Notas iniciais
As coisas estão cada vez mais preocupantes na gravidez de Adélia... Boa leitura!

Um silêncio ensurdecedor tomou conta da casa, depois de muitos minutos sentado, Alberto levanto e se colocou a andar de um lado para outro na sala, esperando por notícias de Adélia.

–Alberto fiz um chá... Tome precisa estar calmo.

Joana chegou com uma bandeja e olhar aflito.

–Obrigada Joana, minha boca está tão seca, vou aceitar.

–Precisamos ter fé, Deus é bom e vai cuidar da nossa menina!

Alberto olhou para a negra ainda de roupas de dormir os cabelos amarrados num coque mal feito e sorriu ao ouvir ela dizer “nossa menina”.

–Vai cuidar dela sim, as crianças ainda estão dormindo?

–Sim, parece que estão nos dando tempo de ficar preocupados sem ter que cuidar deles.

–Verdade... Joana... Se ela perder o bebê o que vamos fazer?

–Não vai! Mas... Se acontecer, vamos ser fortes e não deixá-la perecer.

–Joana, não sei se conseguirei ser forte...

–Alberto. – Joana andou até ele e lhe deu um abraço. – Não vamos pensar nisso agora.

Os dois ficaram ali abraçados cada um fazendo suas preces silenciosas até ouvirem passos na escada.

–Doutor? Por Deus nos diga algo positivo! – aflito Alberto correu até onde o homem estava.

–Acalme-se Alberto, o bebê está bem, foi uma perca de sangue significativo, e muito preocupante, mas consegui chegar a tempo de evitar o pior.

–E como está minha esposa?

–Está bem por hora...

–Como assim?

–Alberto, podemos conversas a sós? – o médico falou vendo Joana próximo deles.

–Não, tudo que tiver que me dizer, pode falar na frente de Joana, ela é como se fosse mãe da Adélia, fale logo, por favor.

–Bom desde o começo essa gravidez parecia arriscada, mas temo que seja pior do que eu imaginava, não posso garantir que ela aguente segurar a criança até completas os meses gestacionais.

–Não estou entendendo, seja claro sim?!

–Adélia vai ficar muito fraca e a partir de agora cada vez mais debilitada, precisa de repouso completo e ainda assim será arriscado... O melhor seria...

–Seria? – Alberto percebeu que o médico estava escondendo algo. – Fale seja o que for.

–O melhor seria interromper a gravidez.

Joana soltou um gemido abafado sentindo a dor que isso seria para a moça. E Alberto sentiu o choque que aquilo representaria na vida dos dois.

–O senhor diz isso pelo fato de achar que ela não segura a gravidez ou tem algo mais?

–No parto pode haver muitas complicações, e em casos semelhantes muitas vezes tenho que escolher se salvo o bebê ou a mãe.

–Não! Não pode me dizer isso!

–Lamento Alberto, mas é a pura verdade, Adélia sabe disso, pois durante o atendimento expliquei a ela que era tudo muito perigoso, ela está se formando em enfermagem, sabe bem como essas coisas são...

–E ela?

–Foi solene... Não vai interromper a gravidez e não há dúvidas de que devo salvar a criança.

–Meu Deus... E ela está em condições de decidir isso?

–Vocês dois precisam conversar e tentar chagar a uma resposta melhor para o bem de Adélia, vocês são jovens, mas também tenho que avisar que é possível que ela não possa mais ter filhos.

–Preciso refletir sobre tudo isso... Me diga, agora como ela está?

–Está bem, a mediquei, vai dormir até amanhã. Passarei aqui a noite para ver como passou o dia.

Alberto acompanhou o médico até a porta.

–Joana o que faço?

–Fique calmo e vá ficar com ela, amanhã com tudo no lugar podem conversar, mas se ela já decidiu isso...

–Sim, a teimosa jamais vai aceitar outra coisa... Meu Deus não posso perder ela...

–Vou começar minhas orações desde já, minha menina é batalhadora vai vencer mais essa provação!

O rapaz concordou, mas em seu interior não tinha certeza de nada.

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Adélia dormia profundamente quando Alberto chegou ao quarto, chegou perto da cama, com carinho retirou os cabelos de seu rosto e ajeitou o travesseiro. Levantou com cuidado a manta que a cobria.

–Meu bebê... – falou colocando a mão sobre a barriga dela. – Eu já te amo tanto, e sua mãe também, mas estou com medo, precisa ser forte, pois, terá que enfrentar alguns percalços no caminho.

Sentiu um movimento no ventre da esposa, sinal de vida que seu bebê lhe enviava.

–Isso meu amor, precisa lutar! – Alberto deixou as lágrimas que vinha segurando caírem e molharem seu rosto, deu um beijo suave no tecido sobre a barriga. E voltou a cobrir Adélia com delicadeza.

–Tudo bem? – Joana entrou no quarto e o viu chorando.

–Sim... Precisamos trocar a roupa dela e da cama.

–Sim, vou pegar tudo. – Joana se retirou para pegar novos lençóis e ele novamente sozinho com a esposa a beijou nos lábios, que estavam mornos.

–Eu amo você Adélia, e não vou desistir de nós dois nunca!

***

Quando acordou Adélia encontrou o marido adormecido numa poltrona ao lado de sua cama, ficou um tempo apenas o observando sentindo uma mistura enorme de sentimentos, mas estava com fome e já devia ser tarde, o sol brilhava fora pela janela.

–Alberto? – falou com a voz baixa vendo que ele não ouviu, sentou com dificuldade na cama e colocou a mão no joelho dele. – Alberto?

Na mesma hora ele acordou assustado.

–Adélia? Está tudo bem?

–Sim, só estou com fome... E preciso ir ao banheiro.

–Como está se sentindo?

–Acho que bem melhor... Chame a Joana para me ajudar...

–Não, eu vou te ajudar...

–Alberto...

–Por favor, não me impeça, se você já tomou sua decisão sobre a gravidez, deixe eu tomar a minha que é cuidar de você!- ele falou firme já oferecendo a mão para ampará-la. – Venha vou te ajudar ir ao banheiro, depois vou buscar algo para comer.

Meio relutante ela se rendeu dando a mão para ser ajudada

Notas finais
Obrigada a quem está comentando, vocês me motivam demais, e olha que as vezes penso em desistir, só não desisto pelo carinho de vocês. =* Beijos