Um Mundo Assombrado Pelos Demônios
11 O Início do Fim...
Notas iniciais
Eu sai de casa rapidamente e abri a porta do carro do motorista, tirei a mochila das minhas costas e joguei no banco do passageiro, em seguida coloquei o cinto de segurança. Coloquei as chaves e liguei o motor, começando a dirigir para a minha escola. Confesso que desde ontem, quando cheguei do varejão, ele estava demasiado estranho. Fez-me perguntas sobre minha vida amorosa, ele nunca teve interesse em saber se eu estava saindo com alguém, além do mais, eu sempre falava, mesmo que ele não perguntasse. Não sei o que deu nele, mas isso não me soou coisa boa.
Cheguei na minha escola e estacionei na vaga para o time de futebol. Confesso que eu me achava o rei por ter esse tipo de privilégio e sempre me gabava dos outros alunos que não tinham essa preferência. Mas de uns tempos pra cá eu tenho achado esse tipo de segregação muito ridículo, esse tipo de pensamento eu tenho aprendido com o Kiku, se você quer saber.
O dia na escola foi normal, pra falar a verdade, as salas de aula estavam praticamente vazias. O comitê do baile tem passe livre, desde que estivesse organizando o baile. Seria perda de tempo e dinheiro tudo isso, mas claro, eu só digo isso, porque sei que não poderei aparecer com o meu verdadeiro par. Se bem, que talvez eu nem vá. Mas pensando bem, talvez seja minha última chance de rever meus amigos, todos em grupo, principalmente quando eu for ao Texas, não sei quando voltarei ou se voltarei de lá.
Isso volta ao meu problema principal que é: onde eu deixarei o Kiku quando tudo isso acontecer? Realmente, já pensei algumas vezes em levá-lo comigo, mas seria arriscado demais, ouvi dizer que espiões da CIA também treinam por lá. Esse é o ponto onde eu cheguei com o meu amor, tenho medo até mesmo da CIA me pegar. Vale lembrar que eu não estou subestimando a CIA, mas apenas os grandes criminosos que estão na mira dela.
Eu quase pulei da cadeira quando a coordenadora começou a falar pelo autofalante. Ela começou a citar os nomes das moças que estão concorrendo para a rainha do baile e depois dos rapazes, para rei do baile, obviamente. Eu fui indicado, mas duvido que ganharei. Ser rei do baile exige mais de mim do que eu posso. Que é ser presente praticamente o tempo todo. Mas eu estou esgotando a minha energia, o restinho que ainda tenho serve para ficar com o Kiku e não quero abrir mão desse privilégio.
A aula toda estava incrivelmente chata. O tempo passava muito devagar e eu tinha sensação que ia desmaiar, não porque eu estava passando mal, mas porque eu estava terrivelmente com sono. Parece que mesmo a noite toda não tem como eu recuperar toda a energia perdida do dia. Praticamente passei a aula de Álgebra III inteira dormindo na minha carteira. Usei o livro para apoiar a cabeça e dormi mesmo. Estava decidido, na hora do almoço eu fugiria da escola.
Então finalmente bateu o sinal para a última aula antes do almoço. Eu corri para o meu armário e coloquei os livros que eu precisava para dever de casa e simplesmente sai da escola, não é a primeira vez que eu fazia isso. Mas também não era um mestre em cabular aulas, fazia isso somente em questão de força maior. Com certeza, essa era a força maior.
Tudo bem, mesmo sabendo que o Arthur trabalharia a tarde inteira hoje, eu não precisaria ir em casa, vou direto para a fazenda. Também tenho que agradecer por hoje ser um dia de folga. Não que o Arthur precise ficar sabendo, para ele, todos os dias temos treinos, me sentia mal fazendo isso, mas é a única maneira de eu passar a tarde inteira fora sem que ele suspeite de alguma coisa. Como já anda suspeitando? É incrível como o nosso cérebro trabalha justamente para o foco dos nossos erros. Ele pode estar suspeitando de qualquer coisa que eu ainda não sei, mas ainda insisto a mim mesmo que ele sabe tudo sobre o Kiku. Parei bruscamente e só então eu percebi que havia chegado na fazenda.
Eu senti um mal estar terrível percorrer todo o meu corpo e o inclinei pra frente, para poder respirar direito. O ar agora parecia muito rarefeito e eu não sei o que está acontecendo comigo, sempre tive a saúde de um touro. Mas isso não é doença e sim o medo. Como um simples medo pode causar esse tipo de reação no meu corpo. Tudo bem, não é tão simples, se o Arthur me pegar com o Kiku, eu estava fudido.
