Um Conto No Inverno
15 Arya
Notas iniciais
Ela apertou o cabo do punhal, imaginando o quão satisfatório seria torcer com a mesma brutalidade o pescoço da maldita Rainha de Westeros. Sentiria o sangue parar de correr nas veias e quem sabe faria alguns tendões se distenderem. Não a mataria, apenas deixaria danos sérios o suficiente para que ele entendesse que quando acontecesse algo daquele tipo, ela deveria avisar a garota imediatamente.
— Duas semanas. Ela esperou duas malditas semanas para me avisar que meu irmão havia sido sequestrado. – Arya arranhou o mogno escuro da mesa. A pequena lâmina afiada rasgou a madeira, sangrando o material em lascas amareladas. – Contando o tempo que levei para chegar aqui, já fazem quase quatro. O que ela tem na cabeça? Merda de ovelha?! – Seu braço fez um movimento brusco e o punhal entrou uma polegada na madeira nobre. A loba soltou o cabo, que tremeu como uma vara verde, e com o dedo em riste dirigiu-se ao guarda na porta. – Se você não me deixar falar com ela agora, terei o maior prazer em colorir essa sua armadura reluzente com o vermelho do seu sangue. – Para sua frustração, o homem não moveu-se para dar-lhe passagem. Ela virou-se para agarrar o punhal e ameaça-lo com uma arma de verdade, mas sua lâmina desaparecera, deixando um sulco claro na madeira. Semicerrou os olhos para Gendry Baratheon. – Devolva.
O lorde levantou-se de sua cadeira e veio em sua direção com um sorriso tranquilizador. Ela podia ver o cabo entalhado do punhal aparecendo no cinto do homem, mas qualquer plano para recuperá-lo evaporou de sua mente quando ele a segurou mansamente pelos ombros e beijou sua testa. Arya olhou para suas íris castanhas, tão envolventes e aquecidas como um cobertor de camurça.
— Vamos deixar ela se explicar primeiro, certo? – Mesmo que ela não quisesse, Gendry a puxou junto quando voltou a sentar na cadeira, e a fez se acomodar em suas pernas. Quando ele passou os braços acolhedores em torno de seu corpo, ela aceitou o abraço e apoiou a cabeça em seu ombro largo. Estava aprendendo que ele era dado a carinhos e contato. A princípio, estranhara, só havia ficado daquela forma com Jon, mas agora até apreciava em silêncio que ele a puxasse para um abraço repentino ou um beijo nos momentos mais inusitados. Arya sentiu sua respiração morna perto do pescoço. – Você tem que ver o lado dela também. Daenerys deve estar sentindo-se da mesma forma que você.
Arya ergueu a cabeça, irritada. – Claro que não. – Ela engoliu em seco para tentar desfazer o nó em sua garganta. – Eu o amo. Ele é meu irmão e... – A sensação do buraco que aquela notícia abrira voltou como uma avalanche de pedras, e por pouco não a derrubou. Eu não posso perdê-lo. Ele não. — Está cidade não é para nós. – Murmurou recolocando a cabeça em seu ombro. A amargura ardia em seu timbre. – Primeiro meu pai, e agora o Jon... – Ela fechou os olhos para não ver os raios de sol dançarem felizes nos vidros de licor. – Por que eu não impedi que ele viesse para esse ninho de ratos?
Gendry apertou-a mais em seus braços. – Não ache uma forma de se culpar, pelo amor dos Sete. Nada disso é culpa sua. E... – Ele parou por um momento, escolhendo as palavras. – Tente imaginar. Você não acha que ela o ama também?
— A rainha? – Arya franziu o cenho para ele, o homem limitou-se a erguer as sobrancelhas significativamente. Ela rangeu os dentes. – A mãe dos dragões não sabe o que é amor. Se soubesse, teria me avisado imediatamente.
