Um Fantasma Em Minha Casa - Thiefshipping
4 Montando O Quebra Cabeça
Notas iniciais
Quanto mais Marik andava pela cidade, mais perdido ficava. Aquele tumultuo de pessoas, barulho de carros, era um caos para ele. Sua cabeça estava confusa, todos os lugares por onde passavam sentia que era familiar, mas por mais que tentasse se lembrar não conseguia saber de onde e isso o deixava frustrado. A única coisa que podia fazer era se encolher atrás de Bakura e o seguir.
Chegaram em um prédio pequeno e o adentraram, Marik olhava para os lados tentando lembrar se já estivera ali, depois correu ate o lado do albino — Bakura, se for falar comigo tente sussurrar. — o albino concordou com a cabeça fazendo um leve movimento e tentando não olhar diretamente para Marik.
Bakura vai ate o balcão e com o maior sorriso falso que conseguiu, perguntou para a recepcionista — Err... Queria falar com o Sr. Pegasus. — disse tentando não demonstrar nervosismo por Marik estar se sentando em cima do balcão.
A recepcionista bocejou entediada, olhou para Bakura apoiando a cabeça em um dedo e com a outra mão apontou para as escadas — Primeiro andar a direita.
Bakura foi ate as escadas quando estava no terceiro degrau percebeu que Marik não o seguia, correu os olhos pelo local e o encontrou debruçado sobre o balcão gritando com a recepcionista. Ele mordeu o canto do lábio para não rir da cena tentando pensar em uma maneira de chamar a atenção do loiro sem causar suspeitas. O melhor que veio a mente foi pigarrear, o que pra sua surpresa, chamou a atenção do outro rápido.
Marik caminhou ate ele relutante, queria discutir com a recepcionista por ser tão rude, mas acabou seguindo Bakura — Sinceramente! As pessoas tinham que ser mais qualificadas! — ele reclama subindo os degraus.
Bakura revirou os olhos suspirando — "Como fui me meter nessa?" — pensava enquanto seguia Marik. Pararam em frente a uma porta de madeira vernizada, Bakura bateu duas vezes e esperaram a resposta. O albino não sabia o que realmente iria fazer ali, ou o que exatamente iria perguntar para saber sobre Marik.
- Entre. — uma voz rouca os autorizou a entrar. Bakura hesitou por um instante, olhou para Marik que assentiu a entrada, Bakura suspirou e então abriu a porta.
E lá estava um homem de meia idade, cabelos longos num tom acinzentado presos num rabo de cavalo frouxo, sentando em frente a uma mesa com as pernas cruzadas e uma xícara de café em mãos. O homem sorriu ao ver Bakura, que se sentou em uma cadeia a frente com um sorriso acanhado no rosto, Marik rapidamente se sentou a mesa de frente para Bakura.
- No que posso ajuda-lo, Bakura? — ele perguntou sorrindo.
O garoto de cabelos brancos mordeu o canto do lábio e olhou para Marik de relance, que deu de ombros e se voltou a suas unhas. Bakura suspirou fechando os olhos, claro que Marik iria deixar tudo em suas mãos — Bem... Na verdade eu... — pensou por um segundo — Eu só estava curioso sobre o proprietário anterior. Será que você sabe de algo sobre ele? — disse tentando ser o mais casual possível.
Pegasus sorriu e se levantou indo ate o armário ao lado — Vou dar uma olhada... — começou a mexer em alguns papeis procurando algo.
Bakura olhou para Marik em suplica — Marik, isso não vai dar certo. Podemos ir? — ele perguntou num murmuro.
Marik cruzou os braços e o encarou serio — Não. — disse com indiferença.
Bakura gemeu fazendo careta — Não estou bem... Nós poderíamos voltar amanhã... — disse gemendo.
- Já disse, não! Não me obrigue te manipular! — Marik ameaçava apontando para o albino num tom desafiador.
- Não se atreva! — o albino murmurou alterado.
- Quer apostar? — Marik disse com um sorriso desafiador e Bakura grunhiu.
Pegasus se virou para trás para verificar o que estava acontecendo, ao perceber, Bakura sorriu como se nada estivesse errado e quando o homem se virou de volta ao armário ele fuzilou Marik com o olhar.
