Notas iniciais
Olá, eu voltei! Demoro, mas volto. Enquanto estive fora escrevi uma oneshot baseada nessa fic, é PWP de um quarteto entre Severus-Sirius-Remus-Lucius, aos interessados, o link: https://fanfiction.com.br/historia/751089/Interludio/ Boa leitura!

Um ambiente neutro para esse tipo de encontro teria sido o ideal, mas ela teve que abrir mão disso, não tinha o direito de escolher o local ou os termos dessa reunião, estava em desvantagem e as duas sabiam disso.

— Andrômeda, bem-vinda. — Narcissa disse quando ela saiu da lareira.

Era estranho, entrar na casa onde tinha nascido e crescido e que agora estava só com Narcissa. Tinha boas lembranças ali, mas ainda considerava território inimigo, ainda mais na situação em que voltava.

— Obrigada por me receber. — Ela disse, com formalidade.

— Foi uma surpresa receber sua carta. — Narcissa respondeu, acenando para que se sentasse e chamando um elfo para trazer-lhes chá.

— Não muita, já devia esperar por algo do tipo. – A bruxa mais velha disse, secamente.

— Não vejo o porquê. — A mais nova rebateu, com um brilho malicioso no olhar, a pequena atrevida, Andrômeda pensou.

— Não jogue comigo, Narcissa, ainda sou sua irmã mais velha e sei mais truques que você.

Narcissa revirou os olhos.

— Você e Bella gostam de pensar que sim. — Ela bufou. — Se veio me agradecer por salvar sua filha, está indo muito mal.

— Eu vim para saber o que quer para saldar essa dívida. Não quero isso pendendo sobre ela, que já saiu do hospital. – Andrômeda disse.

— Eu soube, mas não temos uma dívida. – Narcissa disse, com ar ofendido.

— Você a salvou da nossa irmã, não precisava fazer isso, não tinha que…

— Dívidas de vida não funcionam assim. – Narcissa disse. – Eu… ela é sua filha, então é minha sobrinha, era meu dever.

— Ela não é puro sangue, você não a conhecia. – Andrômeda disse.

— Uma coisa embaraçosa anos atrás, mas não significa que deixaria Bella matá-la, deuses, eu não pensei que ela tentaria. – Narcissa disse, parecendo cansada. – Pensei… ela…

Andrômeda entendia, a sensação desalentadora que sentiu quando soube que Bella tinha enviado sua filha para St. Mungo e que tinha sido Narcissa que a salvou de não ter mais ninguém no mundo.

— Para ela é mais do que um embaraço de anos atrás. – Disse. – Bella acredita firmemente que minha filha precisa morrer para tirar a mácula da família.

— Mas não é certo matar família. – Narcissa disse, resoluta.

— Mesmo Bella?

— Eu teria feito, se ela fosse atrás do meu filho, eu teria feito isso sem piscar. Se fosse necessário para salvar a sua também, mas isso teria me assombrado por muito tempo, ela ainda é minha irmã.

Andrômeda suspirou.

— Ela não é a minha, e se vê-la pela frente, vou matá-la só por ter machucado minha menina. – Narcissa se perguntava se o doce lufano com quem ela se casou sabia como sua esposa podia emitir esse tipo de coisa sem perder a compostura e soando perfeitamente resoluta.

— Você sempre foi a mais implacável de nós três. – Disse, por fim.

— Verdade. – A mais velha disse, pegando o chá. – Quer me contar como vai meu sobrinho? Soube que ele teve parte nessa confusão toda, muito grifinório da parte dele.

Narcissa revirou os olhos.

— Draco foi atrás do ex-namorado porque julgou que ninguém estava se movendo rápido o bastante, isso é muito sonserino.

— E Black até a medula. – Andrômeda brincou.

As duas terminaram conversando sobre os filhos, e resolveram que poderiam enterrar os machados de guerra por enquanto, a família diminuía a passos largos e elas não estavam com vontade de continuar brigadas.

X~x~X

— Eu não quero perder o ano. – Ron disse, enquanto tomavam o chá das cinco.

