Um Bonito Amor

46 Se arrependimento matasse...


Notas iniciais
Hello aqui estou trazendo mais um desenrolar dessa história... Vamos ler!!!

POV RAUL ON...

Estava quase escurecendo e Raimundo não aparecia.

— Deveria ir atrás dele? — Digo para mim mesmo. — Não, ele teria de vir.

E, foi somente eu fechar a boca para que ele aparecesse, estava ofegante como se houvesse corrido uma maratona inteira.

— Você veio correndo? — Pergunto sem entender porque estava assim.

— Sim... — Ele respira fundo.- Só um minuto... — Diz puxando o ar e após alguns segundos continuou. — Você tem que vim comigo para o aeroporto agora mesmo, antes que seja tarde demais. — Diz ele sem pestanejar.

— Aeroporto? Que raios eu vou fazer aí, que dirá com você? — Pergunto. — Bom, não me interessa, eu te chamei aqui para...

— Eu te dou todas as explicações que você quiser, mas façamos isso mais tarde, agora não temos tempo, vamos. — Em um ato rápido ele segurou pelo meu pulso e já ia me arrastando para a porta.

— Espera, espera, está maluco? — Me desvencilho dele e paramos próximo à porta.

— É muito importante que venha comigo agora mesmo. — Insiste ele.

— Não saio daqui enquanto você não me disser o que eu quero saber e o porquê tenho que ir com você as pressas para o aeroporto. — Digo, e regresso para a minha mesa.

Ele respira fundo outra vez e impaciente consulta o relógio.

— Não vai dar tempo. — Fala para ele mesmo.

— O quê não vai dar tempo? Seja claro. — Pergunto já me sentindo curioso.

— Está bem De La Peña, eu vou te esclarecer toda essa situação, mas por favor não me interrompa e busque compreender rápido, pois precisamos está no aeroporto em menos de 1 hora. — Diz ele se sentando na cadeira à minha frente.

— Comece. — Ordeno.

— Eu menti pra você, naquele dia no hospital, eu menti pra você. Gilda nunca te enganou comigo e muito menos está grávida de mim, bem isso era o que mais queria, mas acabo de compreender que Gilda ama uma única pessoa e que eu jamais seria capaz de competir com essa pessoa.

— O que está querendo dizer Landaeta? — Pergunto curioso.

— Você Raul, é o único homem que Gilda ama, o único que ela foi capaz de se entregar, o único que ela quer ao seu lado. Bom, eu não achava que poderia chegar a amar tanto a Gilda, porque antes dela eu só amava a mim mesmo, só queria saber de mim, só me preocupava comigo mesmo, eu gostava dela e queria ficar com ela, mas não imaginava que a amaria quando começasse a namorar com ela, e desse jeito foi, me apaixonei por ela, pelo jeito dela... — Disse ele com os pensamentos longe, apenas deixei que prosseguisse. — Eu comecei a sentir muito ciúmes dela com você, era como se tivesse me matando ao vê-los juntos e eu queria a todo custo separá-los por que a queria só para mim, mas ela não me amava como eu esperava, então eu tive que tentar me aproximar dela e fazer ela pensar que eu não tinha outras intenções a não ser somente amizade, bom ela foi acreditando e aos poucos ia ganhando sua amizade e carinho, ela começou a me ajudar com meu TCC na faculdade e por isso nos encontrava para que ela me ajudasse, mas meu maior interesse era vê-la.

Ele parou um pouco e ficou esperando eu reagir, mas eu não conseguia pensar, apenas o ouvia.

— Bom, aquele dia no apartamento dela, não foi como eu disse no hospital, não dormi com ela. Naquele dia ficamos tanto tempo organizando meu TCC que rapidamente escureceu e havia ficado muito tarde, eu estava sem carro, mas tudo foi um plano eu queria ficar com ela aquela noite, mas quando tentei ela recuou e disse que só me aceitava como amigo e então achei melhor não forçar, achei que ela não estava pronta para que eu me declarasse tão abertamente e fingi outra vez em ser apenas seu amigo outra. Ela acabou pedindo para que eu ficasse para passar a noite já que estava tarde e eu estava sem carro, mas ela pensou sem maldade alguma, eu que estava cheio das intenções, mas nem por isso insisti naquele momento, aceitei a dormir lá e... foi tremenda sorte no dia seguinte você ter aparecido, então fiquei apenas de bermuda para que você imaginasse coisas e realmente consegui plantar uma semente da discórdia desde ai, e quando foi ao hospital eu já estava preparado para quando você chegasse, eu já sabia que iria vê-la, então resolvi mentir para separá-los de uma vez e por isso disse aquilo tudo, mas nada do que eu disse é verdade, eu e Gilda nunca tivemos um caso e o filho que espera não é meu, naquele momento eu só queria separá-los.

Ele disse tudo isso e abaixou a cabeça. Me levanto e fico pensando em tudo de ruim que eu disse para Gilda, tive um imensa vontade de me matar. Por que eu fui tão cego? Por que eu me deixei levar pelas intrigas de Raimundo, por quê? Em um ato raivoso, me viro para ele e o puxo da cadeira em que estava o socando com tanta força que ele atravessou a sala batendo as costas na estante de arquivos. Corro em sua direção com muita fúria e o levanto do chão puxando-o pelo colarinho de sua blusa.

— Você foi um tremendo idiota, tem noção do que fez?! — Esbravejo na sua cara.

— De La Peña eu entendo que está enfurecido, e você pode me matar depois se quiser, mas por favor vamos agora mesmo para o aeroporto. — Dizia ele com dificuldade por eu estar lhe pressionando contra a estante.

— O que há nesse aeroporto, por que insiste que temos que ir para lá? — Pergunto ainda o pressionando com raiva.

