Notas iniciais
Olá, eu voltei. Sei que demoro, mas não se preocupem, vou terminar essa fic. Boa leitura!

— Te incomoda muito não ter tido outros filhos? — Draco perguntou em voz baixa, vendo como Lucius segurava uma das gêmeas enquanto Severus dormia profundamente com a outra aninhada no peito.

Lucius o olhou com seriedade.

— Às vezes me dá muita raiva, mas, sou bem feliz com meus filhos. A vida é feita de ganhos e perdas, Draco, saí ganhando com a minha família e meus meninos — O loiro disse, sorrindo para a garotinha que segurou seu dedo com firmeza. — Mesmo quando um deles está pálido e caminhando para uma doença por exaustão sem motivo aparente.

Draco balançou a cabeça negativamente.

— Foram tempos estressantes, e tenho um novo projeto com um amigo.

Lucius ergueu a sobrancelha.

— Amigo é?

— É um rapaz de Slytherin, e não estou tendo um novo romance. — Draco disse, de maneira firme.

— Eu não achava que sim. Infelizmente, Malfoys tendem a ser muito obstinados e se apaixonar poucas vezes. Você ainda está em negação com o fato de que seu primeiro amor não foi eterno.

Draco fez uma careta.

— Não estou em negação.

A voz de Severus assustou os dois loiros, que estavam falando baixo por motivos óbvios.

— O que seu pai quer dizer é que você ainda é jovem, sabemos que ainda está triste pela maneira com que você e Ronald terminaram, mas, precisa entender que quase ninguém se casa e fica para sempre com o primeiro amor.

— Ou seja, estão dizendo que devo virar um promíscuo e deleitar o mundo com a minha beleza. — Draco disse baixo e com divertimento, para não assustar as meninas.

Severus sorriu maliciosamente, apesar do cansaço em seu rosto.

— Sabe, afilhado, eu poderia te contar sobre as aventuras do seu pai na escola...

Lucius deu de ombros.

— Devia estar descansando, idiota, não ouvindo nossa conversa e me difamando.

— Ela se mexeu e me acordou. — Severus disse, olhando a filha deitada sobre ele. — Merlin, obrigada por elas não terem herdado o meu nariz.

— Com sorte terão herdado só o temperamento. — Draco disse, brincando. — E sou todo ouvidos para o que meu pai fazia na escola.

— Bem, teve a vez que ele foi pego nu no armário de vassouras.

Draco olhou escandalizado para o pai.

— Degenerado e descuidado. — Disse, chocado.

— Por favor, não foi pior do que quando fizemos uma festa no vestiário de quadribol. A técnica perfeita para sexo oral só é atingida com muita prática. — Lucius disse, feliz de chocar o filho, que tapou os ouvidos horrorizado.

X~x~X

Harry sorria levemente ao entrar no laboratório de poções na mansão, abraçou JJ pelas costas quando notou que ele não estava fazendo nada perigoso.

— Eu gosto de bebês. — Disse, pensando em como as gêmeas eram bonitas até quando choravam.

— Não vou te engravidar, não importa o quanto peça. — O outro brincou, risonho.

— Não poderia, não sou um portador. Mas, não sou contra te deixar treinar tudo o que quiser. — Harry disse, malicioso.

— Sempre que diz esse tipo de coisa, eu juro que posso sentir a mansão me oprimindo. — JJ disse, olhando em volta.

Harry riu.

— Isso não seria só impressão. Lucius pode calibrar as proteções para vários níveis, incluindo a castidade de um dos moradores. — O moreno disse, sentando-se num banco perto de onde o outro trabalhava num caldeirão fumegante.

— Alguém devia avisá-lo que você não tem muita castidade sobrando. — JJ brincou.

— Ah, ele não conta tudo o que fiz com a Hermione porque ela tem minha idade, mas você é um corruptor de menores.

O rapaz mais velho bufou.

— Longe de mim, eu nunca faria isso. — Disse, mais sério.

— Mesmo que eu queira?

JJ lançou um feitiço de extasis na poção e se virou para Harry.

