Um Amor Shinobi
33 Nōto Fuuin
Notas iniciais
Naruto fitava os dois ANBUs à sua frente de uma maneira que os fazia tremer.
Obviamente, essa não era sua intenção. Naruto podia derrubar aqueles dois e passar pela porta quando quisesse, mas estava se segurando. Os ANBUs também sabiam que Naruto podia passar por eles em um piscar de olhos, e era por isso que os dois homens tremiam. O Uzumaki podia ser um herói e ninguém questionava sua bondade, mas ele se tornara um herói justamente por ser muito forte.
Não é fácil encarar um dos maiores (se não o maior) ninja que já existiu sem tremer.
— Me deixem passar logo! — ele gritou, fazendo os dois homens tremerem.
— Naruto-kun, fomos ordenados para não deixar ninguém passar... Não podemos permitir que entre. — um deles tentou.
— Dane-se essas ordens! Quem foi que mandou vocês fazerem isso?!
Sakura, cansada de observar de longe, aproximou-se de Naruto, irritando-se com o loiro.
— Pare de causar escândalo! — a garota disse.
Yamanaka Hideki observava um pouco atrás de Naruto, de braços cruzados e a expressão confusa.
— Ele é sempre assim? — o homem perguntou.
Sakura deu um suspiro cansado.
— É. Sempre.
Da entrada da pousada, Sasuke revirou os olhos. Não importa quanto tempo passe, Naruto nunca vai deixar de ser esse imbecil. O moreno ficara ao lado de fora para fazer a segurança. Os moradores curiosos que se aproximavam ao ouvirem os gritos de Naruto davam meia volta com medo ao se depararem com o olhar frio e sanguinário do Uchiha. Sasuke nunca mudaria nesse aspecto também: no olhar frio que te faz querer fugir.
Naruto estava prestes a gritar novamente quando a porta se abriu com violência pelo lado de dentro.
— Quem é o engraçadinho que está fazendo essa bagunça na minha pousada?!
Uma mulher alta e de longos cabelos vermelhos gritou, completamente furiosa. Os olhos dela eram azuis escuros e o rosto estava cheio de maquiagem. Não deveria ter mais de 25 anos. Era bem bonita, mas o que chamou a atenção de Naruto (e teria chamado a atenção de qualquer outro homem) eram os seios enormes da mulher. Ele chegou a pensar se ela era algum tipo de parente da Hokage Tsunade.
Todos ficaram paralisados e quietos de susto, encarando a estranha mulher, que os encarava de volta, ainda furiosa. Aquela situação acabava de ficar bastante estranha. A mulher endireitou a coluna e os analisou como se eles fossem suas presas: passou os olhos fixamente por cada um, e até mesmo por Sasuke, que continuava de costas.
A mulher bufou.
— Você não me disse que traria companhia desse porte, Shizune! Quem enviou vocês? A Hokage? — ela perguntou, com a expressão desconfiada.
Naruto pareceu ter se lembrado do por que estava ali. Agora, podia sentir claramente o chakra de Hinata atrás daquelas paredes – o que significava que deveriam tirá-la de lá o mais rápido possível.
— Não, nós viemos até aqui por conta própria... Precisamos levar Hinata daqui, agora! — Naruto disse.
A mulher levantou uma sobrancelha.
— E por quê?
Naruto estava prestes a falar, mas Sakura tomou a dianteira
— Por que deveríamos falar? Não sabemos se podemos confiar em você.
As duas se entreolharam ferozmente.
— Você é a outra aprendiz da velha. — a mulher disse, analisando-a. — Posso sentir de longe. Pois é melhor começarem a falar, ou a garota não passa dessa porta.
— Não tenho obrigação nenhuma de dizer nada pra você — Sakura disse friamente, ficando irritada pela mulher ter tratado sua mestra daquela maneira. —, tenho que falar com Shizune. Ou você vai me impedir disso também?
A ruiva olhou-a completamente furiosa. Derrotada, deu passagem para Shizune ir até eles. Ao lado de fora, Sasuke esboçou um leve sorriso. Ela anda aprendendo algumas coisas comigo.
— O que estão fazendo aqui?! — Shizune perguntou, falando baixo para que a mulher atrás não escutasse.
— Perguntinha besta, não? — Naruto bufou. — Isso não importa. Nos encontramos com um cara que disse algo realmente importante... Hinata deve ir embora daqui, agora!
— Explique direito! — Shizune reclamou.
— Pois bem! — a ruiva falou, e todos se voltaram para ela. — Não estou gostando de ver aonde essa conversa vai chegar. Sou eu quem vai analisar o Fuuin, por isso tenho o direito de saber sobre o que estão conversando. Se preferirem guardar segredo, então sugiro que encontrem outra pessoa pra fazer esse trabalho.
