Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
10 Feiticeiros
Notas iniciais
Era a quinta xícara de chá de Anne,quando finalmente terminou de falar da nova coleção de CDs de uma banda de rock que ela tinha adquirido.
Tobeliey e Darget se entrolharam,depois esperaram para ver se ela dizia mais alguma coisa,porém ela não disse.
– Interessante... – Disse Darget,suas mãos serviam de apoio para a cabeça,estavam todos sentados envolta da mesa.
– Sim!Pena que o guitarrista mudou...Mas não importa!Sempre muda mesmo. – Ela tomou mais um gole do chá.
Darget bocejou: Já eram 4:00 horas da madrugada,e ela tinha chegado a exatamente quatro horas atrás.
– Mocinha... – Disse Tobeliey. – Ninguém lhe procura em um horário como este?Sei que feiticeiras são independentes no mundo mágico,mas muitas tem responsáveis nesse mundo um tanto...Humano.
– Está me expulsando? – Disse Anne. – Pode até ter alguém... – Ela sorriu. – Mas não me importo.
Tobeliey riu.
– Sua roupa é engraçada. – Disse Darget. – Essa é a famosa roupa de feiticeira?
Anne levantou-se,ficando totalmente visível para os dois.
Seu vestido era delicado,porém não tão delicado...Era estranho,um vestido negro ,era cheio pois haviam diversas bainhas que o enchiam por baixo,eram douradas...Ele ia até o joelho,a manga dele era uma manga diferente,vamos dizer que eram triângulos de cabeça para baixo...Ela usava sapatilhas pretas,polidas.
– Gostou? – Ela disse,depois girou.
Darget riu.
– Quantos anos você tem,Anne? – Pergunta Tobeliey.
– Tenho quinze. – Ela disse sorrindo.
Tobeliey acente com a cabeça.
– Então,eu vou indo! – Ela disse,virando-se para os dois. – Porém volto!
Então o corpo de Anne foi ficando transparente até...Desaparecer por completo.
– Elas usam esse tipo de roupa geralmente quando têm um encontro com outros feiticeiros,não é,Darget? – Pergunta Tobeliey,ainda olhando para o lugar que a garota havia desaparecido.
– Sim. – Respondeu Darget,bocejando. – Irei dormir.
Darget levantou-se e foi em direção ao único quarto que havia naquela minúscula casa,mas antes de entrar,Tobeliey disse:
– Amanhã,Darget...Terá que voltar para a casa de Robert,junto com Maramon.
Darget olhou Tobeliey,porém não disse nada,apenas continuou a sua dolorosa e lenta tragetória ao pequeno quarto.
Chegando ao quarto,Darget olhou sua cama,era simples,e quando ele deitava dava para sentir a madeira por debaixo do fino colchão e o que havia dentro do travesseiro: palha.Mas mesmo assim,ele não queria voltar para a casa do interligado do seu “mestre”.
Então,tendo esses pensamentos,adormeceu.
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Robert acordou-se,ainda pensando naquela garota...Numa garota que ele nem sabia sequer o nome!
– Maramon... – Ele disse,ainda deitado.
– O que é? – Perguntou Maramon de sua cama-almofada.
– Eu quero aquela garota...Traga ela para mim...
– De qual parte de “feiticeira independente” você não entendeu?
Robert bufou e odiou pensar que nunca mais a veria.
A porta do quarto se abriu lentamente,e de lá uma pequena garota de cabelos castanhos um pouco descoloridos surgiu.
– Irmãozinho... – Ela disse. – Você tem tinta?
– Pra que você quer tinta?
– Para brincar com a Manoela.
Achei ridículo,naquela ocasião,minha irmã já percebeu que a fedelha não conseguia pegar coisas,não é?Por que...Bem,acho que ela está morta...Ou ela consegue?Não importa,não vou gastar tinta com isso,além do mais,a gritaria das duas correndo pela casa sempre é atordoante.
– Não. – Eu disse.
– Por favor!Por favor! – Dizia Tulipa com voz esperançosa.
– Já disse que não.
Tulipa parou e resmungou,e por fim disse:
– Eu te odeio! – Então ela bateu a porta com a maior força que uma criança poderia bater.
– Deveria ter dado as tintas. – Disse Maramon.
– Não gasto as minhas coisas desse jeito.
Maramon bufou.
Passou-se o dia,eu não fiz muita coisa útil,apenas fiquei jogando video game enquanto a garota-fantasma me perguntava sobre Madalena,Tobeliey,o “rei das trevas” e companhia,também me disse para cuidar mais de minha ferida,aquela ferida estava me deixando preocupado...Ok que é certo,afinal,foi funda,porém...Meu braço estava ficando negro,a ponto que eu tinha que aumentar a quantidade de faixas,a menina me disse para dizer à Tobeliey...E toda essa conversa aconteceu com Maramon atazanando minha mãe(que quando viu o meu machucado quase desmaiou,porém não contei que foi o cachorro idiota)na cozinha.
