Um Conto De Natal
1 Sr. Reize
Notas iniciais
A neve estava mais densa que o normal nas frias ruas de Londres, por volta do ano de 1700. Era dia 24 de Dezembro e todas as lojas e estabelecimentos estavam fechados, devido ao dia especial que era, exceto por um lugar, um escritório. Na porta desse escritório, uma plaquinha de madeira, coberto por neve, e com as palavras “Reize e Kazemaru” repousava. Adentrando o local, encontrava-se duas mesas e uma lareira ligada para aquecer a sala. Na mesa maior, Reize, vestido com roupas bem bordadas e, aparentemente caras, trabalhava na papelada que juntava e na outra mesa, a menor, Endou, que vestia uma boina antiga e roupas cheias de remendos, assinava vários outros papéis.
-Como está a situação ai, Endou?
-Tudo certo, senhor Reize.
Nenhuma das crianças, e nem mesmo os adultos, se impressionavam pelo fato de que o escritório “Reize e Kazemaru” continuava funcionando em pleno dia da véspera de Natal. Os dois lá dentro continuavam trabalhando no ritmo de sempre.
-Oi tio Reize! – Hiroto, o sobrinho de Reize adentra o escritório.
-Hiroto... – Reize não parava de assinar seus papéis para conversar com o sobrinho. – O que faz aqui?
-Oras, você se esqueceu tio? – Endou observava a conversa entre seu patrão e Hiroto, aproveitando para descançar um pouco as mãos. – Hoje é véspera de natal.
-E o que que eu tenho a ver com isso? – Reize não deixava o mal-humor de lado nem para conversar com o sobrinho.
-Eu estou aqui para te convidar para ir comer a ceia de natal lá em casa!
-Natal? Natal?! – Ele desviava a atenção dos documentos para dar um sermão no sobrinho. – Natal é só um feriado idiota e sem sentido! Como você acha que essa empresa vai para frente se eu parar de trabalhar toda vez que tiver um feriadinho como esse?!
-Tudo bem, tio, me desculpe por ter te convidado. – Hiroto ai embora triste, porém não deixa com que isso arruine o natal que vai passar com sua família.
Ei, senhor Reize... Se o senhor quiser passar o natal na minha casa, será uma ceia simples, mas... Você é convidado, se quiser...
-Endou, não seja tolo, você não ouviu o que eu acabei de dizer para o Hiroto? Natal... Que invençãozinha...
-C... Certo, me desculpe, senhor Reize.
-Volte ao trabalho agora.
Logo deu o horário de Endou e ele voltou para casa, Reize manteve-se trabalhando por mais um pouco até ficar mais tarde, quando finalmente decidiu fechar o escritório e ir para casa.
-Ei, senhor... – No seu caminho, se encontra com dois moradores de rua, Handa e Kurimatsu, que ficavam tremendo de frio no chão, coberto pela neve. – Será que pode nos dar algumas moedas? Temos fome...
-Trabalhem pelo próprio dinheiro, seus vagabundos! – Ele era frio e usava palavras fortes. – Vou ficar distribuindo minha preciosa riqueza por aí... – Enquanto ele ia embora, os dois homens ainda ficavam admirados com o quanto alguém podia ser maldoso no dia da véspera de natal.
Ao chegar em casa, senhor Reize veste seus pijamas e prepara-se para dormir. – Todos estão muito animadinhos por causa desse natal idiota... Mas que coisa, eu só quero dormir e acabar logo com essa piada... – Ele se deita em sua luxuosa cama, e se vira de um lado para o outro, até que ele houve um som. É a porta do seu quarto se abrindo e a luz do lado de fora vindo, diretamente, em seu rosto. – Mas... O que... Quem está ai? – Ele vê um vulto em seu quarto, que mais parecia alguém correndo muito rápido, quando o vulto finalmente se acalma, revela sua forma.
-Kazemaru?!
-Olá. – Kazemaru estava em pé diante de Reize, porém ele estava com as cores fracas, transparentes, era possível ver o que estava atrás dele, ele não era sólido, era um espectro.
- O que faz aqui?! Você morreu faz sete anos!
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