Notas iniciais
“As promessas podem ser tentadores...E os resultados aniquiladores,de modo geral”.

Levantei-me,ainda estava um pouco tonto,com sono...E,com frio,muito frio...Aquilo era o que?Um freezer enfeitado de floresta mal assombrada?

– Tem alguém ai? – Falei,mas minhas palavras ecoaram na grande floresta escura,sem respostas.

Então,senti falta de algo,algo que me incomodava,mas de algum jeito me fazia falta: Maramon.

Ah,de certo ele não havia conseguido...Se eu estivesse calmo,iria tirar sarro da cara dele,mas como,talvez,eu estou no mundo dos mortos,eu estou um pouco...Vamos dizer: Apavorado.

Olhei ao redor: Aquilo era tenebroso,a grama não era de um verde vivo,era escura e parecia que uma névoa cinza dançava sobre ela,e as árvores!Tão grandes que algumas nem poderia ver o topo,pois as nuvens acinzentadas de um céu com uma difusão de cores acinzentado e vermelho apareciam,assim,não podendo ver o topo.

Não havia barulhos,mas parecia que olhos me observavam.

Andei pela floresta,muitas vezes em círculos,aquilo parecia um labirinto,um labirinto do qual eu não sabia se havia saída,não sabia o que fazer,eu estava com medo.

Ouvi uma voz,era uma garota,uma garota cantando,em uma língua diferente,contudo eu entendia o que ela estava dizendo:”Num céu estrelado todos cantam,para o novo pássaro eles cantam,em um poder tão espinhento pode haver um novo bem.”

Fiquei ouvindo mais um pouco,no mesmo lugar,ela repetia aquele verso,porém eu não enjoava da canção,eu poderia ficar a eternidade ali,que não me cansaria,aquela letra era suave e doce,como a voz da pessoa que a estava cantando.

Resolvi seguir a canção,e quando cheguei ao lugar de onde a canção vinha,assustei-me: Era a garota que estava junto com o vampiro,que,capturaram Madalena.

Ela estava sentada em um galho de uma das árvores,aquela,por sua vez,não era tão alta,comparada com as outras árvores,era minúscula.

A garota estava vestida com a mesma roupa de antes: Um longo vestido negro e uma capa negra que parecia pesada por cima.

Ela parou de cantar e olhou para mim.

– Não devia de ter vindo,para o seu bem. – Ela disse friamente.

– Onde está Madalena? – Perguntei,igualmente frio nas palavras.

– No céu. – Ela disse docemente.

– O que quer dizer com isso? – Perguntei,meu coração estava acelerado.

– Quero dizer que ela está morta. – Ela disse,com um pequeno sorriso no rosto.

Minha respiração parou,mas logo continuou,quando eu pensei: Blefe!

Comecei a rir.

– Isso é mais velho que meus bisavós!

– Não é um blefe,estou falando a verdade,ela está morta. – A garota disse,ficando séria.

Engoli em seco.

Comecei a tremer,não sabendo o porque.Sim,estava frio,mas algo dentro de mim tremia,não era medo,era...Eu não sabia,só sei que não havia acreditado que Madalena estava morta,nunca acreditaria!

A garota em um pulo,desceu da árvore.

– Pena que eu não tenho permissão para lhe matar... – Ela falou,parecendo triste por não ter a “permissão”.

Sentei no chão daquela floresta e botei a cabeça entre meus joelhos,a tremedeira não parava.

– E se eu morrer agora,o que vai fazer? – Eu perguntei a ela.

– Avisaria ao meu chefe.

Dei um pequeno sorriso.

– Então eu sou alguém importante?

Ela não respondeu.

Depois de algum tempo de silêncio,resolvi olhar ela,e percebi que a garota não estava mais lá: Desapareceu no ar.

Começou a vir um vento muito forte...Um espaço no chão ao meu lado começou a ficar vermelho,fiquei assustado,mas a tremedeira não me deixava correr,e de lá saiu Maramon.

Parei de tremer.

– Achou que iria com a metade do meu poder para o submundo sem me avisar,moleque? – Ele falou.

Me senti feliz,pois não estava mais sozinho ali,mas,de repente veio um peso em minha cabeça: Maramon sabia como sair dali?

– Maramon... – Comecei a dizer,mas antes de terminar,ele me interrompeu.

– O que foi? – Ele disse.

– Você sabe como sair daqui? – Perguntei.

Maramon ficou pensativo.