— Nós dois sabemos que não sou o que você quer. — Ele disse. — Eu seria um tremendo sacana em me aproveitar desse seu momento só pra conseguir sexo, não é legal se aproveitar de alguém em um momento sentimental vulnerável, Harry. Vamos manter isso no nível amigavél e fácil de sempre, mesmo porque só estudando com Severus por mais um tempo, sabe que tenho um curso me esperando em pouco tempo nos Estados Unidos.

O jovem gemeu teatralmente.

— Quando fala assim me deixa de pau duro, tão malditamente certinho. — O moreno disse, puxando-o para entre suas pernas. — Posso te persuadir a algo mais real do que me beijar e me mandar para uma sessão solitária no meu banheiro?

— Eu não deveria...

Harry se inclinou e mordeu-lhe a orelha.

— Sempre fui elogiado pela habilidade com as mãos... só tem que ficar quietinho.

JJ olhou para o teto.

— Malditos olhos bonitos. — Disse, juntando sua boca na do moreno.

Harry sorriu internamente, pelo menos sua capacidade de sedução continuava boa. Quando voltou para seu quarto tinha chegado a conclusão que precisava de mais tempo para lidar com seus hormônios, já que só a lembrança de ter acariciado a si mesmo e JJ juntos o deixava com uma ereção, era porque tinha muita energia para gastar.

X~x~X

— Então, é verdade que anda trocando saliva com Graham Montague? — Ron perguntou a Draco no meio de uma sessão de estudo na biblioteca. Os dois podiam conversar mesmo sob o olhar de águia da velha bibliotecária, porque ela tinha um fraco por Ron e seu sorriso matador. Ele nunca foi de rejeitar vantagens, mesmo que viessem agora com olhares de piedade ocasionais.

O loiro ficou totalmente tenso, parou de escrever e empalideceu, fazendo Ron se arrepender pela abordagem brusca.

— Eu estou bem com isso, sério. – Explicou, em voz baixa. — Só estou tentando entender se ele é o seu segredo dos sumiços a toda hora.

— Um dos componentes, sim. — Draco disse, evasivo.

Ron sabia quando o amigo estava escondendo algo grande.

— Isso é como quando estava treinando para se tornar animago e confabulando com os gêmeos? – Já que sabia que o loiro tinha tido ajuda séria de seus irmãos para seus empreendimentos de resgate. George e Fred não falavam sobre seu encontro com Narcissa Black para falar do ocorrido, ela devia ter acabado com eles.

Draco parou para pensar em algo que não fosse mentira e o suficiente para que Ron não continuasse encurralando-o.

— Digamos que nós dois temos coisas em comum, entre os estudos e sessões de orgia com alguns outros colegas, estamos nos tornando magos melhores.

Ron ergueu uma sobrancelha.

— Não conta como orgia revezar entre sua mão esquerda e direita.

Draco sorriu.

— Não vamos nos ater a pequenas definições. – Draco disse, brincando. – E gosto mais do pau dele que das minhas mãos.

Ron estremeceu, fazendo Draco se sentir culpado.

— Desculpe-me, eu não quis te aborrecer.

— Espero que seja bom pra você, Draco, sério. Só não... não consigo imaginar porque faria algo assim com alguém que não te conhece. — Ron desabafou. A verdade era que poucas pessoas podiam dizer que conheciam o verdadeiro Draco Malfoy.

O loiro deu de ombros, mas suspirou ao dizer:

— Ter sexo e intimidade com alguém não precisa de amor para todo mundo, Ron.

Ron tomou alguns momentos para refletir sobre isso, pensando em algumas coisas que aconteceram depois de seu estupro.

— No começo, quando vi meu psicomago, ele passou um bom tempo me explicando que minhas reações sempre estariam pautadas pelo que aconteceu, e que aceitar isso era o primeiro passo para me recuperar. — Ele começou, falando baixinho e deixando a pena de lado e olhando para Draco, que parecia muito incômodo. — Eu disse para ele como ainda não consigo nem me masturbar sem ter uma crise de choro ou perder a ereção porque penso naquele bastardo.