O olhar duro dela dizia que estava falando sério. Shizune suspirou.
— Akyio-san tem razão. Vamos entrar e conversar direito, sem reclamações — a morena adiantou-se antes que Naruto pudesse reclamar. — Continuem aqui fora — ela disse, dirigindo-se aos ANBUs.
Os ninjas começaram a entrar na porta atrás do balcão enquanto Hideki se apresentava. Shizune pareceu ter ficado extremamente surpresa, mas disse que conversariam melhor depois.
Todos já estavam entrando, mas Sakura hesitou.
— Sasuke-kun, não vai entrar?
Pela primeira vez o Uchiha virou-se. Ele fitou Sakura por vários segundos, mas seu olhar nada dizia. Era como se ele estivesse imerso em pensamentos enquanto a observava.
— Não — ele enfim disse. — , vou ficar aqui.
Sakura ficou parada alguns instantes, mas assentiu e deu as costas.
De uma coisa ela tinha certeza: algo entre eles havia mudado.
O grupo adentrou na saleta que ficava atrás do balcão – era tão pequena que o local ficou abarrotado de gente.
Quando Naruto avistou Hinata, seu coração pareceu querer sair de dentro do peito.
Ela estava na outra ponta da sala, praticamente escondida, mas o mundo pareceu sair de foco quando o loiro a viu. Hinata percebeu sua presença e ficou paralisada. Ela ainda usava a roupa preta, o que fazia com que Naruto se sentisse triste – pois aquilo significava luto. Ele ficou ainda mais preocupado, pois ela parecia mais magra e pálida que o normal, tinha olheiras e parecia muito abatida. Tudo que Naruto mais queria naquele momento era pegá-la no colo se sair correndo dali, mas se conteve.
Ele tinha que protegê-la não importava como.
Só depois de muito tempo Naruto percebeu que o grupo estava no meio de uma conversa tensa.
— ...Ele disse que destruirá nossa vila se interferirmos! — Sakura disse, mas Naruto só acompanhou o meio da frase.
Uzumaki Akiyo escutava com atenção, com a mão no queixo.
— Parece que as coisas estão mais feias do que eu imaginava... — a ruiva bufou, demonstrando rendição. — Certo, eu vou analisar o Fuuin. Mas já vou avisando que tudo pode dar errado.
— Enquanto isso, devemos avisar Konoha sobre os acontecimentos! — Shizune falou.
— Com isso não precisam se preocupar. Eu já enviei uma mensagem para Konoha — Hideki falou.
— Hideki?! — Hinata exclamou, como se houvesse acabado de se dar conta de sua presença. — Como você...?
O Yamanaka abriu um sorriso para Hinata.
— Aconteceram muitas coisas desde aquele dia.
— M-Mas... eu vi você morto... — ela gaguejou.
— Realmente, eu cheguei à beira da morte... Mas alguns escravos do antigo esconderijo me salvaram e me curaram. Eu passei esse tempo escondido, mas agora que Konoha está passando por momentos difíceis não hesitarei em ajudar mesmo que tenha que pagar as consequências.
Hinata continuou encarando-o boquiaberta, como se não acreditasse que ele estava ali. Naruto sentiu uma súbita onda de ciúmes.
Akyio foi para o fundo da saleta, onde ficavam alguns armários pequenos e espremidos. Ela murmurava alguma coisa enquanto vasculhava os armários, de testa franzida. Retirou uma pequena caixa de lá e um pergaminho.
— Hinata, siga-me. — ela disse e deixou a sala.
Porém, todo o resto dos shinobis começou a seguir a ruiva pela pousada. De fato, não havia nenhum hóspede ali, de modo que o lugar parecia sem vida. Akyio seguiu para os fundos da pousada, além das fontes de água termais, para uma sala que ficava completamente escondida do resto do lugar.
A Uzumaki parou em frente a salae fez alguns selos rápidos com as mãos, de modo que a sala se abriu.
— Entre — ela disse, dirigindo-se à Hyuuga. A morena passou da porta e Naruto estava prestes a entrar também, mas Akyio o impediu, lançando-lhe um olhar sanguinário. — Eu disse Hinata. Você não está autorizado a entrar. Aliás, o que diabos todos vocês estão fazendo aqui? Vão ser analisados também?!
— Como posso ter certeza de que você não vai fazer nada de errado com ela?! — Naruto disse, irritado. Ele não queria sair de perto de Hinata em momento algum.
Akyio bufou e revirou os olhos.