— Só faz um mês, não precisa correr e…

— O perfeito-Percy me dissuadindo de ir para a escola? – Ron questionou, erguendo uma sobrancelha.

Tom bufou, revirando os olhos.

— Ele só está sendo superprotetor, coisa de leões. – O homem disse, fazendo Ron olhá-lo, estava ali há três semanas, e já tinha se acostumado com a presença marcante do homem.

— Isso vai ser duro, Ron. – Percy disse, ignorando a troca de olhares divertidas entre Tom e seu irmão, ele já entendia que serpentes tendiam a se juntar contra pobres presas desavisadas. – Vai ter muita curiosidade e um monte de fofoca.

— Vai ter de qualquer maneira, a menos que queira que eu nunca mais saia de casa, em algum momento vou ter que enfrentar o mundo lá fora. E eu vou ser amaldiçoado antes de deixar aquelrs bastardos me condenarem a uma vida de eremita.

Percy suspirou, a teimosia de seu irmão já se mostrava em seu rosto e ele não ia ficar discutindo. Além disso, que o caçula estivesse disposto a voltar para a escola era um tremendo passo. Quando o mais novo foi para seu quarto, Percy externou sua vontade mantê-lo em casa por mais um tempo, não confiava na recepção que teria.

— Não deve se preocupar com isso, posso te garantir que não poderão chateá-lo. Os Slytherins são perfeitamente capazes de controlar qualquer idiota que olhe demais ou fale mais que do que deveria.

— Como eles poderiam evitar esse tipo de coisa? Um internato é organizado socialmente por fofoca e especulação.

— Querido, somos serpentes, manipular um bando de estudantes para manter o bico fechado perto de alguém que gostamos é um passeio no parque. O jovem herdeiro Malfoy por si só já deve estar intimidando meio colégio.

— Como ele saberia que Ron quer voltar? – Percy perguntou, sabendo em seguida. – Tom! Eu já te pedi para parar de ler a mente dele.

O homem deu de ombros descaradamente.

— Não reclamou quando te contei dos pensamentos suicidas, além disso, que eu esteja monitorando te ajuda a ir consolá-lo quando precisa.

Percy mordeu os lábios, realmente dividido pela proteção da privacidade de Ron e os métodos invasivos de segurança do homem mais velho.

— Você deveria ser o sensato. – Acusou, por fim.

— Eu sou, e já posso te dizer que ele quer lutar contra a sensação de estar desamparado, e isso será mais fácil com a cabeça cheia de deveres e com os amigos.

— Está bem! Não vou tentar convencê-lo a ficar em casa… ainda que vá te castigar por continuar lendo os pensamentos dele quando meu irmão já não estiver aqui.

Tom riu.

— Como se isso fosse me dissuadir de algo.

X~x~X

Pansy se jogou no sofá ao lado de Draco, que ainda estava de cara tão fechada que poderia azedar leite fresco.

— Alguém enfeitiçou um aluno de gryffindor, a língua do menino ficou colada no céu da boca por horas, Madame Pronfrey teve que levá-lo ao hospital.

— Isso soa terrível. – O loiro disse, completamente desinteressado.

— Oh, sim, e eles não conseguiram tirar o “fofoqueiro” piscando na testa dele. – Ela continou, sorrindo.

— Deve ser um feitiço muito potente. – Draco disse, soando satisfeito, ainda que não sorrise, ele não sorria desde o dia dos namorados.

— Ele está voltando, você o salvou, ele vai superar isso. Somos sobreviventes. – Ela disse, realmente triste por saber que os dois estavam sofrendo, ainda que por motivos diferentes.

— Eu estou bem. – Uma mentira descarada, Pansy pensou, ele tinha perdido peso e saúde.

— Sim, claro. – Ela disse. – Ele vai voltar hoje a noite, acha que precisamos fazer algo mais efetivo que aterrorizar os idiotas de língua grande?