Enquanto eu assistia uma reportagem sobre o “Acasalamento Dos Insetos”,Maramon chegou no meu quarto falando alto:
– Robert!Já estamos atrasados!
– Já estou indo.
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O treinamento com Tobeliey não passava de educação física,como sempre...Madalena e os outros favelados me perguntaram por que eu faltei ontem,e eu respondi que tinha uns “assuntos” naquela hora,Madalena demonstrou-se abalada,o que eu gostei.
– Tobeliey. – Disse enquanto faziamos abdominais. – Por que depois da sua casa é tão entranho?
– É um centro de treinamento de interligação,meu jovem. – Ele pensou um pouco. – Vamos dizer que fica nessa realidade,só que paralela.
Não disse nada,apenas continuei a fazer as abdominais.
– Esses negócios de interligados parecem ser tão chatos. – Disse uma voz familiar. – Nem comparado ao treinamento dos feiticeios.
Olhei para cima: Era ela!
Parei de fazer as abdominais e levantei-me,eu estava tão feliz!
– Jovem Anne. – Disse Tobeliey. – Você não pode interromper as aulas assim.
– Anne? – Perguntei.
Ela piscou para mim.
– Por que tanto ar de “boas vindas”? – Luke gritou agressivamente. – Ela é a garota que ajudou aquele vampiro `a capturar Madalena!
Olhei para onde todos estavam: Já estavam de pé,Madalena estava atrás de Luke,e os animais,menos Maramon,rosnavam.
– Não vou machucá-los. – Anne examinou cada um. – Eles não sabem nada mesmo sobre feiticeiros,sabem? – Ela pergunta olhando para Tobeliey.
– Achei que não seria preciso contar para eles tão cedo. – Tobeliey respondeu.
– Como assim? – Perguntou Luke,ainda raivoso,porém não gritando mais.
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Tobeliey acalmou a todos,chamou Darget e assim organizou uma roda,e Anne adorou participar,assim,foi explicando por Tobeliey:
– Feiticeiros e feiticeiras são seres na maioria das vezes “independentes”,ou seja,dependendo do trabalho e recompensa,eles aceitam fazê-lo.
– Como os caçadores de recompensas? – Perguntei.
– Como profissionais do sexo,Robert querido. – Ela pensou um pouco,e depois disse: — É,é isso.
Tobeliey deu um meio sorriso e continuou com a voz “abafando um riso”:
– Bem...Caçadores de recompensas?É parecido,Robert.
– Tem diferentes tipos de feiticeiros? – Pergunta Maramon.
– Tem...Bem,tem os “puros” e os “mistos”,os puros é a união de um casal de feiticeiros com poderes obscuros,negros,esses quase sempre realizam trabalhos postos pelo submundo.Também tem os puros da união de um casal com poderes claros,de luz,esses quase sempre também realizam trabalhos para o pessoal do Reino. – Ele tomou um pouco de folego,depois continuou: — E os mistos,bem,estes são a união entre dois feiticeiros de poder do bem e do mal,porém,a criança não nasce com os dois poderes,sempre com um dos dois,geralmente o poder relevante.
– Qual deles você tem,garota? – Pergunta Luke.
– Eu faço parte do grupo dos “santos idolatrados”. – Ela mostrou a língua. – Poderes limpos,garoto,uma chatice.
Todos ficaram pasmos,menos o “rei das trevas” que estava com a mesma cara de sempre,aquilo nunca muda.
– M-mas você ajudou os do submundo e... – Começou Madalena,mas Anne a cortou:
– Você por acaso sabe o que significa “quase sempre”? – Perguntou Anne em tom ameaçador,o que eu percebi uma cara feia em Darget,porém Anne logo alegrou-se,e disse: — Oh Meu Kami-sama!Sou uma herege!Cadê a Fogueira Da Inquisição?
Forcei-me para não rir.
– Certo,certo... – Disse Tobeliey.
– O que está fazendo aqui? – Perguntou Luke com um tom de “eu te odeio”.
– Só salvar a vida do seu “amigo” aqui. – Ela disse,tirando de sua bota de cano alto um pequeno frasco.
Ela pegou o meu braço e desenfaixou,o que causou surpresa em todos: Estava ficando cada vez mais negro,com pequenas manchas roxas se formando.Anne abriu o frasquinho,o que exalou um perfume de rosas,depois pingou duas gotas dele em meu machucado,o que ardeu um pouco,e pensei ter visto fumaça,contudo meu braço foi...Voltando ao normal,então,ela pingou mais quatro gostas,o que ardeu ainda,fazendo-me fechar os olhos,porém quando abri tive uma surpresa: Tudo havia sído curado.
