Um Fantasma Em Minha Casa - Thiefshipping
5 Atenção!
Notas iniciais
Bakura abriu os olhos lentamente, percorreu os olhos no quarto pra verificar se Marik estava por ali. Suspirou fundo, provavelmente Marik sumiu novamente e demoraria a reaparecer.
Se levantou fez sua higiene matinal e foi ate a cozinha, a cerveja que tinha deixado na mesa ainda estava lá, intocada, preparou o café e foi ate a sala, se sentou no sofá com a xícara nas mãos, olhou para a porta na expectativa, como se Marik fosse entrar ali a qualquer momento fazendo alguma piada.
Suspirou colocando a xícara na mesa e se jogou contra o encosto, passou as mãos nos cabelos, sabia que o dia iria ser cansativo, iriam descobrir por que Marik continuava naquele lugar e só conhecia uma pessoa que não o chamaria de louco por perguntar sobre isso.
Olhou para a porta novamente, mas nada do loiro aparecer, fez careta, Marik poderia aparecer a qualquer momento, em qualquer lugar, olhou em volta esperando pelo susto, que não veio.
Respirou fundo relaxando, não poderia sair sem o loiro, então não precisava se apressar. Se levantou foi ate a estante, dedilhou os livros, olhou algumas faixas de CDs, olhou os filmes e sorriu ao perceber que a maioria era terror. Voltou ao sofá com alguns filmes nas mãos, vários que ele não tinha assistido.
Deu um pulo ao sentir seus cabelos serem acariciados de leve e sentiu um frio subir a espinha ao imaginar Marik lhe tocando, se virou para trás num movimento rápido.
Marik riu e pulou ao lado dele — O que foi? Parece que viu um fantasma. — ele sorriu divertidamente. Olhou serio para as mãos pálidas e pegou os filmes — Ai! Você tirou da ordem... — reclamou indo ate a estante com os DVDs e organizando em ordem alfabética. Bakura bufou e revirou os olhos, o egípcio se virou encolhendo os ombros — Não gosto de bagunça. Algum problema? — pergunta levemente irritado.
Bakura se levantou para levar a xícara a cozinha e Marik se jogou no sofá — Então... Quem vamos ver? Espero que não seja chato. — gritou observando as unhas.
- Não se preocupe. Vamos ver Ryuji Otogi. — Bakura diz sorrindo.
-X-X-X-
Marik bufava com os braços cruzados enquanto seguia o albino — Ainda vai demorar muito? — pergunta irritado.
Bakura revira os olhos e se aproximou de uma casa, era incrível a impaciência do egípcio, bateu na porta e nada, bateu novamente e novamente nada. Marik grunhiu impaciente atrás do albino.
- Ele deve estar na cama ainda. — explicou mordendo o canto do lábio.
Marik revirou os olhos — Eu posso acorda-lo. — disse fazendo careta.
- Não! Por favor, não faz isso. — disse apreensivo com os olhos castanhos arregalados.
- Bakura, dizer não pra mim é a mesma coisa que implorar para que eu faça algo a respeito. — Marik disse sorrindo marotamente.
O albino teve uma leve impressão de ter ouvido um tom sedutor na voz de Marik, balançou a cabeça pra afastar os pensamentos — "Deve ser sua imaginação, Bakura esquece isso!" — praguejava mentalmente.
Marik pigarreou quando a porta se abriu e um rapaz com desgrenhados cabelos negros e grandes olhos verdes apareceu bocejando — Ei, Bakura, pra mim é novidade você aparecer aqui a essa hora. Caiu da cama? — disse abrindo passagem para o albino.
Marik sorriu, ele pareceu não estar ciente de sua presença na casa. Bakura sorriu e fechou a porta atrás de si depois do loiro ter entrado — Ryuji... Eu realmente preciso da sua ajuda. — disse caminhando ate os sofás.
- O que foi? — ele perguntou se sentando no sofá em frente ao albino.
- Como posso explicar... — ele pensou um pouco — Você provavelmente vai achar que estou bêbado ou algo assim... — Marik abriu a boca para falar algo, mas Bakura levantou a mão para impedir, Ryuji ergueu uma sobrancelha e olhou desconfiado para o albino — Tem um espírito comigo... E... — mordeu o lábio — Ele esta aqui do lado. — apontou onde Marik estava de pé, o moreno piscou algumas vezes e Marik girou em torno de si mesmo.