Draco pensou por um longo momento, ele mesmo já tinha discretamente ameaçado e enfeitiçado alguns engraçadinhos que não paravam de especular em alto e bom tom sobre o acontecido. As fotos que foram parar no Profeta não eram uma confirmação, nem explícitas, mas, ninguém era tolo e tinham juntado dois mais dois, o que não significava que podiam ficar cochichando e apontando nos corredores com Ron de volta.

— Fale com Granger, ela pode manter os leões quietos, mande Blaise com os huffles e negocie com os prefeitos de Ravenclaw, deixe claro para eles que nada será perdoado nesse tema, e lembre todo mundo quem é melhor dando o bote no escuro.

Pansy engueu uma sobrancelha.

— E você, alteza? – Ela questionou.

— Eu já fiz minha parte. – Ele afirmou, ofendido.

— Se ninguém pode dizer que foi você não conta.

— Só seja eficiente, Pansy… — Ele disse, e recebeu um olhar que prometia retaliação. – Como sempre, é a melhor de nós.

Isso a apazigou, levantando-se, a jovem o olhou com atenção.

— Sei que não é da minha conta e não sei o que anda fazendo na Sala Precisa, mas espero que não seja nada estúpido.

Draco deu de ombros.

— Nada que precise se preocupar.

— Tudo bem, vou fingir que acredito. – Ela disse, saindo para negociar com as demais casas, se perguntando se a volta de Ron ajudaria ou pioraria a situação dos dois. Ela realmente desejava que alguém matasse Bellatrix Lestrange o mais rápido possível, aquela mulher já tinha feito o suficiente.

X~x~X

Harry viu com alívio a figura de Ron na mesa da Sonserina. O ruivo estava entre os demais alunos, conversando principalmente com Theo Nott e Pansy, já que Blaise e Draco estavam longe de ser vistos, e analisando melhor, ele notou a falta de Greg Goyle e Vincent Crabble também, estranho.

— Mione, acha que vão nos enfeitiçar se formos lá dar oi? – Ele perguntou, já que Ron tinha chegado a noite, pouco antes do jantar, não tinha tido oportunidade de vê-lo.

— Ginny já foi e saiu ilesa. – Hermione disse, mordendo o lábio inferior e e olhando para a amiga que agora comia tranquilamente depois de ter ido abraçar e conversar com o irmão.

— Bem, ela é a irmãzinha dele, mas, somos a casa dos corajosos, não é?

Ela assentiu e os dois foram para a mesa da casa conhecida como sua maior rival.

— Hoje é dia dos leões amistosos? – Pansy questionou, revirando os olhos.

— É que só gostamos do Ron entre as serpentes, sentimos saudades de como ele mantém vocês toleráveis. – Hermione disse, fazendo uma careta para ela.

— Oh, vocês duas continuam iguais. – Ron cantarolou, aceitando o abraço de Hermione, mas Harry notou como ele estava duro quando enquanto ela o tocava, ele só sorriu para o amigo, evitando o contato.

— Sentimos muito sua falta. – Harry disse. – Essas serpentes ficam muito descontroladas sem você.

— Um caos total, um bando de mal humorados. – Hermione disse, brincando.

— Vocês dois vão terminar azarados. – Ron disse, achando divertido que todos em sua mesa já os olhasse com vontade de tirá-los dali. – Já terminei de comer, por que não vem me ajudar a estudar um pouco?

— Oh, sim! Eu te fiz um monte de anotações. — Hermione disse, com empolgação.

— Eu recebi todas, Percy acha que você é a melhor pessoa no mundo agora. – Ron disse, se lembrando de como seu irmão ficou encantado com as transcrições e notas autocolantes que ela colocou ao longo do material.

— Oh, isso é uma honra, todos os professores falam de como ele foi o melhor aluno daqui e como era organizado. – Hermione disse, realmente feliz pelo elogio do prefeito mais eficiente de sua casa.

Harry suspirou.

— Ótimo, agora vamos ter um time nerd impossível de parar, se juntarmos a Hermione e o Percy o mundo mágico está perdido. – Disse, com desânimo fingido.

— Concordo. – Ron disse, fingindo seriedade, mas já levantando da mesa. – Mione, está proibida de fazer amizade com o Percy.

