Notas iniciais
Certo, eu demorei. Os motivos: Falta de inspiração para o fim do capitulo; falta de reviews; e falta de tempo. Sorry, tentarei fazer com que isso não se repita. ^^ Sobre o capitulo... Ai ai, (cadê aquela lua do wpp quando precisa-se dela?!) Espero que gostem! Boa leitura! (Música do capítulo: Changing Tides - The Fray)

Jon escutou o meistre como se estivesse com a cabeça submersa em água. Quando o homem entrou pastosamente com passos arrastados em sua sala, ele tentou prestar atenção; e conseguiu, por exatos 5 segundos, até se distrair mais uma vez. Mesmo olhando para o homem falando placidamente, ele não via coisa alguma. Em sua mente martirizante se repetia um momento anterior, quando ele tivera uma conversa com Sansa.

Eu estou fazendo tudo errado. Não quisera brigar com a irmã, era a última coisa que ele desejaria, mas o que ela viera lhe falar soava tão absurdo para seu entendimento que a discussão fora inevitável.

Aquele dia era para ser agradável. Tendo resolvido tudo o que queria com os lordes — ou ao menos tudo o que pudera — e isso sem nenhum dano permanente a nenhum deles, era chegada a hora de todos voltarem para suas casas. Winterfell se livraria de dezenas de lordes barulhentos, irritadiços e esfomeados, tendo que suportar apenas sulistas da corte reclamando de que como o Norte era terrivelmente mais gelado que seus respectivos países. Os custos de uma visita daquele porte não iria os deixar em uma situação tão difícil, por muitos senhores terem trazido uma boa quantidade de ajuda consigo. Mas ainda assim Jon respiraria aliviado por deixar de ter que manter aquecido e alimentado tantas pessoas.

Mas a conversa com Sansa havia estragado suas expectativas para um bom dia.

— Você quer o quê? — Ele teve que perguntar mais uma vez, se os deuses fossem bons ele teria ouvido errado.

— Casar, Jon, com Lorde Reynelle. — Ela supirou parecendo cansada. Devia estar, repetir a mesma frase 8 vezes podia ser exaustivo. — Se você me fizer falar novamente, eu vou embora.

Jon assentiu sem pensar direito. Aquilo era tão inconcebível para a imagem que ele criara de Sansa que não conseguia entender por que infernos ela iria querer casar mais uma vez, levando em conta o histórico de casamentos desastrosos que ela havia tido.

— Mas — ele franziu a testa —, você o conhece há apenas 10 dias.

— Mindinho me casou com Ramsay antes de eu conhecê-lo.

— Eu não sou Mindinho. — Retrucou irritado.

— Eu sei que não. Por isso estou lhe pedindo, achei que entenderia. — Ela olhou para as mãos. — Arya me disse o que você falou para ela sobre o Baratheon.

Jon se mexeu desconfortável na cadeira, — É, mas eu não achei que você iria...

— O quê? Tentar ser feliz em algum momento? Acaso achou que eu fosse passar o resto dos meus dias amargurada? — Sansa se levantou com o rosto contorcido de uma fúria que Jon não compreendia de onde havia surgido. — Ou pensou que só você era digno de ser feliz? Mesmo que casando com sua tia?

Aquilo o atingiu no peito, como se ela tivesse acabado de fincar uma faca fria em seu coração, congelando todas as pequenas esperanças que ele timidamente deixara crescer. Jon engoliu em seco e tentou falar alguma coisa, mas abriu a boca e nenhum som saiu. O que ele vira no relance gélido do olhar de Sansa era o que temia ver em qualquer face que cruzasse seu caminho se ele casasse com a Rainha. Repulsa e rejeição. Algo que ele reconhecia dos olhos de outra Lady de cabelos vermelhos. Um olhar que havia aprendido a aceitar com um aperto na alma.

Ele baixou os olhos para o livro de registros aberto na página onde a tinta recente ainda secava. Era mais fácil percorrer as curvas da própria grafia do que encarar aquela acusação fria vindo de Sansa, uma irmã que ele aprendera a amar há tão pouco tempo.