–Eu queria morar no Brasil! –Proclamei em voz alta e bati minha testa no volante. Lá as coisas pareciam tão fáceis, já que é um país que não está na guerra, fora que lá deve ser muito lindo. Se eu pudesse, eu pegava o Kiku e me mandaria para o Brasil.
Tarde demais para isso agora. Já estou mais envolvido do que penso, minha ficha está no sistema, mesmo que eu não tenha cometido nenhum delito. Até mesmo recrutas tinham sua ficha levantada.
Eu saí do carro e vi pela janela os cabelos negros, um pouco mais longos do que começamos, ele estava de costas, mas sentado na cadeira de madeira que havia na cozinha, mesmo estando longe, dava para notar uma considerável diferença na limpeza da casa, que antes estava empoeirada e impossível, agora estava até ajeitadinha.
Kiku daria uma ótima dona de casa.
Ri com meu próprio pensamento e como é bom pensar assim, se não fosse essa sociedade tão estranha... Eu pensava assim, agora eu sou estranho. Nunca vou entender como isso acontece.
Entrei na casa, a porta ainda rangia, principalmente nas dobradiças enferrujadas, ouvi passos na madeira e em questão de instantes a imagem de Kiku, que estava diante de mim. Ele parecia um pouco preocupado, mas quando me viu, relaxou e abriu um pequeno sorriso.
–Você chegou cedo hoje. –Afirmou. –Ou eu quem acabei dormindo demais?
Antes de responder a ele, eu me aproximei e segurei sua cintura com as duas mãos, inclinei meu rosto e beijei seus lábios como se fosse a primeira vez. Seus braços finos rodearam meu pescoço, me empurrando mais para aquela boca deliciosa. Fiz o mesmo com meus antebraços para trazer seu corpo a colar no meu.
Lambi de leve a linha que separava os lábios e deslizei minha língua para dentro quando ele abriu a boca. Eu não perdia tempo em lutar pelo domínio das línguas, sendo que eu sempre ganho. Foi o paraíso quando ele enrolou seus dedos dentro dos meus cabelos loiros e os puxou levemente, nunca pensei de sentiria tanto prazer na dor.
Porém, foi ele quem quebrou o beijo, estava corado e ofegante, como se eu tivesse lhe sugado todo o ar de seus pulmões. Porém, eu não queria parar e continuei o beijando no rosto, até descer para o pescoço, também chupava levemente o local, uma consequência dos beijos.
–E-Ei, Alfred... –Disse com dificuldade por ainda estar recuperando o fôlego. –Você não respondeu à minha pergunta. –Completou fazendo um beicinho.
Eu parei de tentar agarrá-lo e dei um leve último beijo em seus lábios, antes de também começar a falar:
–Eu quem cheguei mais cedo. –Falei caminhando para a cozinha, abri os armários de madeira, que antes também estavam um horror, agora haviam alguns mantimentos para o Kiku não morrer, alguns salgadinhos e sopa enlatada. Peguei um saco de batata frita e abri, começando a comer, enquanto terminava minha explicação. –Estava muito chato a aula, então preferi ficar com você. –Terminei dando o meu melhor sorriso.
–Isso não tem graça. –Mesmo falando isso ele riu. Foi até mim e sentou ao meu lado. –Fazer isso na minha terra é uma grande desonra. –Concluiu dando um suspiro nostálgico.
–Então é por isso que japoneses não se divertem. –Eu dei um riso escandaloso com minha brincadeira, mas parei quando recebi um olhar mortal do meu amante. –É brincadeira, amor. –Ri de volta e dei um beijo em seu rosto. O rosto dele ficou brilhante.
Meus olhos então focaram para o seu rosto que estava sendo coberto pelos seus cabelos, eu não gostava daquilo, a franja que já cobria toda a testa estava agora cobrindo seus lindos olhos cor de café. Por mais que ele usasse os dedos para afastar os fios rebeldes, eles sempre voltavam.
–Ei, posso cortar o seu cabelo? –Perguntei.
Ele parece ser se assustado com a mudança súbita de assunto e me encarou também.
–Você tem certeza que conseguiria? –Ele arqueou uma sobrancelha desconfiado.
–Não vou fazer um corte radical. –Tranquilizei-o, levantei a mão e espalhei aquela franja que já estava me agoniando. –Apenas essas pontas que parecem te incomodar.
