Um Doce Sacrifício

5 Carta nº 5 - Olá vadias!


Bom dia Anônimo, hoje é dia 28 de janeiro.

São 5:30 da manha, eu estou me arrumando para a aula. Coloquei a blusa do uniforme que é inteira branca, com uma faixa azul marinho na altura do peito com o nome da escola escrito, a leggin azul marinha até o tornozelo, meu all star cano alto preto, e o típico moletom da escola, sem zíper e todo azul (sim, azul marinho de novo) com uma faixa com o nome da escola um pouco mais claro. Eu não escovo meus cabelos quando acordo, apenas quando eles estão molhados, mas em compensação eu decidi passar um pouco de rímel. Eu não gosto de ir com a cara pintada igual as vadias da escola, e se acostume Anônimo... Eu chamo minhas coleguinhas de vadias mesmo. Mas enfim, eu arrumei meu material na mochila, as coisas que eu mais gosto que tem a ver com a escola são minha mochila e meu estojo. Minha mochila é preta, com vários símbolos do batman em cinza, e meu estojo é azul turquesa da Faber Castell, inteiro de zíper com dois olhos e dentes de zíper brancos, que só aparecem quando ele é aberto. Mas, chega de papo furado, terminei de arrumar o material (que consiste, por enquanto, e apena uma pasta vazia, um caderno e um estojo) e fui para a sala, com a escova de dentes e a pasta nas mãos, cheguei lá e coloquei as coisas na mesa. Fui até a cozinha e fiz um leite com café e pão na chapa. Estava ouvindo minha mãe no banho, ela ia fazer entrevista de emprego as 8:00. Eu comi meu café da manhã e escovei meus dentes, sim. Eu, Agnes Helena Lancaster escovei meus dentes na pia da cozinha, e daí? Eu sempre fiz isso. Já eram 6:35, estava na hora de descer para esperar a van, peguei a mochila, fui até o banheiro e dei tchau para minha mãe e desejei boa sorte a ela. Sai do apartamento e fui até a portaria, entre dois ou três minutos depois que eu desci a van chegou. Entrei e fui para o último banco, ela iria passar em mais três casas antes de ir para a escola. Estava me preparando psicologicamente para passar pelos corredores e sentir todas as pessoas a minha volta olhando para mim, falando mal pelas costas, me zoando e essas coisas escrotas que o pessoal da escola faz. Mas, quer saber, foda-se. Eu sou melhor sozinha do que em grupo. "Olha... Já chegamos no inferno?" pensei, enquanto olhava para a parede azul de entrada se aproximando. Me levantei, esperei as pessoas passarem e desci da van. Entrei com o pé direito na escola, estou torcendo para tudo dar certo.

Logo que entrei senti aquele frescor de suor, perfume francês e livros novos. Típico. A classe do segundo ano do ensino médio fica praticamente no fundo da escola, então significa que eu vou ter que passar por uma tonelada de gente para chegar até lá. Estava conseguindo passar despercebida pelos corredores, quando cheguei perto da sala alguém extremamente familiar gritou.

— AGNES! OI BAIXINHA!

Quando tirei os olhos do chão e olhei para frente, vi a alguns metros de distância, um garoto alto, com quase 1,80 metro, magro, porém com braços e pernas grandes e fortes, e ombros largos, pele clara, cabelos ruivos cor de fogo, lisos na raiz e encaracolados nas pontas, olhos pretos e algumas poucas sardas na bochecha.

— Oi Matt. – sorri com vergonha. Eu conheço (e sou melhor amiga) Matt dês dos três anos, o nome dele é Matteo, mas fica muito mais fácil chama-lo de Matt. – Você tem que me anunciar para o mundo? E... aonde está o Loup?

— Sim, eu tenho. – Ele sorriu, me abraçou, e me girou no ar. – Nossa que saudade de você! – Matt sorriu de novo, e eu também, pois eu amo o sorriso dele – o Loup? Ele está...

— AQUI VADIAS! – Loup gritou, e correu ao me ver.

