Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
17 Ah, e um doce "olá"
Notas iniciais
Acordei sentindo palmas reconfortantes encostando em meu rosto gelado,acordei assustado,eu havia sonhado aquilo tudo?
Primeiro vi um homem estranho de aparência peculiar,seus olhos eram luz e sombra como os de Samyaza,só que a tonalidade da cor era invertida,ele estava olhando-me com dor nos olhos,depois vi Tobeliey,que também não estava muito alegre,os olhos meio avermelhados,teria ele chorado?
– Robert? – Perguntou Tobeliey.
– E o Darget?
Ouvi um gemido de dor vindo de alguém.
– Desculpe Robert,se eu não tivesse sido tão imbecil,tão cabeça dura e querer reinar sobre tudo...Ele estaria entre nós. – Disse o homem desconhecido de aparência peculiar.
– Quem é você? – Perguntei,debilitado,meu corpo não estava dolorido,mas sentia cansaço.
– Você não me reconhece?
– Não.
Ele suspirou.
– Sou eu.
– Eu quem?
– Talvez...Um cachorro idiota?
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Estava com uma xícara de chá em minhas mãos trêmulas,sentado perto de Tobeliey e o sujeito que se intitulava Maramon,ele me explicava como Darget tinha sido corajoso.
Comecei a tremer mais.
– Eu não queria ter matado ele! – Gritei.
– Não matou! – Berrou o homem de volta. – Fui eu que o matei!
– Eu te odeio! – Comecei a chorar. – E você não é Maramon.
Olhei para Tobeliey,que observava seriamente tudo.
– Acho melhor o Robert descançar,Maramon. – Ele disse.
– O que? Você acreditou nessa loucura? – Gritei.
Tobeliey suspira.
– Eu não quero descançar! – Gritei.
Mas um cansaço tomou conta de mim,era triste que eu mal podia fazer a minha própria vontade de ficar acordado.
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Senti mãos em meus cabelos,isso me deixou com ondas de arrepios pelo corpo,odiava isso,sempre era estranho ter o corpo estremecido.
– Eu sei que está acordado.
Aquela voz.
Luz.
Sombra.
– Por... – meu corpo estremeceu mais – que?
– Ele...
Ouvi um suspiro.
– Eu fui ruim com ele naquela noite.
– Aposto que ele não se importou.
– Quem sabe?
Eu estava olhando para baixo,aquela mão com longos dedos ainda mexia em meu cabelo.
Olhei para cima.
Aquele homem era diferente,parecia ser sombrio,porém com luz.
Difícil dizer.
– Prove que é o cachorro idiota.
– Provar?
– É.
– Bem... – Ele começou a falar como se estivesse comendo pasta de amendoim,mostrou os dentes,que eram brancos,mas os caninos eram...Muito caninos.
Do mesmo tamanho de dentes normais,só que muito mais afiados.
– Isso qualquer monstrinho pode ter. – Dei de ombros.
– Qualquer monstrinho é o caralho.
– Olha a boca.
Ele deu um suspiro pesado.
– O Darget tinha me enganado com um osso...Caí no riu,depois saí em forma de homem,estranhei... – Ele deu um meio sorriso. – Uma moça me viu e fez cara de espanto...E jogou um daqueles...Lençóis,é esse o nome?Em cima de mim.
– Se fosse eu,sairia correndo. – Sussurrei.
– Eu ouvi. – Disse ele com a voz estranha. – Subi de novo na ponte para achar Darget,coberto com o lençol,e só vi uns riscos estranhos no chão empoeirado,encostei naquilo e fui para o submundo...Lá era muito frio,então espanquei um cara que passava por lá e peguei as roupas dele...Senti que você estava em apuros,então segui o instinto.
Ele esperou eu dizer algo,mas apenas virei-me na cama,disse:
– Conta outra.
Uma batida na porta.
– Garotos. – Um homem velho fez uma pausa para a cena. – Quem quer sopa?
– Não tem pizza? – Perguntou o homem.
– Não,pizza não é nada saudável.
– Fala sério! Você parece a mãe do Robert.
– Quer ou não?
– Quero.
