Notas iniciais
Talvez eu seja um idiota mesmo,ser enganado assim...
Bem,acabou de acontecer algo ruim comigo,eu não intensifico como “terrível” por que com certeza tem pessoas que estão em uma situação pior que eu,ou não?
Bem,agora não importa pensar que a garota que eu gosto me enganou,ela disse:”Rob,poderia me fazer um favor?” E eu disse:”Claro” E ela delicadamente me beijou,mas havia algo sarcástico naquilo.Sim,eu nunca havia beijado ninguém,e nunca havia contado que nunca havia beijado ninguém,lá na minha escola era vergonhoso uma pessoa ser BV,e quando a minha boca e a boca dela se separaram,ela começou a rir,e umas garotas que saíram atrás dos arbustos também,e agora eu estou com a fama de:” Bebe” ,pois ela havia percebido e contado que eu era BV.
Agora,eu estou sem amigos,deitei em minha cama e,num milésimo de segundos,adormeci.
Acordei sozinho hoje,geralmente minha irmã iria me acordar aos berros,mas hoje parecia tudo quieto e tranqüilo,o que será que havia acontecido?
Desci as escadas ainda com minha roupa de escoteiro(pois ás terças depois da escola vou ao grupo de escoteiros da cidade),havia pegado no sono com ela ontem.Na sala não havia ninguém,fui para a cozinha: também não havia ninguém,onde é que estava a mamãe?Que sempre estava fazendo o café?E papai?Que sempre tentava ler seu jornal em paz,mas Tulipa,minha irmã menor,sempre reclamava do rabo de cavalo que ele fazia nela?E o Roger,meu irmão mais velho que sempre estava com aqueles fones de ouvido,provavelmente ouvindo Death Metal,e que sempre tomava o leite direto do gargalo?
– Mãe?Pai? – Chamei baixo.
Ninguém respondeu.
Até que a campainha tocou,fui ver quem era pela janela.
Oh não...Madalena,uma garota insuportável que gosta de mim,bem,eu não sei se ainda gosta de mim,pois quando ela se confessou para mim,eu respondi:”Saia da minha frente,vira-lata”,depois que disse aquilo ela saiu correndo,chorando.
Inspirei fundo,e finalmente,fui até a varanda de casa.
– O que quer? – Gritei da varanda.
– Suas...Provas,a professora me deu para entregá-las a você.
Eu fui até o portão,ela estava com papéis na mão.
– Me dá logo a droga das provas.
Ela me entregou duas folhas,a prova de história e a prova de matemática.
Olhei as folhas,todas elas eu tinha tirado dez.
Eu olhei para Madalena,que estava me observando,ela tinha olhos castanhos e pele morena,cabelos lisos,parecendo finos fios de teia de aranha,ela era mais baixa que eu,tinha lábios pálidos e era magra,magra demais,será que ela comia direito em casa?
– Vai ficar me olhando muito tempo? – Perguntei.
Ela abaixou a cabeça,e saiu aos passos apressados.
Entrei dentro de casa,novamente não havia ninguém ali,até que percebi um bilhete na geladeira,peguei e o li:
Meu amor,seu pai e Roger saíram mais cedo hoje,e como eu estou de folga no trabalho fui levar Tulipa ao médico,o seu amigo Jason e o pai dele vão lhe buscar às 6:50 para levar você à escola.
Beijos da mamãe.
Jason?
Mamãe havia enlouquecido?
Desde que Daniela(o meu antigo amor,que,infelizmente ainda amo)começou a andar comigo e o ignorar,ele faria de tudo para me matar!
Nunca que eu iria para a escola com ele!
Olhei para o relógio,eram 6:30,tomei meu café da manhã ás pressas ,e fui botar o meu uniforme sem graça: uma camisa branca com o semblante do colégio,um casaco azul marinho,uma calça igualmente azul marinha e por último uma gravata azul escura.
Peguei minha mochila,sai de casa e tranquei a porta,depois,corri o mais rápido possível para chegar a escola,mas parei no sinal vermelho para pedestres,vi um cachorro grande e preto,de raça rottweiler,estava tonto,e a beira de ser atropelado por algum carro,até que veio um caminhão em sua direção,no impulso,corri até aquele animal e o taquei para fora da estrada,depois pulei o mais longe que conseguia para não ser atingido pelo caminhão,e não fui,mas desmaiei.
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Acordei,eu olhava para um teto,um teto branco que eu não reconhecia,olhei em volta,mamãe e papai estavam ali,olhando-me preocupados.
– Meu amor! – Mamãe pulou quando eu abri os olhos,ela chegou perto de mim rapidamente,me encheu de beijos,deixando marcas de batom em meu rosto,e depois começou a acariciar meus cabelos.