— Eu sinto muito que não cheguei lá antes. — Draco disse, compungido.

Ron bufou.

— Não estou te dizendo isso para que fique culpado, imbecil. O que quero dizer é que eu fiquei marcado, é como um ferimento que vai deixar cicatriz. De certa forma nunca mais vou encarar sexo da mesma maneira. — Disse, dando de ombros. — E isso é normal na minha situação, um dia vou achar um meio de voltar a sentir prazer sem surtar, não estou com pressa. — Completou, dando de ombros.

Draco assentiu.

— Eu só não acho que é saudável pra você também usar sexo para não confrontar seus sentimentos. — Ron disse, sem piedade. — Eu te conheço, Draco, é o cara mais romântico do mundo e tinha muito receio de ter intimidade rápido demais até comigo.

O loiro fez uma careta de amargura pura.

— Sim, e todo esse comedimento só fez com que nos arrependessemos depois. — Disse, passando a mão pelo cabelo.

— Não, na verdade não. — Ron disse. — Acho até uma sorte, porque meu primeiro namorado me ajudou a saber que sou precioso demais para ser maltratado, e que o verdadeiro poder é dizer não quando não estou confortável ou me divertindo com alguma coisa. Sabe que ceder só porque é o que o outro espera não é legal, Montague é um idiota, não devia se sentir coagido a fazer algo só porque ele espera que sim.

Draco se sentiu envergonhado, lembrando-se da avidez e pressa de sua primeira vez, nada como tinha sonhado, ao mesmo tempo em que lembrar das sensações o faziam sentir seu pênis se animando nas calças. Tinha sido inesperado, apressado e uma resposta aos hormônios, mas foi muito bom, não se arrependia de nada. Cruzou os braços sobre a mesa e apoiou o queixo, olhando diretamente para Ron.

— Ele não me forçou a fazer nada, Ron. Só beija bem demais e tem uma boca que me fez desejar coisas mais intensas que uns amassos no sofá da Sala Precisa. Além disso, estamos nos divertindo mutuamente. – Explicou, dando de ombros. – E sempre nos avisamos quando não estamos a fim de fazer algo.

Ron assentiu, mais calmo, Draco estava falando a verdade.

— Os gêmeos não gostam dele, então...

Draco fez uma careta, claro que Ron não tiraria sua preocupação do nada.

— Os gêmeos não gostam dele porque são dois idiotas que o perseguiam. Sabe que Graham se esforçou para virar prefeito só para poder tirar pontos dos dois, certo? Além disso, ele levou a pior parte na briga, teve até que repetir de ano.

Ron franziu o cenho.

— O quê? Como assim? Pensei que fosse porque ficou doente.

Draco ficou sério.

— Pergunte para os seus irmãos. – Decretou, ele não ia contar isso, os gêmeos eram importantes para Ron, e ele não queria ter que dizer como eles tinham chegado perto de matar Graham.

— Odeio quando fica todo cuidadoso. – Ron reclamou. – Mas, entendi, o cara não é um babaca.

— Sim, não se preocupe. – Draco disse. – E não confie em seus irmãos sobre qualquer um da nossa casa que não seja você ou eu.

Ron assentiu, ele odiava admitir, mas os gêmeos tiveram muita diversão atormentando estudantes, e suas piores brincadeiras eram contra as serpentes. Voltou a atenção para os livros, só para reparar que Draco o olhava com intensidade.

— O quê? – Perguntou, curioso.

— Fomos muito bons um para o outro. – Draco disse, entendendo que terem terminado não anulava o fato de que se gostaram e que continuariam presentes na vida um do outro enquanto quisessem.

— Nunca vamos deixar de ser amigos, promete? — Ron pediu, com uma nota de ansiedade na voz, parecendo que tinha usado legimencia em Draco.

— Eu juro pela minha magia. Não saio salvando gente que vou deixar de lado, Ronald, não sou um leão. — Draco disse, altivo.

