Um Amor Shinobi
22 Possessivo
Notas iniciais
[...]
O beijo do loiro era completamente viciante: feroz e quente, mas ao mesmo tempo ele segurava-a com delicadeza e firmeza. Hinata era bem mais baixa que ele, por isso Naruto enlaçou-a e a levantou do chão, fazendo com que os pés dela pairassem no ar; Hinata agora abraçava seu pescoço, pondo a mão timidamente em seus cabelos rebeldes e loiros. Ela havia imaginado aquilo muitas vezes, mas viver aquele momento era centenas de vezes melhor do que jamais poderia pensar — os lábios, o toque, o cheiro de Naruto, tudo nele fazia amá-lo ainda mais.
Ambos estavam tão felizes que poderiam ter ficado ali para sempre, naquele momento que ninguém jamais poderia interromper ou arrancar de suas memórias. Finalmente estavam juntos... depois de tantos anos de espera.
E Naruto jurou para si mesmo que nunca mais deixariam que alguém arrancasse a sua Hinata de perto dele.
–
O horário de visitas havia começado.
Naruto fora obrigado a sair do quarto de Hinata, mesmo não querendo — não ia ser muito bom se os Hyuuga o encontrassem lá, sozinho com ela...
Logo, os familiares vinham visitá-la. Apenas três pessoas de cada vez podiam ficar lá por um período de tempo, o que significava que seria uma longa hora de visitas — todo o clã queria vê-la, saber se estava bem. A verdade era que todos os Hyuuga gostavam bastante de Hinata, não porque ela era a filha do chefe do clã, mas porque criaram uma forte afeição pela garota.
Várias pessoas vieram para visitá-la, inclusive Kiba, Shino e Kurenai, junto com o seu filho. Até que Hanabi, Hiashi e Neji adentraram no quarto. Hanabi abraçou a irmã e começou a chorar (apesar de Hanabi não ser tão tímida como Hinata, era bem mais chorona que ela); Neji foi educado e formal como sempre, mas o rapaz apresentou um largo sorriso por estar genuinamente feliz por vê-la bem. Apesar de Neji já ter odiado a família principal no passado, agora via Hinata como uma irmã mais nova. Até que Hiashi aproximou-se da filha.
Hinata fez uma reverência para o pai. Hiashi colocou uma mão em cada ombro da garota, fitou-a veemente, fazendo a filha pensar que ele iria repreendê-la. Mas então, Hiashi sorriu e disse:
– Estou orgulhoso. Você provou seu valor ao lutar contra Katsuo. Fico feliz que esteja de volta em segurança.
O homem não era nem um pouco sentimental, por isso ela não poderia esperar mais dele — mas isso já era muito mais do que ela esperava. Hiashi sempre fora muito rígido com ela, sempre esperando demais, sempre com um olhar de desaprovação para Hinata. Mas agora, ele acabava de dizer que estava orgulhoso... ela não poderia se sentir mais feliz. Os olhos encheram-se de lágrimas, mas ela as secou, reverenciou o pai novamente.
– Arigatou, Oto-sama. — Ela disse, sorrindo.
Escutaram uma leve batida na porta do quarto, e Sakura apareceu.
– Com licença. Me desculpem se estou intrometendo, mas é hora do medicamento de Hinata.
Os Hyuuga deram passagem para Sakura, esta foi até Hinata, preparando a agulha que injetaria na veia da garota. Quando Sakura aproximou-se, disse quase que imperceptivelmente:
– Tomara que o baka não tenha feito besteira. — Depois piscou e deu um sorriso de divertimento.
Hinata corou; "Então, ela já sabia que o Naruto-kun vinha aqui?" olhou para os lados, disfarçando. "Mas é claro que ela sabia, afinal, são melhores amigos."
– Hinata ainda tem algum problema sério? — Neji perguntou.
