Um Mundo Assombrado Pelos Demônios
10 A saudade é uma dor tão doce...
Notas iniciais
Mesmo contrariado, Arthur deixou as roupas novas de Alfred dentro da sacola, perfeitamente dobradas, como se nunca as tivesse tocado. Mesmo que não, Alfred é distraído demais para notar algum amassado nas roupas. O britânico foi para a biblioteca, ainda pensava no que poderia ter acontecido. Será que Alfred é gay? E aquelas roupas são para o seu parceiro? Arthur engoliu em seco e balançou a cabeça freneticamente, tentou espantar esses pensamentos. Não há como Alfred gostar de outro homem. Ele já saiu com várias mulheres.
A respiração do inglês tornou-se mais densa, como se o ar estivesse rarefeito. Ele puxou das estantes um livro de capa vermelha, sobre a filosofia de Descartes. Tirou o marcador de página de onde parou de ler da última vez e continuou a ler. Embora seus olhos percorressem as palavras sem dificuldade, seu cérebro demorava a encontrar a lógica entre elas.
Por quê? Bom, ele não parava de pensar na hipótese que levantou mais cedo sobre Alfred. Isso também abriu portas para ele remexer em seu passado, que já estava bastante confuso. Não pode esquecer que Arthur também já se envolveu com um homem, embora ele esteja do outro lado do mundo, o loiro jamais parou de pensar no amor que nunca foi. Nunca foi, porque ele nunca deixou ser.
Vendo que não teria sucesso com a leitura hoje, ele fechou o livro, marcando a página novamente e deixou-a em seu colo, por algum motivo, o peso no livro sobre suas coxas o acalma.
Ele tinha dezoito anos quando partiu de sua terra para cuidar do filho de seu tio, desde então passaram-se quase dez anos desde então e Arthur estava beirando os trinta anos, mesmo assim, ele nunca se apaixonou novamente. Ele tentou ficar com algumas mulheres, todas elas colegas de trabalho, porque Arthur nunca se deu ao trabalho de sair para conhecer mulheres. Apenas algumas noites descompromissadas, mas nada o fez esquecer Francis. Ele era completamente apaixonado pelo francês, mas custava admitir a si mesmo.
Seus pensamentos foram interrompidos quando Alfred abriu a porta da frente abruptamente. Em sua mão continha um saco cheio de batatas grandes e Arthur sorriu pela primeira vez no dia, pensando no delicioso gosto de suas batatas coradas.
Quando o jantar ficou pronto, ele chamou Alfred que estava em seu quarto, terminando os últimos deveres de casa. Alfred guardou os livros, ele estava mais organizado agora, graças a ajuda de Kiku. Por falar no seu novo amante, Alfred se via novamente cheio de alegria sentindo o beijo de Kiku que ainda estava grudado em seus lábios. O americano desceu as escadas correndo, vendo que já tinha um prato de sopa esperando por ele.
–Me conta um pouco da sua vida, Alfred. –Começou Arthur, tentando disfarçar ao máximo seu nervosismo, ele fazia isso muito bem. –Anda tão ocupado que não tem tempo nem para a escola, como anda sua vida pessoal?
–Bom... –Alfred bebericava a colher de sopa com muito desgosto. A comida de Arthur realmente não tinha um gosto muito apresentável. –Eu tenho vários amigos no centro de treinamento e às vezes, depois do treino, nós saímos para beber. –Disse o americano distraidamente, mas logo se arrependeu do que disse.
Arthur engasgou com o caldo da sopa.
–Você bebe?! –Indagou Arthur estarrecido. Alfred encolheu os ombros sem saber o que responder, qualquer palavra podia custar-lhe o couro. –Deixa isso pra lá. –O inglês respirou fundo para se controlar. –Mas e sua vida amorosa?
–Minha vida amorosa? –Repetiu Alfred inocentemente. Pode-se perceber uma grande pausa do americano ao pensar, ele estava refletindo sobre o que diria a Arthur para esconder Kiku. –Sabe, é que eu ando tão ocupado que não tenho tempo pra isso. Estranho, nunca pensei que diria isso. –Por fim, deu um largo sorriso típico para disfarçar por completo. –Por que esse interesse repentino? –O britânico novamente engasgou com a sopa.
