Um Fantasma Em Minha Casa - Thiefshipping
2 Você De Novo!?
Notas iniciais
Bakura abre os olhos lentamente tentando se acostumar com a luz da manhã, que insistia em passar pelos vãos da cortina. Resmungando algo inteligível, logo o despertador soa ao lado de sua cama na mesa de cabeceira, ele bate a mão no dito cujo e o derruba no chão. Com relutância ele se coloca sentando na beira da cama e se espreguiça.
Ouve-se a campainha ser tocada repetidas vezes, ainda sonolento ele levanta e caminha ate a sala, joga os cabelos para trás e vai atender a porta sem se importar com sua aparência matinal. Ele segura a maçaneta, mas antes de abri-la olha para o relógio preso a parede da sala, 11:30, abre a porta se atrapalhando um pouco com a fechadura.
Ao abri-la por completo revirando os olhos — "Por que ele tem que cumprir com o que diz?" — se perguntava mentalmente abrindo passagem para seu irmão e os amigos, que infelizmente, vieram lhe ajudar com as coisas.
- Você tá horrível, cara! — Jou brincou apontando para um Bakura despenteado e vestido apenas com uma calça surrada.
Bakura arqueou um cenho e depois revirou os olhos em puro tédio, por que cargas d'água estavam em sua casa tão cedo? — Então... O que fazem aqui? — ele pergunta passando a mão no emaranhado de cabelos.
- Viemos ajudar, oras! — Ryuji disse olhando e aponta para as pilhas de caixas deixadas na sala ontem.
- Certo. — Bakura disse indo ate o quarto — Façam como quiserem... — ele diz entrando no quarto para se trocar. Não era essa a ideia de ter paz que ele tinha, mas seus amigos não tinham jeito. Querendo ou não eles iriam ajudar a arrumar suas coisas, que não eram poucas.
Seus planos de fazer tudo de acordo com seu ritmo tinha ido pras favas. Iria tomar um relaxante banho e organizar suas coisas a seu modo, mas quando foi ate a sala seus pertences já estavam sendo espalhados pelo sofá, tapetes e mesa enquanto seus amigos organizavam cada objeto em seu devido lugar.
- "Inspira e expira..." — repetia mentalmente para se acalmar, não era todo dia que deixava seus amigos fazerem o que bem entendiam com suas coisas — Ryuji! Da pra ter mais cuidado com isso? — ele diz irritado quando o outro quase quebra um dos vasos da casa.
Em pouco tempo estava tudo arrumado — Bem, a gente já vai... Ainda to quebrado de ontem. — Honda reclama massageando seu ombro.
- Então vamos rapazes. — Anzu se pronuncia pulando do sofá — Vamos deixar Bakura curtir o novo apartamento. — ela sorri e joga uma piscadela para o albino, que instantaneamente cora de leve.
- Então é isso. — Yami se levanta — Caso precise de ajuda em alguma coisa nós avise Bakura. — ele diz dando um tapa de leve nas costas do albino e sorri.
Eles vão ate a porta e Bakura os segue se despedindo de todos e agradecendo. Quando fecha a porta e se vira, se depara com dois olhos grandes, raivosos e lilases a sua frente. Ele pisca várias vezes para ter certeza que não era um sonho e que não estava ficando louco. Engole em seco novamente e arregala os olhos — V-você de novo! — ele exclama.
- Eu pensei ter te falado para sair da minha casa! — o garoto diz irritado com as mãos na cintura indo ate o meio da sala.
- Este é o meu apartamento! Você é que tem que sair! — Bakura diz irritado, isso já estava saindo dos limites pra ele. Tinha bebido com o pessoal, mas foi pouco para ter alucinações.
O rapaz se senta na mesa de centro cruzando os braços e pernas bufando — A casa é minha, então não saio. — encarou Bakura com raiva aparente nos olhos lavandas.
Bakura rosnou, mas quando chegou mais perto do rapaz loiro ele sumiu da mesma forma que aconteceu na noite anterior. Ficou pasmo. Não sabia o que estava acontecendo com ele — "Será que essa casa esta me deixando louco!?" — pensava ao se jogar no sofá — "Não! Não pode ser isso! Deve ser a falta do Ryou me enchendo o tempo todo. Só pode ser isso." — concluiu jogando os cabelos para trás.
Levantou e foi ate a cozinha pegar uma bebida, na geladeira só haviam latas de cerveja e comida congelada pra esquentar no micro-ondas. Pegou uma lata e foi ate a sala e ligou a TV. Ficou mudando de canal enfadonhamente, suspirou fundo e tomou um gole grande da cerveja. Deixou a lata em cima da mesa e foi ate a janela observar a noite movimentada.
Estava ficando louco? Não. Deveria ser a agitação desses dias, a mudança e tudo mais. Suspirou e foi ate o quarto, teria que tomar um banho para tirar esses pensamentos da cabeça. Se despiu e entrou debaixo d'agua morna pra esquecer de tudo, precisava relaxar. Depois de meia hora no chuveiro saiu e vestiu um pijama qualquer, se jogou na cama e relaxou o corpo se deixando levar pelo sono.
Por volta do meio dia Bakura acordou, a cabeça latejava. Se levantou e foi ate o armário de remédios no banheiro. Pegou algum comprimido que indicava ser para dor de cabeça e o levou a boca engolindo sem necessidade de água. Não tinha dormido direito e tinha bebido, não muito, mas tinha.
