Um Amor que Cura
28 Uma coisa de cada vez...
Notas iniciais
Alberto acordou de uma noite insone, cansado e desejando que tivesse uma máquina do tempo para trazer de volta seus dias felizes ao lado da Adélia, tão poucos mas tão intensos.
–Bom dia Joana! — cumprimentou sentando-se para o café da manhã.
–Bom dia senhor.
–Joana, Adélia não levantou ainda?
–Já sim senhor, levantou e saiu.
–Saiu tão cedo...
–Foi dar o nome para fazer trabalho voluntário na casa de saúde dos idosos, lá sempre estão precisando...
–E ela quer passar o máximo de tempo longe de casa...
–Não, senhor não diga isso, só que não está sendo fácil para ela.
–E para mim Joana... Num dia eu tenho o amor da minha vida nos meus braços no outro a única coisa que tenho é uma dor do vazio que ela deixa quando não está comigo.
Joana teve pena do rapaz, com olheiras profundas e aparência cansada.
–Alberto, tenho um carinho quase que de mãe por você... — Joana puxou uma cadeira e sentou ao lado dele, para surpresa de Alberto. — Me desculpe o atrevimento, mas eu conheço essa menina teimosa desde que ela estava na barriga da mãe dela, e acredite ela é teimosa demais...
Alberto deu um sorriso e segurou a mão da negra entre as suas.
–Sinto Joana que pode me ajudar... Seja o que for me diga.
–Primeiro precisa parar de agir como um derrotado, com todo o respeito, ela não está acostumada com esse seu jeito de que não sabe mais que rumo seguir...
–Acontece que eu não sei mesmo! — interrompeu.
–Então trate de descobrir... Segundo traga o menino para perto de você...
–Não posso, como vou fazer isso com Adélia, grávida tendo que receber um filho que não é dela?
–Mas é seu, e ela o ama com toda a força do mundo, esse pequeno é seu passaporte para o coração da menina que está machucado pela mentira e desconfiança.
Alberto ficou pensativo.
–Você pode ter razão... Mas eu mesmo não sei como lidar com essa criança.
–Veja, Adélia se apegou a Maria como se fosse sua própria filha, porque seria diferente com uma criança que carrega seu sangue? Senhor Alberto, precisa nutrir carinho por seu filho, isso vai fazer bem a todos, depois as coisas vão se desenrolar naturalmente.
Alberto levou a mão de Joana aos lábios e beijou ternamente.
–Minha querida Joana, como diz Adélia, não sei como faria sem você.
–Se quiser, eu posso colocar Maria no meu quarto para que o senhor arrume tudo lá.
–Ora Joana até agora estava me dando bons conselhos... — riu brincalhão. — Como posso tirar Maria do quarto que eu mesmo preparei para ela, sabe essa conversa me deu uma luz... Não vou arrumar um quarto novo para o Téo, vou fazer melhor!
–Não entendi senhor...
–Chega de senhor! Chame-me de Alberto, agora você é como minha mãe Joana, e trate-me como um filho certo? Agora preciso sair, quero que prepare um almoço bem gostoso, vou almoçar em casa.
Falando isso deu um beijo no rosto de Joana e saiu alegre.
***
Mais tarde Adélia chegou em casa e na entrada já sentiu o cheiro da comida maravilhosa.
–Hum que cheiro bom... — disse entrando na cozinha.
–Ai que susto menina!
–Ei Joana está fazendo algo de errado para se assustar?
–Não, mas estava distraída.
–E Maria? Quando sai dormia feito um anjo.
–Está agitada com as novidades.
–Novidades? — Adélia ficou curiosa.
–Suba menina e veja com seus próprios olhos.
–Joana? O que está me escondendo?
–Nada, vai lá Estela está ajudando.
Confusa Adélia subiu os degraus e foi até o quarto de Maria. Surpresa encontrou um berço cheio de adornos azuis ao lado do bercinho da menina.
O coração acelerou quando foi se aproximando do bercinho e encontrou o pequeno Téo adormecido agarrado a um ursinho panda. Com os olhos cheios de lágrimas se curvou sobre o bercinho e fez carinho no menino que ressonava tranquilo.
–Oi Téo, seja bem-vindo... — disse baixinho.
Escutou um barulho e virou encontrando Alberto com Maria que também dormia nos seus braços numa poltrona atrás que não tinha reparado ao entrar.
–Alberto?
–Desculpe você entrou tão quieta não quis te assustar. Ela não conseguia dormir de tão agitada então tive que niná-la um pouco. — disse levantando e colocando-a no berço, ajeitando com cuidado o corpinho dela sobre os olhares atentos de Adélia. -Podemos conversar lá embaixo?
–Claro. — ela respondeu sussurrando.
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–Espero que você não tenha ficado chateada de colocar o Téo no quarto da Maria, mas achei que seria o ideal.
–Não fiquei chateada, só surpresa.
–Desculpe não ter te avisado, mas depois do circo dos meus pais, achei que era o correto.
–Pare de me pedir desculpas! A casa é sua, e lógico que o menino tinha que ficar perto do pai. Quanto a usar o quarto da neném, achei até bom, assim Joana e Estela terão mais facilidade para atender os dois.
–Sim. Glória quase não me deixou trazê-lo se apegou muito a ele... Fez eu prometer que poderá vim visitar toda tarde.
–Claro, acho bom que não perca contato com a tia.
–E quando nosso filho nascer, bom a gente pode mudar tudo para um quarto maior ou arrumar um quarto só para ele.
Alberto arriscou falar sobre o filho para ver a reação da moça. Mas ela limitou-se a dizer.
–Isso veremos depois. Agora vou subir, estou um pouco indisposta...
–Mas a Joana fez um almoço maravilhoso.
–Eu senti o cheiro, se puder Alberto, pedir para ela preparar um prato e me levar no quarto.
–Claro, se você quer assim.
Ele deu uma última olhada para Alberto e saiu.
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Antes de entrar no seu quarto ela deu uma olhada nos bebês e achou Téo sentado na cama brincando com o ursinho.
–Oi... Lembra de mim? — ela se aproximou com cuidado. — Outro dia nos vimos e você estava dodói.
O menino abriu um sorriso como se tivesse entendendo e esticou os bracinhos.
–Quer um colinho é? Aposto que a titia Glória te enchia de mimos né? Vem cá.
Adélia o pegou que logo começou a brincar com a correntinha no pescoço dela.
–Você gostou dela né? E esse seu ursinho? Quem te deu?
Pegou o ursinho e se pôs a brincar com ele que sorria gracioso.
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Joana encontrou Alberto descendo as escadas sorridente.
–Joana! Minha Joana querida! — abraçou a mulher.
–Que isso meu filho! Que felicidade!
–Você não vai acredita, mas ela subiu com cara de poucos amigos, mas está lá sorrindo linda brincando com... Com o menino.
–Com seu filho?
–É... Você tinha razão Joana, essa nossa teimosinha se rende fácil...
–Agora o senhor, digo, você precisa se render...
–Eu? Já sou rendido de amor por ela Joana! — falou todo bobo.
–Precisa se render ao seu filho, acha que não reparei que não o pegou uma única vez?
O rapaz teve que concordar, apesar de saber que Téo não tinha culpa de nada, não conseguia ter afeto verdadeiro pelo menino, nem mesmo conseguia aceitar que era seu filho de fato. Mas precisava ouvir Joana e mudar sua atitude.
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