Um Fantasma Em Minha Casa - Thiefshipping
10 Dê-me Um Motivo
Notas iniciais
O despertado anuncia que já era de manhã, Bakura se levanta rápido, não podiam perder tempo hoje. Trocou-se sem se importar se o loiro estava acordado. Olhou para Marik que ainda estava dormindo tranquilamente.
- Marik acorda. Temos que pensar em algo pra te conectar ao seu corpo. — Bakura chama sacudindo gentilmente o loiro.
Os olhos lavanda se abrem e olham para o albino — Bakura...?
- Vamos. Temos que nos apresar. — Bakura dizia passando as mãos pelos cabelos os jogando para trás, em seguida saiu pela porta para fazer um telefonema.
Marik se levantou e seguiu o albino, ele para na porta do quarto esfregando os olhos — Bakura eu queria fazer algo antes.
O rapaz pálido olha para Marik — O que é? — ele pergunta com o telefone em mãos.
- Vamos falar com Mariku. — o loiro sorri. Bakura ergue uma sobrancelha, mas não argumenta só balança a cabeça concordando.
-X-X-X-
- Você tem certeza que é aqui? — o albino pergunta hesitante olhando para uma porta de madeira.
- Tenho absoluta certeza, eu segui Mariku no dia que fiquei no hospital. — Marik diz impaciente, não sabia por que o albino era tão desconfiado das coisas.
Bakura suspira fundo encarando a porta e toca a campainha. Nada. Ele tenta novamente e ouve um resmungo do lado de dentro, logo Mariku abre a porta, os cabelos estavam mais espalhados que o habitual e ele só usava uma calça do pijama deixando seu corpo exposto.
O loiro a porta estreita os olhos — Bakura...? — pergunta incerto. O albino assente forçando um sorriso, ele não fazia a menor ideia de como contar para o egípcio sobre Marik.
- Err... Mariku, o que vou dizer vai parecer estranho. — ele fez uma pausa e sentiu Marik olhar impaciente atrás de si. Mariku acenou e ergueu uma sobrancelha. Bakura mordeu o canto do lábio — Marik é um fantasma e esta me assombrando. — ele disse de uma só vez e fechou os olhos com força.
Bakura sentiu seu corpo ser empurrado contra a parede e uma mão forte pressionando sua garganta, ele abriu os olhos e encontrou duas ametistas irritadas a sua frente, o ar estava difícil de entrar em seus pulmões, ele tentou se soltar, mas Mariku era mais forte que ele.
- Não brinca com esse tipo de coisa! — o loiro disse ameaçadoramente.
Marik olhava tudo aquilo desesperado, levou as mãos aos cabelos tentando pensar em algo ou Mariku mataria Bakura asfixiado. De repente algo veio a sua mente, ele correu ao lado de Bakura — Diz sobre a promessa!
Bakura olhou para ele de canto e Marik assentiu, o albino voltou a olhar para os olhos de Mariku que apertava cada vez mais sua garganta — A-a... A promessa... — disse num fio de voz.
Mariku cerrou os olhos, mas largou Bakura o deixando livre. O albino esfregou o pescoço gemendo — Como... Como você sabe disso...? — o loiro pediu.
- Eu disse... Eu posso ver e ouvir Marik. — Bakura disse categórico se recompondo.
- Vamos lá Mariku... Você tem que acreditar... — Marik murmurou mordendo o canto do lábio, ele olhava para o irmão em suplica.
Mariku suspirou passando a mão nos cabelos, olhou para Bakura — Ok. Qual a resposta dele para eu vou chutar seu traseiro quando você acordar?
Bakura olhou para Marik que sorri presunçoso — Que antes você teria que me pegar. — e mostrou a língua para o irmão.
- Ele disse antes você teria que me pegar... — para o albino essa frase soava estranho dito em voz alta.
- Ok. Agora eu acredito em você. — Mariku diz sorrindo.
Mariku chamou o albino para dentro para conversarem com mais calma. Bakura olhou para o apartamento surpreso, apesar de Mariku ser irmão gêmeo de Marik eles eram muito diferentes, o apartamento não era decorado em roxo e muito menos organizado.