Os três estavam saindo do salão ao mesmo tempo em que Blaise voltava, ladeado de Crabble e Goyle, os três com cara azeda. Eles disfarçaram bem, dizendo que se atrasaram para o jantar por culpa de deveres, mas Harry notou os nódulos dos dedos dos dois maiores inchados, será que tinham se metido em brigas?

X~x~X

Harry odiava quando ele não entendia algo, e ele não era idiota como muitos gostavam de pensar. Ele podia ser o atleta jogador de quadribol, mas também era o melhor aluno de Defessa, ganhando de Draco e Hermione, e isso não era pouco. E não entendia o que tinha feito de errado de novo, era irritante.

— Por que está aqui de mau humor? — Hermione perguntou, sentando-se na poltrona em frente a dela na sala comunal.

— Porque tentei ajudar um loiro idiota e ele me enfeitiçou. — O moreno resmungou.

— Draco te lançou o quê? — Ela perguntou, curiosa. Os feitiços do loiro costumavam ser altamente detectáveis.

— Prefiro não comentar. — Harry disse, se movendo de maneira incômoda na poltrona, fazendo Hermione olhar para seu colo e rir.

— Adoro os métodos dele.

— Isso porque não tem bolas para ele maltratar! — Harry disse, e sua amiga parou de rir.

— Desculpe-me, prometo não rir mais. — Garantiu. — O que fez para irritá-lo?

— Existo? Olha, eu realmente não sei. — Harry disse, cansado. — Eu tentei falar com ele sobre como poderia se reproximar de Ron.

Hermione arregalou os olhos, chocada.

— Você fez o quê?! — Ela quase gritou.

— Eles precisam ficar juntos, é bom para os dois. — Harry disse. — Os dois se amam, desde que voltou Ron fica olhando para ele como se esperasse um abraço, e o idiota fica longe! Eu disse para ser sincero e pedir desculpas pelo desastre do dia dos namorados, até me certifiquei de dizer que Ron está traumatizado e que ele precisa de apoio e não de um idiota frio e distante.

Hermione suspirou. A relação desses dois era uma tremenda bagunça, Harry era muito díficil de ler, em matéria de mostrar sentimentos ele era como Lucius Malfoy, quem diria que ele seria o mais enigmático. Era claro que ele queria que Draco voltasse ao normal e ficasse feliz, mas ela ainda não tinha confirmado se ele só queria que o irmão voltasse para Ron para melhorar de humor e de qualidade de vida ou se era altruísta ao ponto de alentar uma relação que levaria um possível amor para outra pessoa.

— Draco se sente culpado pelo que aconteceu, Harry. E o trauma do Ron não vai se resolver com um passe de varinha ou um namorado de volta, idiota. — Ela disse, severamente.

— Eu sei! Eu disse para ele que era cruel se manter longe como se Ron tivesse alguma doença, então ele me azarou. — Harry disse com um beicinho.

Hermione riu, seu amigo podia ser atrapalhado, mas tinha dado em cheio no alvo.

— Está atacando do lado errado, vou falar com Ron, se alguém pode mostrar ao Draco como se comportar com ele é o próprio.

Harry sorriu largamente.

— Mas não fique animado, duvido que voltem. — Ela avisou.

— Sou esperançoso.

X~x~X

Draco não gostava de ser encurralado, diabos, ele odiava isso com todas as forças, mas era difícil prever alguém como Ron. Por isso ele escolheu manter a dignidade e não sair da banheira dos prefeitos e correr para longe do ruivo que tinha acabado de entrar no local.

— Poucas pessoas acreditariam que você gosta tanto de banho com bolhas. — Ron disse, distraidamente.

— Se sair dizendo essas coisas eu teria que me livrar de um monte de gente, então, por favor, não o faça. — Draco pediu, sentindo-se estranho por falar de algo tão tolo.

— Seus segredos estão seguros comigo. — Ron disse, sentando-se no chão de pernas cruzadas. — Então, Hermione me disse que está me evitando porque está culpado.

O esgar de desgosto do loiro era prova suficiente de que ela tinha acertado em cheio de novo. Ela era boa lendo pessoas, ou só era menos teimosa que o resto deles, vai saber.

