Um Bonito Amor

22 Mudanças devem acontecer :)


Notas iniciais
Hello! Sim, mudanças devem acontecer, não sei se entenderão no capitulo, mas esse título será referente a Raquel, não para agora mas já para ir dando uma idéia dos próximos capitulos sobre ela... Eu não corrigi nada de novo, gente eu ando com muita preguiça pra rever o capitulo e corrigir porque já basta o meu TCC né? rsrs... Mas espero não ter errado muito. Vamos ler!...

— Bom dia, sua dorminhoca. — Ele cochicha ao pé do meu ouvido, me arrepio toda.

Meus lábios se formaram em um sorriso enquanto espreguiçava-me. Lentamente fui abrindo os olhos e acabei por deparar-me com Raul segurando uma bandeja com algumas guloseimas, sorrio outra vez por seu ato fofo e por ele ser tão logo de manhã, mas, rapidamente pulo da cama procurando meu celular.

— O que aconteceu? — Pergunta-me ao ver que eu revirava o quarto.

— Onde está? — Ignoro sua pergunta, ainda feito louca procurando o bendito celular.

— Gilda, o que procura? — Segue perguntando deixando sobre a cama a bandeja que estava segurando.

— Meu celular, onde esta?

Ele então segura minha mão e ali coloca o celular, o olho surpresa e ele esboça um maravilhoso sorriso.

— Não olhei nada. — Diz, ao ver que eu olhava como se pedisse para que ele explicasse. — Estava tocando o alarme enquanto eu fazia o seu café, e como você não acordava eu vim correndo desligar e o coloquei no bolso caso tocasse outra vez. — Se explica naturalmente ajeitando a bandeja que estava na cama.

— Ah, bom, mas porque não me acordou? — Olho a hora no celular e me espanto. — Céus, estou muito atrasada! — Digo o puxando da cama. — Saia, você tem que sair para que eu possa me arrumar. — Digo nervosa.

Ao tentar puxá-lo da cama onde estava sentado, ele travou ali e segurou-me firme.

— Ei, calma, eu levarei você para a faculdade. Tome seu café tranquila.

— Mas é que....

— Shiu, vem logo e tome seu café, você chegará a tempo. — Me diz guiando-me para que sentasse na cama, o fiz.

— Obrigada!

Permanecemos em silêncio. Ele mexia distraidamente em seu celular enquanto eu tomava aquele delicioso café que ele havia preparado para mim, fiquei imaginando do quanto Raul havia mudado ele estava de bem consigo mesmo e já conseguia demonstrar seu amor de verdade. Penso que, se algum dia a mãe dele resolve aparecer, caso esteja viva ainda, Raul talvez se tornaria frio outra vez o que eu lamentaria muito se fosse assim.

Ele está sentado à minha frente, a roupa que usava no dia anterior, permanece porém toda amarrotada, seus cabelo negros e sedosos estão bagunçado e mesmo assim consegue ser tão lindo. Vejo sua boca desenhar um sorriso de lado, bem malicioso, e então fico tentado entender do quê ele estava rindo, simplesmente continua e então já começo a ficar desconfortável, ele me olha e novamente dá um sorriso safado. Busco na memória o que teria acontecido na noite anterior, e logo meu coração pulsa acelerado, corro meus olhos por meu corpo e o nervosismo bate quando me vejo de camisola pois eu não havia me trocado quando chegamos, ai agora não lembro, minha cabeça deu um nó e nervosamente começo a por o pedaço de bolo da boca, me entalo ao pensar o que teria acontecido, cerro os olhos não acreditando que eu fiz isso sem lembrar de nada, bebo um gole do suco e quase me engasgo, o olho e vejo que tem aquele sorriso ainda e rapidamente desvio o meu olhar para baixo.

— Pode parar! — Ele ordena naturalmente e simplesmente fico estática.

— O quê? — Pergunto e então volta sua atenção para o celular.

— Não aconteceu nada, então não pense essas coisas. — Diz sem me olhar, e eu me engasgo outra vez.

— Eu...eu não estava...bem...é, pensando em nada..eu.... — Gaguejo miseravelmente.