–P-Porque... –Droga, ele não queria gaguejar, mas foi impossível com a ardência da sopa que acabou de engasgar, ele tossiu mais um pouco e concluiu. –O baile está chegando, não é? Quero me certificar de que vai ter uma companhia.
–Ah, é! –Exclamou o loiro mais novo. –O baile, havia me esquecido dele. –Deu um riso nervoso antes de continuar. –Bom, uma parceira para mim não será problema. Tem muitas garotas que gostam de mim.
–Fico feliz em ouvir isso.
Depois de terminarem a refeição, Alfred rapidamente subiu as escadas, ele realmente estava muito cansado com a dura rotina do dia. Arthur suspirou decepcionado por não ter conseguido nenhuma informação sobre a roupa.
Deixando isso de lado, o inglês também subiu para o seu quarto, embora amanhã fosse um dia que ele entrava mais tarde, ainda seria um dia corrido.
0o0
Às seis e meia da manhã no dia seguinte começou com Arthur batendo fortemente na porta do quarto de Alfred. O homem já estava bem vestido como se estivesse indo para o trabalho, embora hoje começasse depois do almoço. No início não obteve resposta do americano além de murmúrios dificilmente audíveis através da porta, mesmo assim ele ainda estava perdendo a paciência. Alfred iria se atrasar se continuasse a dormir!
Sem esperar mais, o homem abriu a porta rapidamente e foi até o leito da cama do primo. Balançando seu corpo musculoso.
–Alfred, acorde. –Chamou uma vez, mas não obteve resposta. –Anda, Alfred, eu não tenho a manhã toda. –O loiro rosnou fortemente e usou o edredom para cobrir o rosto.
–Argh, me deixa mais um pouco, por favor.
–Nada disso, já são seis e meia, você vai se atrasar se não correr.
Alfred suspirou e abriu os olhos, sabendo que não tinha como discutir horário com Arthur. Para falar a verdade, não estava tão atrasado assim na mente de Alfred. A primeira aula começa às oito e quinze, se ele chegar lá às oito dá tempo de pegar os cadernos e conversar com os amigos antes da aula. Mas a distância entre sua casa e a escola não era muito grande, visto que Alfred sempre vai de carro agora, além do mais, ele leva menos de dez minutos para tomar banho e vestir roupa, então não há necessidade de tanta pressa por parte do Arthur.
Mas não adianta discutir com ele. Alfred começou a levantar e Arthur também se levantou para descer e preparar o café da manhã do primo. Ele definitivamente não sabia fazer panquecas, mas as comprou prontas no supermercado outro dia, então era só fritá-las a manteiga. Enquanto fazia isso, Alfred desceu ainda sonolento, mas com suas roupas prontas, Arthur não pude deixar de notar a sacola de roupas que tinha na mão esquerda do primo, tentou ao máximo não pensar nisso.
O britânico deixou o prato com cinco panquecas todas com bastante xarope de bordo, junto com um copo de suco de laranja, exatamente como um café da manhã americano. Enquanto Alfred comia, Arthur pegou seu jornal da manhã, lendo atentamente as notícias, porém, vez ou outra olhava de soslaio para Alfred.
–Alfred... –Chamou Arthur, tirando completamente os olhos das manchetes.
–Hun? –Respondeu Alfred, mais concentrado em sua panqueca, que estava deliciosa.
–Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não é? –Perguntou um pouco envergonhado, por não saber como iniciar essa conversa. –Mesmo que eu seja um pouco rigoroso, não quero que me esconda nada da sua vida. –Alfred engoliu o pedaço que estava em sua boca e segurou na mão do primo.
–É claro que eu sei! –Exclamou Alfred contente. –Obrigado, Artie.
–De nada. –Sorriu Arthur.
Poucos minutos depois, Alfred saiu com a mochila nas costas para a escola e Arthur pôde fazer o que estava planejando para aquela manhã. Ele juntou uma trouxa de roupas em um cesto feito à mão e desceu o morro da rua para a lavanderia da cidade. Muitas donas de casa já estavam lá para lavar suas roupas, mas ainda não tinha filas. Ele programou duas máquinas para tipos diferentes de roupa e sentou-se em uma das cadeiras, puxando o jornal que ainda não acabou de ler.