– Não, ela está praticamente curada, mas devo aplicar esse medicamento por causa da desidratação. Logo no final do dia vou dar alta pra ela. — Sakura disse, virando-se para os três, depois, depois despediu-se e se retirou do quarto.
Sakura passava pelos corredores, imersa em pensamentos. Pela expressão de Hinata, provavelmente alguma coisa devia ter acontecido com os dois sim. "Vou perguntar pro Naruto depois", ela pensou.
– Sakuraaa! — Ela escutou alguém chamar, e era Ino. Ela usava roupas normais e tinha alguns curativos. — Ainda trabalhando?
– Sim, eu fiquei de plantão a noite passada, mas já vou voltar pra casa. — Sakura disse. — O que veio fazer aqui?
– Vim visitar a Hinata-chan, e também pegar alguns papéis importantes... você sabe, agora eu trabalho da Divisão de Inteligência, não vou ter tempo pra trabalhar no hospital. Mas, ei, é verdade que você vai morar sozinha? Como é que seus pais concordaram com isso?
– É verdade, sim — Sakura disse, começando a se animar. — Meus pais não ligaram muito porque não é muito longe da casa deles. Vou sair mais cedo pra começar a mudança.
Sakura decidira morar sozinha por causa dos plantões. A casa dos pais não ficava muito longe do hospital, mas mesmo assim, o tempo que ela gastava para chegar até lá era muito grande em caso de emergências, por isso Sakura passaria a morar sozinha em um apartamento que ficava bem perto do hospital.
– Nossa, que legal! Se quiser ajuda com a mudança, eu estou disponível hoje! — Ino disse.
– Tá bom, espere aqui no hospital até meu turno acabar... daqui a vinte minutos. — A rosada disse, e as duas despediram-se.
Sakura saiu daquele corredor sendo seguida por um par de olhos ônix. Sasuke observava-a, encostado no parapeito da porta do seu quarto hospitalar. As duas sequer perceberam a presença dele, mas Sasuke não queria ser visto. A conversa delas acabou chamando sua atenção.
"Quer dizer que ela vai morar sozinha... interessante."
O moreno entrou em seu quarto e fechou a porta, dirigiu-se até a grande janela. Já fazia algum tempo que Sakura não saía de seus pensamentos, principalmente depois que ele fez aquela estranha "cena" com ela durante a luta contra a Quimera. "Não quero que olhem pra você". Até agora ele não entendeu muito bem o por que de ter dito isso, mas era verdade. Sasuke ficava com raiva só de pensar em ter alguém olhando ou tocando em Sakura...
Alguém que não fosse ele.
Mas, apesar de Sasuke estar realmente começando a sentir algo estranho por ela, aquilo não chegava a ser ciúmes, e sim possessividade. Sakura sequer era dele, e o rapaz não queria que outro alguém encostasse nela. O Uchiha sempre fora muito possessivo quanto ás coisas que desejava, e agora mais do que nunca. Os planos de Sasuke sempre foram "vingar-se" e restaurar o clã. O primeiro quesito fora realizado, mesmo que por caminhos tortuosos — a morte de Danzou foi uma vingança, por ter obrigado Itachi a cometer os assassinatos -, agora faltava a parte de restaurar o clã. Obviamente ele precisava de uma mulher para isso.
E tinha que ser a Haruno.
Primeiro, porque ela era uma kunoichi excelente — força bruta descomunal, controle de chakra preciso, uma ótima Iryou-nin, aluna da Godaime. Ele não poderia escolher uma mulher fraca para carregar o nome Uchiha, e Sakura definitivamente não era fraca.
Segundo, porque ela era a única que o interessava naquela vila. Quando crianças, Sakura não era lá a menina mais atraente, mas as coisas haviam mudado. Agora, ela se tornara bela, sem muito exagero. Sakura era diferente de todas as mulheres de Konoha, não se importava com sua aparência, e mesmo assim continuava possuindo-a.
Mas não havia um pingo de sentimentalismo naquilo.
