Notas iniciais
Ryuji Otogo é o nome original de Duke Devlin e da mesma forma Anzu é o nome original de Tea Garden (eu sei que deveria ter deixado essa nota antes, me desculpem).

Bakura abriu os olhos lentamente, percorreu os olhos no quarto pra verificar se Marik estava por ali. Suspirou fundo, provavelmente Marik sumiu novamente e demoraria a reaparecer.

Se levantou fez sua higiene matinal e foi ate a cozinha, a cerveja que tinha deixado na mesa ainda estava lá, intocada, preparou o café e foi ate a sala, se sentou no sofá com a xícara nas mãos, olhou para a porta na expectativa, como se Marik fosse entrar ali a qualquer momento fazendo alguma piada.

Suspirou colocando a xícara na mesa e se jogou contra o encosto, passou as mãos nos cabelos, sabia que o dia iria ser cansativo, iriam descobrir por que Marik continuava naquele lugar e só conhecia uma pessoa que não o chamaria de louco por perguntar sobre isso.

Olhou para a porta novamente, mas nada do loiro aparecer, fez careta, Marik poderia aparecer a qualquer momento, em qualquer lugar, olhou em volta esperando pelo susto, que não veio.

Respirou fundo relaxando, não poderia sair sem o loiro, então não precisava se apressar. Se levantou foi ate a estante, dedilhou os livros, olhou algumas faixas de CDs, olhou os filmes e sorriu ao perceber que a maioria era terror. Voltou ao sofá com alguns filmes nas mãos, vários que ele não tinha assistido.

Deu um pulo ao sentir seus cabelos serem acariciados de leve e sentiu um frio subir a espinha ao imaginar Marik lhe tocando, se virou para trás num movimento rápido.

Marik riu e pulou ao lado dele — O que foi? Parece que viu um fantasma. — ele sorriu divertidamente. Olhou serio para as mãos pálidas e pegou os filmes — Ai! Você tirou da ordem... — reclamou indo ate a estante com os DVDs e organizando em ordem alfabética. Bakura bufou e revirou os olhos, o egípcio se virou encolhendo os ombros — Não gosto de bagunça. Algum problema? — pergunta levemente irritado.

Bakura se levantou para levar a xícara a cozinha e Marik se jogou no sofá — Então... Quem vamos ver? Espero que não seja chato. — gritou observando as unhas.

- Não se preocupe. Vamos ver Ryuji Otogi. — Bakura diz sorrindo.

-X-X-X-

Marik bufava com os braços cruzados enquanto seguia o albino — Ainda vai demorar muito? — pergunta irritado.

Bakura revira os olhos e se aproximou de uma casa, era incrível a impaciência do egípcio, bateu na porta e nada, bateu novamente e novamente nada. Marik grunhiu impaciente atrás do albino.

- Ele deve estar na cama ainda. — explicou mordendo o canto do lábio.

Marik revirou os olhos — Eu posso acorda-lo. — disse fazendo careta.

- Não! Por favor, não faz isso. — disse apreensivo com os olhos castanhos arregalados.

- Bakura, dizer não pra mim é a mesma coisa que implorar para que eu faça algo a respeito. — Marik disse sorrindo marotamente.

O albino teve uma leve impressão de ter ouvido um tom sedutor na voz de Marik, balançou a cabeça pra afastar os pensamentos — "Deve ser sua imaginação, Bakura esquece isso!" — praguejava mentalmente.

Marik pigarreou quando a porta se abriu e um rapaz com desgrenhados cabelos negros e grandes olhos verdes apareceu bocejando — Ei, Bakura, pra mim é novidade você aparecer aqui a essa hora. Caiu da cama? — disse abrindo passagem para o albino.

Marik sorriu, ele pareceu não estar ciente de sua presença na casa. Bakura sorriu e fechou a porta atrás de si depois do loiro ter entrado — Ryuji... Eu realmente preciso da sua ajuda. — disse caminhando ate os sofás.

- O que foi? — ele perguntou se sentando no sofá em frente ao albino.

- Como posso explicar... — ele pensou um pouco — Você provavelmente vai achar que estou bêbado ou algo assim... — Marik abriu a boca para falar algo, mas Bakura levantou a mão para impedir, Ryuji ergueu uma sobrancelha e olhou desconfiado para o albino — Tem um espírito comigo... E... — mordeu o lábio — Ele esta aqui do lado. — apontou onde Marik estava de pé, o moreno piscou algumas vezes e Marik girou em torno de si mesmo.