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Fui obrigado a ir com eles,não pela fala e sim pela gola do pijama,sim,aquele homem me puxou por trás,quase matando-me.
– Quente! – Disse o homem fazendo uma careta depois de tomar um pouco.
– Segure a colher direito,por favor. – Disse Tobeliey.
O estranho homem estava segurando uma colher de madeira com a mão cheia,e trêmula.
– É difícil fazer isso. – Disse ele olhando para a minha.
Larguei a colher.
– Não vou te desintegrar.
Idiota,cara idiota.
Idiota.
– Idiota. – Disse.
– Me respeita,eu te salvei. – Disse ele voltando a atenção para a sua colher.
– Mas deixou ele morrer!
– Ele já estava morto quando eu cheguei. – Disse ele friamente.
– O que passou – começou a dizer Tobeliey – passou.
– Vem cá,você tem sentimentos? – Perguntou o homem.
– Mais que você.
– Eu não saio ofendido tão rápido.
– Desculpe,não quis lhe ofender. – Ele olhou mais para o homem. – Quis afirmar.
– Você amava ele,não é? – O homem riu.
– Acho que ele mereceu ser amado.
– O ruivinho podia ser legal e tal,mas era só outro escravo.
Tobeliey arregalou os olhos.
– Só outro,é? – Disse ele com veneno.
O homem imobilizou-se.
– Cuidado com o Reino.
– Não tenho medo daqueles caras.
Idiotas.
Os dois.
Eu estou aqui!
– Vai ter,então.
Percebam-me!
O homem riu.
– Eu estou aqui! – Gritei.
– Eu sei. – Disse o homem se aproximando. – Mas não posso fazer nada,você me odeia.
– Eu te odeio!
– Eu sei!
Veio umas lágrimas,depois várias.
– Odeio isso!Odeio todos,odeio tudo! – Gritei mais,encolhendo-me em um rangido.
Senti amor.
Uma menina apareceu nos pequenos fragmentos de segundos que olhei para a frente.
A pirralha fantasma.
Senti amor.
Amor...?
– Não odeie,ame. – Ela disse com um olhar alegre. – Foi isso que eu fiz nos momentos de Maria.
– Momentos de Maria...? – Sussurrei.
– O que? – Ouvi dois homens dizerem.
Estava tudo enevoado,senti mãos.
E amor.
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Acho que estou virando um ótimo perdedor de consciência em momentos cruciais,esquisito,pois geralmente eu gritava em momentos cruciais,mas nada me dava a chance de desmair,parecia que eu era feito para sofrer.
Minha vida nunca foi perfeita,e eu nunca imaginei ela perfeita pois a única ideia que eu tinha de vidas perfeitas eram nos filmes,e como aquelas vidas eram chatas!
Vivi a minha vida encolhido,com medo,e isso era esquisito pois eu sempre pensava que era forte,mas...Eu tinha medo,e não escondia isso de mim.
Acho que o que eu escondia era que eu era forte.
Era?
Quando veio Tobeliey e as outras coisas esquisitas,só pensei que aquilo iria ser chato,e foi chato,muito chato e esquisito,e eu odiei tudo,xinguei tudo e eu não estou me martilizando por ter xingado ou odiado tudo,é que realmente foi.
Mas eu conheci umas pessoas interessantes,tirando umas que me imaginam nú e outras que me imaginam colado no chão com sangue,uma delas foi o Darget,achei ele idiota e metido a “rei das trevas” no começo,mas percebi que ele era bem normal depois,tirando que ele é um pedófilo sadista sugador de sangue...E percebi uma coisa que tinhamos em comum: Medo.
Uma outra pessoa foi a garotinha fantasma,a pirralha...Irritante como a maioria das crianças,mas foi ela quem tirou muito do meu medo,e ódio.
Então...Anne,uma garota com os olhos cor de mel,sempre trajes estranhos,falas estranhas e um olhar curioso,vigiando-me.
Acho que a magoei.
Minha capa está sendo destruída aos poucos,e acho isso horrível a cada vez que choro,queria passar despercebido,mas parece que eu sou o personagem principal e eu tenho que ser o Super Homem da vida.
Acontece que eu não quero ser o Super Homem da vida.
Eu quero ser um personagem de fundo...