— Boba, a gente dormiu nessa cama no começo da noite, só que pela madrugada, eu acabei deixando você dormir sozinha e fui para a sala e dormi no sofá, então não se preocupa...- Ele se aproxima do meu ouvido. — Que eu não abusei de você!

Finaliza se levantando com o sorriso mais bobo, logo voltando sua atenção para o celular novamente. Eu fico parada envergonhada, o olhando e me repreendo severamente por imaginar besteiras... mas, e a camisola?

— Você trocou, lembra? — Me pega de surpresa.

— Hum?

— Antes de deitarmos você havia se trocado. — Ele se aproxima de mim, se agachando próximo da cama onde eu estava sentada. — Como não lembra disso? Você nem ao menos bebeu.

Que vergonha! Eu não acredito que ando imaginando essas coisas com Raul, ao ponto de esquecer de tudo. Virgem Santíssima.

— S-sim eu lembro.. Claro! — Disfarço, e me levanto. — Bom, eu vou me banhar para sairmos. — Digo esperando que ele saia.

— Está bem, vou te esperar na sala. — Ele diz levando a bandeja consigo, logo me deixando sozinha no quarto.

Assim que ele sai eu caio na cama, me descabelando inteira. Como eu posso pensar essas coisas? Por acaso eu desejo isso? Mas o que eu estou falando, isso está me deixando louca. Ainda frustrada pelo vexame me dirigi ao banheiro.

Ao chegar na sala, Raul estava aos berros no celular, não me aproximo ao perceber que ele estava bastante furioso.

— Ah, você já está pronta? — Pergunta-me ao notar minha presença ali.

— Sim. — Respondo envergonhada.

— Certo, então vamos.

E sem muito pestanejar, seguimos para o carro a caminho da faculdade.

— Não precisa ficar assim. — Ele quebra o silêncio quando percebeu que estava calada e distante.

— Do que está falando?

— Sobre mais cedo, você ter imaginado certas coisas. — Ele solta um risinho com o olhar focado na estrada. — É natural.

— Eu não estava imaginando nada, apenas...

— Tudo bem. — Diz acariciando minha mão. — Só quero dizer para que não fique desconfortável comigo sobre isso.

Para ele é muito fácil, já que é experiente.

— Tudo bem. — Digo esboçando um leve sorriso para ele que faz o mesmo. — Com quem estava falando que o deixou tão irritado antes e sairmos? — O pergunto ao lembrar de como ele esbravejava antes de sairmos.

— Ah, aquilo? Bem, era a pessoa que fica me ligando e não diz nada, na madrugada me ligou várias vezes e aquela hora, me enfureceu porque fica me provocando com isso, não gosto desse tipo de coisa. — Ele dizia seriamente.

— Entendo, mas então porque não rastreia o numero?

— Já pedi para que meu amigo dlegado fizesse isso mas, apenas encontrou um dos chips jogado muito longe da cidade, e outro não foi rastreado, o próximo passo será grampear meu telefone para que quando esse desocupado ligar a gente conseguir identificar de onde vem a ligação. — Ele me explica, estacionando o carro próximo a faculdade.

— Ah chegamos. — Então saio do carro e ele faz o mesmo. — Não se preocupe, acredito que seja apenas gente que não tenha o que fazer. — Tento o tranquilizar.

Ele me abraça e em seguida me dá um beijo o que me assusta, porque estávamos na entrada da faculdade, alunos iam e vinham e nos olhavam, mas isso não me intimidava eu estava apenas com receio da reação da Raquel se ela chegasse a ver.

— O que foi? — Perguntou-me ao perceber que eu havia me afastado e olhava para todos os lados.

— Bem, a Raquel, ela pode...

— Ela não pode ser um obstáculo entre gente, ok? — Ele diz segurando meu rosto. Apenas assinto.

— Você está certo. — Digo pela confiança que Raul me passou e logo retribuo o beijo.

Depois de termos ficado um tempo, nos despedimos e assim me dirigi para dentro da faculdade batendo de frente com Raimundo.

— Saia da frente por favor! — Peço, tentando sair de sua presença, mas ele me para ali.

— Preciso conversar com você! — Ele diz segurando minhas as mãos.