- Eu acredito em você... Mas vamos ver se os meus sentidos sobrenaturais vão funcionar. — ele se sentou mais na ponta ansioso — Vou tentar adivinhar algo sobre ele.

Marik parou de girar e olhou para Bakura concordado, estava curioso sobre ate onde esse poder de sentir espíritos iria e se ajudaria a saber mais sobre o seu passado. Bakura olhou para Ryuji e sorriu concordado. O rapaz esfregou as palmas das mãos ansiosamente.

- Vejamos... — ele se concentra um pouco — É uma pessoa organizada? — Bakura olhou para Marik que afirmou, o albino assentiu para Ryuji — Ok. Hmm... Esta confusa, frustrada?

- Já sabemos... — Marik resmungou.

- Err... Já sabemos, foi a resposta para o que disse... — Bakura disse com um sorriso tímido.

Ryuji riu, balançou a cabeça e seus cabelos caíram sobre seus rosto — E... Um pouco inteligente?

Marik olhou para Ryuji com raiva e foi para cima dele, mas claro que ele o atravessou — Isso poderia ser debatido, mas sim, eu acho. — Bakura disse cruzando os braços e encolhendo os ombros.

Ryuji riu, ate agora estava tudo bem. Ele pensou um pouco antes de dizer a próxima coisa que veio a sua mente e sorriu — Cara, esse espírito gosta de você!

O loiro e o albino trocaram olhares meio confusos e Bakura disse — Bem, melhor que me odiar. — deu de ombros.

O moreno balançou a cabeça negativamente e acenou com os braços em desespero — Não, não. Quero dizer que ele gosta mesmo de você! — ele deu ênfase. Bakura ergueu uma sobrancelha e lançou um olhar indagador para Ryuji, que se levanta e caminha ate uma estante.

Marik ficou um pouco nervoso — Ele só quis dizer que nos damos bem, isso é tudo! — ele disse rápido e abaixou o olhar para o chão com as mãos para trás num gesto tímido.

Bakura olhou para ele e sorriu internamente, Marik estava corado e isso lhe dava um ar bonito, se levantou e foi atrás do moreno que vasculhava a estante freneticamente em busca de algo — Então, alguma dica ou informação?

Ryuji pegou um livro grosso e ergueu, Bakura pegou o livro o examinou e olhou confuso para o outro — Este é um dos livros que podem ajudar vocês. — o albino olhou para Marik, que deu de ombros.

O loiro olhou em volta, andou pela sala enquanto os outros dois olhavam o livro para descobrir algo sobre ele. Ele cruzou os braços se sentindo desconfortável, sentia algo forte, mas não sabia o quê. Olhou em volta novamente procurando um lugar onde poderia ficar sem atrapalhar. Ele não se sentia bem, queria estar em casa onde conhecia o lugar e poderia falar com Bakura sem que o albino parecesse estranho.

Ele balança a cabeça e leva as mãos aos cabelos os segurando como se quisesse arranca-los, suspirou fundo deixando os braços caírem ao lado de seu corpo, gemeu baixo se virando para Bakura e Ryuji — "Por que não sumo quando preciso?" — ele pensa fechando os olhos.

- Obrigado, Ryuji. Você foi de grande ajuda. Agora só tenho que encontra-lo. — ele olha para os lados procurando o egípcio loiro com o pesado livro em mãos, o moreno emprestaria para poderem saber mais sobre o estado atual de Marik.

- É só você ler o que esta ai, qualquer duvida me liga. Mas falando serio, ele realmente... — Ryuji começou a falar, mas foi interrompido por Marik, que foi conhecer o resto da casa.

O loiro aparece de uma parece e chama a atenção do albino — Bakura, podemos ir? — ele pergunta fazendo manha.

- Ele apareceu Ryuji. Bem, te vejo qualquer dia desses. — ele sorriu e depois se virou. Marik suspirou aliviado internamente, olhou para o moreno enquanto se distanciavam e teve a sensação dele poder sentir onde estava mesmo sem poder vê-lo.