Meu pai estava de braços cruzados,parecia bravo,mas aliviado por perceber que eu estava bem.
– Robert. – Disse meu pai em tom sério. – O que você tinha na cabeça,garoto?
Não respondi nada,não era uma pergunta para responder.
Um médico chegou ao meu quarto,com um sorriso.
– E então,Robert,como se sente?
– Me sinto bem,onde está o cachorro?
O médico respondeu:
– Está no veterinário.
– Vai ser todo seu. – Disse meu pai sorrindo. – Já que quase morreu por ele,pode muito bem comprar comida,dar banho,escovar...
Eu sorri.
Por que eu sorri?Eu deveria estar reclamando agora,dizendo para deixar o pulguento em um canil,afinal,por que eu havia salvo a vida dele a ponto de arriscar a minha?
Quando ganhei alta(isso foi logo depois de o médico ter entrando no meu quarto)saímos do hospital e fomos ao veterinário.
O rottweiler estava lá, com banho tomado,vacinado,e rosnando para o médico,com um olhar aterrorizante,aqueles olhos verdes eram assustadores.
O veterinário me deu ele pela coleira,e de repente,o cachorro saiu correndo,quase arrancando o meu braço que estava segurando a coleira,como eu estava segurando a coleira dele,fui arrastado pelo animal.
– Para seu cachorro sarnento!
Ele pareceu ter ouvido,pois rosnou.
– Eu salvei a sua vida!É assim que me agradece?
Ele parou de correr,e olhou para mim,rosnando.
– Bom pulguento.
Ele rosnou mais alto.
– Robert! – Gritou a minha mãe de longe.
– Estou bem,mãe.
Fui andando para o carro com o cachorro,aqueles olhos verde escuro pareciam estar me rodeando toda hora,com vontade de me matar.
– E então?Que nome vai dar a ele,Robert? – Perguntou papai ligando o carro.
– Sei La,que tal:”Pulguento”?
O cachorro rosnou mais uma vez.
– Meu filho!Não!Que tal:”Cute”? – Perguntou mamãe.
– Não.
Olhei para os olhos daquele animal,eu não sei como,mas vi letras,e todas juntas formavam o nome:”Maramon”.
Senti meu corpo se arrepiar.
– Que tal:”Maramon”? – Perguntei.
Olhei para o cachorro,ele parecia satisfeito agora.
– Maramon?Que nome estranho. – Disse mamãe.
– É bom,pelo menos não é um nome ofendendo o pobre animal. – Disse papai.
Chegando em casa,mamãe colocou a cama de cachorro no meu quarto,uma tigela de água e ração na cozinha e uma caixinha de areia no jardim.
– Ele vai dormir no meu quarto? –Perguntei.
– É claro,ele é seu cachorro. – Disse mamãe sorrindo.
Suspirei.
– Irmãozinho,você está bem? – Perguntou Tulipa descendo as escadas.
– O que você quer,Tulipa? – Perguntei.
– Posso brincar um pouco com o seu cachorro?
– Pode. – Eu disse subindo as escadas,Maramon foi atrás de mim.
– Não,não Tulipa,deixe Maramon e Robert se conhecerem um pouco. – Disse papai.
– Maramon?Que nome estranho! – Disse Tulipa.
Já em meu quarto Maramon não parava de me olhar,eu estava me trocando.
– Será que dá para parar de me olhar com vontade de me matar, sarnento?
Maramon rosnou.
Revirei os olhos.
– É Maramon,não sarnento,nem pulguento,se não vou começar a te chamar de escroto e repugnante. – Disse Maramon.
Congelei,aquele cachorro havia falado?Falado?
Impossível!Eu devia de ter batido com a cabeça em algum lugar e estar tento alucinações agora.
– Não é uma alucinação,e não,não bateu. – Disse Maramon.
Um cachorro falante que lê mentes.
Fiquei tonto,aquilo não estava acontecendo!
– Vai ficar aí me olhando? – Disse Maramon.
– O que você é? — Falei apavorado,e dando uns passos para atrás,quase esbarrando na escrivaninha.
– Por enquanto eu sinto que você e eu somos interligados,ei,a sua mãe estava de brincadeira com aquela caixinha de areia,não estava?
– Como assim interligados?Do que você está falando?
– Tipo...Um humano normal e um animal mágico são unidos todas as suas encarnações,é tipo alma gêmea,entendeu fedelho?
– Nem um pouco.
Maramon revira os olhos(nunca vi um cachorro fazer isso).
– Um animal mágico e um humano comum são almas gêmeas,são almas feitas uma para a outra,elas existem para fazer missões para o reino.
– Que tipo de missões? – Perguntei,fingindo ter acreditado.
– Qualquer uma que eles pedem,depende do seu poder.
