Notas iniciais
Após todo esse tempo a fanfic renasce das trevas com um capítulo novo!!
Boa leitura!

Os primeiros raios de sol da manhã incidiram sobre a caverna e alcançaram a parte de dentro, iluminando uma cena bonita de se ver. Luffy e Nami passaram a noite toda abraçados e juntinhos, sem se afastar. Frio não foi um problema, seus corpos aqueciam um ao outro.
Nami abriu os olhos mas não quis acordar. Não, estava bom demais ficar ali com seu amigo, aconchegada entre seus braços, a cabeça repousando em seu pescoço. Com um arrepio ela percebeu que a cabeça de Luffy repousava em seu ombro, o nariz por cima e a boca levemente prensada em sua clavícula. Isso a deixou nervosa, mas ela gostou.

Devagar ela começou a passar seus braços para fora, com o objetivo de abraça-lo também. O motivo? Ela não sabia direito. Só queria sentir como é ter entre os braços quem ela ama. Sim, agora estava óbvio, não havia escapatória. Estava apaixonada por Luffy, e nem as estrelas poderiam explicar como isso havia acontecido. Surgia a dúvida cruel: será que ele sentia o mesmo por ela? Claro, estava evidente que ele agia de um jeito anormal ultimamente, mas nada deixaria isso ''oficial'' sem serem as palavras saindo da boca do próprio capitão.

Seus pequenos braços apertaram as costas fortes do companheiro, e ela apreciou cada segundo, sentindo os pelinhos do seu corpo se arrepiarem. Algum tempo depois ela sentiu a cabeça dele se mexer em seu ombro, Luffy acordou e ergueu um pouco o pescoço, o suficiente para poderem se encararem sem se separarem.

- Bom dia capitão.

- Dia — sua boca se escancarou enquanto ele bocejava — Então, você está bem?

Ela percebeu que ele estava falando sobre a noite anterior.

- Ah sim. Sobre aquilo, eu estou tão confusa quanto você. A voz dele simplesmente... — ela tremeu quando se recordou da risada maligna do tritão.

- Isso é muito estranho, tem certeza de que ele não estava lá fora?

- É claro que não, você também teria ouvido. Além disso, o que o Arlong estaria fazendo numa caverna no meio do nada?

- Vai ver ele também caiu do navio dele.

-Aham, claro.

Luffy ergueu os braços e se espreguiçou.

- Uuaah. Cara, como eu dormi bem.

- Quer dizer que você achou confortável?

Ele se deu conta do que disse e corou levemente.

- Bem, até que sim. Frio eu não passei, obrigado — disse ironicamente.

- Ah por nada. Sempre que precisar do meu calor é só pedir.

Por mais que não tenha tido graça eles riram.

Ele olhou para baixo e pareceu se lembrar de como estavam.

- Sobre isso... foi meio que um impulso, foi a primeira coisa que pensei quando te vi daquele jeito. Desculpa.

- De que você está se desculpando? Eu fico feliz de ter você aqui comigo. Me tranquiliza e me deixa segura sabe — ela estava nervosa, mas sustentou seu olhar e sorriu.

- Então suponho que você queira continuar assim tanto quando eu? — havia um tom de medo em sua voz, como se ele estivesse temeroso da resposta.

- Desde que possamos comer, eu topo.

- Aah comer! Você disse a palavra mágica.

Luffy esticou seu braço e apanhou a cesta de piquenique, trazendo-a para perto. Nami deu meia volta em seu colo de modo que suas costas ficaram contra o peito dele. Famintos começaram a comer. ''Passa uma carne'', ''Levanta mais o braço''. Por mais incômodo que fosse eles gostaram de ficar assim.

Ao olhar para fora descobriram que fora bem pensado mandar a mensagem no dia anterior: uma chuva leve já começava a cair sobre um oceano instável e em movimento. O tempo que levaria para um possível resgate era indefinido, portanto teriam de racionar a comida para não passar fome.

- Aaah mas eu ainda estou com fome! — Luffy reclamou quando Nami começou a fechar a cesta.

- Não reclame. Não podemos comer tudo de uma vez, senão vamos passar fome. Seria sorte demais encontrar outro barril.

- Unf, eu queria poder pescar... É MESMO! — ele se lembrou de repente — Será que ainda da pra pegar aquele rei dos mares??

- Ei! O que você está fazen-- — ela exclamou quando o capitão a levantou para coloca-la no chão e saiu correndo para o mar.

Quando o alcançou ele estava com o braço todo na água, provavelmente procurando o peixe nas profundezas do oceano.

- Não consigo achar! Já estou ficand... — começou a cambalear por causa da fraqueza causada pela água.

- Cuidado, inteligência rara! O mar te deixa fraco! — Nami advertiu.

Ela o segurou quando ele começou a cair e o levou de novo para dentro.

- Agora estamos encharcados! É isso que você ganha quando é imprudente, o que é quase sempre.

