Notas iniciais
Pro lindo XxMatheus Sterek - realmente, fica complicado responder todas as reviews, mas eu leio tudo e guarda cada uma no coração. É só por causa de vcs que continuo escrevendo! E Raphael Fernandes, a foto que te enviei foi do cheesecake de frutas vermelhas. O bolo de chocolate polonês vou fazer quando for te visitar em Brasília ;)

Derek não tinha o que reclamar nos dias que se seguiram à limpeza do sótão. Além de gastarem o tempo pesquisando preços de móveis antigos para saberem quanto cobrar pelos artigos encontrados, Stiles passava quase o dia todo na cozinha. Ele testava as receitas do livro, marcando as que ficavam melhores.

Numa das vezes, Stiles conseguiu derramar todo o barszcz sobre si. A sopa de beterraba, linguiça defumada e creme de leite tinha sido preparada rapidamente até, mas a frustração do rapaz foi perceber que a mancha em sua camisa xadrez preferida não sairia mais. Stiles ficou tão chateado que não quis mais mexer na cozinha aquele dia e mandou Derek pra rua comprar algo para comerem.

– Qualquer coisa. Qualquer comida, de qualquer lugar do mundo. Mas que fique bem distante da Polônia e suas estúpidas beterrabas. — ele informou, enquanto batia a porta do banheiro para tomar banho.

Derek saiu para comprar a comida, cumprimentando os vizinhos e parando para conversar com um ou outro conhecido no caminho. Avistou uma loja do McDonalds, mas depois de passar praticamente uma semana desfrutando de uma alimentação caseira, ele se recusava a comer qualquer coisa dali.

Passou reto pelo lugar e foi até ao mercado. Stiles e ele já haviam provado uma das massas congeladas que o lugar vendia e ele pensou que seria bom experimentar a lasanha a bolonhesa que eles viram outro dia.

Já havia colocado as duas embalagens da comida no cesto, bem como uma caixa de suco de laranja e algumas cervejas e já ia seguindo para o caixa, quando viu algo que lhe chamou a atenção.

Parou no corredor por alguns instantes, considerando as opções e, com um sorriso quase sacana, escolheu o que parecia mais indiscreto.

Quando chegou em casa, Stiles já estava na sala, com Arya deitada em seu colo, assistindo um documentário na Discovery.

– Trouxe lasanha. – ele informou, assim que fechou a porta atrás de si.

– Ótimo! Lasanha é bom.

– Vou colocar no forno, ok? Ah, e isso é para você.

Ele jogou um pacote no sofá e foi para a cozinha, esperando a reação exagerada que Stiles teria ao ver o que tinha comprado.

Antes mesmo de colocar as sacolas sobre o balcão, ele ouviu os passos apressados do rapaz e se virou, pronto para ouvir os protestos.

– Você comprou um avental pra mim? – Stiles parecia chocado, mas feliz ao mesmo tempo.

– Bom... – ele deu de ombros – Você não vai perder mais nenhuma camisa.

Ele continha o riso, enquanto via o rapaz vestir o avental preto que tinha o símbolo do Batman na altura do peito.

– Você é incrível! – Stiles sorriu e puxou Derek para um abraço apertado, deixando o lobisomem sem reação – Vai ser muito mais legal cozinhar agora.

Derek não sentiu o gosto da comida depois disso. O cheiro de Stiles em sua camisa, a euforia do rapaz com o presente, os planos para todas as comidas que ele pretendia preparar distraíram o lobisomem pelo resto da noite.

E foram pratos com carnes, legumes, doces com queijos, frutas vermelhas, até mesmo algumas coisas com chocolates. Além de descobrirem que o caderno de receitas tinha anotações mais recentes, acrescentadas, certamente, depois que a família de Jed chegou à América.

