em suas crises emocionais e hormonais para passar um tempo com ele.
Harry e Draco o tinha encurrado no sofá, sentando-o no meio dos dois, enquanto acariciavam sua barriga levemente arredondada, tentando fazer com que os bebês se movessem para que sentissem.
— Isso não é justo, vamos perder as melhores partes porque estamos na escola. – Harry reclamou, fazendo beicinho.
— Sim! Você e o papai já começaram a arrumar o berçário. – Draco acusou. – Como podemos ser primos decentes se não estamos aqui para impedir que coloquem coisas idiotas na decoração?
— Só escolhemos o quarto e pedimos para que os elfos limpassem e tirassem os móveis. – Severus disse. – E vamos esperar para seus inestimáveis conselhos, como sempre.
— Não sejam infantis, meninos. – Lucius pediu, de seu lugar na poltrona. – Já vamos usar sua ajuda para pintar as paredes e escolher os móveis.
— E vamos ter dois berçários para fazer, aqui e em Grimmauld Place. – Sirius lembrou-os.
Os adolescentes ficaram apaziguados, e Lucius fez uma nota mental para mostrar a Remus e Sirius a lembrança do absurdamente estóico Severus sentado entre os dois adolescentes, com Harry sorrindo como um idiota enquanto falava com sua barriga, ao mesmo tempo em que Draco tinha a cabeça no ombro do padrinho, perguntando se era estranho estar gestando e coisas pertinenentes para um jovem portador curioso. As coisas estavam tão domésticas que ele poderia se esquecer por alguns momentos de todos os problemas que tinham.
— Draco, não durma em cima do seu padrinho, está muito grande para que alguém te carregue até seu quarto. – Lucius brincou, vendo como seu filho piscava lentamente.
— Eu não tenho quatro anos para tirar sestas depois do almoço! – Draco protestou, ficando ereto no sofá.
— Você não tirava sestas, caía de sono por onde estivesse. – Severus corrigiu. – Além disso, seu pai está certo, está cansado.
Draco teve que reconhecer a derrota.
— Eu estou, mas é ridículo, não fiz nada de produtivo.
— Além de comer como um troll ontem. – Harry apontou.
— Oh, mais um surto de crescimento vindo. – Lucius disse. Harry ficava irritadiço e tinha febres antes de crescer, já Draco comia como Ron em seus dias mais cheios de apetite e dormia muito.
— Pode ser. – O loiro mais novo reconheceu. – Vou ser mais alto que você.
Harry sequer rebateu. Depois de seu início de infância atribulado, tinha que dar graças a Severus e suas poções que tivesse uma estatura normal e não fosse ainda menor que os amigos e Draco. Ron era um maldito gigante, por exemplo.
— Não deveria ficar todo arrogante sobre sua altura, são só bons genes. – Severus disse.
— Sim, minha linhagem superior. – Lucius disse, sorrindo, ao que o moreno revirou os olhos.
Draco e Harry trocaram um olhar, os dois se divertiam horrores quando Lucius e Severus entravam em discussões infantis. Um olhar para o quadro enorme em cima da lareira disse-lhes que a pintura de Abraxas também disfrutava imensamente de ver os dois felizes e tranquilos. O loiro sentiu aquele aperto familiar no peito, aquele que dizia que algo muito ruim ia acontecer logo, isso roubou seu sorriso e o fez prometer se concentrar mais em seu objetivo primário daquele ano, poderia lhe dar uma vantagem.
X~x~X
— Então, como foi? O que ele fez? – Ron perguntou a Harry quando os dois foram comprar doces no expresso.
Harry deu de ombros.
— Ele não fez absolutamente nada, os feriados foram tranquilos, como você viu. Ele nem ficou amuado porque JJ não apareceu, na verdade ficou todo feliz e tranquilo.
Ron estranhou aquilo tremendamente.
— Sério? Depois de todo aquele clima misterioso e os sumiços e caras de quem estava apontando? – O ruivo estranhou.
— Talvez ele estivesse tendo encontros secretos com uma amante de peitos grandes. –Harry provocou, ganhando um forte soco do amigo por isso.
— Não diga essas coisas! – Ele protestou, ainda que estivesse rindo.
— Eu digo, mas é brincadeira, ele teve um estirrão nas férias, como já notou, talvez fosse só coisa de hormônios como dizem os pais. – Harry comentou.
— Pode ser. – Ron disse.
— E como foi conhecer o namorado do Percy? – O moreno perguntou.