Mas alguma coisa me diz que a cada vez que alguém acaricia meus cabelos,eles não podem passar despercebidos,parece que tem um imã de mãos ao cabelo.
Estou fingindo que estou dormindo e um par de vozem brigam.
“ Você é um monstro!”
“ Pare de tirar conclusões apertadas!”
“ Vá para o inferno!”
“Eu já estou nele!”
Levantei-me,segui as vozes,assustado,encontrei um homem de olhos luz e sombra e um homem parecendo um mordomo.
Ah,eles.
– Parem de brigar.
Os dois olharam.
Merda.
– Olha Robert... – Começou a dizer Tobeliey.
– O que passou,passou.
Quatro sombrancelhas levantaram.
– Esse é o meu garoto. – Disse o homem estranho.
– Eu sei que você é o Maramon.
O homem pareceu abatido.
– Fingiu que não sabia?
– Descobri agora.
Uma voz intrometida.
– Como descobriu? – Perguntou Tobeliey.
– Ninguém gosta tanto de pizza como o Maramon.
O homem de olhos luz e sombra deu um sorriso,com os olhos calorosos.
– Para de olhar assim para mim.
– É que é tão fofinho.
– Cala a boca.
Ele riu.
– Calminha,garotão.
Bufei: Ele falava mais em homem do que em forma de cachorro.
– Como vamos fazer agora?Darget se foi,e o cachorro idiota ficou humano,minha mãe não vai aceitar. – Sorri. – Agora eu tenho certeza disso.
– Sua mãe já se esqueceu de Darget. – Disse Tobeliey seriamente. – Como o resto de sua família,não me pergunte como,isso é coisa do Reino...E Maramon,diga que aconteceu algo trágico no acampamento,ou que ele fugiu...
– Acampamento? – Perguntei.
Eles sempre botavam aquele acampamento esquisito no meio.
– Bem,você ficou lá no submundo por dois dias,o que me resultou a gastar minhas poções e chamar o Reino.
– Que coisa,heim! – Intrometeu-se Maramon.
– Cala a boca. – Dissemos eu e Tobeliey ao mesmo tempo.
Suspirei.
Droga,por que isso aconteceu?Por que?Droga de submundo.
– Obrigado... – Disse,abaixando a cabeça.
Uma batida tensa na porta.
“Socorro!”
Tobeliey ficou perplexo.
E perplexidade não se encaixava muito a ele.
– Tobeliey! – Uma voz doce,porém gritada,cansada e chorada rangeu alto. – É você?Sou eu...Sou eu!
Fiquei observando Tobeliey,que olhava para a mesa,não piscava,depois olhou para a porta e correu até ela,a abriu.
– Victorine!
Avistei uma garota um tanto mais baixa que eu,cabelos negros escorridos e pele alva,olhos castanho escuro,e lábios rosados.
A garota estava com um vestido que poderia ser maravilhoso para um baile de gala,porém estava rasgado e sujo,igual a garota.
A pele dela estava com manchas vermelhas.
Quem teria feito aquilo?
Tobeliey e a garota se abraçavam,ela começou a dizer.
– Tobeliey...?É você? – Ela chorou mais. – Você está velho!
Ele riu.
– Eu sei... – Ele a desgrudou de seu ombro. – Você não mudou nada.
A garota fez cara de choro,botou as duas mãos em seu rosto.
Eu e Maramon fomos imcapazes de intrometer-nos ali.
Ficamos apenas...
Olhando.
– Parece,minha querida,que o plano de seu pai não deu muito certo. – Disse Tobeliey,a menina já tinha tirado as mãos do rosto.
– Não deu nada certo! – Ela olhou para baixo. – Ele morreu antes,Tobeliey,você não devia ter nos deixado!
Tobeliey ergueu o queixo dela.
– Uma princesa não deve chorar na frente de alguém tão imprestável.
Ela riu,então,ele continuou.
– Assim está melhor. – Um pequeno suspiro surgiu. – Nunca,nem se o Reino pedisse eu deixaria vocês,se soubesse disso.
Ele descansou sua mão na cabeça da menina.
– Mas eu não sabia.
Ela ajoelhou-se.
Voltou a chorar.
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