Notas iniciais
"Odeio tudo!"

Acordei sentindo palmas reconfortantes encostando em meu rosto gelado,acordei assustado,eu havia sonhado aquilo tudo?

Primeiro vi um homem estranho de aparência peculiar,seus olhos eram luz e sombra como os de Samyaza,só que a tonalidade da cor era invertida,ele estava olhando-me com dor nos olhos,depois vi Tobeliey,que também não estava muito alegre,os olhos meio avermelhados,teria ele chorado?

– Robert? – Perguntou Tobeliey.

– E o Darget?

Ouvi um gemido de dor vindo de alguém.

– Desculpe Robert,se eu não tivesse sido tão imbecil,tão cabeça dura e querer reinar sobre tudo...Ele estaria entre nós. – Disse o homem desconhecido de aparência peculiar.

– Quem é você? – Perguntei,debilitado,meu corpo não estava dolorido,mas sentia cansaço.

– Você não me reconhece?

– Não.

Ele suspirou.

– Sou eu.

– Eu quem?

– Talvez...Um cachorro idiota?

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Estava com uma xícara de chá em minhas mãos trêmulas,sentado perto de Tobeliey e o sujeito que se intitulava Maramon,ele me explicava como Darget tinha sido corajoso.

Comecei a tremer mais.

– Eu não queria ter matado ele! – Gritei.

– Não matou! – Berrou o homem de volta. – Fui eu que o matei!

– Eu te odeio! – Comecei a chorar. – E você não é Maramon.

Olhei para Tobeliey,que observava seriamente tudo.

– Acho melhor o Robert descançar,Maramon. – Ele disse.

– O que? Você acreditou nessa loucura? – Gritei.

Tobeliey suspira.

– Eu não quero descançar! – Gritei.

Mas um cansaço tomou conta de mim,era triste que eu mal podia fazer a minha própria vontade de ficar acordado.

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Senti mãos em meus cabelos,isso me deixou com ondas de arrepios pelo corpo,odiava isso,sempre era estranho ter o corpo estremecido.

– Eu sei que está acordado.

Aquela voz.

Luz.

Sombra.

– Por... – meu corpo estremeceu mais – que?

– Ele...

Ouvi um suspiro.

– Eu fui ruim com ele naquela noite.

– Aposto que ele não se importou.

– Quem sabe?

Eu estava olhando para baixo,aquela mão com longos dedos ainda mexia em meu cabelo.

Olhei para cima.

Aquele homem era diferente,parecia ser sombrio,porém com luz.

Difícil dizer.

– Prove que é o cachorro idiota.

– Provar?

– É.

– Bem... – Ele começou a falar como se estivesse comendo pasta de amendoim,mostrou os dentes,que eram brancos,mas os caninos eram...Muito caninos.

Do mesmo tamanho de dentes normais,só que muito mais afiados.

– Isso qualquer monstrinho pode ter. – Dei de ombros.

– Qualquer monstrinho é o caralho.

– Olha a boca.

Ele deu um suspiro pesado.

– O Darget tinha me enganado com um osso...Caí no riu,depois saí em forma de homem,estranhei... – Ele deu um meio sorriso. – Uma moça me viu e fez cara de espanto...E jogou um daqueles...Lençóis,é esse o nome?Em cima de mim.

– Se fosse eu,sairia correndo. – Sussurrei.

– Eu ouvi. – Disse ele com a voz estranha. – Subi de novo na ponte para achar Darget,coberto com o lençol,e só vi uns riscos estranhos no chão empoeirado,encostei naquilo e fui para o submundo...Lá era muito frio,então espanquei um cara que passava por lá e peguei as roupas dele...Senti que você estava em apuros,então segui o instinto.

Ele esperou eu dizer algo,mas apenas virei-me na cama,disse:

– Conta outra.

Uma batida na porta.

– Garotos. – Um homem velho fez uma pausa para a cena. – Quem quer sopa?

– Não tem pizza? – Perguntou o homem.

– Não,pizza não é nada saudável.

– Fala sério! Você parece a mãe do Robert.

– Quer ou não?

– Quero.

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Fui obrigado a ir com eles,não pela fala e sim pela gola do pijama,sim,aquele homem me puxou por trás,quase matando-me.

