Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
3 Como Entrar no Mundo Injusto sem Perder a Vida
Notas iniciais
– Então foi isso que aconteceu? – Pergunta Tobeliey.
– Sim. – Responde Maramon.
– Eles foram mais rápidos do que eu esperava...
– O que vamos fazer?Onde está a minha irmã?! – Diz Luke desesperado.
– Provavelmente no submundo...O mundo injusto dos mortos. – Diz Tobeliey.
Luke congela.
– Vamos entrar no submundo? – Eu perguntei.
– Sim,esse é o único jeito. – Diz Tobeliey. – Robert,nunca chame as trevas,elas podem machucar pessoas inocentes.
– Só não te mato,Robert,porque precisamos de você. – Diz Luke.
Suspiro.
– Como vamos entrar no submundo? – Pergunto.
– Com magia,para isso vocês precisam treinar,e muito. – Diz Tobeliey.
– Seria um prazer socar alguém. – Diz Luke sorrindo.
– Amanhã,hoje voltem para suas casas. – Diz Tobeliey
– O que eu vou falar para a minha mãe?”Mãe,sua filha foi capturada por criaturas do submundo,mas não se preocupe,a raposa que eu tenho tem poderes para poder salvar ela”. – Diz Luke.
– Perto de sua casa caiu a energia elétrica,vão ficar assim uns seis dias,nesses seis dias diga que ela foi dormir na casa de uma amiga. – Diz Tobeliey.
– Minha irmã não tem amigas.
– Diga que arranjou algumas.
– Vou tentar.
Depois daquilo,Luke,Greg e Mily voltaram para sua casa,e eu e Maramon voltamos para a nossa.
Quando cheguei em casa,minha mãe fez milésimas perguntas de onde eu e Maramon andamos,eu disse a ela que fui levar o pulguento para passear.
Cheguei em meu quarto e deitei em minha cama,fechei os olhos e pensei: Aquilo tudo tinha acontecido em um dia?
Sabe aquela sensação de ir em um parque de diversões,andar em brinquedos radicais,e,no outro dia,não acreditar que foi naquelas coisas que arriscavam a vida?Foi o que eu senti,a única diferença é que parecia que alguém havia ficado preso em uma montanha russa por minha causa.
– Robert? – Chama Maramon. – Está tudo bem?
– Não. – Respondo.
– Entendo...Deve de ser difícil aceitar tantas coisas ao mesmo tempo...
– Não aceitei tudo ainda,ninguém iria conseguir aceitar.
– Luke e Madalena aceitaram muito bem.
– Eles devem de estar a mais tempo com os outros pulguentos.
– Deve de ser...Vou dormir,acho que essa coisa que sua mãe colocou aí pra mim deve de ser aconchegante. – Diz Maramon.
Depois,não ouvi mais nada,apenas adormeci profundamente.
É difícil de dormir quando se está preocupado,você dorme preocupado e acorda desesperado.
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Depois,Darget saiu e eu fiquei sozinha naquele quarto tenebroso.E se alguém fosse ali e descobrisse que eu estava viva?Iriam me matar,com certeza.
Adormeci,não sabia o porque,mas ficar naquele lugar me dava sono...
Acordei,abrindo devagar os meus olhos,não queria abri-los,mas decidi por questão de segurança...Estava alguém ali,sim,Darget,olhando novamente com aqueles olhos verdes para mim.
– Está tudo bem?
– É normal sentir tanto sono?
– Sim,afinal...Aqui é o submundo.
– Entendo...Sabe,não pode me manter para sempre aqui.
Ele riu.
– Claro que não,só até você morrer.
Estremeci,eu estava a ponto de chorar.
Lágrimas...Lágrimas vieram ao meu rosto.
O semblante de Darget mudou de um leve sorriso maligno para preocupação.
– Ei...Não chore,eu não queria... – Ele falou,mas o interrompi antes de terminar.
– Quero voltar para casa...Quero a minha mãe,meu pai,meu irmão,Mily e Greg!Quero sair daqui!Eu estou com medo!
Darget se sentou na cama.
– Eu também queria sair daqui,eu queria a minha mãe,eu também estava com medo,eu estava chorando...A única diferença é que quando isso aconteceu,eu estava em forma de monstro,e chorando lágrimas de sangue,além disso,eu estava em um lugar bem menos aconchegante do que daqui.
Olhei para ele,minhas lagrimas cessaram.
– O que aconteceu com você?
– Não importa o que aconteceu comigo.
– Importa sim.
Ele olhou para mim com os olhos arregalados,não de raiva,ou de medo,mas sim de surpresa.
Darget deu um leve sorriso.
– Faz tempo que alguém disse que algo meu importava.
Fiquei vermelha,não sabendo se era pelo sorriso dele ou pelo que ele falou,isso não é estranho?Porque eu fiquei vermelha?
– Como virou vampiro? – Pergunto.
– Essa é uma longa história.
– Tenho toda a minha vida para ouvi-la.
Darget riu.
– Ah é?Então que tal dormir mais um pouquinho?
– Você muda de assunto rapidamente,e por que dormir mais?Não estou com sono!
– Quero pegar mais um pouco do seu sangue.
Ele se aproximou,indo para cima de mim,seus olhos desejavam sangue.
