Notas iniciais
Espero que gostem.

Bakura abriu os olhos lentamente, se virou bruscamente ao ouvir uma respiração ao seu lado, logo se aliviou ao ver que era Marik. Se sentou devagar para não acorda-lo. Olhou para Marik mais uma vez e sorriu, os fios dourados estavam espalhados pelo travesseiro que contrastavam com o branco do pano. Levou a mão aos fios que cobriam o rosto moreno e para sua surpresa sentiu calor vindo do corpo do egípcio. Seu coração disparou.

- Marik... — ele chamou sacudindo o loiro.

O egípcio se mexeu murmurando — Bakura...?

- Marik! Seu corpo... Olha! — o albino estendeu a mão e tocou o rosto do loiro.

Ambos sentiram o calor vindo um do outro. Marik se sentou rapidamente examinando seu corpo, olhou para Bakura e sorriu — Verdade! — gritou — Mas... Como...?

- Não importa! Você esta aqui! — Bakura diz sorrindo. Ele passou os braços em volta do corpo bronzeado e o puxou para o um abraço, o loiro logo retribuiu o gesto, se afastaram e seus olhares se encontraram e ambos sorriram. Seus rostos se aprovaram lentamente e depois...

Um som estridente invadiu seus ouvidos, Bakura acorda relutante de seu sonho. Ele abre os olhos lentamente e sente um pequeno peso sobre ele.

- Já é de manhã! — Marik sorri.

Bakura se contorce — Fique longe de mim! — resmunga.

- Não! Eu dormi do seu lado a noite toda. Alias, você fala dormindo. — Marik informa rindo.

Bakura sentiu seu rosto corar e seus olhos arregalaram, ele se senta jogando a coberta de lado — "O que ele ouviu?" — ele se pergunta em pensamento, Marik ri ao ver Bakura ficar vermelho.

- É a primeira vez que fui capaz de dormir. — o loiro murmura.

O albino se lembra que o sonho era parecido, ele estende a mão e tenta tocar o braço de Marik para verificar. Marik ergueu uma sobrancelha e depois atravessou a cama, Bakura piscou algumas vezes antes de se dar conta do que aconteceu e começa a rir.

O loiro reaparece e disse com raiva — Não tem graça!

- O que você quer fazer hoje? — Bakura pergunta bocejando, na verdade ele não queria sair de casa, ele simplesmente queria ficar com Marik.

- Acho que devíamos falar com Ryuji. Ele deve saber o que fazer pra me re-conectar ao meu corpo. — Marik informa pensativo — Então se levanta! — ele subiu na cama e se sentou ao lado do albino que bocejava, o loiro se sentiu desapontado, esperava que Bakura dissesse algo sobre o beijo, mas nada. Bem, não poderia chamar aquilo de beijo, afinal ele nem esta vivo.

- Então sai pra mim poder me vestir. — Bakura murmurou apontando para a porta.

Marik lambeu os lábios e sorriu sedutoramente fazendo Bakura corar — E se eu não quiser?

- Marik! — Bakura protestou.

- E se eu decidir ficar? Você não pode me tocar, pode? — sorriu marotamente.

- Marik Ishtar! — o albino disse se irritando.

O egípcio o ignora e continua — E mesmo que eu fosse eu poderia muito bem vol...

- Não de brincadeira, Marik! — ele disse irritado, mas não conseguia esconder o rubor. Desejava não ter uma mente tão fértil.

O loiro encolheu os ombros e mostrou a língua para o outro — Tudo bem... Eu espero aqui fora e só apareço se algo pegar fogo.

- Faça isso. — Bakura diz se levantando.

- Ou se alguém bater na porta. — o loiro diz sorrindo.

- Marik, sai! — Bakura esbraveja.

O loiro faz careta e atravessa a parede, Bakura suspira. Eles estavam agindo como um casal, arrumando desculpas idiotas para ficarem perto um do outro, embora ele não fazia ideia se o loiro queria estar com ele. Se vestiu rápido para o outro não espiar e estava torcendo para ter um dia calmo com Marik.

O albino vai ate a sala e pega o livro de Ryuji se sentando — Você realmente quer que eu seja... Livre, não é? — Marik pergunta num murmuro.

