Notas iniciais
Bom, estou até com vergonha de voltar >.< Dei uma grande sumida de vários meses, mas fui incentivada a voltar e finalmente consegui organizar a minha vida. Só quero dizer que esse ano não está sendo nada fácil para mim. Tenho sido um saco de pancadas do destino que está me matando. Enfim, espero que ainda tenha algum leitor >.< E me desculpem, de verdade.

Dez meses depois...

Oceano Pacífico, costa das Filipinas.

Já tinha atingido uma altitude consideravam que deixavam minha respiração um pouco difícil, por isso, liguei o piloto automático um pouco para pegar a minha máscara de gás embutida e ajeitá-la no meu rosto. O mesmo fiz com meus óculos, tirando-os e os colocando no porta-luvas enquanto abaixava meus óculos de aviador para ver melhor. A temperatura estava incrivelmente baixa, mas sei que abaixasse por mero capricho, com certeza nos pegariam.

Havíamos saído do Hawaii com seis caças ao todo, mas olhando pelo espelho retrovisor agora só vejo quatro, contando com o meu. Os demais foram destruídos pelas frotas japonesas no Oceanos, que nos obrigaram a subir nessa atitude altíssima.

O Comandante Cooper que ia na frente dos caças me deu a missão de sobrevoar a Malásia e deixar a tropa lá. Em seguida, eu deveria bombardear os cruzadores japoneses. O que é difícil, pois teria que descer muito para que os mísseis o atingisse, seria um alvo fácil, mas vou conseguir.

­—Japoneses filhos da puta. –Xingou um dos soldados lá atrás enquanto recarregava seu rifle. –Ô raça. –Completou com um tom de repugnância. Entendo a raiva dele, há quatro dias enviamos mais caças para cá, infelizmente foram todos destruídos pelas frotas japonesas. O irmão dele pilotava um dos caças.

—Vamos acabar com eles hoje. –Completou um outro rapaz, enquanto enchia sua boca com castanhas e um pouco de água para descer.

A maioria das pessoas aqui são jovens, incluindo eu. Bom, a situação estava tão desesperadora que tiveram que chamar novatos para as batalhas, os veteranos já foram todos e não tiveram resultados. Não que eu não gostasse de batalhas, muito pelo contrário. A guerra foi a única forma de tratar a minha tristeza.

Saí dos meus pensamentos quando ouvi o radar apitando e quando vi, já tinha terra a vista. Acionei um botão no teto que ligava um alerta para os tripulantes apertarem os cintos.

—Mais combustível! –Gritei da minha cabine.

Um dos soldados abriu o compartimento de combustível e começou a encher o tanque até que o aviso na tela do controle desaparecesse. Segurei a alavanca que acionava o jato e a levantei com força, aumentando a velocidade do avião. Consequentemente, o pássaro de metal começou a ter uma forte turbulência, que me fez segurar firme no volante ou perderia o controle.

A altitude começou a descer muito rapidamente, fazendo com que meus ouvidos criassem uma pressão tão forte que só ouvia zumbidos e quando cheguei perto do chão, levantei o volante para que nivelasse.

Quando cheguei perto da enseada, diminuí a velocidade até ficar suspenso no ar. Levantei com o dedo duas mini-alavancas que abriram a barriga do caça, para que a tropa toda descesse. Havia mais os outros três caças que estavam conosco. Acho que os perdi de vista enquanto estava descendo para o nível do mar.

Minutos depois que soube que todos os soldados haviam descido, o companheiro que cuidava do combustível do avião bateu duas vezes na lataria, um código avisando que já podia voar. Abaixei novamente as alavancas e fechei o avião, suspendendo no ar mais um pouco para começar a voar.

As rodas do Caça chegaram a raspar na água e quase achei que ele não teria impulso o suficiente, mas felizmente eu estava errado. Comecei a suspender o avião e ganhar mais altitude, porém, não cheguei a passar das nuvens como da última vez.