O egípcio caminhou em passos largos ate o carro e entrou sem necessidade de abrir a porta. Bakura entrou no carro jogando o livro no banco de trás — Sucesso! — disse orgulhoso. Marik revirou os olhos e o albino deu a partida — Onde você foi?

Os olhos lavandas se arregalaram e ele virou o rosto tentando esconder o rubor — Eu... Eu acabei sumindo novamente, você sabe, eu não consigo controlar isso. — disse a primeira coisa que veio a mente, nunca iria admitir ter ficado incomodado com o que Ryuji disse sobre ele gostar do albino, não sabia o que o fez querer ficar longe e não queria nem imaginar a reação de Bakura.

- Bem, encontramos várias coisas que podem ajudar! Ryuji pensou que eu queria me livrar de você. — ele falava calmamente.

O loiro ergueu uma sobrancelha e o encarou — E não é?

Bakura balançou a cabeça — Claro que não. — disse enquanto subia as escadas, Marik sentiu algo estranho pular forte dentro de si e colocou a mão onde deveria ficar o coração.

-X-X-X-

Quando chegaram ao andar do apartamento, Marik revirou os olhos e suspirou de desgosto — É a Anzu. — ele disse rangendo os dentes.

- Anzu? O que você... Pensei que tínhamos concordado de... — Bakura dizia enquanto procurava as chaves.

- Eu sei, mas não estava mais aguentando, Bakura! Eu tinha que vir. — ela diz olhando para o chão.

Bakura franziu a testa e olhou para Marik que deu de ombros, mas voltou a procurar as chaves — Droga! Acho que perdi... — resmungava procurando.

Marik revirou os olhos e balançou a cabeça em reprovação encostado na parede perto da porta — Na batente da porta. — disse com desdém examinando as unhas.

Bakura olha para ele e depois para a batente, passou a mão no local e pega a chave reserva, sorriu em agradecimento — Então... Acho melhor você entrar, Anzu. — a garota assentiu sorrindo e adentrou o apartamento.

Bakura correu para a cozinha para guardar o livro antes que ela fizesse perguntas — "Ela tinha que aparecer agora!" — pensa enquanto achava um lugar apropriado para o livro. Ao voltar a sala encontrou Anzu sentada no sofá e Marik observando o movimento dos carros da janela. Parou no meio da sala e cruzou os braços — O que há de errado, Anzu? — ele perguntou com olhar confuso.

- Eu sei que é de repente... Mas eu não podia esconder mais... — ela disse se aproximando dele. Bakura piscou várias vezes quando já estavam bem próximos. Ela estava agindo de uma maneira diferente com ele, o olha dela era diferente das outras vezes.

Quando percebeu o que ela realmente queria olhou para Marik que estava distraído e nem percebeu o que acontecia. Bakura olhava da garota para o loiro como se pedisse para Marik se virar e tirar ele daquela situação. Se sentia impotente com a aproximação — "Marik, me ajuda..." — ele suplica mentalmente.

- Eu não tive coragem ate ficar sem te ver, Bakura... — ela passa os braços em torno do pescoço do albino sorrindo timidamente. Bakura não tinha reação, seus pensamentos estavam uma bagunça.

Anzu se aproxima mais e pressiona seus lábios juntos. Bakura arregala os olhos, não esperava por isso, sentiu que algo iria mal. Marik se virou sorrindo para dizer algo a Bakura e viu ele beijando a garota. Ele balançou a cabeça lentamente com expressão de desapontamento e correu para a parede mais próxima, o quarto.

Bakura sentiu um cala frio e afastou Anzu, que o encarava confusa, ele olhou para a janela e percebeu que o loiro não estava mais ali. Sentiu algo doer dentro dele, não sabia explicar, só sentia que era uma sensação ruim — "Marik..."

Anzu riu e se afastou dele — Não sabia que você era tímido.

- Anzu eu... — ele disse olhando para a porta do quarto — Eu tenho que... — e correu ate o quarto. Ele se deparou com dois olhos violetas irritados e suspirou de alívio — Marik... — ele sorriu, mas foi cortado.

- Não na minha casa! NÃO MESMO! — o loiro disse irritado colocando as mãos nos quadris.

- Do que esta falando? Eu não... — foi cortado novamente.