Bakura sorri — Claro que sim. Você é a melhor coisa que já aconteceu pra mim. — ele sorri timidamente ficando vermelho.

Marik ri — Você parece um tomate.

- Calado! — Bakura grita encabulado.

-X-X-X-

Ouvisse dois gritos de dentro do apartamento, mas Bakura e Marik ouviram três. Marik, Bakura e Ryuji estavam assistindo algum filme de terror.

- Essa foi... Inesperada... — Ryuji disse colocando os pés em cima da mesa de centro. Marik faz careta e Bakura empurra os pés de Ryuji para fora rindo. O moreno se jogou entre as almofadas deixando seus cabelos caírem sobre o rosto — Você sabe, Bakura... Eu acho que um espírito precisa antes de qualquer coisa... De uma razão para viver. — ele disse casualmente.

Bakura olha para Marik, que da de ombros indicando que não entendeu, o albino volta a olhar para o moreno — Vou me lembrar disso.

Eles assistiram o filme por mais algum tempo em silêncio ate que a campainha tocou, Bakura se levantou relutante para atender.

- Eu me ofereceria para atender... — Marik diz debochado e Bakura mostra a língua para ele.

Ryuji se vira para onde Bakura olhava — Você esta ligado ao Bakura, não é? — Marik murmurou algo para si mesmo corando e cruzou os braços. Ele sabia disso, mas de que maneira ele não tinha certeza.

Bakura abriu a porta e se surpreendeu ao ver Ishizu ali, o olhar dela era de tristeza — Err... Olá. — Bakura disse sem jeito.

Ela acenou — Desculpe incomodar, mas... Você deve saber.

O albino cruzou os braços com expressão curiosa — Sobre...?

- Os aparelhos dele vão ser... — ela desvia o olhar do albino. Ele sentiu algo entalar em sua garganta e Ishizu respirou fundo antes de terminar — Eles vão desligar os aparelhos de Marik.

Bakura sentiu seu coração falhar, olhou para Ishizu incrédulo e ela desviou o olhar novamente — Você não pode considerar isso! Ele é seu irmão! — ele disse com a voz alterada.

- Sinto muito, mas nós não podemos aguentar por mais tempo, é doloroso cada vez que ele... — ela começou a chorar, Bakura sentiria pena dela se não fosse o fato de Marik estar vivo e ela querer mata-lo — Será amanhã, provavelmente as duas da tarde... — ela murmura.

O albino suspira — Certo. Eu não aguento mais! Ishizu... Você não pode fazer isso! — ele disse em suplica olhando-a nos olhos.

- Eu entendo que é difícil, mas Bakura... — ela murmura de cabeça baixa.

- Me escuta! Marik esta vivo! — Ishizu olha para ele, que sente adrenalina em todo o seu corpo, nem acreditava no que estava prestes a dizer — Ele é um fantasma, eu sei que é difícil de entender... Mas somente eu posso vê-lo! — ele diz exasperado.

Ishizu recuou — Você esta louco! Sei que é difícil, mas... Se você chegar perto daquele hospital... Vou mandar que te impressão de entrar! — ela diz e sai correndo dali.

Bakura sente seu estômago dar nó, estava com raiva, medo e tristeza. Não podia acreditar que ela iria fazer isso. Ele correu para dentro do apartamento — Marik! Marik!

- O que foi, cara? — Ryuji pergunta se virando para ele. Marik aparece vindo da cozinha e foi ate Bakura que estava a beira das lágrimas.

- Marik... — Bakura disse o olhando. Não conseguia acreditar que Marik iria morrer dessa maneira — Eu nem sei... Como começar... — ele murmura olhando para baixo, não podia encarar os olhos lavandas.

Marik sorri suavemente — Eu posso lidar com isso. — ele diz num tom calmo, no fundo ele sentia sobre o que era.

- Na porta era... Era sua irmã e... Eles vão... — ele não conseguia continuar.

- Vão desligar meus aparelhos? — ele disse calmamente e houve um silêncio perturbador na sala.

- Sim... — Bakura deixou as lágrimas correrem. Ryuji tentou consola-lo. Marik se silenciou, sentiu que o chão tinha desabado abaixo dele, ele esperava por isso, mas ver Bakura nesse estado tornou tudo mais difícil para ele.

