Um Amor que Cura
23 Delicadezas
Notas iniciais
Os primeiros dias após a morte da filha foram terríveis para Joana, Adélia e Alberto insistiram para que ela tirasse uns dias de descanso, recusou e continuou sua rotina normal.
Quando se contavam cinco dias após a morte Alberto preparou uma surpresa enquanto Adélia estava em seu curso, Joana fazia compras e Estela cuidava de Maria na sala. Quando a esposa chegou em casa a conduziu até o quarto de hospedes ao lado do quartinho onde estava montado o bercinho da neném.
–Que isso Alberto? – ela admirou o quarto antes apenas uma cama e um armário, agora cheio das coisas de Joana.
–Acho que chega de Joana dormir nos aposentos dos empregados ela é da família e nada mais justo que ficar perto da neta. Por isso arrumei todas as coisas dela aqui.
–Mas fez isso sozinho? – olhou para ele admirada.
–Sim... Estela está cuidando da pequena e Joana foi ás compras.
–Meu Deus. -Adélia pulou no pescoço do marido. – Você é incrível!
–Só fiz o que acho certo! Ei mocinha, não que eu não goste de você eufórica assim, mas cuidado, sem movimentos bruscos. -falou com ela nos braços e batendo com o dedo na ponta no nariz dela.
–Não posso abraçar meu marido? – ela disse sorridente.
–Pode mas cuidado, lembre-se precisa ter cuidado com nosso bebê.
–Estou me sentindo a mulher mais mimada desse mundo.
–É? -Alberto a pegou desprevenida e a pôs em sue colo.
–Alberto? – ela riu.
–Vou mimar você mais um pouquinho.
Alberto a levou nos braços, para o quarto e com delicadeza a colocou na cama.
–Eu já disse que você é a mulher mais linda desse mundo.
–Até parece, já estou engordando meus vestidos começaram a apertar.
–Não, está linda e sedutora. — ele disse deitando ao lado dela na cama, acariciando de leve seu rosto.
–É? — disse charmosa.
–Sim! Cada dia mais... E essa sua barriguinha deixa tudo mais perfeito.
Ele colocou a mão no ventre dela.
–Então... Vai ficar me mimando ou vai me beijar? – ela perguntou atrevida.
–Um minuto. — ela observou ele colocar a cabeça na barriga levemente protuberante dela e sussurrar. — Oi meu bebê lindo, espero que esteja bem ai dentro, mas quero que fique bem comportadinho agora, porque vou encher de beijos a sua mãe.
Adélia sorriu encantada enquanto ele deixava um beijo na sua barriga e depois procurava seus lábios num beijo intenso.
***
–Menina não posso aceitar.
–Como não?
– Eu sou só uma empregada e... – Joana encheu os olhos de lágrimas.
–Não, você é muito mais e eu queria ter arrumado o quarto para você, mas a sorte é que Alberto não deixa passar nada...
–Eu agradeço...
–Nada disso, a senhora vai dormir no seu novo quarto e acabou!
Joana não teve como argumentar, ver os olhos sorridentes daquela que agora era como sua única filha, era sua maior alegria.
–Tudo bem, eu mudarei para o quarto de cima, mas não quero pensar no que sua mãe vai dizer.
–Minha mãe não mora aqui e nós duas sim. Venha vamos tomar um chá estou com vontade de comer aqueles seus bolinhos de chuva. Hummm só de lembrar me da água na boca.
–Começaram os desejos de grávida.
–Desejos de grávida? Que desejos? – Alberto surgiu escutando o final da fala de Joana.
–Oi amor, estava falando para Joana que estou com vontade de comer bolinho de chuva.
–Joana, ainda bem que isso é fácil, já pensou se pede alguma coisa impossível de arrumar?! Nem quero pensar.
–Que drama vocês dois, eu hein!
Eles riram descendo para a cozinha.
__________
Longe dali...
–Glória, precisa de alguma coisa da cidade?
–Hum, deixe me ver... Já fiz uma lista do que precisa me trazer.
Nestor pegou a lista sentindo o arrepio que as pontas dos dedos da mulher causavam nele. Estavam ocultos ali já fazia algum tempo, estava cada vez mais encantado pela irmã do amigo, carinhosa e protetora cuidava do sobrinho com uma demanda de amor inacreditável.
–Irei falar com Alberto também, saber como andam as coisas lá...
–Pobre do meu irmão, nessa situação medonha, devia se desatar disso logo e contar tudo para Adélia, mulher nenhuma merece não saber algo assim.
–Verdade, sinto pelo meu amigo, cada dia mais envolvido nessa teia, quanto mais passa o tempo mais doloroso será para a Adélia quando descobrir.
–Eu entendo que a gravidez é arriscada, mas acho que a verdade é sempre melhor.
–E o menino?
–Dormindo como um anjinho, esse inocente nem sabe a sina que carrega. Não acredito que meu irmão mal o pegou no colo antes de partirmos.
–Glória ele não conseguiu nutrir um afeto pelo filho, embora eu tenha visto algum carinho no modo como ele cuidava do filho os dias que ficamos na capital, é pouco perto do amor de pai para filho.
–Mas eu tenho fé, quando isso acabar, se Adélia perdoar meu irmão, Téo vai ser bem recebido, partiu meu coração ver ela com o menino nos braços aquele dia na central médica, tão delicada, mal sabia que estava com o enteado...
–Isso é o que mais temo, Adélia é uma mulher afrente de seu tempo, passou a amar Alberto de uma forma genuína e é uma pessoa inacreditável, ele mesmo relata o amor dela com a neta da negra Joana... Mesmo assim saber que por breve momento carregou o filho do marido nos braços sem nem desconfiar, não posso imaginar sua reação.
–Bom, vamos entregar nas mãos de Deus... Ficara desanimado sem você aqui...
Nestor sorriu pegando com delicadeza a mão de Glória.
–Voltarei o mais rápido que puder, não vou deixar você aqui sozinha. -deu um beijo casto na mão dela e com uma troca suave de olhares seguiu seu caminho.
Glória passou os dedos sobre a mão que Nestor tinha segurado e abriu um enorme sorriso, não acreditava que encontraria um amor um dia, já que já tinha sido casada e não era comum mulheres viúvas reconstruírem sua vida amorosa, mas seu coração estava aquecido com as gentilezas de Nestor.
Fale com o autor