Um Amor Shinobi
8 Presa
Notas iniciais
Hinata estava imersa na escuridão.
Ela não sabia quem ou o quê era. Não sabia de onde veio. Não sentia absolutamente nada. Ela era apenas um grão de areia insignificante. A única coisa que escutava era alguém chamando seu nome.
Então, veio a luz... do sol? Não, aquilo era apenas uma lembrança. Uma lembrança de alguém que ela não reconheceu. Essa pessoa tinha cabelos loiros que pareciam brilhar com o sol. A pele toda dessa pessoa brilhava como se fosse feita de ouro. Seu rosto estava cheio de pressa e angústia. Ele tentava chegar até Hinata... até que ele sumiu...
Naruto.
A consciência de Hinata começava a voltar. O nome daquele garoto era Naruto. Ele não era amarelo, mas seu corpo estava envolto por... chakra? Sim, deveria ser isso. Era a voz dele que chamava seu nome. Foi a voz dele que tentava fazê-la voltar a si.
A primeira coisa que Hinata sentiu foi uma dor forte e latejante na parte de trás da cabeça. Tentou levar sua mão até lá, mas algo frio não permitia. Ela enfim abriu os olhos com dificuldade. Estava num lugar escuro e úmido, iluminado precariamente por velas. Hinata estava deitada em algo frio, e ela logo percebeu que era uma mesa de pedra. Olhou para suas mãos; estavam acorrentadas. Os calcanhares também. Ela logo percebeu que aquelas correntes não eram normais.
Então, as lembranças voltaram com força na mente de Hinata. Ela estava com Naruto quando alguém invadiu a vila. Centenas de estranhos bichos emergiram do chão. No momento, a única coisa que ela pensou foi que deveria proteger sua irmã. Correu até a clareira onde a menina costumava treinar, encontrou-a sozinha e encurralada pelos bichos; Hinata apareceu e destruiu todos eles. Ela estava pronta para levar Hanabi para um lugar seguro quando sentiu a presença de alguém, e rapidamente escondeu a irmã. Um homem horripilante surgiu, disse algo que ela não se lembrava; ela tentou proteger-se dele e tudo ficou escuro depois disso.
A única vaga lembrança que ela tinha era a de ver Naruto tentando correr até ela... quando enfim apagou.
Ela então entrou em desespero. Tinha que sair daquele lugar estranho. Observou com dificuldade o local, já que sua visão estava turva. Tentou ativar o Byakugan, mas não conseguiu, e a dor em sua cabeça pareceu ficar ainda mais forte.
– Não adiante tentar usar seu doujutsu. Isso não vai funcionar.
Aquele homem que a capturara apareceu. Ele usava as mesmas roupas e sorria para Hinata — mas não era um sorriso bondoso... era cruel.
– Você enfim acordou, princesa. Ficou tanto tempo desmaiada que achei que algo estava errado. — ele disse, aproximando-se.
A garganta de Hinata estava tão seca que chegava a doer, mas ela disse com a voz rouca:
– O quê você quer comigo?
O sorriso horrível do homem apenas aumentou.
– Que tom acusador é esse? Eu só quero o seu bem.
– Por que eu não consigo acreditar em você? — ela disse.
– Assim você me magoa. — o homem disse, debruçando-se perto dela. — É melhor se acostumar com a minha presença. Vamos passar bastante tempo juntos de agora em diante. Você é uma peça muito importante em meus planos.
O quê ele quer dizer? Tenho que tirar o máximo que conseguir dele, Hinata pensou.
– Por que eu? — ela perguntou.
– Inicialmente eu planejava pegar aquele moleque Uchiha... mas digamos que você é muito mais adorável que ele. — o homem disse, fazendo carícias no rosto de Hinata. Ela tentou se afastar, mas como não tinha liberdade de movimentos, não conseguiu. — E também te capturei para abalar as estruturas daquele moleque barulhento, mas, enfim, isso não vem ao caso.
Abalar as estruturas do Naruto? Como assim?!
– Você ainda não me respondeu o que pretende fazer comigo — ela disse, sua voz ficando mais hostil, mas o homem parecia divertir-se com as reações dela.
– Como eu disse, você é uma peça importante nos meus planos. Se isto fosse um jogo de xadrez, digamos que você seria a rainha. Mas para que você realmente possa ser a minha rainha, preciso prepará-la.
O homem foi até uma bancada que ficava ao lado da parede de pedra e pegou uma seringa enorme cheia de um líquido vermelho. Hinata começou a se desesperar. Ela não podia deixar aquele homem colocar aquilo nela.
Tentou puxar as correntes, mas no momento que fez isso, seus punhos e calcanhares começaram a queimar e ela gritou de dor.
– Não adianta tentar espernear. As correntes vão te queimar cada vez que você tentar puxá-las — o homem disse, aproximando-se devagar, meio que querendo vê-la sentir dor.
Ela tentou ativar seu Byakugan, mas quando fez isso, foi como se tivesse recebido um soco muito forte na parte de trás da cabeça, onde foi atingida pelo homem.