Marik encontrou a vontade de voltar ao apartamento por causa de Bakura, ele era importante. Amava sua família, mas o albino era especial, ele criou uma forte ligação com ele e sentia que era isso que importava naquele momento.

O loiro se aproximou deles e disse calmo — Ryuji... Se você pode me ouvir, por favor, me deixe sozinho com ele...

Ryuji se afastou de Bakura, para a surpresa do loiro — Bakura... Acho melhor deixar vocês sozinhos... Mas se precisar... — ele sorri olhando em direção a Marik e se retira.

- Marik... — Bakura balbuciou olhando para o egípcio.

Marik o abraçou como toda a força que ele podia para tentar consola-lo. Bakura sentiu os braços frios em torno de si, mas não se incomodou e aos poucos foi se acalmando. Ele estava prestes a retribuir o gesto quando sente os lábios gelados em seu rosto, Marik se afasta deixando Bakura livre.

- O que foi... Isso? — ele murmura, não conseguia entender como Marik estava calmo depois de receber essa notícia.

- Não sei, mas isso importa? — ele sorriu — Por favor, Bakura, se acalma, ver você assim só esta me deixando mais apavorado.

Bakura sentiu mais lágrimas escorrerem pelo rosto, ver Marik calmo era mais assustador que vê-lo gritando em desespero, ele queria ser capaz de saber se o coração dele estava batendo tão forte quanto o dele.

- Vou esperar você se acalmar, Kura... — Marik diz serenamente sorrindo.

Bakura assentiu, seu coração e sua mente estavam desesperados por uma solução. Ele iria encontrar uma maneira de salvar Marik e tinha que ser rápido.

-X-X-X-

- Eu não imaginava que esse filme era tão bom. — Marik diz sorridente ao sair do cinema ao lado do albino.

- Eu te disse que era bom... — Bakura diz sorrindo.

Ambos fecharam os olhos quando saem a luz do sol, tinham ficado algum tempo no cinema e a luz do dia os incomodava agora. Marik pisca algumas vezes tentando se acostumar e logo tira a mão de frente do rosto, ele sorri e olha diretamente para o sol.

Bakura olha para ele apreensivo, apesar de não demonstrar ele pensou sobre várias maneiras de conectar Marik ao seu corpo. Só de imaginar viver sem Marik causava um nó no estômago do albino, se ter passado um dia sem o loiro ao seu lado foi difícil, nem queria imaginar como seria nunca mais ver o egípcio.

- Bakura... Não se preocupe comigo... Deixa que eu me preocupo, ok? — Marik diz serenamente.

Às vezes o albino sentia que o loiro podia ler sua mente como um livro, ele suspira — É fácil falar...

- Olha, vamos apenas curtir o hoje... — Marik diz sorrindo e levou uma mão ao rosto pálido.

Bakura pisca algumas vezes, Marik estava agindo mais estranho que o habitual ultimamente. Ele balança a cabeça deixando seus pensamentos de lado, essa não era a hora para pensar nessas coisas. Ele sorriu — Você tem razão. Onde você quer ir agora?

O loiro para por um minuto e olha para cima, já estava começando a entardecer, o céu já estava começando a tomar um leve tom de vermelho alaranjado. De repente ele sente um flash vir a cabeça e sente tontura, leva a mão a cabeça e com a outra se apoia em Bakura — Ai, minha cabeça... — ele murmura.

Bakura o apoia como pode — Você esta bem? — pergunta preocupado.

Marik olha para ele com um sorriso fraco, sua cabeça doía — Bakura... Vem comigo... — ele diz num fio de voz e o albino o olha sem entender.

-X-X-X-

Bakura chegou ao local ofegante, Marik tinha saído correndo novamente, pra variar. Ele olha em volta e percebe que estão em um parque um pouco afastado do apartamento. O loiro se senta no gramado inclinando o corpo para trás e se apoiando nos braços, a luz do pôr-do-sol batendo de frente a ele, iluminando os olhos ametistas e a pele bronzeada, o que o albino considerou uma visão linda.

- Senta aqui. — Marik o chama apontando o lado dele para que o outro se sentasse.