— Eu deveria estar te evitando, sabe? Como pode me olhar depois de me ver daquele jeito? — Ron perguntou. — Não pode me olhar porque te deixo com nojo agora?

O loiro estava olhando para todo o lado, menos para o ex-namorado, mas quando ouviu isso teve que se forçar a encontrar os olhos azuis de Ron com firmeza.

— Não posso te olhar porque foi minha tia que te machucou, e porque se eu não tivesse tido um ataque como um moleque de três anos, você não teria ido sozinho para a aldeia, ou pelo menos teria usado o maldito localizador! — Draco disse, com uma profunda aversão,afundando na água logo depois. — Isso é minha culpa.

Ron se encostou na parede.

— Quando você me evita parece que me culpa e não o contrário, você me machuca. Diabos, Draco! Voltei para a escola tem um mês e você conseguiu a proeza de me evitar totalmente. — Ron disse, com clareza e bastante direto. Ele sabia que Draco não estava fazendo de propósito, mas sem uma boa dose de manipulação, ele não pararia com esse padrão de comportamento.

— Eu sinto muito, isso é uma merda completa. — Draco disse, parecendo cansado, e não era para menos, já que estava ficando até de madrugada na Sala Precisa para evitar qualquer possibilidade de cruzar com Ron na sala comunal, além de se sentar longe nas aulas. Até as refeições andava pulando. — Inclusive me encurralar pelado e na banheira.

— Não é exatamente fácil passar por Crabble e Goyle esses dias. — Ron disse, azedo. — Os dois parecem que estão grudados nessa sua bunda ossuda, o que está havendo?

Draco bufou.

— Eles não te contaram? Sempre foram suas marionetes. – Draco estava impressionado que os dois puderam manter o bico calado.

Ron deu de ombros.

— Eles disseram que era assunto seu e não de um jeito bom, o que me fez notar que não aprovam o que está fazendo.

— Eles não aprovam quase nada que faço ultimamente. — Draco disse, saindo da água e se encolhendo pela burrice quando Ron se encolheu. — Desculpe, eu não pensei... diabos, sou pior que um troll numa loja de cristais agora mesmo.

Ron riu, e o som cristalino amorteceu a dor lancinante que Draco vinha sentindo há semanas em seu peito.

— Não está ofendendo minha sensibilidade pós-estupro, idiota, só que é estranho que meu ex esteja tão à vontade nu na minha frente.

Draco deu de ombros.

— O mundo teria sorte se eu fosse nudista e pudessem me admirar todo o tempo.

Ron revirou os olhos, lá estava, a facilidade com que brincavam, nublada apenas pelo aspecto doentio do loiro.

— Eu poderia concordar com isso há um tempo, mas você emagreceu demais... está doente, Draco?

O loiro negou.

— Não você também, Harry te mandou me dar uma lição?

O nome do moreno caiu entre eles como uma pedra. O tema tabu, Draco quando notou o que tinha dito até parou de abotoar sua camisa.

— Como estão as coisas com ele? Notei que estão meio distantes. — Ron disse, com diplomacia.

— Mais conselhos e avisos de Granger?

Ron negou.

— Ela pode ter me dado uma dica, Draco, mas se alguém nessa escola é especialista no seu comportamento sou eu. — O ruivo disse. — Eu não estou num momento da minha vida em que posso perder meu melhor amigo além do namorado.

Draco fez uma cara de confusão e Ron revirou os olhos.

— Os dois são você, idiota! — Disse, rindo.

Os olhos de Draco brilharam, como se Ron tivesse dito a coisa mais genial do mundo.

— Então, quer voltar comigo? Ah, isso é maravilhoso, prometo que vou...

— Draco, não! — Ron o interrompeu, horrorizado. — Eu só quero continuar sendo seu amigo, não quero perder você.

O loiro se jogou ao lado dele no chão, ainda descalço e com a camisa aberta.

— Isso é bem fodido, porque eu queria te salvar e que você caísse nos meus braços.