O lorde bateu levemente em sua cabeça com o nó dos dedos. – Cabeça dura demais. – Depois olhou para o silencioso guarda na porta. – “Como ele foi se amarrar com uma dessas?”, você deve estar se perguntando. A culpa é dela, amigo, eu sou a pobre vítima. – Gendry sussurrou para o outro homem, como se ela não estivesse bem ali, sentada em seu colo. – Minha teoria é que ela pôs um veneno na minha comida. Uma coisa muito maléfica que faz com que eu pense nela a todo o momento, que eu a ache a mulher mais linda do mundo... – Ele suspirou, teatralmente cansado. – Pode imaginar coisa mais terrível? – Como esperado, a estátua de metal não respondeu, nem deu sinais de que tinha escutado alguma coisa. Mas aquela cena fez a garota sorrir então ela agradeceu internamente a ele.
Horas se passaram, os minutos se arrastando como lagartas preguiçosas ao banho do sol do Verão. Arya ainda ficara um pouco mais com Gendry, mas estava inquieta. Então levantou-se e deu inúmeras voltas na pequena sala que eles haviam designado para que a loba e o noivo aguardasse uma audiência com a rainha. Mexeu e revirou todos os objetos da parca e simples decoração, enquanto o Baratheon a observava e ria em certos momentos. Não havia muita coisa no cômodo pequeno, apenas uma mesa redonda de metal com quatro cadeiras, onde repousava um aparador de garrafas e copos de vidro. Ela não bebia, então nada de proveitoso para si. As cortinas eram do mais fino linho, com fios de ouro nas costuras minuciosas, mas havia poeira em seus vincos, como ela notou em sua inspeção. Estava na terceira contagem das flores do pano da mesa quando a porta foi aberta. Ela ergueu os olhos, como um pássaro assustado, e viu um escudeiro sussurrar algumas curtas palavras perto do ouvido do guarda para depois sair correndo.
A figura inanimada falou com uma voz grave. – A rainha irá recebê-los.
Até que enfim. E apressou-se em seguir o guarda, não se preocupando em verificar se seu lorde a seguia. Não notou as decorações vermelhas das janelas e menos ainda percebeu o caminho que tomavam. Tudo o que queria era que chegassem logo para que pudesse exigir em frente à corte de Porto Real explicações razoáveis da mulher do Trono. Mas quando o homem parou em frente a uma porta mais simples e menor do que ela havia esperado para a sala do trono, Arya se perguntou o que havia de errado. Ele bateu duas vezes na madeira e em seguida a abriu para que ela passasse.
A garota procurou pela rainha, ansiosa para despejar todas as palavras que ensaiara, e logo seus olhos acharam seus cabelos prateados. Com passos apressados ela foi até a mulher, mas assim que chegou perto o suficiente para ver detalhes, sua voz ficou presa na garganta. Daenerys não se parecia em nada com a mulher imponente e cheia de vida que Arya se lembrava de ter se despedido, dizendo que Jon voltaria logo. Sentava-se em uma cadeira aparentemente desconfortável, com o tronco curvado para a mesa. Lia um papel cheio de letras e sua coroa jazia esquecida a seu lado sobre a madeira. Parecia mais magra, com o vestido azul folgado em seus ombros, e possuía olheiras fundas. Seus cabelos caíam sobre sua vista e ela os afastava com impaciência. Junto a ela, Varys, um meistre e um manto branco da guarda real. Arya quis empurrar um prato de sopa na garganta da rainha, mas tudo o que fez foi pigarrear, anunciando-se.
A rainha a olhou, suas íris violetas parecendo opacas. – Arya. – Ela respirou fundo. – Desculpe a demora, não queria atende-la na sala do trono e as audiências pareciam inacabáveis. Mas sente-se aqui. – Quando ela se levantou para puxar a cadeira ao seu lado, parecia uma mulher completamente diferente. Suas costas eretas e a expressão mais vívida. O quanto ela está fingindo? — Teve problemas na viagem?
Arya lembrou-se do que viera fazer e não se sentou. Preferia ficar de pé para confrontá-la. – Não mais do que o normal. O único problema que realmente tive foi tentar entender por que demorou tanto a me notificar do que aconteceu. Sansa teve a sorte de saber? Ou ainda espera o sinal dos céus para avisá-la?