Marik riu e se sentou no colo do albino para pirraça-lo. Bakura engasgou quando sentiu algo gelado ser depositado em seu colo, Marik estava frio, como se estivesse morto. O albino estava desconfortável era estranho ter um homem sentando em seu colo, mesmo sendo um fantasma — "Será que ele percebe que esta gelado?" — balançou a cabeça tentando afastar esses pensamentos, não era hora para isso. Marik virou o rosto para Bakura e mostrou a língua, o outro rosnou fazendo careta, suas ofensas por mímica terminaram quando Pegasus se virou para eles.
- Bem, não consegui encontrar muita coisa a respeito. — ele olha nos documentos — Seu nome era Marik Ishtar e era conhecido por ser solitário. — ele diz se sentando novamente colocando os papeis na mesa.
- Poderia me dizer... O que aconteceu com ele? — Bakura pergunta jogando um olhar discreto para Marik, que acaba de se levantar do seu colo e para ao seu lado apreensivo.
Pegasus balançou a cabeça negativamente — Desculpe, isso é confidencial. Não me autorizaram a dar mais detalhes. Não vou poder te ajudar.
Bakura assente com um sorriso de decepção no rosto e se levanta — Mesmo assim, obrigado. — ele sorri e vai ate a porta.
- Obrigado por nada! — Marik diz bufando e fazendo cara de emburrado.
- Isso não ajuda... Pelo menos já sabemos sobre sua fama. — o albino brincou e recebeu um olhar de desgosto como resposta.
Marik bufou — Droga! Não faço a menor ideia por onde começar... — gemeu seguindo o outro para fora do prédio.
Bakura parou na calçada e suspirou jogando os cabelos para trás. Tentava pensar em algo, mas parecia que todas as opções que podia imaginar não eram palpáveis. Foi desperto de seus devaneios quando sentiu Marik tentando chamar sua atenção mexendo em seu ombro, ele se virou para o loiro.
- Algo me diz para seguir aquela placa... — ele aponta para uma placa na esquina, mas antes que Bakura pudesse ler o que estava escrito o loiro sai correndo.
Bakura gemeu e relutantemente correu atrás dele muito desajeitadamente tropeçando e esbarrando nas pessoas. Finalmente pareciam estar conseguindo algo, talvez Marik estivesse se lembrando sobre o passado.
Marik parou abruptamente e observou a sua volta — "Tenho certeza que conheço esse lugar..." — ele pensa mordendo o canto do lábio, se virou ao perceber que Bakura já o acompanhava, mas se voltou rapidamente para o edifício a sua frente com seus pilares de mármore e placas memoriais.
Bakura dobrou-se sobre o abdômen se apoiando nos joelhos para recuperar o fôlego, quando se recompôs levou as mãos aos cabelos tentando organiza-los. Foi ao lado de Marik, ergueu uma sobrancelha e o olhou confuso pedindo uma resposta plausível.
- Acho que minhas memórias estão tentando voltar de alguma maneira. — o loiro diz seguindo em frente para o museu — Vem! Lá dentro você descansa! — ele grita para o albino o chamando com um movimento de braço.
Bakura suspirou revirando os olhos o seguindo lentamente, ainda estava cansado pelo esforço da corrida, encontrou Marik no meio do salão dando uma volta em torno de si mesmo para observar o seu redor, os olhos lavandas brilhavam de alegria, parecia uma criança num parque de diversão.
- Tenho certeza que conheço esse lugar, Bakura. — ele diz ao albino que agora estava ao seu lado. Os olhos lilases encontraram os castanhos por um segundo e voltaram a atenção para o lugar, os olhos se arregalaram de felicidade ao verem um pergaminho com os escritos antigos e correu ate ele.
Bakura pigarreou e olhou em volta, realmente não era um lugar onde ele gostava de estar. Nunca tinha visto graça em admirar coisas antigas, deixando isso para Ryou fazer por ele. Se aproximou de Marik e parou ao seu lado fingindo observar o objeto histórico — Marik... — ele o chamou em sussurro.
