Notas iniciais
Parece que Adélia está preocupada com o afastamento do marido, mas ainda está cheia de dúvidas... Boa leitura!

No dia seguinte durante o café da manhã o silêncio imperava na mesa. Alberto lia seu jornal e tomava seu café, tinha dado um bom dia quase que sem olha-la direito, isso deixou Adélia intrigada, resolveu encontrar um assunto.

–Téo dormiu a noite toda não é mesmo?

–Sim, quando cheguei à noite ele tomou uma mamadeira de leite e dormiu a madrugada toda. – ele falou sem tirar os olhos do jornal.

–Você chegou tarde?

–Nem vi direito a hora, mas era tarde.

Adélia ficou frustrada com a resposta do marido.

–Estela volta só no fim de semana para cá, suponho que tenhamos que ajudar Joana com as crianças...

–Sim, eu fiz questão de permanecer no quarto de Joana, troquei na verdade, quero poupa-la ao máximo de cuidar deles, ela anda muito cansada.

–Sim... Ontem quando você saiu ficamos bem sobrecarregadas com eles.

–Sério? – ele finalmente baixou o jornal e a olhou com os divertidos. – Desculpe, voltarei mais cedo da próxima vez. Mas agora tenho que ir.

–Como assim? Mal tomou seu café!

–É que terei um dia agitado no trabalho, mas virei ao meio dia. Até mais Adélia.

Ela ficou olhando ele sair.

–Até mais tarde... Parece que está se despedindo de um colega do escritório! – bufou quando Joana veio retirar as xícaras.

–Querida, não entendo você... Finalmente ele está te dando o tempo que tanto pediu... Não quer que ele diga: “Até mais tarde, meu amor...”

–Sabe Joana, você está me saindo uma verdadeira vira casaca!

Adélia impetuosa subiu as escadas deixando uma Joana risonha cuidando dos seus afazeres.

***

No almoço Alberto chegou olhou as crianças e não quis almoçar, tinha que voltar para resolver diversos problemas, e a noite chegou quase na hora do jantar.

–Está tudo bem no escritório? –Adélia perguntou o vendo tirar o paletó.

–Sim, tudo bem, por quê?

–Não sei, hoje está nessa correria, mal tomou café, não almoçou e agora chegou essa hora.

–Desculpe Adélia, mas não vejo motivos para ficar o tempo todo em casa, você sabe que está cada vez mais difícil para mim, permanecer ao seu lado e não poder te tocar, nem nada semelhante. – ele falou buscando os olhos apreensivos dela. – Me esforcei o máximo que consegui, sem resultados aparentes, vou respeitar sua decisão, quando o nosso filho nascer, vou deixar essa casa, será sua e dele, de Maria e de Joana. E o Téo, levarei comigo para casa de Glória onde morarei após o parto, mas é claro que não quero perder a chance de acompanhar o crescimento dele. Vou tomar banho, pode jantar, mais tarde como na cozinha.

Adélia sem sair do lugar, ficou sem reação diante de todas aquelas palavras. Sentiu os olhos marejarem, colocou a mão na barriga e sentiu o medo tomar conta de seu ser, como seria se realmente não houvesse salvação para eles... Como seria viver sem Alberto... Ela não podia nem mesmo imaginar. Com passadas lentas subiu ao seu quarto, perdeu o apetite e precisava deitar.

___________________

Uma batida de leve na porta fez com que Adélia, acordasse assustada.

–Sim? – talvez fosse Alberto preocupado com seu sumiço repentino.

–Menina? Sou eu, trancou a porta, está tudo bem?

–Ah, Joana, sim... Só estou cansada.

–Abra querida, vim lhe trazer um caldo e um chá, precisa se alimentar.

Adélia levantou e abriu a porta.

–Adélia, pelo amor de Deus, quer nos matar do coração!

–Nos matar? Só estou vendo você... Alberto já saiu para fazer outra noitada?