Bakura caminha ate ele e se senta ao lado do loiro sem tirar os olhos dele, ele queria tocar a pele macia de Marik mais uma vez e poder sentir o calor emanando dele, o cheiro de lavanda, os cabelos macios e sedosos. Eles ficaram em silêncio por um tempo, apenas observando o céu mudar de cor lentamente.

- Não me pergunte como, mas acabei de ter um flash do meu passado. — Marik diz quebrando o silêncio. Bakura se vira para ele com uma sobrancelha erguida, mas não diz nada. Marik suspira fundo antes de continuar — Eu lembro de quando eu era pequeno e de ter feito birra antes de vir ao Japão... — ele faz uma pausa e ri — Não queria me mudar, meu irmão me assustava dizendo que era frio aqui e o sol não saia. — o albino o encara tentando decifrar o que o outro estava pensando e o motivo dele estar contando isso.

Marik fez uma pausa observando as nuvens — Quando cheguei aqui fiquei feliz porque tinha sol, não era o mesmo do Egito, mas era o sol. — sua expressão mudou bruscamente e ele ficou triste — Pouco tempo depois minha mãe morreu. — ele abaixa o olhar para o chão — Quando eu ficava deprimido Mariku me trazia aqui depois da escola para ver o pôr-do-sol, era um dos momentos mais felizes, foi aqui que fizemos a promessa de sempre cuidar um do outro. — ele faz uma pausa e sorri — Depois da morte de minha mãe eu fiquei mais arredio, menos sociável. Tive medo de perder mais pessoas importantes para mim.

O loiro se encostou no ombro pálido de Bakura, que estremeceu com o toque gelado, os olhos lavandas eram melancólicos — Um ano atrás eu estava nos Estados Unidos em uma convenção de historia, iria passar uma semana por lá, era um evento importante para mim, tinha esperado o ano inteiro por isso. — ele suspira e se agarra ao braço do albino.

Um silencio constrangedor paira pelo ar. Bakura não sabia o que dizer, ele nunca foi muito bom em palavras reconfortantes, mesmo nas horas mais difíceis, nada saia — Ate que um desses dias Ishizu me liga avisando que meu pai tinha morrido. Foi um choque pra mim, mas eu tinha prometido pra mim mesmo que não iria chorar quando esse dia chegasse e assim eu fiz. Eu não chorei. Meus irmãos insistiram para que eu voltasse para o enterro, mas eu disse friamente: Pra que? Ele não vai ressuscitar mesmo que eu apareça. Lembro do espanto em suas vozes, e da minha frieza...

- Quando voltei meus irmãos não vieram falar comigo e eu não fui atrás deles, achei melhor assim, cortar qualquer tipo de relação com as pessoas pra evitar me machucar. Eu sabia que eles estavam desapontados comigo... — ele faz uma pausa e solta um suspiro — Gostaria de pedir desculpas a Mana por ser um péssimo amigo. Gostaria de pedir perdão a minha família e dizer que fui um tolo antes de...

- Marik!Não diga isso... — Bakura o corta antes de terminar a frase, mas Marik ergue uma mão pedindo para deixar ele terminar e o albino se cala.

- Não, Bakura... Estou ciente de todas as possibilidades. Pode dar certo ou não, estou preparado. — ele afirma se levantando e olha para o sol que sumia no horizonte — Gostaria de poder sentir o calor do sol na minha pele... É uma sensação reconfortante...

Bakura se levanta e o abraça, pegando o egípcio de surpresa — Eu prometo que vou te salvar e sempre vou estar ao seu lado. — ele sussurra no ouvido de Marik.

Marik sorri retribuindo o gesto e sussurra de volta — Obrigado, Bakura... Obrigado por tudo.

Eles ficaram um tempo assim, quando se afastaram se olharam nos olhos. Bakura se perdeu nos olhos lavandas cristalinos do loiro e Marik nos orbes profundos do albino a sua frente.

Bakura sentiu um calor subir por todo o seu corpo, aqueles olhos grandes e brilhantes a boca entre aberta do loiro eram tão perfeitos e harmoniosos no rosto delicado do moreno que ele não resistiu, cerrou os olhos e lentamente aproximou seus rostos. Marik sentiu algum tipo de força percorrer seu corpo e num ato involuntário levantou o queixo e entre abriu mais os lábios fechando os olhos, não pensava em nada naquele momento só queria deixar as coisa transcorrerem. O albino podia sentir o hálito frio do outro, seu coração batia cada vez mais rápido com a proximidade, só conseguia pensar em beijar o outro, fechou os olhos desejando cada vez mais os lábios do loiro.