- Ele podia tentar ser mais organizado... — Marik diz desviando de vários tênis do irmão que estavam espalhados pelo chão. Bakura solta um riso abafado enquanto se sentava, mas para quando recebe um olhar estranho de Mariku.
- Então... Você é o único que pode vê-lo? — Bakura assente — Tenho dó de você cara. — Marik rosna cerrando os olhos e Bakura ri. O albino resume toda a historia para o gêmeo Ishtar mais velho, claro que ele não contou sobre o quase beijo ao pôr-do-sol e muito menos sobre eles terem dividido a cama.
Marik ouvia a explicação enquanto caminhava pela sala observando as fotos na estante do irmão. Ele sorri serenamente quando olha para uma foto em que ele e Mariku estavam brincando com a sobrinha, ele tenta toca-la, mas sua mão atravessa a foto e ele sorri amargamente.
- E como ele volta para o corpo? — Mariku pergunta curioso logo após a explicação do albino.
- Esse é o problema... Ishizu me avisou que vão desligar os aparelhos hoje e... Não sabemos como conectá-lo ao corpo... — a voz de Bakura é triste, ele não fazia a menor ideia do que pensar.
- Isso é mal... — Mariku suspira — Eu tentei tirar essa ideia da cabeça dela, mas ela é teimosa e nem quis me ouvir! — Marik suspira, ele conhecia muito bem a irmã que tinha, e Ishizu era teimosa ao extremo.
- A única coisa... — Bakura murmura — Mariku! Preciso da sua ajuda! — os gêmeos loiros olham para ele sem entender nada, mas o mais velho concorda.
-X-X-X-
Bakura caminhava para fora do prédio de Mariku, pegou o celular e discou um numero — Ryou? Preciso da ajuda do pessoal, me encontrem no hospital que me levaram uns dias atrás. Não me faça perguntas, depois eu explico tudo. — ele desliga e volta a andar rápido.
- O que deu em você? — Marik pergunta o seguindo. O loiro não fazia ideia do que o albino estava tramando, a única coisa que ele disse para Mariku era pra ligar para seu celular quando ele e Ishizu estivessem no hospital e isso não lhe dava nenhuma dica.
- Não me pergunte apenas me siga. — o albino diz serio.
- O que você vai fazer? — o loiro perguntou correndo atrás do albino.
- Eu vou roubar seu corpo. — Bakura disse simplesmente como se fosse a coisa mais normal do mundo. O loiro achou melhor manter a calma e continuar o seguindo. Ele não tinha ideia do que poderia acontecer, só sabia de duas coisas: ele queria viver e que Bakura também queria ele vivo.
O albino fez uma pausa para recuperar o fôlego enquanto Marik olhava para ele — Bakura isso é loucura... — o loiro sussurrou.
Bakura não disse nada e voltou a correr, ele verificou se Marik o seguia pelo canto do olho, ele tinha planejado algo durante o caminho ate a casa de Mariku. Ele teria que roubar o corpo de Marik com ou sem a ajuda dos seus amigos, ele tinha que afastar Marik do hospital.
- Se você sobreviver e eu for preso você vai me visitar? — Bakura pergunta repentinamente. Marik achava que não era a melhor hora para fazer piadas, mas o albino estava tentando se tornar ciente das consequências de suas ações. Marik olhava para o albino tentando descobrir por que ele estava se arriscando por ele, afinal ele era um fantasma, não era importante pra ninguém.
- Por que você esta fazendo isso Kura? — Marik pergunta enquanto corriam no estacionamento do hospital. Bakura parou bruscamente e olhou para Marik. Ele tinha que dizer isso agora.
- Porque... Marik eu... — Bakura fecho os olhos e respirou fundo — Eu...
- Lá esta ele! — uma voz conhecida grita atrás deles, ambos se viraram e encontram Jou e os outros correndo ate eles.
- O que esta acontecendo Bakura? — Ryou pergunta preocupado.
O albino mordeu o lábio inferior e sentiu o gosto de sangue em sua boca. Por que alguém sempre atrapalha os momentos entre ele e Marik?
Ele engoliu em seco e olhou para seus amigos — Isso vai soar muito estranho e...