Receitas de cookies com gotas de chocolate, brownies com conhaque na massa e até um cheesecake de morango e amora podiam ser encontrados no livro. Era essa última receita que Derek estava esperando Stiles servir na quinta-feira, quando a campainha tocou.

– Agora? – ele reclamou, sem vergonha de esconder o aborrecimento, enquanto via o rapaz colocar a panela com a calda de frutas sobre a pia.

– Calma, Sourwolf. Só vou atender a porta. O cheesecake não vai fugir da mesa.

Stiles seguiu até a porta e voltou, instantes depois, com Tamara e Orson atrás de si. Derek queria gemer de frustração, percebendo que teria que dividir seu cheesecake com os vizinhos.

A conversa entre eles era amena enquanto Stiles servia os pratos e esperava os comentários sobre o doce.

– Oh meu Deus! – Tamara exclamou ainda de boca cheia – Isso é pra comer ajoelhada.

Orson não se deu ao trabalho de falar, apenas tomou a liberdade de servir mais um pedaço em seu prato antes mesmo de terminar o primeiro.

– E você, Derek? – Stiles parecia mais preocupado com a opinião dele do que com a dos vizinhos.

– Está bom. – ele respondeu, sem grande entusiasmo.

– Bom? Só isso? – o filho do xerife tinha um tom ligeiramente chateado.

– É. Bom. – ele insistiu na resposta, vendo como os vizinhos olhavam constrangidos para os dois.

– Ok, então. – Stiles puxou seu prato para si, mas parecia ter perdido a vontade de comer.

– Bem, não podemos demorar. Orson tem essa mania de não perder o telejornal das 7:45. – Tamara falou alto demais e puxou o prato da mão do marido que não tinha terminado de comer seu segundo pedaço de cheesecake – Só passamos mesmo para convidá-los para um jantar amanhã. Brian e Justin estão chegando pela manhã e pensamos que seria bom se vocês se encontrarem. O que acham?

– Por mim... – Stiles respondeu, sem muita empolgação.

– Claro. A que horas? – Derek perguntou, mantendo um sorriso educado.

– As 7 está bom para vocês?

– Perfeito. Precisa que a gente leve alguma coisa? – Derek parecia mais educado que o normal e Stiles não se deu ao trabalho de participar da conversa.

– Nada, querido. – Tamara respondeu de um jeito carinho, quase maternal – Só estejam lá. Brian vai ficar feliz em ter mais alguém feito ele para conversar.

Eles se despediram e Stiles os levou até a porta para se despedir. Voltou para cozinha pronto para limpar os pratos e dar boa noite a Derek. Não sabia explicar exatamente porque se sentia tão chateado.

Ok, ele sabia bem o que tinha lhe aborrecido. Desde que começara a testar as receitas do caderno que Derek encontrava palavras novas para expressar o quanto tinha gostado dos pratos. Algumas vezes nem eram palavras, apenas sons, ruídos, rosnados quando Stiles ia servir um pouco para si mesmo.

Mas aquele “está bom” foi como um balde de água fria. Ele havia gastado quase duas horas para fazer a receita. Picou os morangos e amoras em pedaços iguais, mexeu a panela no fogo até dar o ponto da calda, bateu o cream cheese na mão, para não errar a textura. E no fim das contas Derek só diz que a sobremesa está boa?

Respirou fundo, alongando o pescoço enquanto andava pelo corredor e entrou na cozinha sem esperar encontrar o lobisomem ali. Mas o que viu, fez seus olhos se arregalarem: Derek Hale comendo a sobremesa direto do prato de vidro onde ela estava disposta.

– O que é isso? – o rapaz indagou.

– Isso o que? – ele retornou a pergunta, falando de boca cheia.

– Isso. Você, o cheesecake, a falta de educação comendo na vasilha e falando de boca cheia.

– Isso aqui, — Derek apontou para o doce com o garfo – é meu. Você fez pra mim.

Stiles soltou um riso incrédulo.

– Você mentiu na cara dos nossos vizinhos?

