Um Mundo Assombrado Pelos Demônios
12 Uma última lágrima
Notas iniciais
Arthur abaixou a cabeça e começou a respirar dificilmente, como se estivesse com um ataque de asma. Por um momento, eu realmente achei que ele estivesse tendo um infarto ou algo assim, então comecei a me aproximar dele lentamente. Sua coluna subia e descia conforme o ritmo da respiração, estava pesada. Juro que minha vontade naquele momento era pegar Kiku no colo e sair correndo, mas eu sabia que isso ia ser pior.
–Arthur... –Chamei mais uma vez, mesmo que soubesse que aquilo era completamente inútil. Eu estava de mãos atadas? O que mais eu poderia fazer.
–Não! –Gritou ele em plenos pulmões. –Não me toca, Alfred. Se você o fizer, eu vou arrancar o seu dedo. –Sua voz era assustadoramente séria. Eu sabia que ele não estava brincando ou algo assim, eu me afastei.
Meu olhar cruzou com o Kiku, que estava encolhido ainda na parede. Ele me pediu ajuda com olhos. Aqueles grandes olhos cor de café, que tinham um brilho de piedade, eu queria muito ir até ele e abraçá-lo até que tudo isso acabasse, mas eu estava imóvel no meu lugar, com medo de qualquer reação que o Arthur estava.
–Como você ousa, Alfred?! –O grito de Arthur ecoou por todo o cômodo, fazendo o pequeno japonês se encolher cada vez mais na parede. –Você estava escondendo esse japonês, eu não estou acreditando. –Sua voz também tinha um misto de desespero, sei que agora ele estava pensando as consequências que traria se a polícia descobrisse.
Eu resolvi não responder nada, pois nada que sairia da minha boca faria algum sentido. Apenas desviei o olhar, sei que é ridículo, mas olhar para o brilho malévolo que havia nos olhos verdes me faziam tremer, visto que sempre que os via quando criança era sinônimo de surra, mas agora eu sei que nem surra eu mereço mais.
–Você é um indecente! –Antes que eu pudesse virar para rebater, senti flash branco vindo em minha direção.
A próxima coisa que eu senti com um choque muito grande no meu maxilar, meu corpo caiu no chão com o forte impacto e uma dor aguda latejante começava a crescer em minha bochecha. Ele havia me dado um soco? E um soco muito bem dado, isso era um sinal de que ele não me via mais como uma criança que merecia apanhar por fazer algo errado, mas sim como um homem que agiu fora da lei.
Quando recobrei a consciência, ele já estava em cima de mim, segurando o meu colarinho com força, fechou o seu punho mais uma vez. Engoli em seco, fechando os olhos para o impacto que não demorou a vir. Dessa vez, meus óculos voaram para um canto e o choque veio direto do meu nariz.
Imediatamente senti o líquido quente escorrer pelo meu nariz abundantemente, quase como uma cachoeira, passando pelos meus lábios, deixando o grosso sabor metálico até atingir o meu queixo. Parecia que meu nariz havia quebrado, pois o senti virar em um ângulo estranho. Antes que eu pudesse reagir, outro soco foi deferido em mim.
Dessa vez bem no olho direito, a dor estava por todos os nervos do meu rosto. Primeiro o maxilar que foi o primeiro alvo, depois meu nariz e agora meu olho. Mesmo assim eu não chorei, nunca fui homem de chorar por apanhar, mas queria chorar por ver aquele que sempre me tratou como irmão fazer esse tipo de coisa a mim. Eu merecia. Ele fechou o punho mais uma vez, dessa vez eu fechei os olhos esperando o golpe que nunca veio, quando abri os olhos, vi que Kiku segurava seu braço com todas as forças que podia.
–Por favor, deixe-o em paz! –Sua voz demonstrava seu puro desespero, ele já estava chorando ao ver as lágrimas que escorriam abundantemente quase que no mesmo ritmo que meu nariz jorrava sangue. –Não o machuque, por favor.