– Não,mas quem se importa? – Ele falou em um escândalo. – Temos que encontrar Madalena!

Congelei.

– Do que adianta achar ela se não sabemos como sair desse lugar? – Falei.

– Quando acharmos ela,damos um jeito. – Ele falou dando um leve sorriso e piscando apenas com o olho direito(fingi que não vi isso).

Suspirei,eu estava cansado ali,parecia que eu tinha perdido toda a vontade do meu corpo.

– Sinto-me em casa. – Disse Maramon,do nada.

– Como pode se sentir bem?Eu me sinto morto. – Respondi,indignado.

– É que eu sou mais forte. – Disse Maramon.

– Você é orgulhoso,sabia? – Falo.

– Olha quem fala!”O garoto humilde”.

Ouvimos um barulho.

– Me ajude! – Disse alguém,parecia uma garotinha,uma criança,com a voz fina e suave.

– Não dê mole,garoto! – Sussurrou Maramon.

– Quem é? – Perguntei.

– Me ajude!Socorro! – Disse a mesma voz.

– Nos diga primeiro quem é você. – Falei.

– Para que falar quem eu sou se você nem me conhece? – Disse a voz de novo,ela parecia vir do...Nada?

– Ok,então vamos embora. – Falei.

– Tudo bem!Olha: Meu nome é Melissa,estou presa na árvore perto de vocês. – Disse a voz suave.

– Qual delas? – Maramon perguntou. – Eu não ouço nada de nenhuma,essa voz,eu não sei de onde está vindo,e olha que os meus ouvidos são bem apurados!

– A árvore que não se sente magia,que não se sente realismo,a árvore das trevas,mas não tem nenhuma,a árvore da pureza,mas não tem nada.

– Isso é um enigma? – Perguntei.

– Já ouvi isso em algum lugar... – Disse Maramon.

Maramon fechou os olhos e se concentrou,depois com os olhos abertos disse:

– A pessoa que é da magia,mas não sabe,a pessoa que é da realidade,porém não sabe,a pessoa que é das trevas,contudo não sabe,a pessoa que é da luz,mas não sabe,é o filho de Maria,a mãe da luz,e o filho de Adão,pai das trevas,abra-te árvore sagrada! – Pronunciou Maramon.

Uma luz na nossa frente se abriu,uma árvore,uma grande árvore,depois,ela foi se desfazendo devagar,virando brilho,e depois que ela se desfez completamente,quando o brilho abaixou,apareceu uma pequena menina no chão.

Maramon correu na direção dela,e eu o segui.

Vi a garota que,parecia ter no máximo uns seis anos de idade,caída no chão,ela era magra,com cabelos castanho claro e pele clara,seus lábios eram pequenos e rosados,sua pele parecia suave e estava vestindo um vestido curto e sem manga,antigamente ele poderia ser o mais branco de todos,mas agora parecia que ela havia caído de um penhasco e decido rolando em puro pó.

Ela começou a mexer os lábios,como se estivesse acordando de um sono profundo,abriu os olhos devagar,seus olhos eram azuis,parecendo o azul do mar.

– Obrigada por terem me salvo. – Ela falou sorrindo.

– O que você é? – Perguntei.

– Eu?Eu não sei o que sou. – Ela respondeu,com a voz fraca.

– Leve-a Robert,acho que ela não consegue se levantar ainda. – Disse Maramon.

– Por que eu? – Reclamei. – E o que sei-la-o-que foi aquele “verso”?Quem é filho de Maria e Adão? – Perguntei.

– Lembrei de algumas coisas...Te conto no caminho,agora pegue-a logo. – Disse Maramon.

Olhei novamente a menina,ela havia voltado a dormir.

Peguei-a no colo,ela era leve e gelada,mas parecia que estava voltando a ficar quente aos poucos.

Eu e Maramon começamos a andar,para onde?A resposta eu não tinha,e eu duvidava que Maramon a tivesse também.

– E agora?Pode me falar?O que você lembrou? – Perguntei.

Maramon suspirou.

– Há muito tempo,Maria,aquela você havia visto no quadro da casa de Tobeliey,havia dado a luz á um filho de Adão,assim,formando um filho da luz,e da escuridão,depois,começou uma guerra entre os dois lados,e,alguém,não sei como,matou o pequeno garoto. – Disse Maramon. – Agora esse verso é usado para desfazer alguns feitiços no submundo.

– E...?

– E o que?

