Um Bonito Amor
47 Voltando ao México
Notas iniciais
— Raul? Vamos, eu te levo pra casa. — Uma voz me dizia.
— Acha que consegue carregá-lo? — Uma mulher pergunta.
— Sim, consigo levá-lo até o carro.
Essas vozes eram conhecidas para mim, mas eu estava tão bêbado que não conseguia distinguir seus rostos.
— Q-Quem é você? — Pergunto com a voz arrastada.
— Vem, vamos levar o senhor para casa. — A mulher diz, e pega um dos meus braços envolvendo em seu pescoço.
— Você vol..voltou, eu s-sabia... nos amamos mui..muito para nos separar.. — Digo para mulher que meu cérebro ilustrou como Gilda.
— Acho que te confundiu com a Gilda. — O homem diz pegando meu outro braço e envolvendo em seu pescoço para que tivessem um equilíbrio.
— S-sim, Gilda, ela é o meu amor, você sabe não é? — Digo como um menino bobão apertando as bochechas daquele homem.
— Sim, sei disso, agora vamos. — Ele diz.
Não estava muito em minha consciência e não tinha forças para ficar em pé, tanto que as duas pessoas tiveram que me levar até o carro com muita dificuldade. Aliás, quem eram eles?
— Você acha que ele vai ficar bem? — Dizia a moça no banco da frente.
— Acho que sofrerá muito. — Diz o homem dirigindo o veículo.
Ainda não conseguia saber quem eram, mas pela conversa deles pareciam me conhecer muito bem. Eles continuaram conversando, enquanto eu não conseguia sequer ficar sentando no banco de trás.
— Se eu soubesse que você estava tramando tudo isso de separá-los, teria feito algo para te impedir. Agora veja como ele está? — A moça se vira para trás para me olhar e apenas vejo o vulto de seu rosto.
— Sim, eu não estou orgulhoso disso, acredite em mim, queria voltar no tempo e fazer tudo direito. — O rapaz diz sem tirar o olho do trânsito.
Após algum tempo o carro parou em algum lugar e eles me tiraram do carro me levando até um apartamento. Assim que estávamos dentro do mesmo me joguei no sofá reconhecendo aquele lugar, minha casa.
— Onde o deixamos? — Pergunta a garota.
A essas alturas meus olhos já haviam se fechado, mas eu ainda os ouvia.
— Hum, não sei. Onde será que fica o quarto dele? — O rapaz pergunta.
— Espera, vou procurar. — Ouço passos ligeiros da garota. — É ali, vamos levá-lo até sua cama.
Os dois me agarram outra vez, apoiando meus braços em seus pescoços, quase me arrastando para o quarto. E logo me deixaram ali em minha cama.
— Você acha que ele ficará bem sozinho essa noite? — A moça pergunta ao jovem.
— Talvez, ele bebeu muito, mas acho que ficará bem. — Responde o rapaz.
— Hum, não sei não, e se ficarmos aqui essa noite? Vai que ele acorde e faça loucuras, magoado do jeito que está. — A moça dar a ideia, o rapaz parecia pensar, mas acabou aceitando.
— Então vamos ficar, vamos dormir lá pela sala. — Ele disse.
— Está bem. — Confirmou a garota.
—Gilda, meu.. amor, me... me per...perdoa... — Eu dizia ao sonhar com minha Gilda.
— Pobre, sofrerá muito. — Diz a moça penosa.
— Sim, e em pensar que é tudo culpa minha. — Diz o rapaz.
— Não seja duro com você, o que você fez foi errado, mas já aconteceu e o bom é que se arrependeu. — Fala a garota.
Compreendi que ali o tal rapaz era Raimundo e com certeza a moça era Yamilex, sim pela forma como falavam os conheci, mas não tive forças para abrir os olhos e ver claramente e sem muito me esforçar acabei dormindo profundo.
Dia seguinte...