– Também não adianta tentar usar o Byakugan. Eu coloquei um selo na sua cabeça pra que cada vez que tentasse usar seu doujutsu, recebesse uma carga de impacto. Se continuar tentando, seu cérebro vai torrar, e nós não queremos isso, queremos?
Aquela dor atrás da cabeça de Hinata pareceu ter minado suas forças. Ela não conseguia mais se mexer e não conseguia falar, mas observou com horror o homem chegar perto dela com aquela seringa.
– O que essa seringa contém é o sangue de Uzumaki Nagato. Os membros do clã Uzumaki são muito resistentes, você deve saber, e eu preciso fazer com que você fique tão resistente quanto eles para que seu corpo esteja preparado para abrigar o Akuma. Apesar do seu chakra ser especialmente forte para carregá-lo.
O homem colocou a seringa na veia de Hinata, e ela sentiu o sangue entrar, misturando-se com o seu. Ela podia sentir algo estranho acontecer em seu corpo.
– Agora, durma... — o homem colocou a mão em cima dos olhos de Hinata, e ela foi engolida pela escuridão novamente.
***
A Hyuuga acordou exatamente no mesmo lugar de antes. Ela não sabia quanto tempo havia se passado, mas isso não importava.
Ela tinha que sair dali.
Hinata resolveu não tentar usar o Byakugan, pois quando o homem disse que seu cérebro ia torrar, não estava brincando. Ela levantou a cabeça o máximo que podia e observou a sala úmida e gelada de pedra, procurando uma saída. Graças á sua visão suficientemente boa, conseguiu ver a abertura de uma porta quase camuflada na pedra. Mas era inútil saber a localização da porta de não conseguisse se soltar.
Olhou para as correntes e teve calafrios ao lembrar-se da dor que elas proporcionavam. Mas, quando observou bem, as correntes não eram realmente fortes e podiam ser quebradas de ela utilizasse a quantidade certa de força. Não tinha escolha a não ser puxá-las.
Hinata começou a puxar as correntes, fazendo força nos braços e nas pernas. A dor era tão grande que ela pensou em desistir; mas lembrou-se das palavras de Naruto: "Eu nunca vi você fugir de um desafio, Hinata... é por isso que você é forte." Ela não iria desistir. "Naruto-kun acredita em mim, e se ele acredita, eu também devo acreditar." Ela começou a puxar as correntes com mais força ainda, se controlando para não soltar um grito. Só mais um pouco e... clank. As correntes se quebraram.
Ela desceu trêmula da mesa de pedra e pôs os pés no chão frio. Seus pulsos e calcanhares sangravam. Hinata rasgou um pouco de sua calça e amarrou o pano nos ferimentos, para que eles não gotejassem. Fez um pouco de pressão na porta, que se abriu.
A porta levava a um corredor também de pedra, iluminado por tochas. Aqui deve ser algum tipo de forte, ela pensou. O corredor estava surpreendentemente vazio, e ela passou por ele rapidamente, fazendo o máximo pra não provocar ruídos. No fim do corredor encontrou com dois guardas enormes e muito musculosos, mas eles não a viram. Hinata chegou perto deles e deu golpes ágeis e fortes em pontos estratégicos de seus pescoços — a grande vantagem de ter o Byakugan era conhecer cada ponto fraco do corpo humano.
Ela saiu do corredor e deu de cara com um saguão gigante, precariamente iluminado por tochas também. Como ela não viu nenhuma claraboia ou iluminação natural por todo o caminho, imaginou que ali poderia ser um esconderijo subterrâneo. Precisava encontrar uma saída, mas sem poder usar o Byakugan, as coisas ficavam difíceis.
Encontrou uma escada e começou a subi-la, mas topou com dois homem enormes também. Eles olharam-na alarmados. Ela não tinha condições de lutar com eles por estar muito fraca e tentou fugir.
– Ei! Aonde você pensa que vai?! — um dos homens disse e começaram a correr atrás dela.
Ela correu o mais rápido que pôde pelo lugar que mais parecia um labirinto de tantos corredores que continha. Vários outros homens começaram a correr atrás dela, até que Hinata entrou numa sala sem saída.
Virou-se, e mais de vinte caras entraram na sala, encurralando-a.
– Você não vai a lugar nenhum, queridinha. — um deles disse.
– Essa daí é a tal Hyuuga que o chefe trouxe? — um deles perguntou.
– É sim. — outro homem lançou-lhe um olhar cheio de malícia. — Ela é bem mais gostosa do que eu imaginava.
Hinata tentou passar por eles, mas os homens impediram e a jogaram no chão. Eles todos agora lançavam-lhe olhares maldosos e cheios de desejo.
– O chefe não está aqui... o que significa que podemos nos divertir um pouco. — um dos homens aproximou-se de Hinata e levantou sua cabeça pelos cabelos. — Mas você vai ter que ficar quietinha, entendeu?