Enquanto esperava as roupas lavarem, ele fez as palavras cruzadas do jornal, sempre eram boas para aumentar o seu vocabulário. Quando o relógio apitou, ele tirou as roupas encharcadas da máquina e as colocou no cesto, segurando-o e fazendo seu caminho de volta. Quando saiu da lavanderia, ele pode perceber que já havia uma fila de senhoras, o que fez ele sorrir internamente por ser saído tão cedo.
Subiu o morro calmamente, mas quando chegou na porta da sua casa, o carteiro estava lá, provavelmente para lhe entregar as contas mensais. Arthur foi até ele.
–Ah, é o Sr. Kirkland? –Perguntou o carteiro. Um rapaz jovem e alegre, aparentava não ligar para o cansaço de percorrer a cidade para entregar cartas.
–Sou eu. –Respondeu Arthur.
–Carta para o senhor.
–Bom, rapaz, posso guardar o cesto lá dentro e venho buscar.
–Sim, como quiser!
Arthur o fez e voltou para buscar as cartas. A maioria delas, como havia previsto, tão contas e impostos, mas uma em especial fez seu coração saltar. Era uma carta pessoal, cujo o remetente era Francis Bonnefoy. Arthur respirou fundo, tentando segurar o corpo que queria tremer.
Caminhou calmamente para a biblioteca e sentou-se em uma poltrona, segurando o envelope entre os dedos. Algo semelhante a centenas de borboletas voaram em seu estômago só de olhar aquela cara. Há tanto tempo não tinha notícias do Francis e agora tinha muito medo do conteúdo da cara, embora que esteja assinado por ele já era um grande alívio, pois ele estava vivo.
Com as mãos trêmulas, ele tirou o selo que lacrava a carta e tirou o papel. Estava escrito a mão, a letra de Francis sempre fora bonita, porém agora estava mais do que nunca.
“26 de Janeiro de 1942
Querido Arthur,
Faz frio aqui. Muito mais frio do que possa imaginar, o céu está acinzentado e eu lhe asseguro que não é por causa das nuvens. Os alarmes de ataque se tornaram mais frequentes do que eu imaginava, fico pensando a que ponto estamos chegando com essa guerra. Parece que ela não terá fim. Sei o que está acontecendo nos oceanos, mas mesmo assim não desistirei de que um dia eu poderei enfim enviar esta carta.
Também é um dos invernos mais rigorosos do país. Tão frio que penetra meus ossos. Mas há um momento onde eu posso achar calor, é quando penso em você. Eu só peço a Deus que eu possa te ver algum dia de novo. Sei que passamos quase dez anos trocando cartas descontraídas e nunca pude expressar o meu desejo de te por perto, embora ele sempre esteja aqui. Mas com esses tempos difíceis, eu tenho muito medo de que não terei outra chance de lhe dizer isso.
Matthew também quer se alistar ao exército, embora eu continue falando a ele desistir. Se esse for mesmo o sonho dele, quem sou eu para impedir? Mas também quem é o meu medo para deixar? Um dia –escrevo sem datar, pois não sei quando essa carta chegará a você- tomei uma cerveja com dois aviadores ingleses. No dia seguinte, os dois morreram. Sabe o quanto foi estranho ir ao enterro dos dois lembrando nitidamente de rir com eles em um bar?
Tenho tantas histórias para contar, mas acho que isso é assunto para outra carta. Já que nesse eu quero deixar claro uma coisa: eu te amo. Aconteça o que acontecer, só quero deixar essa certeza no seu coração. Sempre vou manter em mim a esperança de que um dia eu possa te ter em meus braços.
P.S.: Leia essa carta com o sotaque francês com o qual você me conhece.
Com amor,
Francis.”