Marik deu um pulo — Desculpe Bakura, acabei me distraindo. — disse encolhendo os ombros.
O garoto de cabelos revirou os olhos. Marik saiu correndo para o outro lado do lugar para observar outras coisas, Bakura o seguiu e não pode deixar de perceber como o loiro parecia feliz com tudo aquilo.
Enquanto andavam de um lado para o outro olhando as coisas um casal passou por eles e comentou — Eu acho que essa é a seção grega... — a garota disse inserta.
Marik virou a cabeça bruscamente lançando um olhar de reprovação ao casal, Bakura ergueu uma sobrancelha intrigado. O loiro mordeu a ponta do polegar e estreitou os olhos tentando lembrar de algo — Mas... Esta seção é do Antigo Egito... A seção grega é no terceiro andar. — disse num fio de voz mais para si mesmo do que para Bakura.
Bakura o olhou curioso — O que foi isso?
Marik apontou para o casal que se afastava — Eles pensam que esta seção é a grega, mas é a seção egípcia. A Antiga Grécia é no terceiro andar. — ele aponta para cima.
O albino piscou algumas vezes — Como você sabe? — perguntou cruzando os braços.
Marik deu de ombros — Intuição...? — olhou para o casal — Vai lá e diz pra eles!
- O quê!? — Bakura quase gritou, seus olhos se arregalaram e tapou a boca com as mãos. Se aproximou de Marik e sussurrou — Ficou louco!?
- É só ir lá e avisar, Bakura! — coloca as mãos na cintura e o encara serio.
Bakura suspira vencido e caminha ate o casal — Com licença... — o casal se vira para ele — Acho que a seção que procuram é no terceiro andar... — diz inserto lançando um rápido olhar para o loiro que assente.
- Obrigado. Você trabalha aqui? — o homem pergunta desconfiado.
Marik se aproxima e sussurra no ouvido do albino — Diz que conhece alguém que trabalha.
O albino sentiu um pequeno arrepio com a respiração gelada de Marik em sua orelha — Não, não. Tenho um amigo que trabalha aqui. — ele sorri desconfortável — Espero ter ajudado.
O casal parecia encantado com a gentileza e polidez de Bakura. Marik sorri com a atitude — "Tenho que admitir... Ele é um ótimo ator quando quer ser." — pensa colocando a mão na boca para abafar um riso. Bakura o fuzila com o olhar e solta um grunhido imperceptível.
- Bem, obrigado. — o homem agradece e se distanciam.
Bakura suspirou de alívio fechando os olhos e se volta para Marik ao ouvir ele bater palmas alegremente, o albino estava prestes a esbravejar, mas sua expressão se suavizou quando viu que Marik estava com um sorriso radiante.
- Bakura... Este era o meu emprego! Não sei explicar como seu sei, mas... Eu sinto! — disse olhando em volta sorrindo.
Bakura não perderia a oportunidade, sorriu marotamente antes de dizer — Ah, não... Você esta me dizendo que eu tenho que dividir o apartamento com o fantasma de um cara que sabe exatamente o dia, mês, ano e hora que Tutankhamun nasceu? — diz debochado.
Marik estreitou os olhos e rosnou, teve ímpeto de tentar socar o albino, mas seu punho atravessou o corpo pálido. Bakura riu sem se importar com as pessoas em volta e cruzou os braços com olhar desafiador.
- Calado! — Marik resmungou fingindo irritação.
Agora Marik e Bakura estavam no elevador, o loiro contava como era feita a mumificação no Antigo Egito e ria das caretas do albino. Bakura tinha pedido para ele lhe contar dizendo aguentar ouvir os detalhes, o loiro não deixaria essa oportunidade passar e contou tudo nos mínimos detalhes.
- Eca, Marik...! — exclama enojado — Isso é nojento! — Marik se divertia com as reações do outro — Eles puxavam o cérebro pra fora... Pelo nariz? — disse atordoado com a novidade.
Marik riu quase femininamente — É claro! — exclamou enquanto saiam do elevador, ele percorreu o olhar no lugar e colocou o dedo indicador nos lábios num gesto pensativo — Se eu não me engano... Esta é a seção romana... — disse estreitando os olhos.
