Um Amor que Cura
24 Revelações- Primeira Parte
Notas iniciais
–Amigo que bom vê-lo aqui!
Nestor havia chegado recente na cidade e foi logo encontrar com Alberto em seu escritório. Queria ser o mais rápido que conseguisse e voltar para junto de Glória e a criança.
–Vim buscar algumas coisas que estão faltando e você meu amigo como está?
–Angustiado... Sente-se e me conte como estão minha irmã e o menino?
–Sua irmã está tão angustiada quanto você, mas vai bem graças a Deus e seu filho, segue saudável.
–Sim... Meu filho... — Alberto falou após sentir o reforço do amigo nessa palavra.
–Me diga Alberto ainda não contou a Adélia?
–Fale baixo pelo amor de Deus! Sabe que meu pai está no escritório ao lado. Ah Nestor, tantas coisas acontecendo aqui, a poucos dias a filha de Joana cometeu suicídio e Adélia que estava fortalecida teve uma recaída, sua gravidez é muito delicada.
–Temo por você meu amigo, está perdendo tempo ao lado do seu filho e pode está perdendo oportunidades de falar com a mulher que ama sobre tudo isso...
–Eu sei... Não aguento mais... Contei a ela por cima sobre Gaia...
–Como?
–Enquanto estive fora a mãe dela,, venenosa, falou sobre meu caso com um a mulher na capital, minha Adélia, esperou até agora para tocar no assunto, contaria tudo ali naquela hora, mas a fatalidade com a filha de Joana tornou tudo mais difícil.
–Meu amigo, eu e sua irmã, achamos que quanto mais você demorar pior será suas chances de perdão.
Alberto encarou o amigo desolado, sabia que Nestor e Glória tinham razão, mas o que poderia fazer para não prejudicar a gravidez da esposa ao revelar que já tinha um filho.
***
–Está ardendo de febre senhora! — Danubia, dama de companhia de Glória media a febre do pequeno Téo.
–Meu Deus amado, justo agora que Nestor está na cidade, o que faremos?
–Precisamos levar de volta para cidade...
–Não podemos mulher! Veja o que vão dizer se aparecermos com esse menino lá novamente.
–Não disse que era meu filho? Posso fingir que de fato é...
–Querida, sua reputação ficaria manchada se isso espalhasse... É uma menina de família...
–Mas meus pais e meus irmãos moram tão longe, nem saberão, o que me preocupa é o menino, a noite toda com essa febre, está até gemendo de tanto delirar.
–Céus o que faremos...
–O capataz está lá fora caso precisamos ir ao centro.
–O que faço...
Téo choramingou no berço.
–Senhora pobrezinho está até delirando com essa febrão!
–Vá, vá Danubia, avise ao capataz para organizar tudo e iremos para a cidade e seja o que Deus, nosso senhor, quiser!
–Sim senhora! — a moça saiu em disparada, deixando Glória com o sobrinho.
***
–Mãe, pelo amor de Deus, não quero escutar suas fofocas!
Adélia havia acordado com a desagradável visita de sua mãe, tinha ficado até mais tarde na cama para descansar para seu último plantão voluntário antes da formatura em poucas semanas.
–Você não me escuta, mas escuta essa negra velha, tanto que a trata como da família.
–Chega! Vá embora! Não quero escutar suas ofensas a minha querida Joana.
–Me diga filha, enquanto colocava essa negra e sua neta bastarda no status de família, tirou tempo para perguntar a seu marido sobre a viagem a capital?
–Não acredito que ainda essa história!
–Preste atenção Adélia, escutei uma conversa terrível hoje cedo!
–Hoje cedo? Nem são dez horas e já escutou conversas terríveis? Ah por favor mamãe, me deixe sim!
–Na verdade escuto coisas há mais de dois meses, mas no seu estado delicado, não quis trazer preocupações, já pensou se perde essa criança estamos perdidos!
–Não, hoje não é meu dia! Diga mãe, sei que enquanto não destilar todo seu veneno não vai me deixar em paz, então diga de uma vez! -Adélia sentou no sofá na frente da mãe.
–Lembra da tal viagem a capital?