– Que tipo de poder? – Perguntei.
– Todo animal mágico tem poderes,como os dois são interligados,eles podem dividir esse poder,ouvir o pensamento um do outro,falar na mente um do outro,entre outros. – Respondeu Maramon.
– Sentir o que o outro sente? – Perguntei.
– Dores corporais?Alguns podem sofrer pelo outro,mas o dano causado sempre vai pertencer ao corpo atingido. – Respondeu Maramon.
– E sentimentos? – Perguntei.
– Não,sentimentos não.
– E como se faz isso?
– Treinando muito.
– Não acredito em nada.
– Pois acredite.
– Não acredito nem que você fala!
– Mas está me ouvindo,não está?Estou falando!Lalalala. – Diz Maramon.
– Filho!Meu amor!Madalena está aqui!Eu convidei ela para vocês dois estudarem história! – Gritou minha mãe.
– Aquela favelada... – Sussurrei,abrindo a porta para descer.
Maramon foi atrás de mim,o que eu não queria.
Desci as escadas e a vi,ela usava uma camisa azul,uma calça negra e um tênis branco,com certeza roupas velhas de seu irmão,pois pelo que eu sabia eles eram tão pobres que não conseguiam nem comprar roupas.
Minha mãe estava sorridente,segurando uma rosa amarela.
– Obrigada pela rosa Madalena,que pena que seu irmão não veio!
– Por que estudar história? – Perguntei.
– Olhei na sua agenda,vai ter uma prova de história amanhã!
– Eu nunca estudo para provas e sempre tiro notas altas... – Respondi.
– Não importa,melhor irem para a sala estudar. – Disse mamãe indo lavar a louça.
Fiz um sinal com a cabeça para Madalena me seguir.
Minha mãe já havia deixado meus livros e cadernos espalhados na mesa de vidro da sala.
Eu me sentei em uma das cadeiras e abri um livro.
Madalena ficou me observando,o que era tão divertido nisso?Eu sei que preciso fazer um corte na franja,e pegar um sol,mas meus olhos doem quando eu tento "pegar um sol",olhos azuis são difíceis,e,odeio usar óculos de sol.
– Pare de me olhar e sente-se. – Disse.
O rosto dela ficou vermelho,e então ela se sentou do outro lado da mesa.
Maramon nos observava perto da porta,olhando atentamente para Madalena.
Madalena ficou com a cabeça abaixada,e eu fiquei lendo o livro,deixei um livro perto dela,mas,ela não o pegou.
– Pegue o livro. – Eu disse. – Se quiser.
Ela assentiu,pegou o livro e começou a ler.
Ficamos assim por um bom tempo,até que Maramon começou a rosnar,olhando para mim com olhos raivosos.
– Você tem algum problema,pulguento? – Perguntei.
– Em primeiro lugar,eu não sou pulguento e em segundo lugar,ela também é uma interligada,só que com outro animal. – Disse Maramon.
Madalena quase caiu da cadeira.
– E-Ele... – Ela começou a gaguejar.
– Eu falo! – Disse Maramon.
– Como você sabe disso? – Perguntei.
– Eu não sei,apenas sinto.
Robert olhou para Madalena.
– Você consegue ouvi-lo? – Perguntei.
Ela assentiu,Madalena estava encolhida,tão encolhida que parecia uma assustada boneca viva se escondendo do bicho-papão.
Suspirei,me perguntando diversas vezes se aquilo estava realmente acontecendo.
– E então,garota,qual é o nome do seu interligado? – Perguntou Maramon.
Madalena ficou quieta,ainda encolhida.
– Responda! – Gritou Maramon.
– Mily!O nome dela é Mily! – Falou Madalena,com a voz tremida.
– Mily... – Repitiu Maramon.
– Que tipo de animal ela é? – Perguntei.
– Um esquilo... – Respondeu Madalena.
– Chame ela. – Diz Maramon,olhando fixamente para Madalena.
Madalena fechou os olhos,assustada,ela estava quase chorando.
– Chame ela! – Gritou Maramon.
– Se você gritar com ela mais uma vez,arranco as suas cordas vocais,pulguento. – Disse uma voz fina.
Vi uma coisa marrom-claro com branco passar muito rápido na minha frente,e parar perto de Madalena.Um esquilo.
– Nervosinha...Mily – Diz Maramon.
– Se mexer com a Madalena,eu sou o demônio – Diz Mily.
– Estão de brincadeira...Um esquilo falante? – Disse,ficando tonto.
– Um esquilo falante que pode te matar,garotinho. – Diz Mily.
Os olhos daquele esquilo era de um azul misturado com cinza,que parecia estar congelado,e o seu pelo reluzia.
– Por mim estará fazendo um grande favor. – Disse Maramon.