– Por favor,não. – Falei,com uma voz tão sem emoção,que me deu medo.
Ele fechou os olhos e saiu de cima de mim,Darget parecia triste com aquilo.
– É que...Dói. – Falei.
– Eu sei,afinal,eu iria tentar te transformar desta vez,desculpe,não tento isso de novo.
Congelei.
Ele olhou para mim,e falou:
– Foi a maneira mais próxima para você continuar meio viva.
– Meio. – Respondi,com a voz triste.
– Se quer morrer eu... – Ele começou a falar,mas eu o interrompi.
– Eu falei que quero morrer?
– Sua áurea está triste.
– Não vou morrer só porque estou triste.
Ele jogou a cabeça para o lado,como os cachorrinhos fazem quando não entendem algo,então,ele sorriu.
Eu fiquei vermelha novamente.
Então ele riu.
– O-o que foi? – Eu perguntei gaguejando.
Ele fechou os olhos e balançou a cabeça,como se dissesse:”Nada”.
– Quer dar uma volta no submundo? – Ele perguntou.
– Não corre risco de eu ser....Digamos,aniquilada?
Ele sorriu.
– Precisamos correr riscos.
Eu ri.
– Ah é?Aposto que eu sou aniquilada por aqueles cachorros de três cabeças antes de sair dos portões desse castelo.
– Não se eu estiver por perto.
Ele tirou a capa negra que parecia mais pesada que seu corpo,mostrando sua calça e blusa,ambas pretas,e jogou-a em cima de mim.
– Coloque-a. – Ele falou.
Levantei-me da cama e a coloquei,ela era pesada e quente.
Darget ergueu a touca dela em minha cabeça.
– Não consigo enxergar nada. – Falei.
– Eu te guio.
Passou-se um tempo,nós andamos e andamos,Darget falou com algumas “coisas” que perguntavam quem eu era,e ele sempre dizia: Uma feiticeira.
– Pode tirar essa touca agora. – Ele falou.
Eu a tirei e olhei em volta: Uma floresta densa e escura,que me dava arrepios.
– Onde estamos? – Perguntei.
– Na Floresta do Norte do Submundo,é a que tem menos monstros.
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– Mais que droga! – Falei.
– Tem que se concentrar,Robert. – Diz Tobeliey.
Concentrei,como ele havia me ensinado,colocar o máximo da energia do ódio que puder nas mãos fechadas,depois,mira-las para o chão e abri-las.
– Tem certeza que o Maramon dividiu seu poder comigo?Eu não senti absolutamente quase nada quando ele me deu.
– O que você sentiu? – Perguntou Tobeliey.
– Nada muito de diferente,só uma energia que sempre sinto esquentar um pouco em meu corpo.
– Impossível você ter sentindo ela antes.
– Eu sempre a senti.
Tobeliey ficou pensativo.
– Só se você for uma criatura mágica,Robert.
Eu comecei a rir.
– Nem vem com essa! – Eu falei.
Maramon,que estava quieto o tempo todo,se levantou,e falou:
– Se sempre sentiu,não é um simples interligado.
– Se já sentiu ele nunca foi um interligado. – Disse Tobeliey. – Você não está se enganando,Robert?
– Tenho certeza que sempre senti isso. – Respondi.
Ficamos um tempo em silêncio.
– Como ela é?O que você sempre sente? – Pergunta Maramon.
– É uma energia que esquenta todas as minhas veias. – Respondi.
Maramon arregala os olhos.
– É a mesma coisa que sinto. – Maramon diz.
Tobeliey suspira.
– Vamos esquecer isso por um tempo,temos que salvar Madalena agora,já faz uma semana aqui,mas para ela mal faz um dia,ela não tem nem noção de tempo lá.
Maramon assente.
Olhei para Luke,ele estava do outro lado do grande jardim(será que era um jardim?Depois da floresta só havia grama com algumas flores,era estranho,mais estranho ainda ser no Rio de Janeiro e ninguém ter descoberto ainda)treinando com Greg.
– Isso nunca vai dar certo. – Eu disse. – Já faz dias que estamos tentando isso.
– Robert,você é uma pessoa totalmente boa?Nunca na vida pecou?Nunca fez ninguém chorar? – Perguntou Tobeliey.
– Não,já pequei,já fiz pessoas chorarem. – Respondi seriamente.
– Se consegue pecar e fazer as pessoas chorarem,porque não iria conseguir entrar no submundo?
– Ele tem razão,Robert. – Maramon se intromete. – Para de ser preguiçoso e faz isso certo de uma vez por todas!Droga!
Eu sorrio e me concentro: Arrumo a posição de minhas mãos,fecho os olhos e penso em todas as coisas que eu tinha ódio,todas as coisas que eu não havia perdoado e...A raiva que eu sentia de mim,as coisas que eu não havia perdoado a mim mesmo.
É interessante em como até os sentimentos mais catastróficos de nós precisa ser justo,para entrar em um mundo de injustiças.
Miro para o chão,e abro a minha mão.
No começo,senti tontura,tudo estava girando,todas as luzem em minha volta estavam sumindo e...Desmaiei.
Acordei,abri os olhos e olhei em volta: Uma floresta densa e escura,com grande árvores,algumas vivas,e outras mortas.
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