Arthur virou o seu rosto para encarar aquela pequena figura japonesa tentando inutilmente pará-lo, olhou para mim e em seguida voltou a fitar o japonês. Levantou-se de cima de mim e empurrou Kiku com força contra a parede.
–Não! –Eu gritei desesperadamente ao perceber a sua intenção. Levantei-me, mesmo com extrema dificuldade e corri até Arthur, segurando-o. –Não faça nada a ele, eu te imploro, Arthur!
–Me solta! –Gritou o britânico em plenos pulmões, estava descontrolado mexendo seu corpo de um lado para o outro para escapar dos meus braços. –Não me toque mais! Não diga o meu nome! Você está proibido de me dirigir a palavra!
De tanto que ele se mexia, não tive outra escolha, senão soltá-lo. O que recebi em troca foi um grande chute bem na região do estômago, que me fez cair de joelhos diante dele. Abracei minha barriga com força, porque estava doendo, quase substituiu a dor latejante no meu rosto. Eu disse quase. Todavia, o chute foi tão forte que tudo que eu vi foi um borrão insano, até o ar se tornou mais complicado pra mim. Olhei para o piso de madeira que tinha uma mancha crescente vermelha. Sangue, o meu sangue. Quando engoli também senti o forte sabor metálico.
Meus ouvidos zumbiam fortemente, mas eu ainda conseguia ouvir gritos, uma provável briga entre o Arthur e Kiku. Quero dizer, só o Arthur quem gritava e o Kiku provavelmente estava encolhido na parede, tremendo e chorando de tanto medo. Pelo menos foi assim que me veio à cabeça.
Eu consegui recobrar a consciência aos poucos, porém, ainda não conseguia me mexer, sem sentir uma dor flamejante no meu abdômen. Pela primeira vez, eu senti as quentes lágrimas encharcarem os meus olhos e eu te garanto que não são por causa da dor. Ergui a cabeça apenas para notar que Arthur estava arrastando Kiku para fora do casebre.
–Não! –Eu gritei desesperadamente, esticando o braço como se quisesse alcançar o Kiku, tentei levantar, porém a dor me prendeu no chão. Senti-me tão patético. –Arthur, não faça isso. –Supliquei. Minha voz vacilou com essa, eu estava a beira das lágrimas.
–Não se mete, Alfred! –Arthur gritou de volta. –Não vou deixar sua vida acabar só porque você não controla sua vontade de fazer merda!
–Não é nada disso, eu juro! Eu amo ele. Amo muito. –Não consegui mais me segurar, as lágrimas já ardiam os meus olhos, então eu as liberei. –Por favor, Arthur...
Fechei os olhos com o flash que veio e senti mais dor no meu rosto, na outra bochecha que foi socada. Não foi a dor de um soco, mas ardeu pra caramba, ele havia me dado um tapa. De mão cheia. Eu me encolhi com a mão no rosto e mais lágrimas pingavam até o meu nariz.
–Nunca diga isso! Você não sabe o que é amar. –Arthur segurou o meu cabelo e me impulsionou pra cair no chão, só sei que eu cedi. –Homens não amam outros homens! E homens não choram. –Ele concluiu, segurando o pulso de Kiku com força e só pude ficar assistindo ele levar o garoto que eu amava para longe.
–Alfred! –Eu pude ouvir pela última vez a voz do meu japonês ao longe, depois apenas uma partida de carro.
Estava em choque, acabado, humilhado. Meu corpo todo doía tanto com a surra e também com a dor psicológica de terem arrancado o meu garoto, meu namorado. Ele era tudo meu. Com o pouco de força que ainda tinha, sentei-me no chão, passando os dedos sobre meus cabelos loiros. Pingava no piso lágrima e sangue, formando uma mistura mórbida. Eu só queria morrer agora.
Fiquei por bastante tempo pensando naquele que eu considerava meu irmão mais velho, que agora se revelou um grande monstro. Também só conseguia chorar e gritar o nome de Kiku, gritava desesperadamente para Deus me trazer ele de volta, mas lembrei que ele nunca faria isso. Então só me restou chorar.
Nenhum homem jamais chorou assim antes. Ninguém jamais chorou assim antes.
