Um Amor que Cura
38 Estado: Apreensivo
Notas iniciais

As semanas foram passando lentas, Adélia seguia sua saga cuidadosa para segurar sua gravidez até o final. Quando estava entrando no sétimo mês seu estado foi se agravando as tonturas e desmaios intensificaram, Alberto resolveu ficar mais tempo em casa, reduzindo suas saídas ao máximo. Joana, Estela e outras ajudantes se revessavam para não permitir que Adélia fizesse qualquer movimento que a levasse ao cansaço. Seus batimentos cardíacos aceleravam com uma rapidez assustadora diante de qualquer esforço.
—O estado de sua esposa está ficando a cada dia mais delicado, o bebê não vai esperar até o nono mês... – o médico disse após a sua visita diária.
—Não há nada que possa ser feito? – Alberto com olheiras profundas enfrentava aquele dilema com um desespero evidente.
—Sinto informar que não, mesmo que ela vá para capital, não posso garantir que os dois sobrevivam, e sua esposa já deixou claro que se algo mais grave acontecer temos que salvar a criança...
—Estou ciente disso... Mas não posso dizer que concordo.
—Calma, o futuro a Deus pertence, talvez um milagre ocorra e tudo se encaminhe da melhor forma...
Alberto agradeceu ao apoio do médico, mas internamente estava mortificado, vinha vivendo um verdadeiro calvário ao lado de Adélia, não queria nem imaginar o que seria se ela perdesse a vida durante o parto.
Subiu até o quarto dela, Joana estava sentada na cadeira ao lado da cama, com Maria nos braços a pequena que parecia absorver o sofrimento daquela que lhe dedicava tanto amor, estava desanimada, com a cabecinha no peito da avó não demostrava a alegria cotidiana.
—Meu amor como está se sentindo? – Alberto sentou ao lado da cama onde mais branca que o lençol a esposa esforçava-se para parecer forte, mas os olhos grandes amedrontados entregavam como estava se sentindo realmente.
—Estou bem... O doutor disse que terei que ir para a capital?
—Ainda não, mas talvez nas próximas semanas seja sensato seguir viagem...
—Não quero ir para tão longe de Maria... Téo... Joana...
—Não vamos pensar essas coisas agora... – ele disse tirando os cabelos do rosto dela que sorri com o contato.
—Vai dar tudo certo... – Joana falou mas parecia mais uma pergunta do que uma afirmação, com gestos precisos Alberto concordou com a negra.
—Exato! Vai dar tudo certo! Eu tive uma ideia, talvez seja o caso de analisarmos sobre ela agora...
—O que? – Adélia ficou curiosa.
—Eu pensei que Glória podia tomar conta de Maria e Téo até o bebê nascer... Podemos mandar Estela para colaborar com o trabalho lá, enquanto isso, Joana pode se dedicar mais a você, e também poderá ir junto até a capital...
—Mas não quero ficar longe das crianças! – sensível que estava Adélia encheu os olhos de lágrimas.
—Meu bem, me parece uma ótima ideia, e depois posso buscar os pequenos para visita-la todos os dias...
—Mas Joana...
—Pense minha Adélia... Na capital eu estarei com você o tempo todo, mas acho que ter alguém como Joana lhe será muito útil... Quero que as crianças se acostumem a ficar lá com Glória enquanto estamos aqui para ajudar e intervir se for necessário.
Alberto segurou a mão dela e explicou carinhoso.
—Vou sentir tanta falta da minha pequena... – Adélia esticou a mão e segurou os dedinhos de Maria com carinho.
—Algo que vai passar assim que nosso filho chegar com saúde!
—Tudo bem, eu acho que é melhor mesmo...
Com olhos tristes ela concordou finalmente com a proposta do marido, conversaram mais um pouco e logo ela adormeceu, a fraqueza vinha tomando conta dos dias de Adélia, dormia muitas horas e acordava sempre cansada, não conseguia se alimentar direito, tudo estava contribuindo para o seu estado delicado e complexo, e tanto ela quanto Alberto sabiam que não havia muitas chances de um final muito agradável por mais fé que tivessem, faziam suas orações em busca de um milagre que a cada dia parecia mais distante.
****
Duas semanas depois
Alberto e Joana organizaram tudo para viajarem para a capital no dia seguinte, preferiam viajar antes de entrar no oitavo mês, onde Adélia estaria ainda mais debilitada, durante a tarde trouxeram as crianças para ficar com ela. Glória e Nestor também vieram.
Colocaram Maria sentada na cama ao lado de Adélia e Téo ficou em seus braços fracos, o pequeno estava esperto, brincava com os cabelos da mulher abatida.
Alberto havia conseguido passar os dois para o nome deles depois de algumas medidas que necessitaram de intervenção de um advogado, mesmo Téo agora tinha o nome dos dois no seu registro de nascimento, embora a primeira via tivesse sido preservada com o nome de Gaia.
—Meu queridinho, mamãe está dodói... – Adélia falava com o menino que lhe olhava curioso, os cabelos haviam crescido e encaracolado parecia um pequeno anjo, como se entendesse o que ela dizia ele balbuciava sons tentando se comunicar. – Como você está crescido!
—Seu filho é a criança mais amada desse mundo, seus filhos melhor dizendo... Maria é uma gracinha, precisa ver dando alguns passinhos com nossa ajuda. – Glória sorriu contando as proezas das crianças.
Deixando as mulheres conversando Alberto e Nestor descem até a sala.
—Então meu amigo, parece que ela está muito mal...
—Nestor não sei oque fazer... Parece que estou com o mundo em minhas costas. Avisei aos pais dela que amanhã iremos para a capital, que ela vai ficar na Santa Casa e que tão logo necessite vão fazer provocar o parto, mesmo assim aqueles dois não se comoveram...
Ele andava ao longo da sala passando ora ou outra a mão pelos cabelos.
—Quanto a isso não poderá fazer nada... Eu penso que é até melhor.
—Sim para o bem estar psicológico dela é melhor ficar longe daquela gente, mas e se ela precisar receber sangue?
—Olha podemos fazer assim, com sua partida vou falar com o pai dela, ele me conhece desde criança e sempre teve apresso por meu pai, acho que posso convencê-lo.
—Faria isso por mim?
—Em poucos meses serei oficialmente seu cunhado, e antes disso é meu melhor amigo, faria de tudo para que não precisassem passar por isso!
Alberto deu um abraço no amigo os dois se emocionaram.
—Olha, se não cuidar da minha irmã como uma princesa vai se ver comigo!
—Cuidarei dela como uma rainha nada menos! – Nestor sorriu animado e Alberto por um segundo quis que as coisas fossem mais fáceis e ele pudesse ficar animado com o futuro de seu casamento.
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