Um Menino Quase Feiticeiro - A Verdade
7 A Menina-Fantasma
Notas iniciais
“Desapareceu!Aquela menina desapareceu na minha frente!” – Pensava Robert durante as aulas.
O sinal que dava fim `a todas as aulas bateu,e eu teria que completar a rotina de fugir do pessoal da minha turma(que por sua vez não tinha esquecido do meu “apelido”),entrar no carro e esperar os outros,depois descansar e encontrar com Tobeliey e os idiotas às 16:00 horas,junto com o “rei das trevas”,pois não dava para deixá-lo sozinho.
Chegando em casa fiz o que devia de fazer,e no resto da tarde,fiquei em meu quarto assistindo TV e pensando na tal garota,já Darget eu não sei,Maramon tagarelou que ele estava lendo um livro de poesias,aquele cachorro sempre corria atrás de Darget para saber o que ele estava fazendo,Maramon dizia que as vezes chegava em momentos ruins,quando as presas dele estavam para fora,e ele bebia um pouco de sangue da garrafa dele.
– A minha opinião. – Disse botando um pouco de salgadinho na boca,e logo em seguida dizendo com a boca cheia sem parar de ver TV: — É que mate de vez ele.
Maramon não disse nada por um momento,porém,logo deu sua resposta(sempre dava,e isso era na maior parte das vezes,irritante):
– Precisamos dele,e além disso,ele está se comportando.
Não lhe disse nada de volta,apenas fiquei assistindo TV,Maramon bufou e saiu do quarto.
“Aquela garota,será que foi verdade?”- Pensava.
– Olá,Robert. – Disse aquela voz suavemente fina.
Olhei para o lado e estremeci: Aquela menina,com as mesmas roupas e o mesmo sorriso.
– Quem é você? – Disse,pulando em minha cama.
A menina riu,e por fim disse:
– Você fica mais assustado comigo do que quando Maramon começou a falar! – Ela disse de um modo divertido.
– Quem é você? – Repeti.
A menina tomou uma posição triste:
– Fico triste que minha existência tenha se acabado na mente de vós,porém volto apenas para você,Robert,para lhe ajudar nesses momentos tão difíceis.
Senti uma calma tomar conta de meu corpo,por que?Tinha uma fedelha no meu quarto falando coisas esquisitas,se bem que,isso era o menos esquisito de todos.
– Na verdade,lembro-me um pouco de você,mas de onde?
– Na Floresta do Norte do Submundo,onde Maramon libertou-me de uma prisão que vinha de uma dimensão conturbada e gritada,porém se tu não estivestes lá,nada teria acontecido.
Tentei digerir aquilo tudo que não me lembrava,difícil...Porém continuei a perguntar:
– O que quer?
– Irei te ajudar com a interligação,com seus nervos e... – Ela pensou mais um pouco . – Mais umas coisinhas. – Disse a fedelha piscando.
Um estrondo: A porta de meu quarto se abriu.
– Maninho eu queria a... – Disse Tulipa entrando no quarto,ela arregalou os olhos e abriu a boca,o que eu achei ridículo. – Você tem uma amiguinha e nem me disse!
Fiquei pasmo.
– Ah,eu... – Comecei a falar,porém minha mãe entrou no quarto e disse:
– Robert!Está deixando Darget sozinho de novo!Converse mais com ele. – Disse minha mãe,sem perceber a presença da menina de vestido branco.
– Mamãe!Olhe a minha nova amiga. – Disse Tulipa indo ao lado da menina.
Mamãe riu,e por fim disse:
– Ah querida,ela é linda. – Disse mamãe piscando para mim.
O que?Quando mamãe piscava,era uma mensagem irônica para mim,e isso quer dizer que ela não acreditou em Tulipa,ela não enxergava a menina?
– Vou te chamar de Manoela! – Disse alegremente Tulipa. – Vamos brincar!
– Vamos! – Disse a menina rindo meigamente.
Tulipa e Manoela saíram correndo pela porta,mas com uma “pequena” diferença: Tulipa desviou de minha mãe e “Manoela”...Bem,a fedelha não.
– Crianças!Sempre com a imaginação ativa. – Ela voltou a atenção para mim. – E você,garotinho,dê mais atenção para Darget!
– Sim,mamãe. – Eu disse em tom monótono,como sempre.
Ela piscou e fechou a porta,deixando-me sozinho,eu estava arfando,era muita adrenalina,esse tipo de cena só se vê em filmes!
O tempo foi passando mais e mais,com Maramon entrando e saindo,e assim,eu decidi deixar a história apenas para mim.