0o0
Na estrada, Arthur estava extremamente descontrolado. Frequentemente se perdia em devaneios e quando acordava estava quase batendo de frente com um caminhão gigantesco. Suas manobras para escapar do acidente iminente eram perigosas. Kiku estava ali, tremendo descontroladamente no bando de trás, rezando para que saísse dessa vivo, mas sabia que o destino que o aguardava era pior que a morte.
–Está com medo? –Perguntou Arthur, ele mordeu a unha, seu olhar tinha uma linha sombria pelo retrovisor, diretamente para o rosto horrorizado de Kiku. Não obteve resposta. –É pra ter mesmo. –Continuou, deixando escapar um pouco de gargalhada insana. –Acha que eu vou te entregar para a polícia?
Então o inglês virou a cabeça para trás, queria ver ao vivo a expressão assustada daquele garoto. E não se enganou, olhos arregalados e vermelhos, havia duas marquinhas retas que iam até o queixo e mais lágrimas seguiam aquela reta. Chamem-no de sádico, mas ele adorou ver aquela cena.
–E eu vou, mas antes vou fazer uma coisinha.
Kiku cerrou os olhos quando ouviu aquela última frase, não parecia coisa boa e não era mesmo. Piorou quando notou o sorriso diabólico que crescia nos lábios do loiro. O japonês se encolheu em seu próprio lugar no banco e sua cabeça vagou para o seu irmão chinês, ele com certeza nunca teria medo disso, então por que ele tinha que ter. Ah, como ele era patético.
Chegando dentro da cidade, Arthur desviou o seu caminho da delegacia, indo até uma praça no centro da cidade. O local era público, porém, devido a essa hora da noite, não havia crianças ali. Podia-se dizer que era o local mais frequentado da cidade já que a cidade não tinha grandes atrativos como as metrópoles.
O jovem tremeu nas bases quando percebeu aquela multidão de americanos, em suas maiorias jovens, lembrando muito aquele dia que foi covardemente espancado por adolescentes na mesma idade que ele, parecia que iria apanhar muito ali.
Arthur rodou o local por um bom tempo, parecia estar procurando o local mais movimentado para estacionar e espancar o japonês ali mesmo, na frente de todos aqueles que aplaudiriam. E depois seria pego por um policial e levado preso, isso se não o matassem ali mesmo. Finalmente, quando o loiro achou um lugar atraente, ele estacionou e saiu de seu lugar, abrindo a porta do carro para Kiku.
Inicialmente, o moreno ficou paralisado em seu lugar, tremendo como um coelhinho assustado. Em um impulso hostil pelo antebraço, o loiro arrancou Kiku de dentro do quarto, fazendo-o tremer a cabeça aos pés, principalmente quando praticamente todos os olhares foram para o japonês.
Todos ali presentes pararam assustadoramente de conversar, a música e o barulho silenciaram em um instante. O único som que podia ouvir era do vendo gelado e de alguns insetos. Kiku se encolheu perante todos os olhares de desprezo que recebeu, era como um monstro ali, talvez para aqueles jovens americanos fosse mesmo.
–Por favor... –Sussurrou Kiku, tão baixo que era para apenas Arthur escutar. Mas com o silêncio do local, pareceu alto. –Me leva para a delegacia, eu me rendo... –Sua voz foi desaparecendo ao longo da frase, sendo substituído por soluços roucos. Aquilo era humilhante, Kiku não agüentava aqueles olhos acusadores.
–Mas já? Não era você quem implorava por liberdade? –Perguntou o britânico em um tom óbvio de deboche, o moreno não pôde fazer mais nada senão chorar e implorar por um milagre que certamente não viria.
Arrastando o pulso do jovem, Arthur o levou até o centro dos jovens, empurrando-o com força contra as pedras asfaltadas daquela praça. O impacto foi tão forte que Kiku até ficou um pouco tonto, mas ainda conseguia se levantar. Ou quase. Quando ele ergueu a cabeça, um pé o afundou novamente no asfalto. Muito similar a uma cena dos japoneses quando querem pedir perdão a alguém, se ajoelham e encostam a testa no chão. Era assim que se encontrava Kiku, contra a sua vontade, mas é claro.
