Um Conto De Natal
2 O passado
– Kazemaru! O que faz aqui?! Você morreu faz sete anos!
– Isso é verdade, e mesmo assim você não tirou o meu nome do nome da empresa.
–Eu não queria que a “Reize e Kazemaru” acabasse.
–Tudo bem, isso não é importante.
–O que faz aqui então?
–Vim te dar um conselho.
–Conselhos de negócios? Você sempre foi o único que me entendia nesse aspecto.
–Não, nada disso, conselhos para a vida.
–... Diga logo o que quer, homem! – Reize já não se incomodava mais com a idéia de um espírito em seu quarto, já que sabia que seu velho e único amigo jamais faria mal nenhum a ele.
–Sabe por que eu estou aqui, mesmo depois de minha morte, sete anos atrás? Isso é porque eu me preocupava muito com dinheiro e sucesso, assim como você...
–Nós éramos imbatíveis juntos! – O ranzinza Reize estava animado por encontrar seu amigo, até se esquecia da situação em que se encontrava.
–Não é isso que quero dizer... – Kazemaru sorria encabulado. – Por eu ter não ter sido nem bom, nem generoso, meu espírito não pode ter paz.
–Não diga bobagens.
–Isso é verdade, eu não posso ter paz, mas você ainda tem uma chance, três espíritos te visitaram essa noite para fazê-lo mudar de idéia sobre o natal. – Ao terminar seu discursso, Kazemaru começa a desaparecer em meio à escuridão.
–Mudar minha idéia... Kazemaru, espera! Aonde você vai?!
Quando tudo se acalma, Reize encosta a cabeça de volta no travesseiro e, como se fosse uma reação a isso, uma forte luz acende em seu quarto, porém todas as velas estavam apagadas.
–Senhor Reize.
–O que?! – Reize levanta-se, ficando sentado na cama, assim como estava ao conversar com Kazemaru. Ele percebia que a luz vinha da cabeça de uma pessoa em pé no seu quarto. – Quem é você?!
–Sou Aphrodi, o deus do natal passado, digo, o fantasma do natal passado. – O fantasma do natal passado era todo reluzente, a luz que emanava de sua cabeça fazia com que ele parecesse um anjo. – Pegue seu casaco e seu chapéu, pois iremos fazer uma viagem.
–O que? – Reize não tem tempo de perguntar, pois o seu quarto começa a se transformar numa rua nevada, a única coisa que consegue fazer é agarrar um chapéu que havia deixado pendurado em um cabide próximo à cama.
–Veja... – Aphrodi e Reize estavam, de repente, na rua, nevava e não tinha ninguém por lá, Reize vestia pijamas e segurava um chapéu nas mãos.
–Onde estamos?
–Estamos no passado, você não reconhece as pessoas dentro dessa casa? – Os dois estavam de frente à janela de uma grande casa, dentro da casa era possível ver as pessoas comendo uma farta refeição.
–Mas esses... – As pessoas dentro da casa eram Reize, quando criança, e sua família, a refeição na mesa parecia saborosa e todos estavam sentados terminando de comer.
–Essa é a época em que você ainda amava o natal, Reize.
–Agora que terminamos de comer! – O pequeno Reize, dentro da casa, começava a falar com sua mãe. – Vou ligar para o Kazemaru, para desejar feliz natal! – Ele saia da mesa e ia até o telefone, do lado de fora, o Reize crescido observava tudo e começava a sentir-se comovido.
–Agora é hora dos presentes! – O pai de Reize anunciava, assim que o pequeno tinha saído do telefone, e ele ia correndo, animado. – Oba, presentes!
–Ei, vê se não vai chorar. – Aphrodi percebia que Reize sentia saudades dessa época.
–Fique calado, fantasma metido. – Reize enfiava o chapéu que segurava na cabeça do fantasma, fazendo desse jeito com que a luz que vinha daquela área se apagasse, com isso, ele se viu de volta ao quarto, sozinho.
–Esses espíritos ficam me incomodando de noite, mas que droga... – Reize reclamava sozinho, quando outra pessoa aparecia na sua frente.
–Mais um?!
–Boa noite... Eu sou o espírito do natal presente, meu nome é Kabeyama. – Kabeyama vestia um manto preto por todo o seu corpo, o que dava a ele uma aparência um pouco assustadora. – Vamos, temos muito o que fazer ainda.
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