- Pula as explicações, diga qual é o ponto. — Yami diz categórico.
Bakura se recompõe olhou para todos novamente — Preciso da ajuda de vocês para... — mordeu o lábio — Roubar um corpo.
Houve um momento de silencio, o grupo olhava para Bakura incrédulo ate que Anzu quebrou o silencio — Um... Corpo...? — Bakura assentiu e olhou para o relógio. O tempo estava correndo enquanto ele estava parados ali.
- Preciso que alguns de vocês venham comigo e os outros distraiam os médicos e enfermeiros. Vão me ajudar ou não? — ele pergunta impaciente com os braços cruzados.
Marik observava tudo aquilo impotente, ele queria ajudar, mas no seu atual estado não podia fazer nada útil. Suspirou fundo parado ao lado do albino que olhou para ele e sorri de canto.
- Parece divertido pra mim! — Yugi disse sorrindo. Yami ergueu uma sobrancelha para seu irmão e Bakura sorriu feliz, mas por dentro ele estava sendo dominado por um sentimento de pavor e pânico.
- Ótimo! Vou explicar o que vamos fazer... — Bakura disse e todos se aproximaram para ouvir a explicação do plano.
-X-X-X-
- Ela já esta lá dentro... — Bakura murmurou para Yami que estava ao seu lado escondido atrás de um carro. Mariku tinha ligado para ele alguns minutos atrás dizendo que eles tinham saído de sua casa.
- Certo. Jou e Honda irão interceptá-la — Yami disse num sussurro — Vestidos de médicos, claro. — ele olhou para os lados — Vamos lá, você explica o resto no caminho ate o quarto — Yami diz saindo de trás do carro com cautela se certificando de que Ishizu não os veria. Entraram no prédio e viram Jou com roupas de enfermeiro e lhe acenou, confirmando que estava tudo bem em seguir.
Bakura mordeu o canto do lábio, Marik tinha sumido novamente o que o deixava nervoso — Então, Bakura, porque você estamos fazendo isso? — Yami pergunta entrando no elevador. Era uma pergunta simples, mas era difícil de explicar, ele podia ver claramente o rosto de Marik em sua mente e o motivo.
- Quando você ver vai entender o motivo — Bakura disse em voz baixa. Yami concordou e decidiu não perguntar novamente.
- Queria saber como Ryou, Anzu e Yugi estão se saindo. — Yami murmura e Bakura ri. Os três estavam encarregados de distrair médicos ou enfermeiros que podiam atrapalhar o plano.
As portas do elevador se abriram e Bakura fez uma verificação rápida, eles saíram do elevador e caminharam casualmente para o quarto de Marik entrando rapidamente sem ninguém perceber. Yami caminhou ate a cama olhando para o paciente.
- Bakura... É ele que vamos... Roubar? — Yami pergunta olhando para o corpo.
Bakura olha para os lados percebe que Marik estava sentado no peitoril da janela olhando melancólico. O albino sentiu um alivio e deu um leve sorriso.
- Sim. Marik. — o albino responde a pergunta de Yami que olhava pra o corpo de Marik.
- Ele é... — Yami dizia quando foi cortado.
- Lindo. — Bakura murmurou sem se importar se Marik podia ouvi-lo. O rapaz de cabelos coloridos ergue uma sobrancelha para o rapaz de cabelos brancos.
- Não vou perguntar como você o conheceu nem nada, mas temos que tira-lo daqui. — Yami olhou para fora do quarto — Vou pegar alguns equipamentos necessários para tira-lo daqui.
- Obrigado Yami. — Bakura responde sorrindo. O outro rapaz sai do quarto olhando para os lados. O albino se agachou ao lado cama e sentiu uma sensação gelada muito familiar em seu colo.
- Você realmente quer me salvar, não é Bakura? — o loiro disse em voz baixa. Seus olhos se encontraram e Marik pode ver que o albino falava serio. Bakura teve vontade abraça Marik, mas isso era tecnicamente impossível — Mas... — Marik ainda estava um pouco relutante quanto a isso.
- Não se preocupe o mais importante agora é te tirar daqui. — Bakura diz sorrindo para o loiro egípcio.
- Na verdade eu ia pergunta outra coisa... — o loiro diz olhando para seu corpo.