O apelido Loup, é a junção de Louis Phillip. Conheço ele dês dos seis anos, e lógico, sou melhor amiga dele dês dessa época também.

— Loup, que saudades. – falei enquanto o abraçava. Lógico, eu sinto saudades dos dois nas férias, mas o Loup sempre se destaca, não sei por que.

— Ah, então dele você tem saudades... – Matt resmungou com os braços cruzados – obrigado pela consideração.

— Matt... – olhei para ele com os olhos arregalados, em forma pidona – Matty... Me abraça? – falei, com a voz doce.

— Hm. – Matt se virou de costas, mas cometeu o erro de olhar para o lado – Ah, ok. Odeio quando você faz isso. – Ele abraçou minha cabeça, que encosta em seu peito, fazendo com que eu ouça o coração dele bater.

O sinal tocou e nós entramos na sala. Eu sentei na segunda carteira da fileira em frente á porta, encostada na parede, Matt sentou na minha frente e Loup atrás.

— Vocês não querem sentar junto com seus amigos homens? – Perguntei à eles.

— Você é melhor do que qualquer amigo homem. – Falou Matt bagunçando meu cabelo.

Então minha professora preferida invadiu a sala.

— Olá alunos!

— Olá Lyllian! – todos disseram em couro.

Lyllian é a professora de história. Ela tem cabelos castanhos escuros levemente avermelhados na altura dos ombros, sorriso lindo, mas não perfeito, os dentes da frente dela são... para frente. Ela sempre usa roupas chiques, que combinam perfeitamente bem com seu corpo magro e cintura modelada. Hoje em especial, ela estava com um vestido de alcinha amarelo e florido, salto alto bege e amarelo, e sempre com seu braceletes e colares. Ela se sentou, e começou a conversar com a classe, falando que passaria um filme.

— Ei. – Cutuquei as costas de Matt com a ponta da unha.

— O que foi Agnes? – Disse ele, ainda virado para frente.

— Quando a gente meche a cabeça o nosso cérebro meche também?

— Bom, – ele fez uma pequena pausa, pensando – se for uma pancada muito forte, provavelmente sim. – terminou

— Puta merda, que aflição. – Falei rindo, ele virou para trás e segurou minha cabeça e começou a chacoalha-la.

— Seu cérebro está mexendo Agnes! Ai meu deus Agnes! – Falou ele sorrindo.

— Porra Matteo, para – eu ri – Para!

Ele parou, sorriu e se virou para frente. Eu sorri e arrumei meu cabelo, peguei meu estojo na bolsa e coloquei em baixo da carteira, foi então que eu notei que Lyllian e Charli estavam discutindo o gênero do filme que nós veríamos.

— Lyllian, vamos ver Guerra Mundial Z. – gritou um garoto novo, que já estava bem enturmado.

— Eu concordo com o Cooper. – gritou Loup atrás de mim.

Então toda a classe (inclusive eu) começou a bater nas carteiras e falar “Guerra Mundial Z” várias e várias vezes, até que Lyllian deixou.

— Ah, ok. Loup, vem colocar o filme. – falou ela sentando na cadeira.

A sala comemorou quando Loup se levantou da carteira e seguiu em direção ao computador.

— Mas, – Lyllian aumentou o tom de voz – os alunos novos venham se apresentar enquanto isso.

O tal Cooper se levantou do fundo da classe e caminhou até a frente da sala. Magro, os cabelos pretos eram curtos dos lados e mais compridos em cima, formado um moicano. Tem olhos verdes-musgo, pele clara, e usa uma fitinha verde limão igual a minha no braço esquerdo, ele aparenta ser uma pessoa extrovertida, com os olhos elétricos e sorriso malicioso.

— Olá, – ele olhou para todos da sala – eu sou o Cooper. – Após falar isso, ele voltou para o fundo.

Então, do mesmo fundo que Cooper surgira, uma garota se levantou e foi até a frente da sala.