Ron riu alto, esse era o amigo arrogante que adorava, e dessa vez ganhou um aviso da bibliotecária para se conter mais.

— Sua fã não gosta de efusividade, Ron.

— Ela é legal, só não me faça rir, e volte para os estudos. Não sei o que anda fazendo, mas precisa voltar a focar em aritimancia, Lucius vai te matar se reprovar.

Draco assentiu. Estava se divertindo com Graham, mas seus estudos estavam pagando um preço.

X~x~X

Harry não gostava de Graham Montague, e realmente não entendia porque Draco ficava tão próximo do idiota.

— Sabe, Harry, ficar olhando feio para o amigo do Draco não o fará sumir.

— Os gêmeos não gostam dele, eu também não.

— Os gêmeos se safaram muito fácil por terem enfiado o menino num artefato mágico perigoso. — Hermione disse, franzindo o cenho. — Ele só queria descontar pontos de casa, foi algo idiota a se fazer. O antigo diretor era muito permisivo, e depois que nos livramos de Umbrige ele nem deu bola para a reclamação dos pais do garoto.

— Nunca parei para pensar nisso, ele realmente não deu atenção para o caso, mas era exagero dos pais dele, não?

Hermione pareceu envergonhada, já que se lembrava de ter concordado em não falar com Madame Pomfrey quando soube que o menino estava mal o suficiente para ter que continuar um tratamento controlado por ela.

— Harry, pelo amor de Merlin! Se ele ficou tomando poções por meses depois, teve problemas quanto tentou voltar usando aparição, nós não quisemos falar nada para a Madame Promfrey quando você o viu na enfermanria, lembra?

— Oh, sim, verdade. – Harry disse, também envergonhado agora. O que Draco pensaria dele se soubesse disso?

— Fomos uns idiotas, pensamos em nos proteger e nos gêmeos, mas não nas consequências.

— Crescer é uma merda. – Harry disse, odiando notar que tinha sido um covarde omisso.

— E nem começamos a ter contas para pagar. – Hermione se lamentou.

Harry riu, esse não seria um problema para ele, mas podia imaginar a angústia de sua amiga, que além de ter que lidar com a transição de sair da casa dos pais e começar a se responsabilizar, teria que aprender como funcionavam as coisas no mundo mágico.

— Ei, será que todos os nascidos trouxas sabem como é morar e trabalhar no mundo mágico? Quer dizer, coisas práticas, como onde alugar casas, preços, essas coisas.

Hermione negou.

— A maior parte de nós sequer conhece outro local que não seja Hogwarts e Hogsmeade.

— Bem, vamos mudar isso então! – Harry disse, animado. – Vou falar com a diretora, tive uma excelente ideia.

Ela riu da empolgação do amigo, fazia um tempo que não o via tão animado com alguma coisa.

X~x~X

Sirius nunca gostou de lidar com criminosos acuados, eles eram os mais perigosos, sem nada a perder uma pessoa não media violência. Bellatrix era ainda pior que qualquer indivíduo porque era poderosa demais, prova disso era a cena por onde ele passava agora. Riggs e Cahil, os aurores demitidos há um tempo por violência sexual contra Rabastan estavam mortos. Os dois tinha saído da Inglaterra depois do caso, acuados pelo medo de Bella retaliar, e claro, fugindo dos olhares afiados de muitas pessoas, especialmente de bruxas puro sangue. Ele podia imaginar Narcissa e Andrômeda prontas para lidarem com o assunto por elas mesmas, suas primas tinham sido bastante vocais sobre o que achavam de estupradores andando soltos pelas ruas. Enquanto algumas pessoas acharam que não era estupro se eles usaram objetos, como ficou esclarecido no inquérito, as boas e velhas tradições sangue puro exigiam uma retaliação por uma violação. A época das fogueiras e as vexações a que algumas bruxas foram expostas ainda eram algo que fazia o sangue de muitos ferverem séculos depois, que esse tipo de coisa acontecesse ali, debaixo do nariz de uma sociedade respeitável era para enlouquecer qualquer um com dois neurônios.