Sons de tiros já puderam ser ouvidos lá da superfície, eram vários tiros para me acertar, mas tenho algo bem maior que simples rifles. Um sorriso um tanto sádico surgiu em meus lábios, quando eu abaixei duas alavancas, abrindo um outro compartimento na barriga do avião, que mostravam alguns mísseis de longo alcance. Através do radar, pude saber com exatidão onde as frotas estavam e mirei para um cruzador que estava bem embaixo de mim. Apertando o botão vermelho, esse míssil foi solto e quase que imediatamente levantei o volante para ganhar altitude e fugir do raio de alcance desse míssil.

O resultado não foi outro, pude ver a fumaça preta crescente, apenas não ouvi o som, pois estava entre os vidros blindados na cabine, mas ouvi na minha mente. Uma risada insana escapou da minha garganta e acabou ficando presa na máscara de gás.

—É assim que se faz! –Gritei em plenos pulmões, enquanto via a fumaça ganhar mais área. Pensei em usar aquilo ao meu favor e me camuflar na fumaça, assim ninguém me veria.

Virei o volante ousadamente, fazendo com que o pássaro de metal tombasse para o lado, até que desse meia volta completamente e me embrenhei no meio daquela fuligem negra. Estava quente, absurdamente quente, que indicava sinal de fogo. O que significava que eu havia acertado meu alvo, não?

Entretanto, acho que exagerei um pouco ao abaixar, pois já sentia os tiros nas paredes de vidro, que me fizeram perder o controle momentaneamente. Claro que como um Tenente bem treinado como eu sou, isso não foi problema. Logo recuperei o domínio da minha criança. E levantei a altitude o suficiente para escapar dos tiros. Abaixei outra alavanca para preparar o míssil e liguei o radar para ver onde estava o cruzador mais próximo.

Tendo meu alvo na mira, eu abaixei novamente, entrando na fumaça preta, o suficiente para o míssil reconhecer seu alvo e cliquei no botão vermelho novamente, disparando o míssil. Repeti o processo anterior de subir a altitude para escapar do raio de alcance.

Entretanto, quando eu estava voltando para ver meu próprio estrago, o soldado que cuidava do combustível me informou que um dos tiros havia atingido uma bomba de combustível. O que é ruim, pois estavam contados para a ida e volta ao Hawaii, teria que fazer um milagre com uma bomba a menos. Estava pensando em modos de fazer isso quando ouvi uma chamada no meu rádio.

“Mayday! Mayday! Abortar missão! Todos os caças devem recuar agora.”

Mas que droga, agora que eu estava me divertindo. Mandei uma mensagem positiva para a central, mostrando que eu havia escutado a mensagem e comecei a suspender o avião além das nuvens para fugir do alcance dos japoneses furiosos comigo. Quando certifiquei estar seguro, dei meia volta e fui para o Hawaii.

A viagem de volta foi tão cansativa quanto a ida. Dos quatro Caças que eu havia mencionado, agora só sobraram três, contando com o meu. Foi uma longa viagem de quatro horas e eu oscilava muito entre ir rápido demais ou devagar. De qualquer maneira, eu gastava combustível. Estava no final da última bomba de combustível quando cheguei a costa do Hawaii, mas não a base ainda. Também fui obrigado a fazer um pouso muito forçado, mas graças a Deus, tudo ocorreu bem.

Quando a cabine de abriu por fora, senti um alívio enorme de estar em terra novamente, por isso arranquei aquela máscara de oxigênio, guardando-a de volta no porta-luvas e aproveitei para pegar meus óculos de novo. Também não esperei eles transportarem a escada até mim e pulei da cabine para a asa, depois para o chão.

Vários outros cadetes que estão começando agora ficaram ao meu redor, com seus olhos brilhando. Sei como ele se sente, na minha época de novato também ficava lambendo o saco dos veteranos. Agora que cheguei aqui, não sei o que tem demais.

Um dos meus amigos chegou com uma garrafa de água, que quase arranquei sua mão para pegar e bebi aos goles de tanta sede que eu estava, outro colega se aproximou de mim e encostou a toalha na minha cabeça, estranhei ao sentir uma ardência incomum naquela área e passei a mão para perceber que havia um machucado ali. O mais engraçado é que não me lembro onde fiz aquilo. Deve ter sido àquela hora que quase perdi o controle e bati a cabeça no vidro, mas não sabia que tinha aberto uma ferida.

