Notas iniciais
"Isso não é da sua conta".

Acordei,como naquela vez,numa floresta sombria,fria e desconfortável,mas desta vez haviam olhos sobre mim: Crianças.

Elas sorriam,um tipo de sorriso assustador,usavam roupas ensaguentadas,porém as roupas não estavam rasgadas muito menos seus corpos estavam machucados.Observei mais: Eram quatro,três meninas e um menino.

– O que aconteceu com vocês? – Perguntei,tentando levantar e os observando,eu estava de barriga para baixo.

– Olha,ele está fresquinho. – Disse uma das meninas,ignorando minha pergunta.

– Está mesmo. – Disseram os outros três.

Aquelas crianças foram se aproximando mais de mim,com aqueles sorrisos psicóticos,e mexiam as mãos,fingindo estar amaciando minha pele.

Os olhos não eram humanos.

Aos poucos que se aproximavam,percebi que suas orelhas normais foram ficando maiores e pontudas,parecendo duendes,e nos olhos,lá estava apenas uma pequena bolinha preta em meio ao mar de branco daqueles olhos arregalados.

Dei um grito e em um pulo levantei-me,indo rapidamente para trás,esbarrei em uma árvore,eu estava rígido e tremendo,o que estaria acontecendo?Será que eu estava no...

– Submundo? – Sussurrei ao mesmo momento que um vulto com uma coisa brilhante veio,na minha frente.

Depois vi apenas vermelho,sim,vermelho..Sangue,pois era líquido,estava no ar,porém logo se transformou em um pó negro,caindo lentamente naquela grama escura e úmida.

– Você realmente não serve para nada.

Observei mais à minha frente,um homem alto,coberto por uma capa grossa e preta,a única coisa que dava para ver era sua cabeleira escura e curta,porém parecia sedosa e bem cuidada.

– Quem é você? — Quando falei saiu uma espécie de fumaça branca da minha boca,era isso o que acontecia quando se falava em um lugar muito frio.

– Quase morto por simples Zashiki-warashi... – Ele se virou,revelando sua face. – Ou seja,crianças.

Olhei mais aquele homem,não queria admitir,mas ele era incrivelmente interessante,seus olhos eram de um castanho claro com escuro,o escuro estava mais na borda do globo ocular,e mais para dentro,claro...Parecia um tipo de luz e sombra.Seu cabelo era curto,um castanho claro,e sua pele era normal,nem mais branca e nem mais morena.Parecia ter uns vinte e quatro anos,sua barba estava começando a crescer.

Ele estava segurando uma espada.

– Parece que você não tem muitas palavras. – Ele disse,sua voz era grossa,porém...Suave?

– O que são... Zashiki-warashi?

– Algumas crianças que foram maltratadas quando viviam,algumas protegem lares,porém outras...Essas ficam traumatizadas com a injustiça que tiveram e tentam se vingar em todas as pessoas que encontrarem.

– E as orelhas?

– Pequeno descontrole.

Estremeci.

– Vamos andando,Belzebu lhe aguarda. – Ele disse,depois começou a andar.

Belzebu?Espera...

Pensei se poderia confiar ou não,e cheguei a conclusão que era seguir ou ficar ali e esperar uma outra criança zumbi aparecer.

Segui ele sem dizer nada,apenas observando aquele lugar assustador,eu tremia com o frio que ali fazia,olhei para o céu e vi o mesmo que tinha avistado quando fui para o submundo: vermelho e cinza,nublado.

Eu realmente estava no submundo.

Eu,submundo e o meu pijama branco com bolinhas azuis que a minha mãe achou “a coisa mais fofa”.

Ele parou e olhou para mim,que tremendo,encarei seus estranhos olhos.

O homem tirou a capa que usava revelando uma túnica preta,foi em minha direção,ao que eu recuei uns passos,porém ele persistiu e colocou a capa em mim.

– Os humanos não duram muito tempo aqui,tente manter-se aquecido.