- Eu sei muito bem o que estava acontecendo ali! Se quiser ficar com Anzu sugiro que vá para outro lugar! — ele gritou fuzilando os olhos castanhos com raiva.

Bakura recuou assustado — "Ele acha que eu queria esta com ela?" — ele pensa indignado — Marik, você não entendeu! Eu não quero ficar com a Anzu! — ele murmurou.

- Não era o que parecia para mim! — ele disse cruzando os braços.

Bakura tentou se aproximar, mas o loiro recuou — Marik... Por favor, se acalma. Não era o que parecia... — ele dizia baixo e de tempo em tempo verificava a porta para ter certeza que Anzu não estava por perto. Marik bufou e passou por Bakura. O albino se virou para ele — Marik... — o chamou num pedido, mas não teve a atenção do egípcio.

- Bakura? — Anzu se aproximou — Com quem esta falando?

- Eu estava falando... No telefone! — afirmou apreensivo.

Marik soltou uma risada seca, o que fez o albino direcionar a olhar a ele. Anzu olhou na mesma direção que Bakura — Tem alguém aqui? — ela pergunta.

- Claro que não... Olhe... — ele diz nervosamente, tentando disfarçar com um sorriso falso, a garota parou na porta e observou o quarto.

Marik tocou o albino no ombro e este se virou para ele — Não posso impedi-lo de fazer o que querer, sou apenas um fantasma... Como posso te impedir...? Estou morto afinal. — ele da um sorriso amargo se vira e caminha ate a porta sem olhar no rosto pálido.

- Marik... — ele o chamou sussurrando num tom sereno.

O loiro egípcio se vira — Faço o que quiser. Não vou ficar no seu caminho... — e atravessa a parede.

O estômago de Bakura revirava e ele sentiu um sentimento de perda. Ele realmente não queria perder Marik, ele tinha medo que isso acontecesse. Levou as mãos a cabeça — "Bakura seu idiota! Satisfeito agora!?" — praguejava mentalmente.

Marik se sentou em um dos degraus da escadaria sem se importar se as pessoas passavam por ele, ao redor dele ou o atravessavam, estava chateado. Apoiou o queixo nas mãos e bufou. Estava confuso sobre o que sentia, não entendia por que tinha se incomodado tanto, se ele estava morto era claro que Bakura iria preferir a garota.

Ele balançou a cabeça e abraçou os joelhos os apertando contra o peito, não deveria ter agido daquela maneira com Bakura, ele o ajudou ate agora, sem o albino ele seria só mais uma alma vagando pela terra. Ele tinha que ficar para demonstrar que não era ingrato e que era grato pelo que ele tinha feito ate agora. Olhou em volta e ficou imaginando como seria se estivesse vivo.

A porta se abriu e Marik olhou para cima, viu Anzu saindo do apartamento. Franziu a testa, ela estava normal, roupa no lugar, cabelo penteado. Fez cara confusa e se levantou.

- Espero que possamos nos ver em breve, Bakura. — ela diz sorrindo para o albino que estava na porta. Marik decidiu ficar ali sentado.

- Sim, vejo você em breve... — Bakura disse num tom gentil.

- Tchau, Bakura. — ela se despede e desce as escadas.

Marik esperou ela se afastar para voltar ao apartamento, se levantou e caminhou lentamente, suspirou fundo, não sabia como agir, fechou os olhos e atravessou a porta, parou na sala e cruzou os braços.

- Marik! — o albino disse sorrindo e suspirando de alívio por dentro.

O loiro não sabia se sorria ou não, então preferiu ficar apático — Bem? — disse se controlando para não soar com irritação.

Bakura riu e o egípcio bufou desapontando. Seus olhos se arregalaram quando Bakura se aproximou — Você quer saber o que aconteceu? — perguntou maliciosamente.

- Você quer me contar? — perguntou fingindo desdém.

O albino riu — Eu disse para Anzu que tinha coisas mais importantes para pensar agora. — e sorriu.

Marik piscou e o olhou sem acreditar no que ouviu — O que disse? — ele murmurou se sentando no braço do sofá.

- Eu disse exatamente isso. Coisas mais importantes em primeiro lugar , mas especificamente, você. — ele sorriu e estendeu a mão. Marik o olhou confuso levemente corado, mas estendeu a mão também. Bakura sorriu e segurou a mão dele em sua própria.

Notas finais
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