—Jones. –A voz grossa do meu comandante me chamou atenção, então franzi a sobrancelha para cumprimentá-lo batendo uma continência. –Muito bem. Você abateu dois cruzadores japoneses. –Soltei um suspiro quando ele disse isso. A adrenalina na hora foi demais, mas analisando agora, fico pensando quantas vidas eu tirei. –Amanhã você terá a missão de resgate. Portanto descanse. –Assenti com a cabeça, fazendo mais uma vez um cumprimento respeitoso. –Descansar.

Isso era uma ordem que dizia que a conversa já havia terminado, então passei direto pelo comandante e entrei para o alojamento, ignorando todo o assédio atrás de mim. Vários novatos queriam meu autógrafo, mas meus pulsos doíam de pilotar aquele avião. Não é nada pior que os primeiros meses, quando meu pulso deslocava toda vez, agora apenas dói, mas nenhum dano sério. Penso que mais pra frente eu acabe me acostumando totalmente.

Fui até o meu quarto, eu dividia com um rapaz que praticamente me acompanhou nessa jornada militar, desde o tiro de guerra, lá em Seattle. Porém, ele acabou morrendo quando um míssil atingiu o avião que ele pilotava. Acho que essa é a pior parte da guerra, parece impossível acreditar que hajam mortes, mas há. Toda hora. Nesse mesmo segundo, algum soldado, seja qual for a sua farda, está morrendo pelo seu país. Ou nem mesmo está fardado. Pode ser um cidadão comum que está no país errado.

Suspirei descontente com o rumo que meus pensamentos estavam tomando e tirei a minha jaqueta jogando-a sobre a cama. Fiz a mesma coisa com a minha farda, jogando-a no cesto de lavar roupa, ficando apenas com a regata colada ao meu corpo que usávamos por baixo de tudo. Senti um alívio desesperador devido ao calor que estava sentindo. Também estava um trapo, precisava urgentemente de um descanso, mas ao contrário, apenas caminhei para fora do meu quarto, indo em direção a ala emergencial.

Chegando na porta, encostei-me ali, olhando para um grupo de enfermeiras que conversavam enquanto jogavam fora instrumentos descartáveis. Olhava mais precisamente para uma ruiva de cabelos cacheados que conversava descontraída com sua amiga loira. Quando a amiga percebeu que eu olhava, cutucou a minha namorada, chamando a atenção que eu estava ali. Nicole levantou a cabeça apressadamente e quando me viu, abriu o maior sorriso que seu rosto podia dar. Seus olhos brilhavam em um misto de alívio e felicidade, quando ela largou tudo que estava fazendo para correr até mim. Eu mesmo abri os braços para recebê-la e ela pulou direto no meu pescoço, dando-me um abraço apertado. Retribui quase no mesmo instante, erguendo seu pequeno corpo do chão e a girando em felicidade.

Quando a coloquei no chão novamente, ela se afastou de mim, mas nem tanto, apenas para tocar o meu rosto de forma terna, entretanto, parecia que não me via há dias, visto que nos despedimos essa manhã. Realmente, esse é o efeito que a guerra faz em nós.

—Alf, graças a Deus! Você demorou tanto e eu estava tão preocupada. –Falou apalpando os meus músculos. Arqueei uma sobrancelha para aquilo, não imaginei ter demorado, já que o tempo passa tão depressa no campo de batalha. –Que bom que você está bem!

Não a deixei falar por muito tempo, pois logo já estava selando seus lábios em um beijo carinhoso. A senti segurar nos meus braços enquanto minha mão ia até seu rosto e afastava alguns fios de cabelo ruivo do seu rosto para que eu pudesse aprofundar o beijo. Entretanto, eu mesmo acabei com o beijo rápido demais. Foi-se o tempo em que meus beijos duravam até meu fôlego acabar.

Nicole se afastou de mim para ir até a gaveta onde fica as suas coisas e a abriu, pegando um envelope de carta lá de dentro. Minha testa enrugou quando percebi o que era aquilo e já podia sentir a carranca no meu rosto. Mesmo assim, esperei até que minha namorada voltasse e me oferecesse aquela carta.