— Divertido. – Ron disse. – Ele conseguiu intimidar os gêmeos! Foi lindo de ver, não caiu em nenhum truque deles e ainda por cima os fez caírem em sua própria piada. Ah, nunca vi Fred e George com os cabelos piscando antes, foi épico!
— Então, gostou de Riddle? – Harry estranhou, Ron era bastante possessivo de Percy, não gostava nem de dividi-lo com os irmãos, e ele notou a tensão que permeou o ar na mansão quando ele e Draco reclamaram de não juntar todos no natal, seu pai Remus claramente não gostava do homem.
Foi a vez do ruivo sacudir os ombros.
— A verdade é que não sei bem, só o vi por umas horas, e ele foi encantador, mas somos duas serpentes, ainda não tivemos tempo de terminar de nos avaliar.
— Rituais de reconhecimento slytherin. – Ele provocou. – Alguém deveria fazer um manual de vocês.
— Não seria você, tantos anos com as serpentes e nada de aprender sutileza. – Ron provocou.
X~x~X
Hermione estava sorrindo de forma maníaca para Ron e isso o assutava um pouco.
— Pare com isso! – Ele pediu. Os dois estavam estudando debaixo de uma árvore e ele tinha pedido ajuda com seus planos para o dia dos namorados.
— É realmente fofo, vocês dois são uma gracinha. E não diga ao seu namorado pomposo e arrogante que eu disse isso.
— Ele te odiaria por isso, então, claro que não vou dizer. – Ron disse.
— Vou te ajudar com os preparativos. – Ela garantiu. – Draco tem sorte de ter você, Harry nunca faria algo assim por mim, nem mesmo quando eu o deixei todo feliz quando o… você sabe.
— Prefiro nem imaginar. – Ron disse, rindo do embaraço da amiga.
— Ei! Acabou de confessar que vai fazer sexo com ele no dia dos namorados, é pior do que me imaginar chupando o Harry. – Ela disse, corajosamente.
— Eca, Hermione! Eca!
X~x~X
Pansy queria companhia para comprar seu vestido para o baile de dia dos namorados, e isso, claro tinha que ser feito com alguém com o gosto tão refinado quanto o dela, e mesmo em Slytherin, isso só deixava Draco Malfoy, que atualmente ia de braços dados com ela rumo a uma boutique elegante, escondida em Hosgmeade.
— Por que sempre te deixo me arrastar para isso? E como diabos convenceu meus pais a me deixarem vir?
— Tem dois guardas nos seguindo, idiota. — Ela disse. — E eles sabem que precisa respirar de vez em quando, além disso, eu posso ter mencionado que você estava com vergonha de pedir para ver sua mãe...
— Ela vai estar lá?! — Draco se animou, ele sentia falta dela, seus pais nunca discutiam na frente dele, mas ele sabia que desde que ela ajudou sua tia Bella, Lucius não confiava na ex-esposa totalmente e isso diminuiu drasticamente o acesso dela a mansão, e consequentemente ao filho, que raramente podia sair sem escolta de um dos adultos da família.
— Sim, ela e minha mãe costumam comprar vestidos novos uma vez por mês. — Ela disse, sorrindo.
Foi assim que Pansy terminou escolhendo seu vestido com a ajuda de seu amigo e da mãe incrivelmente elegante dele. A modista a colocou num banquinho para fazer os ajustes no modelo escolhido, enquanto os três conversavam.
— Então, Draco, o que comprou para Ronald esse ano? — Narcissa perguntou.
— Um cordão com feitiço de proteção e localização.
As três mulheres na sala, a modista até parou de ajustar a bainha do vestido de Pansy, o olharam com surpresa.
— O quê? É um cordão de ouro branco com um pingente muito especial para nós, só aconteceu de eu ter pedido para o meu padastro colocar feitiços poderosos nele. — O loiro disse, na defensiva.
As três deram sorrisos condescentes, mas Draco era esperto o suficiente para não discutir. Pansy voltou a infernizar a pobre mulher que arrumava seu vestido, e sua mãe o olhou com desconfiança.
— Já te vi mais animado para o dia dos namorados, querido filho.
Draco deu de ombros, estranhando a questão.
— Por que estaria agitado? É um dia normal, só que vou ter que comprar um presente e vamos ao baile, nada muito estranho.
Narcissa ia replicar, mas seu filho de repente ficou tenso.
— Oh, diabos, será que aquele predador sem escrúpulos vai tentar seduzir o Harry no baile? Oh, Merlin, certeza que aquela gata velha o deixa vir para a escola, diabos!
— Draco! — Sua mãe o chamou, severa, tirando-o do devaneio de ódio.