– Menti quando?

– Quando disse que o doce estava bom.

– Não menti. Ele está bom mesmo. Só não enfatizei o quanto. Orson já tinha comido dois pedaços e Tamara parecia que ia pedir para levar pra casa.

– Você não precisava ter feito isso, Der. Se eles levassem para casa, eu faria outro para você.

– Ia ter que esperar até amanhã para comer. – ele deu de ombros, olhando para o doce a sua frente, mas sentindo aquele calor agradável dentro de si sempre que Stiles demonstrava algum carinho.

O rapaz riu, agora verdadeiramente feliz, e se sentou para comer seu pedaço resmungando qualquer coisa sobre lobisomens gulosos.

***

As 19 horas e cinco minutos, eles tocaram a campainha na casa ao lado. Isso depois de uma discussão sobre Derek não precisar da jaqueta de couro para um jantar com os vizinhos e sobre Stiles não precisar fazer um souflé de chocolate para levar de sobremesa.

– Deixa que eu abro. – uma voz animada soou de dentro da casa e logo a porta se abriu.

E a boca de Stiles se abriu também.

O cara na frente dele devia ser um astro pornô. Não tinha outra definição. Mais alto que Derek, o cabelo cortado estilo militar e braços musculosos que dariam inveja em qualquer outro homem que Stiles já tinha visto sem camisa. Incluindo Derek Hale.

– Boa noite! – ele cumprimentou com um sorriso largo, estendendo a mão que Derek demorou a pegar – Sou Ian. Vocês devem ser Stiles e Derek, certo?

Derek deu uma cotovelada discreta em Stiles, fazendo o rapaz sair do torpor e aceitar o cumprimento que agora era estendido a ele.

– Sim. Derek, ele. Eu, Stiles.

– Muito prazer. – Ian parecia medir Stiles da cabeça aos pés e deu um passo para trás, chamando – Vamos entrar. Tamara estava esperando por vocês.

Os dois entraram na residência e logo a dona da casa apareceu, limpando as mãos num avental.

– Que bom que vieram! Oh, querido, o que é isso na sua mão?

– Ah um souflé de chocolate para a sobremesa. – Stiles respondeu, sentindo-se tímido de repente.

– Que maravilha! – a mulher se animou – Aposto que está uma delícia. Ian, as mãos de Stiles são mágicas na cozinha.

– Posso imaginar. – Ian tinha um sorriso quase indecente.

– Mãe, quem está... Oh, você deve ser Stiles e você Derek. Minha mãe não para de falar em vocês há dias. Sou Brian e este aqui é Justin.

Derek gostou mais de Brian e Justin do que de Ian que parecia não tirar os olhos de Stiles. O filho de Tamara tinha um tipo físico magro, porém definido. Cabelos negros, olhos castanhos, queixo firme e uma elegância incomum, em sua roupa social de cor escura. Justin, por sua vez, era quase o oposto, os cabelos loiros jogados num topete bem feito, calças jeans mais justas ao corpo e camisa de algodão, além de parecer ser quase tão jovem quanto Stiles.

– Devíamos tomar um vinho antes do jantar. – Justin sugeriu e, enquanto Tamara levava a sobremesa para a cozinha, os outros foram para a sala de estar onde a lareira estava acesa.

Orson sentou-se em sua poltrona preferida, mais próxima ao fogo. Brian sentou-se na poltrona oposta a do pai e Justin ocupou o braço da mesma poltrona. Assim, Stiles se viu ocupando o sofá de três lugares, ficando no meio de Ian e Derek.

A noite seguia tranquila e agradável, todos conversando, trocando histórias de vida. Stiles descobriu que Brian era advogado e Justin publicitário. Os dois dividiam um apartamento em São Francisco no mesmo prédio que Ian morava e eles se conheceram no dia da mudança. Já Ian contou que era bombeiro, mas os amigos começaram a rir e Stiles franziu a testa na direção deles, perguntando:

– Qual a graça? Vai dizer que ele é bombeiro hidráulico, mas diz só que é bombeiro porque acha mais sexy usar um uniforme do que um macacão?