— Que plano gryffindor. — Ron comentou, deixando a cabeça cair no ombro dele. — Eu... mesmo que eu quisesse uma coisa estúpida dessas, porque ainda acho que está apaixonado por outra pessoa, não tenho estrutura para namorar agora.

Draco ficou tenso.

— Pode ser só meu amigo? — Ron perguntou.

— Posso ser o que você quiser. — Draco disse, com a voz embargada. — Pensei que ia morrer e só conseguia pensava que a última coisa que íamos ter feito era brigar, eu disse coisas horríveis e...

— Eu sei, eu sei... — Ron disse, abraçando-o ao sentir como o amigo soluçava. — Eu não devia ter dito sobre o Harry.

Draco soluçou mais forte e Ron se perguntou há quanto tempo ele se forçava a engavetar suas emoções. O loiro odiava se expor, e se não se sentia bem em falar disso com os pais, devia estar remoendo isso sozinho há meses.

— Eu não estava te ignorando por ele, não era isso. — Draco disse, depois de se recuperar um pouco.

— Eu sei, acho que era só um desgaste normal, já que estava se interessando por ele.

Draco revirou os olhos vermelhos.

— Eu não sou um doente ciumento, eu não devia me sentir assim. Estou tentando me controlar.

Ron assentiu.

— Você é possessivo com o que considera seu, mas acho que reagiu mal ao namorico do Harry porque não era uma menina roubando a atenção dele, e sim um cara.

— Eu nem sabia que ele era bissexual. — Draco reclamou.

— Bem, muitos magos e bruxas são. — Ron disse.

— Ainda assim, é muito confuso. — Draco disse, lembrando-se como Harry tinha tentado conversar sobre ajudá-lo a voltar com Ron. — Além disso, ele está bem com o cara e não vou ser o idiota que se mete. Eu fui um pirralho ciumento.

— Tentei te impedir, mas é difícil quando decide algo. — Ron disse, brincando. — Como imepedir uma avalanche, imagino.

— Ei, eu sou perfeitamente racional e capaz de recapacitar.

— Aham. — Ron zombou e os dois riram.

X~x~X

Lucius não podia acreditar. Severus era o gestante mais sortudo e o mais azarado do mundo ao mesmo tempo. Ele estava em trabalho de parto há sete horas, agradecendo que ia parar de se sentir uma baleia encalhada e agradecendo sua alta tolerância a dor.

— É realmente impressionante que tenha chegado tão longe com gêmeos. – O medimago disse. – Confesso que com a poção de fertilidade envolvida e com dois bebês, pensei que estaria em trabalho parto prematuro.

— Esses bebês não ousariam me fazer coisas assim. – Severus afirmou, andando pelo quarto ao lado de Lucius, já que tinha expulsado Sirius que não parava de perguntar se já estava na hora.

— Claro que não, são muito bem comportados. – Lucius zombou, apoiando o corpo do amigo quando ele se dobrou por causa de uma contração. – Remus foi buscar Draco e Harry na escola.

— Bom, nunca é demais assustar dois jovens com a perspectiva de filhos. – Severus disse.

Lucius revirou os olhos.

— Draco está louco para segurar os bebês. – Lucius avisou.

— Severus, acho melhor se ajoelhar, essa última última foi bem próxima da outra. – O medimago pediu.

Lucius escoltou Severus até a cama, vendo como ele se ajoelhava naquele ninho de toalhas, rangendo os dentes e sebindo a camisola que usava até descobrir a barriga enorme e endurecida pelas contrações.

— Vou chamar Sirius, ele precisa estar aqui para isso. – Lucius disse, saindo para buscar o maldito cachorro.

Severus o viu sair com uma ponta de tristeza. Sabia que ele não ia voltar até o parto ter terminado, mas não podia culpá-lo, se não pudesse gestar, certamente doeria acompanhar todo o processo de outra pessoa.

X~x~X

Draco e Harry estavam encantados. Eles chegaram quando um choro forte reverberava pela mansão, era alto o suficiente para chegar no térreo, vindo dos quartos.

— Por que tão alto? – Harry perguntou a Remus, chocado.

