Notas iniciais
Ooi, gente! Desculpa a demora para postar, bom, como começou as aulas, eu estou me virando pra conseguir um tempo para fazer tudo de uma vez. Ainda porque tive provas essa semana, sim, antes mesmo do carnaval eu tive provas, vou te contar, viu XD Eu não tive tempo de revisar, então qualquer erro me informem, viu? Bom, espero que gostem desse capítulo õ/

–Kiku Honda

A criança japonesa engoliu em seco quando ouviu o seu nome vir da boca da professora. Sentia que queria sair correndo dali agora. Sentado na cadeirinha de plástico azul estava Alfred que apertava a mão do coleguinha com força, incentivando-o a ir. Provavelmente Alfred pensou que Kiku estava apenas tímido de ter que soletrar na frente da classe toda. Mas Kiku era um garoto muito inteligente, não há o que ter medo.

Todas as escolas eram obrigadas a dar eventos de soletração no jardim da infância, para preparar os alunos para a escola média. Eram eventos não-oficiais e com palavras fáceis, apenas para ver o grau de aprendizagem do aluno. Entretanto, ao mesmo tempo era algo muito perigoso para o psicológico de uma criança tímida, por exemplo, elas eram pressionadas a ir na frente de toda a turma e falar.

Mas o problema de Kiku não era timidez, embora a criança não seja muito social, mas sim o segredo de que ele não compreendia o inglês completamente. Desde que começou a sair com Alfred, seu vocabulário ampliou, além de aprender a formar frases em inglês, mas também porque o americano falava manso com ele, não agilizava nem engolia letras, que dificultaria o entendimento. Alfred era uma criança assim como Kiku e estava em fase de aprendizagem ainda.

Encorajado pelo amigo, Kiku se levantou e rezou para si mesmo que seja uma palavra que ele conhecesse. Ele chegou ao lado da mesa da professora e apertou os dedos envolta do bolso da frente da calça. Olhava para todas as outras crianças que o olhavam de volta, nenhuma estava distraída ou conversava, isso deixou Kiku ainda mais nervoso.

A professora pegou a prancheta de palavras e procurou uma suficientemente fácil.

–Bunny. –Kiku arregalou os olhos e começou a suar frio. Nunca ouviu essa palavra na sua vida. Mordeu o lábio inferior e olhou para a professora, que esperava soletrar.

–Você, pode, repetir? –Cada palavra foi dita em pausas, porque Kiku ainda tinha dificuldade em formar frases. A professora fez uma careta, mas repetiu.

–Bunny.

Kiku voltou a pensar na palavra, colocou-a em fonologia japonesa, mas ainda tinha dúvidas na terminologia dela. Então o japonês fechou os olhos.

–B.A.N.I.E. –Toda a turma começou a rir do jeito desengonçado do jovem e ele abriu os olhos só para ver o pior.

No fundo da classe, Alfred o olhava perplexo com a dificuldade que Kiku tinha em soletrar uma palavra simples em inglês. Todos riam de Kiku e ele queria morrer, nunca se sentiu tão humilhado. As lágrimas inundaram o rosto pálido da criança e ele saiu correndo, ignorando o chamado da professora que dizia que ele não pode sair da sala.

O japonês correu pelo corredor, de cabeça baixa porque não queria que ninguém o visse chorar, sorte que não havia nenhum superior pelo corredor que seguraria a mãozinha de Kiku e o arrastaria para aquela sala. Kiku correu até o bebedouro que havia ao lado do banheiro feminino e sentou-se no canto, escondido para que ninguém o visse.

Agora Alfred sabia o seu segredo. Não tinha mais como esconder e isso é horrível. Por várias vezes, ele desejou ter nascido americano para não ter que passar esse tipo de coisa. O corpo da criança tremia violentamente de medo do tratamento que receberia dos colegas, do que Alfred lhe diria. Usava as costas da mão para limpar as lágrimas, mas só caiam mais, era horrível, seus olhos estavam começando a arder.

–Kiku! –O japonês arregalou os olhos ao reconhecer a voz aguda do melhor amigo. Cerrou os olhos com força e apertou os ouvidos com as mãos, tentando ignorar o chamado. –Kiku! –Mais uma vez a voz ecoou pelo corredor e Kiku também pôde ouvir os passos cada vez mais perto, até que uma sombra envolveu o seu corpo encolhido. –Achei você!

