Um Encontro Na Tempestade

8 Sonho que vira realidade


Notas iniciais
Um capítulo com romance pra vocês XD
Boa leitura!

Nos sonhos que tivera desde que chegara à caverna, Nami imaginou esse momento, quando e se ele chegaria. Agora, ao vivo e em cores, pode confirmar que a sensação era mil vezes melhor. Foi um beijo dado por ela, um impulso talvez mal pensado, mas que não tinha importância agora. Os lábios se encaixaram de tal forma que parecia que haviam nascido um para o outro. Ele tinha começado um movimento de erguer os braços, mas o que quer que fosse fazer foi interrompido pelo presente inesperado.

O beijo calmo e amoroso durou longos segundos, onde os dois ficaram meio tensos, meio nervosos, mas muito felizes. Nami não tinha forças para abrir os olhos; já os de Luffy estavam arregalados pela surpresa, mas logo foram se fechando como os da navegadora, e juntos apreciaram o momento tão, secretamente, desejado.

Se separaram quando ficaram sem ar. O coração parecia que ia explodir de tanta emoção, o corpo todo estava arrepiado, o rosto derretia. Olharam-se enfim.

- É assim que eu me sinto. Isso responde sua pergunta? — ela disse, um pouco envergonhada pelo ato tão repentino.

- Claro. Hey, você me pegou de surpresa — ele respondeu abrindo um largo sorriso.

- Queria que eu tivesse mandadado uma cart...? — sua fala foi cortada quando o capitão inclinou o corpo para frente e retribuiu com outro beijo, dessa vez mais intenso e apaixonado.

Ele segurou seu rosto entre as mãos. Ela passou os braços em volta de seu pescoço. Logo eram um só, dividindo um espaço que a física indicaria para uma pessoa. Suas mentes eram fogos de artifício, explodindo de alegria, gravando a ferro quente as memórias desse momento em seus cérebros. Mesmo com o frio e o vento cortante, eles suavam pelo calor dividido corpo a corpo.

Mais uma vez fizeram uma pausa para respirar, e dessa vez se encararam sorrindo radiantes. Antes que se dessem conta, já se encontravam em um abraço de urso. Não se preocuparam em dizer nada, até porque os cérebros embaralhados teriam dificuldade em formar palavras boas o suficiente para expressar o que estavam sentindo. Seus estômagos pareciam explodir em borboletas. Depois dessa pausa para recuperar o fôlego, Nami se levantou e se sentou no colo de Lufffy, que estava de pernas cruzadas, e passou as suas ao redor de sua cintura, abraçando seu corpo. Olhou fundo nos seus olhos e ficou feliz quando ele tomou seu rosto em mãos e encaixou sua boca na dela, pois ela soube que nunca conseguiria dizer algo para expressar o quanto estava feliz.

Finalmente havia acontecido. Os dois se amavam, e estavam desfrutando desse amor da forma mais bonita possível. A manhã prosseguiu com uma sequência de abraços e amassos, troca de paixões de uma maneira apaixonante. Seus companheiros poderiam muito bem passar ali em frente que eles não teriam percebido, distraídos em seu novo passatempo predileto. Nem a refeição teve vez. A reclamação do estômago faminto do capitão foi abafada pelo som dos corações excitados. E assim a tarde prosseguiu, até que mesmo isso ficasse cansativo.

O sol descia no horizonte durante o crepúsculo, deixando o céu tingido de vermelho sangue. A fúria do mar veio à tona novamente, as ondas quebrando umas sobre as outras e sendo cortadas pelo vento uivante, como no primeiro dia fora do navio. Dentro do abrigo, as duas vítimas desfrutavam de uma saborosa refeição, ainda com as últimas horas felizes em mente. O silêncio não era desconfortável, pois não havia necessidade de diálogo para saber como se sentiam.

Mas uma coisa preocupava Nami: sua comida estava acabando. Por mais que tentasse economizar, a cesta não era infinita, e eles não aguentariam muito tempo sem alimento. Ela rezou para que seus companheiros estivessem próximos. Ao ver Luffy devorando de uma vez um grande pedaço de carne, ela interrompeu:

- Ei ei, não coma tudo de uma vez! Essa comida não vai durar para sempre.

- Mhh ffe to cfh fagnt — ele respondeu de boca cheia.