— Gilda... Ela... Ela está embarcando nesse exato momento para sempre do México e podemos não chegar a tempo de impedir se seguimos aqui. — Ele diz e eu o solto ligeiramente.

— Quê? Gilda, indo embora? — Pergunto para mim mesmo incrédulo.

— Sim, eu estava feliz que enfim havia os separado, mas depois que ela me disse que ia embora por que não queria mais ver você, entendi que havia feito uma grande burrice, então quis reparar meu erro vindo até aqui te contando a verdade, por que já aceitei que ela te ama e que você é o único que pode fazer ela feliz. Mas, temos que ir agora mesmo. — Ele diz consultando o relógio.

— Eu não vou te agradecer, porque você não fez mais que sua obrigação, mas vamos agora mesmo para o aeroporto.

E rapidamente saímos de meu escritório em direção ao meu carro, Raimundo acompanhou no dele e arrancamos dali. Quase atravessava os sinais, estava muito apressado em chegar. Eu tinha que chegar a tempo, tinha que pedir perdão a Gilda de joelhos e impedir que viaje para longe de mim.

Pegamos um trânsito enorme, e já estava enlouquecendo porque os carros não andavam, e com muito tempo depois começou a fluir e arranquei rapidamente.

E como se não me importasse mais nada, larguei meu carro na frente do aeroporto jogando as chaves a um flanelinha para tomar de conta e sai correndo para dentro do aeroporto, Raimundo me acompanhou.

Dentro do aeroporto sai procurando Gilda por todos os lados, guichês e me informando dos vôos recentes, mas haviam muitos vôos recentes e nós não sabíamos para onde estava indo Gilda, e isso me desesperava.

— Não adianta De La Peña, chegamos tarde. — Disse Raimundo sem esperanças.

— Não, eu não posso perdê-la. — Digo tentando segurar o nó que se formava em minha garganta. — Vou procurá-la por a... — Me dei de frente com Cecília e Raquel quando pensava em ir fazer buscas por outro lado.

— Você? — Perguntou Raquel desdenhosa.

— Cecília, onde está Gilda? A procurei por todo o aeroporto e não a vi. — Perguntei a Cecília ignorando Raquel.

— É um pouco tarde para se arrepender não acha Raul? Nesse momento, minha filha está em um desses aviões indo para bem longe e só resta você com esse arrependimento.

Cecília não disse mais, estava incomodada comigo e não me deu sequer um sorriso, apenas disse suas palavras e saiu da minha presença indo para fora do aeroporto.

— Cecília, por favor para onde Gilda foi? — Grito para ela, mas não me olha, apenas continua andando até sumir da minha vista.

— Deixa ela, ela não vai te dizer para onde foi Gilda por que foi a própria Gilda que pediu para que não dissesse. Como você pôde ser tão idiota? — Não a respondo.

— Raquel, o culpado disso tudo foi eu, eu menti para ele o fazendo acreditar que Gilda tinha um caso comigo e que esse filho era meu, queria separá-los,mas me arrependi quando soube que não a veria mais. — Raimundo se explica.

— O quê? — Ela nos olha com um certo nojo. — Sinceramente, que bom que Gilda se foi, será melhor assim ela não merece esse par de idiotas ao lado dela. — Disse ela grosseiramente. E já ia saindo da nossa presença quando voltou para mim. — Ah, eu vou ter o prazer de ver que está sofrendo, por ter feito minha irmã sofrer, agora pague as consequências.

Ela disse e saiu, me deixando destroçado, estava tão destroçado que não conseguia respondê-la.

— Desculpa. — Ouço Raimundo dizer por trás de mim. — Sei que você não vai querer, mas pode contar comigo a partir de agora, espero que possa me perdoar algum dia.

Ele disse e também saiu, me deixando ali no meio do aeroporto sozinho com meu arrependimento. Se eu pudesse ter tirado essa venda que tapava meus olhos há uma horas atrás quando ela veio me procurar hoje em meu escritório e agora ela se foi e não sei nem para onde. M e sentia o pior de todos os homens por ter dito tudo aquilo para a minha Gilda, por ter recusado nosso filho, não eu jamais poderei me perdoar, jamais. Me deixei cair sob o piso daquele aeroporto sem me importar quem estaria olhando, eu só queria chorar e chorar de arrependimento, ouvia as pessoas comentando algo sobre mim, mas meu cérebro não conseguia compreender, porque eu só estava pensando em Gilda e o quanto eu fui idiota com ela e me odiava por isso.

Depois de um tempo largado naquele chão, recobrei os sentidos e sai dali, não fui para casa, fui para um lugar qualquer e acabei parando em boate barulhenta onde havia muitos jovens universitários, não pensei e apenas entrei, me sentei no balcão e comecei a pedir bebida, eu queria esquecer esse dia, queria pensar que fosse um sonho e que no dia seguinte eu despertaria e tudo não passaria apenas de um pesadelo sem sentido.

E entre um gole e outro fui me embebedando ao mesmo tempo em que Gilda vinha à minha cabeça, e a idéia de ser pai também me atormentava porque eu havia rejeitado meu filho, estava me sentido igual ou pior do que aquela mulher que se diz ser minha mãe e que me abandonou e me fez sofrer. Todos os pensamentos se misturaram essa noite e eu em um intuito de esquecer tudo bebia, mas só conseguia ficar muito tonto, tão tonto que não conseguia me levantar, meus olhos pesavam muito e até que não me aguentei, acabei dormindo no balcão daquela boate.

— Gi... Gilda, eu... Eu te...te... Eu te amo. — Disse e apaguei, não me via mais nada, tudo era escuridão, assim como se tornaria minha vida a partir daí...

Notas finais
E aí?