Não havia escapatória. O que ele poderia fazer? Ignorar seu melhor amigo? Conhecendo Alfred como conhece, sabe que ele não desistirá fácil. Não há motivos para esconder agora. Lentamente, o japonês tirou a mão dos ouvidos e levantou a cabeça para encarar Alfred. O loiro que tinha um enorme sorriso no rosto, de repente desapareceu ao ver o estado do amigo.

–Oh! Você está chorando! –Concluiu e foi até o espaço ao lado de Kiku e sentou-se junto a ele. –O que aconteceu? –A criança mais velha pegou na mão do amigo e apertou com toda a força de uma criança de cinco anos.

Kiku pensou bem no que responder. Parece que mesmo após aquele vexame na sala de aula, Alfred ainda não havia entendido o problema do japonês. Apesar do seu jeito extravagante e inquieto, Alfred era um bom amigo.

–Desculpe, Alfred... –Kiku segurou a mão do loiro e virou-se para encarar os azuis brilhantes. Durante uma considerável pausa para procurar as palavras e montar uma frase descente. –Eu não sei inglês. –O menino respondeu com a voz trêmula, segurando as lágrimas nos olhos. Alfred pensou um pouco antes de responder.

–Claro que você não sabe o inglês. Você é japonês, não americano.

Sem que Alfred soubesse, ele tocou no ponto fraco de Kiku que não aguentou e começou a chorar como uma criança perdida. Ele apertava os lábios com força para não berrar. E Alfred ficou assustado com a explosão repentina do menino.

–Não foi isso que eu quis dizer! –Começou Alfred, tentando reparar o seu erro, Kiku parou de berrar para prestar atenção no amigo. –Você não é obrigado a saber, entende? Eu gosto de você do jeito que é. –E concluiu com seu maior sorriso. Kiku parou de chorar completamente e uma coloração vermelha dominou suas bochechas.

–Verdade?

–É claro! –Garantiu Alfred. Ele soltou a mão de Kiku apenas para segurar seu ombro. –Mas se isso te incomoda tanto, eu te ajudo a aprender.

–Hã? –Pediu Kiku, olhando Alfred confuso.

–Oh, desculpe! –Exclamou Alfred ao se lembrar do problema do moreno. Ele repetiu, só que mais devagar para o outro entender. –Eu vou te ensinar.

Kiku deu um sorriso ao entender a frase. Não era um sorriso muito grande, mas estava lá. Ele passou os braços ao redor de Alfred e deu seu primeiro abraço no amigo, que foi prontamente retribuído. Kiku não costumava dar abraços e Alfred não costumava receber um. Eram a dupla perfeita.

0o0

Acho que nós perdemos nossa noção de tempo e espaço quando começamos nossa sessão de amassos. Somente quando começou uma neve congelante, que nós recuperamos a razão e entramos na cabana o mais rápido possível. O local estava bem mais quente que lá fora, pois a madeira aquecia. Fechei a janela que dava para o telhado para que a neve não caísse aqui dentro. Devido a essa tempestade, tenho certeza que o Arthur entenderá porque eu passei a noite fora.

Então eu me aproximei novamente de Kiku e abracei a sua cintura, voltando a beijar os seus lábios, eu nunca me cansava de beijá-lo, era viciante. Empurrei-o para apoiar suas costas na parede e comecei a mordiscar seu lábio, pedindo passagem com a língua, suas pernas tremiam, então eu tive que segurá-lo pela cintura para que ele não caísse.

Seu corpo estava quente e seu rosto tinha uma coloração vermelho brilhante que eu adorava ver. Principalmente quando eu distribuía meus beijos pelo rosto e o pescoço pálido. Esse japonês é sexy como o inferno! Nunca estive tão apaixonado, nunca desejei tanto uma pessoa. Desgrudei os lábios de sua boca, mas não da sua pele e segui beijando pelo seu queixo até o seu pescoço.