– Não! – Justin respondeu, ainda rindo – Embora eu ache que a escolha da profissão foi por causa do uniforme, não é disso que estamos rindo. Ian é mesmo bombeiro. De verdade. Mas ele tem o sonho secreto de ser dublador de desenho animado.

– Ei! – Ian protestou, ficando corado.

– Dublador? – Derek questionou, pensando que aquilo era algo muito idiota. Quem, em sã consciência teria o sonho de ser dublador.

– É sério isso? – Stiles pareceu mais interessado do que Derek gostaria.

– Não. Não é sério. É que... – o bombeiro coçava a nuca, constrangido – Eu leio para as crianças na biblioteca municipal duas vezes por mês. E eles fazem essas brincadeiras comigo porque eu costumo imitar vozes enquanto conto as histórias.

Se Derek pudesse odiar alguém em sua vida mais do que odiava Kate Argent, o bando de alfas e seu professor de Química na escola, essa pessoa era, sem dúvidas, Ian Hooper, o bombeiro perfeito que lê para criancinhas.

O jantar foi servido antes que Derek pudesse rosnar para o “bom moço”. Tamara apontou o lavatório para que todos pudessem lavar as mãos antes de comerem, mas Stiles se ofereceu para ajudar a servir a mesa e só quando todos os pratos estavam colocados é que ele saiu para o corredor, procurando o lavatório.

Ele passou rápido pelas portas, mas estancou quando viu que Justin e Brian trocavam um beijo delicado e apaixonado enquanto saíam do banheiro. Eles sorriram para o rapaz e continuaram seu caminho, deixando Stiles atordoado.

Quando voltou para a sala de jantar, todos estavam sentados a espera dele para começarem a comer. Ele manteve-se quieto, apenas observando a interação entre Brian e Justin, percebendo que um roubava comida do prato do outro, buscava desculpas para se tocarem e pareciam ter olhares e sorrisos privados, como se comunicassem em silêncio.

– Tá tudo bem? – Derek sussurrou para ele.

– Hum? – ele se virou para o lobisomem a seu lado, sentindo a mão dele em seu braço. Seu toque era reconfortante e preocupado e pela proximidade que estavam Stiles podia contar todos os tons de verde e cinza de seus olhos. – Sim, sim. Tudo bem.

– Ok. – ele sorriu de um jeito discreto e esticou o garfo para o prato de Stiles, roubando a última almôndega.

A realidade se abateu sobre Stiles com a força de uma marreta e ele sentiu a garganta secar, virando seu copo de água quase todo de uma vez.

Ele e Derek moravam juntos. Como Justin e Brian. Eles se tocavam o tempo todo e sorriam um para o outro. Como Justin e Brian. Eles roubavam comida um do outro. Como Justin e Brian. Stiles sabia que Brian era a âncora de Justin. Mas não porque o filho de Tamara era um lobisomem, mas porque eles se amavam. E quando Orson comparou Derek com seu filho, há duas semanas, era porque achava que eles eram um casal. Como Justin e Brian.

Ok, ele ia começar a hiperventilar.

– Stiles! – ele ouviu a voz de Derek chamando ao longe, mas não conseguia responder.

– Ele tem alguma alergia? – Ian questionou, já se levantando pronto para oferecer ajuda.

Derek apenas encarou o bombeiro e puxou o rosto de Stiles para perto do seu, respirando fundo e notando as notas de pânico em seu cheiro. Um aroma que ele esperava não sentir mais no rapaz desde que derrotaram o nogtisune.

– Com licença. – ele pediu, fazendo Stiles se levantar da mesa e o levando para o banheiro.

