Um Amor que Cura
30 Um Pedido...
Notas iniciais
As crianças acordaram quase que ao mesmo tempo durante a noite, o choro dos dois acordou primeiro Alberto que correu socorrer os pequenos, logo depois Adélia adentrou ao quarto.
–Meu Deus que fôlego hein!
Vendo Alberto com Maria que era a que chorava mais se dirigiu ao berço do menino.
–Ei você que chorroro esse? Está com fome é? — ele parou de resmungar e deu um sorriso com o rosto molhado pelas lágrimas.
–Vem cá! — Adélia pegou ele enquanto Alberto observava e embalava Maria ainda aos prantos. — Vamos descer esquentar o leite deles.
Ele concordou a seguindo.
Já com o mama pronto, Téo devorou sua mamadeira em poucos minutos, enquanto Maria choramingava.
–Acho que não está com fome.
–Deve ser cólica está se torcendo... Tentei acalmar ela enquanto coloco Téo no berço, pobrezinho já adormeceu. Vou preparar um banho para ela, Joana diz que acalma se colocar algumas ervas e óleo.
Adélia subiu e ele ficou ninando a pequena que suspirava já cansada de chorar.
–Calma meu bem, vai passar... — ele falava com a neném.
–Alberto? — pouco depois ele a escutou chamar. — Traga ela já estou arrumando o banho.
Acharam melhor levar a banheira para o quarto de Adélia para não acordar o menino.
–Nossa somos muito desajeitados... — ela observou segurando a menina despida enquanto ele via se a água estava boa. — Quero só ver quando o nosso filho nascer.
Ele sorriu e a olhou.
–Vamos estar bem mais treinados... Devíamos ficar mais vezes tomando conta deles sem ajuda de ninguém!
–Vamos ver isso quando o fim de semana acabar e estiverem todos a salvos. -ela brincou.
–Vão estar, quer me dar ela? Acho que você não devia se abaixar com ela, está pesadinha.
–Tudo bem, Maria calam meu amorzinho, vai com o Alberto.
O rapaz pegou ela com cuidado e devagar a colocou na banheira, começou a cantarolar baixinho enquanto ia molhando o corpinho dela e massageando o abdome. Maria logo estava mais relaxada e olhava atenta para ele ao mesmo tempo que batia as mãozinhas na água espalhado gotas por toda parte.
Quando terminou, Adélia a pegou com a toalha e a deitou na cama para poder secar com calma enquanto ele organizava a bagunça.
Meia hora depois a menina adormeceu sendo embalada por Adélia e foi para o berço.
–Nossa você está ensopado.
–Vou trocar de pijama antes de me deitar.
Ficaram na saída do quarto das crianças se olhando sem saber o certo o que fazer, até que Adélia desviou o olhar.
–Bom vou dormir, antes que eles acordem de novo.
–Acho que vou deitar no quarto de Joana para ficar mais perto assim se eles acordarem eu posso atender mais rápido evitando que você acorde.
–Não tem problema em me acordarem...
–Mas precisa descansar... — ele colocou a mão sobre o ventre levemente protuberante dela. — Esse bebê aqui precisa da mãe bem forte.
Meio sem jeito ela se afastou e deu boa noite indo para o quarto. Alberto ficou um instante lutando contra a vontade de ir atrás dela, mas sabia que precisa ser paciente.
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O sábado passou sem maiores dificuldades Alberto ficou na cozinha na parte da manhã, enquanto ela brincava no chão da sala com as crianças, Maria já estava começando a engatinhar e tentava se aventurar enquanto Téo observava sentado entre milhares de almofadas.
Depois do almoço os dois cochilaram e Adélia o ajudou a organizar a cozinha. Estavam leves, falavam sobre as crianças e suas manias e como estavam lidando com tudo num instante parecia que não existia nada além deles e daquela atmosfera familiar.
–Eu fico com pena dessa situação na família da Joana, coitadinha da Maria vai crescer sem mãe...
Alberto observou Adélia largar o pano que secava os pratos sobre a mesa e seu olhar pensativo denunciava os receios pelo futuro da menina.
–Adélia, talvez possamos conversar com a Joana e adotar Maria, ou pelo menos colocar ela no nosso nome... Para dar uma estabilidade na vida dela, e sendo Joana como uma mãe para você e tão cuidadosa comigo acho que não faria oposição.
Adélia pega de surpresa com a fala do marido, tremeu diante da possibilidade de ter a menina como uma filha de verdade.
–Nem sei o que dizer... – começou com a voz baixa.
Ele se aproximou vendo uma possibilidade de vencer os obstáculos.
–Adélia, tudo que quero é que possamos construir nossa família... A Maria já faz parte dela, e nosso bebê vai ter uma irmã mais velha.
A moça ficou quieta diante do ato falho que ele cometeu esquecendo o filho, que obviamente também era integrante da família. Alberto percebeu que cometeu um deslize no progresso que fazia e tentou arrumar sua fala.
–Claro que além do irmão que já tem...
–Você é engraçado Alberto... Fez de tudo para que eu não descobrisse que tinha um filho fora do casamento, mas agora que já sei de toda situação, não reconhece o menino como filho, quero entender o porquê disso?
–Não sei explicar... Mas estou tentando, meu amor... Preciso de sua ajuda! – rápido se aproximou dela e segurou suas mãos. – Eu te amo tanto, não sei mais viver sem você.
Ela sentiu uma pontada em seu coração, mas afastou-se dele dizendo:
–Não quero falar sobre isso, ainda estou processando tudo o que aconteceu, eu pedi um tempo, por favor, não faça com que eu tome a minha decisão final assim sobre pressão!
Ela saiu da cozinha deixando um vazio no coração dele.
***
Alberto subiu ao quarto dos pequenos e encontrou Téo brincando com o móbile sobre o berço, ficou olhando aquela cena, lembrando do dia que descobriu o menino, entre a morte de Gaia e o lugar onde ele estava tanta coisa passou por sua cabeça, estava aflito pela criança abandonada sem ninguém mas o que lhe deixava mais nervoso era pensar o que aconteceria quando Adélia descobrisse tudo. Fora um tolo, ela era uma mulher compassiva, iria sentir alguma coisa, mas jamais o deixaria pela criança, já deixou isso claro, sua atitude era com relação a armação dele, a mentira em que envolveu todos.
Ali olhando o menino seu coração se encheu de ternura, todos tinham razão ele não era culpado de nada. Andou até o berço e chamou a atenção dele.
–Oi mocinho, chega de dormir?
O bebê balançou os bracinhos e com tentando conversar babou por todo o rosto.
–Olha só quer conversar? Quer conversar com o papai? – no mesmo instante que disse isso seus olhos se banharam de lágrimas. – É eu sou seu papai... Vem cá, vamos descer na sala para brincar, senão vamos acordar a Maria.
Pegou o menino que bateu em seu rosto faceiro com a atenção.
(Continua)
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