Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
11 Robert e Darget: O que?
Notas iniciais
Levantei-me e olhei para a cama de Darget: Ele estava ali,lendo.
– Sua mãe disse que não vai ter escola hoje. – Diz Darget. – Reunião dos professores.
Não respondi ele,apenas espreguicei-me e voltei a dormir,como dormir era bom!
Mãos frias acordam-me novamente: Darget.
– Almoço. – Ele diz,depois,sai do quarto.
Troquei aquela camisa de malha que eu sempre usava para dormir,tinha manga curta e era cinza desbotado,também mudei a bermuda surrada que eu também usava para dormir por uma calça jeans.
Desci as escadas e fui em direção à cozinha,lá deparei-me com minha família,menos o meu pai que nos dias de semana não almoçava em casa,Maramon e o “rei das trevas” sentados na mesa,já se servindo.
Sentei-me e me servi,o almoço hoje estava bom...Por que as vezes mamãe inventa de fazer umas coisas “saudáveis”,o que fica terrível.
Voltei para o meu quarto,liguei o playstation e comecei a tentar passar dos níveis,quando Darget entra no quarto,ele pergunta:
– Por que joga tanto isso?
– Por que eu quero. – Respondi amargamente.
Ele se calou,observando-me jogar,disse:
– Você tem que prestar mais atenção na torre,ela é quem te faz perder.
Não sei o porquê,mas foquei mais naquela torre,e não é que ele estava certo?
– Quer jogar? – Perguntei sem olhar para ele. – Dá pra dois.
– Eu não sei jogar.
Olhei para ele: Estava em pé,olhando para mim.
– Eu...Eu te ensino. – Disse.
Foi fácil ensinar o “rei das trevas” a jogar,mas as vezes ele cometia umas mancadas tão imbecis no jogo que eu ria tanto que meu estômago começava a doer.
Ele se esforçava,até demais,porém eu sempre o vencia,e era divertido ver a cara dele de “você vai ver só”.
– E aí,rei das trevas,que tal um multiplayer? – Eu ri um pouco. – Lá você encontra de tudo,até pessoas piores que você.
Darget riu.
– Quem?Você?
– Ei,fui eu que ganhei seis vezes de você!
Darget olhou para a tela,depois para Robert,e por fim disse:
– Isso é por que você fica o dia inteiro jogando.
Não sei porquê,mas começamos a rir juntos do nada.
Darget parou de rir do nada,depois encostou em sua ferida.
– O que foi? – Perguntei.
– Nada...Só que as vezes ela...Dói muito.
– Você deveria passar um antídoto aí. – Pensei um pouco. – Maramon têm veneno nos dentes.
Darget suspirou fundo.
– Espero que não seja... – Ele sussurrou.
– Seja o que? – Perguntei.
– Nada. – Ele pensou. – Já passo antídotos,os que Tobeliey fez para mim,mas não parecem ser muito eficazes,só...Amenizam.
– Os da Anne bastaram em mim... – Disse alisando o que antes estava horrendo.
– É mais fácil os antídotos surtirem mais efeito em humanos ou até em criaturas do que em vampiros... – Ele pensou mais um pouco. – E Anne é uma feiticeira muito poderosa.
Congelei: Era mesmo!Darget e Anne faziam trabalhos juntos!
– Conhece muito sobre ela? – Perguntei,esperançoso.
– Não muito. – Ele disse.
– O que sabe sobre ela? – Perguntei rapidamente.
– Nada de muito relevante... – Ele sorriu. – Só que ela é uma garota fria,e adora brincar com as pessoas,porém doce. – Ele deu de ombros.
– Eu não acredito nisso... – Disse,emburrado.
Darget espriguiçou-se,olhou para o relógio de parede que eu tinha perto de uma espaçosa janela e disse:
– Olha a hora!Está na hora de irmos.
Maramon chegou no quarto gritando.
– Está na hora! – Disse entrando,depois parou,e por fim retomou: — O que deu com vocês?Fizeram uma trégua?
Eu e Darget nos entreolhamos e...Era verdade,estavamos nos dando bem até.
– Você é um grande intrometido. – Eu disse.
Darget não disse nada,apenas abaixou a cabeça enquanto Maramon estava ali.
Eu e ele levantamo-nos do chão e saímos,ir para treinamento de Tobeliey...Uma coisa bem chata.