— Jon, eu não quis dizer isso. — A voz dela saiu pequena e frágil, mas ele não olhou para a garota, não podia olhar.

— Saia, Sansa. — Foi tudo o que disse, ele saberia tempos mais tarde que aquele não era o melhor jeito de terminar esse tipo de conversa, mas no momento queria apenas que ela fosse embora. Para que pudesse pensar com clareza no que sentir.

— Eu... — Ela se interrompeu, como se indecisa do que dizer, agarrou as luvas em cima da mesa e andou até a porta. Antes de sair disse em um sussurro: — Desculpe-me.

Ele suspirou e encontrou os olhos de Fantasma do outro lado da sala, reluzentes como duas piscinas de sangue, que já lhe eram familiares e transmitiam conforto. Mas ele sabia que não conseguiria nenhum de verdade pelo resto do dia.

— Meu lorde. — O meistre bateu em sua mesa com uma vela apagada. O barulho seco impediu que a mente dele repassasse a lembrança outra vez.

— Sim, eu entendi Beltoar, obrigado. — Respondeu como padrão, mesmo sem conseguir lembrar-se de uma palavra sequer que o homem acabara de falar.

— Mando selar seu cavalo, meu Lorde?

Jon levou dois segundos a mais do que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência demoraria pra entender a pergunta.

— Meu cavalo? Para que, exatamente?

— Para ir receber o ferro que negociamos com as tribos do Vale, meu lorde. — O homem pendeu a cabeça levemente para a esquerda. — O senhor não estava escutando?

— Claro, claro. O ferro. — Jon passou a mão no rosto para ignorar os pensamentos e tentar se manter acordado para os assuntos importantes. — Mande selar meu cavalo, e diga para Sor Deyrin que irei levar 5 homens da guarda, além de Edwen.

O meistre assentiu e se virou para cumprir a ordem.

— Beltoar — ele se voltou para o lorde —, diga também a Reynelle Hawkstark que ele irá comigo.



— Quando alguém estiver se beijando, não interrompa. — Tyrion Lannister fungou se balançando na sela a cada passada do garrano castanho. — Acredite. Conselho para a vida, rapaz.

— Do que você esta falando afinal? — O garoto Hawkstark perguntou num sussurro. Se ele acredita que isso é um sussurro, eu não falarei nada.

— Acho que nosso lorde não quer compartilhar sobre do que eu estou falando. — O Lannister resmungou apertando as rédeas de forma nada amigável. — Como punição, eu virei ama do Senhor de Winterfell. Só me falta lhe trocar os panos sujos.

Jon suspirou e tentou ignorar os dois que haviam engatado nessa conversa com esse mesmo assunto no momento que Tyrion subira, com algum esforço, em seu cavalo. A Mão da Rainha gastara o caminho inteiro que eles haviam percorrido reclamando e falando cobras e lagartos para o Stark.

— Mas do que você esta falando? — Reynelle perguntou mais para a crina do animal que para o anão.

— Você esqueceu seu cérebro em Winterfell, garoto? — Tyrion bufou irritado. — É óbvio que eu estou falando do motivo que fez nossa amada Rainha me mandar, entenda obrigar, a acompanhar nosso Lorde Stark em sua jornada para congelar a todos nós.

O rapaz franziu a testa, mas, Jon agradeceu aos deuses pela misericórdia, não fez nenhuma outra pergunta.

Os cascos dos cavalos afundavam na neve fofa e recente, mas se mantinham firmes na camada mais dura e antiga. Jon pensara em ir rapidamente até 2 milhas adentro da floresta dos lobos, se encontrar com os clãs do Vale, adquirir o ferro que havia comprado e voltar para Winterfell antes da refeição da décima segunda hora.

Mas suas intenções haviam sido frustradas na questão do rapidamente quando Daenerys percebera que ele estava de saída.