A rainha juntou as sobrancelhas, parecendo irritada. – Ele é meu marido. E o que acontece com ele diz respeito apenas a mim agora. Eu a contei por cortesia.
— Cortesia? – A loba quis sacudir-lhe os ombros. – Acho que esqueceu que em primeiro lugar ele é meu irmão, muito antes de ser qualquer coisa sua! – Quem ela pensava que era? Tudo de Jon a devia respeito sim, muito mais do que a ela, a que se denominava mãe de feras cuspidoras de fogo. — Você nem ao menos se importa com ele. Fica sentada naquele trono idiota sendo bajulada por centenas de imbecis, enquanto deveria estar procurando por ele!
— Primo. Ele é seu primo.— Daenerys sibilou. Ergueu o queixo enquanto recolocava a coroa dourada. – Você não tem nenhum direito de dizer o que eu deveria fazer ou não, Lady Arya. Sor Constell. – Ela chamou sem olhar para o guarda. – Mostre a Lady Stark onde ela dormirá. E garanta para que ela aproveite bem o tempo em seu quarto.
Apenas quando o homem com roupas de metal segurou seu braço, Arya percebeu o que estava acontecendo. Com uma curva rápida, ela se livrou do aperto. – Você não vai me prender enquanto meu irmão está lá fora. – A rainha não respondeu, preferindo olhar covardemente para o guarda. Antes que ele a segurasse novamente, com mais brutalidade, ela tinha certeza, Gendry agarrou sua mão.
— Minhas desculpas, Vossa Graça. Por nós dois. – Ele a puxou para longe da mulher furiosa e sussurrou: – Venha.
Arya deixou-se ser levada pelo noivo, preferindo isso à partir para cima da rainha e cometer um assassinato.
*
As lágrimas desciam por seu pequeno rosto, traçando caminhos molhados na pele infantil, e seu nariz escorria não importava quantas vezes ela esfregasse as costas da mão para limpá-lo. Sua respiração estava entrecortada e ela tapava a boca a cada soluço, para não chamar a atenção de ninguém. Arya não queria que a vissem chorando.
Quando ouviu passos vindos do lado de fora do armário, ela prendeu a respiração, com as mãozinhas apertando firmemente a boca estúpida que não parava de deixar soluços ruidosos escaparem. Para seu terror, os passos se aproximaram dela e as portas do armário foram abertas, deixando a luz clara do sol machucar seus olhos. Arya limpou as lágrimas e olhou para cima, enxergando por um momento apenas a silhueta de um homem, enormemente alta para ela, uma criança encolhida no fundo do móvel de roupas. Mas o homem se abaixou, colocando um joelho no chão, e assim que seus olhos se acostumaram à claridade ela percebeu que era um garoto. Não qualquer garoto, era Jon.
— O que aconteceu? – Ele perguntou mansamente, como seu pai fazia, olhando para ela com olhos calmos e cinzentos. Arya tentou engolir os últimos resquícios do choro, mas não falou. Sabia que soaria como uma pateta se tentasse falar, gaguejando como um bebê. Jon sentou-se no chão, cruzando as pernas, e começou a remexer nas correias da bota. – Posso esperar, se quiser.
Ela respirou fundo, percebendo que não havia sido uma boa ideia se esconder no armário do próprio quarto. Jon já conhecia aquele esconderijo, de tantas as vezes que eles dois haviam brincado de pega-esconder, ele devia tê-la visto com uma cara diferente e depois a procurado. Mas ela não rejeitaria sua companhia, como via muitos fazerem. Pensando que já estava melhor, falou.
— A Sansa estava me amolando. – Ela arrastou-se para mais perto do irmão. Odiava admitir que as brincadeiras de Sansa ás vezes incomodavam, mas era Jon, e ele já a vira chorando de qualquer jeito mesmo. – Ela disse que eu pareço um cavalo e que cavalos nunca vão ser ladys.
Jon franziu o rosto para ela. – Você nunca se importou com isso.