—É para você. De Seattle.

Não falei nada, apenas peguei o envelope da sua mão nada sutilmente e olhei para o remetente. Era outra carta do Arthur. Desde que saí de Seattle para vir servir ao exército, todas as semanas acabo recebendo uma ou duas cartas dele.

Dobrei o envelope ao meio e o botei no bolso da frente da minha calça, virando sem dizer nada e saindo dali.

—Você vai para o bar hoje comemorar?! –Gritou Nicole, mesmo que eu não estivesse muito longe dela. Parei de andar no mesmo instante.

—Comemorar o quê? –Respondi um pouco seco e voltei a andar. Além do mais, o comandante deixou bem claro que a missão ainda não acabou.

Minha vida tem sido assim. Fui treinado para levar tiro, perder uma perna, um braço ou, na melhor das hipóteses, morrer. Mas mesmo assim eu vou lutar. Para quê? A que propósito? Eu não sei, minha vida virou uma grande amargura desde que ele foi tirado de mim.

Dessa vez não voltei para meu quarto, apenas virei passei direto e virei a direita, voltando para o primeiro andar. No saguão vazio havia uma fogueira ainda acessa no final da sala. Apesar de ser uma época quente, a luz faltava na nossa base, por isso as chaminés eram constantemente ligadas para dar alguma claridade nos saguões principais. Apenas nas salas onde os comandantes se reúnem para discutir técnicas de batalha que tem lampiões.

Sentei-me no sofá velho e rasgado em frente a fogueira e tirei a carta do meu bolso, olhando-a. Teria o mesmo fim que todas as outras. Confesso que tenho uma curiosidade desumana de saber o conteúdo daquelas cartas, mas o rancor é maior, o ódio é infinitamente maior. Então engoli aquela curiosidade e taquei aquele envelope no fogo, vendo-a queimar e aumentar as chamas.

Eu me lembro de cada detalhe daquela noite, até porque ela fica assombrando na minha mente, principalmente nos meus pesadelos. Tenho até medo de dormir por ficar sempre me lembrando do rosto de Kiku, mas não o rosto fofo e alegre que sempre tento me lembrar e sim um rosto manchado pelas lágrimas e pelo desespero.

Arthur abriu a porta furioso, enquanto me arrastava pelos cabelos. Eu parecia aquelas garotas que foram pegas pelos seus pais fazendo algo errado como fumar, mas sabia que o meu crime era bem maior. Ainda podia sentir o sangue seco misturado com as lágrimas que grudavam em todo meu rosto até dar de cara no chão.

Não sei como Arthur conseguia me arrastar com tamanha facilidade, mas acho que eu quem estava fraco demais para reagir. Meu irmão pegou um lampião apagado e deu com ele na minha bochecha, eu gritei tanto pela dor do impacto quanto por algumas cinzas quentes que queimaram minha bochecha.

—Seu estúpido! Estava tudo indo tão bem, até que você me apronta mais essa! –Gritou enfurecido quando bateu novamente aquele lampião em mim, dessa vez nas minhas costas. A pancada me fez tossir sangue, que me obrigou a engolir mais um grito.

Arthur estava coberto de sangue e tenho certeza que não era seu sangue. O que ele fez com o Kiku? Ele o matou? Eu nunca mais veria Kiku na minha vida? Aquele pensamento me atingiu como uma facada e foi o suficiente para meus olhos inundarem se lágrimas, mas eu não tinha forças o suficiente para segurá-las, então começaram a cair limpando também todo o sangue do meu rosto.

—Para de chorar! Para de chorar! –Berrou Arthur dando mais uma vez com o lampião nas minhas costas. –Homens não choram, seu maricas.

—O que você fez com ele? –Minha voz vacilou nessa frase, porque tive que engolir mais sangue que subiu até a minha boca, misturado com os meus próprios soluços e as lágrimas salgadas que tocavam nos meus lábios. Eu estava parecendo um menino apanhando da sua mãe.

Ouvi o britânico bufar, então ele segurou meus cabelos de mão cheia e os puxou, fazendo-me gritar ao mesmo tempo em que olhava para ele. Enfim podia ver seus olhos verdes que me fizeram encolher. Estavam flamejantes, ele era a personificação do próprio capeta.