Discretamente, ou tão discretamente quanto uma Rainha de cabelos prateados conseguia, ele a viu se aproximar dele enquanto fazia ajustes nas correias da sela de couro. Jon preferiu manter os olhos fixos na fivela da cinta que perpassava a barriga do animal e continuar a aperta-la e afrouxa-la mesmo que não precisasse fazer isso. Perto dela era saudável que ele se mantivesse ocupado com uma atividade.

— Vai sair? — Ela acariciou o pescoço do cavalo marrom.

— Vou. — Ela fez uma pergunta óbvia, então a resposta é óbvia. A menos que eu tenha acordado com o súbito desejo de ser cavalariço.

— Para onde? — Daenerys passou as mãos pelos músculos da perna do animal.

— 2 milhas a oeste do portão do caçador.

Ela olhou-o de esgueira, sabendo da intenção dele em irritá-la. — Irá fazer o quê?

Jon parou de apertar a cinta da sela quando viu as mãos dela se movendo gradativamente em direção ás suas. Segurou as rédeas com a mão direita e agilmente subiu na sela macia. Montado confortavelmente e já com os pés nos estribos, ele sorriu para a mulher que se afastara alguns passos quando o animal se movera à subida dele. Os lábios dela se entreabriram mediante aquele gesto raro.

— Não lhe devo explicações para cada ato meu, Vossa Graça. O Norte tem seus próprios assuntos. Mas fique tranquila, não estou tramando contra a coroa.

Ele observou Daenerys de cima, com aquela expressão de choque ela parecia pequena e incapaz de lhe afetar em qualquer modo. Mas ela se recuperou antes que Jon pudesse comemorar alguma vitória sobre a mulher dragão. Andou quatro passos decididos e levantou o rosto sorridente para ele enquanto colocava a mão quente em sua coxa. A respiração do Stark falhou ao sentir o calor daquele toque atravessar o tecido da calça e se irradiar para o resto do corpo.

— Claro. Gostaria de sugerir apenas o senhor minha Mão para acompanhá-lo. Tyrion comentou que estava ansioso para uma cavalgada na neve. — O sorriso dela aumentou quando Jon apertou os olhos ao perceber a mentira. Ela cravou as unhas em sua perna. — Seria uma pena se ele perdesse uma oportunidade tão maravilhosa, não acha?

Jon Stark apertou o maxilar e disse por entre dentes depois de um som gutural ter saído de sua garganta. — Sim, seria uma pena.

Assim ele descobrira que Tyrion Lannister era um péssimo cavaleiro, mas segundo ele, “apenas porque esta não é a sela correta”, e que ele além de não querer de forma alguma cavalgar, ainda os atrasava consideravelmente. Como Jon gostava do homenzinho apesar de todas as indiretas amargas que ele soltara no caminho, fazia a cortesia de andar no mesmo ritmo do Lorde Lannister, consequentemente, todos andavam naquele passo quase parando e indo de costas.

— Estamos chegando? Ou todo esse tempo andamos em círculos? Tenho certeza de que já passamos por aquele pau de ferro dúzias de vezes. – Jon cerrou os dentes e parabenizou-se por conseguir segurar a língua diante o comentário do dito meio-homem. – A menos que ela esteja nos seguindo. Lorde Stark, acha que aquela árvore está nos seguindo?

Jon segurou as rédeas com força para se impedir de atacar o pescoço do homem. Não o mate, você gosta dele na maior parte do tempo. — Não, ela não está nos seguindo. – Respondeu monotonamente. Se ele continuar falando da árvore andante, eu descubro uma maneira de derrubá-lo desta sela.

O Stark observou Tyrion abrir a boca para prosseguir no assunto, suas mãos ansiosas para afrouxar discretamente a cinta que prendia a sela ao garrano da Mão da Rainha. Mas antes que o homenzinho pudesse retrucar, o som de um cavalo se aproximando rapidamente atraiu a atenção de todos. Jon viu Sor Merlock, o batedor que ele mandara na frente, galopar até ele.