A garota era visivelmente tímida. Alta, cabelos castanhos tão escuros que as vezes ficavam pretos, olhos azuis bebê, óculos de grau com a armação preta, magra, com corpo modelado e pele clara, mas era meio gordinha de barriga. Ela olhou brevemente para as pessoas da sala, o seu olhar cruzou o meu, e depois começou a falar.

— Ah, oi gente. Meu nome é Skye. – Ela sorriu e voltou para o fundo.

O filme começou, e a classe ficou em silêncio.

***

Duas aulas depois

O sinal do recreio (ou intervalo, tanto faz) tocou, e todos saíram da classe.

Logo depois do recreio temos aula de educação física, isso já não me preocupa mais, pois eu sou boa no gol, já fiz aulas de basquete e tenho uma boa força para o vôlei, então está tudo ok. Eu sai da classe com meu lanche na mão, um pacotinho de oreo, fui até o quiosque e me sentei em uma mesa vazia, em outra mesa ao meu lado estavam as garotas vadias da classe, e mais no fundo estavam Matt e Loup. Eu abri meu lanche e o comi, me levantei para jogar a embalagem da bolacha no lixo, e voltei para a mesa, no momento que eu fui sentar Hugo puxou a cadeira e eu cai no chão.

— Olha, ela caiu feito pedra. – Garnett riu

Matt levantou correndo e foi me ajudar, eu levantei e fuzilei Hugo com o olhar.

Hugo Casper estuda comigo dês do quinto ano. Ele é alto, tem pele morena e cabelos lisos e castanhos, olhos pretos e sorriso perfeito. Magro e musculoso, tem uma tatuagem de pirata no musculo do braço direito, sempre usa o cabelo curto dos lados, comprido em cima e com topete. Ele, além de ser o garoto mais bonito da classe, é o valentão, anda sempre com Garnett (a rainha das vadias) e com o David (um verdadeiro maria-vai-com-as-outras).

Eu não fiz nada, apenas me levantei e sai. Fui até a mesa onde Loup estava, ele me deu saudações e eu me acomodei na cadeira. Loup olhou para mim, limpou a boca suja de ketchup e perguntou.

— Está tudo bem?

— Aham, – respondi – não tem como ficar melhor.

Nós passamos o resto recreio conversando, até que finalmente tocou o sinal, levantamos e fomos para a classe. Como a aula de educação física é no meio do dia escolar, os alunos tem uma camiseta própria para fazer educação física. Eu coloquei a minha do ano passado pois a desse ano ainda não lançou. Ela é regata e meio justa no corpo, tem o nome da escola escrito na frente e é toda azul, peguei a minha camiseta na mochila e fui até o banheiro me trocar. Algumas das garotas se trocam fora dos boxes das privadas, lógico que elas fazem isso porque sabem que os garotos ficam olhando pelo reflexo da janela. Já eu gosto de ir sempre último box do lado direito, fui até lá, me tranquei, coloquei a blusa e sai. Fui em direção à classe, joguei minha blusa sob a carteira e subi até a quadra. Quando terminei de subir as escadas, Matteo me chamou.

— Agnes, olha o que a gente vai ter de jogo hoje. – Ele apontou para duas cestas de basquete que estavam na quadra.

— Isso, – exclamei rindo – uma coisa que eu sei jogar.

Fomos andando até três grandes caixas azuis de madeira, que ficam em uma parte ao lado da quadra. Nas caixas eles guardam as bolas de basquete, vôlei e etecetera, e o almoxarifado... bom, lá é uma verdadeira bagunça. Loup se juntou á nós, e sentamos nas caixas e começamos a conversar, até que uns cinco minutos depois, alguém gritou.

— Pessoal, – chamou uma voz alta e grossa – vamos começar a aula. Façam trios!

Matt e Loup olharam para mim, e eu para eles, nós rimos e fomos juntos até o meio da quadra. De longe dava para ver as meninas fazendo polichinelo na frente dos garotos. “Mas Agnes isso é uma coisa normal” você deve ter pensado, mas não, elas estavam pulando forte, fazendo com que os peitos delas pulassem junto, e os meninos da sala todos comentando, olhando e rindo.