– Não tem mais nada?Nada sobre a guerra?Nada sobre porque diabos Maria quis algo com Adão? – Perguntei.

– Só me lembro disso que te falei agora,por enquanto se contente com isso,pirralho. – Disse Maramon.

Suspirei.

Ouvimos vozes,pareciam sussurradas,mas ecoavam.

– Madalena! – Maramon sussurrou,e foi seguindo cuidadosamente o som.

E eu,o segui.

Vimos eles: Madalena,e o vampiro.

– Fique para trás,Madalena. – Disse o vampiro,levando Madalena para trás dele.

– Nos devolva ela! – Disse Maramon. – Se não nem sei o que eu vou fazer com você!

– Madalena!Sai de perto dele! – Eu gritei.

– Melhor não,se não vou ter que matar seus amigos,e te matar. – Disse o vampiro a ela.

Percebi roupas novas na Madalena e uma grande capa,como a daquela garota,e ela estava agora,tremendo.

O vampiro olhou para a pequena garota em meus braços.

– Não pode levar ela,ela pertence ao submundo,dê-me ela agora. – Disse o vampiro.

– Nunca! – Disse Maramon.

– Então não a escolha além de pega-la de vocês... – Disse o vampiro.

Ele deu um passo a frente,e quando fez isso,Madalena gritou:

– Pare! – Ela disse,chorando.

O semblante do vampiro olhando Madalena chorar ficou preocupado,vampiros se preocupavam?

– Madalena,não posso deixar eles ficarem com a garota...Ela pertence ao submundo... – Ele falou.

– Não quero que machuque eles!Não quero que machuque ninguém! – Ela disse.

– Mas se eles não querem dar a garota,o único jeito é a força...

Maramon começou a rir.

– Parece que tem alguém apaixonado perdidamente por uma humana. – Disse Maramon debochando.

– Do que está falando? – O vampiro perguntou. – Eu não me apaixono.

– Bem,se não estivesse apaixonado,perceberia uma diferença agora. – Disse Maramon.

O vampiro olhou em volta,e arregalou os olhos: Robert e a pequena garota não estavam mais ali.

– Mas como...?

– É o poder do amor,quando uma criatura das trevas sente algum sentimento caloroso,como o amor,perde sua atenção,e parte dos poderes enquanto sente isso,não percebendo o que acontece em volta,será que você se esqueceu da história de Maria e Adão?O sentimento proibido? – Disse Maramon sorrindo.

Madalena parou de tremer,ela estava se perguntando se era verdade,se Darget era apaixonado por ela.

Darget riu.

– Eu supero isso. – Ele disse.

Então,era verdade?Darget era apaixonado por ela?Ele acabou de confessar,de um modo estranho,mas confessou!

– Como será que uma pessoa consegue se apaixonar em tão pouco tempo?Pois,pelo que eu saiba aqui no submundo as coisas passam bem devagar.

– Errado,a Terra é que tem o tempo limitado a uma quantidade: dia,noite,inverno,verão...No submundo é sempre a mesma coisa. – Respondeu Darget.

– Vamos brincar de algo? – Disse Maramon. – O perdedor morre.

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Quando Maramon sussurrou “corra”,fuji com toda a velocidade que consegui obter,pois minhas pernas estavam batendo queixo de tanto frio que ali fazia,e a menina,depois de tanta confusão,ainda dormia.

Botei ela na grama mais escura que eu já vira e sentei ao lado daquele minúsculo corpo.

– Ei...Acorda,não estou afim de te carregar de novo. – Disse cutucando ela com meu dedo mindinho.

A garota não acordou...Não estava morta,tenho certeza,pois via que estava respirando e tinha o corpo aquecido,quem corria risco de morte ali era eu,com o corpo virando numa pedra de gelo.

“Fala sério!” – Pensei – “Vim tentar trazer de volta aquela garota,e olha o que acaba acontecendo!Ah Maramon,aquele cão imbecil,o que deve de ter acontecido lá?”

Encolhi-me ali,com frio,sozinho com uma garota que quando acordar pode se tornar uma duende-comedora-de-pessoas.

Eu queria estar...Em casa...