- Não importa se você está com fome, temos que nos precaver para o melhor. Por isso chega.

Ela arrancou mais uma carne de sua mão que ia direto para a boca, fazendo-o reclamar.

- Ei! Eu to comendo isso! Como vou matar a fome agora?!
Ela rastejou para frente e o calou com um beijo.

- Acalme-se. Ta melhor?
Ele sorriu e retribuiu colando seus lábios novamente. Vagarosamente e sem desgrudar as bocas ele foi se deitando com ela debruçada em seu peito. Pararam para respirar e se encararam.

- Fico pensando em como vai ser daqui pra frente — ela indagou.

- Como assim?

- Você sabe. Nós, juntos... Como vamos dizer aos outros?

- Não tenho a mínima ideia. E não me importo.

- Mas devia se importar, afinal você é o capitão.

- Não podemos simplesmente dizer?

- Não sei, o Sanji provavelmente iria a loucura.

- É só eu amarrar ele.

- As coisas não funcionam assim.

- Então você pode bolar um plano. Pode ser do jeito que quiser, desde que possamos continuar a fazer isso.

Ele tascou mais um beijo.

- Eeh, você não é mais criança — Nami riu.

- Não sou?

Ela continuou rindo enquanto ele ficou confuso. Uma rajada de vento frio veio de fora e invadiu sua privacidade, fazendo-os tremer.

- Ai ai, esse clima da Grand Line é confusão até pra mim.

- Que frio — ele pegou a coberta e pos nas costas dela — melhor?

- Sim obrigada — ela repousou a cabeça em seu peito.

Ficaram em silêncio enquanto as ondas batiam contra as pedras e o vento uivava contra a chuva cortante. A navegadora voltou a refletir sobre uma coisa que a estava incomodando a tempos. Enfim decidiu dividir o pensamento.
— Nesse tempo todo que estivemos aqui, coisas muito sobrenaturais aconteceram.

- Como a cesta de comida?

- É, e a... a voz do Arlong... — ela engoliu em seco — estou pensando que é está caverna.

- O que essa caverna tem demais? Devem ter sido nossos amigos que mandaram a comida.

- Ainda seria muito estranho ela ter chegado aqui. Continuo achando que é esta caverna.

- Então é uma caverna misteriosa!!

- Pode ser — ela disse sorrindo.

Depois de algum tempo calado, provavelmente fazendo as engrenagens de seu cérebro rodarem, Luffy indagou:

- Mas então a caverna misteriosa tem algum motivo pra ser misteriosa?

- Eu já pensei nisso... Mas minha conclusão foi tão ridícula e improvável que nem vale a pena ser levada em conta.

- Fala! — ele pegou as bochechas dela e ficou dando puxõesinhos enquanto pedia — Fala! Fala!

- Ta bem ta bem — ela disse afastando suas mãos — mas não pense mal de mim. Eu acho que tenha chances... de esse acidente ter o objetivo de juntar nós dois.
Ele ficou encarando-a por um tempo antes de responder.

- Continua sendo uma caverna misteriosa.

- Tem razão — ela sorriu.

- Então se for mesmo uma caverna mágica e a razão dela existir é isso que você falou, o objetivo dela está cumprido?

- O que você acha? — ela questionou, e respondeu-se dando-lhe um beijo.

- Uhum — ele concordou feliz — Mas se o objetivo está cumprido podemos voltar pro navio, não?

- Talvez, se a lógica funcionar assim. E eu não duvido, viu.

Os dois contemplaram o mar tempestuoso lá fora, e bem no momento certo. Com a pouca luminosidade que o céu oferecia na tarde nublada, puderam avistar uma pequena silhueta ao longe. A mancha foi crescendo conforme se aproximava, e foi ficando realmente grande. Quanto mais aumentava, mais nítidos ficavam os berros que a acompanhavam. Pareciam... pessoas gritando? Com um arrepio eles perceberam que as vozes eram familiares.

Luffy e Nami levantaram num pulo, correram até a entrada da caverna e, ignorando o frio de tremer os dentes e a água que vinha de todas as direções, puseram-se a gritar para as pessoas do navio que se aproximava. Estavam gritando para seus companheiros no Sunny, que finalmente chegava para o resgate.

Notas finais
O tão esperado resgate chegou! O reencontro no próximo capítulo promete XD
Obrigada por ler, aguarde o próximo capítulo!