Mal terminou de ler a carta e seu rosto já estava inundado de lágrimas. Mas por que estava chorando? Essa carta nem é assim tão triste. Talvez a saudade era tanta que acabou transbordando. Francis era o calcanhar de Aquiles do Arthur, mas ele mesmo não conseguia admitir isso em voz alta, embora seu coração falasse por ele.
Quando conseguiu conter a emoção, ele olhou para o relógio de madeira encostado entre duas prateleiras de livros. Marcava meio dia em ponto, o coração do inglês disparou ao ver como o tempo passou rápido. Há quanto tempo ele havia esperado na lavanderia? Afinal era muita roupa pesada. Arthur se levantou as pressas e foi tomar banho, por mais que ele odeie comer nesses restaurantes americanos, ele teria, pois do contrário, se atrasaria para o trabalho.
Ele pôs seu terno que estava engomado em cima da cama e pegou sua maleta contendo os livros de filosofia e, mas é claro, a carta que recebeu de Francis. Saiu às pressas de casa quando já eram meio dia e meio. Ele tinha trinta minutos para comer e chegar ao trabalho, por isso quando ele parou no restaurante, ele simplesmente enfiou o hambúrguer goela abaixo e saiu correndo para o trabalho. Talvez um carro fizesse falta hoje.
Chegou à escola no exato momento em que o sino foi batido, então ele correu entre os alunos frenéticos, ele era tão baixo que poderia ser facilmente confundido por um, até chegar na sala dos professores. Ofegante, ele foi até a jarra de café no centro da mesa e tomou um pouco.
Quem surgiu do banheiro de dentro da sala foi o diretor da escola, em outras palavras, o patrão do Arthur.
–Você está atrasado, sabia? –Afirmou o homem, também colocando o café na xícara. –Atrasos me incomodam, Sr. Kirkland.
–Seu sotaque também me incomoda, senhor. –Comentou Arthur em um tom ácido. –Mas eu não me dou ao trabalho de dizer o que todo mundo sabe. –Completou antes de deixar a xícara na pia, nem se virou para ver a expressão do homem, afinal Arthur sabia que ele não teria coragem de demiti-lo, modéstia parte, ele era um dos professores mais requisitados da cidade. Até mesmo a faculdade já lhe ofereceu uma vaga, entretanto, Arthur queria trabalhar no seu doutorado antes de dar aula em uma faculdade, onde era bem mais apertado os horários.
Digamos que a primeira aula foi bem mais calma. Arthur passou um teste surpresa para os alunos que, obviamente, não estavam preparados para o tal. O inglês conteve um sorriso sádico ao ouvir os alunos resmungarem. Sentou-se na mesa, observando a todos para não haver coladores, mas ao mesmo tempo seus pensamentos estavam longe.
Deveria mandar uma carta de volta para Francis, com certeza. Seria como uma resposta a essa que veio? Não pode ser, senão teria que dar resposta às declarações de amor do francês, mas não era possível ainda. Ele olhou para o relógio, ainda tinha mais um tempinho antes da aula acabar e havia um número considerável de alunos ainda. Ele puxou um papel branco da sua pasta e uma caneta e começou a trabalhar na carta.
Como deveria começar? Com “Querido, Francis”? Não, isso seria como dizer que corresponde às expectativas do francês. Então escreveu apenas “Francis,”. O mais difícil vinha a seguir, o conteúdo, havia várias coisas que ele gostaria de dizer, mas nenhuma ele tinha coragem de colocar no papel. Era como se as palavras fugissem dele. Quando se voltou a realidade quando o sino tocou. Ele se levantou rapidamente e recolheu a prova de quem ainda não havia terminado, mesmo com eles choramingando.
Ele tinha mais dois horários de folga até a próxima aula, então ele dedicou essas duas aulas para se concentrar na carta. Enquanto a escrevia, ele pensou sinceramente se chegaria à Inglaterra, um navio correio chegou, mas não pode ter muita sorte da próxima vez. Ele releu a carta diversas vezes.
“Francis,
Em nome da nossa amizade, eu afirmo que também estou com muitas saudades. É tão estranho ficar meio mundo de você. Não posso imaginar como está ai agora com toda essa desgraça, mas sou egoísta em admitir que estou feliz por estar a salvo na América, um país o qual eu tanto subestimei está sendo a minha salvação. Entretanto, eu gostaria que você estivesse aqui a salvo também para eu estar completamente aliviado.