Ele encolheu os ombros e desviou o olhar, não negou o que eu disse e eu sorri para dar-lhe mais confiança. Ele ficou me olhando por um tempo, provavelmente pensando se aceitaria a minha oferta ou não, mas por fim abriu um sorriso, eu sabia que uma boa notícia estava por vir.
–Tudo bem, faça? –Deu um suspiro derrotado.
Eu aumentei mais o sorriso e segurei na sua mão, subindo as escadas estreitas. Forrei o chão com uma lona velha que havia lá, se bem que o chão parecia bem mais limpo que a lona. Realmente esse lugar agora parecia com há dois, três anos atrás, quando ainda vínhamos aqui para passar o tempo. Foram bons tempos.
Puxei uma tesoura enferrujada que havia também no armário e fiquei de frente para o meu namorado, me permiti dar um beijo em seus lábios antes de iniciar. Ele fechou os olhos, só não sei se era para proteger as pupilas dos fios de cabelo ou ainda era medo do que iria acontecer.
Usei meu dedo indicador e o médio para estabelecer um limite e passei a tesoura onde havia pra baixo. Fiz isso com muito cuidado para não estragar o penteado do meu japonês.
Depois de vinte minutos, eu finalmente acabei. Demorou bastante tempo porque muitas vezes eu ficava inseguro, o que não é uma característica minha, mas não gostaria de ver o Kiku triste, quando acabou enfim, não teve grandes mudanças, exceto que agora eu poderia ver seu lindo rosto novamente. Ele sorriu pra mim.
–Obrigado, Alfred. –Agradeceu com aquele sorriso.
Vendo aquele rostinho de anjo, eu tinha uma súbita vontade de beijá-lo e fazer isso não significa que estou em água desconhecidas, então eu segurei o seu queixo e juntei nossos lábios. Seu corpo que estava perto da parede de madeira, finalmente se encostou ali e eu aproveitei para escorregar minha mão para dentro da camisa dele, fui levantando-a até chegar aos mamilos, estimulando-os com o meu polegar. Kiku quebrou o beijo para gemer baixinho com os meus toques, seus olhos estavam cerrados e seu rosto um vermelho brilhante, vê-lo assim era tão sexy que não sei por quanto tempo vou aguentar.
–A-Alfred... Aaahh... –Ele tentou falar, mas não conseguia devido aos gemidos.
Movi minha boca até sua orelha e a mordisquei, dando leves lambidas, arrancando mais suspiros do jovem japonês em seus braços, estava tão envolvido na adrenalina que me afastei apenas para tirar sua camisa e jogá-la para um canto esquecido do cômodo.
O corpo do japonês se encolheu de vergonha, era camuflado pela camisa sua magreza extrema, até mesmo suas costelas apareciam através da pele flácida. Mas isso tudo não impedia que eu achasse tudo isso muito fofo. Eu também tirei a minha camisa, talvez por achar que aquilo o deixaria mais à vontade, então me aproximei dele e abracei seu corpo protetoramente, seu corpo estava imerso em meus braços e ele encostou a cabeça em meu ombro, fechando os olhos. Eu me aproximei de seu ouvido e sussurrei:
–Não se preocupe. –Senti um arrepio percorrer suas costas. –Eu não vou machucar você, porque eu te amo.
O vi abrir os olhos e olhar diretamente para os meus, eu sorri para ele de forma calorosa.
–Eu também te amo, Alfred...
Eu segurei firme sua cintura e o ergui, voltando a beijá-lo no pescoço. A pele dele era tão viciante, ele começou a gemer baixinho, espremendo os lábios e seu corpo contorcendo de prazer debaixo dos meus braços. Por isso eu continuei minhas carícias, mordiscando e chupando aquele local até deixar uma marca bem roxa.
Minhas mãos desceram até o meio das suas pernas e ele engasgou quando eu segurei seu pênis e o apertei levemente, a essa altura ele já estava semi-duro. Ele virou o rosto e eu aproveitei para beijar-lhe todo o rosto, apenas para pousar em seus lábios e dar-lhe outro beijo, enquanto acariciava aquela região, mesmo que por cima da calça.
O prazer era tanto que suas pernas fraquejaram e eu o deitei na lona, ficando por cima dele, particularmente, eu gostei mais dessa posição que podia ver o seu rosto brilhante, lindo, fofo. Comecei a beijar suas madeixas negras, enquanto minha mão que acariciava seu membro, desabotoou o botão da calça e abaixou o zíper, senti um certo receio da sua parte, mas ele não me impediu, nem nada, então puxei sua calça de uma vez, expondo totalmente seu corpo raquítico.