– Calado,pulguento! – Disse.
O esquilo ficou observando Madalena,que estava olhando para Maramon com olhos assustados.
– Tudo bem,Mad,ele não vai te fazer nada de mal. – Disse Mily com uma voz suave e amigável.
Madalena estava tremendo.
– Está com frio? – Perguntou Mily.
Madalena negou.
– Ela está com medo. – Disse.
– Oh... – Mily ficou pensativa.
– Qual é o seu poder,coisa pequena? – Pergunta Maramon.
– Primeiro,não me chame de coisa “pequena” e segundo,eu tenho o poder da água. – Disse Mily.
– Oh,que fofinho! – Brincou Maramon.
– E você grandalhão,tem que tipo de poder? – Pergunta Mily.
– Ainda não sei,mas sinto que é bem mais poderoso que o seu. – Diz Maramon,convencido.
– O que? – Disse Mily rindo – Não sabe o seu poder?
– Não me lembro de muita coisa que aconteceu comigo. – Diz Maramon.
– Isso é difícil de entender. – Diz Mily.
– Eu sei. – Responde Maramon.
Madalena estava ainda encolhida na cadeira,seus olhos estavam direcionados a Maramon e Mily.
– Bem,Mad,vamos voltar para casa. – diz Mily.
– Espera!Não,não! – Falei.
– Por que? – Pergunta Mily,desconfiada.
– Minha mãe vai ficar me fazendo umas mil perguntas se ela sair agora,nem deu quinze minutos que estamos aqui! – Respondi.
– Entendo,você usa as pessoas. – Diz Mily sentando.
– É claro que não! – Digo.
– Usa sim,você nem sequer é amigo da Mad.
– Não uso!E está certa,eu não sou,mas,foi a minha mãe que a convidou.
– Você não entende. – Diz Mily suspirando.
– Não entendo mesmo. – Resmungo.
– Ei,Madalena,você tem irmão? – Pergunta Maramon.
– Ela tem sim. – Diz Mily se intrometendo.
– Ele também é um interligado? – Pergunta Maramon.
– Não é do seu interesse. – Responde Mily.
– Então ele é.
Mily suspira.
– Por que tanto interesse nos outros interligados? – Pergunta Mily.
– Veja bem,eu sou um interligado,e eu não me lembro nem qual é o meu poder,estou desorientado. – Diz Maramon.
– Não posso ajudar vocês. – Diz Mily.
Maramon rosna e sai da sala pela porta que estava semi-aberta,que dava para a cozinha.
Peguei um dos livros e comecei a ler.
Mily saiu pela janela,e Madalena ficou ainda encolhida,com medo de Maramon.
– Não precisa ter medo dele. – Disse a ela. – Pode ser grande,mas é inofensivo.
– Como pode ter certeza? – Ela perguntou.
– Ele poderia ter me matado quando o chamei de “pulguento”.
– Você é o interligado dele.
– Por isso mesmo,não deixaria que ele te atacasse.
Ela desviou o olhar do chão,para olhar diretamente aos meus olhos.
– Por que não deixaria? – Ela perguntou.
Fiquei pensativo.
Boa pergunta,por que eu não deixaria?Eu não era um amigo daquela garota,na verdade,não gostava dela,acho que não deixaria para não criar problemas para mim,ou para Maramon,nada relacionado com essa garota.
Não posso pensar assim,não posso ser assim,preciso pensar mais nas pessoas,mas...
– Por que não. – Respondi.
Ela suspirou.
– Quero sair daqui. – Ela disse.
Revirei os olhos.
– A porta é logo ali. – Eu disse apontando para a porta que dava para fora.
Ela saiu pela porta ás pressas,com passos pesados,parecia estar com raiva,e saiu pelo portão menor,que estava aberto.
Minha mãe estava de braços cruzados negando com a cabeça o meu comportamento,na porta da divisa da sala para a cozinha,devia de ter chegado quando eu disse:”A porta é logo ali”.
– Parabéns Robert Glaifort,conseguiu machucar uma garota.
– Mãe!Eu não a machuquei!
– Machucou sim,machucou o coração dela,com sua atitude nada acolhedora.
Minha mãe saiu da sala,indo para a cozinha e,me deixando sozinho com os livros.
Como assim?Machucar o coração?Ela quis dizer que eu a deixei triste?Por que?Foi ela que quis ir.
Guardei meus livros em meu quarto e arrumei minha mochila para amanhã.
– Vamos sair? – Pergunta Maramon.
– Para onde,pulguento? – Perguntei.
– Achar aquela garota e o irmão dela.
– Sem chance.
– Por que?
– Porque eu não gosto deles.
– Eles são interligados como nós!
– E...?