Abriu a torneira deixando a água escorrer um pouco, jogou água em seu rosto pra despertar, olhou para seu reflexo no espelho e reparou que estava mais pálido que de costume, passou as mãos no rosto e nos cabelos.Terminou sua higiene matinal e foi ate a sala terminar de arrumar o resto da bagunça, ainda existiam restos de caixas e papeis por todo o local.
Se espreguiçou languidamente bocejando enquanto ia ate a cozinha prepar um café. Mas onde ficava o pó de café? Começou com sua busca, olhou dentro dos armários a cima de sua cabeça, em baixo e nada. Coçou a cabeça tentando imaginar onde poderia estar quando foi interrompido de seus pensamentos — Segundo pote no balcão.
Era uma voz conhecida, Bakura se vira e encontra a figura do rapaz bronzeado de cabelos dourados em sua frente examinando as unhas despreocupadamente — Você de novo!? — pergunta exasperado.
O rapaz concorda com a cabeça e foi ate o balcão apontando para o pote. Bakura o acompanhava com olhar inquisitivo. O que era aquilo? Sua imaginação brincando com ele? Talvez o remédio para dor de cabeça não teria lhe feito muito bem.
- Isso esta precisando de uma limpeza. — o rapaz diz passando o dedo na mesa e verificando se estava empoeirada.
- Se o apartamento é seu então limpe. — Bakura diz com desdém seguindo cada movimento do outro.
- Se você sair do meu apartamento eu limpo tudo. — disse estreitando os olhos para Bakura.
O albino suspira — Olha, não sei quem você é, nem o que esta fazendo aqui, mas este apartamento agora é meu. — disse num tom desafiador. O loiro riu e Bakura se irritou mais ainda — Afinal de contar, quem é você? — ele pergunta apontando para o rapaz.
O loiro da um pulo imperceptível e arregala os olhos hesitando em responder — Err... Eu... — abaixa os olhos para o chão tentando achar uma resposta.
Bakura riu debochado — Você não sabe seu próprio nome? — perguntou entre gargalhadas.
O rapaz corou violentamente — Mas é claro que sei! Marik! — disse fingindo desdém para com Bakura.
O albino suspirou ponderando as palavras — Bem, odeio dizer isso, mas esta casa é minha e você precisa me deixar em paz. — disse tentando manter a calma, essa historia o estava deixando confuso consigo mesmo.
Marik o olhou no fundo dos olhos — Não. Você é quem precisa me deixar em paz. — começou a andar de um lado para o outro na cozinha atravessando a mesa. Bakura observava a cena com os olhos arregalados e tentando não ter um colapso, abriu a boca pra dizer algo, mas Marik levantou a mão como se pedindo pra ele se calar e ouvir — Você entra na minha casa, bagunça tudo e ainda acha que tem o direito de me mandar ir embora?
- Marik... — Bakura diz se afastando lentamente tentando não fazer nenhum movimento brusco, mas Marik não parava de falar nem de atravessar a mesa — Marik! — por fim grita em desespero.
O loiro parou surpreso com o grito e olhou para o albino piscando algumas vezes tentando entender — O que foi? — ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços.
- Já pensou que você esta morto e que virou um fantasma que esta me assombrando por eu ter vindo morar aqui? — Bakura diz num tom não muito confiante de si mesmo.
Marik o olhou como se tivesse se ofendido com aquela suposição ridícula — Do que você esta falando? Não estou morto! Não seja idiota! — Marik caminhou ate a janela e parou em frente a uma mesinha ali perto — Onde você colocou o porta retrato que estava aqui? — o loiro olha para Bakura buscando respostas.
- Não me lembro de nenhum porta retrato. — Bakura da de ombros casualmente, essa situação já estava passando dos limites.
Marik foi ate ele — Como não!? Um porta retrato num tom palha. Onde você o colocou!? — ele foi para dar um empurrão em Bakura, mas suas mãos atravessaram o tórax pálido do outro. Ele engasgou e se afastou rapidamente. Bakura ficou levemente corado, mas logo voltou a cor pálida — O que... Como isso... — ele se aproximou cautelosamente e cutucou o ombro pálido.
Bakura riu e Marik lhe lançou um olhar interrogativo — Desculpe, faz cócegas.
Marik se afastou parando próximo a janela. Bakura o seguiu, estava intrigado com tudo isso, mesmo não fazendo nenhum sentido — Bakura... Os agentes imobiliários disseram que eu estava morto...? — ele pergunta olhando para a cidade lá fora.
- Não. Não mencionaram nada. — ele responde com um pico de alegria crescendo, finalmente teria paz, mas esta suposição era muito ate pra ele. Marik parecia tão real e tocável...? Balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos.
- Acho... Acho que você deve estar certo... — disse num tom melancólico e um sorriso amargo — Mas... — Bakura estremeceu — Esta casa não deixa de ser minha! — Bakura gemeu baixo, voltaram a estaca zero — Agora, por favor... — abrindo a porta — Se retire. — e deu passagem para o albino.
Bakura passou em frente a porta aberta — "Como ele abriu a porta?" — se perguntava mentalmente, isso só o deixou mais confuso ainda. Marik foi para lhe empurrar, mas acabou atravessando o corpo dele e caiu fora do apartamento. Bakura percebendo que ele estava atordoado aproveitou para trancar Marik do lado de fora.
Suspirou aliviado se encostando a porta, fechou os olhos por um segundo e quando os abriu, se deparou com os olhos lavandas de Marik, que estavam acompanhados de uma carranca — Vai ter que fazer melhor para se livrar de mim. — ele disse sorrindo desafiadoramente.
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