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Fiquei observando Maramon e Darget jogarem aquele jogo que mais se parecia com xadrez,porém era diferente,bem maior,na verdade tamanho “humano”,pois as peças eram...Pessoas deformadas,monstros...E mais outras coisas,e elas gritavam,choravam...Mas pareceu-me que as regras são iguais ao xadres da “Terra”,só que ali eles usavam a força vital,um tipo de movimento com as mãos(no caso de Maramon,apenas os olhos mesmo),que parecia doer,e os deixava ofegantes,para movimentar as peças,que por sua vez quase estouravam os meus tímpanos,e tudo mais que havia por dentro...Tinha medo de olhar,mas não conseguia desviar o olhar,mesmo quando as “peças” eram de fato destruídas,e deixavam o tabuleiro mais sangrento do que já estava.

Senti algo molhado escorrer pelo meu rosto,lágrimas?Darget percebeu e olhou para mim,no mesmo momento Maramon disse:

– Cheque mate!

Neste mesmo momento o tabuleiro desapareceu,virando um pó negro.

Fiquei perplexa: E agora?

Darget desviou o olhar de mim para Maramon,eu pude ver,seus olhos estavam amendrontados,ele estava com medo?

– Sabe as regras,não sabe? – Disse Maramon,sorrindo. – Sua vida me pertence a partir de agora,até que eu revogue ou morra,o que pode ser nunca...

Darget começou gargalhar.

Maramon se irritou:

– Por que diabos está rindo?Não ouviu?Você me pertence!

Darget cessou a sessão de gargalhadas e olhou no fundo dos olhos de Maramon.

– Tem duas formas de virar um vampiro: a primeira é receber o veneno de um vampiro,pelas presas,assim é meio vida ou morte,tende invocar o “diabo” como vocês chamam,mas são apenas “ajudantes com privilégios” dele,e esses ajudante priveligiados lhe darão o “Sopro das Chamas”,assim,você virando um vampiro. – Darget tomou folego: — A segunda forma é mais cruel e rara,quando uma pessoa está morrendo,muito poucamente,um dos ajudantes de satã dessem à Terra e o transforma em vampiro,assim,a vida dele ou meia vida,pertence à ele. – Darget riu. – E adivinhem qual foi o meu caso?Sim!O número dois...E só a duas coisas que quebram esse laço entre o vampiro e o ajudante de satã: a morte de um deles ou...O Jogo do Pecado. – Darget ficou sombrio. – É bom eu ter me livrado daquela criatura repugnante,o ruim é que meu novo mestre seja um cachorro,e idiota.

Maramon iria falar algo raivosamente,mas eu o interrompi:

– Então você perdeu do Maramon por que quis?

– Sim. – Disse Darget. – E sinto muito por você ter visto cenas tão sangrentas.

– Tudo bem...

– Ei!Parem de fingir que eu não existo! – Diz Maramon raivosamente. – Vampiro!Não importa,agora eu sou o seu mestre,respeite-me!

Darget suspirou.

Um barulho nas árvores,todos olharam: Robert,e a garotinha.

– Sua fedelha! – Robert falou olhando para ela.

Ele estava arfando,provavelmente correndo atrás da pequena,que sorridente olhava para nós.Depois que ele percebeu que estávamos ali,ficou paralisado,e disse:

– Maramon...Eu cheguei numa hora ruim? – Pergunta Robert.

– Na melhor hora!Nos tire daqui. – Diz Maramon.

Eu caí em transe,fiquei observando Robert,aquele garoto magicamente me atraia...Era sempre cruel,mas ele tem um lado bom,certo?Todos tem...Por que eu me apaixonei por um garoto assim?

Saí do transe,percebendo que Robert zombava de mim:

– Eu sei que sou maravilhosamente irresistível para você,mas deixe isso para depois!Acorda.

Fiz cara feia,e respondi:

– E-estava pensando em como sair daqui.

– É só fazer o contrario do que fizeram. – Disse Darget,com voz fria,ele havia percebido que eu era apaixonada por Robert e ficado zangado?

Robert bufou,pensou:”De novo não,bem,pelo menos o vampiro ali é aliado agora,pelo menos isso...Tem outro problema,que é Madalena,ela ficou uns trinta minutos me encarando,me senti despido diante disso,ah,se fosse Daniela ali...”

– Vamos logo Robert!Não é hora para pensar! – Disse Maramon.

– Sinta coisas boas e pense em um portal sugando a todos,Robert. – Disse a menininha,que estava sorrindo para mim.

Robert se concentrou e tentou acumular o máximo de sentimentos bons que haviam dentro dele,eram poucos,mas parece que aquela menina o enviava mais,de algum modo.

Vi uma luz branca,e deixei-me levar por ela.

Notas finais
Olá pessoal!Não deixem de comentar ;)