- Eu acredito em você... Mas vamos ver se os meus sentidos sobrenaturais vão funcionar. — ele se sentou mais na ponta ansioso — Vou tentar adivinhar algo sobre ele.
Marik parou de girar e olhou para Bakura concordado, estava curioso sobre ate onde esse poder de sentir espíritos iria e se ajudaria a saber mais sobre o seu passado. Bakura olhou para Ryuji e sorriu concordado. O rapaz esfregou as palmas das mãos ansiosamente.
- Vejamos... — ele se concentra um pouco — É uma pessoa organizada? — Bakura olhou para Marik que afirmou, o albino assentiu para Ryuji — Ok. Hmm... Esta confusa, frustrada?
- Já sabemos... — Marik resmungou.
- Err... Já sabemos, foi a resposta para o que disse... — Bakura disse com um sorriso tímido.
Ryuji riu, balançou a cabeça e seus cabelos caíram sobre seus rosto — E... Um pouco inteligente?
Marik olhou para Ryuji com raiva e foi para cima dele, mas claro que ele o atravessou — Isso poderia ser debatido, mas sim, eu acho. — Bakura disse cruzando os braços e encolhendo os ombros.
Ryuji riu, ate agora estava tudo bem. Ele pensou um pouco antes de dizer a próxima coisa que veio a sua mente e sorriu — Cara, esse espírito gosta de você!
O loiro e o albino trocaram olhares meio confusos e Bakura disse — Bem, melhor que me odiar. — deu de ombros.
O moreno balançou a cabeça negativamente e acenou com os braços em desespero — Não, não. Quero dizer que ele gosta mesmo de você! — ele deu ênfase. Bakura ergueu uma sobrancelha e lançou um olhar indagador para Ryuji, que se levanta e caminha ate uma estante.
Marik ficou um pouco nervoso — Ele só quis dizer que nos damos bem, isso é tudo! — ele disse rápido e abaixou o olhar para o chão com as mãos para trás num gesto tímido.
Bakura olhou para ele e sorriu internamente, Marik estava corado e isso lhe dava um ar bonito, se levantou e foi atrás do moreno que vasculhava a estante freneticamente em busca de algo — Então, alguma dica ou informação?
Ryuji pegou um livro grosso e ergueu, Bakura pegou o livro o examinou e olhou confuso para o outro — Este é um dos livros que podem ajudar vocês. — o albino olhou para Marik, que deu de ombros.
O loiro olhou em volta, andou pela sala enquanto os outros dois olhavam o livro para descobrir algo sobre ele. Ele cruzou os braços se sentindo desconfortável, sentia algo forte, mas não sabia o quê. Olhou em volta novamente procurando um lugar onde poderia ficar sem atrapalhar. Ele não se sentia bem, queria estar em casa onde conhecia o lugar e poderia falar com Bakura sem que o albino parecesse estranho.
Ele balança a cabeça e leva as mãos aos cabelos os segurando como se quisesse arranca-los, suspirou fundo deixando os braços caírem ao lado de seu corpo, gemeu baixo se virando para Bakura e Ryuji — "Por que não sumo quando preciso?" — ele pensa fechando os olhos.
- Obrigado, Ryuji. Você foi de grande ajuda. Agora só tenho que encontra-lo. — ele olha para os lados procurando o egípcio loiro com o pesado livro em mãos, o moreno emprestaria para poderem saber mais sobre o estado atual de Marik.
- É só você ler o que esta ai, qualquer duvida me liga. Mas falando serio, ele realmente... — Ryuji começou a falar, mas foi interrompido por Marik, que foi conhecer o resto da casa.
O loiro aparece de uma parece e chama a atenção do albino — Bakura, podemos ir? — ele pergunta fazendo manha.
- Ele apareceu Ryuji. Bem, te vejo qualquer dia desses. — ele sorriu e depois se virou. Marik suspirou aliviado internamente, olhou para o moreno enquanto se distanciavam e teve a sensação dele poder sentir onde estava mesmo sem poder vê-lo.