– Qual é o seu nome? – Perguntei com a voz tremula.

– Samyaza.

Aquele nome por alguma razão me trouxe alegria.

Como eu não disse nada,voltamos a andar naquela floresta sombria,um tanto vazia,solitária,pouco se ouvia nela.

– Essa é a floresta do Norte,a mais inofensiva do submundo.

– Você é o que? – Perguntei.

– Eu?Eu sou um demônio.

Parei de andar,ele percebendo,disse sorrindo para mim:

– Por que a surpresa?Não fui eu que fiz um pacto com Belzebu.

– Não fiz pacto algum.

– Veio para cá em troca da cura de Darget. – Ele disse com a voz sombria.

Arregalei os olhos.

– Conhece Darget?

– Claro. – Ele riu. – Eu era o antigo mestre dele.

Eu queria sair correndo dali,mas para onde iria?

– Nem pense em sair correndo daqui,eu posso te cortar no meio. – Disse Samyaza percebendo o meu desespero.

Como eu não disse nada,aquele sujeito estranho voltou a andar.

– Sabe. – Disse ele enquanto andava. – Darget era habilidoso,porém muito desobediente,muitas vezes ele negava o que eu mandava.

– O que você mandava?

– Destruir uns feiticeiros ou interligados que incomodam de monte por aqui,e outras...Coisinhas.

Estremeci.

– Quer um doce? – Ele perguntou,tendo em mãos um pirulito.

– Não.

Ele deu de ombros,e mantendo o doce em suas mãos,aquilo transformou-se em um pó negro,e caindo,foi sumindo por completo.

– O que foi isso? – Perguntei assustado.

Ouvi um riso.

– Nunca ouviu histórias sobre mim?

– Não.

– Eu sou Samyaza,o quinto e último da lista dos demônios mais poderosos de todo o submundo,possuo todas as florestas e um contrato...E a minha pequena habilidade especial são os sortilégios...Ou seja,um tipo de macumba misturado com sedução e materialização de coisas.

– “Quem ensinou os sortilégios aos humanos”. – Eu disse,relembrando de uma história,contaram ela ao redor de uma fogueira,quando eu acampei com os escoteiros.

– Ah,lembrou!Tipo isso. – Ele falou piscando.

O resto do caminho andamos sem dizer mais nada.

– E chegamos! – Disse Samyaza.

Tirei meus olhos daquela grama escura e os ergui: Deparei-me com um imenso castelo sombrio,e ao redor dele milhares de guardas com uma espécie de...Cachorro de três cabeças?

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Tive que ficar esperando em uma sala,sentado numa poltrona vermelha de veludo,com Samyaza e mais um outro cara sentados em um sofá de frenta para a poltrona,sua pele era negra,já não tinha cabelos e seus olhos eram negros também,usava uma capa,igual ao que eu estava usando: veludada e pesada,eles conversavam alegremente sobre como os humanos eram idiotas em jogar tanto sal em um saleiro,e adivinhem?Eu não estava entendendo nada.

– Então esse é o garoto? – Disse o homem sem cabelos.

– É sim,o Robert. – Disse Samyaza.

– Ei garotão,já viu playboy? – Perguntou aquele homem sem cabelos.

Os tarados reinam em qualquer lugar.

– Não. – Respondi.

– Azar o seu,heim! – Ele riu. – Feche os olhos quando entrar na salinha do Belzebu,ele é um devorador! – Disse com certa selvageria o homem que parecia ter uns quarenta anos.

– Pare de brincadeiras,Leviatã,ele só tem treze aninhos.

– É a hora da puberdade humana!

Tossi.

– Olha a cara de criança dele,aposto que ainda tem medo de escuro! – Disse Samyaza.

– Ele não é igual a você,irmãozinho. – Disse o que eu pensei ser o tal “Leviatã”.

Ouvi um estrondo,e uma voz que eu temia,aquela voz apareceu:

– Parem de se divertir em meus aposentos.

Olhei para ver quem era o possuidor daquela voz cortante.