– Robert!Você não sabe o perigo que corremos,garoto!
– Que tipo de “perigo”?
– Monstros podem nos matar!
Comecei a rir;
– Que tipo de monstros?
– Eu não sei!Mas sinto,precisamos unir nossas forças logo.
– Oh meu Deus!O que pode vir nos matar?Vampiros,bruxas,gnomos?
– Eu não descarto nada vindo do submundo.
Reviro os olhos.
– Maramon,do que você se lembra? – Pergunto.
– Lembrar?Por enquanto de nada,mas eu sinto,Robert,confie em mim.
– Por que eu iria confiar em um cachorro?
– Por que esse cachorro sente que alguma coisa muito ruim vai acontecer.
– Pode me dizer o que?
– Não,Robert,vamos logo atrás daquela garota e do seu irmão!
Maramon saiu correndo da sala e pulou o muro.
– Ei!Espera,seu pulguento! – Digo,saindo correndo atrás dele,tento pular o muro mas não consigo,então passo pelo pequeno portão.
Segui Maramon,como aquele animal desgraçado corria rápido!
No fim encontramos ela,Madalena estava em um banco de praça,com um cobertor em cima dela,ela parecia estar dormindo.
Maramon se aproximou dela,e tirou o cobertor de cima,Madalena estava abraçada com Mily.
– Quem é... – Diz Madalena abrindo os olhos.
Ela ficou assustada quando viu Maramon,e quase deu um pulo quando me viu.
Suspirei.
A quanto tempo ela estava sem casa?
Mily ainda ficou dormindo,se encolhendo ainda mais no banco de madeira.
Cruzei os braços,o que eu iria fazer?
– Madalena. –Sussurra Maramon para que ninguém ouvisse. – Onde está o seu irmão?
– Em casa. – Ela disse.
– Por que você não está lá? – Perguntei.
– Porque eu não quero. – Ela respondeu.
Peguei na mão dela,ali,naquela praça,qualquer um poderia machucá-la.
Ela se soltou de minha mão violentamente.
– Vamos para a minha casa,aqui você pode morrer! – Quase grito.
– Por que você está preocupado com isso?Se eu morrer ou não?
– Por que preciso de você. – Respondi sinceramente.
– Precisamos de você. – Corrigiu Maramon,colocando no plural.
– Para que? – Pergunta Madalena.
Eu observo ela atentamente,até que meus olhos pararam na camisa dela,com uma mancha vermelha.Sangue.
– Por que...Se não unirmos as nossas forças segundo Maramon,temos grande chance de morrer.
Ela tosse.
– Vou tentar acreditar,mas,o que isso tem a ver de eu ficar na rua?
Irritei-me,será que ela não percebia?
– Aqui qualquer um pode te matar,estuprar ,machucar... – Disse já ficando furioso. – Você veio da sua casa para a minha,por que decidiu ficar aqui?
– Por que sim.
Maramon riu.
– É o seguinte Robert,ela te ama!Então pensou que sair daquele jeito de sua casa e parar perto,já que a casa dela deve de ser longe,você poderia encontrar-la e ficar desse jeito. – Disse Maramon.
Madalena ficou com o rosto vermelho,parecendo um pimentão.
Cruzei os braços.
– Aqui no Rio de Janeiro não é brincadeira,além do mais,você se machucou nessa “brincadeira” que fez. – Respondi,parecendo o meu pai.
Ela olhou para a sua camisa e arregalou os olhos.
– Vamos para a minha casa. – Disse.
Um rapaz mais alto que eu se aproximou,tinha pele morena,olhos castanhos claro,cabelo castanho curto e liso parecendo uma teia de aranha,como o de Madalena.
Logo percebi: Luke,o irmão de Madalena.
– Se encostar um dedo nela,eu arranco esse dedo. – Ele disse,furioso.
– Tudo bem,irmão. – Ela disse.
Luke passou os olhos pela camisa de Madalena.
– Quem fez isso com você? – Ele perguntou.
Madalena bocejou.
– Uns garotos tentaram me roubar...Mas fui rápida em escapar deles. – Ela disse.
– Eu não devia de ter te deixado ir sozinha! – Disse Luke,abraçando-a.
Maramon olhou para mim seriamente.
– Entendi o recado,pulguento. – Disse. – Luke,posso falar com você e sua irmã na minha casa?
– Por que faríamos isso? – Ele perguntou.
– Talvez por que nós três sejamos...Interligados. – Respondi.
Luke paralisou,depois,começou a observar Maramon,que,acenou a cabeça.
Luke deu um pulo no banco.
– Você também...? – Ele perguntou.
– Sim. – Respondi.