— Black? Ela pegou a esposa e o filho do Rigs também. — Henry McDougal disse, descendo as escadas, muito pálido. — Ele só tinha seis anos, Merlin bendito.

Sirius grunhiu.

— Bella nunca gostou muito de crianças, e sempre apreciou vinganças completas. — Ele disse, olhando como dois peritos usavam as varinhas para separar amostras de sangue dos corpos e das manchas pela sala.

Sirius achava o trabalho deles entediante, mas sabia que ninguém poderia remontar a ordem dos acontecimentos melhor que um auror da perícia. O medimago legista teria trabalho para determinar tudo o que tinha sido feito aos dois corpos, mas a falta de calças e órgãos genitais deixava bastante claro qual tinha sido a motivação ali.

— Não entendo, por que se arriscar assim agora? — O jovem auror ainda era muito verde e idealista, apesar de já ter visto o lado feio dos seres humanos dentro e fora do trabalho ainda custava a entender motivações como as de Bella. Sirius ia ter trabalho para tirar os óculos cor de rosa do antigo corvinal, talvez o colocasse de parceiro de Bill Weasley quando já tivessem lidado com Bella.

— Porque ela é uma sonserina bem apegada aos rancores e uma Black. — Ele disse, olhando para o jovem auror com expressão sombria. — Em nossa família não nos negamos a chance de uma boa vingança, mesmo que seja perigoso. — Completou, vendo os corpos dos dois ex-aurores sendo retirados dali depois que os peritos colheram o que consideravam necessário.

— Eles não notificaram a volta, por isso estavam sem proteção. — Henry disse, consultando suas anotações. — Chegaram há três horas em solo britânico, vieram por meios trouxas, como ela soube?

— Bella é muito boa com feitiços de monitoramento, foi assim que pegou o jovem senhor Weasley, lembra-se? Ela e Rodolphus colocam gatilhos por pessoas específicas, como a casa está fortemente protegida por feitiços de barreira e ocultamento, apostaria que preparou tudo na ponte do vilarejo.

Henry assentiu.

— Riggs tinha barreiras anti-apariação, se ela colocou o feitiço na ponte pode ter sido avisada e os surpreendeu no caminho, já que as proteções os obrigariam a vir andando também.

Sirius assentiu.

— Vamos voltar para a Central, a mãe dele já deve ter sido medicada, mas duvido que possa falar conosco.

Henry suspirou, apenado pela mulher que chegou para o jantar e encontrou aquela cena.

X~x~X

— Por que não estamos estudando na biblioteca? — Draco perguntou a Hermione, enquanto ajeitava seus livros, junto com um vidro de tinta e sua pena na arquibancada do campo de quadribol.

— Porque você e Ron estão vergonhosamente pálidos, a primavera está ótima, aproveitem o sol. — Ela disse, alegremente. — E como se ferraram nos meus simulados e precisam de reforço eu escolho o lugar. Minha aula, minhas regras.

Draco revirou os olhos, Ron assentiu, mas com um sorriso malicioso.

— Isso não tem nada a ver com o fato de que o time da grifinória está treinando hoje? Não sabia que era uma voyeur. — O ruivo brincou, olhando para o campo.

— Claro que não! Só gosto de ter uma boa paisagem, é inspirador. — Ela replicou, sorrindo também.

Draco olhou para o local pela primeira vez, já que desde o sequestro de Ron tinha desistido de jogar, seu time estava infeliz com ele e o jogo deixou de ser uma paixão tão grande se comparado a seus novos objetivos e interesses. Harry tinha virado o capitão do time nesse ano, e agora que prestava atenção, podia vê-lo correndo em círculos e gritando com seus jogadores.

— Ele está se divertindo sendo um sádico com eles, não é?

— Sim. — Hermione disse, sorrindo e apontando com a pena para a plateia de diversas casas distribuídas pelo local. — E atraí muitos espectadores, porque, como deve ter notado, os dias estão com uma temperatura agradável.