— Sim, mère? — Ele respondeu, sem saber porque a tinha irritado, mas esperto o suficiente para saber que deveria parecer pronto para pedir desculpas.
— Preocupe-se com o seu namorado e não com o namoro do menino Potter. — Ela disse, chocada.
— Ron está bem, o que está sendo perseguido por um provável caça fortunas e aproveitador de menores é o Harry. — Draco protestou. — Ele tem uma moto voadora, igual quando o tio Sirius era um delinquente.
Narcissa teve vontade de rir e pedir ajuda a todas as deidades. Seu filho não tinha sido ciumento assim nem da menina Granger. Ela teria que mandar uma carta a Lucius sobre o tema.
— Esqueça isso e foque no seu namorado, ele deve estar esperando algo especial.
Draco revirou os olhos.
— Já combinamos como vamos ao baile e já comprei o presente, não vai acontecer nada de especial, é só uma noite de festa. — O loiro teimou.
Narcissa suspirou. Ronald tinha uma alma extremamente romântica, seguramente seu genro estava preparando algo especial, e seu filho estava distraído demais para prestar atenção.
X~x~X
Ron estava totalmente animado com seus planos com Hermione, a amiga já o tinha levado a Sala Precisa e os dois se divertiram desejando coisas que o local proporcionava. Ele sabia que estava criando grandes expectativas, e que todos os livros que tinha lido advertiam para o fato de a primeira experiência com penetração ser muitas vezes frustante e dolorosa, mas ele confiava que poderiam se divertir, já que todo o resto foi totalmente delicioso de fazer com seu namorado. Ele esperava que com isso os dois pudessem voltar ao normal, ele tinha se sentido estranho ultimamente, e não é que o loiro o tratasse mal, ele continuava o mesmo ser possessivo e carinhoso de sempre. Quando estavam juntos, era o céu, e os beijos do namorado o levavam a um nível crítico de desespero, mas, a sensação estranha e os pensamentos que teve antes de que o loiro estava totalmente atraído por Harry não saíam da sua cabeça. Ele agora não podia deixar de notar como os dois viviam se tocando quando não estavam em público, carinhos no cabelo, mãos se tocando... e isso sempre foi desse jeito, ele não sabia porque agora lhe dava uma inquietação gigante. Era ridículo, e ele sabia que estava agindo como um maluco ciumento, por isso estava com tanta vergonha de sequer tocar no assunto com o namorado. Suspirando, ele se jogou na cama, tudo ficaria bem depois do dia dos namorados.
X~x~X
Olhando um pobre menino do primeiro ano correr de cartas encantadas e soltando corações vermelhos, Harry agradeceu pelo fato de não ter que se preocupar com meninas correndo atrás dele esse ano. Claro que tinha recebido cartões e propostas indecentes, mas as garotas da sua idade tinham parado de dar risadinhas e perseguir, e agora faziam beicinho quando ele dizia que já tinha um encontro para o baile.
— Está rindo do menino, Potty? Devo lembrá-lo da época em que ia se esconder em Slytherin porque as meninas estavam loucas para sair com o menino-que-viveu?
— Cale a boca, idiota. — Harry respondeu a Draco, que vinha para perto dele trazendo Ron pela mão. Os dois se sentaram a seu lado debaixo da árvore, olhando para o lago.
— Pelo menos esse ano ninguém te escreveu um poema. — Draco continuou, disfarçando extremamente mal, quando disse com inocência. — A menos que seu tarado, digo, namorado, tenha feito algo tão clichê.
— Ele não é meu namorado, estamos nos conhecendo. — Harry afirmou, alegre. — Talvez ele vire namorado na noite do baile, ele pode ter dito que é romântico o jeito que vocês dois ficaram juntos, finalmente.
Ron viu seu namorado ficar sem palavras, literalmente de boca aberta, e isso foi chocante. Quando se recuperou, Draco exibia uma fúria fria que sempre os lembrava de como ele era para o resto do mundo: um bastardo sem coração.
— Precisa arrumar melhor que um plagiador. Ele não é a pessoa certa para você.
Harry revirou os olhos, entre divertido e incomodado.
— Essa não é sua escolha, idiota. — Afirmou. — Ron, te deixo com o mal humorado, quem sabe no baile de amanhã ele fica de melhor humor, recomendo o ármario de vassouras para distraí-lo, é sempre um clássico... mas, se me verem arrastando o JJ para lá, não interrompam, estou tentando convencê-lo a me ensinar como dar um boquete. Eu te pediria, Ron, mas seu namorado não sabe dividir.
