Notas iniciais
“Nem todas as pessoas do lado do mal são ruins,algumas não tiveram escolha”.

"Pode,Darget".

Acordei.

Abri os olhos: Aquele não era o quarto pequeno que eu e meu irmão dormíamos,não tinha as folhas dos nossos sonhos na porta dele,não tinham desenhos de unicórnios rosa e nem de carros grudados nas paredes....Aquele quarto era grande e triste,com móveis antigos,e minha cama era...Grande,com muitos travesseiros e cobertas.

Percebi que alguém me observava,pois só tinha olhado por um lado do quarto...Olhei para o lado esquerdo da cama,sim,havia alguém,alguém que eu temia: O garoto de cabelos vermelhos.

Ele olhava para mim,com aqueles olhos verdes que torturavam os meus ,afetando o meu cérebro,meus braços,minhas pernas,meu coração...E fazendo todos tremerem...

– Medo. – Ele falou,sem emoção alguma na palavra.

Me encolhi ainda mais na cama.

– É melhor ficar feliz. – Ele falou,novamente sem muita emoção.

– Porque eu ficaria? – Minha voz estava trêmula.

– Por que antes de ficarmos tristes,precisamos ficar alegres.

– Isso quer dizer que eu vou ficar triste?

– Talvez,talvez sinta dor,raiva...Depende da ordem do meu chefe.

– Todas coisas ruins...

– Pode ser também algo que lhe agrade.

– Tipo o que?

Ele ficou pensativo,e,finalmente respondeu:

– Eu não sei.

Me encolhi mais na cama.

O que fariam comigo?Me torturariam?Me tirariam o sangue?Me...Matariam?

O garoto olhou para o seu pulso,fingindo ser um relógio.

– Hora de levantar. – Ele disse,com um pequeno sorriso no rosto.

– Não tem nenhum relógio no seu pulso.

Ele tirou as cobertas de cima de mim.

– Precisa vestir alguma coisa,ou você acha que alguém ficaria confortável lhe vendo assim?

Olhei para o meu corpo: Estava apenas com as roupas íntimas.

Gritei e,tampei-me novamente.

– As roupas estão no guarda-roupas. – Disse ele saindo do quarto,quando fechou a porta,ecoou um estrondo.

“Não...Estão no jardim” – Pensei

Estremeci.

Primeiramente,me levantei e fui até a janela,tinham...Criaturas lá,cachorros com três cabeças e homens com cajados nas mãos...E eu senti como se o meu sangue estivesse parado.

Fui até o guarda-roupas,quando eu olhei para todas as roupas de inverno,percebi que lá estava realmente frio,eu só não sabia se estava tremendo de frio ou de medo.Coloquei uma meia calça grossa preta,um vestido de lã de carneiro negra,e por fim,uma bota negra de couro.

O garoto de olhos vermelhos entrou novamente,e sorriu ao me ver vestida com aquelas roupas.

– Porque está sorrindo?Ah...Já sei!Vão me decapitar?

– Não,na verdade,disseram para mim cuidar de você.

Ele se aproximou mais de mim,mais e mais e...Me segurou pela cintura para não me dar chances de escapatória,assim,cheirando o meu pescoço,depois lambendo e...Mordendo...Sim,mordendo,e forte,o meu sangue estava...Sendo sugado?Aquilo doía muito...Demais...Tanto que minhas pernas ficaram moles e eu...Desmaiei.

Acordei novamente,assustada.

Ele estava lá,o garoto de olhos vermelhos estava lá,e olhando para mim.

Encostei em meu pescoço e por mais incrível que pareça,meu pescoço não doía,o que havia acontecido?

– Consigo recuperar leves ferimentos com a minha saliva,obrigado.

– Leves ferimentos?Quantas veias minhas você perfurou?E por que eu deveria agradecer se foi você quem me machucou?Isso não é justo...Quero voltar para casa!

O garoto riu.

– Não é engraçado...