— Desnecessário... – falei

— Desnecescyrous. — brincou Matt

— Desnessesáuro, – caçoou Loup — mas é legal ver...

— Sério? – eu e Matt perguntamos em couro

— Olha vocês podem me chamar de gay, mas peitos pulando é muito estranho. – Matt comentou

Loup olhou para mim, e logo em seguida para Matt. Ele estava sorrindo e com a cabeça de lado, ele se aproximou de Matt e começou a gritar e rir loucamente.

— Matteo seu gay! Como você não gosta de peitos? Até os gays gostam.

— Eu não disse isso, Louis Phillip. – Gritou Matt, ele olhou pra mim e respirou fundo. – Eu... ah Loup, vai se foder.

— Me beija, Matt. – riu Loup, indo em cima de Matt o abraçando.

— Ah, sai fora. – Matt empurrou Loup, que esbarrou em mim.

Todos nós rimos e finalmente chegamos no meio da quadra, entramos no círculo e o professor falou.

— Bom dia a todos, para quem não sabe meu nome é Edson, professor de educação física, mas podem me chamar de Ed. Agora nós vamos fazer alongamento, quem se candidata? Que tal você garoto? – Ed apontou para Cooper

— Ah... ok. – Cooper olhou maliciosamente para as meninas, e começou a fazer polichinelo.

— Sério isso? – resmunguei

— Sim Agnes, – disse Loup ao meu lado – segure seus peitinhos, pois grandes do jeito que são é capaz deles pularem mais do que os das vadias.

Eu suspirei, e comecei o “alongamento”. Meus peitos são grandes, meu sutiã é sempre entre o tamanho M ou G, mas eles são duros, então não pulam feito gelatina.

Cooper foi fazendo uma série de alongamentos sem sentido, como pular de um pé só, dar piruetas e coisas babacas do gênero, até que Ed interrompeu falando.

— Ok, agora escolha um pega-pega para aquecer, Cooper.

— Ah, – Cooper da uma pausa, pensando um pouco – pega-pega americano.

Ed olha para ele como se dissesse “já basta vocês serem preguiçosos o suficiente para se aquecer com pega-pega, ainda tem que ser americano?” Mas por fim, concorda.

— Ok. Escolha um outro para ser pega com você, e depois os dois coloquem este colete verde. – Ed jogou dois coletes verde-limão nas mãos de Cooper

— Loup, vem aqui amiguinho. – Cooper joga o colete e começa a rir

— Filho da puta... – Loup bate em Cooper com o colete, e todos da classe começam a rir.

Caso você não saiba Anônimo, pega-pega americano é a coisa mais infantil da galáxia. É assim, tem dois pegas ou mais (depende do número de pessoas que estão jogando), e eles simplesmente saem correndo e pegando as pessoas, que quando pegas, tem que ficar parada no lugar de pernas abertas, e só consegue ser salva se alguém passar por baixo, e quando alguém é pego mais de duas vezes, vira pega também. Sim, é ridículo uma classe de segundo ano do ensino médio estar brincando disso. Todos saíram correndo e rindo, eu não tinha muito com o que me preocupar, já que eu não sou da turma dos populares da turma para Cooper vir atrás de mim. Peguei meu elástico de cabelo preto, que eu sempre deixo no pulso, e fiz um coque enquanto ia para o canto da quadra.

— Você fica linda de coque. – disse Matteo atrás de mim.

— Puta merda, Matt. Que susto. – me virei para ele, que no mesmo momento saiu correndo e rindo – Mas...

— Peguei! – uma voz gritou, e logo senti as mãos de Loup em minhas costas.

— Merda.