Depois disso,Luke ajudou Madalena a se levantar,ela estava trêmula,quando estávamos andando para a minha casa,apareceu na rua,um cara velho com roupas que fariam qualquer um parar no hospital sufocado de calor,pois Rio de Janeiro,se ele não sabia,é uma cidade que pessoas de países frios pagariam uma nota preta para sofrer de tanto calor.
O velho usava: Um sobretudo marrom grosso,uma calça de veludo,e um sapato de couro engraxado.Ele tinha um bigode que parecia de garçom,era alto,cabelo grisalho,olhos azuis,pele bronzeada e estava se segurando uma bengala,embora,estava reto,parecia que ele não precisava muito daquela bengala.
– Olá garotos. – Ele disse,sua voz era grossa,mas suave.
Madalena ia falar algo,mas foi interrompida por mim.
– O que quer? – Perguntei grosseiramente.
O velho pareceu se irritar com minha atitude grosseira.
– Você parece não ter muita paciência,Robert querido. – Disse o velho sorrindo.
– Como sabe o meu nome?E não coloque nenhum adjetivo indesejado em mim! – Disse,já furioso.
– Calma...Poderiam me seguir?Robert e Maramon,vocês podem confiar em mim,Madalena,pode deixar Mily dormindo por enquanto,e Luke,seu interligado está lhe esperando em minha casa. – Disse o velho.
– Greg,o nome dele é Greg. – Disse Luke.
O velho sorriu para Luke.
– Quem você é? – Perguntei.
– Bem pessoal,sou o professor de interligação de vocês. – Disse o velho. – Meu nome é Tobeliey.
– Não acreditamos em nenhuma palavra que você está dizendo. – Disse. – Você deve de ser um que escutou nossa conversa na praça e nos seguiu.
Olhei para Maramon,ele andou para perto do velho,cheirou-o,e assentiu.
– Agora a pouco você estava desesperado dizendo:”Há monstros que podem nos aniquilar!”,e agora você está dizendo que se pode confiar em um velho que acabamos de encontrar e já esta querendo mandar em tudo? — Disse já furioso.
Maramon deitou-se aos pés do homem.
– Acho que podemos confiar nele. – Disse Madalena,com Mily já acordada, assentindo.
– De qualquer forma,ele estaá com Greg,então eu não tenho outra escolha. – Diz Luke.
– Fala sério... – Digo.
Seguimos Tobeliey até uma floresta que eu não sabia que existia,perto de um parque abandonado.Entramos na floresta,era grande e tenebrosa,tinha grandes árvores,e algumas flores de tons claros,mas o mato tomava conta na maior parte.
Paramos na frente de uma pequena casa de chaminé,era antiga,feita de tijolos,seu telhado era de madeira,tinha vidros quebrados com teias de aranhas,parecia abandonada,mas,não havia mato perto dela,na verdade,depois daquela casa,aparecia um campo com a grama mais verde do mundo,com algumas árvores e flores.
– Bem vindos. – Tobeliey disse. – Podem me chamar de Tob,crianças.
– Tob,aqui é o centro do nosso treinamento para interligados,certo? – Pergunta Mily.
– Certo Mily. – Disse Tobeliey.
– Onde está Greg? – Pergunta Luke.
– Está ali,na chaminé. – Disse Tobeliey apontando para a chaminé.
Lá havia uma raposa vermelha e branca,parecendo aquela raposa do antigo filme:”O cão e a raposa”.
Greg desceu da chaminé e parou no telhado,pulou do telhado e caiu no chão,deitado.
Luke riu.
– Não ria! – Disse Greg se levantando.
Ele foi até os pés de Luke.
Luke se abaixou e pegou Greg no colo.
– Não me pegue no colo!Me solte!Não,não,não! – Gritava Greg,se debatendo.
Tobeliey começou a rir.
– Vão ser uma turma divertida. – Ele disse.
Bufei.
– Bem pessoal,vamos nos conhecer melhor?Vamos entrar em minha casa. – Disse ele indo até a casa velha.
Seguimos ele,entrando,encontramos uma pequena mesa de madeira com duas cadeiras do mesmo material que a mesa,um pequeno sofá aveludado em tom verde escuro,um tapete com desenhos de flores perto do sofá,alguns quadros de paisagens, e uns jarros com pinturas de monstros e animais.
– Sentem-se. – Disse Tobeliey. – Vou fazer um chá de rosas silvestres.
Tobeliey abriu uma porta perto do sofá e a fechou.
Madalena e Luke sentaram-se nas duas cadeiras perto da mesa,e eu sentei-me no sofá.
Os animais ficaram sentados um ao lado do outro perto da porta.