— E que continua subindo. — Ron completou, olhando como Harry e outros jogadores tiravam as camisas empapadas de suor.

— Por que esses exicibionistas estão jogando quadribol semi desnudos? — Draco perguntou, chocado.

Hermione e Ron soltaram risinhos divertidos.

— Porque, jovem senhor, está deveras quente nesse lindo dia primaveril. — Ron disse.

— Eu sinto falta daqueles braços. — Hermione disse, suspirando.

— Por favor, se for para escolher eu diria que o maior atrativo do Harry está na bunda. — Ron disse.

— Podemos, por favor, focar em aritimancia? — Draco perguntou, muito composto, obrigada.

— Sim, claro. Podemos falar da bunda do Harry outra hora, acho que dá pra equilibrar uma xícara de chá nela. — Hermione disse. — Tenho certeza que Colin tem fotos de vários ângulos.

Draco se segurou para não dizer que o maldito stalker com a câmera deveria parar de tirar fotos não autorizadas, principalmente de Harry.

— Isso soa meio invasivo. — Acabou soltando.

— Ele é inofensivo, só adora o herói do mundo mágico.

Draco bufou.

— Ele odeia esse apelido, e Dumbledore é o grande símbolo da paz atualmente.

— Oh, Harry ganha pontos pela juventude e por sorrir mesmo quando está encabulado com a atenção. – Hermione disse.

— Além disso, ele está ficando muito popular com o programa de inserção e aculturamento mágico dos nascidos trouxas. – Ron comentou, já que tinha ajudado o amigo a escrever o projeto para fazer a proposta para a diretora. – Quando começam os passeios, Mione?

— Ainda estão discutindo o esquema de segurança, com a Bellatrix solta tudo tem que ser feito com os mínimos detalhes.

— É inacreditável que uma única mulher consiga manter toda a comunidade mágica britânica em cheque. – Ron disse, realmente irritado.

Draco deu de ombros.

— Ela e um bando de dementadores não é pouca coisa, além disso, ela ainda pode ter alguns aliados, lembre-se que nem todos os comensais foram presos ou mortos. Isso sem falar nos que se safaram da primeira vez e podem estar confabulando com ela.

— Sem ofensas, Draco, já que Sirius é seu parente, mas, porra, eles não deveriam ser mais eficientes para um time de elite totalmente voltado para isso?

O loiro suspirou.

— Não sei realmente até que ponto eles divulgam o que fazem, ouvi entre cochichos pela mansão que até os lobisomens estavam ajudando. A coisa é que é realmente difícil de capturar um bruxo das trevas quando ele está se ocultando com ajuda, Ron, lembre-se que até Grindelwald conseguiu escapar por anos de uma força tarefa internacional.

Ron assentiu, ainda que a contragosto.

— Odeio admitir, mas ela está no nível dele, só que sem o charme e com muito mais vontade de matar magos. – O ruivo acabou concedendo.

— Um dia vamos mudar a capacidade da nossa comunidade de responder a esse tipo de ameaça. – Hermione disse, escutando seus amigos, ainda que seu olhar estivesse no campo. – De quantos pomos Harry precisa para treinar?

— De um só, os outros são para exibir melhor a flexibilidade daqueles braços. – Ron disse, divertido.

— Merlin, estou mais impressionadas pelas coxas. – Hermione disse, vendo como o amigo ficava de cabeça para baixo na vassoura para poder pegar uma das bolinhas, fazendo que os músculos de suas pernas estivessem perfeitamente delineados nas calças apertadas.

— Parem de cobiçar o Harry.

— Comece a cobiçar você, ou pode perder seu momento. – Hermione disse. – Merlin sabe que ele tem pretendentes.

Draco preferiu começar os cálculos de aritimancia, ignorando o resto do mundo, por isso perdeu o olhar significativo que seus dois amigos trocaram.

X~x~X

Sirius olhou com seriedade para os dois jovens aurores a sua frente.

— Entendem que isso é uma responsabilidade enorme? – Ele perguntou.