— Tudo bem! — Naruto sorriu vitorioso, mas a ruiva continuou bloqueando sua passagem. — Mas você não pode entrar. Seu bijuu pode afetar a atmosfera. — Todos lançaram-lhe olhares confusos. Ela revirou os olhos de novo. — Será possível que ninguém aqui entende o básico sobre Fuuins?! Quando duas formas com quantidade de chakra fortes se encontram, a que tiver mais chakra suga a força vital da outra.
— Mas se é assim, nem você poderia ficar perto no momento da análise — Um ANBU questionou.
— Não querido, eu posso, pois eu tenho o chakra de uma pessoa normal, não a de um bijuu. Apenas Naruto tem tanto chakra a ponto de acontecer esse tipo de sucção. Se vocês ainda não entenderam, vão procurar estudar um pouco sobre Fuuins. Só vou permitir que Shizune e a menina de cabelo rosa entrem pra assistir. O resto de vocês, fiquem bem longe daqui! — ela gritou, fazendo sinal para que as duas mulheres pudessem entrar.
Depois que todas já estavam lá dentro, a porta da sala fechou-se sozinha. Era um lugar sem janelas iluminado por tochas, um pouco maior que a sala anterior. Havia muitos pergaminhos de diversos tamanhos, caixas com alguns objetos dentro e mais algumas coisas, como amuletos.
Akyio abriu o pergaminho que havia pego na outra sala e começou a lê-lo silenciosamente. Depois pegou mais três pergaminhos que eram grandes; abriu-os de modo que eles se cruzavam, formando uma estrela de seis pontas. Os pergaminhos estavam cheios de inscrições.
As três garotar observavam Akyio trabalhar em silêncio. A ruiva parecia saber exatamente o que estava fazendo. Pegou algumas velas da pequena caixa que trouxera e as posicionou entre os espaços dos pergaminhos cruzados, depois voltou-se para Hinata.
— Tire sua roupa — ela disse.
Hinata não entendeu, mas retirou seu moletom, entregando-o para Sakura.
— Eu disse pra tirar tudo. — Akyio disse.
A garota corou.
— T-Tudo? Mas...
— Para de frescura, garota. Só tem mulher aqui — Akyio cortou, impaciente.
Hinata engoliu em seco e começou a despir-se, até que a única peça de roupa que usava era sua calcinha. A Hyuuga estava completamente constrangida com essa situação. Akyio fez com que ela prendesse os longos cabelos em um coque bem apertado, depois disse:
— Sente-se ali no meio — a Uzumaki falou, referindo-se ao centro da estrela feita de pergaminhos. Hinata sentou-se, cobrindo seus seios com os braços, a cada segundo seu coração batia mais forte.
Akyio aproximou-se de Hinata com um pincel em mãos e desenhou em suas costas o kanji para prisão; a tinta gelada contra a pele nua da garota a fez ter calafrios.
A mulher afastou-se da Hyuuga e disse, dirigindo-se à Shizune e Sakura:
— Façam o máximo para encobrir seus chakras. Só por precaução.
Akyio começou a fazer os selos.
Imediatamente a atmosfera da sala pareceu ter ficado pesada e escura. Hinata não movia um músculo; sua respiração começou a acelerar. Akiyo pronunciou:
— Nōto Fuuin!
As velas que a ruiva posicionara acenderam-se sozinhas em uma rajada. As inscrições nos pergaminhos começaram a brilhar em uma cor azul-marinho e começaram a expandir-se para fora do papel como se fosse uma coisa viva; logo o chão estava coberto por inscrições, que subiram pela parede até o teto feito uma planta.
A temperatura da sala pareceu ter caído uns dez graus. O lugar estava completamente fechado, mas mesmo assim um estranho vento gelado fazia os cabelos das mulheres balançar – e era como se o vento trouxesse consigo sussurros de pessoas que não estavam ali.
— São os espíritos das camadas mais profundas que estão observando — Akyio disse. — Agora nós podemos ouvi-los. Mas não se preocupem, eles não podem fazer nada — ela completou ao ver a cara de espanto de Shizune e Sakura.
Subitamente, o vento parou e o brilho azul das inscrições tornou-se menos forte. Sakura esfregou os braços a fim de espantar os calafrios. Ela queria sair dali o quanto antes.
Quando voltou o olhar para Hinata, tomou um susto.
— Como isso apareceu...? — ela murmurou.
O corpo da Hyuuga estava completamente coberto por marcas.
Eram parecidas com as inscrições dos pergaminhos, como tatuagens. Vinham desde as pontas dos dedos dos pés até a cabeça, cobriam o pescoço e deixavam o rosto livre. Hinata observou suas mãos, sem entender.