O egípcio abriu os olhos abruptamente ao se lembrar que não podia, ele não podia se apaixonar por Bakura, não ele. Ele era seu amigo, provavelmente o único e ele não ia deixar essa amizade acabar por um momento de fraqueza. Ele relutou contra o seu desejo e desviou o beijo depositando seus lábios gelados no rosto do outro.

Bakura abriu os olhos surpreso e antes que pudesse dizer algo Marik sussurrou em seu ouvido — Obrigado, Bakura... Você é um grande amigo... — Marik se afasta sorrindo gentilmente para o albino e volta a observar o resto do pôr-do-sol.

O albino fica parado, sem entender nada. Em um minuto estava prestes a beijar Marik, mas depois ele desvia e ele teve certeza de ter sentido uma dor estranha ao ouvir a palavra amigo. Era sempre assim com Marik, essa palavra entre eles fazia algo doer dentro do albino.

Marik observava o sol com olhar distante — "Droga! O que eu estava pensando em fazer!? Oh Ra, me ajuda! Eu não consigo me entender!" — ele pensa mordendo o canto do lábio.

Estavam em silencio — "Isso foi estranho... Dessa vez eu pude tocar Marik... Será que isso quer dizer que ele esta perto de voltar ao corpo? Droga! Não consigo entender mais nada!" — Bakura pensava enquanto observava o loiro.

O egípcio solta um longo suspiro, já era noite e ele não poderia evitar Bakura para sempre — "Ra dê-me coragem..." — ele pensa e se vira para o albino e força um sorriso -Vamos Bakura?

Bakura assente e eles começam a caminhada de volta, novamente o silencio perturbador.

- Marik!

- Bakura!

Ambos falam ao mesmo tampo.

- Err... Você primeiro. — Marik disse meio sem jeito.

- Sei que parece estúpido, mas... -Bakura coça a cabeça — Que tal se comermos nossas comidas favoritas essa noite? — ele desvia o olhar -"Que tipo de idiota que eu sou? É claro que isso foi uma péssima ideia!" — ele pragueja mentalmente.

- Sim. Por que não? -o albino ergue o olhar incrédulo que o outro concordou com a ideia idiota e vê Marik sorrindo — Mais você vai ter que cozinha... Afinal não posso estragar minhas unhas. — diz divertidamente estendendo as mãos. Bakura ri e revira os olhos, era incrível como Marik conseguia ser alegre mesmo nessas situações, mas isso era um alivio, pois ele não era bom em fugir de situações constrangedoras — Que tal assistirmos um filme enquanto comemos?

- Hmm... Boa ideia! -Bakura diz sorrindo.

- Claro! Fui eu quem deu... — o loiro ri.

Bakura bufa e resmunga algo do tipo Eu também pensei nisso, que lhe rendeu vários olhares, mas ele não se importava com isso, ele estava com a pessoa mais incrível do mundo e estava tentando dar-lhe um dia perfeito. Mesmo que ele não pudesse salvar Marik, ele teria certeza que o loiro não se esqueceria dele.

- Nada convencido... — o albino diz com desdém revirando os olhos.

Marik ri — Nem um pouco. — ele da uma piscada e Bakura sente seu rosto esquentar e desvia o olhar — Vai ser ótimo! Vou assistir o filme e você cozinhando! Dois em um, qual vai ser mais assustador?

- Não sou tão ruim na cozinha... — Bakura murmura fazendo beicinho.

O loiro se distrai olhando para as estrelas, Tokio era uma cidade grande, mas não deixava de ter a beleza natural, e a lua estava linda, grande e majestosa. Não era fã da noite, mas seria horrível não poder ver uma coisa tão linda. Ele olhou ao redor e percebeu que estavam perto de uma praça e suspirou fundo, ele poderia passear novamente?

Ao ver a expressão de Marik o albino resolve repreende-lo — Você tinha me falado pra aproveitar o dia.

Marik se vira para ele forçando um sorriso de canto — Como não iria quando você vai ate cozinhar pra mim?