Fiquei focado em uma paisagem,lá tinha uma mulher linda,que tinha cabelos brancos e pele branca como a neve,olhos azuis brilhantes,parecia que aqueles olhos transbordavam purezas,do lado direito dela havia uma linda paisagem com pessoas saudáveis e luz,do lado esquerdo havia pessoas mortas e escuridão,a mulher ficava no meio das duas paisagens,aquela mulher não parecia velha,parecia ter uns vinte e quatro anos,ela me parecia familiar,ela estava chorando.
– Aquela é Maria. – Ouvi Tobeliey falar,então acordei-me do meu transe.
– Mãe de Jesus? – Perguntei.
– Também,vamos dizer que essa é a alma de Maria.
– Tobeliey. – Disse.
– Sim?
– Deus e o diabo,existem? – Perguntei.
Tobeliey ficou pensativo.
– A escuridão existe,pode ter certeza,foi ela que matou a alma de Maria,na verdade foi o próprio chefe do submundo que matou ela,mas nada é comprovado,se Maria existiu ou não,só sabemos que temos que lutar contra a escuridão.
– Então vocês não sabem por que essa briga começou?
– Não.
– Como ele conseguiu derrotar Maria?
– Dizem que os poderes dele são tão poderosos que enganaram e derrotaram o chefe antigo dele,Lúcifer,assim,tomando o submundo,e ganhando cada vez mais força,e,derrotando Maria.
– Por que Deus não a ajudou?
– Não se sabe.
– Acho que Deus...Não existe,pois se existisse,não teriam pessoas vivendo com menos de dois reais por dia. – Disse.
– Mas se só existissem as trevas,não acha que o universo já estaria tomado por ela? – Perguntou Tobeliey.
– Eu...Não sei. – Respondi.
– Bem,quer chá? – Disse Tobeliey,entregando-me uma xícara antes mesmo de eu responder.
Madalena e Luke já estavam tomando.
Experimentei,até que não era nada mal,tinha um gosto suave,e um cheiro magnífico.
Olhei para a xícara,ela tinha desenhos de flores.
– É bom? – Perguntou Tobeliey.
– É...Nada mal. – Respondi.
Tobeliey sorriu.
– Tob. – Disse Mily. – O Greg queria um pouco de chá.
– Ei!Eu não disse nada disso! – Disse Greg.
Maramon bufou.
Tobeliey sorriu.
– Desculpem,vou colocar chá para vocês também.
Disse Tobeliey,indo até a cozinha e voltando com três tigelas com chá dentro.
– Obrigada! – Disse Mily.
Tobeliey sorriu novamente.
– Bem,crianças,vou explicar um pouco desse grande reino. – Disse Tobeliey.
Todos ficaram em silêncio.
– Bem...Vamos lá!Perguntem. – Disse Tobeliey.
– Quem vai tentar nos matar? – Perguntei. – E por que?
– Eu ainda não sei bem que é,mas devem de ser poderosos,bem,o mal é nosso inimigo natural. –Respondeu Tobeliey.
–Que tipos de monstros? – Perguntou Luke.
– Existem vários,alguns da mitologia grega,japonesa etc. –Respondeu Tobeliey.
– Feiticeiros e vampiros? – Perguntou Madalena.
– Sim.
Comecei a rir.
– Por que está rindo,Robert? – Perguntou Tobeliey.
Ele realmente estava perguntando isso?Ele acabou de dizer que feiticeiros e vampiros existem!
– Feiticeiros ainda vai...Mas vampiros? – Respondi rindo.
– Feiticeiros existem no bem e no mal,vampiros existem apenas no mal,eles são criaturas que passaram por um pacto com o diabo e foram queimados na chama do inferno,e vêem para a Terra com missões para o mal.
– Mas como é a aparência deles?Eles chupam sangue? – Debochei.
– Eles geralmente tem uma aparência magnífica,mas mostrando sua verdadeira aparência,eles são os monstros mais feios do universo mágico.Sim,eles sugam sangue para sobreviver e manter a aparência na Terra. – Respondeu seriamente Tobeliey.
Fiquei calado.
– Tobeliey,você é o que? – Pergunta Madalena.
– Sou um interligado.
– E onde está o seu interligado?
– Ele está dentro de mim.
– Como? – Perguntou Luke.
– Esqueça,esqueçam do meu interligado por um tempo.
– E agora,velhote? – Perguntei.
– “E agora” vocês vão para casa e voltem amanhã ás 16:00 horas.
– É isso?”Voltem aqui as ás 16:00 horas” – Perguntei.
Tobeliey olhou severamente para mim.
– Sim,e se o senhor não vir,vou ter que lhe arrastar até aqui. – Disse Tobeliey.
– E se eu chamasse a polícia? – Perguntei com um meio sorriso.
– Eu iria ser preso e você não teria um professor,assim morrendo e levando sua equipe à morte também. – Ele respondeu.
– Não me importo,se é para viver te obedecendo,prefiro morrer. – Disse.