–Acho que você deve alguma coisa a esses jovens. –Começou Arthur em alto e bom som, para que todos ali o escutassem. –Raça desprezível. Quantos jovens marinheiros vocês mataram? Quantas vidas heróicas vocês tiraram?
–Não fui eu... –O japonês interrompia entre soluços descontrolados e lágrimas quentes. –Eu não matei ninguém... Eu nunca matei ninguém... –Repetia desesperadamente.
–Mentira! –Gritou o loiro. –Você armava uma emboscada, aqui dentro da cidade.
E mesmo assim, Kiku fazia um esforço para negar com a cabeça, mas o que resultou foi um aperto no pé que o segurava na cabeça.
–Você é japonês, não pode confiar em você. Raça nojenta. Povo nojento. –Arthur dizia de uma maneira repugnante, como se quisesse vomitar ali mesmo. –Os chineses que o digam, não é? –Completou, dando um sorriso de deboche.
–Pare! –Implorou Kiku. –Pare, por favor! Eu te imploro.
Imagens do seu meio-irmão que era chinês, veio a mente. Yao se arriscou para salvá-lo, mas tudo que ele desejava era vê-lo novamente. Sempre sabia o que fazer nessas ocasiões. Só acordou de seus pensamentos quando uma pedra redonda o atingiu na testa. Veio ao norte, não podia ter sido Arthur quem atirou, abriu os olhos para olhar seu agressor, só vendo um monte de jovens com paus e pedras nas mãos.
A tremedeira balançou todo o seu corpo e as lágrimas escapavam com uma velocidade estrondosa. Ele estava tão indefeso, tão inocente... Tudo que ele podia fazer agora era chorar e implorar mentalmente pela morte.
–Eu não vou matar ninguém, juro... –Disse completamente horrorizado. –Mas, por favor, não me machuque...
As súplicas não fizeram efeito, pois em breve, sentia pontadas de dor por todo o corpo, proveniente de pedras e o pior de tudo é que não podia fazer nada. Arthur o prendia muito bem debaixo da sola do seu sapato, se deliciando pelos gritos do japonês. Aquilo o atiçava de um modo incomum, faz tanto tempo que ele não se sentia tão vivo. O sadismo fazia parte da sua rotina de prazer? Ou seria simplesmente a satisfação da dor daquela raça que ele tanto despreza?
As respostas nunca ficaram claras, mas de uma coisa ele tinha certeza: aquilo era delicioso. Ver o outro gritar e chorar indefeso ativou uma energia dentro das suas calças que há muito tempo não sentia. Estava terrivelmente excitado. Como aquela cena tão bizarra de espancamento o deixava tão duro, nunca iria saber.
Os jovens começavam a sair, pois estava ficando tarde, mas alguns poucos ainda ficavam. Ao notar que Arthur começava abaixar a cueca do Kiku, deixou claro quais seriam suas intenções. Aquilo também enchia dos adolescentes de tesão, apesar de ser absurdamente errado.
Kiku não era mais nada senão uma massa de ferimentos e sangue, o vermelho pingava através da camisa que era de Alfred. Estava tingida, algumas partes mais escuras que outras, mas era tudo sangue. O japonês se apavorou quando sentiu sua bunda descoberta, começou a arranhar o asfalto gelado, tentando se arrastar para longe dali, mas uma mão na sua cintura o impedia disso.
–Por favor, não faz isso! Não me machuque... –Do que ele estava falando? Já estava suficientemente machucado, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Algo a mais não iria atrapalhar, não é? Era assim que Arthur pensava.
Arthur se ajoelhou atrás do japonês, segurando seu braço esquerdo e o forçando para suas costas, para prendê-lo. Por falta de força com o braço direito, Kiku acabou por cair no chão e empinar o traseiro para o britânico, do jeitinho que ele queria. Apanhando um pedaço de madeira posicionado ao seu lado, usou os joelhos para separar as pernas do moreno, deixando a vista seu ânus.