– Ele lê um livro de poesias de William Shakespeare . – Disse Maramon entrando pela milésima vez em meu quarto.
– E eu com isso? – Perguntei olhando para ele.
– Isso pode ser uma coisa ruim!Veja bem,ele gosta de Madalena...E lendo essas coisas,vai alimentar ainda mais isso!
– Sabe do que se trata as poesias de Shakespeare? – Suspirei. – Eu não ligo que ele “alimente” isso,na verdade,até gosto e torço para dar certo,assim aquela garota para de me irritar.
– Eu perguntei para ele do que se tratava,e a “magia” me respondeu. – Ele riu,e depois ficou sério: — Seria ruim para os dois,pois ele é um ser que dura mais,tem cede de sangue e pode ser perigoso,já ela,é uma garota humana,frágil.
Comecei a rir.
– Frágil?Eu aposto cem reais que ele é bem mais frágil que ela,aquela favelada mora em um lugar que se olhar para um lado ta morto.
Maramon suspirou,depois deitou-se no tapete.
– Ter um servo é difícil.
– Já disse para matá-lo.
– E eu já lhe disse as razões pelas quais eu não o mato.
Batidas na porta,logo depois uma voz:
– Posso entrar? – Perguntou.
Darget.
Revirei os olhos,e respondi:
– Pode.
Ele entrou,foi até sua mala que ficava perto de sua cama(que era igualmente à minha,de solteiro),e guardou o livro que eu achei que era de poesias,depois deitou-se na cama e disse:
– Daqui a pouco temos de ir.
– Você ouviu a nossa conversa? – Perguntou Maramon,ignorando-o.
Darget,como sempre,não respondeu.
– Estou mandando você responder. – Disse Maramon.
Passou-se uns segundos,e como Darget não respondeu,começou a se contorcer de dor.
– Ouvi! – Ele disse gemendo,e complementou: — Você já deveria saber que vampiros ouvem bem.
– Saiba que – Maramon pausou o que iria dizer por um breve momento,e continuou: — se não colaborar,é bem possível que vá direto para o inferno,se é que me entende.
Darget não disse nada,estava de barriga para baixo na cama,porém olhava para nós,e seus olhos brilhavam de algo que eu chamaria de ódio.
Olhei no meu relógio de pulso e disse:
– Temos que ir,já estamos atrasados.
– Sim. – Disse Maramon. – Darget,você vem conosco.
O treinamento com Tobeliey estava bem chato,na verdade parecia aula de educação física,o que eu me dava bem,porém achava chato.
– Quando que vamos aprender a sei lá,fazer poções com veneno de sapo? – Perguntei enquanto fazia abdominais.
– Quando eu decidir ser a hora.
Aquilo estava irritando-me,não pelo fato de que fazer abdominais cansasse – para mim não cansava tanto quanto uns que via na escola – mas sim pelo fato de Maramon ter dividido seu poder comigo naquele dia e eu não souber que tipo é,na verdade,sequer fizeram a chamada “finalização sagrada”,que fazia com que o poder voltasse todo novamente para o animal.
– Eu e o Maramon não fizemos finalização daquela vez. – Disse.
– Tudo bem,a finalização foi feita quando saíram do submundo,aconteceu uma descarga de energias,o que forçou isso acontecer.
– Como sabe?
– Sou um treinador de interligação,eu vejo e sinto coisas do tipo.
– Então sabe qual é o poder de Maramon? – Perguntei.
– Não.
Cansei-me das abdominais e caí com a cara no gramado.
– Já?Só fez quarenta e sete. – Disse Tobeliey com ar debochado.
– Cala a boca,velho nojento.
Tobeliey ignorou-me e disse:
– Ok,Luke,pode parar,você venceu.
Luke que estava tão concentrado nas abdominais parou,sentou-se no gramado e me olhou com uma cara de “vencedor”,e eu,bem,eu não liguei.
Dei uma olhada procurando Maramon: Ele estava junto com os outros pulguentos,que estavam dormindo,porém Maramon olhava para Darget,que por sua vez conversava com Madalena,a garota que havia caído de cara na grama logo após sete abdominais.
– Bem,bem – gritou Tobeliey,que despertou de meu transe,ele fazia gestos com as mãos para Madalena e para os animais,que estavam se aproximando – Hora de treinarem com os seus animais. – Tobeliey deu um risinho. – Espero que todos sejam bem...Resistentes.
– Como assim? – Perguntei.