Mamãe sempre perguntava para onde íamos,e eu sempre respondia que íamos ao parque e dar uma volta pelas redondezas com Maramon,o que a agradava.
Então,fomos ao treinamento.
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Chegando lá,Darget foi ao encontro de Madalena,que estava perto de uma árvore,observando as folhas se movimentarem.
– Finalmente não chegou atrasado! – Disse Luke.
Não o respondi,por que aquele cara tinha que ser tão idiota?
– Bem-vindos,Robert e Maramon. – Disse Tobeliey sorrindo.
– Quando que vamos fazer coisas legais aqui? – Fiz uma breve pausa,depois continuei: — Tirando as tentativas de assassinato,por favor.
Tobeliey sorriu,depois continuou:
– Para a sua alegria,é hoje que conheceremos mais a divisão dos poderes entre humano e animal mágico. – Disse Tobeliey sorrindo malignamente,depois disse: — Todos aqui!No meio do centro de interligação!
Era impressão minha ou Tobeliey tinha...Mudado um pouco?
Todos o obdeceram.
– Hoje aprenderemos mais sobre a divisão dos poderes entre vocês e seus animais. – Ele pensou um pouco. – Sei que Robert e Luke já conseguiram a divisão,porém nenhum conseguiu usar. – Ele riu. – Ah,e mais uma coisa... – Ele olhou para mim e Maramon. – Seria bom se vocês soubessem o poder... – Ele voltou o foco para a turma inteira. – Madalena e Mily terão que aprender a divisão também,coisa que explicarei particularmente à vocês duas. – Ele suspirou. – Enquanto eu explico para as duas,vocês aí podem fazer a divisão de poderes. – Ele olhou para o vampiro. – E você,não os ajude.
Fui tentando a divisão com Maramon,o que não conseguimos três dolorosas vezes,o processo era simples: Concentrar-se em seu animal mágico,a respiração,os pelos,a energia...E ele concentrar-se em mim,tendo como meio imaginar sentir seu poder sendo repartido.
Tobeliey voltou.
– E vocês. – Ele olhou com rancor. – Já conseguiram?
– Não... – Todos nós,todos mesmo,dissemos em uníssono.
– São uns imprestáveis mesmo... – Ele fez uma pausa. – Vou dar mais quinze minutos para isso,se não conseguirem. – Ele estendeu o olhar para Madalena e Mily. – Podem voltar para casa.
Engoli em seco. O que havia acontecido com Tobeliey?
Tentei mais com Maramon,até que conseguimos...Em cima da hora,Luke e Greg também haviam conseguido,e Madalena e Mily também.
– Todos conseguiram? – Disse Tobeliey levantando-se do gramado.
– Sim... – Dissemos todos ao mesmo tempo.
Ele olhou para Madalena e Mily.
– Foram rápidas,em quinze minutos conseguiram isso. – Ele agora,olhou para nós. – Vocês que são uns imprestáveis mesmo,demoraram uns trinta minutos para algo que daqui a um tempo tem que fazer em cinco segundos,no mínimo.
Sério...O que havia acontecido com ele?
Aquele treinamento foi estranho...Tobeliey estava diferente,estava...Grosso,frio...Bem,no resto do treinamento,Tobeliey ficou brigando conosco pois não conseguíamos usar os poderes – e principalmente comigo e Maramon que nem sabíamos qual poder era.
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Cheguei em casa exausto,por alguma razão,aquilo cansava mais que fazer abdominais.
Já em meu quarto,caí de cara na cama,estava com sono,cansado,e precisava de um bom banho...
– Foi tão cansativo assim? – Perguntou Darget.
– Foi. – Respondi ainda com a cara na cama,o que fez minha voz ficar abafada e,infantil.
– Quer tomar banho primeiro? – Pergunta Darget.
Ouvi um barulho estranho.
– Por que não tomam um banho juntos? – A voz que eu reconhecia parou duranto um momento. – Adoro uma cena dessas.
Anne!Ela havia voltado!
– Anne! – Disse levantando a cabeça.
Observei ela: Estava sentada na janela,com uma roupa gótica,e a maquiagem igualmente gótica...Ela estava sorrindo.
– Prefiro fazer isso sozinho... – Começou a dizer Darget. – A não ser que uma dama aqui queira me acompanhar.
Anne riu.
E eu...Fiquei com ciúmes,quem não ficaria?
– Ah Darget... – Ela começou a dizer. – Desculpe,mas meu tempo de travessuras com você acabou.