O egípcio caminhou em passos largos ate o carro e entrou sem necessidade de abrir a porta. Bakura entrou no carro jogando o livro no banco de trás — Sucesso! — disse orgulhoso. Marik revirou os olhos e o albino deu a partida — Onde você foi?
Os olhos lavandas se arregalaram e ele virou o rosto tentando esconder o rubor — Eu... Eu acabei sumindo novamente, você sabe, eu não consigo controlar isso. — disse a primeira coisa que veio a mente, nunca iria admitir ter ficado incomodado com o que Ryuji disse sobre ele gostar do albino, não sabia o que o fez querer ficar longe e não queria nem imaginar a reação de Bakura.
- Bem, encontramos várias coisas que podem ajudar! Ryuji pensou que eu queria me livrar de você. — ele falava calmamente.
O loiro ergueu uma sobrancelha e o encarou — E não é?
Bakura balançou a cabeça — Claro que não. — disse enquanto subia as escadas, Marik sentiu algo estranho pular forte dentro de si e colocou a mão onde deveria ficar o coração.
-X-X-X-
Quando chegaram ao andar do apartamento, Marik revirou os olhos e suspirou de desgosto — É a Anzu. — ele disse rangendo os dentes.
- Anzu? O que você... Pensei que tínhamos concordado de... — Bakura dizia enquanto procurava as chaves.
- Eu sei, mas não estava mais aguentando, Bakura! Eu tinha que vir. — ela diz olhando para o chão.
Bakura franziu a testa e olhou para Marik que deu de ombros, mas voltou a procurar as chaves — Droga! Acho que perdi... — resmungava procurando.
Marik revirou os olhos e balançou a cabeça em reprovação encostado na parede perto da porta — Na batente da porta. — disse com desdém examinando as unhas.
Bakura olha para ele e depois para a batente, passou a mão no local e pega a chave reserva, sorriu em agradecimento — Então... Acho melhor você entrar, Anzu. — a garota assentiu sorrindo e adentrou o apartamento.
Bakura correu para a cozinha para guardar o livro antes que ela fizesse perguntas — "Ela tinha que aparecer agora!" — pensa enquanto achava um lugar apropriado para o livro. Ao voltar a sala encontrou Anzu sentada no sofá e Marik observando o movimento dos carros da janela. Parou no meio da sala e cruzou os braços — O que há de errado, Anzu? — ele perguntou com olhar confuso.
- Eu sei que é de repente... Mas eu não podia esconder mais... — ela disse se aproximando dele. Bakura piscou várias vezes quando já estavam bem próximos. Ela estava agindo de uma maneira diferente com ele, o olha dela era diferente das outras vezes.
Quando percebeu o que ela realmente queria olhou para Marik que estava distraído e nem percebeu o que acontecia. Bakura olhava da garota para o loiro como se pedisse para Marik se virar e tirar ele daquela situação. Se sentia impotente com a aproximação — "Marik, me ajuda..." — ele suplica mentalmente.
- Eu não tive coragem ate ficar sem te ver, Bakura... — ela passa os braços em torno do pescoço do albino sorrindo timidamente. Bakura não tinha reação, seus pensamentos estavam uma bagunça.
Anzu se aproxima mais e pressiona seus lábios juntos. Bakura arregala os olhos, não esperava por isso, sentiu que algo iria mal. Marik se virou sorrindo para dizer algo a Bakura e viu ele beijando a garota. Ele balançou a cabeça lentamente com expressão de desapontamento e correu para a parede mais próxima, o quarto.
Bakura sentiu um cala frio e afastou Anzu, que o encarava confusa, ele olhou para a janela e percebeu que o loiro não estava mais ali. Sentiu algo doer dentro dele, não sabia explicar, só sentia que era uma sensação ruim — "Marik..."
Anzu riu e se afastou dele — Não sabia que você era tímido.
- Anzu eu... — ele disse olhando para a porta do quarto — Eu tenho que... — e correu ate o quarto. Ele se deparou com dois olhos violetas irritados e suspirou de alívio — Marik... — ele sorriu, mas foi cortado.
- Não na minha casa! NÃO MESMO! — o loiro disse irritado colocando as mãos nos quadris.
- Do que esta falando? Eu não... — foi cortado novamente.
- Eu sei muito bem o que estava acontecendo ali! Se quiser ficar com Anzu sugiro que vá para outro lugar! — ele gritou fuzilando os olhos castanhos com raiva.