— É que dessa vez... – Ao se lembrar da cena, seus olhos arderam. Mas ela apertou as mãozinhas e resignou-se. Não ia chorar mais. – A mamãe concordou.
— Tenho certeza que sua mãe não disse isso. – O irmão teimou.
— Ela disse! Você não estava lá! – Sua voz estava esganiçada e ela sentiu vontade de bater nele. – Eu não quero ser uma lady. – Abanou a cabeça, amuada. – Eu gosto de andar de cavalo, atirar com o arco e não de costurar! Mas a mamãe gosta mais da Sansa porque ela é. E... Eu quero que a mamãe goste de mim também.
Jon olhou-a com carinho, parecendo não se importar que sua voz tivesse som de choro na última frase. Sem dizer nada puxou-a para seus braços, fazendo-a se acomodar em suas pernas cruzadas. Arya afundou o rosto em seu peito e apertou o couro da roupa dele. Era tão bom sentir o cheiro de Jon, fazia-a se sentir protegida e esquecer-se das pequenas inquietações de sua mente.
— Sua mãe não gosta mais da Sansa do que de você, Arya. – Ele alisou seus cabelos castanhos do mesmo modo que Lorde Eddard fazia quando a consolava. – Ela apenas quer o melhor pra você. E ela acha que o melhor é ser uma senhora de castelo.
— Mas eu não gosto de costurar. As agulhas sempre me furam. – Reclamou para ele. Além de se furar, a septã ralhava com ela por sujar os tecidos com a terra das mãos.
— Você não precisa gostar. Não precisa ser uma lady. – Ele a apertou junto ao corpo. – Pode continuar sendo a minha irmãzinha, e eu posso continuar lhe ensinando a atirar e andar de cavalos.
— Você promete? – Sua voz saiu abafada contra o peito do menino.
— Prometo. – Ela confiou nele. – Mas não chore mais por isso, certo?
Arya ergueu o rosto para ele, com os olhos brilhando de alegria, e assentiu sorrindo. Sua mãe podia não a entender, mas ele sim. Graças aos que ela tinha Jon.
A garota acordou com os olhos molhados. Não se lembrava do sonho, ou se havia mesmo sido um sonho, mas sabia que Jon estava envolvido e aquilo encheu seu coração de tristeza. Como era frustrante estar presa em um quarto enquanto ele estava sabe-se lá onde. Queria com todas as forças sair para procurá-lo, não importava o que Gendry dissesse sobre ser estupidez e perigoso. Ela sabia se virar, e o irmão precisava de ajuda. Como esperavam que ela se sentar-se tranquilamente para comer se não se sabia o que ele estaria passando? Podem estar até mesmo torturando ele. Ou ele pode estar... Não, ele não está morto.
Esfregou os olhos com os dedos e espreguiçou-se, quase batendo os braços no homem à seu lado. O quarto ainda estava escuro, mas ela sabia que já era manhã e que seu lorde estava sem nenhuma vestimenta. Gendry odiava dormir com roupas limitando seus movimentos à noite, e depois de alguns momentos de completo embaraço, ela começara a gostar do hábito. Afastou os lençóis que se amontoavam entre os dois e apoiou-se em suas costas, sentindo o cheiro reconfortante dele.
O homem era uma pedra quando dormia então ela podia apreciá-lo o quanto tivesse vontade. Lembrar-se da primeira vez que haviam dormido juntos ainda trazia cor a seu rosto. No começo, havia sido tão ruim quanto seu primeiro beijo, e ele sorrir de seu pudor não tinha ajudado em nada. Mas a cada nova sensação Arya esquecia-se mais um pouco de que estava nua com outro homem e concentrava-se no fato que era ele quem estava com ela. Unindo-se e desejando-se como homem e mulher. Aos olhos de todos ainda eram noivos, e ela tinha certeza de que os irmãos não aprovariam que ela já dividisse a cama com ele, mas não tinha paciência e nem tivera tempo para pensar em um casamento. E se os dois estavam confortáveis assim, ficariam desse jeito até que viesse a oportunidade de mudar. Para ela estava de bom tamanho.