–A-Alfred! –Ele me repreendeu e eu ri baixinho, não considerei como uma ameaça e segurei seu pênis e comecei a acaricia-lo por toda a sua extensão.
Kiku mordeu a mão com a onda de prazer que o atingiu, ele não conseguia mais conter os gemidos que ficavam cada vez mais altos, ecoando pelos cantos de madeira do quarto. Ele estava deitado com a cabeça virada para a lona, estava em uma posição tão sexy que eu não hesitei em levar meus dedos para a sua boca, para que ele as lambesse.
Ele fez isso, mas com um pouco de dificuldade por alternar em gemer, pois eu ainda continuava acariciando seu membro, mas dessa vez aumentava o ritmo da masturbação, aquilo deixava seu rosto quente.
Uma vez que eu já sentia a saliva escorrendo pelos meus dedos eu os desci até o seu ânus e o penetrei com o dedo médio, sentindo seu corpo contrair de dor, isso me deu muito tesão em vê-lo assim tão submisso aos meus carinhos. Quando ele já acostumou com a invasão, eu coloquei o dedo indicador e os mexi em direções contrárias, simulando os movimentos de uma tesoura. Minha outra mão ainda aumentava o ritmo da mão que ia por toda a extensão do pênis do meu parceiro.
Ele estava em êxtase, eu movi meus dedos tão fundo que cutuquei sua próstata, em resposta, o vi arquear as costas, dando um grito longo de prazer, o maior até agora.
–Oh, Alfred! Bem ai! –Ele pedia aos gritos e eu o obedecia, acariciando aquele pedacinho de carne que parecia o paraíso para Kiku.
Ele quase chegou ao ápice, pude ver um líquido pré-ejaculatório escapar, mas parei de masturba-lo antes que o fizesse. Ele olhou pra mim com raiva e como resposta eu simplesmente o beijei, me deliciando daquela boca doce. Eu não o deixaria gozar agora e a diversão ser só dele.
Eu quebrei o beijo e fiquei de joelhos no chão, tirando minha própria calça com a cueca, estimulei meu pênis com a mão por um tempo até ele ficar completamente duro, aquela tensão estava me matando. Eu envolvi a cintura dele nos meus braços e o ergui levemente do chão, apenas para que eu pudesse encaixar meu membro em seu ânus e começar a penetrá-lo aos poucos.
No momento que eu comecei, Kiku soltou um gemido de dor, fazendo uma careta e deixando-o bem desconfortável, eu o abracei o mais forte que pude para distraí-lo dessa dor e continuei forçando para dentro.
–Ah, Alfred. –Gritou Kiku, cravando as unhas nas minhas costas, eu urgi com isso, porque foi tão bom. –Para!
Eu o obedeci prontamente e olhei para o seu rosto, contorcida em uma expressão de dor com os olhos beirando a lágrimas. Eu não queria vê-lo chorar e então o beijei nos lábios, estava pronto pra começar assim que ele estivesse pronto também. Deslizei minha língua para dentro da sua boca, brincando pouco com a sua língua, dessa vez foi ele quem quebrou o beijo.
–M-Mova.
Nem pensei duas vezes antes de começar a me mover, lentamente para que ele se acostumasse, mas não sei por quanto tempo eu aguentaria, estava louco de tesão por aquele japonês.
Conforme eu ia aumentando o ritmo das estocadas, seus gemidos ficavam mais altos e roucos, às vezes ele nem terminava um gemido e eu o beijei mais uma vez, dessa vez foi o beijo mais desajeitado que já demos. Sim, superou o primeiro beijo. Era algo misturado com saliva e gemidos, eu segurava em sua cintura com força e em questão de instantes a penetração estava em um ritmo frenético.
Minha mão direita foi até o pênis esquecido de Kiku e eu voltei a masturba-lo, quase no mesmo ritmo que eu o estocava, dava beijos em seu rosto e pescoço, às vezes até alguns chupões para deixar claro que ele me pertencia. Vou olhar todos os dias para essas marcas e perceber o quão longe Kiku chegou por mim.
O cheiro de todo o local era de suor e sexo, os únicos sons que ouvia era os meus e os de Kiku em um ritmo totalmente desconexos, meu corpo grudava no ele, agravando devido ao suor, eu podia sentir as gotículas escorrendo pelo meu rosto e tive que tirar os óculos para não me atrapalhar. Mesmo apenas enxergando um borrão de um japonês, eu podia memorizar cada detalhe do rosto de Kiku, era lindo.