— Não dá, tenho aula agora! — E antes que ele pudesse proferir qualquer outra coisa me afastei dele.

Não queria ter que conversar qualquer coisa com o Raimundo, pois bem sei que não traria coisas boas.

Horas mais tarde, precisamente no intervalo, eu me deparei logo Raquel e Raimundo sentados na mesa onde eu e Lilian costumávamos sentar.

— O que é? Por acaso acha que pode marcar lugar no refeitório? — Ela pergunta-me irônica ao me ver parada perto deles.

— Costumamos sentar aqui, você bem sabe! — Lilian toma a frente duramente. Eu a puxei.

— Vem, vamos sentar em outro lugar. — Cochicho para Lilian enquanto saio a puxando para o outro lado.

Sentamos um pouco afastadas deles, e mesmo assim via Raquel me fuzilar com os olhos, do mesmo modo me olhava Raimundo, só que ele tinha um olhar mais duvidoso. Pedi para Lilian ficar calada quando vi que Raimundo se lenvantara de onde estava e se aproximava de nós. Tentei olhar para todos os lados menos para ele.

— Até quando vai me evitar? — Indaga-me sério, finjo não ter ouvido. — Será que dar pra falar? — Ele pergunta outra vez irritado com meu finjimento e senta-se ali.

— Tudo bem, o que quer? — Pergunto já me sentindo chateada com essa perseguição. Ele olha para Lilian que lanchava sem tirar os olhos da gente.

— O quê? — Ela o pergunta ao ver que ele a olhava fazendo sinal para que saísse. — Nem pensar, daqui eu não saio! — Ela disse firme, voltando a atenção para seu lanche.

— Deixa ela aí. Diga logo o que quer, eu não tenho o intervalo inteiro. — Digo impaciente. Ele suspira.

— Está bem. Desde quando você namora com esse Raul? — Pergunta-me e eu levanto uma sombracelha.

— O quê?

— Você me entendeu.

— Não eu não entendi, até porque que eu saiba minha vida não diz respeito a você! — Disse-o séria, e Lilian concordava comigo fazendo acenos de concordância.

— Não entendo o que você viu naquele cara, na boa ele não tem nada demais.

— Ah, tem sim! — Lilian atravessa a conversa como se falassem com ela.

— E o que você tem a ver com isso? Raimundo, olha não entendo porque quer satisfações, nós terminamos, aliás você terminou, lembra? — Tento o explicar. Ele se remexe na cadeira.

— Tem razão mas acontece que... que eu me arrependi, não era para ser assim, era apaenas um tempo e..

— Um tempo? Você disse que era melhor terminar e agora vem com essa de que era só um tempo? — Digo buscando o entender.

— Sim, mas... A verdade é que eu não sabia que se jogaria nos braços de outro tão rápido e... Ah, entendo, fez isso para me dar uma lição porque eu quis terminar, é tipo " ah se ele me ver com outro, logo pede pra voltar", é isso... Está certo, você venceu, quero você de volta.

Assim que ele terminou Lilian começou a sorrir, e eu não pude evitar em acompanhá-la.

— Do que estão rindo? — Pergunta-nos sem graça.

— Cara, você não ver o mico que está pagando? — Lilian disse logo voltando a rir. — Olha, é melhor você parar hein. — Ela o alerta limpando uma lágrima que surgia de seus olhos pela graça daquilo.

— Ah, sai daqui! Gilda, isso não é uma brincadeira! — Diz, voltando sua atenção para mim.

— Acredito que não, mas não deixa de ser hilário o que acabou de dizer.

— Eu só não queria que teminasse comigo, porque sabia que isso aconteceria, pois você gostava desse Raul, e então para evitar essa humilhação de você me deixar por ele eu terminei primeiro.

Ele parou um instante e abaixou a cabeça, Lilian já estava com seu veneno na ponta da língua quando eu a impedi de falar.

— Não! — Cochichei para ela. — Raimundo? — O chamei para que me olhasse.

— Hum? — Volta sua atenção para mim com semblante triste.