Movi minhas mãos da cintura para dentro da camisa, sentindo o quão quente estava o seu corpo, mesmo com a nevasca. Eu puxava seu corpo pra mim, enquanto minha boca não conseguia desgrudar da pele do pescoço, eu chupava em locais que sabia que deixariam uma marca arroxeada. Mas Kiku parecia não se importar, pois eu podia ouvir seus suspiros. Aquilo me animava ainda mais, porém quando eu fui tirar sua blusa, senti ele me empurrar levemente. Parei o que estava fazendo e olhei para ele, confuso.

–D-Desculpe. –Pediu ele, seu rosto estava vermelho e se fosse comparar com algo, faria a típica comparação a um tomate. –Eu nunca fiz isso antes... Estou com medo, Alfred... –Confessou ele sussurrando, ele matinha seus olhos no piso de madeira, eu me permiti rir de sua reação, porque era encantadora.

–Não se preocupe. –Segurei o seu queixo e o fiz olhar pra mim, relutantemente ele o fez. –Eu prometo que vou ser gentil. –O vermelho no seu rosto ficou mais brilhante e eu não sabia que era possível.

–Você não entende, Alfred. Eu... –Ele mordeu o lábio inferior e apertou os dedos na camisa suja que ele usa desde que chegou aqui. –Eu ainda não estou preparado para isso. –Tem como não achar adorável?

Levei a mão para os seus cabelos oleosos e fiquei acariciando-os por uns bons minutos, que se tornou um silêncio completo, então eu segurei em seu braço e o puxei para mim, abraçando-o com todo o aconchego dos meus bíceps desenvolvidos. Outros bons minutos se passaram, mas desde que eu o tenha em meus braços, o mundo poderia acabar agora.

–Somos dois homens... –A voz fraca de Kiku veio em baixo e eu inclinei a cabeça para ver a preocupação em seus olhos marrons. –Isso está certo? –Ele afastou o abraço só um pouco para levantar a cabeça e me olhar melhor.

Demorei um pouco para pensar na resposta que eu daria. Era uma questão complexa, porque eu nunca conversei sobre isso com ninguém, simplesmente não via motivos para fazê-los. Mas eu me lembro quando mais jovem era só pensar na possibilidade, me embrulhava o estômago, beijar um homem parecia a coisa mais nojenta do mundo, por isso e nunca conversei com ninguém, eu estava tão seguro. Porém, agora apareceu o Kiku na minha vida e não tem como evitar mais esse sentimento que cresce em mim. Sinto como se eu quisesse beijá-lo todos os dias, já saí com muitas garotas, mas nenhuma delas me fez sentir desse jeito. Não me entendam mal, não sou nenhum galã, mas já tive meus encontros.

Depois de pensar bastante, eu tive certeza do que deveria responder ao japonês. Ou será que eu deveria chamá-lo agora de meu japonês?

–Eu já estou fazendo tanta coisa considerada errada que mal sei o que é errado ou certo. –Eu enfiei os dedos dentro de seus cabelos e comecei a acaricia-los, olhava fixamente para os seus olhos, por algum motivo, ele também não fugia o olhar. –Se for mesmo errado, eu te seguirei até o inferno, desde que eu possa estar com você.

Minhas palavras parecem ter derretido o coração de Kiku, pois seu olhar que antes era preocupado, tornou uma atmosfera tranquila. Ainda com a mão em seus cabelos, eu voltei a me aproximar, beijando seus lábios mais uma vez. Só que dessa vez foi um beijo suave e doce, cheio de amor. Aos poucos eu fui me afastando, mas não tinha coragem de me afastar mais.

Ambos sabíamos o que estava começando. Uma relação escondida da sociedade, tenho dó desse japonês que tudo que ele faz agora é escondido. Penso por quanto tempo isso durará. Ao mesmo tempo eu sabia que agora teria todo o tempo do mundo, já que confessei os meus sentimentos por ele.

–Eu quero ficar com você, Alfred. –Confessou ele por fim, e encostou a cabeça no meu peito, dando-me um abraço apertado.

–Eu também. –Passei os braços ao redor dele o abracei mais uma vez, desejando ficar assim para sempre.