— Meu lorde, o clã dos Orelhas Negras já está onde foi marcado.

— Bom. Obrigado, Sor. – O homem assentiu e tomo seu lugar no flanco direito do Lorde.

— Ah, uma pergunta, Sor. – Tyrion ergueu uma mão enluvada. – Por acaso falta muito?

— Não, senhor Mão, estamos bem perto. – Sor Merlock respondeu prestativo.

— Obrigado por me ser útil, sor, ao contrário de certos bastardos mal-humorados. – O anão comentou de forma sarcástica, e Jon agradeceu por ele ter lhe dado o motivo.

Tyrion Lannister gritou como uma garotinha quando caiu do cavalo por conta da sela que estava com a cinta mal apertada. Que pena. Jon pensou com um sorriso vitorioso e pelo resto do percurso teve paz.

Depois do pôr-do-sol, eles avistaram o homem adiantado do clã do Vale. Assim que ele os viu se embrenhou na floresta. Jon não pode deixar de franzir a testa e achar aquele comportamento estranho. Não era como se ele fosse ser recebido por um enviado de boas vindas e depois fosse ser escoltado até o ponto de encontro, como acontecia com as casas nobres de Westeros. Mas ele já havia feito aquela dança, normalmente o homem que observava sua chegada o cumprimentaria com aceno seco e seguiria a alguns pés à frente.

— Edwen. – Chamou o homem ao seu lado tranquilamente.

— Também percebi senhor. – Ele assentiu soturnamente.

Jon ajeitou-se na sela e colocou uma mão no punho da espada enquanto eles adentravam ainda mais fundo na mata. Quanto mais eles se mantinham rodeados das árvores e arbustos congelados, ele sentia como se o ar ficasse cada vez mais frio e quase doloroso de respirar quando sentia suas vias respiratórias congelando. Eles atravessaram aproximadamente 100 jardas através da mata intocada, se o olho de Jon ainda fosse bom com essas coisas, por entre ramos negros cobertos de neve endurecida até o ponto que pingentes cinzentos e mortais se equilibrassem nas pontas. Ele torceu para que nenhum deles caísse em sua cabeça desprotegida.

Quando passaram pela pedra que tinha o tamanho de um mamute adulto, onde haviam marcado o ponto, eles conseguiram ver os Orelhas Negras esperando. Mais atrás do grupo estava uma carroça puxada por uma mula atarracada e gorda, onde ele via as pedras de ferro bruto.

Jon fez sinal para os homens pararem e continuou guiando o garrano até se destacar do pequeno grupo. Até onde ele via 8 homens e 3 mulheres do clã. Uma das mulheres sentada em uma rocha cuspiu no chão torcendo a boca para ele. Dois homens que colocavam penas de corvo em suas flechas o viram e depois passaram a ignorá-lo por completo. Mas os outros os encaravam com rostos duros. Vê-los desse jeito não era nenhuma garantia que outros não estivessem empoleirados nas árvores frias com flechas na corda, então ele não retirou a mão da espada.

— Tortell, filho de Shagga, agradeço a gentileza de esperar meu atraso. – Ele começou apertando o freio entre os dedos e sentiu vontade de olhar acusadoramente para Tyrion, mas apenas disse: — Tivemos um imprevisto.

— Huh, — o homem resmungou. Era relativamente jovem para liderar um clã, mas Jon escutara que seu pai havia morrido há pouco tempo. Possuía um crânio de carneiro na cabeça com pontas que davam voltas em seus ouvidos, e as peles que usava seriam bastante para aquecer toda uma pequena família. – Você trouxe o meio-homem. Isso não estava no acordo.

Jon encolheu os ombros fingindo displicência. – Lorde Lannister sentiu vontade de cavalgar.

— Huh – Ele fez novamente e Jon rezou para que Tyrion nunca tivesse insultado algum Orelha Negra, sabia por experiência própria que eles guardavam rancor das pequenas bobagens. Tortell moveu a cabeça para ver o Lannister melhor. – Meu pai me contou sobre você.

