Um Amor que Cura

37 Um noite de comemoração


Notas iniciais
Finalmente a formatura de Adélia chegou e nada pode estragar essa alegria. Boa leitura!

Na noite de formatura Adélia desceu as escadas com ajuda de Joana, estava deslumbrante, o vestido havia ficado perfeito com os ajustes. No final da escada com um sorriso de orelha a orelha estava Alberto.

—Está linda! Será a formanda mais admirada.

—Imagina... E Joana que tal ficou?

Adélia tinha insistido que Joana fosse a formatura, tanto a cerimonia quanto a um jantar dançante que teria logo após. Haviam levado ela comprar um vestido para a noite, mas mesmo estando muito apresentável, ela estava se sentindo estranha e envergonhada.

—Está maravilhosa Joana! -Alberto incentivou, a elogiando.

—Estou me sentindo esquisita, não acho que é uma boa ideia...

—Você é minha convidada e vou ficar extremamente chateada se não for.

—Joana, não pode contrariar a grávida, já sabe disso!- Alberto brincou segurando a mão dela e ajudando a terminar de descer os lances da escada.

—Não pode mesmo! E depois Maria e Téo vão ficar ótimos com Glória.

—Ela está empolgada com eles na casa dela, chamou até Nestor para ajudar.

—Eu sei, mas...

—Nada de mas! Vamos quero chegar cedo para não ser o centro das atenções com essa barriga enorme.

—Vai ser o centro das atenções de qualquer forma... Vamos senhoras!

De braços dados os três saíram animados.

***

No salão Adélia se juntou as colegas formandas, todas estavam agitadas. E quando os nomes foram chamados um a um para receber o canudo, a moça não pode evitar encher os olhos de lágrimas ao encontrar o marido e Joana sorrindo emocionados na plateia.

Devidamente formada, ela os encontrou quando a cerimônia de praxe acabou. Recebeu os parabéns dos dois e abraços, além de um buque de flores que não sabia de onde Alberto havia tirado, ele não perdia detalhe nenhum.

—Bom agora podemos ir para o jantar...

—Não sem antes receber o abraço de seus pais... Mesmo que não nos tenha dado valor algum ainda o somos!

Adélia sentiu um frio na espinha ao escutar a voz da mãe, haviam mandado um convite tanto para seus pais, quanto para os pais de Alberto, esses responderam na mesma hora que não iriam, já os outros nada responderam, mas tão eufórica com tudo, Adélia nem havia pensado na possibilidade deles aparecerem.

—Mãe... Pai... — ela ficou sem jeito ao abraçar ambos com um sorriso falso nos lábios.

—Parabéns filha, embora para Alberto não deva dizer nada mais que aguente... Mulheres com formação são como uma faca de dois gumes, podem ter um status na sociedade e podem destruir um lar.

O pai de Adélia havia sempre demostrado desprezo pelos estudos da filha, a sua vontade era que ela seguisse os passos da mãe, e ficasse em casa coordenando tudo e estivesse sempre pronta a posar de esposa submissa.

—Sogro, sempre tão ferrenho em suas opiniões... Adélia é uma mulher incrível, saberá muito bem ser esposa, mãe e profissional. Sem contar que estarei sempre ao lado dela!

Alberto abraçou a moça por trás e se manteve assim como que a protegendo dos ataques que poderiam acontecer.

—Claro Alberto, é sua esposa, já não detenho mais o comando da vida de minha filha...

—Infelizmente... Mas deixe eu olhar sua barriga filha, está grande, pena que essa gravidez seja tão arriscada...

—Estou ótima mãe, não se preocupe.

—Adélia é uma mulher forte, vem encarando todas as dificuldades com garra, não é para menos tem uma história de vida única.

O clima estava tenso, não querendo provocar uma briga, Alberto foi se despedindo dos sogros.

—Espere, não iremos ao jantar?

—Desculpe mãe, o jantar tinha convites contados, e peguei apenas dois.

—Dois? Para seu marido e Glória suponho?

—Na verdade Glória ficou cuidado de Téo e Maria...

—O bastardo e a neta da escrava tem esses privilégios?