Sasuke queria casar-se com ela, ter seu herdeiro e dar continuidade ao clã. Ele não a amava, sequer sabia o significado real de "amor romântico". Só precisava de uma mulher disposta a fazer o que ele queria propor. Sasuke sabia que seria difícil convencer Sakura — principalmente agora que ela havia se tornado bem mais dura com ele, mas o moreno também sabia que Sakura uma hora ou outra iria ceder. A Haruno nunca havia esquecido seu amor por ele, e Sasuke sabia disso. Ele só precisaria persuadi-la do jeito certo.
Resolveu sair daquele quarto. Colocou uns chinelos e pôs-se a caminhar pelo hospital, que tinha uma movimentação fraca agora, pois a maioria dos feridos pela batalha contra Katsuo já haviam sido tratados. Subiu até a cobertura do prédio, onde dezenas de lençóis brancos dançavam junto ao vento. Não era o mesmo hospital, mas era praticamente igual á cobertura na qual Sasuke e Naruto tiveram sua primeira luta séria.
Nostálgico.
Percebeu a presença de alguém, e viu Naruto sentado em cima de uma das grandes caixas d'água, observando o céu com uma cara de paisagem. Sasuke franziu o cenho.
– Enlouqueceu de vez. — O moreno disse, em tom de deboche, chamando a atenção de Naruto.
– Teme? À quanto tempo está aqui? — Ele disse, descendo até onde Sasuke se encontrava.
– Tempo suficiente pra ver que você está mais retardado do que nunca. — Ele disse, com desinteresse, dirigindo-se até a grade da cobertura do hospital.
– Não estrague a felicidade dos outros. — Naruto disse, mas na verdade ele não havia se importado com o insulto. Pôs as mãos atrás da cabeça, cruzando-as, e dirigiu-se até o lado de Sasuke.
– "Não estrague a felicidade dos outros?" Quer dizer que você foi mesmo lá?! — Eles escutaram, e viram Sakura aproximar-se de Naruto. A Haruno tinha um sorriso malandro. — Me conta agora o quê aconteceu entre vocês!
– Ah, qual é, Sakura-chan... — Naruto reclamou, com um leve rubor. — Isso é meio pessoal.
– Não me venha com essa, Naruto! Fui eu quem empurrou vocês dois, e não tenho nem o direito de saber o que aconteceu?! Faça-me o favor de falar tudo! Sem desculpas!
Sakura continuou tentando fazê-lo falar, enquanto Sasuke apenas assistia. O moreno olhava descaradamente para as pernas descobertas da garota, mas ela não pareceu notar.
– Tudo bem! Eu desisto! Você é muito ingrato, Naruto! — Sakura disse, derrotada. Os dois ainda trocaram algumas palavras insignificantes antes da rosada se retirar.
– Você poderia pelo menos disfarçar,né, Sasuke. — Naruto disse, enquanto os dois observavam a garota se distanciar. — Até um cego poderia ter percebido o jeito que você tá olhando pra bunda da Sakura-chan.
O moreno revirou os olhos.
– E qual é o problema?
Naruto voltou-se para Sasuke.
– Falando sério, Sasuke. O quê você quer com a Sakura-chan?
O Uchiha lançou um olhar de desprezo.
– Nada que te interesse.
Naruto suspirou pesadamente. Realmente, ele não tinha nada a ver com o que Sasuke queria ou não. Foi se afastando, mas antes, parou e disse:
– Sakura-chan é muito importante pra mim, e ela já sofreu muito por sua causa. Não a faça sofrer mais, Sasuke. Você pode ser meu amigo, mas se você fazê-la chorar mais... eu vou te matar.
Disse isso e afastou-se, deixando o moreno sozinho. Sasuke não respondeu ao aviso. Viu quando Sakura saiu do hospital, lá em baixo, acompanhada da Yamanaka.
"Foda-se o que ele disse. Ninguém vai me impedir agora"
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