—Não é da sua conta. Eu fiz o que você devia ter feito quando o encontrou jogado na rua. –Arthur falava do Kiku como se ele fosse um cachorro de rua, ou pior, um lixo. –Como você pôde fazer isso? Um homem como você estragar sua vida por causa de um rostinho japonês. Vocês dois se beijaram? Ou... fizeram algo a mais? –Essa pergunta era um tanto constrangedora, mas tenho certeza que ele sabe a resposta, mesmo assim me esforcei para abrir a boca. –Não diga. –Me interrompeu antes mesmo de eu começar. –Isso é nojento. Homem com homem não é normal, não podem ter filhos, não podem se casar, não podem ser uma família. Então por quê?

—Porque eu o amo! –Fiz um esforço desumano para gritar, mesmo que minha garganta tenha se arrependido muito depois pela ardência que ficou. Como resposta, recebi outro tapa na bochecha, acho que foi a coisa mais “carinhosa” que ele fez em mim hoje.

—Não diga uma coisa dessas na minha presença! Amar... Hunf, essa é boa. Amar. –Ele deu um riso seco que demonstravam toda sua amargura. –Isso é coisa de viado. Você não ama ninguém, faça-me o favor.

Acho que foi nesse momento que toda a minha tristeza pela perda do Kiku se transfigurava em ódio para o Arthur.

—Você é invejoso, Arthur. –Afirmei em meio ao choro e ele me olhou mais uma vez, mas não estava com medo de apanhar. –É tão viciado na sua própria infelicidade. –Sei que agora ele vai me matar, mas não me arrependo de ter dito isso.

Não estava errado, ele levantou o lampião o mais alto que conseguiu e chocou nas minhas costas mais uma vez, quebrando o vidro. Sei que se não tivesse com uma jaqueta grossa, minhas costas já eram, mas mesmo assim sentia meus ossos esmagados.

—Não se atreva a me responder. Suba e vá tomar um banho, anda! –Gritou apontando para as escadas.

Fui literalmente me arrastando para cima e tomei o banho, cheio de dores e sangue. Quando terminei, foi o próprio britânico quem cuidou dos meus ferimentos.

Nunca mais se tocou no assunto e permaneci lá até me alistar no exército.

Confesso, fui um covarde. Sucumbi à violência do meu irmão e ao medo da sociedade, nunca procurei o Kiku de novo. Não sei onde Arthur o levou, mal sei se ele está vivo ou morto. Toda essa dúvida me fizeram o homem que sou hoje, nem me reconheço. Pelo jeito, Arthur não ficou só satisfeito em ser um homem amargo, quis me transformar assim também. E conseguiu. Eu nunca amei de novo.

—Jones. –Dei um pulo de susto quando senti uma mão tocar em meu ombro para me virar e ver que era um dos meus colegas aviadores. –Estamos te chamando há uns vinte minutos e você só ficava olhando para essa fogueira velha. –Ele riu. Até que notei que ele falou no plural, então me virei para ver que tinham mais dois Cabos encostados na porta.

—Só estou cansado. –Respondi sem muito entusiasmo.

—Eu entendo. Fez um trabalho maravilhoso hoje. –Disse com um grande sorriso e olhou para os novatos com um sorriso orgulhoso de ser meu amigo. Só faltava pedir meu autógrafo. –Quer ir tomar uma gelada conosco? –Perguntou dando uma piscadela. Eu só sorri seco.

—Não, só quero descansar.

Não esperei a resposta dele quando levantei e sai do saguão, indo até o meu quarto. Foi um dia estressante, como todos os outros, caminhando para lugar algum. Ou melhor, para um lugar especial: a morte.

Fui até meu quarto e tranquei a porta. Tirei minha calça e troquei por uma de moletom, confortável para dormir, não que minha cama fosse de um hotel cinco estrelas. Deitei naquele colchão sentindo as estacas de metal da cama me machucarem e fechei os olhos.

Amanhã será mais um dia estressante.

Notas finais
Espero que gostem. O capítulo ainda não teve tudo que eu queria, então provavelmente não vai demorar para o próximo.