Acordei com uma imensa claridade em meus olhos e com muita dificuldade levantei. Ainda estava um pouco tonto e a cabeça doía muito, não havia bebido tanto em minha vida.
Segui para o banheiro e fiz toda a minha higiene, tirando todo aquele cheiro de álcool do meu corpo. Vesti um terno limpo para ir trabalhar, a verdade é que não queria ir, mas eram as obrigações.
Após ter me preparado, segui para a cozinha e me deparo com Raimundo e Yamilex, tomando café.
— O que fazem aqui? — Pergunto confuso.
— Oh, bom dia senhor Raul, tome, fiz esse chá de gengibre que dará uma aliviada em sua ressaca. — Diz Yamilex prontamente me estendendo o chá.
— Obrigado Yamilex, mas o que fazem aqui? — Pergunto outra vez.
— Depois que saímos do aeroporto, falei com a Yamilex o acontecido e logo ela se preocupou muito por você, achou que você não estaria bem e pediu para que te localizasse, ligamos para seu celular, mas você não atendia e depois de um tempo alguém atendeu dizendo que você estava muito bêbado em um balcão de uma boate e então fomos para lá e te encontramos muito bêbado, tão bêbado que não conseguia ficar em pé, e aí te trouxemos para sua casa e como você parecia não está bem resolvemos ficar essa noite para qualquer coisa. — Explica Raimundo.
Deus, agora me lembro, ponho a mão na cabeça em sinal de vergonha.
— Devo ter dado muito trabalho, não é do meu feitio fazer essas coisas. — Digo envergonhado.
— Sabemos que não, mas você está magoado e entendemos que por isso queria esquecer o que aconteceu. — Diz Yamilex complacente.
— Obrigado por me ajudarem e...
— Raul, eu peço desculpas pela burrada que fiz, eu não...
— Está bem Landaeta, não falemos mais disso, ela já se foi e para mim a vida já não tem mais sentido. — Digo com tristeza, Yamilex se aproxima de mim.
— Pode contar com a gente para qualquer coisa. — Ela diz
— Agradeço a bondade de vocês, e Raimundo, embora eu ainda esteja irritado com você, eu aceito tuas desculpas, já não tenho interesse em criar guerra com ninguém. — Digo com o olhar triste.
— Não se entregue assim senhor Raul, ainda não há que perder as esperanças e muito menos porque você tem um filho agora pelo o qual deve continuar lutando. — Yamilex diz sabiamente.
— Sim, meu filho. — Respiro fundo e tomo um gole do chá. — Como eu pude ser tão idiota, se eu realmente a amasse e a conhecesse, saberia muito bem que Gilda não seria como as outras, eu sabia que ela não era assim, mas estava magoado por me ter traído com o assunto da minha mãe e com as mentiras de Raimundo, não pude suportar.
— Estou sinceramente arrependido. — Fala Raimundo baixando a cabeça.
— Mas, devemos deixar os arrependimentos de lado e pensar em saber onde Gilda está, por certo... — Yamilex pensa um pouco. — Fiquei sabendo que Gilda estaria indo com sua mãe Raul, você sabe onde sua mãe morava antes de regressar para o México?
— Pior que não, mas como assim Gilda se foi com ela? — Pergunto ansioso.
— Gilda sabia que tua mãe estaria indo embora do México e resolveu ir com ela, mas ninguém sabe pra onde ou pelo menos não quer dizer, já que Gilda terminantemente pediu para que não te dissesse. — Responde Raimundo.
— Ela te disse? — Indago.
— Infelizmente não, disse que me manteria informado de como estava, mas que não me diria para onde iria. — Ele se aproximou de mim. — Acredite em mim De La Peña, se fosse em outros tempos estaria muito feliz em que você não a encontrasse, mas agora arrependido se eu soubesse, não hesitaria em te dizer.
— Está bem, só me resta a pedir a Cecília que me diga, mas acho difícil porque no aeroporto ela me tratou friamente, acredito que está magoadoa comigo por tudo que fiz à Gilda. — Digo triste.