— Naquele momento eu iria terminar com você não por causa do Raul, porque ele ainda nem me notava, eu ia terminar com você porque eu sentia que estava agindo mal quanto aos meus sentimentos, eu não sentia amor por você te via mais como um amigo mas não como um homem, e isso me doía porque sabia que gostava de mim. E para evitar que se machucasse ainda mais lhe dando falsas esperanças eu queria terminar aí você facilitou terminando primeiro. — Digo-o e dessa vez mais serena.

— Não importa isso mais Gilda, o que importa agora é que eu não consigo aceitar que te perdi que terminei com você, por isso eu não quero desistir de você! — Ele fala firme e eu suspiro, Lilia revira os olhos como achando aquilo tudo muito chato.

— Não faça isso, apenas desista, pode durar cem anos meus sentimentos serão os mesmos.

— Não acredite nisso, as pessoas mudam e com isso seus sentimentos, então não acredite nessa crença de que seguirá com esse pensamento daqui há tantos, e eu estarei lá pronto para te ter outra vez! — Finaliza se retirando da mesa.

Lilian e eu ficamos boquiaberta com ele disse, nem parecia o Raimundo capaz de pensar que dirá falar dessa forma, fiquei realmente surpresa.

— É amiga, boa sorte com seus homens! — Lilian diz divertida se erguendo, faço o mesmo.

— Que meus homens o quê deixa de ser palhaça! — Digo, dando um leve tapa nas costas dela, em seguida nos dirigimos para a sala.

...

A última aula havia passado bem rápido, e assim que o professor nos liberou eu me aproximei de Ronaldo, puxando Lilian comigo.

— Oi Ronaldo, desde que voltamos das férias você nem sequer falou comigo, te fiz algo? — Pergunto-o enquanto ele guardava suas coisas na mochila, Lilian me puxava timidamente, mas eu a ignorei.

— Não, não isso Gilda, eu apenas...

— Olha eu sei o que está acontecendo, mas não ajam assim. Se vocês estão passando por um momento em devem refletir sobre as coisas, façam isso mas não se afastem um dos outros, poxa vocês dois são meus únicos e melhores amigos aqui, e me sinto mal com essa indiferença de vocês dois. — Digo diretamente e para os dois que me olham quase que se desculpando.

— Me desculpa Gilda, não queria que fosse assim, mas eu não me sinto mais o mesmo quando estou da.. é.. — Ele disfarça ao ver que Lilian o olhava.

— Eu sei, mas veja. Vocês precisam de um tempo, Você precisa entender se é realmente isso que você quer e saber se não está confundindo tudo, já Lilian precisa digerir toda essa declaração e descobrir se quer ficar na amizade o dar chances ao amor.

— Ah, não viaja Gilda, já me resolvi faz tempo, comigo aqui só amizade mesmo, com sempre foi e... — Dou-lhe uma tapa na mão quando Ronaldo abaixa a cabeça, as vezes Lilian fala demais.

— É você já se decidiu. — Ele diz sem graça assim que levanta a cabeça. — Bom, eu tenho que ir.

— Ronaldo, espera! — O chamos segurando em seu braço. — Não façam desse jeito por favor, poxa para onde foram os meu melhores amigos? — Pergunto os olhando penosa.

— Amiga, é que não mais a mesma coisa. — Diz Lilian.

— É, já não é mais a mesma coisa. — Confirma Ronaldo, mesmo sem querer.

— Tudo bem, não posso fazer isso para que se sintam desconfortáveis, mas, me prometem que pelo menos irão tentar a serem como eram antes? — Pergunto-os esperançosa.

— Olha Gildinha, eu prometo que não vou deixar de ser seu amigo, no que você precisar estarei aqui, aliás, as duas, mas por enquanto eu prefiro me afastar um pouco, só para organizar as idéias. — Ele diz, e me dar um beijo carinhoso na testa.

— Tem certeza que não deixar morrer nossa amizade? — pergunto-o dengosa.

— Eu não seria capaz, apesar de tudo, eu amo ter a amizade de vocês. — Ele então dar um sorriso fofo e bagunça meus cabelos. — Não se preocupe, bom agora tenho que ir, qualquer coisa me chame e.... parabéns pelo namoro, espero que ele te faça muito feliz do jeito que você sempre sonhou, tchal! — Ele disse amigável, e eu apenas acenei para ele enquanto passava pela porta.

