Um Amor que Cura
27 Discussão Familiar
Notas iniciais
Adélia acordou e sem lembrar imediatamente dos últimos acontecimentos procurou Alberto ao seu lado na cama, mas assim que sua mão tocou o lugar vazio e frio sua memória trouxe as mais dolorosas recordações.
Era a primeira noite que dormia sem Alberto ao seu lado, foi difícil encontrar o sono mas quando finalmente se rendeu a ele, mergulhou num mundo onde não havia nada fora do lugar em sua vida, o mundo dos sonhos. Mas ao acordar a realidade voltou com força total.
Adélia ficou ali uns segundos refletindo sobre tudo quando escutou o choro da Maria no outro quarto. Levantou rápido pôs um casaco por cima da camisola e foi até lá.
Encontrou a pequena sentada no meio do bercinho com os olhos vermelhos.
–Bom dia pequenina! — abriu um sorriso enorme ao ver a menina erguer os bracinhos para ela. -Acordou cedo, vovó deve estar na cozinha e nem te escutou não é?
Adélia acomodou a menina em seus braços e desceu até a cozinha.
–Joana?
–Aqui menina!
–Olha só quem estava acordada. — Maria estava com a cabeça apoiada no ombro de Adélia toda manhosa.
–A sua sapeca a vovó não disse que logo levaria seu mamazinho.
–Joana, onde está Alberto? Já levantou?
–Saiu cedo, acho que nem dormiu, passou maior parte do tempo na biblioteca. Coitado minha filha, você devia perdoá-lo.
–Por favor não quero falar sobre isso... Vamos vovó me de a mamdeira dessa menininha que eu vou alimentá-la.
–Vai deixar o menino morar aqui? — Joana perguntou enquanto observava a moça carinhosa dando mamadeira para sua neta.
–Joana, essa é a casa do pai dele, não tenho que dar minha permissão, é uma coisa obvia.
–Claro... talvez eu deva colocar Maria no meu quarto para usarem o quartinho..
–Por Deus Joana não... Tem milhares de quarto essa casa, aconselharei Alberto a arrumar aquele em anexo ao quarto que está usando.
–E quando o seu filho nascer...
–Ai Joana, não quero nem pensar muito... Mas já va se preparando talvez tenhamos que nos mudar.
–Para onde?
–Tenho um dinheiro guardado podemos alugar uma casinha pequena... Mas veremos isso depois. Hoje vou me reunir com a equipe da formatura, está perto Joana, meu curso praticamente já acabou.
–Adélia... Desculpe me atrever a dizer isso, mas tente entender o lado de Alberto...
–Joana minha querida, não me atormente logo cedo. Quero eu mesma pensar em tudo que aconteceu sem interferências...
–Como quiser.
Joana tinha uma certeza em seu coração Adélia amava Alberto, prova maior que os olhos marejados ao falar sobre mudar de casa, em seu intimo desejou que tudo desse certo no final, uma história como a deles não podia acabar assim.
***
Mais tarde quando Adélia voltou da reunião sobre os preparativos da formatura, encontrou a seguinte cena em sua sala: A mãe de Alberto aos prantos, o pai dele fazendo inúmeras acusações e Alberto escutando tudo em um silêncio absurdo.
–O que está acontecendo aqui? -perguntou para Estela que tinha trazido uma água com açúcar para a sogra.
–Senhora, parece que os pais do senhor Alberto descobriram que ele tem um filho...
–Meu Deus e como descobriram?
–Não sei direito. — cochichou a empregada. -Mas parece que foi sua mãe.
Adélia sentiu a raiva subir, sempre ela, aquela mulher arrogante e prepotente, não entendia como a mãe conseguia disseminar tamanha rede de intrigas.
–Ande Alberto fale com sua decisão! — esbravejou o sogro.
–Decisão? Que decisão?
Adélia disse fazendo com que os olhares fossem para nela.
–Oh querida! Que vergonha! — a mãe de Alberto levantou indo abraçar aos prantos a nora.
–O que é isso tudo?
–Adélia, quero dizer que sinto muito pela atitude leviana do meu filho, jamais imaginei que haveria um bastardo na minha família, mas estou prestes a resolver tudo.
Adélia com firmeza afastou os braços da sogra de si e se colocou ao lado de Alberto.
–Resolver tudo? Alberto pelo amor de Deus o que estão falando.
–Meu pai quer que o menino vá para a adoção...
–Faremos tudo na surdina ninguém jamais saberá da existência desse garoto.
Adélia olhou incrédula para Alberto.
–Essa a decisão que tem que tomar?
–Meu filho virou um palerma da noite para o dia! Ele tem duas opções ou o menino vai para a adoção ou para um orfanato da capital. Já tenho uma família que acolhera a criança.
–Ah, meu Deus parece um pesadelo! — choramingou a sogra.
–Pai... — Alberto estava pálido, olheiras profundas e um leve tremor nas mãos.
–Meu sogro, peço que se acalme. E sogra ninguém morreu para tanto drama. -Adélia buscou toda a sua força e falou com clareza cada palavra. -Em primeiro lugar não admito que venha a nossa casa, chamar meu marido de palerma, quando essa situação se deve a uma ação única e exclusivamente do senhor.
Todos olharam atônitos para ela que continuou.
–Esse menino que chama de bastardo e seu neto...
–Não tenho netos ainda! — o homem falou em furia.
–Já pedi que se acalme! Téo o seu N.E.T.O, não será adotado e muito menos levado a um orfanato. Virá morar aqui com o pai dele, não é mesmo Alberto? Fale isso ao seus pais, e termine logo essa discussão sem necessidade.
–Adélia, vou levar em conta seu estado atual para abrandar essas asneiras que está dizendo, você é a maior atingida, sua mãe mesmo hoje foi ao meu escritório revoltada com esse bastardo.
–Minha mãe é uma mulher sem coração, e não fala por mim. Não me senti de forma nenhuma atingida, afinal Téo é fruto de um relacionamento antes do nosso casamento, a mãe dele só se afastou de Alberto... Bom o senhor sabe melhor que eu. Sabe sogro outro dia disse que não quero mais a presença de minha mãe na nossa casa, não quero ter que pedir isso ao senhor.
–O que é isso? Alberto vai deixar sua esposa falar comigo assim?
–Chega! Chega pai, ela está certa, quero que vá embora de minha casa agora, e só volte se for para visitar seus netos, Téo virá morar conosco, e será amado como deve ser, ele é um inocente nessa história que o senhor mesmo começou. Não tem o direito de vir a minha casa desaforar a minha e minha esposa e muito menos o meu filho.
–Seu insolente. Vamos sair dessa casa, esses dois estão cada vez mais malucos, só digo uma coisa Alberto não quero ver meu nome na lama, esse menino não merece meu sobrenome!
Os dois saíram deixando Adélia e Alberto paralisados no meu da sala.
–Adélia, eu não pretendo trazer o menino pode ficar tranquila... Ele vai ficar com Glória.
–Que absurdo é esse? Não me deixe mais decepcionada com você que já estou Alberto!
–Mas eu pensei...
–Téo deve ficar com você, como a mãe dele queria e jamais pediria que fizesse ao contrário. Ele é seu filho!
–Adélia... — ele buscou o olhar dela. — Você é tão maravilhosa...
–Não Alberto, não sou... Por mais que acredite que o lugar do menino é ao seu lado, não sei ainda se o meu é!
Adélia saiu o deixando com aquela resposta dolorosa.
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