— Foi? Fale-me sobre o que ele contou, adoro ouvir sobre mim mesmo. – Tyrion disse cordialmente.

— Como você prometeu ouro, machados e o Vale para ele, mas tudo o que fez foi derramar sangue das tribos para o leão. – Rosnou.

Jon fechou os olhos. Maldito Lannister.

— Tortell! – Ele o chamou antes que o meio-homem respondesse e piorasse a situação. – O passado foi duro para todos nós e fizemos nossos erros. Mas aqui estamos em paz e negociamos materiais para nossa sobrevivência, então agradeceria se me entregasse o ferro para podermos voltar para junto de nossas fogueiras.

O líder resmungou e apertou os olhos – Acho que não lorde lobo, acho que posso conseguir um preço muito melhor do que o que me pagou, como, — seus olhos brilharam quando os fixou em Fantasma, — a pele desse lobo. Sem dúvida um pagamento justo.

Jon escutou neve sendo pisada e galhos secos balançarem acima de sua cabeça. Infernos. Ele suspirou e desceu do animal, ficando ao lado de Fantasma. O lobo mostrava os dentes brancos e afiados para o homem líder do clã.

— Eu tive esperanças de que tudo fosse impressão minha. – Escutou seus homens desmontarem e perguntou-se o que Tyrion e o garoto Hawkstark fariam. Só espero que não morram.— Mas parece que não.

Ainda teve tempo de puxar Garralonga da bainha quando sentiu algo vindo de cima em resposta ao grito de Tortell. Jon mergulhou para baixo do animal quando soube que flechas vinham, pelo som que elas fizeram ao cortar o ar. Imediatamente emergiu do outro lado do garrando que empinava com inúmeras flechas cravadas em seu corpo. Ergueu a espada e atacou o primeiro que viu.

Lutar contra os clãs era sempre interessante, seus golpes eram desajeitados na maioria das vezes, mas compensavam a falta de precisão com força e brutalidade. Com machados, maças e manoplas contra as espadas longas e afiadas dos homens de Winterfell.

Mas Jon tinha experiência. Seu corpo movia-se por instinto e reflexos adquiridos de muitas batalhas, girando, atacando e defendendo quando era preciso, cortando as gargantas expostas e perfurando pontos vitais na primeira oportunidade. Os sons das batalhas eram sempre iguais, gritos de fúria, metal contra metal, lamúrias de dor e corpos caindo sem vida. O que mudava era a altura do barulho e a sua duração. Todos esses sons transportavam Jon Stark para outro mundo, mais vivo e libertador.

Ele atravessou a camada de peles que encobri peito de uma mulher, sem olhar a vida se esvaindo de seus olhos raivosos viu Tortell destroçar o pescoço de Merlock Gwain. Cerrou os dentes e aproximou-se dele o mais silencioso que conseguiu.

Como se tivesse um olho atrás da cabeça o homem se virou com um sorriso de escárnio.

— Sua revolta estúpida acabou Tortell. – Murmurou imaginando a sensação do aço valiriano atravessando peles, músculos e tendões do homem.

Tortell, filho de Shagga, lançou seu machado com um rugido. Jon viu o fio da lâmina reluzir com o raro raio de luz do sol que havia escapado das nuvens pesadas, abaixou-se e correu para o ataque. O homem grande desferiu o primeiro golpe pesado da maça para logo em seguida o Stark mover o corpo agilmente, desviando. Sabia que seria loucura aparar com uma espada tal força.

Seus olhos capturaram uma abertura desprotegida, longe o suficiente do braço da maça que já voltava com toda a força tendo como alvo sua cabeça. Em uma fração de segundos, Jon moveu os pés na dança em que ele era melhor para dar-se apoio e ergueu Garralonga para dentro do corpo do homem. A espada subiu rasgando tecidos e órgãos ao abrir caminho por dentro do ser humano. O golpe da maça perdeu força, mas ainda assim colidiu em seu ouvido esquerdo, enviando ondas de dor por todo o seu crânio. Jon cambaleou e soltou o punho da espada, deixando o homem cair.