– Quente! – Disse o homem fazendo uma careta depois de tomar um pouco.

– Segure a colher direito,por favor. – Disse Tobeliey.

O estranho homem estava segurando uma colher de madeira com a mão cheia,e trêmula.

– É difícil fazer isso. – Disse ele olhando para a minha.

Larguei a colher.

– Não vou te desintegrar.

Idiota,cara idiota.

Idiota.

– Idiota. – Disse.

– Me respeita,eu te salvei. – Disse ele voltando a atenção para a sua colher.

– Mas deixou ele morrer!

– Ele já estava morto quando eu cheguei. – Disse ele friamente.

– O que passou – começou a dizer Tobeliey – passou.

– Vem cá,você tem sentimentos? – Perguntou o homem.

– Mais que você.

– Eu não saio ofendido tão rápido.

– Desculpe,não quis lhe ofender. – Ele olhou mais para o homem. – Quis afirmar.

– Você amava ele,não é? – O homem riu.

– Acho que ele mereceu ser amado.

– O ruivinho podia ser legal e tal,mas era só outro escravo.

Tobeliey arregalou os olhos.

– Só outro,é? – Disse ele com veneno.

O homem imobilizou-se.

– Cuidado com o Reino.

– Não tenho medo daqueles caras.

Idiotas.

Os dois.

Eu estou aqui!

– Vai ter,então.

Percebam-me!

O homem riu.

– Eu estou aqui! – Gritei.

– Eu sei. – Disse o homem se aproximando. – Mas não posso fazer nada,você me odeia.

– Eu te odeio!

– Eu sei!

Veio umas lágrimas,depois várias.

– Odeio isso!Odeio todos,odeio tudo! – Gritei mais,encolhendo-me em um rangido.

Senti amor.

Uma menina apareceu nos pequenos fragmentos de segundos que olhei para a frente.

A pirralha fantasma.

Senti amor.

Amor...?

– Não odeie,ame. – Ela disse com um olhar alegre. – Foi isso que eu fiz nos momentos de Maria.

– Momentos de Maria...? – Sussurrei.

– O que? – Ouvi dois homens dizerem.

Estava tudo enevoado,senti mãos.

E amor.

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Acho que estou virando um ótimo perdedor de consciência em momentos cruciais,esquisito,pois geralmente eu gritava em momentos cruciais,mas nada me dava a chance de desmair,parecia que eu era feito para sofrer.

Minha vida nunca foi perfeita,e eu nunca imaginei ela perfeita pois a única ideia que eu tinha de vidas perfeitas eram nos filmes,e como aquelas vidas eram chatas!

Vivi a minha vida encolhido,com medo,e isso era esquisito pois eu sempre pensava que era forte,mas...Eu tinha medo,e não escondia isso de mim.

Acho que o que eu escondia era que eu era forte.

Era?

Quando veio Tobeliey e as outras coisas esquisitas,só pensei que aquilo iria ser chato,e foi chato,muito chato e esquisito,e eu odiei tudo,xinguei tudo e eu não estou me martilizando por ter xingado ou odiado tudo,é que realmente foi.

Mas eu conheci umas pessoas interessantes,tirando umas que me imaginam nú e outras que me imaginam colado no chão com sangue,uma delas foi o Darget,achei ele idiota e metido a “rei das trevas” no começo,mas percebi que ele era bem normal depois,tirando que ele é um pedófilo sadista sugador de sangue...E percebi uma coisa que tinhamos em comum: Medo.

Uma outra pessoa foi a garotinha fantasma,a pirralha...Irritante como a maioria das crianças,mas foi ela quem tirou muito do meu medo,e ódio.

Então...Anne,uma garota com os olhos cor de mel,sempre trajes estranhos,falas estranhas e um olhar curioso,vigiando-me.

Acho que a magoei.

Minha capa está sendo destruída aos poucos,e acho isso horrível a cada vez que choro,queria passar despercebido,mas parece que eu sou o personagem principal e eu tenho que ser o Super Homem da vida.

Acontece que eu não quero ser o Super Homem da vida.

Eu quero ser um personagem de fundo...