Bakura revirou os olhos fingindo tédio e Marik mostrou o a língua percorrendo o lugar. Por incrível que pareça Bakura estava gostando do passeio no museu, Marik falava sobre coisas que nem ele poderia imaginar.
Ele seguia o loiro com o olhar enquanto este examinava detalhadamente as coisas, o albino tentava adivinhar quantos anos o loiro poderia ter, parecia ser mais novo que ele próprio. Se perguntava como um fantasma poderia ser tão... Vivo. O loiro realmente não parecia um fantasma, o sorriso, o brilho no olhar, Marik era radiante, ate... Bonito...
O albino franziu a testa com o pensamento e mordeu o lábio arrancando uma gota de sangue. Balançou a cabeça tentando afastar esses pensamentos, ele não poderia estar se sentindo atraído pelo loiro... Mas era inegável que ele tinha uma beleza peculiar. Cabelos dourados que contrastavam com a pele morena e os grandes olhos lavandas que hipnotizavam, era uma beleza exótica.
- Marik, os romanos não faziam algo repugnante? — perguntou curioso.
- Fizeram um pouco, se queria sangue, lá estavam os gladiadores. — ele morde o lábio e busca com o olhar — Tenho certeza que há uma seção inteira sobre eles por aqui...
Bakura sorriu sadicamente, ele adorava filmes de terror com sangue e essas coisas, só não tinha visto muitos por conta do seu irmão que tinha medo — "Talvez Marik goste!" — sorriu com o pensamento — Então vamos ver esse gladiadores.
Marik sorriu e foi a procura, Bakura bufou quando Marik atravessou a parece sem perceber e voltou rapidamente com um sorriso bobo. Um guarda do local olhou para o albino desconfiado, Bakura sorriu amarelo e voltou a andar tentando não parecer suspeito. Ainda não tinha se acostumado ao fato de só ele poder ver Marik.
- Ali! — o loiro disse entusiasmado apontando.
Bakura olhou para onde o outro apontava e um sorriso largo brotou em seu rosto, seus olhos brilhavam quando viu vários modelos de gladiadores que pareciam atacar um ao outro cobertos de sangue.
Antes que Bakura pudesse dizer algo, Marik passou pela corda de proteção e começou a caminhar entre os modelos, Bakura engasgou arregalando os olhos e engoliu em seco, olhou para os lados para verificar se alguém estava por perto e murmurou — Marik! Sai dai, agora!
Marik se colocou deitado no lugar de um modelo que estava sendo golpeado no estômago — Desse ponto de vista parece ser mais doloroso. — disse rindo.
O albino mordeu o lábio tentando não rir, mas acabou soltando uma risada abafada enquanto Marik fazia posses e soltava comentário sobre as figuras — Marik! Sai dai e vamos! — disse entre risadas.
O loiro fez beicinho e colocou uma mão no ombro de um dos modelos caminhando em volta dele lentamente com movimentos quase felinos — Você é o único que pode me ver... — e piscou para Bakura que rapidamente abaixou o olhar tentando não corar ao pensar em como Marik se movimentava graciosamente. Marik bufou — Tudo bem, estou satisfeito agora... — fingiu irritação e pulou por cima da corda mesmo podendo atravessa-la.
Bakura cruzou os braços e revirou os olhos em tédio, ia começar a reclamar quando uma voz chama sua atenção — Com licença... — ele gelou por um momento e se virou, seus músculos se retraíram — Posso ajuda-lo?
Era uma garota magra e baixa, cabelos castanhos e os olhos na mesma cor, ela sorria, parecia trabalhar ali. Marik se aproximou e a examinou de perto de cima a baixo, estreitou os olhos tentando reconhece-la.
- Hmm... — ele pensou um pouco, de repente seus olhos se arregalaram — Mana! — ele sorriu com brilho nos olhos, o que fez Bakura ficar um pouco aborrecido — Bakura, pergunta pra ele sobre mim! — disse animadamente.
- Posso ajuda-lo? — ela perguntou novamente sem tirar o sorriso do rosto.
- Err... Eu queria falar com Marik Ishtar. Poderia me informar onde ele esta? — o albino perguntou tentando esconder o nervosismo.