— Meu lorde! – Seu ouvido zumbia, mas ele conseguiu escutar e ver Edwen correndo de arma em punho, ainda que seu mundo girasse. – Está ferido.

— Estou bem, Edwen. – Resmungou apoiando-se em um tronco grosso. Levou uma mão ao ouvido e viu na luva a mancha escura de seu sangue. Merda. Fechou os olhos para aplacar a tontura. – Lorde Tyrion? E o garoto Hawkstark? – Seus olhos se abriram e ele tentou encontra-los.

— Meu nome é Reynelle, meu lorde. – O garoto surgiu de detrás de um cavalo agitado, embainhando a própria espada. Ele agarrou o punho de Garralonga e a arrancou do corpo do homem morto. Estendeu-a para Jon. – Isso lhe pertence.

O lorde analisou o garoto antes de aceitar a espada. Seu rosto e roupas estavam manchados de sangue e ele possuía um corte raso no queixo. Não mais um garoto.

— Meu coração se alegra por ter perguntado por mim, meu lorde. – Tyrion apareceu tropeçando para fora de um arbusto, seus cabelos cobertos de neve. – Mas temo dizer que não fui nada honrado e me escondi durante toda essa batalha heroica. Para servir de escriba das canções deste dito lugar, claro.

Jon sentiu um pequeno sorriso brotar em seus lábios involuntariamente. – Ao menos está vivo Lannister. Não sei o que a Rainha faria a mim caso morresse.

— Ah, eu sei. Ela o foderia com raiva, mas isso ela irá fazer mesmo em algum momento da vida de vocês, então não sei qual é a diferença.

O Stark suspirou e foi até a carroça onde o animal que a puxava mordia nervosamente a corda que a prendia numa árvore. – Você vai na mula, Lannister.



Ele não sabia o que dizer a ela. Sua garganta estava seca e mesmo após 3 taças de vinho quente adocicado em especiarias, ele ainda não conseguia acreditar que estava realmente fazendo aquilo.

Depois de chegar a Winterfell ele fora falar com Sansa, principalmente pedir desculpas a ela. Havia sido rude, e ela tinha sim todo o direito de querer recomeçar a vida, mesmo que fosse se casando com um homem que ele não conhecia a fundo. Não importa, se ele a machucar de qualquer forma, eu arranco sua cabeça fora. Ela ficara feliz e se desculpara incontáveis vezes pelo que havia dito no calor do momento.

— Eu quero vocês juntos, de verdade. E até acho que você está demorando demais com isso. – Ela beliscou seu braço com um sorriso.

Mas ela havia ficado feliz, e era o que importava.

Assim que saíra do quarto da irmã fora comer. Dizer que estava faminto seria um enorme eufemismo. Então comeu antes de qualquer coisa. Depois de terminar o ensopado de carneiro com cenouras, cebolas e nabos, acompanhado de pães e vinho, sua única vontade desabar em sua cama e aconchegar-se nas peles quentes. Ele havia vindo montado no cavalo de Tyrion, já que o seu fora morto pelas flechas, e o animal tinha sido difícil para o cavaleiro. Jon, com sua cabeça ainda latejante e ouvido zumbindo, cansou-se para manter o animal quieto e obedecendo-o.

Mas ele não podia dormir, não sem antes resolver um último assunto pendente. Encaminhou-se para sua sala de trabalho e mandou o meistre chama-la.

Daenerys provavelmente não iria gostar de ser convocada, em vez de ele ir até sua presença. Mas Jon não conseguia forçar-se a ir até ela para dar-lhe a resposta, estava com medo da reação. Alguns minutos depois escutou as batidas em sua porta e resolveu abri-la para a mulher ao invés de simplesmente a mandar entrar.