Com um sorriso maldoso nos lábios, ele penetrou o menor fortemente com aquela madeira, sem preparação, nem dó, muito menos piedade. Um grito gélido atravessou a praça inteira, criando um eco no próprio frio seco do ar.
O corpo do menor não reagiu bem a invasão, ele começou a sentir um líquido quente e doloroso escorrer pelas pernas e suas pernas quase cederam. Sem ao menos esperar ele se acostumar com aquilo, Arthur começou a estocar as paredes apertadas com a madeira, mergulhando sua mão cada vez mais dentro e retirando, o processo começou lento, mas logo estava em uma velocidade absurda.
Kiku não conseguia nem falar, ele só gritava, esperneava, implorava pela morte. Mentalmente, ele desejou mais do que tudo que a figura encapuzada viesse buscar e o levar para longe daqui. Qualquer coisa seria melhor que toda a humilhação que sofria lá. Ao redor, ele poderia ouvir risadas adolescentes, claro, todos rindo dele.
Já Arthur lambia os lábios com toda a excitação que sentia. Causar dor no menor o fazia muito satisfeito, embora sentisse seu membro duro apertar dentro das calças, havia um brilho insano em seus olhos verdes. Ele soltou a mão que prendia Kiku e levou até a calça, abrindo-a e abaixando junto com a cueca, liberando o seu pênis pulsante, chegando mais perto do japonês, começou a roçá-lo em sua coxa, causando uma deliciosa massagem para o inglês.
Enquanto isso, as estocadas continuavam em um ritmo fenomenal. O sangue espirrava de dentro do ânus do jovem, ele tentava se arrastar, impedido pelo seu próprio corpo, que não tinha forças para mais nada. Só queria descansar em paz. Mas como alcançaria seu descanso eterno se partiria de uma forma tão trágica. A fim de trazer a tona lembranças boas que amenizariam sua alma para a partida.
Imediatamente, as imagens que surgiram foram as de Alfred. Desde as mais esquecidas da infância, quando o americano o ensinou a ler e escrever inglês, eram melhores amigos, passando por cima de dogmas religiosos, raça e linguagem, sobreviveu até os dias de hoje. Kiku esboçou um sorriso fraco em meio ao sangue. Alfred é tão perfeito que nada mudou, exceto o sentimento que se tornou algo mais forte.
Alfred é tão forte... Tão corajoso. A vida não teria sentido sem a presença dele, principalmente a vida de Kiku. Ele era o amor da sua vida, isso era uma certeza absoluta. Ele teria que viver para viver esse amor, se ele partir sem isso sua alma nunca descansaria. Sim, não podia morrer agora. Se for pra morrer, que seja bem idoso ao lado de Alfred.
–Eu te amo, Alfred... –Sua voz quase desapareceu de tão baixa que saiu, ninguém ouviu. –Meu amor, meu herói...
Recobrou a consciência quando sentiu um líquido muito quente encharcar a sua bunda, embora tivesse ideia do que seja. Teve certeza quando a madeira foi retirada. Ele ainda estava aberto e vulnerável, qualquer um poderia se aproveitar de Kiku naquele momento de fraqueza.
O corpo do menor cedeu drasticamente e ele teve que deitar, sua cabeça girava para todos os sentidos, tudo que conseguia ver era um borrão insano e apenas focos de luz. Ouviu passos indo até ele.
–Espero que tenha aprendido onde é o seu lugar. –Arthur liberou todo o seu veneno, sua voz era sombria, mas feliz pelo alívio de agora a pouco. –Isso é pra você nunca mais chegar perto do Alfred. –Ordenou com uma voz autoritária, em seguida se levantou e afastou do corpo quase cadavérico.
Com o resto de dignidade que ainda lhe sobrou, Kiku virou o seu corpo e olhou para o céu estrelado. A respiração ficava cada vez mais escassa, o japonês não via mais nada além de borrões, apenas via o brilho das estrelas, nada mais. Ele lutou para ficar acordado e não morrer, mas estava tão cansado, só queria dormir.
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