Ela estreita os olhos desconfiada — O que quer com o meu Marik?
Marik engasga de olhos arregalados — O que ela disse!? — ele perguntou apreensivo.
Bakura olha para ele de canto e depois focaliza a garota que estava o olhando curiosamente — Err... — ele coçou a cabeça — Você é namorada dele...? — perguntou incerto.
Ela abafa um risinho e sorri — Não, sou apenas uma amiga. É que não vem muitas pessoas atrás dele aqui. — Bakura solta um suspiro de alívio imperceptível.
Marik suspira aliviado — Nossa... Se eu estivesse vivo já teria enfartado... — diz se recompondo, Bakura morde o lábio inferior para não rir do comentário e da expressão de alívio do outro.
- Bem... E você é? — ela pergunta erguendo uma sobrancelha.
- Ah! Sou Bakura, um amigo dele. É que fiquei um tempo fora e queria saber como ele estava. — Bakura diz exatamente o que Marik lhe sussurrava no ouvido, mesmo sem a necessidade de sussurrar, o fazendo ter arrepio pelo corpo.
- Que bom que ele tem mais amigos! — ela sorri — Bem, pelo que fiquei sabendo o chefe tinha dado um mês de férias para ele e depois o mandou para o Egito acompanhar a seleção de alguns objetos que iriam ser enviados para cá. — ela explica pensando um pouco — Mas... — Bakura gela e Marik fica tenso — Ele não deu noticias ate hoje... — ela disse um pouco chateada.
- Ah... Entendo... — Bakura diz desapontando — Err... — ele olha para o crachá dela — Mana? — ela concorda sorrindo — Tem papel e caneta? — a garota assente entregando para o albino anotar algo, Marik olhava curioso — Se ficar sabendo de algo poderia me avisar?
Ela pega o papel e confere o numero — Pode deixar. — ela sorri e ele sorri de volta — Era só isso mesmo?
- Na verdade era... Mas acho que vou dar uma olhada por ai. — Mana assente sorrindo.
- Então te vejo outra hora. — ela se despede se afastando.
Bakura suspira de alívio, Marik observava ela se afastar — Ela é minha amiga... — o albino ergueu uma sobrancelha o observando de trás, Marik se vira com um sorriso radiante no rosto — Eu tenho uma amiga! — diz animado.
Bakura revira os olhos e sorri marotamente — Agora sabemos que você não é tão anti-social... — ele cruza os braços rindo. Marik faz careta e mostra a língua para ele, o albino para de rir quando cruzou o olhar com algo.
Marik franziu a testa — O que foi?
- Marik... Se você trabalhava aqui, eles devem ter informações sobre você... — Bakura diz o olhando serio, Marik pensa por um instante depois concorda com a cabeça sorrindo.
Bakura disfarça estar olhando os modelos, Marik o segue sem entender, o albino olha para os lados para confirmar se tinha alguém olhando e entra em uma porta que estava escrito Somente pessoal autorizado.
Marik o segue sorrindo ao perceber o que o outro iria fazer, entraram em uma sala pequena e cheia de documentos e caixas, Bakura suspira e começa a procurar algo sobre o loiro.
O loiro olhava para as prateleiras cheias de caixas, enfadonho, distraidamente, Bakura que estava procurando em uma das caixas diz como se não quisesse nada — Ela parece ser legal.
- É... — Marik responde sem dar muita importância.
- Ela é bonita... — ele comenta observando o loiro de canto.
- Deve ser... — ele responde com desdém — Aqui, Bakura! — ele grita e o albino vai ate onde ele apontava. Bakura pega a pasta nas mãos e sorri ao ver o nome na contracapa Marik Ishtar.
O albino abre a porta em silêncio e olha para os lados, percebendo que não havia ninguém sai apresado dali sem olhar para os lados. Marik o seguia rindo — Você leva jeito pra coisa Bakura... Já pensou em viver disso?
- Calado! — ele resmunga num sussurro enquanto Marik ria.