Suspiro.

— Fica de boa amiga, vai dar certo. — Lilian tenta me deixar tranquila e eu a olho com os olhos semicerrados.

— Você hein, devia ao menos finjir que se importa! — Digo-a saindo da sala, ela faz o mesmo.

— Oras, já disse que eu sou papo reto, não tem essa de enrolar. Na boa, Ronaldo vai acabar se tocando que só daremos certos como amigos. — Diz firme.

— Ou pode ser você quem acabe se tocando de que você e ele eram para ser um casal desde sempre. — Cutuco, e saio correndo.

— Hey! Vem aqui e repete! — Ela grita divertida, tentando me alcançar pelos corredores da faculdade.

Ficamos nesse pega e não pega até o pátio onde muitos estudantes estavam sejam conversando ou a espera de alguém. Paro abruptadamente quando vejo Raul praticamente discutindo com Raquel próximo a saída.

POV RAQUEL ON:

Eu não poderia acreditar de que Raul fosse tão cara de pau e viesse buscar Gilda na faculdade, o mesmo que fazia quando estava comigo, esse idiota!

O vejo se aproximar e perguntar algo para Ronaldo que estava quase saindo, não deu para ouvir, pois eu estava um pouco longe deles. Ele me olha firamente e logo desvia o olhar como se eu fosse uma completa desconhecida. Isso me irrita profundamente, a passos largos me aproximo dele.

— Não sabia que viria me buscar, obrigada, mas estou de carro. — Digo sarcástica, passando a mão por seu peitoral, tentando disfaçar a raiva que eu estava sentido.

— Não me toque! — Ele fala grosseiramente tirando minhas mãos dele.

— Não cansou da brincadeira? — Pergunto-o e finalmente tenho sua atenção para mim.

— Do que você está falando garota?

— Não cansou de brincar com a Gilda? — Reformulo minha pergunta indo diretamente ao ponto, vejo sua expressão enrijecer e isso me dar mais raiva por saber que ele a estava defendendo.

— Por quê eu brincaria com ela?

— Por que é isso que você gosta de fazer, brincar com todas! — Falo, mas não demonstrando minha irritação, teria de ser sarcástica porque isso é o que tira as pessoas do sério.

Ele rir ironicamente e meu coração me trai com isso.

— Você se inclui? — Pergunta-me no mesmo tom. Se tinha algo que me tirasse do sério, era me responder de forma sarcástica.

— Não, porque comigo ninguém brinca!

— Ah, então menos um coração machucado, não é? — Continua com sua ironia, e o pior é que não me encarava estava com os olhos rondando todo o pátio esperando por ela.

ódio!

— Idiota! Você não vai tão longe com isso! — Eu não percebi mas eu já falava alto nesse momento.

— Se comporta e fala baixo! Me deixa, eu estou esperando a Gilda.

— Gilda, Gilda, sempre essa cadela imunda! — Falo agora muito alto, e agora atenção de todos está voltada para nós.

— Não fale assim dela, quem você acha que é? Pensa que é melhor do que ela? — Diz me olhando esnobe de cima abaixo.

— Eu não acho, eu sou muito melhor do que aquela pobretona de vila, ela...

— Cala essa boca garota! — Ele ordena me segurando firme pelos braços. — Não permito que a trate assim sendo que ela nem está aqui para se defender, assim que cale-se!

— Me solta! — Me sacudo em suas mão e ele me solta. — Falo do jeito que eu bem entender, ninguém vai me impedir de insultar aquela sonsa!

— Você devia ter sua irmã com exemplo, ela que... — Ele deixa a sua frase morrer ao ver Gilda parada, espantada com tudo aquilo. — Gilda, vem, vamos embora! — Ele segue até ela e puxa pelo braço, mas antes que pudessem ir eu não pude evitar a minha raiva.

— Sua vira-lata!

E como um ódio do qual eu não pudesse controlar, puxei a saia dela que acabou rasgando de tanta força que eu puxei. Eu iria avançar para cima dela para aliviar minha raiva, mas aquele idiota do Raul tomou a frente a protegendo, em seguida a cobrindo com o seu paletó.