Ron riu enquanto o amigo se afastava, só para ver como o namorado tinha um olhar de tormenta nos olhos acinzentados e apertava sua mão com muito mais força do que o necessário.
— Draco... minha mão. — Ele disse.
A expressão do loiro se suavizou de pronto, indo para desculpas.
— Desculpe-me, é que ouvi-lo falar desse cara... sinto muito, te machuquei?
— Não, idiota, mas tem que relaxar, está parecendo neurótico com isso.
Draco bufou e soltou sua mão, batendo na grama.
— Isso não é verdade, é só esse cara.
— E se fosse Theo? Ou Neville? Diabos, você tinha ciúmes da Hermione! — Ron explodiu.
— E daí?
Ron respirou fundo para se acalmar, a cara perdida de Draco era de verdade, ele não entendia.
— Percebe que pode me incomodar ver meu namorado tão preocupado sobre outro cara? Tendo ataques de ciúme dele?
— Mas... é o Harry! Não seja tolo. — Draco disse, chocado.
Ron revirou os olhos, mas o loiro descartou seu incômodo com um sorriso malicioso.
— Não se preocupe, amor, ainda te amo. Não precisa ficar com ciúme do Harry, você é meu namorado... só tenho que manter o imbecil longe de predadores.
Ron ia retrucar, mas seu namorado decidiu que beijá-lo era uma alternativa melhor, e ele cedeu, afinal, amava beijar Draco Malfoy onde todos pudessem ver. Ele era possessivo também, eram um par tremendamente fodido.
X~x~X
Hermione estava totalmente animada com o baile do dia dos namorados, não só porque tinha um encontro com Justin Finch-Fletchley, que parecia totalmente doce e pronto para ter uma noite agradável. Ela estava tão animada que até convenceu Neville a ir, mesmo que sozinho.
— Tem certeza que quer ir com esse idiota? — Ron perguntou, enquanto arrumava seu cabelo na Sala Precisa.
— Claro! Por que não ia querer?
— Porque ele foi um idiota com Harry quando pensou que ele era o herdeiro de Slytherin? — O ruivo perguntou, como se fosse óbvio.
— Éramos uns pirralhos! — Ela disse, rindo.
— Ele ainda é.
— Vocês serpentes são muito rancorosas.
— Ele é arrogante e cheio de si.
— Ele é um hufflepuff, pelo amor de Merlin! Ele é fofo comigo, mereço caras fofos. – Hemione disse, segura de si.
— Claro, depois de ter aguentado aquele troll do Harry por tanto tempo. — Ele disse, virando-se para ela e perguntando: — Como eu estou?
Ela sorriu, olhando para como ele estava tão finamente vestido. Azar do resto da escola que ele estivesse planejando deixar só Draco vê-lo tão lindo.
— Está muito bonito, se não fosse gay eu definitivamente namoraria com você! Preto é sua cor, senhor Weasley.
Ron sorriu.
— Draco gosta também, ou algo claro para destacar meus lindos olhos. — Ele parafraseou o namorado.
— Espero que ele aprecie mais do que seus olhos essa noite. — Ela disse, sorrindo ao vê-lo corar.
— Espero também, porque tive que fazer coisas indizíveis em prol dessa surpresa.
Hermione corou também, pensando nos feitiços que pesquisou com ele, e chegando a conclusão com o amigo, que era melhor fazer a limpeza no estilo muggle, dadas as complicações listadas para uma má execução dos feitiços de lubrificação e limpeza nos livros. Ron certamente não queria explicar para Madame Pomfrey porque estava com os intestinos obstruídos ou coisa do tipo.
— Ele vai... além disso, não é como se Malfoy não fosse um pervertido completo.
— Oh, ele é, mas geralmente falamos por horas antes de tentar algo novo. — Ron disse.
— Ele é fofo, não é? — Ela perguntou, zombando.
— Ele é, mas nunca diga a ninguém.
X~x~X
Draco estava curioso sobre o comportamento de Ron naquele dia dos namorados. O ruivo teve um brilho malicioso no olhar o dia todo, e tinha sumido com Granger depois do almoço para algum lugar em que ninguém os achava, Harry poderia ajudá-lo com o mapa, mas se recusou a colaborar, aquele idiota. Por isso, se arrumou sozinho e se dirigiu para o salão de baile, onde a música e a conversa já estavam altas, um Malfoy sempre chega atrasado para causar impacto. E ele causou, entrando sozinho era uma surpresa, ele esquadrinhou o salão para achar seu namorado, mas nada dele, o que o incomodou, mas não preocupou, Granger estava ali, muito apresentável num vestido vermelho.