Bakura mantinha um leve sorriso no rosto enquanto Marik o seguia. O loiro estava feliz por saber onde trabalhava o sorriso no rosto não negava, ele andava olhando cada detalhe das ruas como se fosse a primeira vez que passava por ali, parecia uma criança.
Por mais incrível que pareça o albino estava contente, tinha passado uma tarde inteira no museu como o loiro e não ficou entediado com o lugar cheio de coisas antigas, estava ate se sentindo responsável por Marik e quanto mais ficava perto do rapaz, mais sentia a necessidade de protegê-lo.
Marik fica na frente do albino e passa a mão na frente dos olhos castanhos que se assustam, o loiro ri com a reação do albino, que se irrita e caminha em passos largos — Estava pensando em quê? — pergunta o acompanhando do lado.
- Se vamos conseguir saber o que houve com você. — ele mente desviando o olhar para o chão, Marik sorri e concorda com um aceno de cabeça.
-X-X-X-
Entraram no apartamento, Marik se jogou no sofá — Estou morto... — Bakura, que estava indo ate a cozinha, se virou e franziu a testa o encarando. Marik revira os olhos — Você me entendeu. — gesticula com as mãos.
O albino vai ate a cozinha, pega uma lata de cerveja e a abre se sentando em uma das cadeiras, Marik vai ate ele e se senta de frente — Vejamos... — Bakura abre a pasta e leva a cerveja a boca.
- Não! — Marik grita, Bakura para a mão no ar de olhos arregalados e pisca algumas vezes — Nada de bebidas na minha casa! — ele bufou cruzando os braços se jogando contra o encosto da cadeira e quase cai dela.
Bakura revira os olhos e suspira deixando a lata de lado, estava cansado demais para discutir sobre isso — Satisfeito? — Marik sorri vitorioso. O albino balançou a cabeça em reprovação e volta a atenção a pasta.
- Encontrou algo? — Marik pergunta impaciente.
- Nada muito importante... Só que você veio do Egito quando era mais novo... Agenda lotada com passeios e visita a escolas... Nada demais... — ele joga a pasta na mesa para Marik poder ver — Eles amavam você.
Marik ergue uma sobrancelha — Ou eu era muito bom no que fazia.
O albino se levanta — Já que não posso beber... — ele joga um olhar para Marik, que da de ombros sem se importar — Vou fazer um chá.
- Bem, eu vou pra sala... Como disse, estou morto... — ele ria amargamente e se retira. Bakura respira fundo observando ele se afastar.
Marik se joga no sofá e ficou olhando para o teto, passou as mãos no rosto — "Quem sou eu?" — ele pensa olhando para um ponto fixo, fecha os olhos com força e suspira.
- Marik, eu... Não sei se você vai ser capaz de... Você sabe... — Bakura diz colocando uma bandeja com duas xícaras na mesa.
O loiro se senta e Bakura se senta ao seu lado, Marik olha para a xícara de chá, ele tentava lembrar se era fã de chá ou não, se virou para o albino que o encarava com curiosidade — É gentil da sua parte, Bakura, mas acho que é melhor eu evitar... Se passar por mim vai acabar no meu... No seu... — ele ergue uma sobrancelha — No nosso sofá e tapete? — ele ri com a própria observação, mas era um riso seco.
Bakura concordou com um movimento de cabeça demonstrando ter entendido o que o outro queria dizer, ele queria confirmar se Marik podia comer — Você não sente fome, não é mesmo?
Marik balança a cabeça negativamente — Não.
- Bem, então se prepare para amanhã. — ele toma um gole do chá.
Marik olha para ele desconfiado — O que tem amanhã? — ele ergue uma sobrancelha.
Bakura coloca a xícara na mesa — Vamos ver um amigo meu, ele consegue sentir essas coisas sobrenaturais. Quero perguntar por que você some de uma hora para outra e por que você consegue segurar objetos às vezes. — ele explica gesticulando.
Marik olhou para a xícara intocada na bandeja e de volta para Bakura. Ele não tinha pensado sobre essas coisas antes, estava focado em saber o que tinha acontecido com sigo mesmo.
- Então amanhã vamos ter um dia cheio? — ele pergunta com um meio sorriso no rosto.
Bakura assente sorrindo — Com certeza.
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