— Você é pior do que eu poderia imaginar! E se fotos aqui forem publicadas, serei o primeiro a denunciar esta instituição por falta de ética dos alunos — Foram as últimas palavras dele, quando saiu com Gilda chorando a cobrindo como se fosse seu protetor.

Eu os vi sumir naquele carro e sentir um enorme sentimento de fracasso, será que eu fracassei? Será que estava realmente tudo perdido para mim? Eu não conseguia me mover dali, estava com os pensamentos longe apenas ouvia as pessoas falarem alguma coisa.

— Devemos postar? Seria engraçado! — Dize alguém passando por mim sorrindo.

— Melhor não, você ouviu aquele cara, teremos sérios problemas, ele é advogado importante menina, lembra? — Diz a outra.

— Que cobra! — Alguém passa por mim, empurrando-me, pelas costas acredito que fosse Lilian, mas não me importei não conseguia me mover.

— Ei, Ei! — Raimundo tenta chamar minha atenção, mas eu não consigo falar nada. — Você está bem? Ei! — Me sacode e então eu o empurro.

— Pára idiota!

— Ué, você parecia está em transe. — Observa ele.

— Deve ser porque eu estava. — Digo irônica, voltando para o local de onde estava antes de falar com Raul, pegando minhas coisas.

— Você fez uma palhaçada co a Gilda, acha que desse jeito vai ter aquele advogado de merda de volta? — Eu o fuzilo com os olhos.

— Ela mereceu! — Digo, caminhando para fora da faculdade seguindo para meu carro.

— Se você quer separá-los, não é assim que vai conseguir. — Ele diz, e ue paro o passo pensando no que ele disse, logo me viro para ele.

— Vamos nos aliar nisso, ambos temos interesse, você quer a sonsa da Gilda e eu quero o Raul, vamos nos unir e separá-los. — Digo quase que animada, mas ele apenas rir. — Porque está rindo?

— Sim, eu quero a Gilda e vou tê-la, mas farei isso sozinho, lute daí que eu luto daqui, não quero fazer parte dos seus planos falidos. Nos vemos amanhã,ah, e não esquece de me mandar aquele resumo, tchal!

E assim naturalmente ele sai, me deixando perplexa em ter recusado minha ofeta.

— Idiota! Eu não preciso mesmo de você! — Grito, mas ele apenas acena sorrindo. — Farei isso sozinha, e se quer tanto o resumo, faça você, idiota! — Continuo gritando mas ele já havia saído em seu carro.

Entro no veículo extremamente estressada e irritada, Raimundo conseguiu me deixar pior. Aceleradamente dirijo para casa.

O dia todo eu busquei evitar minha mãe, pois a essas alturas ela já tinha conhecimento do que havia acontecido na faculdade, Bruno fora o primeiro a dar nos dentes. Assim que cheguei me tranquei no quarto, nem para comer desci, a verdade é que não queria ter que brigar com minha mãe por causa da Gilda.

A noite já havia chegado e eu saía do banho quando ela batia insistentemente em minha porta.

— Raquel, abra a porta!

— Só um minuto. — Digo enquanto vestia um vestido leve, em seguida abri a porta.

— O que aconteceu hoje? — Pergunta-me diretamente, seu semblante estava sério, nem parecia a Cecília doce que eu conhecia.

— Hum? — Tento enrolar ao máximo.

— Não se faça Raquel, eu sei de tudo! — Ela parecia alterada, mas busquei ignorar.

— Então porque pergunta se já sabe. — Digo mal criada mesmo, e me viro para pegar meu celular, sinto ela me puxar de uma vez segurando-me firme pelos braços.

— Eu nunca a repreendi quando devia, mas agora você passou dos limites, como pode fazer isso com sua irmã?

— Devo mesmo responder? — Continuo a enfrentando e vejo que ela não se seguraria.

— Não me trate assim, eu sou sua mãe! — Me disse séria, e bruscamente me soltei de suas mãos.

— E você que me tratou a vida inteira como uma sombra sem importância! E olha que eu sou a sua filha! — Esbravejei, não pude segurar.