0o0

Digamos que o resto do mês passou muito rápido. Ou eu quem ocupava todos os horários. Confesso que nunca tive esse tipo de rotina e estava acabando comigo. No final do mês eu tive provas na escola, “coincidentemente” todos os professores resolveram passar todas as provas para a mesma semana, ou talvez até o mesmo dia, depende dos horários. Fora as provas surpresas. Por que será que no último ano as provas parecem ser tão difíceis? Eles querem impedir os alunos de irem para a faculdade?

Também era o mês que todos os alunos duplicavam as atividades extracurriculares para garantir uma bolsa na faculdade. Eu não preciso desse trabalho todo, pois vou para o Exército e já estava fazendo meu treinamento. Tenho me empenhado bastante nesse treinamento, principalmente porque fiquei amigo dos mais poderosos de Seattle, eles poderiam me dar uma boa referência quando eu for para o Texas. Só espero que eles não levem diretamente para Londres que automaticamente terei que lutar na guerra.

Por falar nessa guerra, o começo do ano foi mais calmo que o ano passado. Há dias que não ouço um caso de bombardeio aéreo ou marítimo, embora terrestre eu não saiba dizer, pois não passavam todas as informações. Mas isso pode ser um alívio para muitos, mas para mim não é. Meu pai sempre dizia que quando tudo começa na paz tende a piorar. Esse é o destino de um ser humano envolvido em uma guerra. Tende a piorar.

Um dia, o sargento passou mal e teve que ser levado às pressas para o hospital, por causa disso, o treino acabou mais cedo e eu tive um tempo para passear, pergunto-me qual foi a última vez que isso aconteceu. Eu andei pelo centro, não estava procurando nada, mas só de andar sem rumo, sem tempo já era gratificante para mim. Pensei em comprar saquinhos de chá para o Arthur, pois hoje é o dia da entrega do boletim bimestral, sei que minhas notas não foram nada boas.

Depois de comprar o pequeno agrado, andei mais um pouco até chegar uma loja de roupas masculinas. Olhei pela vitrine e pensei no Kiku, o coitado usa a mesma roupa desde o dia que eu encontrei ele e sabe-se lá mais quando. Resolvi comprar um conjunto novo para ele e me livrar daqueles trapos que devem estar incomodando sua pele.

Olhei no relógio, já havia me acostumado com ele, vi que estava quase na hora do jantar e Arthur estaria me esperando. Corri de volta para casa, o que não foi difícil devido aos meus treinos, já estava bem acostumado com aquilo.

Quando eu entrei dentro de casa, a primeira coisa que eu vi foi Arthur me olhando como se quisesse me matar, seus braços estavam cruzados e ele segurava em uma das mãos um papel, que eu sabia exatamente o que era. Eu dei o meu melhor sorriso e ele veio até mim e segurou na minha orelha direita, me arrastando para a biblioteca.

–Ai, Arthur! –Eu reclamava enquanto ele me arrastava, quando chegamos no cômodo que ele me soltou e eu pude massagear o local que deve estar vermelho. –Não me trate mais como criança! Isso é ridículo.

–Então para de agir como uma! –Gritou ele de volta e jogou o papel no meu rosto. –Leia isso em voz alta.

Eu engoli em seco e comecei:

Língua Inglesa – C-

História Geral – B+

História da América – B

Álgebra III – D

Biologia – C+

Eu tenho que continuar a ler tudo? –Disse entediado, depois olhei para mais um monte de matérias que vinha a seguir. Acho que tinha umas quinze ou mais, eu me inscrevi muita aula extracurricular esse ano. –Já sei que fui mal em tudo.

–Você nunca me deu trabalho com nota. Por que justo no último ano?

–Não sei se percebeu, Arthur, mas eu ando com a agenda um pouco cheia. –Falei cheio de grosseria, mas logo me arrependi quando ele me deu um tapa na cabeça.

–Não fale desse jeito comigo. –Disse apontando o dedo no meu rosto, mas logo o recolheu. –Não quero ver você reprovando justo no último ano, vai atrasar toda a sua vida.

–Eu não quero reprovar também. Mas o que posso fazer? Onde eu vou arranjar tempo para estudar.

–Eu não sei, Alfred. Mas uma coisa eu te aconselho, você só está começando a vida adulta e sempre vai ter que se virar para achar um tempo. Sei como se sente, pois sempre era assim na faculdade.