Marik se sentia confuso, queria saber por que o albino estava fazendo isso por ele, eles nem se conheciam direito. Ele nem se conhecia direito.
- Qual é o plano? — por fim perguntou olhando nos olhos de Bakura.
- Eu e Yami vamos te tirar daqui enquanto os outros vão distrair os médicos e sua irmã. — o albino explicou calmamente.
- Provavelmente Mariku também vai tentar impedir Ishizu... — ele comenta casualmente e Bakura assente. Ele estava prestes a perguntar mais coisas quando Yami entrar no quarto com uma cadeira de rodas e alguns equipamentos.
- Peguei o que parecia ser importante. Vamos! — ele disse posicionando a cadeira ao lado da cama.
Bakura concordou e Marik saiu de seu colo relutante. Com a ajuda de Yami, Bakura colocou o corpo de Marik na cadeira de rodas, eles iriam ter que manobrar no hospital e tomar cuidado com os equipamentos.
- Você sabe... Essa é a coisa mais louca que eu já fiz... — Yami murmurou. Seu celular tocou e ele atendeu gemendo — O que foi?
- Yami! Eles estão vindo! Eles estão atrás de nós! — era Yugi, que gritava. Os olhos roxos de Yami cresceram e Bakura percebeu o que isso queria dizer.
-X-X-X-
- Vamos tentar tornar isso o mais fácil possível para vocês. — o medico dizia. Ao redor alguns guardas corriam atrás de algumas crianças, já era difícil para Ishizu fazer isso e agora tinham adolescentes tentando impedi-la de vê-lo.
- Obrigada doutor. — ela disse sorrindo forçada. Mariku tinha sumido o que deixava tudo mais difícil ainda para ela.
- Ei garoto! — um guarda gritou. Um rapaz loiro correu para as escadas vendo que as portas do elevador estavam fechadas.
- Vai Jou! — Yugi gritou. Ele gritava tentando se soltar das mãos de um dos guardas. Logo dois guardas correram atrás de Jou escadaria a baixo. Ryou olhou para o relógio impaciente.
- Ry... — o garoto albino olha para os lados buscando o dono da voz e encontra Mariku acenando para ele. Ryou sorri e cutuca Anzu que era a mais próxima a ele.
- Ainda podemos ajuda-los. — ele murmurou — Tenho um plano.
-X-X-X-
- Tem certeza que isso é tudo? — Yami perguntou olhando para o corpo de Marik e vários equipamentos ao redor. Marik colocou a mão no ombro de Bakura delicadamente, ele estava ansioso.
- Vai ter que dar certo. Vamos! — Bakura disse e começou a levar a cadeira para fora do quarto, ele achou difícil ignorar o quanto seu coração estava batendo em seu peito, sentiu que ele ia explodir e acabar no chão do hospital, sorriu momentaneamente pensando que seria uma grande ideia para um filme de terror.
- Bakura! Yami! — os dois congelaram e se viraram para trás, Jou estava correndo em sua direção.
- O que houve Jou? — Yami pediu.
Jou acenou com a mão — Eles estão chegando pelo elevador!
Yami arregalou os olhos e saiu abrindo caminho — Vamos usar o outro elevador então. — Bakura assentiu, ele podia sentir a mão fria de Marik junta a sua lhe dando esperança e determinação. Seus olhos caíram para o corpo de Marik o que lhe deu mais motivação. Eles foram mais rápidos com a ajuda de Jou que explicou que o plano tinha sido descoberto quando lhe pediram o estetoscópio e ele respondeu com um confuso O quê? e que Ryou, Yugi e Anzu não tinham conseguido parar Ishizu e o medico.
- Bem, isso nos deu tempo o suficiente. — Yami murmurou enquanto esperavam o elevador. Jou assentiu e Bakura queria gritar para o mundo como tudo isso era injusto.
Ambos os elevadores chegaram, Bakura sentiu o pânico lhe dominar quando viu o medico e Ishizu saindo do elevador ao lado do seu.
- Agora! — ele gritou empurrando a cadeira de Marik para dentro do elevador. Ishizu e o medico se entre olharam com os olhos arregalados.