Gendry mexeu-se quando ela beliscou suas costas. – Acorde. – Mas a pedra apenas trocou a cabeça de posição, ainda dormindo. – Você está babando nos travesseiros reais. Eu devia dá-los de presente a rainha. Vamos homem, acorde! – Ele pulou com um beliscão mais forte.
— Ah... Por que você não pode ser uma mulher normal que acorda o marido com bom dia e beijos amorosos? – Ele resmungou suspirando. Arya deixou que ele se virasse para ela.
— Nós não somos casados ainda. – Ela o lembrou. – E bom dia com beijos não faz o meu estilo.
— É? Que pena. Faz o meu. – E com isso puxou para perto, selando seus lábios em um beijo rápido. – Bom dia, senhora rabugenta.
— Eu não sou rabugenta. – Saiu de cima dele e virou-se, para que ele não visse o pequeno sorriso que surgira sem seu consentimento. Mas logo lembrou-se do porque o acordara mais cedo e se levantou num pulo. – Ande, se vista. Nós vamos sair.
— Vamos? – Gendry pareceu mais interessado em vê-la colocar suas roupas do que se levantar propriamente.
— É. Se a rainha acha que eu vou ficar aqui de braços cruzados enquanto meu irmão está desaparecido, pode começar a colocar o cérebro para funcionar. – Ela jogou uma camisa de sobre os ombros, passou os braços pelas as mangas compridas e virou-se para ele. – Levante antes que eu faça você levantar.
Gendry riu, mas obedeceu. Minutos depois ele amarrava as correias do gibão, com nós que uma criança seria capaz de fazer melhor. Arya revirou os olhos para o noivo.
— Não entendo como você sobreviveu tantos anos sozinho. Não é capaz nem de dar um nó. – Ela afastou sua mão bruscamente e passou a refazer o trabalho. – Veja, você dobra uma ponta, passa a outra por cima e...
— Não, eu já estou confuso. Não continue.
A garota balançou a cabeça e foi até a porta, estava preparada para bater e pedir ao guarda para ir a latrina, depois o derrubaria ela mesma, se fosse preciso. Mas quando a abriu surpreendeu-se ao não ver ninguém impedindo sua saída e os corredores vazios. – Mas o que... Quer dizer que eu poderia ter saído esse tempo todo? – Ela foi para fora, vendo as correntes de vento agitar seus cabelos e as chamas dos archotes. – Veja isso. – Deu espaço para que o homem saísse. Prestes a começar a arrastá-lo em sua saída mais que discreta, escutou passos apressados vindo da sua direita.
Um menino surgiu da curva em plena corrida, ou ao menos tentando, já que segurava uma bacia cheia d’água nos braços finos e o peso dela atrapalhava todo o seu equilíbrio. Arya pôs na frente dele, assustando o pobre menino.
— M-Minha senhora eu... – Ele gaguejou tentando escapulir por entre os lados. Gendry ajudou nesse sentido, prostrando-se ao lado dela com um sorriso de: “Aqui você não passa.”
— Para onde está indo? O que está acontecendo?
— E-Eu tenho que ir. Minha senhora, por favor...
— Eu vou deixar você ir assim que me disser o que está acontecendo. Por que não tem ninguém nesse corredor? – Ela cruzou os braços, intimidando mais ainda a criança.
O garoto olhou nervosamente para atrás de si, em busca de ajuda, mas ninguém vinha em seu socorro, então com a voz tremula ele disse. – O rei. A-Acharam o rei.
Arya prendeu a respiração. Jon... — E como ele está? Onde ele está?! – Ela não deu tempo para que ele gaguejasse mais palavras sem nexo. Agarrou-o pelos ombros magros e empurrou o garoto para frente. – Ande, me leve até ele. – Ele fez a escolha mais sábia e resolveu obedecer. E tudo que Arya podia pensar era no frio em seu ventre, uma sensação ruim revirando suas entranhas. Que ele esteja vivo. É só isso que eu peço.
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