Loup ria, enquanto eu, sem nenhuma vontade, abria minhas pernas e ficava plantada, de costas para a quadra e observando o campo, e as duas únicas casas que abitavam nele. Fiquei cerca de dois minutos sem ser salva, o que era um alívio já que eu não queria ninguém passando por baixo de minhas pernas. Mas, a vida nunca é como a gente quer. Senti um vento atrás de mim, como se alguém tivesse acabado de agachar, e ao olhar para baixo, vi um ser humano passando por baixo do minhas pernas, vestindo um colete verde-limão. “Ah não, não pode ser.” Pensei, quando finalmente vi o rosto de quem estava se aventurando por baixo de mim, de barriga para cima. Inclinei levemente a cabeça para baixo, fitando o cara desprezível que se deitou no chão por baixo de minhas pernas. Ao olhar para seus olhos verde-musgo, percebi que sua visão havia caído para minha blusa (ou melhor peitos), o que me deixou a beira de chutá-lo.

— Olá moça bonita que eu não conheço. – Cooper disse, sendo amigável.

— Olá garoto tarado que está em baixo de mim á pelo menos cinco minutos. – respondi revirando os olhos.

Ele esboçou um sorriso de lado, com um pouco de malicia, e (finalmente) saiu de baixo de mim.

— Você não é o pega? – perguntei enquanto fechava as pernas e andava ao lado dele.

— Sim, mas eu abro exceções.

— Quantas exceções você abriu hoje?

— Só essa mesmo. – Ele riu

Nós conversamos um pouco, e Ed encerrou o pega-pega.

— Pronto pessoal, – Ed estava no meio da quadra com o carrinho de bolas – vocês já tem seus trios formados?

Todos balançaram a cabeça e foram para seus trios. Ed jogou para cada trio uma bola de vôlei, e falou para ficarmos jogando-as entre si, e que nós poderíamos conversar, mas sem gritar e etecetera.

— Agnes, sobre o que você estava conversando com o Cooper no meio do pega-pega? – perguntou Matt, tentando se concentrar na bola.

— Aquilo foi uma conversa? Ele passa por baixo de mim, olha meu corpo e você chama de conversa. – falei socando a bola.

— Eu acho, que ele está afim de você. – Loup riu, ele nunca leva as coisas á sério, e isso é uma das coisas que eu mais amo nele.

Nós ficamos jogando com a bola de vôlei até a aula acabar, e logo após, nós tivemos duas aulas de matemática. Já não basta ser uma bosta, ainda tem que ser duas aulas seguidas. Fui até a classe, peguei minha blusa e fui até o banheiro me trocar. Todas as meninas estavam fora dos boxes, como sempre, com exceção de uma, Skye. Ela entrou no box ao lado do meu, e deu para perceber que ela estava se trocando também, isso realmente me surpreendeu.

Saí do banheiro e entrei na sala, Matt olhou para mim e piscou. Lógico, foi na brincadeira, mas ele sabe muito bem que eu odeio quando ele faz isso, pois eu sempre coro. Eu baixei a cabeça, e ele riu. ”É, eu fiquei vermelha” pensei, enquanto processava se dar um soco nele seria ou não uma boa ideia, mas por fim, desisti. Me sentei em minha cadeira, ele se virou e perguntou.

– Então Agnes, quer ir dormir em casa esse sábado?

Anônimo calma, não pira. Lembra que eu te disse que conheço Matteo dês dos três anos? Então, a gente tem sim intimidade o suficiente para um dormir na casa do outro, com Loup é assim também.

— Ok, só tenho que avisar minha mãe, mas eu vou sim.

Matt sorriu e se virou para frente. Eu peguei minha apostila de matemática, para acompanhar o ritmo da aula, mas quando me virei, vi a professora com um jogo de bingo na mão. “Ótimo, bingo, melhor do que raiz quadrada.” Pensei. Bom Anônimo, eu não vou narrar duas aulas de bingo para você, pois sabe, é chato. Ah, você não sabe como joga bingo? Pesquisa no Google.

***

Duas aulas de bingo depois

O sinal do recreio tocou, eu fui a primeira a levantar e sair da sala. Ouvi atrás de mim risos e comentários como “olha o desespero da garota para sair da aula de matemática”, ouvi até a própria professora rindo. Mas eu não me importei, e segui até o quiosque. Fui até uma árvore, que em baixo dela tem dois banquinhos, que são de costas para o campo de futebol, aonde praticamente todos os meninos da classe estavam. Estava calor, todos estavam sem casaco, e eu estava no sol de moletom. Quando vi Matteo acenei, ele acenou de volta e olhou para Loup com uma expressão preocupada, e então, os dois começaram a subir o barranco vindo em direção à mim.