–Sim, claro que lembro.
–Então, sei de fonte segura que Nestor e Alberto voltaram de lá com uma criança! E hoje cedo enquanto acompanhava seu pai numa conversa com o pai de Alberto, sobre umas obras da prefeitura, vi esse rapaz em conversa com Alberto, não pude escutar muita coisa, mas falavam sobre um menino, e tenho certeza que escutei a palavra filho... A porta estava entreaberta e eles nem perceberam...
Adélia firmou os olhos na mãe, achando que ela estava louca, tanto desejo de poder e riqueza acompanhado de grandes doses de egoismo e prepotência deviam ter feito mal as suas faculdades mentais.
–Escute Adélia, não faça essa cara de quem acha que estou louca, a tal criança ficou aos cuidados de Glória por alguns dias eu sei que era um menino...
Adélia teve um estalo se lembrando na hora do bebê que com Glória no centro médico logo Alberto voltará de viagem.
–Como assim? Quem te disse isso?
–Uma costureira, que trabalha a anos para a família de seu marido e por ventura agora que perdi Joana, a melhor costureira que já conheci, tive que justar outra pessoa...
–Uma costureira? Por favor mãe, se dando a isso? Mexericos de funcionários?
–Você é uma inocente minha filha, não vê maldade em nada...
–Pelo contrário mãe, vejo maldade e muita... Na verdade vejo maldade em sue olhos agora, me fez entrar nesse casamento fadado ao fracasso, com uma pessoa que mal conhecia e agora que estou feliz, esperando um filho do homem que aprendi a amar vem com essas histórias... O que quer? -Adélia levantou nervosa. — Quer que acredite que meu marido tem um caso com uma mulher na capital? Mãe ele me falou da tal Gaia, está morta!
–Morta?
–Sim mãe, não sei detalhes, mas eu preferi assim...
–Então essa criança pode ser mesmo dele, isso explicaria Glória ter partido para o interior de um dia para o outro... Com a mãe da criança morta resta ao pai os cuidados...
–Mãe? Olha o que diz sem saber de nada! A criança é de Danubia, uma dama de companhia de minha cunhada!
A mãe encarou incrédula e preocupada com a alteração da filha.
–Se acalme Adélia, pense no seu filho...
–E você pensou no seu neto quando decidiu vim me falar essas bobagens? Vá embora e não volte tão cedo se não for para fazer seu papel de mãe zelosa! Vá!
–Tudo bem, eu irei... Mas espero que se essa criança for de Alberto você não deixe ele ocupar o lugar que é apenas do seu filho, um bastardo, vai ser um escândalo e não vou suportar, já chega minha filha ter se deitado com um negro agora isso...
A mãe saiu deixando Adélia em choque. Joana que esperava atenta na porta da sala correu até ela.
–Menina, que horror...
–Ai Joana... Joana... Traga uma água por favor...
Adélia sentiu uma forte tontura e se apoiou no sofá sentando devagar.
–Como pode essa mulher Joana...
–Menina tome a água e se acalme...
–E essa agora? De fato eu vi uma criança nos braços de Glória, um menino lindo e por Deus, até com uma leve lembrança dos traços de Alberto!
–Não acredite nessa ladainha de sua mãe!
–Não Joana, isso está muito estranho. A viagem para a capital, a criança nos braços de Glória, a ida dela para a casa no interior sem avisar nada, o sumiço de Nestor, o humor de Alberto tão alterado nos últimos meses...
–Pode ser só por causa da gravidez, homens não lidam muito bem com as mudanças das mulheres...
–Não, não é só isso... Alberto continua demostrando todo o carinho e o afeto por mim, mesmo com as mudanças até no meu corpo, mas tem momentos que parece perdido nos pensamentos, cheio de dúvidas e medos, vejo no olhar dele...
–O que vai fazer?
–Por hora nada... Vou me arrumar e ir para o centro médico. A noite vou ter uma conversa franca com meu marido. E Joana por Deus, se ele mentiu para mim, se ele tem um filho e não me contou nada, não vou perdoar ele nunca!
Adélia passou a mão na barriga com medo do que estava por vim.
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