O que ela quis dizer com isso?
Darget somente riu.
– Eu estou aqui,se o casal não se importar. – Disse friamente.
– Não precisa ter ciúmes. – Disse Anne. – Eu vim te ver,Robert.
– V-ver-me?
– Sim,a ferida não voltou?
– Não... – Fiz uma pausa. – A propósito,obrigado.
– Não tem de que... – Ela olhou para Darget. – O que aconteceu no seu pescoço?
– Maramon mordeu-me.
– Seu mestre é surdo ou o que?A mordida daquele animal é venenosa... – Ela suspirou. – Deixe-me ver.
Darget tirou aquele enorme curativo composto por faixas brancas,que ele aumentava a cada hora,e lá se viu uma ferida feia,que estava negreando a pele e já havia grandes manchas roxas nela.
Anne estremeceu,saiu da janela e chegou mais perto de Darget.
– Tome. – Ela ergueu um frasco igual ao que ela tinha,que me curou. – Não use tudo,não vai adiantar,use aos poucos...Para dar mais tempo... – Ela suspirou. – Sinto muito,Darget.
Aquilo parecia uma depedida,por que?
Então,como sempre,a garota desapareceu daquele jeito estranho dela.
Fiquei observando Darget.
– Impressão minha ou ela ficou com pena de você por algo bem pior que a ferida? – Perguntei.
– Apenas esqueça. – Disse Darget.
Bufei.
– E o que foi aquela do banho?
– Isso... – Ele deu um sorriso. – Eu e Anne brincamos com isso.
– Que bom que é só brincadeira,então.
– No passado não era.
– O que quer dizer com isso?
– Nós namoramos um tempo.
Fiquei tonto.
– Isso é...Sério? – Perguntei,com a voz fraca.
Darget suspirou.
– Quero abrir o jogo com você,já que gosta de Anne. – Ele fez uma pausa. – Eu e Anne namoramos à um tempo atrás.
Quase desmaiei.
– V-você amava ela? – Perguntei.
– Não.
– E ela te amava? – Perguntei temendo a resposta.
– Não sei... – Darget pensou. – Acho que era só atraída pelo meu corpo.
Sorri de desgosto,porém uma calma me veio,pelo menos...Pelo menos ela talvez não o amasse.
– Isso foi à pouco tempo? – Perguntei.
– Há uns cinco anos.
Espera...Cinco anos?Mas Anne era tão jovem e...Ela vivia mais?Atrasava em envelhecer?
– Ela...Tinha dez anos. – Ele sorriu. – Sei que é estranho,e parece tabu.
Eu ri.
– Vocês não faziam nada demais,faziam? – Ri mais ainda. – Tipo...Ela tinha dez anos!O que uma garota de dez anos poderia fazer com um garoto com corpo de quinze?
Em meio aos risos,vi a cara séria de Darget.
– Faziamos...Várias coisas. – Ele deu um sorriso malicioso.
– Isso é pedofilia!
Ele riu.
– O que te atraiu numa garotinha de dez anos? – Disse com desdém.
Darget suspirou.
– Ela que insistiu muito em começar algo comigo... – Ele fez uma pausa. – Era possessiva,então começamos a namorar.
– Não podia chutar ela pra outro canto? – Perguntei,quase gritando.
Ele pensou um pouco,depois riu.
– Poderia...Mas eu a quis.
– Estou começando a acreditar na ideia de que você é um pedófilo. – Pensei um pouco. – Daqui a pouco irei ter que esconder Tulipa de você.
– Na época eu aceitava de tudo. – Ele suspirou. – Também gostava das poções dela,ela sempre me dava um pouco,um momento era a língua colorida,em outro o quarto explodia...E assim ia indo,porém ela era habilidosa...
– Por que terminaram? – Perguntei seriamente.
– Por que quisemos. – Ele sorriu. – Contudo a amizade contiunou.
– Entendo... – Disse,sentindo o meu coração bater rápido,aquilo tudo era muita informação,muita coisa tinha acontecido num dia só.
– Está tudo bem? – Perguntou Darget.
– Você disse que não sabia nada relevante dela...
– E não sei. – Ele suspirou. – O que eu te disse naquele momento é o que eu sei de mais relevante.
Suspirei.
– Você...Como descobriu que gosto de Anne? – Perguntei.
– Vejo áureas...E a sua fica bem agitada quando a vê,seu corpo... – Ele disse. – E seu rosto cora.