— Filha. — Sua voz agora era calma e triste.

— Filha? Tem certeza que sou sua filha? Porque não foi assim que me senti em 22 anos. — Eu estava sendo dura, mas isso não era algo mais que eu quisesse segurar só para mim.

— Você não pode dizer isso, eu te amei mais que tudo, sei que cometi o erro de muitas vezes não suprir meu papel para com você eu sei, mas você não precisa ser assim. — Me diz com voz embargada, não a encaro.

— Não precisa bancar a mãe agora, sei que em toda sua vida a Gilda era prioridade, e sei que está aqui toda irritada por causa dela também, por ela é mais importante pra você! — Digo sem remorso algum, na verdade não sei se deveria falar assim, mas o ódio estava toamando conta de mim.

— Eu não posso acreditar, filha como pode está com todo esse ódio? — Respiro fundo, e me dirijo para a porta.

— Saia. — Digo calma, evitando que aquilo fique pior.

— Não, eu não vou sair, esta é minha casa e fico onde bem entender! — Seu semblante se torna sério outra vez.

— Está bem, eu saio. — E antes que eu pudesse realmente sair, ela me puxa pelo braço, fechando a porta com toda força me empurrando para longe.

— Já chega, eu te peço perdão por não ter sido a melhor das mães, tenho me esforçado para compensar a minha falta, Deus o quanto eu me arrependo de ter feito tão pouco por você, mas Ele também sabe que eu te amo mais que tudo e mesmo com todo esse amor não irei permitir como se me tratasse como uma qualquer, eu sou sua mãe e exijo respeito!

Fiquei surpresa com sua reação, ela estava brava e autoritária e isso não acabaria bem.

— É um pouco tarde para ter essa postura não acha? — Provoquei e ela se aproxima.

— Nunca é tarde para nada, tanto que quero que amanhã mesmo você se desculpe com a sua irmã pelo o que a fez, e na minha frente. — Exige.

— O quê? Quer que me humilhe para aquela sonsa? Nunca! — Digo cruzando os braços.

— Sim, você o fará! — Ela afirmou caminhando para a porta.

— Não, não farei e nem você mesma me forçará a isso! — Reluto. Ela vira-se para mim lentamente e séria.

— Enquanto você viver dentro da minha casa, usufruindo das minhas, fará exatamente o que eu mandar. — Disse calmamente mas firme.

— Esse é o caso? Mas que não seja por isso! -

E rapidamente corro para meu closet, pego a primeira mala que vejo e jogo dentro algumas roupas, a fecho e caminho para a porta.

— Pára com isso! — Ordena ao ver o que eu pretendia fazer.

— A partir de hoje, eu não vivo mais sob o seu teto.

— Raquel para de infantilidade, o caso é só você se desculpar com sua irmã, gostaria de que te deixassem nua perante toda a faculdade?

— O que ela me fez foi muito pior, roubou o amor da minha mãe e do homem que eu amo, está apenas pagando em uma parcela bem pequena do que eu tive que suportar.

— Você nem sabe do que está falando, é completamente sem nexo, Gilda não tem culpa de nada, ela...

— Ela é culpada sim! — Vocifero. — Você é culpada, eu odeio a Gilda... eu odeio você!... Senti seus dedos arderem em meu rosto.

Com muita dificuldade de acreditar, a olhei com os olhos cheios de lágrimas, pois ela nunca havia me tocado na vida e agora vejo ela com toda força acertar meu rosto.

— V-você me bateu?

— Filha, me desculpa..eu...eu me descontrolei. — Dizia ela com voz trêmula, tentando corrigir seu erro.

— Eu não quero te ver nunca mais, estarei indo embora dessa casa, da sua vida! — Digo, segurando o choro, saindo dali.

Desço as escadas enfurecida e magoada, ela me acompanha e segura minha mão.

— Filha, me perdoa eu não queria, eu...

— Me deixa! — Me solto de suas mãos.

Rogério que trabalhava em seu escritório com Bruno, saíram e ficaram confusos ao me ver com uma mala e minha mãe chorando.

— O que está acontecendo aqui? — Pergunta-nos. Eu apenas saio dali.