Toda essa tensão com os japoneses está me deixando irritado por eu ao menos poder lhe enviar cartas. Uma coisa que eu e a América temos em comum: não confiamos mais em japoneses.
Quanto ao Alfred, ele também decidiu se alistar ao exército, mas isso é um sonho de criança que ele carregou junto com seu pai, nada mais justo do que deixa-lo seguir sua vocação. Ele está se empenhando para isso, tenho certeza que ele vai se tornar um herói, tal como ele sempre se proclamava quando criança.
Sei que não é a maior carta que eu já escrevi, mas não tinha muito tempo. Espero que ela chegue a você o mais rápido possível.
Arthur.”
O coração do inglês disparou só de reler a carta, estava faltando alguma coisa. Uma coisa que ele não queria colocar, mas parece que seus dedos trabalharam sozinhos.
“P.S.: Eu te amo.”
E guardou a caneta. Dobrou o papel com o máximo de cuidado, pois com o estado trêmulo de suas mãos era capaz dele rasgá-la e a guardou, esperando que seus alunos chegassem para dar continuidade à aula.
0o0
Eram quase sete horas da noite quando ele terminou suas últimas aulas noturnas. Não eram aulas convencionais, Arthur apenas aplicava um pequeno reforço para os alunos que estão com mais dificuldade e os convidava para ficar depois do horário. Ele guardou suas coisas e saiu da escola bocejando.
Estava muito cansado, então parou e pensou que talvez pudesse passar no campo de treinamento de Alfred e pedir uma carona. Ora, o campo não fica longe e ele estava realmente desgastado com esses alunos idiotas. O inglês deu de ombro ao perceber que não tinha nada a perder então mudou o caminho. Se bem que Alfred sempre saía depois do treino com os amigos, mas um dia a menos não iria matá-lo, não é mesmo?
Porém, quando ele chegou ao campo onde treinavam os recrutas, ele estranhou estar vazio, pois era pleno horário de funcionamento. Estava sem os recrutas, apenas alguns soldados claramente mais experientes. Arthur se aproximou de um deles.
–Com licença. –Chamou o inglês. O homem, grande e forte, parou suas flexões e olhou para Arthur. –Você sabe me dizer onde estão todos os recrutas?
–Recrutas? –O homem repetiu pegando uma toalha que havia nas barras de ferro e limpou o suor no rosto. –Não tem recrutas hoje?
–Não tem? Mas eu achei que eram todos os dias! –Exaltou-se Arthur. O homem riu com a reação do menor.
–Não, moço. –Arthur sentiu-se envergonhado ao ser chamado de moço, já que ele era bem mais velho. –Não queremos sobrecarregá-los, não é? Os dias de treinamento são segundas, terças, sextas e fins de semana sim e não.
Após essa revelação, Arthur saiu do local intrigado. Alfred sempre lhe disse que o treinamento eram todos os dias, incluindo fins de semana. Por qual razão ele mentiria já que não era de seu feitio fazê-lo? Mesmo sem saber ao certo porque, ele relacionou isso com as roupas de tamanho pequeno. Seu coração apertou.
Alfred realmente tem um namorado. Como isso é possível? Essa praga do homossexualismo já o pegou uma vez na vida, agora começaria tudo de novo. Mas a pergunta que ainda prevalece é sobre o paradeiro do americano. Ele com certeza não iria sair em público com um jovem, afinal, ele correria o risco de ir preso.
Pensou um pouco e chegou a uma conclusão óbvia.
–Táxi! –Ele acenou para um carro de Táxi que vinha, o mesmo parou e ele entrou no banco do passageiro.
Verificou na carteira se tinha dinheiro o suficiente e quando confirmou, mandou o motorista para o lugar onde ficava a fazenda do pai Jones.
Enquanto o fusca andava pela rodovia, Arthur roía as unhas de nervosismo. Ele tinha uma ideia do que iria encontrar naquela casa, mas ao mesmo tempo não sabia o que realmente iria encontrar.
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