— Seu meistre disse que queria falar comigo. – Ele a deixou entrar e foi até sua cadeira, sentado ele a viu fechar a porta.

Então ele não sabia o que dizer a ela. Sempre que tentara ensaiar o que falar parecia frio e seco, e essa não era a sua intenção. Olhou para os olhos dela, mais violeta do que ele lembrava, brilhantes com curiosidade e expectativa. Jon umedeceu os lábios e engoliu saliva. Ser direto dever ser o melhor jeito.

— Eu aceito. – Disse sem rodeios sentindo um aperto nas entranhas ao pronunciar as palavras.

Os lábios da Rainha se entreabriram pela segunda vez naquele dia, como se ela estivesse surpresa. Eu também estou, acredite. Mas segundos depois ela deixou o ar escapar pela boca e insinuou um sorriso. A Targaryen caminhou os curtos pés de distância até ele como se soubesse exatamente o que faria a seguir. Parou do lado dele, com a mesa atrás de si.

— Eu pensei que iria me fazer esperar por mais tempo. – Ela sorriu e acariciou quase sem tocar a lateral do rosto dele. Jon sentiu o toque como uma brisa quente de Verão beijando-lhe a face.

— Se Vossa Graça desejar posso demorar mais. – Murmurou com os olhos em sua boca. Os lábios Daenerys rosados como uma azaléa curvaram-se quando ela riu.

— Não é preciso. – Ela inclinou a cabeça e o beijou.

Fazia tempos que Jon não sentia os lábios de uma mulher contra os seus, e jamais os sentira com tanta doçura ou maciez. Ela o beijava delicadamente como se com medo que ele a afastasse em um gesto brusco, e esse jeito singelo o inflamou. Com uma das mãos ele segurou seu pescoço, trazendo-a para mais perto e com a outra mão Jon puxou seu corpo para si até Daenerys cair desajeitadamente em seu colo. Sentiu suas coxas contra seu membro e gemeu mordendo o lábio inferior dela com luxúria. Quando as mãos pequenas dela deslizaram de seu peito para sua nuca e puxaram de leve seu cabelo, ele desceu as mãos para a curva de suas nádegas.

Daenerys afastou-se com o sorriso carregado de malícia quando ele a apertou. Jon viu sua boca em tom escarlate e quando ela suspirou sentiu vontade de provar seu gosto. Moveu a cabeça sem esperar qualquer tipo de permissão e beijou a pele alva e quente do pescoço, arranhou com os dentes e sentiu o pulsar com a língua. A Rainha arqueou o corpo e afundou os dedos em seu cabelo.

— Jon... – Ela arfou sem conseguir impedir-se de mover os quadris para cada vez mais perto dele. Ele ergueu o rosto, seus olhos escuros de desejo encontraram com os dela da mesma maneira.

Jon Stark correu os olhos pelo pescoço da mulher e depois desceu para onde estariam os seios por debaixo do vestido grosso. Queria beija-la ali e mais embaixo, em cada polegada de pele quente. Sabia que se continuasse ela não reclamaria. Mas isso não está certo, nós vamos nos casar. — Acho que está tarde. – Tirou as mãos do corpo dela e agarrou o descanso de braços da cadeira.

Daenerys o encarou por longos segundos alternando-se entre seus olhos e sua boca. Depois assentiu mordendo o lábio levantou-se sem tirar as mãos dos ombros dele.

— Não pense que vou me contentar com apenas isso. – Sussurrou em seu ouvido, sua respiração morna o fazendo se arrepiar. Ela afastou-se e saiu fechando a porta sem olhar para trás.

Jon suspirou, passou uma das mãos nos cabelos escuros desalinhados e ao olhar para baixo percebeu que precisava de um banho. Gelado, de preferência.

Notas finais
Sério, pessoas lendo e nada de aparecerem por aqui.. (Tirando as que aparecem, muito obrigada a vocês). Como eu vou saber como estou indo? Ai, ai. Espero que tenham gostado