— Granger, onde está Ron? — Ele perguntou, à queima roupa, ignorando totalmente a criatura inútil ao lado da menina.
Hermione revirou os olhos para ele, claro.
— Sim, Draco, estou bem, obrigada por perguntar. E sim, esse é o Justin, ele está bem, também. – Ela soltou.
Draco sequer se imutou pelo sarcasmo da garota, só a olhou com o mesmo ar superior ao voltar a questionar:
— Ron?
— Venha aqui. – Ela disse, agarrando a mão do loiro e o arrastando para um canto mais tranquilo do salão.
Draco a olhou com curiosidade e a deixou o posicionar de forma que seu corpo a protegesse de olhares curiosos, mas os olhos cinzentos se arregalaram quando a viu mexer em seu decote.
— Hum… Granger, eu só gosto de garotos, peitos são legais e tal, mas…
Ela riu, retirando o pedaço de pergaminho do decote, onde esteve bem escondido.
— Oh, então, para te deslocar, só devo tentar te seduzir? – Ela perguntou, maliciosa.
— Meu medo era ter que te delatar para o meu namorado. – Ele disse, pegando o papel. – O que é isso?
— Instruções para o seu prêmio. – Ela disse com um sorriso malicioso.
Draco recebeu o pergaminho, mas sua atenção mudou de foco quando viu Harry entrar com JJ pendurado em seu braço, ainda que a melhor descrição seria o contrário, já que ele tinha escolhido um idiota com braços com o dobro do tamanho normal. Realmente, ele achava isso sexy? Cruzes.
— Obrigado, Granger. – Ele disse, olhando feio para os dois. – Agora, tenho um idiota para ameaçar.
— Malfoy! Ron disse que…
— Já vou, só tenho que cuidar disso primeiro. – Ele disse, batendo no bolso da túnica. – Tenho o presente dele bem aqui.
— Duvido que ganhe do que ele vai te dar. – Ela brincou, mas ficou sem resposta.
Mas, Draco já estava concentrado em se dirigir a Harry e impedir que aquele aproveitador de mãos enormes se aproveitasse do moreno.
X~x~X
Ron andou de um lado para o outro, esperando por Draco, até que se perguntou se Hermione estaria distraída com o encontro e tinha se esquecido de entregar o bilhete, ou pior, se Draco ficou esperando por ele e não foi até o salão de baile. Quando se passou uma hora do começo da festa e nem sinal de seu namorado, Ron saiu da Sala Precisa e andou até o local da festa, só para encontrar Draco sentado na mesa com Harry e JJ. Seu sangue gelou naquele momento, e ele soube que era besteira mentir para si mesmo. O loiro o viu, e ficou instantaneamente culpado.
— Ron! – Ele chamou, quando o ruivo saiu para o corredor. – Espere um pouco.
— Não! – Ele respondeu, indo para outro corredor, um mais escuro, ele não sabia exatamente para onde estava indo, só queria um lugar onde pudesse controlar suas emoções e não ceder as lágrimas que ardiam em seus olhos.
— Ron, espere, por que está fugindo de mim? – Draco perguntou, correndo para alcançá-lo, realmente confuso, o que irritou o ruivo.
— Talvez porque estava te esperando como um idiota na sua surpresa de dia dos namorados enquanto você estava mais preocupado com outro? – Ron perguntou, parando para enfretá-lo, naquele corredor escuro e aparentemente vazio.
— Eu sinto muito, só estava cuidando do Harry, mas já ia te encontrar. – Draco disse, percebendo que tinha se atrasado, ocupado em frustrar os planos do molestador de colegiais inocentes.
— Não! Você estava ciumento dele, porque não pode suportar a ideia de outro homem com ele! – Ron explodiu, sua raiva dando lugar a ura tristeza. – Está apaixonado pelo Harry, idiota.
Draco deu dois passos para trás, como se Ron o tivesse acertado fisicamente. O loiro franziu o cenho, irritado.
— Droga, Ron! Sinto muito por ter sido relapso, de verdade, mas, não acha que está exagerando no seu ciúme? Eu sinto muito.
Ron negou, sentindo uma lágrima escorrer pela bochecha. Riu, amargamente, pensando que era a coisa mais idiota a se fazer, mas ele tinha que dar a Draco a mesma honestidade que sempre recebeu.