– E perguntou se sua equipe também deseja morrer? – Perguntou Tobeliey delicadamente.
– Não me importo com a equipe.
Tobeliey ficou me observando,e por fim,disse:
– Voltem amanhã,ás 4:00 horas. – Ele disse em tom frio. – Podem ir embora.
Nos levantamos,dei uma olhada para os animais,todos estavam olhando para mim com olhares querendo dizer:”Vá para o inferno”.
Eu fui o primeiro a sair, Madalena e Luke e seus animais junto com Maramon saíram depois de um tempo,pois ficaram se despedindo de Tobeliey.
Eu só fiquei esperando eles saírem,pois Maramon estava lá.
Quando Maramon veio eu comecei a andar,e ele ao meu lado.
– Está ficando maluco?Não liga para a equipe?Ótimo se não liga para a equipe,pelo menos não faz laços de amizade e não sofre quando os perde,mas,nunca se deve dizer isso para o seu treinador! – Diz Maramon.
– Sempre dizem que desafiar o treinador da mais coragem.
– Onde você viu essas porcarias?
– Nos filmes.
– Bem,vamos esclarecer as coisas: se desafiar o treinador,for mal educado ou tentar machucá-lo sem que ele peça,ele não vai mais te ensinar,e,com isso,você fica automaticamente morto.
Bufei,já estávamos na floresta profunda agora,eu estava zangado,monstros?Quem liga para monstros?Uma hora ou outra,você vai morrer mesmo,e o seu corpo vai servir para insetos se alimentarem.
– Se tem monstros mesmo,quem venham! – Eu gritei.
Maramon bufou.
– Você está com medo? – Perguntou Maramon.
– Não.
– Está sim.
– Por que eu estaria?
– Por que,quando alguém chama as trevas para lhe atacarem é um sinal de fraqueza,tentando mostrar que é forte,mas na verdade é fraco,assim,falhando.
– E se o cara ser forte?
– Você não é forte.
O que?
– Não estou falando de mim,já aconteceu de algum cara forte chamar a escuridão e vencer?
– Não.
– Por que?
– Por que um sábio tem que ter paciência,ele sabe que quando a escuridão vêm é por que ela está sem paciência.
Fiquei quieto.
– Acha que a escuridão vai vir agora? – Perguntei.
– Sim.
– Como sabe?
– Por que isso sempre acontece.
– Então isso quer dizer que já se lembra de algumas coisas.
Maramon pareceu incomodado por um instante.
– Não,apenas sinto.
Ouvimos um grito: Madalena.
– Vamos ver o que está acontecendo. – Disse Maramon. – Siga-me.
– O que? – Disse,não entendendo,poderia ter um assassino aqui e ele queria persegui-lo!
Mas quando eu tentei impedi-lo,só vi uma sombra entre a floresta,correndo mais e mais para o fundo...Maramon.
Segui ele com a maior velocidade que eu tinha.
Quando Maramon parou,percebi que Madalena estava presa nos braços de um garoto,um garoto de cabelos vermelhos,pele branca e pálida,e olhos verdes escuros profundos,do lado dele havia uma garota de longos cabelos marrons,olhos azuis e pele clara.
Luke,Greg e Mily pareciam presos dentro de uma caixa,pois tentavam correr até Madalena,sem sucesso,esbarravam em algo invisível que reluzia e os jogava para longe.
– Olha o que encontramos aqui...Robert e Maramon. – Disse o garoto de cabelos vermelhos.
– Solte ela! – Gritou Maramon.
– Por que eu soltaria?Ela cheira tão bem...
Fiquei parado ali,olhando a cena,sem fazer nada.
– Vampiro do demônio! – Sussurrou Maramon.
Madalena estava tremendo nos braços pálidos daquela criatura.
– Vamos levar ela,Luvia?Aposto que o mestre vai adorar. – Disse o garoto.
Luvia olhou rapidamente para o garoto.
– Pode,Darget.
Então,eles sumiram.
Greg e Mily estavam perplexos.
– Droga... – Disse Maramon.
– O que vão fazer com minha irmã? – Perguntou Luke ajoelhado,olhando para o chão,acho que ele não queria que respondessem,só queria dizer por dizer,sem ninguém para questionar.
Maramon suspirou,e eu,eu...Eu não sabia mais de nada,eu estava acostumado com as melhores coisas,o que eu faria numa situação dessas?
Maramon olhou para mim.
– O que é?Cachorro sarnento? – Minha voz estava falhada.
– Precisamos relatar isso a Tobeliey agora. – Disse ele seriamente – Robert,você acabou de desejar que a pessoa que,poderia ser a pessoa mais importante da sua vida,ficasse com medo: Uma amiga.
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