– É simples: O animal ataca sem poderes e vocês revidam.
Congelei com o pensamento de que Maramon me atacaria.
Tobeliey sorriu,e por fim disse:
– Podem começar!
“Podem começar!” Foi a última coisa que eu ouvi antes de me ver deitado no chão com um cachorro em cima de mim,babando.
– Está louco? – Disse repugnado. – Saia de cima de mim!
Maramon mordeu o meu braço,o que doeu,e doeu muito!Olhei para a boca dele e vi sangue.
Meu sangue?
– Debaixo do queixo. – Disse uma voz doce,e eu reconhecia,era da fedelha.
Fechei o punho e dei com a maior força que podia um soco debaixo do queixo de Maramon,que por fim saiu de cima de mim.
Levantei-me desesperado,e por fim disse:
– Está ficando louco? – Gritei.
– Não! Mas as trevas que te atacarão sim!
Olhei ao redor e percebi que todos também estavam um pouco machucados,menos Tobeliey,que olhava satisfeito com o resultado.
Senti uma presença ao meu lado e virei-me: Vi Darget,suas presas estavam de fora.
– Que cheiro bom... – Seus olhos olhavam para o meu machucado. – Deixe-me provar...
Darget segurou o meu braço,e,no mesmo momento vi apenas um vulto negro o levando para o chão.
– Deixe-me provar!Deixe-me provar! – Gritava Darget olhando para mim,e tentando tirar Maramon de cima dele.
Tobeliey ajudou Maramon a segurar Darget.
– Todos menos os animais mágicos! – Ele parou para fazer mais força com as mãos,para deter Darget enquanto gritava. – Para dentro!
Obedecemos ele,Madalena não quis obedecer,mas Luke com toques carinhosos a convenceu,chegando na casa de Tobeliey desabei no sofá,eu estava ofegante(pois praticamente corri até ali),e tremendo.
Madalena e Luke ficaram olhando para o meu machucado,ele ardia e era meio...Sangrento demais,até que Madalena pegou um pano e uma bacia de água,começando a limpar.
– E-ei!Isso arde! – Reclamei.
– Vai passar. – Disse Madalena docemente.
Luke observava tudo sentado na cadeira que fazia conjunto com a mesa.
– Ele é perigoso. – Disse Luke,olhando para Madalena,que estava concentrada em limpar a minha ferida. – Deveria parar de falar com ele.
– Ele não é perigoso...Só perdeu o controle. – Disse Madalena.
Luke bufou.
Passou-se um tempo,Madalena já havia parado de limpar minha ferida,e quando terminou de fazer os curativos,ela deu-me um beijo em meu rosto,o que me deixou um pouco...Vermelho,e eu odiava isso,não disse nada até que Luke começasse a conversar com Madalena,ela estava assustada,pois conseguia ouvir os berros de Darget,afinal,quem não iria conseguir?Eram berros estranhos,as vezes eu pensava que era alguma criatura,mas aquilo fazia difusão com a voz de Darget,e percebi,assim,que era ele.
Tobeliey entrou carregando Darget,que estava dormindo nos braços dele,os pulguentos vieram logo atrás.
– Ele perdeu a cabeça. – Disse Tobeliey.
– Percebi. – Fiz uma pausa. – Deviam de matá-lo.
– Não! – Gritou Madalena.
Tobeliey bufou,e por fim continuou:
– Ele está se acostumando com pouco sangue,acho que ver o seu deve de ter atiçado seu extinto,Robert. – Tobeliey sorriu. – Seu sangue pode ser atraente para ele.
Luke deu uma risada.
“Que ótimo” – Pensei. – “Um vampiro acha o meu sangue mais atraente do que o sangue da própria amada”.
– Ou o Robert pode ser uma criatura das trevas. – Disse Maramon.
Todos,até eu,ficamos pasmos com essa hipótese.
– Por que acha isso? – Perguntou Tobeliey.
– Veja bem. – Começou a falar Maramon. – Ele não disse que sentia o mesmo que eu sentia?E Darget sempre vê Madalena tirar o sangue,porém não fica descontrolado,mas quando aconteceu isso com Robert,ele entrou em completo desespero e quase mostrou sua verdadeira aparência.E lembrei-me de que todo mundo sabe que...Vampiros tem uma queda por sangue de criaturas das trevas.
Todos ficaram em silêncio.
– Vamos ter que examinar mais isso... – Disse Tobeliey.
Darget gemeu,olhei para ele e vi que de seus olhos saíam sangue.
– Mamãe... – Ele sussurrou.
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