— Desde que Harry começou a sair com ele, você mudou. Enquanto era Hermione estava tudo bem, ela é uma garota, não é concorrência de verdade, mas a cara? Foi como se um farol se acendesse na testa do Harry, e você começou a pensar e falar mais nele do que em qualquer coisa.
— Ron isso é loucura, por que está agindo assim? – Draco perguntou, sério.
— Porque é impossível namorar alguém que está mais apaixonado por outro cara do que por mim!
Draco arregalou muito os olhos, completamente chocado.
— Está terminando comigo? Por uma crise de ciúme?
— Não é uma crise, maldição! – Ron gritou, irritado. – Você está cego e não quer reconhecer, mas está caído por Harry há um bom tempo, eu quis me enganar, mas…
— Você está me enganando? – Draco perguntou, com um tom de voz frio que Ron nunca tinha ouvido direcionado a ele. – Quer terminar comigo e está buscando histórias fantasiosas?
— Isso não é verdade! – Ron se defendeu. – Só está cego agora, mas estou te dizendo o que vejo todos os dias há um tempo.
Quando Ron se aproximou ao ver o loiro de olhos baixos, a mão que iria tocar no ombro de Draco foi batida com raiva.
— Não me toque! Você está me abandonando! – Draco disse, sentindo um nó no estômago. – Disse que nunca ia fazer isso, e está me deixando! E fica dizendo mentiras sobre mim porque não tem coragem de me dizer a verdade.
— É claro que não! Não seja uma criança, eu não estou te abandonando, mas não posso ficar com você quando claramente está interessado em outro.
— Besteira! Eu só te cansei! É por que não quis fazer sexo ainda? – Draco perguntou, desesperado por achar um motivo. – Eu posso…
— Diabos, não! – Ron reagiu violentamente. – Nem pense em ir ai, não sou esse cara e você também não.
— Mas…
— Só… acabou, Draco. – Ron disse, triste.
— É, isso acabou, Weasley. – Draco disse, tirando um pacote do bolso e jogando para o ruivo. – Pode pegar se quiser, era meu presente, e não quero mais nada que tenha a ver com você.
O loiro deu meia volta e saiu em direção as masmorras. Perdido, Ron ignorou a sombra conhecida que viu se aproximar no meio da briga e correu para a Sala Precisa. Quem sabe ela não tinha um portal para outra dimensão?
X~x~X
Hermione agradeceu mentalmente saber para onde Ron tinha corrido depois da cena triste entre ele e Draco fora do salão de baile, que ela definitivamente não queria ter visto. Ela sabia que a magia da Sala Precisa a deixou passar porque o que o ruivo precisava agora era de um amigo, quando entrou, a sala estava vazia e escura, exceto por uma vela ao lado de um sofá velho, onde Ron estava jogado. O rapaz tinha um braço jogado sobre os olhos, e claramente ainda lutava contra as lágrimas. Ela se sentou no chão ao lado do sofá e segurou a mão livre do amigo.
Os dois ficaram em silêncio, não precisavam de palavras, ela estava ali para ele. Passaram-se muitos minutos antes do ruivo dizer em voz rouca:
— Está desconfortável ai?
— Não, tudo bem. — Ela respondeu, sem mentir. — E você?
— Eu perdi meu namorado, que, por acaso é meu melhor amigo, tudo num dos dias mais românticos do ano... como isso soa?
— Triste. — Ela reconheceu. — Mas, se servir de consolo, já aconteceu o mesmo comigo, e a amizade fica.
Ron deu um riso amargo.
— Draco não é o Harry... ele estava furioso. — Ron reconheceu. – Realmente furioso comigo, ele nunca me olhou daquele jeito. – O ruivo disse, e ela ouviu a dor na voz do amigo e queria ir dar soco em Draco, só que terminaria enfeitiçada por tentar abraçá-lo depois.
A verdade era que seu namorado, ex-namorado, ele se forçou a pensar no termo, não estava preparado para reconhecer sua atração por Harry, que foi criado junto com ele como um irmão.
— Eu ouvi parte da discussão. — Ela reconheceu.
— Eu te vi. — Ele disse, com voz plácida. — Por favor, não conte ao...
— Eu não vou. — Ela garantiu. — Além disso, o que eu ouvi foi Draco te atacando e te acusando de abandoná-lo, imagino os motivos que te levaram a isso, mas... tem certeza? Ele realmente te ama.
Ron soltou uma risada amarga, e olhou para ele pela primeira vez. Seus olhos azuis estavam injetados de vermelho e inchados.
— Não como ele o ama, não como o deseja. Quando ele perceber o que quer, e cedo ou tarde ele vai, terminaria ficando comigo por um sendo idiota de obrigação.