— Sim, claro. – Tonks disse, muito mais controlada depois de seu encontro com Bellatrix do que antes. Sua prima ainda usava o cabelo rosa chiclete e era extremamente amigável, mas tinha perdido aquele olhar juvenil de despreocupação. – Podemos lidar com isso, sério.

— Ela está certa, com esse planejamento seria muito difícil que Bellatrix pudesse atacar. – Bill Weasley disse.

— Além disso, o grupo que vai fazer parte do projeto não está na lista de interesse dela.

— Harry Potter é um interesse enorme, acredite em mim quando digo que minha prima não v~e a hora de acertar as contas com a família. – Sirius disse, sombrio.

Tonks fez uma careta.

— Eu sei bem como minha tia pode ser perigosa, mas, estamos com a moral bem baixa depois do artigo de um estudante acabando com a gente saiu no jornal mais sério do país na primeira página.

Bill fez uma careta, num misto de orgulho e desgosto. Ron tinha sido o responsável por redigir um artigo de opinião que Percy e seu namorado tinham aceitado publicar. A coisa é que seu irmão caçula tinha acabado com o governo em geral, taxando-os de incompetentes mal treinados, questionando uma e outra vez como ainda não tinham sido capazes de retomar o controle dos dementadores pelo menos, e ainda que colocasse algumas doses de contextualização dos perigos dos magos das trevas, usando bases históricas para apontar como estavam repetindo erros ao longo dos anos, os aurores em geral tinham recebido uma onda de desconfiança.

— Bem, ele não disse nenhuma mentira, disse? – Sirius questionou, sorrindo. Ele estava acostumado aos ataques, e os aurores mais velhos também, foram nos mais jovens que o artigo picou com ardor excessivo.

— Não, mas… — Tonks começou, sendo interrompida por um gesto de mão de seu primo e chefe.

— O melhor jeito de responder é garantindo a segurança dos alunos nesse projeto. Quanto mais cedo a vida voltar ao normal melhor, principalmente para esses jovens que tiveram a vida escolar pautada pelo medo.

Os dois assentiram.

— Agora, espero que se concentrem nisso, porque ainda estamos esperando que os Inomináveis resolvam a questão dos dementadores. Não é seguro para ninguém enquanto ela os tiver.

— As pessoas na lista de observação não fizeram movimentos estranhos.

— Claro que não, Bella não é estúpida e eles tampouco, depois daquela acobracia com Riggs e Cahil duvido que ela se mostre tão cedo.

Os dois mais jovens suspiraram, queriam capturá-la logo, mas se satisfariam com as pequenas vitórias.

X~x~X

— Isso é vergonhosamente tendencioso. – Tom disse, lendo o Profeta três dias depois.

— O Profeta sempre foi um veículo de propaganda do Ministério, não estou surpreso. – Percy respondeu, ao terminar de comer sua torrada francesa. O elfo que cozinhava para Tom estava deixando-o mal acostumado. – Além disso, fiquei foi chocado com Harry aceitar tirar as fotos, ele odeia publicidade.

Tom bufou, certamente o rapaz sorridente a frente de um grupo de estudantes numa visita ao Gringots para uma palestra educativa do setor financeiro e de mercado de trabalho mágico parecia muito à vontade com os holofotes.

— E a ideia de Harry foi muito boa, sua geração parece muito engajada na melhoria contínua do mundo mágico. – Percy comentou.

— Está dizendo isso porque seu irmãozinho mostrou-se um pesquisador e um escritor promissor. – Tom provocou.

— Ele é, não? Pode ser nosso melhor jornalista se aceitar trabalhar conosco. – Percy se animou.

— Claro que vai, o que mais sobra? Ele jamais iria para esse lixo ou para aquele tablóide de malucos.

Percy riu.

— Não seja malvado, Xenophilius é inofensivo e tem boas publicações literárias.

— Sim, claro! Porque a ficção combina bem com o que saí naquela coisa. – Tom disse, mal humorado. Odiava quando o Profeta vendia bem, ele queria quebrá-los logo.