— É provável, mas então deixamos para que o tempo organize tudo, eu tenho certeza que Gilda voltará e aí você poderá pedir o seu perdão. — Diz Yamilex positiva.
— Isso se me perdoar. — Digo negativo.
— Claro que vai, Gilda é a garota de coração mais lindo e puro que já conheci, ela não guarda rancor. Bom, vamos indo Raimundo, senhor Raul vou em casa e em seguida vou para o escritório.
— Obrigado mais uma vez.
Nos despedimos e tentei tomar todo o chá para melhorar a ressaca, e busquei algum remédio para aliviar a dor de cabeça. E horas mais tarde segui para o escritório...
1 ano depois...
Já fazia um ano em que eu não sabia nada de Gilda, nem Raquel, nem Cecília quiseram me dizer para onde ela havia ido e ainda tentei ir atrás de outras informações, mas sem sucesso, não consegui descobrir onde estava minha Gilda e meu filho.
Meu filho, a essa alturas já devia ter nascido, como eu queria saber seu sexo. Menino ou menina? Eu amaria os dois, só queria está com ele ou ela.
A falta de informação de Gilda estava me deixando maluco, eu já não me interessava no trabalho, me distraía muito fácil dos processos, mas graças a Yamilex que tem me ajudado todo este tempo não deixou que meu prestígio caísse, embora eu ainda metesse as mãos pelos pés, bebendo uma e outra vez e quase sempre Raimundo e Yamilex iam me ajudar, eles estavam se tornando meus amigos próximos, porque sempre estavam disposto a me ajudar.
Não tenho outra coisa no pensamento que não seja Gilda Barreto, sinto que não vou aguentar senão souber ao menos a mínima informação dela...
2 anos depois/ Paris(França)...
Pov gilda on
Dois anos, dois anos se passaram e muita coisa aconteceu, me formei e abri uma clínica veterinária, passei boa parte da minha gravidez correndo risco de perdê-la, tudo porque passei meses sofrendo por Raul, me lembrando de seu desprezo que me machucava por dentro e isso afetava a gravidez porque não sentia fome e senão fosse pela senhora Muller mesmo doente e David cuidando de mim, talvez não resistiria.
Agora me pergunto como ele deve está. Bom, eu nem sequer deveria pensar nele, acontece que é inevitável toda vez que olho minha bebê, minha linda menina que lembra tanto o sorriso, seus cabelinhos negros, sua pele alva, apenas os olhos puxaram para os meus, mas suas maiores características são dele.
Vejo-a brincar em seu bercinho e lembro de como foi difícil dar a luz sem ter a mão do Raul ali segurando a minha me dando forças para aguentar a dor, para me ajudar a trazer ao mundo nossa pequena, como foi difícil. Vejo-a e não paro de pensar nele, e tenho raiva de mim mesma por isso, pois eu não devia pensar nele por tudo o mal que ele me fez, por ter rejeitado nossa filha, eu jamais o perdoaria por isso, jamais, apesar de o continuar amando com todas as minha forças, jamais o perdoaria.
— Gilda minha querida, venha quero falar com você. — Diz a senhora Nicole me tirando de meus pensamentos.
— O que deseja falar? — Pergunto sentando-me na beirada da cama com ela.
— Estou com planos de voltar ao México e desejaria que fosse comigo.
Sinto um grande nervosismo.
— Mas, por quê? — Pergunto surpresa.
— Quero pedir perdão ao meu filho. — Ela se levanta. — Você sabe que vim para Paris para seguir com o tratamento e retardar o máximo à minha doença, mas meus médicos disseram que não há mais nada a fazer e que não tem como mais retardar a doença. — Ela disse de forma despreocupada.
— Você pode morrer em breve? — Digo um pouco desesperada.
— Não se desespere, já sabemos que isso tem de acontecer cedo ou tarde é meu destino, mas antes quero que meu filho me perdoe, para poder ir em paz. — Ela diz tranquila.