Eu respirei fundo e absorvi cada palavra do sermão de Arthur, mas elas logo saíram pela outra orelha. Procurei não fazer um olhar de desdém para que ele acreditasse que eu presto atenção nele. Quando terminou toda a falação ele magicamente esqueceu minhas notas ruins e me pediu para ir comprar batatas que havia acabado.

Senti meu estômago embrulhar só dele falar em batatas. Batatas coradas era sua especialidade, mas eram nojentas, além que ele sempre queimava ou deixava cruas, não me importaria de comer batatas coradas, desde que sejam feitas decentemente. Eu saí de casa para ir comprar esses benditos legumes.

0o0

Arthur foi para a cozinha beber um copo d’água. Ele sempre sentia muita sede quando acabava de dar sermão. O inglês pegou o jarro de água e despejou no copo, bebendo cada gota como se fizesse dias que não bebia água. Pensou ter sido muito duro com Alfred, mas também se lembrava como foram sofridos seus anos de faculdade, muitas vezes ele passava a noite em claro para estudar para uma prova. Ao mesmo tempo ele trabalhava para poder pagar, era uma loucura.

Em meio aos pensamentos, Arthur notou as sacolas que Alfred trouxe, elas tinham o nome de uma loja de roupas, onde sempre fazia seus ternos. Isso despertou a curiosidade no britânico, porque Alfred nunca gostou de ternos.

Aproximou-se da sacola e pegou uma camisa social branca masculina, olhando-a com cuidado para não amarrotar. Ela era pequena. Certamente pequena demais para caber em Alfred, até nele mesmo. Assim que guardou a camisa, ele pegou o colete, avaliando, novamente era pequeno demais. Para quem seriam essas roupas?

Arthur começou a roer as unhas ao pensar nas possibilidades. Com elas vieram várias perguntas, mas a principal elas era: para quem seria aquelas roupas?

0o0

–Acordem, seus preguiçosos! –Gritava um dos marinheiros abrindo a porta do porão.

Yao não estava dormindo, mas toda aquela luz invadir rapidamente as suas retinas o incomodou, então ele usou o braço sujo para cobrir os olhos. Os prisioneiros aos poucos eram retirados do porão, porém a pressa dos marinheiros era grande. Eles praticamente arrastava os coitados que não tinham forças nem para levantar, devido à falta de comida e água. Durante a longa viagem, o chinês viu muitas pessoas morrerem e isso deu um aperto no seu coração toda vez que se lembrava de Kiku. Não tinha mais noção de tempo e espaço, portanto não poderia prever quantos dias ele navegou. O porão não havia janelas, somente buracos no teto para a passagem de ar, mas que serviam muito pouco de referência.

Quando chegou a vez de Yao, ele saiu aos empurrões pelos marinheiros, xingado de palavrões que nunca ouviu em sua vida. Era deprimente aquela vida. No momento que ele subiu para o convés, um frio congelante percorreu todo o seu corpo e o fez se encolher, suas mãos estavam algemadas, então ele não podia se aquecer. Se fosse para chutar, seria uns trinta graus negativos. Nunca sentiu tanto frio antes.

Em uma fileira única, os detentos eram transportados para fora do navio, no porto havia dois soldados bem agasalhados e falavam uma língua que Yao nunca tinha ouvido, parecida com o mandarim, porém ao mesmo tempo era muito diferente. Quando todos os presos estava fora do navio, um dos soldados que conversava se virou para eles. Era um homem grande e forte, com cabelos loiros platinados e olhos exóticos da cor violeta. O homem tinha um cachecol roxo grosso em volta do pescoço que abafava o som da sua voz, porém ela era suave e assustadoramente calma.

–Tenente-Coronel Braginski. –O homem começou a falar na língua dos detentos, porém com um sotaque carregado. –Eu quem vou cuidar de todos vocês miseráveis a partir de hoje, da? –Por fim deu um sorriso macabro que foi disfarçado pelo cachecol. Sua voz era calma, mas havia muito sadismo através dela.

Notas finais
Então? Críticas, sugestões ou opiniões são sempre bem-vindos!