–Não seja boba, está subindo com o chá. Você está pálida... O que houve?

–Não me senti muito bem...

–Ainda bem que abriu... – Alberto entrou, carregando uma bandeja. –O que aconteceu?

–Nada... Só queria ficar sozinha.

Ela disse ressentida.

–Adélia, não é bom ficar tanto tempo sem se alimentar...

–Eu estou bem... Vocês são exagerados.

–Bom, vou ficar com as crianças, estão acordados com a corda toda, Joana você fica com ela?

–Sim eu fico...

–Sabe oque eu odeio?! – Adélia falou exaltada chamando a atenção dos dois. – Que falem de mim como se eu fosse uma inválida, sem vontade própria!

Na mesma hora que disse isso caiu no choro.

–Querida, não se abale desse jeito...

–Adélia...

–Alberto vá, nos deixe a sós.

Com o coração dilacerado por vê-la chorando sem poder consola-la ele saiu cabisbaixo.

–Menina, oque é isso?

–Ai Joana... Eu não sei mais o que sinto...

–Se acalme isso não vai te fazer bem...

–Estou dividida, não sei se consigo confiar plenamente no Alberto novamente ao mesmo tempo em que o amo com todas as minhas forças.

–O que é maior? A desconfiança ou o amor?

A moça ficou quieta, o rosto molhado.

–Pense Adélia, se fale todo esse sofrimento... Se vale tudo isso, para provar que ele agiu errado, ele sabe que o fez... Dê uma chance para vocês, ou vai acabar perdendo tudo isso e será uma pena, ver uma família tão linda acabar, saiba que ele me falou de adotarem a Maria e eu disse que seria um sonho ver a menina que eu criei como filha sendo mãe da minha neta. Pense Adélia se vale essas lágrimas para provarem que seu marido foi leviano, isso sem contar as circunstâncias o que o fizeram mentir.

Joana deixou a sopa, o chá e Adélia pensativa ao sair do quarto.

____________

Era alta madrugada quando um grito cortou o silêncio da casa, Alberto que dormia um sono inquieto pelos últimos acontecimentos, despertou na mesma hora aflito ao reconhecer o grito de Adélia, imediatamente levanto, descalço correu o pequeno corredor que ligava o quarto que dormia ao da esposa e entrou porta adentro.

A cena era de pânico, Adélia desesperada chorava e falava palavras desconexas.

–Alberto... Nosso filho... Meu Deus...

–Adélia? O que está acontecendo? Sente alguma dor?

–Estou perdendo o bebê!

–Não pode ser! Se acalme por favor me diga o que está acontecendo.

Alberto suplicou chegando perto da cama, onde ela se encontrava sentada.

–Olhe! – ela afastou os lenções e ele pode ver o sangue que denunciava uma possível ameaça de perca. –Estou perdendo nosso filho Alberto, por favor me ajude!

–Joana!!! Joana!!! – Alberto gritou. – Calma meu amor, vamos buscar um médico e tudo vai ficar bem.

–Alberto? Adélia, menina, o que aconteceu?

–Ela está sangrando Joana, vá buscar o doutor, vá logo.

–Sim! – a mulher saiu correndo enquanto Alberto sentava ao lado da mulher para acalma-la.

–Não quero perder meu filho...

–Não vai perder...

–Está doendo, como uma cólica... Se eu perder o bebê não vou me perdoar!

–Adélia, vai dar tudo certo, mantenha calma pode ser pior se ficar tão nervosa.

–Eu não tenho me cuidado como deveria, isso é culpa minha...

–Não vamos achar culpados agora, se acalme, por favor.

Vinte minutos depois, o que pareceu uma eternidade, visto que as dores de Adélia aumentaram e médico apareceu.

Pediu que todos saíssem do quarto para que ele pudesse realizar o atendimento

Notas finais
O.o será que ela vai perder o bebê???? S/2 Beijos!