O primeiro a atingir o orgasmo foi ele que não se aguentava mais de tanto prazer, acabou gozando em minha mão. Sujou também sua barriga e até respigou no peito. Havia uma onda de calor em torno da gente e isso me fez aumentar a velocidade das estocadas, até que eu chegasse no meu próprio limite e gozasse dentro dele.
Eu cai sobre ele, em completa exaustão. O quarto todo que antes estava repleto de sons entrou em silêncio total, exceto pela minha respiração e a de Kiku. Aliás, respirações altas, pois estávamos claramente ofegantes. Estando sobre o corpo do meu amante, eu podia ouvir o seu coração que estava muito acelerado. Recuperei o fôlego para puxar meu pênis flácido para fora do Kiku e virei meu corpo, sentindo minhas costas baterem no chão coberto de lona.
Puxei o corpo de Kiku para o meu corpo e ele não hesitou em colocar a cabeça sobre o meu peito, ainda respirava ofegante.
Não teve tempo de dizer nada, porque em minutos, nós dois já tínhamos apagado.
0o0
Eu acordei horas depois, olhei pela janela e vi que o sol se punha lentamente. Da última vez que eu lembrava estava ainda muito ensolarado. Permiti dar um bocejo preguiçoso e acariciei minha cabeça para uma leve dor decorrente da falta dos óculos. Girei meu corpo para pegá-los ainda largados no chão e olhei para os lados, vendo que Kiku não estava mais lá.
Levantei-me e peguei minhas roupas no chão, digo, só a cueca e a calça, pois não achei a minha cabeça. E caminhei, ainda um pouco grogue para a escada até a cozinha. No mesmo lugar que eu o encontrei assim que cheguei ele estava lá, sentado na cadeira, com os cotovelos apoiados a mesa, ele olhava para alguns passarinhos brincando no lado de fora. Estava com um olhar preocupado no rosto, me pergunto se ele não está pensando naquele irmão que está preso.
Pelo menos o mistério da camisa estava solucionado, pois ele a usava. Devo admitir que ficava mais fofo nele do que em mim, ficava excepcionalmente grande e largo. Eu sorri com aquela paisagem linda.
Aproximei-me sorrateiramente dele e o abracei por trás. Ele pulou por um segundo de susto, mas se acalmou quando confirmou que era eu.
–Finalmente acordou. –Disse ele com um grande sorriso nos lábios, que mostravam todos os seus dentes.
Eu levantei uma sobrancelha.
–Dormi por tanto tempo assim?
–Eu diria que sim. Deu até tempo de eu... me banhar. –Ele disse as últimas palavras um pouco baixo e corou em seguida, desviando o olhar. Eu dei um sorriso malicioso e beijei-lhe o rosto.
Afastei-me um pouco apenas para ver as marcas que eu deixei. Estavam arredondadas e roxas, do jeito que eu gosto. Eu abracei sua cintura e o ergui daquela cadeira, levantando-o, por um momento a camisa ergueu e eu adorei ver a bunda dele exposta por um momento.
Em resposta, ele abraçou o meu pescoço, dando um beijo simples na minha bochecha.
–Você poderia dormir aqui. –Kiku disse, eu comecei a ataca-lo de beijos e ele riu antes de abraçar o meu pescoço com força, como sempre fazia.
Então eu beijei-lhe nos lábios, era tão bom essa sensação, ele era tão doce. Se pudesse, eu ficaria aqui pra sempre.
–Eu dormi aqui ontem, o Arthur iria suspeitar. –Abri um sorriso um tanto triste em recusar uma oferta tão tentadora.
Então eu abri um sorriso novamente e o peguei no colo, levanto-o até a salinha de frente a porta principal. O presei na parede e comecei a beijar seu pescoço de novo, ouvindo doces risadas vindo dele, mas de repente elas pararam. Eu estranhei isso, pois foi súbito, eu levantei a cabeça para Kiku e o vi olhando para um ponto fixo, seus olhos estavam assustadoramente arregalados.
Virei o rosto para onde eu olhava e foi a minha vez de arregalar os olhos. Parado na porta estava Arthur, estático que me olhava em choque. Toda a cena parece ter congelado e era a mesma expressão, ainda que em rostos diferentes.
–Arthur... –Eu fui o primeiro a quebrar o gelo.
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