– É sim,eu poderia te matar naquela hora,ninguém se importaria,mas invés disso eu te curei.

Fiquei calada um instante.

– Só não me matou para quando quiser ter sangue fresco...

– Não chega a ser mentira.

– O que vai fazer comigo?

– Vou te manter aqui.

– Até quando?

– Até quando eu querer.

Ele olhou para cima.

– Está com fome? – Ele perguntou,já olhando para mim novamente.

– Não. – Menti.

– Não minta para mim,você está com fome. – Ele disse,um pouco aborrecido. – O cheiro revela.

– Por que perguntou se já sabia da resposta?

– Um teste,para ver se mente para mim. – Ele falou. – A propósito,o placar está um para mim e zero para você. – Ele disse sorrindo antes de sair.

Me encolhi na cama,eu ainda não sabia se eu tremia de medo,ou de frio,talvez pelos dois.Por que eu estava com medo?Por que eu estava com medo de não voltar mais para casa?Será que os meus sentimentos violaram a regra de nunca,nunca mesmo,sentir algo pelo qual eu não esteja preparada para sentir?

A porta se abriu,ele veio com uma fruta avermelhada na mão,parecia uma maçã,porem tinha o formato mais redondo e era,com certeza,muito mais vermelha e reluzente.

– Melhor comer logo,antes que eu coma.

– Pelo que eu saiba vampiros não comem.

– Geralmente não comemos. – Ele suspirou. – Coma logo.

– O que é isso?

“Será que está envenenada?” – Pensei.

– É uma fruta que faz humanos sobreviverem no submundo. – Ele disse. – E a propósito: Não está envenenada.

Me sentei na cama.

– Submundo? – Perguntei,assustada.

– Ah,o inferno. – Ele sorriu amargamente. – Espero que goste daqui.

Estremeci.

– Por que...Você lê mentes?

– Eu não leio mentes,eu só enxergo áureas,e adivinho o que as pessoas pensam. – Ele disse. – Agora coma,não está envenenada.

Confiei nas palavras dele,não sei porque,talvez porque ele seja a única pessoa que eu vi desde que vim para cá,acho que com isso eu deveria temer,mas acho que de tanto medo,acabamos confiando,pois não á mais escolhas a serem feitas.

Peguei aquela fruta avermelhada da mão pálida e fria dele,e,fechando os olhos,dei uma mordida: Era gostosa.Comi tudo,até não sobrar nada,ela não tinha sementes,era mesmo uma fruta?

Olhei para ele por um tempo,e percebi como ele era lindo: O cabelo não era de um vermelho normal,era escuro e brilhante,não chegava a ser curto,mas não era longo,ia até o queixo,e uma franja normal,e os olhos...Ah os olhos,de um verde escuro tão profundo que poderia se afogar neles.E a pele,estranha,uma pele que parece ser macia,e branca,realmente branca e pálida,e os lábios...Eram pequenos,rosados.Aquele garoto parecia ser mais velho que ela...Quantos anos será?Uns quinze,no mínimo.

Ele sorriu maliciosamente.

– Qual é o nome dessa fruta? – Perguntei,ignorando o sorriso.

– Ela se chama wiji.

Ficamos quietos,em silêncio profundo.

– E agora? – Perguntei.

– Agora...Agora eu preciso fazer o meu trabalho.

– Qual é o seu trabalho?

– Não queira saber.

– Qual é o seu nome?

– Darget.

– Por que ainda não me matou se mata tantos?

Ele pareceu surpreso.

– As vezes...Não temos escolhas,porque estamos fracos e com medo,outras vezes,não temos escolhas nos olhos alheios,mas podemos muito bem abrir uma brecha entre as palavras.

– Quer dizer que o seu...

– Sim,meu mestre pediu para te matar.

– Por que não me matou?

– Por que eu abri uma brecha entre as palavras.

Notas finais
Então pessoas que estão lendo,não deixem de comentar!Obrigada ;)