Mas alguma coisa me diz que a cada vez que alguém acaricia meus cabelos,eles não podem passar despercebidos,parece que tem um imã de mãos ao cabelo.

Estou fingindo que estou dormindo e um par de vozem brigam.

“ Você é um monstro!”

“ Pare de tirar conclusões apertadas!”

“ Vá para o inferno!”

“Eu já estou nele!”

Levantei-me,segui as vozes,assustado,encontrei um homem de olhos luz e sombra e um homem parecendo um mordomo.

Ah,eles.

– Parem de brigar.

Os dois olharam.

Merda.

– Olha Robert... – Começou a dizer Tobeliey.

– O que passou,passou.

Quatro sombrancelhas levantaram.

– Esse é o meu garoto. – Disse o homem estranho.

– Eu sei que você é o Maramon.

O homem pareceu abatido.

– Fingiu que não sabia?

– Descobri agora.

Uma voz intrometida.

– Como descobriu? – Perguntou Tobeliey.

– Ninguém gosta tanto de pizza como o Maramon.

O homem de olhos luz e sombra deu um sorriso,com os olhos calorosos.

– Para de olhar assim para mim.

– É que é tão fofinho.

– Cala a boca.

Ele riu.

– Calminha,garotão.

Bufei: Ele falava mais em homem do que em forma de cachorro.

– Como vamos fazer agora?Darget se foi,e o cachorro idiota ficou humano,minha mãe não vai aceitar. – Sorri. – Agora eu tenho certeza disso.

– Sua mãe já se esqueceu de Darget. – Disse Tobeliey seriamente. – Como o resto de sua família,não me pergunte como,isso é coisa do Reino...E Maramon,diga que aconteceu algo trágico no acampamento,ou que ele fugiu...

– Acampamento? – Perguntei.

Eles sempre botavam aquele acampamento esquisito no meio.

– Bem,você ficou lá no submundo por dois dias,o que me resultou a gastar minhas poções e chamar o Reino.

– Que coisa,heim! – Intrometeu-se Maramon.

– Cala a boca. – Dissemos eu e Tobeliey ao mesmo tempo.

Suspirei.

Droga,por que isso aconteceu?Por que?Droga de submundo.

– Obrigado... – Disse,abaixando a cabeça.

Uma batida tensa na porta.

“Socorro!”

Tobeliey ficou perplexo.

E perplexidade não se encaixava muito a ele.

– Tobeliey! – Uma voz doce,porém gritada,cansada e chorada rangeu alto. – É você?Sou eu...Sou eu!

Fiquei observando Tobeliey,que olhava para a mesa,não piscava,depois olhou para a porta e correu até ela,a abriu.

– Victorine!

Avistei uma garota um tanto mais baixa que eu,cabelos negros escorridos e pele alva,olhos castanho escuro,e lábios rosados.

A garota estava com um vestido que poderia ser maravilhoso para um baile de gala,porém estava rasgado e sujo,igual a garota.

A pele dela estava com manchas vermelhas.

Quem teria feito aquilo?

Tobeliey e a garota se abraçavam,ela começou a dizer.

– Tobeliey...?É você? – Ela chorou mais. – Você está velho!

Ele riu.

– Eu sei... – Ele a desgrudou de seu ombro. – Você não mudou nada.

A garota fez cara de choro,botou as duas mãos em seu rosto.

Eu e Maramon fomos imcapazes de intrometer-nos ali.

Ficamos apenas...

Olhando.

– Parece,minha querida,que o plano de seu pai não deu muito certo. – Disse Tobeliey,a menina já tinha tirado as mãos do rosto.

– Não deu nada certo! – Ela olhou para baixo. – Ele morreu antes,Tobeliey,você não devia ter nos deixado!

Tobeliey ergueu o queixo dela.

– Uma princesa não deve chorar na frente de alguém tão imprestável.

Ela riu,então,ele continuou.

– Assim está melhor. – Um pequeno suspiro surgiu. – Nunca,nem se o Reino pedisse eu deixaria vocês,se soubesse disso.

Ele descansou sua mão na cabeça da menina.

– Mas eu não sabia.

Ela ajoelhou-se.

Voltou a chorar.

Notas finais
Então,comentem! ;)