Os caras começaram a rir, falando coisas como "eu vou primeiro". Hinata agora estava cheia de desespero, e lágrimas começavam a brotar de seu rosto. Ela tentou gritar, mas a voz simplesmente não saía de sua garganta.
Um dos homens encurralou-a na parede e ia começar a descer o zíper do seu moletom, quando recebeu um soco de alguém que o fez cair no chão.
Hinata assustou-se. O homem que havia desferido o soco era alto e loiro, tinha os cabelos longos presos num rabo-de-cavalo e os olhos verdes. Ela logo percebeu que ele era algum tipo de superior aos outros, pois eles se assustaram e não reagiram.
O homem loiro lançou um olhar duro neles.
– Vocês querem morrer? — ele disse, com a voz muito fria. — Se o chefe descobrir que vocês iam estuprá-la, vocês iam ser torturados até a morte.
– Ele não vai ficar sabendo se você não falar nada. — um deles disse. — Qual é, Hideki. Só queremos um pouco de diversão.
– E por acaso você acha que ela não iria contar? — o homem loiro chamado Hideki disse com tanta autoridade que os brutamontes em volta encolheram. — Eu não quero saber se vocês queriam diversão ou não. Essa garota é muito importante nos planos de Katsuo-sama. Se eu desconfiar que ela foi tocada, eu mesmo vou me responsabilizar por matar vocês. Entenderam? Agora, voltem ao trabalho!
Os homens horríveis começaram a sair da sala e Hideki pegou Hinata pelo braço, sem um pingo de gentileza. Ele a arrastou para o mesmo lugar de onde vieram mas, quando colocou-a de volta na sua cela e fechou a porta, disse:
– Você é louca? Quer morrer, é? Não tem chance de fugir sem ajuda daqui.
Hinata queria responder, mas sua garganta doía e ela estava toda esfolada. O homem pareceu notar sua situação e ajudou-a a se sentar na mesa de pedra, trouxe-lhe água e começou a cuidar dos ferimentos da garota.
– Quem é você... e por que está fazendo isso? — Hinata perguntou.
Hideki, que cuidava do ferimento no pulso esquerdo dela, disse:
– Meu nome é Yamanaka Hideki. Eu sou de Konoha, como você. Fui trazido pra cá uma vez que fui capturado em uma missão e agora sou um escravo de Takahashi Katsuo, o homem que te trouxe pra cá.
– Yamanaka? Você é parente da Ino-san? — ela perguntou.
– Ino...? Ela tinha cinco anos quando fui capturado. Eu nunca mais a vi.
Hinata engoliu em seco.
– E-então você não é... do mal?
Hideki deu uma risadinha.
– Mas é claro que não. Eu odeio Katsuo e quero matá-lo com minhas próprias mãos. É por isso que me tornei um escravo exemplar e subi de cargo. Me tornei muito próximo de Katsuo para quando tiver a oportunidade, acabar com ele. Mas quando descobri o que ele está planejando... tive que agir.
– O quê ele quer comigo, Hideki-san? — ela perguntou.
Hideki olhou para o nada, como se estivesse tendo uma lembrança ruim.
– Katsuo anda mexendo com um tipo de demônio muito perigoso chamado Akuma. Faz anos que ele queria possuir o poder desse demônio, mas nunca conseguiu. Fez centenas de experiências para tentar dominar esse poder e todas falharam... até que ele descobriu que precisava de uma pessoa possuidora de doujutsu pra abrigar aquele espírito... ou seja, você.
Hinata sentiu um calafrio correr sua espinha. Ele quer me usar?
– O fato é que se Katsuo conseguir fazer com que Akuma entre no seu corpo, não vai ter mais volta. O poder do demônio vai consumir seu corpo até que sua consciência não exista mais e você vai morrer. Sem contar que se Katsuo conseguir esse poder, vai estar tudo acabado. — Hideki olhou-a. — É por isso que eu vou ajudá-la a fugir.
– C-como? — a garota parecia incrédula.
– Com certeza Konoha já enviou times de busca á sua procura, e eu vou tentar entrar em contato com eles. Eu sou o único que tem permissão para sair desse lugar e ir até uma certa distância. Eu vou usar telepatia para enviar algumas mensagens rápidas para eles, informando-os sobre a sua localização. Katsuo planeja colocar uma dose diária de sangue Uzumaki em você, e isso vai durar uns dias até que tenha o suficiente, por isso temos tempo. Vou lhe dar um mapa do esconderijo pra que quando chegue a hora certa, você possa sair daqui. — Hideki olhou bem nos olhos da garota. — Mas antes preciso saber, Hinata-san... você confia em mim?
Hinata pensou um pouco, indecisa. E se ele estiver mentindo? Mas então ela percebeu que não tinha escolha a não ser confiar nele.
– Eu confio. — ela disse com convicção.
Hideki pareceu satisfeito.
– Então você vai ter que fazer exatamente o que eu disser se quer sair viva daqui.
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