- Doutor... Se meus olhos não estão vendo coisas... Aqueles garotos estão levando o corpo do meu irmão! — ela gritou em exasperação. O medico ficou sem palavras e correu para as escadarias mais próximas, seguido por Ishizu.
No elevador Bakura, Yami e Jou estavam em silencio como se fosse algo errado falar na presença do corpo de Marik. Jou suspirou fundo e Yami sorriu suavemente.
- Ele é lindo... — o loiro murmurou olhando para o corpo de Marik. Bakura concordou se controlando para não começar a discutir agora, ele precisava de amigos e não de inimigos ou rivais. A mão do albino ainda estava entrelaçada com a mão fantasmagórica de Marik era uma sensação boa. Ele não queria que Marik fosse embora, mas ele também queria poder tocar o corpo do loiro.
- O que você vai fazer quando sairmos daqui Bakura? — Jou quebrou o silencio.
Bakura mordeu o canto do lábio, ele não tinha pensado sobre isso — Isso não importa nesse momento. — Yami disse sorrindo e Bakura agradeceu mentalmente.
A porta do elevador se abriu e revelou vários enfermeiros e médicos correndo de um lado para o outro como se procurasse algo, ou alguém. Bakura mordeu o lábio com mais força. Onde estavam os outros?
- Depressa! — Yami disse abrindo caminho entre a multidão, correram para a frente do prédio.
Enquanto isso no corredor o medico e Ishizu tinham acabado de chegar ao andar. O medico alertou a todos no prédio que um paciente foi roubado. Ishizu olhava para o multidão tentando encontrar o irmão, reclamou mentalmente onde Mariku poderia estar numa hora dessas. Ela virou bruscamente pode jurar que viu cabelos brancos entre as pessoas.
- Srt. Ishtar. Teremos que agir no local. — o medico disse ofegante. Ishizu sentiu seu coração falhar uma batida, ela não queria que fosse assim, mas estava determinada, nada a faria mudar de ideia.
- Eu... Eu entendo. — respondeu sem hesitar.
- Não! — o medico gritou. Ishizu parou e se voltou para Bakura, ela empurrou as pessoas a sua frente fora de seu caminho. Uma pequena multidão se formou em volta de Bakura, que estava em pânico sem saber o que fazer.
- Qual é o plano? — Jou perguntou. Bakura não sabia o que fazer, ele olhava entre Marik e as pessoas a sua volta tentando encontrar uma saída.
- Salve-me, Bakura. — Marik pediu, seus olhos ametistas com o pedido. Ele se virou quando ouviu sua irmã gritar — Não me deixe morrer. — Bakura balanço a cabeça.
- Eu não vou deixar! Eu não vou deixar! — o albino murmurava rapidamente.
Ishizu e o medico passaram pela multidão, o medico segurava uma seringa e Bakura percebeu o que significava. Ele se colocou entre o medico e o corpo de Marik sem se importar com o que podia acontecer.
- Não o mate! — ele gritou olhando exasperado para o medico. O doutor suspirou fundo.
- Já é difícil fazer isso... Por favor... — ele não parecia nem um pouco tocado com tudo isso.
Bakura não sabia mais o que fazer, olhou para Marik que o olhava suplicante e voltou a olhar para o medico — Mas... Eu o amo!
As palavras saíram antes dele poder deter. Ishizu, Jou e Yami olharam para ele surpresos, Marik olhava para Bakura com os olhos arregalados. Ele o amava. Marik tentou chamar a atenção de Bakura, mas o albino estava muito ocupado em manter o medico longe do corpo de Marik.
- Bakura... — Ishizu disse com lagrimas nos olhos. Bakura sentiu um pouco de vergonha, mas isso não importava mais.
- Kura... — Marik disse num murmuro.
O albino olhou para Marik, que tinha um olhar confuso — Eu o amo... Eu o amo... — ele repetiu sorrindo para o loiro egípcio.
- Sinto muito, mas a menos que ele volte a vida eu não posso fazer nada... — o medico disse suspirando.
Houve um breve silencio ate que houve uma grande comoção na parte de trás da multidão. Ryou e Mariku correram ate o medico, o egípcio tirou a seringa das mãos dele.