Bakura recuou assustado — "Ele acha que eu queria esta com ela?" — ele pensa indignado — Marik, você não entendeu! Eu não quero ficar com a Anzu! — ele murmurou.
- Não era o que parecia para mim! — ele disse cruzando os braços.
Bakura tentou se aproximar, mas o loiro recuou — Marik... Por favor, se acalma. Não era o que parecia... — ele dizia baixo e de tempo em tempo verificava a porta para ter certeza que Anzu não estava por perto. Marik bufou e passou por Bakura. O albino se virou para ele — Marik... — o chamou num pedido, mas não teve a atenção do egípcio.
- Bakura? — Anzu se aproximou — Com quem esta falando?
- Eu estava falando... No telefone! — afirmou apreensivo.
Marik soltou uma risada seca, o que fez o albino direcionar a olhar a ele. Anzu olhou na mesma direção que Bakura — Tem alguém aqui? — ela pergunta.
- Claro que não... Olhe... — ele diz nervosamente, tentando disfarçar com um sorriso falso, a garota parou na porta e observou o quarto.
Marik tocou o albino no ombro e este se virou para ele — Não posso impedi-lo de fazer o que querer, sou apenas um fantasma... Como posso te impedir...? Estou morto afinal. — ele da um sorriso amargo se vira e caminha ate a porta sem olhar no rosto pálido.
- Marik... — ele o chamou sussurrando num tom sereno.
O loiro egípcio se vira — Faço o que quiser. Não vou ficar no seu caminho... — e atravessa a parede.
O estômago de Bakura revirava e ele sentiu um sentimento de perda. Ele realmente não queria perder Marik, ele tinha medo que isso acontecesse. Levou as mãos a cabeça — "Bakura seu idiota! Satisfeito agora!?" — praguejava mentalmente.
Marik se sentou em um dos degraus da escadaria sem se importar se as pessoas passavam por ele, ao redor dele ou o atravessavam, estava chateado. Apoiou o queixo nas mãos e bufou. Estava confuso sobre o que sentia, não entendia por que tinha se incomodado tanto, se ele estava morto era claro que Bakura iria preferir a garota.
Ele balançou a cabeça e abraçou os joelhos os apertando contra o peito, não deveria ter agido daquela maneira com Bakura, ele o ajudou ate agora, sem o albino ele seria só mais uma alma vagando pela terra. Ele tinha que ficar para demonstrar que não era ingrato e que era grato pelo que ele tinha feito ate agora. Olhou em volta e ficou imaginando como seria se estivesse vivo.
A porta se abriu e Marik olhou para cima, viu Anzu saindo do apartamento. Franziu a testa, ela estava normal, roupa no lugar, cabelo penteado. Fez cara confusa e se levantou.
- Espero que possamos nos ver em breve, Bakura. — ela diz sorrindo para o albino que estava na porta. Marik decidiu ficar ali sentado.
- Sim, vejo você em breve... — Bakura disse num tom gentil.
- Tchau, Bakura. — ela se despede e desce as escadas.
Marik esperou ela se afastar para voltar ao apartamento, se levantou e caminhou lentamente, suspirou fundo, não sabia como agir, fechou os olhos e atravessou a porta, parou na sala e cruzou os braços.
- Marik! — o albino disse sorrindo e suspirando de alívio por dentro.
O loiro não sabia se sorria ou não, então preferiu ficar apático — Bem? — disse se controlando para não soar com irritação.
Bakura riu e o egípcio bufou desapontando. Seus olhos se arregalaram quando Bakura se aproximou — Você quer saber o que aconteceu? — perguntou maliciosamente.
- Você quer me contar? — perguntou fingindo desdém.
O albino riu — Eu disse para Anzu que tinha coisas mais importantes para pensar agora. — e sorriu.
Marik piscou e o olhou sem acreditar no que ouviu — O que disse? — ele murmurou se sentando no braço do sofá.
- Eu disse exatamente isso. Coisas mais importantes em primeiro lugar , mas especificamente, você. — ele sorriu e estendeu a mão. Marik o olhou confuso levemente corado, mas estendeu a mão também. Bakura sorriu e segurou a mão dele em sua própria.
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