—Mãe não comece...

—Sogra, hoje é um dia especial, não torne desagradável nossa noite, estamos felizes por estarem aqui compartilhando esse momento junto a nós, mas agora temos que ir...

—Não me diga que o outro convite é para essa escrava?

A mãe perguntou enfurecida, colocando os olhos em Joana que esteve mais afastada.

—Sim, mãe... Afinal, ela sempre esteve ao meu lado!

—Adélia, é mesmo uma mal-agradecida! Agora que está rica, empina esse nariz e age como uma esnobe desprezando a própria família, mas se não fosse por nós sabe Deus onde estaria!

—Não seja cínica! Vocês dois já tiveram seus méritos com nosso casamento, e sua presença mãe simplesmente acaba com qualquer alegria, mas essa noite não, estou com meu marido maravilhoso e minha querida e amada Joana, é tudo que preciso.

Acompanhada de Alberto ela deixou os pais e foi em direção ao salão, perto da porta teve uma leve vertigem e foi amparado pelo marido e por Joana.

—Menina?

—Adélia! Está passando mal?

—Não estou bem... Acalmem-se. Foi só uma tontura.

—Vamos para casa e chamar o doutor...

—Não... Por favor! — Adélia suplicou na frente dele. — Não quero ir... Estou bem, só fiquei um pouco nervosa, mas já passou!

—Adélia não podemos brincar com sua saúde!

—Por favor meu amor, se eu não me sentir bem prometo que falo.

—Tudo bem. — Alberto estava preocupado, mas o brilho de animação dos olhos dela o venceram.

—Olha como o salão está lindo!

—Estou me sentindo uma intrusa, todos me olhando como se fosse uma anomalia.

—Joana não seja boba, estão olhando para ver uma das mulheres mais lindas da noite!

Joana estava com um conjunto verde, e um coque perfeito nos cabelos.

—Na verdade todos estão olhando para mim... Do meu lado as mulheres mais lindas de toda essa cidade! -Alberto apertou a esposa em seu braços e segurou a mão de Joana. — Vamos minhas damas, essa noite promete!

Ignorando vários olhares e caras amarradas os três adentraram o salão procurando a mesa reservada a eles.

—_______________

Após o jantar, organizaram o salão para o baile. E Adélia logo quis dançar.

—Será que é prudente?

—Vamos dançar mais devagar meu amor!

—Joana o que faço com essa sua filha postiça? Tento ser mais firme com ela, mas esses olhos me desmontam!

—Vão dançar, está noite merece uma dança! Mais dancem com cuidado claro!

—Uma não, duas ou até três!

Joana e Alberto riram da empolgação dela.

—Tudo bem, seu desejo é uma ordem minha enfermeira predileta!

E com carinho ele a conduziu até o centro onde outros casais já dançavam. De longe Joana agradeceu que a presença dos pais da moça não tivessem tirado o brilho dos olhos dela e a alegria da comemoração, e como estavam lindos deslizando pelo salão com a delicadeza que o estado de Adélia exigia. Ao mesmo tempo que observava a felicidade dos dois, temeu pela vida da sua menina, algo lhe dizia que o futuro não reservava bons momentos.

Adélia e Alberto rodavam pelo salão com elegância, os olhos postados um no outro.

—Parabéns meu amor! Você é uma mulher incrível, lutou pelo que quis... Acho que já pode nutrir outros sonhos...

—Do que está falando? — enquanto dançavam num ritmo mais lento conversavam.

—Devia começar um curso de literatura, escrever suas histórias...

—Tudo que eu quero agora é esperar por nosso filho, depois que nascer, quem sabe, eu possa fazer um curso... Mas digo com segurança que tenho tudo que quero e preciso na minha vida...

—Linda! Você é tudo que quero e preciso!

Eles trocaram um beijo singelo ainda na dança, dentro de cada um o medo do que iria acontecer residia, mas ambos ocultaram seus receios e aproveitaram o momento.

Notas finais
=) linda Adélia, sempre forte e frágil ao mesmo tempo... E esse futuro gente? Não sei o que pensar... #medo Beijos =*