Bakura olhou para Marik, já se podia ouvir as sirenes da policia se aproximando, ele respirou fundo — Não me esqueça... — ele disse para o loiro, que se pudesse choraria. O albino voltou para perto do corpo de Marik e se inclinou sobre ele — "Dê-lhe uma razão para viver..." — as palavras de Ryuji ecoavam em sua mente e ele sabia o que fazer. O albino se inclinou mais pressionando seus lábios sobre os de Marik.
Os lábios de Bakura tocou os lábios do corpo de Marik. Marik engasgou e levou as mãos aos lábios, ele podia sentir o calor neles. Olhou para suas mãos que estava se tornando mais transparentes. Bakura se puxou para cima para olhar Marik, ele estava desaparecendo, o albino se sentia fraco quando o loiro desapareceu suas ametistas brilhavam e ele tinha um sorriso singelo no rosto.
Bakura prendeu a respiração esperando que tivesse dado certo, mas nada. O albino se afastou balançando a cabeça, ele não queria acreditar nisso, ele não podia ter perdido Marik. Levou a mão a boca, sua expressão era de incredulidade, sentiu lagrimas quererem escorrer.
- Bakura... — Yami disse colocando a mão no ombro do albino e com a outra apontava para um dos equipamentos hospitalares que tinham começado a apitar.
O albino olhou para o corpo de Marik e viu que seu peito subia e descia conforme a respiração — Ele esta vivo! — gritou caindo de joelhos do lado do corpo. Ishizu e Mariku correram para o irmão, ela estava em prantos, ate mesmo Jou estava se segurando para não chorar.
- Bakura! Você o salvou! — seu irmão disse o abraçando. Bakura não conseguia acreditar. Marik estava vivo, ele tinha conseguido salva-lo. Seu corpo tremia enquanto observava o loiro, sua respiração estava pesada. Marik estava vivo! Não era mais um espírito!
Os dedos de Marik se mexeram e ele abriu os olhos lentamente revelando os orbes lilases. Ele se sentia fraco, tudo estava embaçado, mas aos poucos ele pode ver mais nitidamente as faces ao seu redor.
- Marik! — Ishizu exclamou ao ver os olhos dele abertos. Marik olhou para ela e para seu irmão, que sorriram para ele. Olhou ao redor, se sentia estranho, não fazia ideia de onde estava nem o que tinha acontecido.
- Bakura te salvou! — Ishizu disse apontando para a pessoa a seu lado. Marik olhou para o rapaz, ele tinha cabelos longos e brancos, pele pálida e olhos profundos, o loiro continuou olhando para o albino.
Bakura não conseguia tirar os olhos de Marik, ele parecia mais bonito que antes, parecia emanar um brilho do corpo dele, seu coração batia fortemente contra seu peito e ele sorri tocando a mão de Marik. O albino não conseguia explicar, mas se sentia mais feliz do que jamais tinha se sentindo antes.
Marik o olhou confuso e puxou sua mão num ato defensivo. Bakura e Mariku trocaram olhares confusos e o albino tentou chamar a atenção de Marik novamente. Seu coração doía com o pensamento de Marik não se lembrar dele, mas tentou ignorar isso.
- Marik sou eu. Bakura... Você não se lembra? Bakura... — sua garganta estava seca e o ar estava tendo dificuldade em achar seu caminho ate seus pulmões — Kura... — ele disse desesperado. Vários médicos e enfermeiros o empurraram para abrir caminho.
- Bakura... — Mariku disse segurando firmemente o ombro do albino.
O albino olha pra ele com os olhos cerrados — Marik! Marik! — ele gritou quando não conseguia mais ver o loiro. Ele nem sabia o que estava sentindo. Dor, magoa, tristeza, raiva. Era muita coisa de uma vez só. Perguntava-se se tudo não passava de uma piada de mal gosto, se era apenas um pesadelo.
Ele recuou — Não... Marik... — ele murmura entre lagrimas que já não podiam ser detidas — Não... — ele se vira e sai correndo sem se importar com os gritos de seus amigos. Ele ia fugir era o melhor a fazer. Fugir da melhor coisa que havia acontecido em sua vida.
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