Um homem que parecia ter uns trinta anos,era alto,sua pele era extremamente clara,porém alvo,e seu cabelo negro ia até o chão,ele voltou a dizer:

– O bom filho à casa torna. – Disse olhando para mim,com um sorriso.

O que ele queria dizer com isso?Com a minha última viajem no submundo?

– Samyaza e Leviatã,retirem-se. – Ele voltou a dizer.

– Sim,senhor. – Disseram os dois em unissono.

Eles levantaram-se,curvaram-se para aquele homem e depois sairam.

– Então,fico feliz que tenha aceitado. – Disse o homem sentando em um sofá de couro,que antes estava ocupado por aqueles dois homens.

– Onde está a cura?

Ele botou sua mão de dentro da capa e tirou um pequeno frasco de vidro com um líquido transparente.

– Eu irei dar ele a você por uma condição.

– Qual?

– Dê-me o seu poder.

Como assim?Não era só ir ali conhecer ele e pronto?

– Apresente-se primeiro,quem é você?

Ele deu um pequeno sorriso,parecia estar gostando,idiota.

– Eu sou Belzebu,o demônio mais poderoso e rei do submundo.

Que merda.

– Eu sou Robert.

– Lindo rosto,pena que me lembra uma certa pessoa um tanto desagradável. – Ele suspirou. – Então,aceita a minha proposta?

– Não era só conhecê-lo que eu iria ter a cura?

– Você é um garoto realmente inocente.

Suspirei,desanimado.

– Meu poder é inútel.

– Então dê ele a mim.

– Eu não gosto de você.

Ele encostou mais para trás no sofá.

– Isso vai ser difícil.

Bufei.

– Com quem que meu rosto se parece?

– Isto não é do seu interesse.

– Por que quer tanto assim o meu poder?

– Você está fazendo muitas perguntas.

Encolhi-me mais na poltrona,o frio parecia ter aumentado quando ele entrou ali.

– Não gosta do frio? – Perguntou “Belzebu”.

Acenti com a cabeça.

– O calabouço é bem frio.

Eu ri um pouco,Belzebu por sua vez levantou uma de suas sombrancelhas e disse:

– Agora eu irei segurá-lo,e tirarei seu poder. – Ele fez uma pausa. – Irá acordar em sua cama,com o frasco ao lado,essa é minha promessa.

– Não confio em você.

– É uma pena.

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– Como assim o Robert foi para o submundo? – Gritou Maramon.

– Explique-se melhor,Darget. – Disse Tobeliey.

– Eu não sei...Estava em minha cama e Robert na sua,era a hora de dormir...Senti um vento frio,o quarto ficou mais escuro do que já estava e eu...Senti aquela sensação terrível do submundo.

Todos estavam ali,apenas ouvindo,pasmos,e Madalena estava em um canto,quieta.

– Se ele foi,acho que ele quis. – Diz Luke.

– Talvez sim,talvez não,a minha pergunta é por que ele foi. – Diz Tobeliey.

– Que medo... – Diz Greg.

– Para de ser molenga,Greg!Vamos lá salvar o garoto rabugento de franja grande! – Diz Mily.

– Não. – Repreende Tobeliey,depois continua: — É muito perigoso,irei relatar o desaparecimento de Robert ao Conselho de Proteção do Reino.

– Existe isso,heim? – Perguntou Maramon. – Eu não ligo!Darget e eu iremos para lá,salvar ele!

– Já não te bastou,Maramon... – Uma voz doce o repreendeu. – Que você irá matar o Darget aos poucos? – Ela fez uma pausa chorosa. – Vai mesmo forçar ele a ir para um lugar que ele tanto odeia?

Era a pessoa que Darget mais amava.

– Isso não é da sua conta,Madalena. – Disse Maramon indiferentemente.

Notas finais
Então pessoal! Quem pode não deixem de comentar,por que se vocês pararem de comentar eu paro de publicar :p Eu sei,estou malévola hoje,huehu.