As minhas lágrimas começam a cair e ela me abraça.
— Não disse isso para que chore, você sabe que isso seria assim.
— Sim, eu sei, mas é que ainda não me acostumei com a idéia, você tem me ajudado tanto nesse tempo mesmo estando doente que é como se fosse da minha familia. — Digo-a.
— Você que me ajudou muito nesse tempo, olhe só me deu uma linda netinha que eu amo muito e que me trouxe a alegria. — Ela diz se direcionando para a bebê no berço. — Olha que linda você!
— Ela está parecida tanto com ele. — Digo a olhando fazer gracinhas para a bebê.
— Sim, é verdade. — Ela se vira para mim. — Você ainda o ama não é? — Não a respondo. — Filha, vamos e tente o explicar o que aconteceu, sua mãe já disse que ele te procurou no aeroporto e que parecia está arrependido, mas você se fez de dura e não quis saber de mais nada dele. Vamos ao México e procure se entender com ele, veja, Ana Laura pode um dia querer saber do pai.
— Jamais saberá, ela só tem uma mãe, ela não tem pai. E ele se arrependeu muito tarde, muito depois de ter destruído o amor que sinto por ele. — Digo orgulhosa.
— Você sabe que não é verdade, que está enganando a si mesma, você nunca o deixou de amar. — Ela me diz diretamente.
— Não importa o que eu sinto, só não quero mais saber dele, e se senhora quiser voltar para pedir o seu perdão, tudo bem vou com você, mas não peça para intervir, estou indo também porque quero ver minha mãe e apresentar Ana Laura à sua avó materna, mas não para vê-lo. — Digo firme.
— Ok, com você quiser. Bom, teremos que passar um bom tempo no México e terei de reabrir a agência. — Ela pensa um pouco. — Ah, e abrirei uma clínica veterinária pra você lá, para que não fique sem seu trabalho, e não fosse pedir muito gostaria que tomasse de conta da agência juntamente com David e Henrique.
— E minha clínica aqui?
— Terá de fechar, tudo bem?
— Bom, está bem. Quando iremos?
— David e Henrique estão preparando tudo, então iremos o mais pronto possível.
Henrique se tornou um grande amigo, senhora Muller teve que contratá-lo para tomar frente de seus negócios, uma vez que ela não poderia está sempre presente nas reuniões de suas empresas, então Henrique a representava e fazia muito bem o seu trabalho, ele era um grande advogado. Nos tornamos próximos, pois as vezes eu me metia à frente das agência da senhora Muller a pedido dela para tomar decisões juntamente com ele e, nos entendíamos muito bem. Ele sempre esteve ao meu lado também quando estava passando mal na gravidez e também sempre me socorria e assim ele me prometeu uma grande amizade que já levamos como que 2 anos de amizade, disse ele que sempre estaria aí para me apoiar e bem tem feito isso há dois anos...
Senhora Muller me informou tudo isso completamente tranquila, enquanto eu estava super nervosa, só em saber que poderia me reencontrar com Raul, o coração batia aceleradamente. Mas, logo recompus, peguei minha bebê do berço e a fiquei mimando por um tempo com os pensamentos longe.
— Filhinha, estamos indo para o México, você irá conhecer seus tios Raquel e Bruno, sua avó Cecília, Rogério que também sera como seu avô e seus tios secundários que são Lilian e Ronaldo, meus grandes amigos. Já que não fizemos suas festinha de aniversário aqui, podemos fazer lá com todos, o que você acha. — Ela me dar um lindo sorriso. — Então, combinado faremos sua festinha lá e você irá conhecer todos. Eu sinto tanta falta de todos. — Digo beijando o topo da cabecinha dela. — Mas, Raul nunca se aproximará de você, ele me fez sofrer muito e cada lágrima que chorei por ele se converteram em desprezo, raiva, eu jamais irei perdoá-lo, arrependido ou não jamais irei perdoá-lo.
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