— Depois... — Ouço minha mãe dizer a Rogério e em seguida me acompanha até fora da mansão. — Filha!

— Me deixa em paz! — E corro para longe dali.

Eu não queria que as coisas tivessem chegado a essa proporção, mas já que era assim, assim teria de ser. Caminhei sem rumo pelas ruas, saí tão desnorteada que deixei o carro, estava apenas com a pequena mala e meu celular.

A noite estava assombrosa e eu não saberia para onde ir, parei em uma praia qualquer e me sentei na areia, logo chorando muito. Fico em silêncio apenas ouvindo o som do mar e algumas pessoas passarem por ali. Meu celular começa a tocar e vejo na tela ser minha mãe, ignoro a ligação. Em seguida, Bruno, depois Rogério liga, mas os ignoro também, minha mãe manda diversas mensagens não as respondo, eu realmente não queria saber, percebendo que eu não atendia ligou outra vez, me levantei e em uma ataque de raiva corri para o mar, desligando, tirando bateria e em seguida jogando meu celular ao longe, se perdendo naquele monte de água.

Meus olhos ardiam muito, pois pela primeira vez chorei bastante. Doía muito, o tapa que me deu e principalmente como ela preferia a Gilda, gritou comigo por causa dela só deixava mais visível de como ela preferia mas a ela do que a mim e isso me doía bastante.

Não saberia para onde ir, não estava com meus cartões para alugar um quarto de hotel, então revirei minha mala e lá estava e havia um mísero dinheiro ali, então fui em busca de algum lugar que pedisse menos para passar a noite, pois para casa não voltaria...

— Hum, os quartos estão ocupados mas, há um que o eu posso fazer um preço bacaninha pra você princesinha. — Disse um homem barrigudo e careca.

Eu não sei como fui parar ali, um lugar praticamente caindo aos pedaços, sem falar que o cheiro de fumo era bastante, mas eu precisava dormir em algum lugar e não iria atrás de meus amigos, isso seria humilhante, então aquele lugar estranho seria o suficiente para passar a noite.

— Mas isso é um absurdo! Essa espelunca não vale isso! — Digo irritada com o abuso daquele homem, que parecia está se aproveitando da situação.

— Eu deveria expulsá-la depois de ter insultado meu estabelecimento, mas vou te dar uma segunda chance, olha como sou bonzinho. — Disse mostrando seus dentes amarelados. — Vamos me diz quanto tem pra pagar hoje?

— Bem..é..só um minuto. — Digo, enquanto conto as cédulas. — Bem, isso aqui. — Estendo o dinheiro para ele.

— Hum. — Murmura ao contar o dinheiro. — Não é muito, mas já é alguma coisa, pelo menos essa noite.

Não precisarei ficar outra noite nessa lixeira, darei um jeito ao amanhecer. Penso.

— Certo, e onde fica esse quarto? — Pergunto já querendo sair da presença daquele homem.

— Você sobe essa pequena escada, e dobra a direita, é o quarto 111. — Explica-me.

Seguindo suas instruçoes, vou em busca do quarto, o lugar é semelhante a um lugar abandonado, nunca me imaginei em um lugar desses e agora estou aqui, mas de toda forma não voltaria para casa. Ao localizar o quarto, entro e não é nada confortável, pelo menos a cama apesar de gasta parecia dar para dormir.

— Ah, que lugar horrendo! Tenho que dar um jeito de encontrar outro lugar para ir, esse lugar não é para mim. — Digo para mim mesma, bastante irritada com isso.

Peguei um casaco dentro da minha mala e joguei sobre a cama, não queria correr o risco de pegar qualquer fungos daquela cama. Ainda pensativa com o que acontecera em algumas horas atrás, o tapa que minha me deu vinha constante na minha fazendo com eu derramasse lágrimas, e quando já não aguentava mais chorar, adormeci...

POV RAQUEL OFF...

Notas finais
Vocês acham que Raquel está muito dramática? Bom, eu mesma escrevendo, brigava com ela porque achei que queria colocar muito drama, sei la... Vamos ver se ela sobrevive fora de casa. hehe... bjs