Colocou Stiles sentado sobre a pia de mármore e abriu a torneira, molhando a toalha que encontrou e passando suavemente pela nuca do menino enquanto falava:

– Vamos lá, conte comigo, Stiles. Um. Dois. Três. Quat...

– Estou bem! – o rapaz falou, de repente, assustando Derek que deixou a toalha cair.

– O que aconteceu lá fora? Eu fiquei apa... Todos ficaram preocupados com você.

– Algum deles... Qualquer um... É um lobisomem? – Stiles perguntou.

– Não. – Derek respondeu de súbito – Por quê? Você viu alguma coisa? Eles não têm cheiro de nada sobrenatural, mas se você viu...

– Eu vi uma coisa. Não sobrenatural. Mas eu vi...

– O quê?

– Justin e Brian são um casal. Eu os vi se beijando.

– Ah, isso. E você precisou ver os dois se beijando para saber que eles são um casal? Stiles, o cheiro dos dois é um só, mesmo que eles usem perfumes diferentes.

– Não tenho o seu focinho pra saber como eles cheiram, ok?

– Mas nem precisaria ter um olfato apurado para perceber como eles ficam a vontade no espaço pessoal um do outro ou como os olhos deles brilham quando eles conversam.

– Você percebeu tudo isso?

– Sim, por que o espanto?

– Será que você percebeu também que Tamara e Orson ficam olhando pra nós dois com expressões suspeitas? Não passou pela sua cabeça que quando Orson lhe disse que tinha um filho como você estava lhe chamando de gay e sugerindo que nós dois somos um casal?

Derek arregalou os olhos.

Stiles balançou a cabeça em sinal afirmativo e ergueu as sobrancelhas, esperando que Derek falasse alguma coisa, mas o lobisomem escolheu permanecer em silêncio, apenas cruzando os braços sobre o peito.

O mais velho não queria falar nada. Não tinha coragem de abrir a boca e acabar saindo alguma coisa que ele não considerava adequado. A verdade é que desde que bateu os olhos em Justin e Brian pela primeira vez ele fez a conexão. Ele entendia que os vizinhos enxergavam Stiles e ele como um casal e, por mais estranho que isso poderia parecer, Derek gostou da ideia.

A sensação de que outras pessoas os viam como namorados, como duas pessoas que se importavam tanto uma com a outra que era difícil imaginar uma relação que não fosse de amor, saber que quem os via interagindo não achava impossível que ele e Stiles estivessem juntos fazia algo dentro de seu coração se acalmar. Como se tivesse encontrado seu porto seguro. Ele se lembrava de Orson falando que Brian se ancorou em Justin e pensava como Stiles reagiria se soubesse que já há algum tempo, a voz dele era a âncora de Derek.

– Pois é. O que vamos fazer?

– Como assim? – a voz do menino o despertou de seus devaneios.

– Vamos lá fora, rir um pouco e explicar a situação?

– Não! – ele respondeu depressa demais e sentiu-se corar, notando o olhar confuso de Stiles – Isso só vai deixa-los constrangidos. E nós iremos embora daqui um mês e meio. Vamos deixar as coisas como estão e evitar novos jantares assim, se isso te deixa mais confortável.

Stiles acabou concordando com Derek e voltou para a sala de jantar. Todos queriam saber como ele estava se sentindo e o que tinha provocado o mal estar. Ele deu uma desculpa qualquer sobre saudade de casa e logo se despediram, voltando para casa em silêncio.

De madrugada, sem sono e observando Derek dormir a seu lado, Stiles suspirou e se perguntou como seria se seu cheiro se misturasse ao de Derek, qual seria a sensação de poder olhar para ele como Justin olhava para Brian, de ter seus dedos enrolados juntos enquanto caminhavam pelo corredor do supermercado. Seu coração se apertou enquanto ele pensava o quão ruim era que toda essa história dele ser namorado de Derek não passava apenas de um mal entendido.