– Quando se tem uma ferida assim,deve arranjar um antidoto,sabe? – Ela revirou os olhos. – Produtos mágicos que curam,essas feridas...Matam,e tem algumas que até contagiam... – Ela respirou fundo,olhou para Maramon e disse: — Tome cuidado com os seus dentes,cachorrão,pode ter veneno neles.
Ela olhou para mim com doçura,aproximou-se e deu um beijo em meu rosto.
– Anne eu... – Comecei a dizer,porém ela interrompeu-me.
– Quem sabe nós nos vemos de novo? – Ela disse,depois...Simplesmente pareceu que seu corpo começou a ser apagado,e assim ela desapareceu por completo.
– Odiei o senso de moda dela. – Disse Mily. – Quem usa bota de cano alto e vestido longo em pleno verão?
– Calada... – Eu disse.
Acho que eu...Estou enfeitiçado.
Tobeliey suspirou,depois disse:
– Então é isso,feiticeiros e feiticeiras são independentes,a não ser que sejam...Capturados,aí é outra história. – Ele olhou para seu relógio de pulso. – Podem ir,porém quero que Darget,Robert e Maramon fiquem.
Saí de meu transe ouvindo aquilo.
Todos foram indo embora,e ficamos nós ali: Tobeliey,eu,Maramon e o “rei das trevas”.
– Darget voltará com vocês hoje. – Disse Tobeliey.
– Certo. – Disse Maramon.
– Droga. – Sussurrei.
– Agora aposto que o pó de ilusão já parou de fazer efeito. – Disse Tobeliey. – Não se assustem se eles virem com conversas que não aconteceram nesses dois dias,é efeito do pó.
Eu e Maramon acentimos.
– Eu não poderia...Ficar aqui? – Perguntou Darget.
– Darget...Seu lugar é com seu mestre. – Disse Tobeliey.
– Você vêm comigo. – Disse Maramon.
– Por mim faria um grande favor se ficasse. – Eu disse.
Darget suspirou e abaixou a cabeça,parecia desanimado.
– Não gosto de ficar lá. – Disse ele olhando para Tobeliey. – Robert e Maramon são uns idiotas!
Vi apenas um vulto negro passar pela minha frente e ir em cima de Darget,que estava agora contra o chão,depois ouvi um grito.
Havia sangue na boca de Maramon quando ele saiu de cima do vampiro.
Ergui minha cabeça para ver o que aconteceu: Havia uma mordida no pescoço de Darget.
Ele gemia e tremia com aquilo.
Tobeliey fez cara de reprovação.
– Maramon! – Ele disse em tom superior. – Irritar-se e o machucar por uma coisa boba dessas!
Maramon não disse nada,apenas lambeu mais seu pelo para limpar o sangue,o que eu achei nojento.
Observei mais Darget: Ele agora lambia suas mãos para passar no pescoço.Isso era...Meio esquisito.
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No final Tobeliey não queria deixar Darget ir embora,mas Maramon insistiu tanto que o treinador de interligação não teve escolha.Porém o vampiro não disse nada,nem quando eu implicava com ele,apenas fingia não ter ouvido.
Cheguei em casa e lavei-me,depois Darget entrou no banheiro com roupas de banho...E um dos frascos que Tobeliey tinha dado `a ele,o “rei das trevas” usava uma faixa no pescoço,para esconder a ferida,quando mamãe viu aquilo,ficou completamente doida.E eu...Ainda usava aquela faixa,para minha mãe não estranhar a melhora repentina da ferida.
Fiquei jogando video-game de noite,Darget que já havia voltado do banheiro,estava lendo um livro em sua cama,pois Maramon o proibiu de ir para fora.
Desliguei o jogo e disse:
– Vou apagar as luzes.
Maramon já roncava,olhei para Darget: Ele estava guardando o seu livro na mala verde,depois de guardá-lo,tampou-se e virou de lado.
Suspirei,levantei-me e apaguei as luzes,depois voltei para minha cama e adormeci pensando em Anne.
Naquela noite sonhei com aquela mulher que havia visto no quadro de Tobeliey,seu nome era Maria,ela tinha olhos tristes e chamava pelo meu nome...Mas eu não conseguia responder,não tinha voz,estava mudo...E uma agonia tomou conta de mim,foi assim,até que mãos frias acordaram-me:
– Robert?
Abri os olhos e vi quem era: Darget.
– O que é? – Perguntei.
– Você ficou gemendo a noite inteira.
– Desculpe.
– Está tudo bem?
– Não finja se importar comigo,ok? – Olhei para ele. – Vou tentar não gemer mais.
– Preocupo-me pois também tenho pesadelos. – Ele disse com a voz triste. – E sei o quanto isso é ruim. – Ele suspirou. – Boa noite. – Ele tossiu,depois voltou para sua cama.
Senti-me suspreso,por que ele estava reagindo assim?
Adormeci novamente e tive um sonho bom,um sonho em que Anne implorava para eu lhe dar outro beijo.
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