— Ah, vamos lá, não seja criança. Precisamos de diferentes perspectivas na sociedade, Ron deu um golpe bastante pesado no Minsitério, eles tem o direito de se defenderem, além do mais, foi um sucesso. As crianças puderam ter uma atividade escolar sem uma maluca assustando-os ou ferindo alguém, é uma vitória.

— Ainda acho que ela está quieta demais. – Tom disse.

— Eu dificilmente diria que matar uma família inteira e um ex-auror é estar quieta, Tom.

— Para Bella é pouco. Mataram seu marido e seu cunhado e amante ainda está longe dela, acredite, não é bom deixá-la irritada. Seu irmão tem razão em várias coisas do que disse naquele artigo, e a mais importante é que quanto mais tempo passa com Bellatrix solta e aprontando mais seu nome ganha status de mito e inspira medo, desse modo ela tende a ganhar seguidores.

— Acha que ela quer isso?

Tom negou, muito sério.

— Oh, não. Ela quer vingança, ela quer acabar com todos que a traíram, e machucar tanto quanto julga que foi machucada, lhe falta o charme e paciência necessária para liderar um grupo por ideologia, já que nesse ponto não se trata mais de pureza de sangue e sim de retaliação.

Percy assentiu.

— O que será que ela está fazendo? E com quem?

X~x~X

— Não acredito que eles me proibiram de ir, foi tudo ideia minha, e organizamos tudo tão bem! – Harry reclamou novamente com a amiga.

— Vamos lá, Harry, seus pais nunca te deixariam sair sem alguém te vigiando e nesse caso, como o projeto ficou tão exposto eles tinham razão, o risco era muito alto para você ir.

— O que deu a Tonks a desculpa perfeita para usar minha imagem para me pregar peças. – O moreno gemeu. – Ela deu autográfos, Mione!

A garota riu.

— E posou para fotos, e flertou com tudo que se movia. Eu estava lá, vi com meus próprios olhos.

— Maldição! – Harry disse, envergonhado, já que não podia contar a ninguém, tinha que aguentar as consequências das várias cartas e declarações que estava recebendo agora. – Eu a odeio.

— Mentiroso, achou genial. – Hermione acusou.

— Sim, foi a piada perfeita, mas não muda o fato de que não gostei! – Disse, amuado.

— Por favor, Potter, deixe de ser um bebê chorão, minha prima estava só fazendo seu trabalho. – Draco disse, sentando-se na grama perto deles com Ron logo atrás.

— Fingir que sou eu e criar o mito de que sei como flertar é atribuição dos aurores agora?

O loiro sorriu.

— Não me referia ao trabalho como auror, e sim como membro da família. Te fazer passar por momentos épicos de vergonha é nosso trabalho da vida.

Harry deu-lhe um soco no braço de modo brincalhão, sem retrucar. Não ia desperdiçar a chance de aproveitar a reaproximação de Draco, cujo distanciamento tinha machucado bastante ultimamente. Ele e Ron claramente estavam sem tensão entre eles, então, já tinham se resolvido e isso se refletia no humor do loiro.

— Isso vai ter volta, e eles me usaram descaradamente a favor do Ministério.

— Claro que sim, já que Ron aqui os tinha desmoralizado com a ajuda do irmão mais velho. – Draco disse, apertando a bochecha do ruivo como se ele fosse um bebê bonitinho.

— Pare, idiota! – Ron bateu-lhe na mão. – Percy me publicou porque gostou, não porque sou o irmão dele.

— O irmão favorito. – Os três disseram ao mesmo tempo, fazendo Ron rir sem graça.

Harry sorriu, era bom voltar ao normal. Os quatro estavam conversando e brincando animadamente, não perceberam que alguém os olhava do castelo.

— Pobres e inocentes tolos. Vítimas perfeitas.

Notas finais
E foi isso! Nos vemos por ai. A propósito, publiquei outra fic no universo HP, se chama O Coven e é centrada na Hermione, se sentirem minha falta em HP passem por lá pra me verem, estou terminando a segunda parte e só serão três, mas serve pra passar o tempo. ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.