Bakura rosnou e voltou a caminhar de voltar ao apartamento, mas não estava bravo, só queria aproveitar o resto da noite com o loiro. Marik vinha logo atrás dele rindo, mas logo parou. Ele observava como a luz da lua deixava a pele do Bakura mais pálida, mas não de um jeito ruim, ficava mais bonita, a luz batendo nos cabelos dava a impressão que os fios eram num tom prata e não branco acinzentado. Era lindo, Bakura parecia um daqueles belos seres noturnos que apareciam nos filmes que ele adorava.

-X-X-X-

Chegaram em casa e logo Bakura foi ate o fogão preparar a comida pra eles. Depois de varias tentativas de fritar um bife ele finalmente conseguiu fazer um que era comestível. Para Marik ele tinha feito uma porção de Kushari. Nenhum tinha certeza se Marik poderia comer, mas isso era irrelevante. O que importava era o que Marik queria.

- Isso parece nojento... — Marik disse fazendo careta.

Bakura engole um grande pedaço de bife e mostra a língua para o loiro — Você é vegetariano?

Marik encolhe os ombros — Acho que sim...

- Marik, você sabe que me ensinou muito, não é? Não só sobre historia, você me ensinou a ver as coisas de um ângulo diferente. — o albino disse casualmente.

Marik corou e desviou o olhar para sua comida, estava feliz por Bakura não odiá-lo — Você também me ensinou muito Bakura. Eu costumava ser anti-social depois da morte da minha mãe. Você me fez perceber que um lado meu queria ter amigos, pessoas ao meu lado... — o loiro diz de cabeça baixa.

- Você costumava ser um idiota! — Bakura disse sorrindo.

- Eu sei. — Marik diz sorrindo também.

Eles continuaram a comer enquanto conversavam animadamente, pelo menos Bakura comeu. Depois de terminarem a janta foram assistir a um filme, Marik imitava os atores enquanto Bakura imitava os monstros, para as pessoas dos apartamentos ao lado deve ter soado muito estranho, mas nenhum deles se importou.

- Então Kura. Existe alguém especial? — Marik perguntou curioso. Ambos estavam na cama deitados um de frente para o outro. Bakura balançou a cabeça, embora soubesse que era mentira, ele não podia dizer isso para Marik, não agora. Não era o momento — Serio? Teve antes? — perguntou se mexendo um pouco.

- Não. Ninguém. E você? — o albino pergunta.

Marik suspira ruidosamente e olha para o teto — Não.

- Estamos na mesma então. — Bakura disse rindo.

O loiro balançou a cabeça negativamente — Pelo menos você já foi beijado... — ele murmurou.

Bakura piscou varias vezes e cruzou os braços — Bem... Sim... Mas você... — Marik olhou para o albino e Bakura se sentou — Você esta falando serio? — Bakura se sentia horrível, Marik era jovem demais pra morrer. Ele tinha muita coisa pela frente.

- Acho que nunca vou saber... — Marik resmungou suspirando fundo. Bakura esticou o braço e tocou o ombro bronzeado com sua mão pálida.

- Eu vou salva-lo, Marik. Vou encontrar uma maneira... E... Eu te beijaria agora se isso fosse possível... – o albino diz encolhendo os ombros, fechou os olhos sentindo seu rosto esquentar quando sentiu o olhar de Marik sobre ele — "O que estou fazendo?" — pensou surpreso.

- Muito gentil de sua parte Bakura. — Marik diz sorrindo.

- E... Err... Se você quisesse é claro... — Bakura fica embaraçado e evita o olhar de Marik virando o rosto. O loiro pisca algumas vezes e depois ri quase infantilmente.

- Você acabou de colocar um pensamento na minha cabeça... — o egípcio comenta levemente corado.

- E isso seria? – Bakura pergunta curioso. Marik continuou rindo e balança a cabeça, o albino fecha os olhos se sentindo estúpido, ele tentava adivinhar o que estava naquela cabeça loira — É um pensamento estranho não é?

Marik abre os olhos e sorri divertido — Muito estranho. — ri um pouco — Mas é estranhamente bom. — ambos sorriram Bakura voltou a se deitar e dormiram.

Notas finais
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