— Ele não faria. — Ela disse, enrugando o nariz.
— Mione, não me leve a mal, mas conheço Draco melhor que você. Ele parece um egoísta sem coração, mas, nunca terminaria comigo.
Ela não tinha resposta para isso.
— Agora ele está magoado e com raiva de mim. — O ruivo disse, desconsolado.
— E ele magoou você também. Não pode ficar se culpando, Ron! — Ela disse, com carinho. — Ele passou a semana do dia dos namorados falando sobre Harry e o namorado dele, reclamando e te ignorando. Ele se atrasou para sua surpresa... você ia fazer sexo com ele, pelo amor de Circe. Ele foi insensível, cretino e um estúpido.
Ron riu, entre lágrimas.
— É bom ter um amigo leão.
— Somos os melhores. Só... os dois precisam de tempo, nunca é fácil terminar com quem você ama.
Ela sabia por experiência própria.
X~x~X
Enfrentar o salão de Slytherin quando todos obviamente já saberiam que ele e Draco tinham terminado (poucos acontecimentos poderiam afetar tão fortemente o príncipe da casa a não ser seu namorado e seu irmão adotivo, e como Harry estava todo flamante no baile com seu novo namorado, seria óbvio que o namoro feliz e exemplar tinha azedado), não era uma opção tentadora, mas era melhor que dormir na Sala Precisa e ter o loiro entrando em pânico por seu sumiço, ou pior, fazendo um escândalo e perguntando com quem ele estava dormindo.
O ruivo ficou muito surpreso quando chegou no salão e encontrou tudo normal, alguns bêbados dormindo no chão e nas poltronas. No caminho para o quarto que dividia com Draco há anos, ele encontrou Blaise esperando, ele tinha uma cara séria que raramente usava quando estava relaxado entre os seus pares.
— Ei. — Ron disse.
— Oi, cara. — Ele respondeu. — Então, Draco disse que vocês terminaram e pediu para que eu ou Theo trocássemos de quarto hoje pelo menos. Isso está bem para você?
Ron sacudiu a cabeça afirmativamente.
— Ele disse que você pode ficar comigo, se quiser. — Blaise disse, oferecendo.
— Ele não disse isso. — Ron desdenhou.
— Não, ele disse que iria sair e eu disse que ele ser um homenzinho sobre isso e aguentar, já que ele fodeu com tudo. — O italiano disse, confiante.
— O quê? Como... ele não.
Blaise revirou os olhos.
— Ele fodeu, Ron, pelo menos Pansy disse que sim, e eu acredito na minha namorada. De um jeito ou de outro ele estragou tudo, não que você não tenha fodido também, porque, ei sempre é culpa dos dois, mas, ele é o único sendo um pirralho mimado. Então, ele fica com o quarto cheio de lembranças.
Ron ergueu uma sobrancelha.
— Meu protetor! Um caminho tão longo de quando me chamava de pobretão e sardento na mansão Malfoy. – Disse, colocando uma mão sobre o coração de forma dramática.
Blaise bufou e passou o braço por seus ombros.
— Vamos lá, pobretão, Pansy me deu um passe livre para te consolar. — Ele disse junto ao ouvido do ruivo. — Pode imaginar como isso ia dar um ataque no Draco?
Ron riu e empurrou o amigo, ele ia aproveitar a cama de Theo aquela noite. De manhã as coisas seriam melhores, ele tinha certeza.
X~x~X
A manhã seguinte não foi exatamente boa. Ele acordou sozinho, já que Blaise certamente tinha um encontro com Pansy na aldeia, e ele se pegou olhando para o embrulho que Draco tinha jogado a seus pés na noite anterior. Suspirando, ele abriu a caixa, só para encontrar uma linda corrente de ouro branco com um pingente de duas serpentes enroscadas, uma com um diamante no lugar dos olhos e a outra com uma pedra azul. As duas se moveram quando ele tocou, brincando e voltando a se enroscar, ele sentiu a forte magia que tinha ali, e seu coração afundou, se perguntando se tinha sido muito precipitado em terminar com o loiro. Depois de dar um jeito no rosto, e perceber que dormir chorando era horrível para os olhos, ele resolveu ir até Hogsmeade para ver Percy. Seu irmão era sensato e saberia exatamente como ajudá-lo a passar por todas esses sentimentos confusos.