Estremeci,eu ficava um idiota.
– Então,era divertido ser um pedófilo? – Perguntei,mudando de assunto.
– Na maior parte das vezes,era. – Darget pensou. – Tinha um menino de nove anos que era meio masoquista,não gostava muito disso.
Eu ri,ele estava brincando,não estava?
– Está zoando comigo,não está? – Perguntei rindo.
– Não. – Ele disse.
– Então você joga dos dois lados...Interessante. – Ri com um pensamento. – Espero que não se apaixone perdidamente por mim.
Darget ergueu uma sobrancelha.
– Conta outra... – Ele disse rindo. – Já achei quem eu quero ficar para sempre.
– Madalena? – Perguntei.
– Sim... – A voz de Darget ficou abafada.
Pensei um pouco...Espera,Madalena era apaixonada por mim...
– Ela vai gostar de você. – Eu disse.
– Não sei... – Ele suspirou. – Parece que ela gosta de ser maltratada.
Senti-me um pouco ofendido.
– É verdade... – Concordei.
Ficamos em silêncio durante um tempo,quando Maramon entrou alegremente no quarto:
– Vai ter pizza!
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Ainda era de noite,quando eu terminei o sexto pedaço de pizza.
– Você come muito! – Diz Tulipa.
– Calada.
– A Manoela diz que você mastiga engraçado.
Bufei,que garota irritante!Não,as duas!Pior que só eu de sanidade conseguia ver uma delas.
Mamãe e papai se entreolharam,rindo.
– Cara,que bom que eu não sou o irmão do meio. – Diz Roger.
Revirei os olhos.
– Darget. – Disse Tulipa mastigando. – Você quer namorar comigo?
Todos começaram a rir,menos Darget,que a olhava com uma cara de travesso para a pequena,eu estava com medo da resposta.
– Sinto muito... – Ele disse sorrindo. – Talvez quando você crescer,ok?
Vi brilho nos olhos de Tulipa.
– Ok! – Ela disse alegremente.
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Já era hora de dormir,e Maramon estava invadindo a cozinha,então aproveite para perguntar mais coisas à Darget:
– Sabe... Essas pessoas com quem você namorava...Elas eram do submundo? Tipo...Nasceram lá,e tudo? – Fiz essa pergunta de minha cama.
– Não...Bem,a maioria eram feiticeiros...Nenhuma criatura nasce no submundo. – Ele suspirou. – A maioria dos feiticeiros começa a entrar no submundo já muito,muito jovens...E lá a gente se encontrava. – Respondeu Darget de sua cama.
– Você realmente se aproveitava de criancinhas inocentes. – Disse em tom de reprovação.
– Inocentes? – Ele riu. – Elas é que se aproveitavam de mim.
– Eram só crianças?
– Não. – Ele riu. – Haviam de todas as idades.
Bufei.
– Você deveria de adorar...Deve de odiar Maramon por ter te tirado de lá.
– Bem...Eu queria sair de lá,o submundo não é um lugar legal para muitas pessoas.
– Sei... – Iria perguntar algo,porém outra pergunta me cruza: — Como você virou um vampiro?
– Vou dormir. – Disse ele ignorando a minha pergunta,e por fim,virando de lado.
Suspirei.
Não sabia muito bem como,mas tinha feito uma pequena...Amizade com o “rei das trevas”,apesar de ele ser meio fora da lei(pedofilia),ele é uma boa pessoa...Sabe,pensei que ele não tinha personalidade,venho pensado isso das pessoas à muito tempo...Acho que,desde que nasci,e isso era tão...Triste.
Sonhei de novo com Maria,ela dizia palavras como:”Morte”,”guerra”,”falsidade”,”tormento”e etc...Além disso,senti dores...E eram dores corporais,muito fortes...E uma dor na alma inabalável,acho que eu estava chorando,quando uma voz me acordou:
– “À noite me colocarás sob uma redoma de vidro.Faz muito frio no teu planeta.Não é nada confortável.De onde eu venho...”.
Era Darget.
– O que é isso? – Perguntei para o vampiro que estava sentado na borda de minha cama.
– É um livro chamado “O Pequeno Príncipe”.
– Por que está lendo ele assim? – Perguntei.
– Minha mãe lia livros para mim quando eu tinha pesadelos...Sempre adiantava.
Sorri.
Ele realmente era um bom amigo.
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