Um Amor que Cura
3 Um casamento ou um funeral?
Notas iniciais
Um mês depois
Alberto desembarcou do trem e seu amigo querido Nestor o esperava depois de um abraço apertado o amigo lhe olhou nos olhos e viu a tristeza.
–O que está fazendo Alberto, que maluquice… Quando li sua carta e recebi o convite do casamento, fiquei sem entender nada… — Alberto foi andando segurando sua mala, não queria falar sobre o que estava acontecendo nem ele entendia direito, um mês atrás estava fazendo juras de amor eterno com sua amada Gaia agora estava a caminho do altar com uma completa desconhecida.
–Vou me casar e você é meu padrinho, qual a dificuldade de entender. Ele falou meio ríspido.
Nestor o puxou pelo braço e fez com que o amigo o encara-se.
–A dificuldade está exatamente ai, um casamento com uma mulher que viu quando era uma menina de uns dez anos... E porque não voltou antes para pelo menos a conhecer e não ser um tiro no escuro.
–Esta me dizendo que ela é feia meu amigo?- deu uma rizada irônica para provocar, afinal ele pouco se importava se era bonita ou feia.
–Não, quer dizer, pouco vi essa moça, às vezes na igreja, mas nem reparei direito. Só sei que há mais de um mês não se vê ela em lugar nenhum, não estou falando de beleza… Bom também, mas, na verdade, estou falando de amor…
–Ah Nestor não me fale de amor, justamente você, o homem mais festeiro dessas redondezas, que afirma que nunca irá se apaixonar. – Alberto viu que feriu o amigo, mas se colocou a andar, não queria dar explicações, nem mesmo falar sobre Gaia que logo apareceria na conversa.
–Você pode tentar me atingir, mas você está atingindo unicamente a você mesmo. Só quero que saiba que estarei aqui quando quiser conversar, agora vamos, precisa tomar um banho e colocar sua roupa de casamento. A festa já está organizada.
Nestor foi andando apressado e Alberto teve vontade de voltar para o trem e sumir, mas não tinha o que fazer.
***
–Está linda minha doce menina. – Joana dava os últimos retoques no vestido da noiva.
Adélia mantinha o rosto sem emoções, desde a noite após ser açoitada pelo pai não derramava uma única lágrima, e chegou à conclusão que não sentia nem mesmo raiva, só um imenso nada, um vazio completo.
–Veja sua madrinha mandou um buque lindo de rosas amarelas, suas favoritas!
A moça pegou as flores e sentiu o perfume.
–Realmente são lindas… Lindas as flores do meu funeral. — sua voz era baixa como se estivesse sem força.
–Menina pelo amor de Deus, não diga uma coisa dessas.
–O que falta Joana para o enterro? Um vestido preto? Não se esqueça de que as virgens são enterradas de branco para simbolizar sua pureza. – Falou irônica.
Joana se calou sabia que a menina sofria, mas era melhor que fosse embora dali, estava vivendo como enclausurada num convento, não sai de casa, mal comia, e estava tão pálida como seu próprio vestido, logo depois do acontecido naquela noite terrível, Adélia tinha atentado contra sua vida, cortado seus pulsos e por pouco não morreu esvaída em sangue. A sorte foi que uma empregada a achou no banheiro. Seu pai ficou horrorizado e a manteve em vigília constante a única coisa que ela fazia era escrever e escrever, seu grande talento aliais. Joana sabia que Adélia se entregara a uma terrível tristeza maior que tudo. Mas continuava linda, no seu corpo esbelto o vestido havia caído como uma luva, haviam feito uma maquiagem suave, e colocado um véu que cobriria seu rosto até na hora do casamento. Joana rezava internamente para que o rapaz escolhido para marido de Adélia não fosse um carrasco que pudesse tornar a vida dela um inferno maior do que aquele que ela vivia ali.
***
Alberto foi recebido pelos pais na igreja e logo cumprimentou alguns conhecidos e se colocou no lugar de espera tradicional do noivo. Agora era certo, sua vida acabaria definitivamente, não queria jamais tocar nessa mulher, mulheres são levianas ele pensava, e essa não seria diferente de Gaia. Quando a marcha nupcial começou a tocar ele viu a moça, de braço dado com o pai que sorria a todos, mas o véu impedia de ver o que ela estava sentindo. Quando eles chegaram à frente do altar, ele comprimento o sogro e a conduziu a frente do padre, e a cerimônia começou, Adélia, ele havia até esquecido o nome dela, estava sem nenhuma reação até parecia que não estava ali.
Quando o padre autorizou a beijar a noiva, ele de frente para ela levantou o véu, e surpreenderam-se com a beleza dela, o rosto perfeito, os olhos enormes e negros, a boca pequena rosada, a pela incrivelmente branca, quase angelical… Mas algo no olhar dela era gelado ao mesmo tempo era vazio como se ela não estivesse o vendo de verdade. Aproximou-se dela e lhe tocou os lábios com os seus num beijo casto que ela não correspondeu.
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