Mais animado, ele foi até o corujal e escreveu uma nota rápida, enfatizando que precisava falar com o irmão sobre algo importante e se podia encontrá-lo para o almoço. Sua pobre corujinha saiu toda desajeitada, mas foi cumprir a missão, deixando-o sozinho. Os dias de visita a aldeia geralemente deixavam o colégio mais tranquilo, por isso ele não estranhou o silêncio, nem o fato de que pôde se sentar sozinho no jardim por um bom tempo.
— Ei, amigo. – Harry surgiu do seu lado, com sua vassoura pendurada nos ombros. – Posso me sentar?
— Sim, claro. – Ron disse, apesar de ser a última coisa que ele queria.
— Eu soube que terminou com Draco. – Harry disse.
— Oh, Merlin. A escola toda já sabe, não é? Quem foi o fofoqueiro?
Harry deu de ombros.
— O rumor é que ele te pegou no armário de vassouras com alguém, e que você deu o fora nele por ser um frígido. – Harry disse, sério.
— Excelente, isso vai deixá-lo tão feliz.
— É, ele não estava no melhor dos humores quando tentei vê-lo, por algum motivo se recusou a falar comigo.
Ron achou melhor não comentar.
— Não estava traindo o Draco.
— Eu sei, só queria saber se está tudo bem com você.
Ron negou, e foi salvo de mais perguntas pela sempre desastrada Pig, que caiu em sua cabeça com uma nota de Percy.
— Oh, Percy vai me encontrar para o almoço. – Ele disse. – Podemos continuar mais tarde?
— Sim, claro. – Harry disse, vendo como a patinha da coruja estava machucada. – Ei, quer que eu a leve para o corujal? Está machucada.
— Sim, obrigado, companheiro. – Ron disse, acariciando a corujinha. – Pig se machuca muito quando cai.
— Pobrezinha, vou te colocar junto com a Edwiges. – Harry disse. – Bom almoço, mande lembranças para o Percy.
— Pode deixar… Harry? Me faria um outro favor? – Ron pediu.
— Sim, claro.
— Pode devolver para o Draco? É muito valioso e não posso aceitar. – Ron disse.
Harry hesitou ao ver o colar.
— Ele passou um tempão escolhendo isso e achando os feitiços de proteção e localização que o pai Remus ajufou a lançar. Ele te deu… é seu.
— Ele jogou, tenho certeza que queria acertar minha cara. – Ron disse, amargo. – Não quero sua magia por perto agora, menos ainda perto do peito. – O ruivo disse, com cara de tristeza.
Harry pegou o colar, colocando-o no bolso.
— Vou guardar para você, devolve quando estiverem mais calmos.
— Obrigado. – Ron agradeceu, saindo correndo para ir ao encontro do irmão.
O menino-que-viveu não sabia, mas nunca se amaldiçoaria tanto por algo como por aquele momento.
X~x~X
O segredo de uma boa caçada é a paciência. Cedo ou tarde o alvo fica distraído, nenhum esquema de segurança funciona o tempo todo, menos ainda quando se trata de adolescentes hormonais sendo idiotas. Foi tão fácil, fácil demais. Um feitiço certeiro para petrificar, uma chave de portal, e pronto.
— Ora, ora… finalmente trouxe um prêmio para casa, meu amor. – A voz alegre de sua esposa o saudou.
Ele riu, saindo de cima da criança e conjurando as cordas para amarrá-lo, a cara de pânico que ele fez quando finalmente foi despetrificado era poesia. Ah, finalmente, tinham uma presa digna de vingar seu irmão.
— Mais fácil do que eu tinha imaginado, amor. – Ele disse. – Meninos maus quebram as regras.
Bellatrix riu, batendo palmas e dançando como uma lunática.
— Não posso tocar meu sobrinho, mas aposto que posso fazê-lo se retorcer porque tenho você, o namoradinho Weasley. – Ela riu, aproximando o rosto do ruivo, que permaneceu calado. – Oh, nenhuma ameaça? Nenhum rompante de coragem?
— Eu não sou um leão idiota. – Ele disse. – Estou ferrado e sei disso, não tenho nada para negociar, então…
Aproveitando a proximidade dela, ele impulsionou a cabeça, acertando-lhe o nariz com a testa, sentindo a cartilagem quebrar e o sangue molhar seu rosto.
— … devo aproveitar as pequenas alegrias.
O grito que Ron soltou ao ser chutado por Lestrange foi o primeiro de sua estadia, mas certamente não o último. Quando Bella se recuperou do ataque surpresa, rindo como uma lunática, disse que o ensinaria a atacar como um bruxo, foi quando ele conheceu seu talento com a cruciatus.
Fale com o autor