Akyio observava-a como se entendesse cada uma daquelas inscrições. Ela se aproximou da Hyuuga, rodeando seu corpo, procurando algo.
— O que... O que está procurando? — Shizune perguntou.
— Todo Fuuin tem um centro. — ela disse. — Um eixo principal onde fica a “entrada” da prisão... Mas não consigo encontrar o centro deste. — Ela tirou um pequeno pergaminho do bolso e começou a escrever algumas coisas nele com o pincel. — Maldito Katsuo... Esse selo é complexo demais.
— Como assim, não tem um centro? — Sakura perguntou.
— Ele tem um centro — Akyio disse, sem tirar os olhos das marcas. — Todo Fuuin tem um centro. É impossível que não haja algum. A questão é que o centro deste aqui está escondido... — Ela murmurou alguma reclamação incompreensível. — Esse selo... Me lembro de ter estudado algumas características dele, anos atrás. O que Katsuo fez foi pegar uma série de selos e juntou-os em um só.
— E isso o torna pior — Shizune murmurou.
— Sim. Sinceramente não sei como o seu corpo conseguiu suportar um Fuuinjutsu tão poderoso por tanto tempo — Akyio disse, dirigindo-se à Hinata. — Nem mesmo um Uzumaki conseguiria suportar uma coisa dessas. Como Katsuo conseguiu desenvolver uma coisa assim?
— Talvez não tenha sido ele — Sakura disse, como se enfim houvesse percebido uma coisa importante.
— C-Como assim? — Hinata perguntou.
— Amanojaku nos disse que foi ele quem planejou tudo desde o início... Ele fez com que Katsuo se tornasse mal e resolvesse mexer com Akuma. Então, e se ele não foi quem criou este selo? E se o Fuuin também faz parte do plano?
Akyio franziu o cenho.
— Um selo feito por um demônio? As coisas ficam cada vez piores — ela disse.
— Akyio-san... Eu acho que sei onde fica o centro do selo — Hinata disse.
— Como assim?
A Hyuuga tocou a parte de trás da cabeça.
— Quando eu estava presa, Katsuo colocou um selo em mim para que eu não fosse capaz de usar meu Byakugan... Toda vez que eu tentava usar, sentia uma dor muito forte bem aqui. E quando ele desfez o selo, foi aqui que ele tocou com os dedos... Eu tenho a impressão de que é aqui.
Akyio se aproximou e afastou os cabelos a fim de olhar o topo de sua cabeça.
— Você é um gênio — Akyio disse. — O centro está aqui.
— Você pode fazer alguma coisa? — Shizune perguntou, esperançosa.
— Não. — as outras estranharam. — O centro do selo está na cabeça, o que significa que se eu tentar fazer alguma coisa, vou matá-la. E essa não é a pior parte. — Akyio fitou Sakura. — Você está certa, garota. Esse Fuuin faz parte do plano de Amanojaku. O Fuuin alimenta-se da força vital do Hospedeiro, de forma que ele fica mais fraco a cada dia... O selo está te matando, Hinata. Não sei como você ainda está viva.
Um calafrio subiu pela espinha de Hinata. Algumas coisas começaram a fazer sentido em sua mente. Sua perda de peso, sua fraqueza, até a sua súbita depressão... Sua força vital estava sendo sugada.
— I-Isso... Isso significa que eu vou morrer? — Hinata perguntou fracamente. — Já que você não pode fazer nada...
Akyio olhou-a com compaixão.
— Não... Isso não está certo! — Sakura disse, começando a entrar em desespero. — Se Hinata morrer, Akuma será libertado! Ela não pode morrer! Deve haver alguma coisa que possamos fazer...
Não há nada que possam fazer.
Uma voz retumbou de todos os cantos. Aquele estranho vento gelado voltou a circular pela sala; as vozes sussurrantes ficaram mais altas, quase gritantes. As três mulheres agarraram Hinata e colocaram-na atrás de si, fazendo uma barreira enquanto ela (quase que inconscientemente) começou a tatear por suas roupas.
Então ele apareceu. Amanojaku materializou-se ali, na frente delas.
— Vocês descobriram exatamente o que eu pretendia fazer. — ele disse. — O Fuuin deveria tê-la matado á muito tempo atrás... Mas você é dura na queda, não é mesmo, Hinata? — ele abriu um sorriso macabro. — Para tirar Akuma-sama de dentro do seu corpo, você vai precisar morrer.
Ele deu um passo em direção às mulheres, e elas deram um passo para trás quase que inconscientemente, esmagando Hinata contra a parede.
— Prepare-se para morrer, Hyuuga Hinata.
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