- Ahh ahn ah... — murmurou enquanto tentava se levantar.
A chuva começou a engrossar, e o mar liberou sua força nas ondas. Era até perigoso ficar na borda da caverna. Os ventos uivavam em seus ouvidos e estapeavam suas caras, como se quisessem que os dois fossem para dentro. Com o frio de tremer os dentes, essa pareceu uma escolha sensata.

Se soltaram no chão meio frustrados. Luffy porque sua pescaria tinha sido um fracasso, e Nami porque havia ficado encharcada com a água gelada.

- Por que você nunca pensa antes de fazer alguma coisa insensata?? — questionou irritada.

- Não é meu hábito. Mas por que você está me dando sermão toda nervosa?

- Simplesmente porque tomei um banho de água fria e não vejo nenhuma toalha à vista, muito menos roupas secas.

- Como você reclama! — disse rindo — estou mais molhado que você e não fico reclamando.

Ela olhou-o com mais atenção e reparou surpresa que ele também estava tremendo, discreta e levemente, mas tremendo.

- Não reclama mas morre de frio, olha só você tremendo! — disse tirando sarro.

- Nada a ver — ele tentou disfarçar, mas era evidente que também estava congelando.

A mente da navegadora estava num conflito interno, decidindo se fazia ou não o que estava prestes a fazer, uma solução para se esquentarem. Quer dizer, ela queria muito isso, mas e o nervosismo, a vergonha? Quando finalmente o frio venceu o medo, ela se levantou, pegou o cobertor e foi em direção ao capitão. Ignorando o rosto quente, ela começou a se ajeitar em seu colo.

- O que você está... — ele começou a indagar.

- Shii — ela tapou-lhe a boca com o dedo — Você nos meteu nessa, vai ter que colaborar.

Sentou-se entre suas pernas com as costas em seu peito, então pegou a coberta e cobriu-se da melhor forma que pode. Foram necessários apenas alguns segundos para seu corpo se aquecer. Teve certeza que Luffy se sentia do mesmo modo que ela, pois sentia seu coração batendo forte em seu ouvido. ''É agora ou nunca'' pensou consigo mesma. ''É hora da verdade''.

- Então... Acho que não vão acontecer mais muitas coisas interessantes até nossos amigos chegarem. Vamos ter que arranjar um passatempo.

- Hm, você tem alguma ideia?

- Sei lá, podemos conversar sobre algum assunto que nos seja atraente. De que você gosta?

- Carne.

- Fora isso.

- Coisas misteriosas.

- Puxa, desisto. É difícil puxar papo com você hein.

- Sua vez, de que você gosta? — perguntou ele.

- Berries, laranjas, mapas... você — ela disse esse último baixinho para que ele só entendesse um murmúrio.

- Hã?

- Nada, deixa pra lá.

Por algum tempo o silêncio pairou no ar, apenas violado pelo choque das ondas e da chuva contra as pedras do abrigo. ''Isso é impossível. Eu nunca vou conseguir dizer pra ele o que sinto'' Nami pensou desanimada. De repente Luffy quebrou o silêncio.

- Eu tenho me sentido estranho ultimamente.

- Como assim? — ela perguntou surpresa.

- Não sei, fico nervoso quando vou falar com você, tenho uma sensação estranha quando nos tocamos...

- E seu rosto muda de cor pra vermelho.

- Acha que estou doente?

- Você precisa de Chopper.

- Ensopado de rena?

- CLARO QUE NÃO! Eu quis dizer médico.

- Não, acho que só preciso de coragem.

Agora o coração da navegadora batia rápido.

- Pr-pra que?

Ele suspirou.

- Pra te dizer o que eu tenho medo de dizer. Se eu falar você vai rir de mim.

- Eu nunca riria de você! Claro, não nessas circunstâncias. Vá em frente, estou ouvindo.

- Acho que eu gosto de você.

Nami ficou preocupada achando que seu peito ia explodir. Ela suspeitava disso, mas ouvir essas palavras foi realmente uma surpresa.

- Co-como sua companheira? — perguntou temerosa.

- Não, de verdade. Como... como algo maior que isso.
Ela virou seu rosto para ele e o entrou vermelho como um tomate. Por mais frio que estivesse, ele suava nervoso.

- Está falando sério?

- Sim. Agora pode me bater.

- Porque eu faria isso? Eu nem disse como sinto em relação a isso.

Ele engoliu em seco, meio que esperando um tapa ou algo do tipo.

- Como você reage a isso então?

Todos os nervos do corpo de Nami estavam dando pani, e por um momento ela achou que entraria em pânico se não se decidisse. Por fim, ela girou seu corpo de modo que ficaram frente a frente.

Depois fez algo que apenas sonhara em fazer: pôs as mãos em seu rosto, o puxou para si e o beijou.

Notas finais
Eai, ancioso pelo próximo?? :3
Vou tentar não me enrolar pra postar, prometo.
Obrigada por ler, aguarde o próximo capítulo!