— É a mansão reconhecendo os novos habitantes. Toda vez que alguém nasce dentro dessas paredes e é considerado família, a mansão o reconhece e toma um pouco de sua magia para fortalecer as defesas. – Remus explicou, sorrindo.

— Não é perigoso? – Draco perguntou.

— Não, nenhum puro sangue deixaria a proteção de sua casa ancestral com os filhos antes deles fazerem pelo menos um mês e nesse tempo a magia já está totalmente reposta. – O lobisomem terminou de falar. – Agora, por que não vamos procurar os elfos para que eles preparem algo apropriado para Severus beber?

— Não podemos ver os bebês? – Os dois adolescentes perguntaram ao mesmo tempo, ansiosos.

— Não agora, deixem Severus descansar um pouco e curtir os filhos com o marido. – Remus ditou. – Eles vão nos chamar quando estiverem prontos.

X~x~X

Harry nunca tinha visto seu padrinho tão alegre. Sirius sorria de orelha a orelha, e surpreendentemente estava sem barba, ele segurava um dos bebês enquanto Severus amamentava o outro, as duas trouxinhas envoltas em tecidos brancos eram tão pequenas.

— Padrinho, isso dói? – Draco perguntou, já se sentando perto de Severus.

— Como o inferno nas primeiras tentativas e pensei que não teria leite de tanto que tentamos agora há pouco. – Severus disse.

Draco fez uma careta, tampando seu próprio peito, mas olhando com curiosidade para o bebê.

— Qual é seu nome?

— Essa pequena esfomeada é Alya, e sua irmã mais velha se chama Adhara. – Severus disse, com orgulho.

Draco sorriu, olhando para o padrinho.

— Uma para a serpente e outra para o cão, adoravelmente clichê. – Draco disse, sorrindo.

— Mantendo a tradição dos Black para os nomes de estrelas, Draco. – Sirius disse, piscando-lhe um olho e esfregando sua bochecha contra a da filha em seu colo. – Aqui, Harry, segure-a.

O moreno aceitou as instruções do padrinho e ficou embasbacado olhando para a pequena.

— Doeu muito? – Draco perguntou ao padrinho. – Você parece terrível.

— Sim, foram horas horríveis, mas pelo menos não cheguei a dias de trabalho de parto. – Severus disse. – Mas, a vantagem é que sem intervenção cirurgica posso me mover mais rapidamente, amanhã já posso sair da cama.

Draco assentiu.

— Papai está bem? – Lucius ainda não tinha aparecido.

— Sim, ele ficou comigo o tempo todo, deve estar descansando as pernas. – Severus disse.

Seu afilhado assentiu, mas com olhos sérios. Ele sabia como o pai tinha sofrido com a impossibilidade de ter mais filhos, era algo que ele não comentava muito, tendo deixado para falar sobre o tema quando Draco teve seu ajuste.

— Agora, o que acha de aprender a ajudá-la a expelir o ar que engoliu mamando? – Severus perguntou quando a filha soltou seu peito.

— Sim, por favor. – Draco disse.

Remus e Lucius entraram no quarto a tempo de ver seu filho mais velho com uma careta de desgosto pelo leite regurgitado que sua prima soltou em sua camisa.

— Pequena atrevida. – Draco disse, divertido.

— Por favor, Draco, ela pelo menos não tem um pênis para urinar em você como fez inúmeras vezes comigo. – Severus disse, olhando para Lucius com olhos saudosos.

— Sim, você sempre teve uma pontaria excelente. – O loiro mais velho brincou. – Deixe-me salvá-la de um primo atrapalhado.

— Ei, sou muito prendado. – Draco reclamou, cedendo a prima para o pai, que a embalou com precisão. – Harry é que não se moveu com medo de acordar a Adhara.

Os adultos riram. Era verdade, Harry mal respirava com medo de incomodar o bebê, estava na mesma posição há alguns minutos já.

— Sou cuidadoso, vocês me matariam se eu a deixasse cair.

Notas finais
E foi isso! Nos lemos por ai! Obrigada por ler e comentar, pessoal!