— Porque vocês vieram aqui? – perguntei

— Agnes, – Matt olha para mim com uma expressão séria em seu rosto – está calor.

— Ok, – digo – e daí?

— E você está de casaco. – Loup respondeu

Quando eu tinha doze anos, eu ficava o dia inteiro de casaco na escola, não importava o quão calor estava ou não. E isso, gerou um trauma, e agora por mais que meus braços não sejam mais esqueléticos, se deixarem, eu ainda ficarei o dia inteiro de casaco me escondendo. O trauma foi tão profundo, que as vezes eu passo mal por causa do calor, sem perceber que estou de casaco ou calça.

— Ah, ok. – tiro o casaco com uma pequena relutância

Matt pega meu casaco, e o amarra na árvore ao nosso lado.

— Só eu posso tirar ele daqui, ok? – ele me encarou sério, com seus cachinhos ruivos caindo em sua testa – caso contrário eu irei te lamber.

— Ugh, – eu ri – ok.

Todos rimos, e eles voltaram para o jogo. Eu estava levemente incomodada por não estar de casaco, mas a lambida do Matteo é horrível, então, é melhor ficar sem. Algum tempo depois, ouço uma voz levemente grossa, sexy e tímida ao mesmo tempo me chamar.

— Olá moça bonita, – Cooper abriu um sorriso – que agora eu conheço.

— Olá.

Ele fez beicinho.

— Obrigado pela frieza, com esse calor, quanto mais refrescante melhor.

— Bobo, – eu ri – desculpa, foi sem querer.

Ele se sentou ao meu lado, e começamos a conversar, até que em certa parte da conversa, Cooper olhou para a árvore, e começou a rir.

— Aquele casaco é seu? – ele sorriu ao apontar para o galho mais baixo da árvore.

— Sim... – suspirei – como você sabe?

— Porque você não para de olhar para ele, com cara feia. – Ele esboçou um sorriso malicioso

— Agora eu sou feia? Obrigada. – Eu ri – Eu quero pega-lo, mas o Matteo vai me lamber.

— Hm... – Cooper se levantou, desamarrou o casaco da árvore, e entregou o mesmo à mim, sorrindo – temos que deixar a moça bonita feliz, certo?

— Obrigada. – Eu sorri, vesti o casaco, e em forma de agradecimento segurei o rosto de Cooper em minhas mãos, e dei-lhe um beijo na bochecha. Mas, por erro de calculo, o beijo acabou sendo no canto da boca, e ao perceber, eu soltei seu rosto e me afastei. Cooper olhava para mim, com seu clássico sorrido de lado, sempre com um pequeno ar de malicia.

— De nada.

O sinal tocou, e todos voltaram para a sala.

Lógico, Matt e Loup viram que eu havia colocado o casaco de novo, mas antes que Matt pudesse me lamber, eu expliquei toda a história com o Cooper, e como nós quase demos um selinho, em pleno intervalo.

— Ele deve estar afim de você mesmo Agnes, – Matteo disse, olhando para a fileira de Cooper do outro lado da sala – ele não para de olhar para você desde quando o sinal tocou.

— Agnes, sempre conquistando corações. – Loup diz, fazendo nós três rirmos.

As duas últimas aulas foram de Artes, e foram bem chatas. A professora, Anna, é bem legal como pessoa, mas muito brava como professora. Nós tivemos que fazer um desenho de como foi as nossas férias, e eu, particularmente, não consegui pensar em nada. A aula acabou, e ao chegar em casa, adiantei algumas lições e fiquei o resto do dia vendo séries, e lá pelas 21:00, fui dormir.

Boa noite, Anônimo, até alguns dias.

Agnes H. Lancaster